quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Covardia animal - Carolina Giovanelli


Pelo menos dezesseis cães e gatos são resgatados por dia das ruas da capital, grande parte abandonada por pessoas que haviam se comprometido a cuidar deles

Não se pode chegar perto dos oitos filhotinhos da cadela Clara, nascidos há cerca de três semanas. Como boa mãe, ela não quer ninguém mexendo com sua prole. A família ficou balançada por perder o lar de uma hora para a outra. No último dia 19, a cadela e seus bebês foram largados na frente da ONG Cão sem Dono, em Itapecerica da Serra, dentro de uma gaveta, com um punhado de ração. O canil da instituição, com capacidade para 210 bichos, está superlotado, com mais de 370 cães. "Mesmo sem condições, não tivemos outra opção a não ser acolher esses novos pets", afirma o diretor Vicente Defini. Não é a primeira vez que uma cena dessas ocorre por lá. Essa é uma realidade comum no dia a dia das entidades do tipo e na cidade como um todo. Os descartes acontecem também em parques, praças, estradas e portas do pet shops. Nem os hospitais veterinários públicos escapam. Há quem interne o bichinho doente e não volte nunca mais.

De acordo com um levantamento realizado por VEJA SÃO PAULO em dez das principais instituições atuantes nessa causa na capital, pelo menos 500 pets são resgatados das ruas por mês, uma média de dezesseis por dia, ou cerca de 6 000 por ano. Grande parte deles já teve uma casa e foi abandonada pelo dono, segundo os profissionais dessas ONGs. Trata-se apenas de uma amostragem. O problema, de acordo com os especialistas, certamente é muito maior. Não existem estatísticas oficiais a respeito do assunto, pois contabilizar a população de animais desamparados configura tarefa bastante difícil. "Eles costumam se concentrar em áreas de limpeza escassa e com abrigo, como terrenos baldios e construções", afirma Ricardo Augusto Dias, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Além disso, alguns têm endereço fixo, mas contam com acesso à rua, outros estão perdidos e há os chamados "cães comunitários", cuidados por diversas pessoas.

Os casos de pets que já  tiveram dono, mas viraram "órfãos", são de cortar o coração. Mesmo com a difusão da ideia de considerar os bichos como integrantes da família, algumas pessoas ainda seguem a direção de percebê-los como mercadorias, que, consequentemente, podem ser descartadas. "Já ouvi os motivos mais absurdos de tutores para desistir das mascotes, do naipe de 'fiquei grávida' ou 'comecei a namorar e minha parceira tem medo'", diz a ativista Luisa Mell, cujo instituto recebe cerca de 500 pedidos de resgate diariamente. Os períodos de férias e festas de fim de ano acumulam recordes, pois os proprietários vão viajar, não têm com quem deixar os amigos de quatro patas (ou não querem gastar com os hotelzinhos) e optam pela medida extrema do descarte. "Nunca me esqueci de quando fui procurada por uma mulher que ia se mudar de casa e queria deixar comigo seu cachorro de 10 anos. Como pode jogar fora um companheiro de uma década?", espanta-se Luisa.

No fim do ano passado, sua equipe encontrou, no bairro da Penha, uma casa com quarenta cães sem supervisão. A mulher do antigo morador havia morrido e o rapaz resolveu trancar o espaço e dar no pé. Vizinhos alimentaram o grupo até a ação de salvamento da entidade. uma das fêmeas resgatadas, batizada de Lobinha, acabou adotada pela fotógrafa Bárbara Valente e seu marido, Rodrigo. "No começo, ela tinha muito medo, mas evoluiu bastante", alegra-se a mulher.

Não é raro flagrar uma ação irresponsável de descarte na capital. Em agosto, a produtora de moda Juliana Rebecchi visitava seus pais, no Imirim, quando suspeitou de um carro que se movia lentamente pela rua. Demorou pouco tempo para o motorista jogar pela janela do veículo uma cadela de cerca de 1 ano. "Não acreditei no que estava vendo", conta Juliana. Quando percebeu o sumiço definitivo do condutor, a moça apanhou a vira-lata e a levou à pet shop. Descobriu que Lara, como foi batizada, estava prenhe. Hoje ,Juliana vive com o filhote Shoyu e sua mãe, além de dois gatos. "Ela ficou triste durante muito tempo, chorava e procurava pelo antigo dono", lembra.

