Evacuar três vezes ao dia, ou três vezes por semana pode até ser considerado normal. Mas, se esses limites se alteram drasticamente, é necessário procurar o especialista e investigar.
Quando buscar ajuda?
A prisão de ventre, constipação ou obstipação é caracterizada pela presença de fezes endurecidas, ressecadas e de tamanho reduzido. Esses fatores contribuem para a sensação de inchaço abdominal, além da dificuldade de eliminação causada pela dor, pelo esforço e distensões. O gastroenterologista é o médico treinado para avaliar o caso. Na consulta, investigará o histórico do paciente e poderá solicitar exames específicos como a defecografia (exame da dinâmica anorretal), bem como colonoscopia nos casos mais graves, entre outros.
Distúrbios metabólicos e endócrinos
Doenças específicas como o hipertireoidismo e hipotireoidismo afetam o funcionamento normal do sistema orgânico e podem acelerar o trânsito intestinal ou tornar lentas as ondas peristálticas. Isso ocorre em razão da diminuição do metabolismo e da atividade das células responsáveis pela inervação e motilidade digestiva. O diabetes é também uma das patologias que se relacionam à dificuldade de evacuar, especialmente nos casos de polineuropatia, isto é, alteração de inervação responsável pela musculatura intestinal e também pelo comprometimento do movimento espontâneo e da atividade do esfincter anal e da prensa abdominal (musculatura).
Algumas medicações causam o problema
Há uma série de remédios que agem no reflexo da evacuação, seja no comando cerebral ou na inervação periférica (intestino grosso). O resultado é a alteração do movimento espontâneo do tubo digestivo, conhecido como motilidade. Existem ainda medicamentos que agem na musculatura do sistema digestório, inibindo e tornando lentas as ondas peristálticas responsáveis pela exoneração do bolo fecal. Exemplos de fármacos relacionados a esse sintoma são narcóticos, antiácidos que contenham alumínio ou cálcio, drogas antiparkinson, antidepressivos, hipertensivos, suplementos à base de ferro, diuréticos e anticonvulsivos. Após avaliação do quadro do paciente, o médico pode indicar diminuição de doces, supressão ou substituição do medicamento.
Relacionado ao estilo de vida
Na maioria dos casos, a prisão de ventre está relacionada a dietas pobres em fibras (feijões, grãos integrais, frutas e vegetais frescos etc.). As fibras são as responsáveis pelo aumento do bolo fecal e ainda auxiliam na passagem para as diversas etapas do trânsito intestinal, até chegar à ampola retal e ao reto e ativar o mecanismo da evacuação. Beber água e líquidos é medida importante para evitar a desidratação. Quem tem tendência para esse tipo de sintoma deve evitar alimentos pobres em fibras como queijos, carnes, sorvetes, assim como produtos processados. A vida moderna leva à não observação dos reflexos de evacuação matinal e pós-alimentar, inibindo a solicitação natural do organismo. A sugestão dos especialistas é que se reserve tempo, todos os dias, para ir ao banheiro com calma. A atividade física também é benéfica para prevenir o problema.
Anormalidades estruturais
Doenças como o intestino irritável levam à prisão de ventre por alterações nos mecanismos da evacuação. O problema, neste caso, é uma mudança nos transmissores celulares e nos nervos responsáveis por esse processo. Outras patologias como o megacólon, causada pela doença de Chagas, contribuem para a destruição das fibras musculares e neuronais, responsáveis pela motilidade e o sincronismo da evacuação, diminuindo o seu ritmo. Já a diminuição em algum lugar do tubo digestivo pode causar lentidão, suboclusão ou oclusão total da luz intestinal. As causas mais frequentes são aderências decorrentes de cirurgias, endometriose, cânceres, hérnias abdominais, volvos (movimentos opostos à contração que impedem a evacuação), doenças inflamatórias e peritonerais.
(tetxto extraído da revista "Viva Saúde")
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