quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Bichinhos depressivos - Marisa Sei


Ansiedade e depressão não são transtornos exclusivos dos seres humanos. Cães e gatos também pode sofrer com os sintomas - entenda por quê!

Na hora de adotar um bicho de estimação, engana-se quem pensa que basta oferecer comida e água fresca que o animal já estará muito bem tratado. Assim como crianças, cães e gatos são sensíveis ao que acontece no ambiente em que vivem - podem, por exemplo, ter um comportamento irritado caso haja muitas brigas em casa, sentem medo com barulhos como trovões e sentem solidão se forem deixados muito tempo sem companhia. Por serem sensíveis assim e terem emoções complexas, os animais podem desenvolver problemas como a depressão, algumas vezes necessitando, inclusive, de medicamentos antidepressivos.

Triste por quê?

Segundo a médica veterinária e professora Alessandra Melchert, a depressão em animais pode ocorrer por diversos fatores. A chegada de um novo cão ou gato em casa, a perda de um ente querido ou o nascimento de um bebê na família são alguns exemplos. "Mesmo a mudança de ambiente pode levar esses animais a esse tipo de sentimento, que é natural. De uma forma simples, pode-se dizer que isso ocorre porque o acontecido será associado a uma diminuição parcial ou total da atenção que o animal recebia anteriormente ao evento", explica. Ou seja, os fatores passam a interferir no dia a dia do cão ou do gato: a chegada de um bebê pode diminuir a área na casa por onde o animal percorria, e diminuir a atenção dos seus proprietários também.

Os sintomas de depressão também podem estar associados ao comportamento dos donos, como a superproteção, falta de estímulo à socialização com outros cães ou com outras pessoas e falta de exercícios físicos (não levar o cão para passear, por exemplo). Assim, é preciso ficar atento aos sinais que o cão dá e à rotina proporcionada a ele.

Quando desconfiar?

Assim como nos humanos, a mudança de comportamento pode ser um bom sinal de depressão. O cão ou gato pode passar a não gostar de ser tocado, não brincar como antes ou se isolar em algum canto da casa. "Um tipo comum de depressão, dentro da área comportamental de cães e que já está sendo associada aos gatos, chama-se Ansiedade por Separação, que leva alguns cães a destruírem casas quando deixados sozinhos, e até mesmo se automutilarem", destaca a especialista. Mudanças no apetite e no sono do animal também merecem atenção.

Feliz de novo

Ao aparecerem os sintomas, o recomendado é levar o bichinho ao veterinário, que é o profissional que vai descartar possíveis doenças física e diagnosticar a depressão. O animal poderá necessitar de mais atenção dos  donos - passar mais tempo com ele estimulando brincadeiras e levando-o para passear são boas atitudes para afastar o problema. Alguns veterinários recomendam não oferecer ao cão ou gato petiscos sempre que eles se demonstrarem amuados, pois o bicho pode associar o comportamento negativo à recompensa.

Com a mudança de hábitos, é possível que o animal apresente melhoras nos sintomas mas, caso não seja suficiente, medicamentos antidepressivos podem ser recomendados - e só devem ser usados com prescrição e acompanhamento do veterinário. Remédios alopáticos e florais de Bach também podem auxiliar no tratamento.

Mantendo a rotina

Cães e gatos aprendem rápido e fazem associações simples. Por exemplo: se o dono leva o animal para passear todas as manhãs, o bichinho vai esperar todos os dias por esse horário, sabendo que receberá a devida atenção. Assim como para muitas pessoas, sair da rotina pode não ser visto como um benefício pelo animal. Por isso, uma vez estabelecidas as atividades cotidianas, o ideal é não decepcioná-lo. Nada de oferecer a caminha do cachorro para o filhote que acabou de chegar em casa, ou o pote de comida do gato para outro bichano, ok? Para os cães, passeios também são fundamentais, especialmente se são criados em apartamento. Assim, se o dono não dispor de tempo, o recomendado é pedir a uma pessoa de confiança ou mesmo contratar alguém para realizar a tarefa. Parecem ser detalhes, mas que, para os bichinhos, pode fazer a diferença e prevenir ansiedade e depressão.


Consultoria: Alessandra Melchert e Prfiscylla Tatiana Chalfun Guimarães Okamoto




(texto publicado na revista Mente Animal nº 1 - ano 1 - 2014)








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