Nem só as mascotes sem raça definida acabam rejeitadas. "Às vezes, as pessoas compram os pets com pedigree por impulso ou para estar na moda", acredita Vanice Orlandi, presidente da União Internacional Protetora dos Animais. "Aí, por causa de algum desvio de comportamento, gestação, doença ou idade avançada, elas os deixam de lado". Entre os 900 moradores do abrigo no Canindé, aparece um pastor alemão bravo chamado Déjà Vu. O nome surgiu pelo fato de ele ter sido adotado e devolvido duas vezes. O agressivo american staffordshire terrier Thor, encontrado amarrado em uma árvore, também amarga o isolamento. "Dá para entender que se trata de um momento de desespero dos donos, mas nada justifica largar os bichos por aí", diz Vanice.

O abrigo do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da prefeitura, em Santana, não recebe qualquer animal, apenas aqueles sem dono que representam grande risco à sociedade ou se encontram em estado terminal. Ou seja, caso alguém não queira mais cuidar de sua mascote, depende de alguém topar adotá-la ou da disposição das ONGs, sempre superlotadas, para recebê-la. A dificuldade acaba incentivando o crescimento da população de rua. "O tema é mais complexo do que se pode imaginar e envolve a sensibilidade das pessoas", entende Rita de Cássia Maria Garcia, pesquisadora do assunto e veterinária docente da Universidade Federal do Paraná. "Os animais abandonados fazem parte, de alguma maneira, da parcela excluída da sociedade. Em um universo que se acostumou com a presença de crianças nas ruas, como avançar na questão dos bichos?"

O abandono cria um problemão de saúde pública para a capital. Os cães e gatos podem transmitir doenças, como raiva e leishmaniose, e causar acidentes. Um dos modos mais utilizados para tentar conter esse grupo é a castração, a fim de evitar a reprodução descontrolada. Protetores independentes, ONGs e o CCZ costumam promover mutirões. O órgão municipal, no entanto, só realiza as cirurgias em indivíduos com um responsável definido - no ano passado, ocorreram 805 procedimentos em cães e 1 730 em felinos. O ativista Eduardo Pedroso atua independentemente com esterilizações em um cemitério na Zona Leste, ponto comum de descarte. "Não há vigilância alguma", explica ele. Durante os dois anos e meio de seu trabalho voluntário, aproximadamente 200 bichanos foram beneficiados. Em uma conta básica, um casal de felinos pode gerar mais de 300 descendentes em três anos. Na terra indígena instalada próximo ao Pico do Jaraguá, a população também sofre com a questão. Cerca de 400 cães e gatos perambulam por ali. Principalmente à noite, carros passam pelas vias ao redor para desová-los. O hábito piorou ainda mais o quadro de uma área extremamente pobre. Há ações veterinárias periódicas no local, mas insuficientes para sanar o problema.

Além da  castração, a educação sobre posse responsável aparece como aspecto fundamental para atenuar a situação. Pouco adiantam os mutirões se os donos continuam largando os pets indiscriminadamente. Ao adotar, deve-se saber que os animais têm necessidades, provocam gastos, trazem comportamento imprevisível e vivem por muitos anos. "Promovemos campanhas focadas na conscientização com o objetivo de tentar mudar essa realidade", afirma a secretária estadual do Meio Ambiente, Patricia Iglesias. No frim de 2015, por exemplo, sua pasta promoveu no Parque Villa-Lobos, em Pinheiros, um evento em que os tutores podiam tirar dúvidas sobre os cuidados com os pets.

O abandono de gatos na área da Fundação Parque Zoológico, na Água Funda, ocasionou uma crise na instituição. Há alguns anos, o espaço virou ponto de descarte de felinos. "As pessoas os deixam aqui, achando que o zoo é o paraíso das espécies, que todas serão cuidadas por nós", conta a bióloga Kátia Rancura. "Mas não temos estrutura, e isso causa um desequilíbrio ambiental". Os bichanos caçam e são caçados pelos animais mantidos em cativeiro. Predam principalmente aves (acabaram com os marrecos), mas também répteis e anfíbios. Além disso, transmitem doenças por contato, através das fezes - como a toxoplasmose, que já matou um primata - ou mesmo da saliva, quando abocanham a comida dos recintos. Chegaram a arranhar frequentadores. Mas também caem nas garras de tipos como o lobo-guará e a harpia, uma espécie de gavião. Já houve casos de gatos que foram atacadas na frente dos visitantes, causando certo choque aos frequentadores de passagem por lá. Em 2011, a administração do lugar começou um projeto de esterilização, vacinação e microchipagem, que contemplou 200 indivíduos. Alguns deles acabaram adotados por funcionários, mas outros se mostravam selvagens demais e retornaram à mata. "Ainda neste ano, voltaremos com a ação, agora em parceria com ONGs, para ajudar a conseguir um lar para eles, e investindo na conscientização da população", afirma Cauê Monticelli, outro biólogo da equipe do local.

Em São Paulo, o ato de abandono pode se enquadrar em uma lei estadual que estipula multa de 3 000 reais. Uma sentença mais severa, no entanto, depende de um juiz que, no âmbito federal, enquadre o caso como crime ambiental, por maus-tratos ou abuso dos bichos. Se condenado, o infrator pode pegar de três meses a um ano de cadeia. "Nunca vi alguém ir para a prisão por causa disso", afirma Vania Maria Tuglio, promotora do Gecap, departamento do Ministério Público que investiga denúncias ligadas ao meio ambiente. "A lei muito branda incentiva essa atitude contra os bichos."




(texto publicado na revista Veja São Paulo de 4 de maio de 2016)

Pet love - amor de bicho: Dura na queda - Gislaine Bittencourt


Era 1995. Fui com minha mãe à casa de um marceneiro para ver o preço dos berços, pois minha amiga estava grávida do primeiro filho. Enquanto mamãe conversava com ele, vi um menino jogando o que parecia ser um bicho de pelúcia na parede. Ora jogava, ora chutava.

Chegando mais perto, constatei que não era um brinquedo e sim um gatinho, minúsculo, com lindos olhos azuis. Minha vontade era pegar aquele animalzinho e sair correndo.

A dona da casa, vendo que eu não tirava os olhos do bichinho, disse que era uma gatinha siamesa e perguntou se eu não queria levá-la. Olhei para minha mãe que, com certeza, viu em meus olhos o desejo de ficar com a gata.

Olhamos juntas para um canto da casa: no chão, encostada à parede, a gatinha comia grãos de feijão seco.

Naquele momento minha mãe tomou a decisão que mudaria a vida daquela gatinha para sempre. Pegamos o animalzinho, o embrulhamos em uma sacola plástica e o trouxemos para casa. Ao chegarmos, nossa primeira missão foi dar na gata um banho bem quentinho. Tiramos mais de cem pulgas daquele corpinho miúdo. Ela era tão magrinha que podíamos contar suas costelas.

A gata foi batizada de Isabel Bittencourt, nossa querida Bel. O nome foi homenagem a uma jogadora de futebol do time de coração do meu irmão.

Durante dias, a Bel só se levantava da caminha par comer; não tinha forças para mais nada. No décimo dia, enquanto eu estendia as roupas no varal, minha mãe, surpresa, viu a Bel brincando na grama, aos seus pés. A partir deste dia, Bel passou a acompanhar minha mãe aonde ela ia - adotou-a como sua verdadeira mãe. Quando a mostrávamos às pessoas, enroladinha em suas cobertas, só com a carinha de fora, todos a achavam linda. Mas, quando tirávamos o cobertor, o pavor era geral. Bel era toda deformada por causa das surras que levou antes de nós a adotarmos.

Seu brinquedo preferido era jogar as bolinhas de lã que minha mãe fazia. Também gostava muito de caçar: formigas, borboletas, mosquitos, moscas, ratos e passarinhos.

Como não sabíamos ao certo sua idade, quando percebemos, Bel estava no cio. E já que é uma gata siamesa, a prendemos na dispensa com um gato da mesma raça. Mas a dana não quis saber do "nobre" partido. Toda vez que ele tentava uma aproximação, apanhava.

Depois de um tempo, percebemos que ela estava prenha. Um dia, conversando com o vizinho, minha mãe soube que a Bel tinha pego cria de um gato vira-lata, preto e branco, que morava na casa em frente.

No dia 23 de dezembro de 1995, pela manhã, Bel entrou em trabalho de parto. À tarde, como ainda não havia nascido nenhum filhote, a levamos a uma clínica veterinária. Lá, a Dra. Rosane nos disse que seria necessário fazer uma cesariana. Minha mãe, antecipando que toda vez que Bel pegasse cria iria sofrer, autorizou a castração.

Meus pais me deixaram na clínica e foram resolver umas pendências. Passado algum tempo, o Dr. Marcelo me chamou e pediu que eu o ajudasse com os filhotes. Bel tinha dado à luz cinco lindos machinhos: três malhados de preto e branco e dois totalmente pretos.

Bel foi uma uma mãe muito zelosa. Sempre que recebíamos alguma visita lá ia ela, carregando um por um os filhotes para o quarto dos meus pais. Em janeiro, uma amiga do trabalho esteve lá em casa e acabou levando dois filhotes - um preto para ela e um malhado para sua sogra. Ficamos com os outros três, que  foram batizados de: Thomás Hélio, que era meu; Tobias Izidoro, do meu pai; e Tião, da minha irmã.

Em fevereiro viajamos de férias para a praia e, lá, Bel se transformou numa verdadeira leoa, defendendo sua cria. Em certa ocasião, jogávamos cartas quando vimos que Bel entrava, abaixadinha, carregando um dos filhotes. Ficamos observando: ela trouxe os três e colocou-os na caixa que servia de cama para eles. Em seguida, saiu novamente para a rua. Curiosos, fomos atrás a fim de verificar o que acontecia. Bel estava "pondo para correr" uma cadela que deveria ter mais ou menos dez vezes o seu tamanho!

Apesar de todo amor, carinho e boa alimentação, o passado de maus tratos deixou a saúde de Bel muito frágil. Em julho, ela sofreu um grave acidente. Minha mãe a encontrou sangrando pelos olhos e ouvidos. Desesperada, ligou para meu pai, que levou as duas direto para a clínica. Após examiná-la, a veterinária disse que Bel tinha levado uma paulada ou pedrada na cabeça. Foi um susto terrível, ficamos apavorados com medo de perdê-la. E nunca descobrimos quem a maltratou...

Em outra ocasião, Bel tomou mais de dez injeções por causa de uma infecção respiratória. Meses depois, teve uma infecção no ouvido e precisou ser operada sem anestesia por causa da idade avançada. Ela ainda sofreu durante mais de um mês fazendo exames de sangue e fezes até descobrirmos, após uma ecografia, que Bel estava com uma grande infecção na alça do intestino.

Hoje, apesar de já ter 14 anos, ela ainda corre pela casa, como se estivesse brincando de pega-pega. Espera, na porta do quarto, minha irmã se levantar para ir dormir na cama dela.

À tarde, na hora da sesta, dorme com minha mãe. À noite, deita no sofá, entre meus pais, para ver TV. Outra mania que a Bel tem é abrir a porta do armário da cozinha. Abre apenas pelo prazer do ato, pois não entra lá.

Apesar de todos os problemas que enfrentou, tenho certeza que Bel é feliz. E nós somos mais felizes ainda, por desfrutarmos de sua companhia!



(texto publicado na revista Seleções de abril de 2009)

13 coisas que seu podólogo não contaria a você - Michelle Crouch


1) Quando você vai a uma loja de calçados, o vendedor deveria medir seus pés. Muitas pessoas usam o mesmo tamanho de calçado há 30 anos, por que ninguém mais mede os pés, mas eles podem ficar mais planos e, consequentemente mais compridos, à medida que os anos passam.

2) Seus pés não precisam cheirar mal. Você usa desodorante nas axilas para evitar mau cheiro, não usa? Funciona da mesma forma com os pés. Tente o tipo spray. Alterne os calçados, para que eles tenham a chance de secar completamente, e use meias. Do contrário, o suor promoverá o crescimento de bactérias que ficam nos  calçados.

3) Apesar de haver um protocolo de desinfecção de alto nível estabelecido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), nem todos os salões de beleza seguem a recomendação e você pode acabar tendo uma infecção. Se você quer fazer as unhas dos pés, procure um local que esterilize seus equipamentos em autoclave, e não em estufa ou utilizando outros métodos.

4) Separadores de dedos, órteses para joanetes e outros apetrechos de silicone ajudam você a se sentir melhor, mas não vão livrá-lo de dedos em martelo e joanetes. É preciso se consultar com um profissional para cuidar disso. Se você tem um problema de estrutura, um acessório baratinho não vai reverter o quadro.

5) Alguns cirurgiões especialistas em pés farão intervenções cirúrgicas para corrigir as patologias. Mas não indico cirurgias estéticas para os pés. Você não deve fazer uma cirurgia se não estiver com dor, porque sentirá dor após a cirurgia - isso é fato. Tem de valer a pena. De outro modo, você estará procurando problemas.

6) Quando decidir se exercitar, pergunte a nós qual é o tipo de calçado correto para você. Não é aconselhável seguir as indicações de quem não conhece a biomecânica e os tipos e patologias dos pés. Certamente o primeiro passo para qualquer exercício deve ser a escolha certa do calçado, mesmo para uma simples caminhada.

7) Já vi de tudo um pouco, inclusive pessoas que atiraram nos próprios pés. De fato, você não deveria limpar sua arma carregada depois de ter bebido uns copinhos de cerveja. Outra atitude tola: cortar a grama usando chinelos.

8) Se você tem pés secos e rachados, experimente cremes à base de ureia, no máximo a 10%. Mas vale lembrar que, muitas vezes, a causa das rachaduras é simplesmente a exposição dos pés às intempéries, por causa do uso de sandálias e outros calçados abertos.

9) Algumas vezes, se um joanete está realmente em más  condições, o paciente me pedirá para indicá-lo a um cirurgião ortopedista. Eu só posso aplicar técnicas que auxiliam a manter a posição dos dedos, impedindo a evolução dos desvios, mas isso não acaba com o problema. Oriento esses pacientes a dizerem para suas filhas: Cuidem de seus joanetes agora.

10) Não tenho nada contra as pessoas que frequentam pedicure, mas por favor, não depile os dedos dos pés logo antes de ir. Você pode ficar inibida com os pelos, mas ficará pior quando bactérias e fungos entrarem nos cortes microscópios e causarem uma infecção.

11) Palmilhas compradas em farmácias e outras lojas são quase um truque. Vão ajudar se você precisar apenas de alguma sustentação para o arco e acolchoamento, mas não se parecem em nada com as órteses plantares que faço no meu consultório, para cuidar das patologias e da reeducação postural. 

12) Use meias sempre que estiver com algum sapato fechado. As pessoas não costumam usá-las e, por isso, o atrito do sapato com os pés acaba causando bolhas ou feridas que poderiam ser evitadas. Neste caso, procure um podólogo.

13) Por favor, lavem os pés antes da consulta. E troquem as meias - eu posso detectar se você está com as mesmas meias por mais de um dia.



(texto publicado na revista Seleções de maio de 2012)

Animais também têm acesso à saúde gratuita


Hospital veterinário público. Com duas unidades, pronto atendimento recebe pets de moradores da cidade de São Paulo

O primeiro hospital público veterinário do Brasil fica em São Paulo e tem duas unidades, uma na zona leste e outra na norte. Parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais, as unidades funcionam como pronto atendimento e recebem cerca de 450 animais por dia.

Os serviços oferecidos vão de consultas a cirurgias e podem ser utilizados por todos os moradores da cidade. Por isso, além de RG e CPF, é necessário também a apresentação de comprovante de residência. Os cidadãos de baixa renda ou assistidos por qualquer programa do governo têm prioridade.

O atendimento acontece de segunda a sexta-feira das 7h às 17h, para casos de emergência, com risco de morte iminente, ou de urgência, que deve ser resolvido rapidamente para não se agravar. Donos de animais, em estado menos crítico, devem retirar senha. A distribuição começa uma hora antes, às 6h e vai até às 10h.

O horário de funcionamento, a princípio, pode parecer reduzido. Mas, como explica o diretor Lucas Freitas, os portões são fechados ás 17h a fim de que os animais consigam ser liberados até o início da noite. As cirurgias, no entanto, não raro terminam perto da madrugada.

Apesar da espera ao qual os pacientes são submetidos, reconhecimento pela qualidade do atendimento não falta. Lucas Lopes, desempregado de 20 anos que levou a gata para ser examinada, afirmou: "O atendimento é ótimo. Eles tratam os animais muito bem".

Aos sábados, a unidade da zona leste funcional das 7h às 10h, para emergência. Aos domingos e feriados não há atendimento.



(texto publicado no jornal Metrô edição 2381 - ano 10 - 28 de setembro de 2016)

Cinema nacional: Mito do duplo move "Um homem só" - André Marcondes


Algo que fascina as pessoas há tempos é o mito do duplo. A palavra alemã dopperlgänger (doppel = duplo; gänger = que anda) é usado para se referir ao fantasma ou simulacro de uma pessoa viva. O tema é frequentemente abordado na literatura e no cinema. Em "Um Homem Só", que estreia amanhã, a roteirista Claudia Jouvin faz seu début como diretora, e se apropria da crença do duplo para criar uma mistura de comédia romântica, drama cotidiano e ficção científica.

"Eu fazia televisão e tinha muita vontade de trabalhar com cinema. Um dia, tomando uma cerveja com a Mariana [Ximenes] e a [produtora] Maria [Carneiro da Cunha], surgiu a ideia de fazermos esse filme. Foi uma empreitada que demorou quase sete anos, deu uma trabalheira danada, mas gerou uma satisfação enorme após o término", conta Claudia.

O longa nos apresenta Arnaldo (Vladimir Brichta), um homem frustrado, preso a um casamento falido e a um emprego que detesta. Até o dia que conhece Josie (Mariana Ximenes), bela e excêntrica ruiva, que trabalha com a tia em um cemitério de animais. Apaixonado, Arnaldo toma coragem e procura clínica clandestina que produz cópias de seres humanos. Acredita que um duplo será a solução para seus problemas.

Questionado sobre a complexidade de interpretar dois papéis, o ator Vladimir Brichta brincou. "Minha única preocupação era que o dublê corresse do mesmo jeito que eu". Já Mariana elogiou o colega dizendo que "ele conseguiu imprimir uma identidade absurda em cada um dos Arnaldos".

"Foi um trabalho excepcional, pois são dois personagens muito distintos, e consigo ver qual é qual de maneira muito sutil e ao mesmo tempo profunda", fala a atriz.

Aposta

"Um Homem Só" se arrisca no gênero ficção científica. O cinema está em constante crescimento e sempre há espaço para novos formatos. Quis fazer uma ficção porque é um modelo pouco explorado aqui", diz a diretora.

Como Mascarenhas, melhor amigo de Arnaldo, Otávio Müller ganhou o Kikito de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado 2015. O filme também levou prêmios de melhor fotografia (Adrian Teijido) e atriz (Mariana Ximenes).




(texto publicado no jornal Destak  edição 2466 - ano 11 -28/09/2016)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Entrevista com Alexandre Rossi, o Dr. Pet (The Noite)


Entrevista com Ronnie Von (The Noite)


Ronnie Von faz versão para cenas de filmes com palavrões


Pessoas com mais de 40 anos deveriam trabalhar 5 horas por dia, diz estudo - Taianne Rodrigues


Você tem 40 anos ou mais?

Então talvez você se surpreenda com a conclusão de estudo da Universidade de Melbourne na Austrália, que usou dados de um censo conduzido pelo Instituo de Economia Aplicada e Pesquisas Sociais da Austrália, ligado à universidade.

O estudo analisou o impacto das horas trabalhadas de 3 mil homens e 3,5 mil mulheres acima de 40 anos que tiveram que completar uma série de testes cognitivos e que sugere que trabalhar 25 horas semanais é melhor para a habilidade cognitiva de pessoas nessa faixa etária.

Os testes

Os participantes foram convidados a ler em voz alta, recitar listas numeradas de trás para frente e combinar números e letras em padrões específicos sob pressão de tempo.

Em termos gerais, os homens que trabalham de 25 a 30 horas por semana e as mulheres de 22 a 27 horas alcançaram os melhores resultados nos testes.

Já aqueles que trabalham 40 horas semanais tiveram deterioração cognitiva ligeiramente inferior, enquanto que trabalhar 55 horas ou mais mostrou piores resultados do que aqueles que estão desempregados ou são aposentados.

“O trabalho pode ser uma faca de dois gumes, na medida em que pode estimular a atividade cerebral. Mas ao mesmo tempo, longas horas de trabalho e certos tipos de tarefas podem causar fadiga e estresse, que potencialmente danificam as funções cognitivas.”

Essas são as palavras de um dos autores do estudo, Colin McKenzie, professor de economia da Universidade Keio no Japão.

De acordo com o professor, parece que trabalhar longas horas foi mais prejudicial às funções do cérebro do que simplesmente não trabalhar.

Trabalho em tempo parcial para pessoas acima de 40 anos

Mckenzie disse ainda ao The Times, que muitos países passaram a aumentar a idade para aposentadoria:

“Atrasando a idade em que as pessoas são elegíveis para começar a receber os benefícios de aposentadoria. Isso significa que mais pessoas continuam a trabalhar nas etapas mais avançadas de suas vidas.”

Ele também afirma que o grau de estimulação intelectual pode depender das horas trabalhadas e por isso, ressalta o que consta no estudo, de que horas de trabalho diferentes para adultos de meia idade e idosos é importante para manter o bom funcionamento cognitivo.

“Isso significa que, em média e maior idade, trabalhar em tempo parcial pode ser eficaz na manutenção da capacidade cognitiva.”

No entanto...

Algumas pessoas precisam trabalhar em tempo integral, enquanto que em outros ambientes, as empresas permitem meios alternativos de trabalho para oferecer melhor qualidade de vida aos seus funcionários, como o home officeque pode ser integral ou alguns dias da semana em casa.

Então o tipo de trabalho que é realizado importa?

A sua habilidade de pensar é preservada quando o seu trabalho é intelectualmente exigente?

Como não foram feitas perguntas sobre a qualidade do trabalho, o professor Mckenzie disse que é difícil dizer:

“É muito difícil identificar os efeitos causais do tipo de trabalho nas funções cognitivas. Pessoas devem ser selecionadas em certas ocupações de acordo com as suas habilidades cognitivas.”

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Mente feliz, vida saudável - Letícia Ronche


A saúde depende de fatores comportamentais, por isso é preciso fazer escolhas. Uma delas é ser positivo diante do futuro, diz Eugenio Mussak

Uma das citações de Hipócrates diz que onde a arte da medicina for apreciada, lá também serão apreciadas as pessoas. Talvez aqui esteja a explicação para o fato de Eugenio Mussak declarar que gosta de gente. Médico de formação, sua carreira se fundamenta num tipo de cuidado que não se dá em um consultório ou hospital. É no mundo corporativo que ele indica um tratamento capaz de inspirar gestores e líderes: a educação. O conhecimento é o instrumento que ele usa para entusiasmar esses profissionais ao desenvolvimento de suas potencialidades. "Encaro uma empresa como um organismo vivo e não como uma máquina", explica Mussak.

Ser professor foi a saída para se sustentar durante a faculdade. "Eu gostava e até hoje me realizo dando aula", revela. Vinte anos depois de finalizar o curso, Mussak exerceu a medicina por cerca de cinco anos. Foi aí que se apoderou da real vocação associando educação e performance humana para aplicá-las dentro das organizações. Veja a seguir a entrevista que Mussak concedeu à VivaSaúde.

Como o senhor define a saúde?

No meu tempo de fisiologista, fiz um curso na Clínica Cooper, do Dr. Kennedy Cooper. Ele diz que há um estado chamado saúde e um estado chamado doença e, entre eles, existe um intervalo. Pode ser que você não tenha uma doença, mas isso não significa que você tenha saúde. É preciso dar o seu máximo para se aproximar do extremo da saúde. Alcançá-la depende de sete fatores que são absolutamente comportamentais. São eles: exercício físico, alimentação, qualidade do sono, capacidade de administrar o estresse, autoestima, relações humanas e visão positiva do futuro. Se for possível dar atenção a isso, você adoecerá menos.

De que forma a mente ajuda?

Uma mente saudável é importante porque trabalhamos e vivemos nos relacionando. Você se relaciona com outras pessoas, mas também se relaciona consigo mesmo e com os fatos da vida. É claro que uma mente saudável, capaz de fazer interpretações adequadas dos fatos e criar soluções lógicas, é extremamente importante, até porque isso provoca mais satisfação e segurança ao indivíduo.

Então, dá para a ser zen em uma crise?

Passamos por uma crise importante no Brasil e isso traz para todos uma grande incerteza, o que é angustiante. O mais antigo e poderoso sentimento humano é o medo do desconhecido. Você não sabe o que vai acontecer e isso gera ansiedade e apreensão. Nesse caso, tudo começa com uma atitude. 

Imagine um futuro positivo e, por meio desse pensamento, organize-se para atingi-lo. Isso nos leva a uma postura mais positiva e a um maior equilíbrio.

Isso também gera estresse...

Na realidade, o estresse não deriva do tamanho da dificuldade que você está enfrentando. Ele decorre da desproporção entre o tamanho da dificuldade e o tamanho da capacidade para enfrentá-la. Temos que dar as devidas proporções para os problemas e investir na capacidade de enfrentá-los. E isso se faz, basicamente, com análise, gestão, planejamento e preparo.

É possível se tornar otimista?

Até certo ponto esta é uma característica individual. Há pessoas que são otimistas por natureza e outras são mais pessimistas. Eu prefiro lidar com essa questão em um nível cognitivo e intelectual. Penso que você tem que ser otimista, mas deve buscar motivos para isso. Se procurar, sempre vai encontrá-los. Mas se você for um otimista gratuito, ou seja, não sabe explicar o porquê, o seu otimismo é volátil. Essa forma de pensar deve ser construída na sua cabeça de uma forma lógica e intelectual.

Como manter-se focado nisso?

Uma coisa que é essencial é a pessoa se aceitar. Aceitar como ela é e não tentar ser o outro. Acho que isso diminui a ansiedade. Além disso, não devemos ceder aos estereótipos mas criar nossos próprios conceitos. O conceito de sucesso hoje, por exemplo, é muito utilitarista e se volta para os bens materiais e a posição social. Mas isso é apenas uma visão de sucesso. Cada um pode ter seu próprio conceito do que é se realizar na vida. Se vivermos pela métrica do outro, nunca seremos felizes.

Ter esperanças faz bem à saúde?

Eu penso que as pessoas não devem parar de sonhar. Enquanto as pessoas têm planos, coisas para realizar e acreditam no futuro, elas se sustentam, se suportam, passam por cima das adversidades. Elas possuem um objetivo maior lá na frente. É um fato que todos nós morreremos. Eu vou ficar velho um dia. Eu não sou ainda, não me sino nem me considero velho, mas vou ficar. Então, quando isso acontecer, eu já defini qual é o tipo de velho que que quero ser. Escolhi cinco pilares para essa fase de minha vida: saúde, paz, boas lembranças, curiosidade intelectual e conservar uma visão positiva do futuro. Alguns podem dizer que velhos não têm futuro. Mas eles têm, e por vários motivos. O primeiro deles é que não importa o tamanho do futuro, ele sempre existe. Podem ser dois ou vinte anos, mas posso desejar que eles sejam bons. Acredito que não morremos verdadeiramente quando morremos. Alguma coisa fica. O nosso legado, por exemplo, o que construímos por meio do nosso trabalho, nossas ideias, os filhos que geramos. Então, essa questão de estarmos conectados com o futuro faz com que não morramos mesmo tendo morrido.



(texto publicado na revista VivaSaúde edição 156)