quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Esculpir nosso coração - Andrea Cabral


O talento de Michelangelo Buonarroti, tão evidente nas esculturas Pietà, Davi e em todas as suas notáveis obras, levou-me a pensar de que maneira podemos esculpir nossa própria vida.

"O escultor se volve do mármore para seu modelo, a fim de aperfeiçoar sua concepção. Todos nós somos escultores, que trabalhamos em formas variadas, modelando e cinzelando o pensamento. (...) Precisamos formar modelos perfeitos no pensamento e contemplá-los continuamente, ou nunca os esculpiremos em uma vida sublime e nobre." A pensadora metafísica Mary Baker Eddy escreveu isso em um de seus livros.

Para mim, a arte de esculpir está muito relacionada com tirar o excesso, limpar e descobrir o que já existe. Ao refletir sobre os sentimentos, emoções e pensamentos, pergunto-me se, assim como basta limpar uma janela suja para enxergar bem a paisagem do lado de fora, o mesmo aconteceria se eliminássemos a irritação, o rancor, a inveja e outros sentimentos ruins para ver bem a outra pessoa.

Por exemplo, em vez de dizer: "É assim que eu sou", o que aconteceria se nos identificássemos cada vez mais com qualidades como a empatia, a paciência e a alegria? Isso é desenvolver um coração nobre, esculpi-lo diariamente, arrancar o que não serve ou o que prejudica, limpá-lo e colocar nele somente qualidades que enriquecem. Isso seria refinar os afetos e levá-los às suas expressões mais puras. Eu acho que com esse ideal só podemos alcançar saúde e felicidade.

A Dra. Mimi Guarnieri, especialista em cardiologia e autora do livro "El corazón habla" [O coração fala], mostra a estrita relação que existe entre as emoções e o coração, como este se altera devido a elas. Segundo suas pesquisas, quando sentimos alegria, gratidão e tudo quanto possa ser chamado de emoções positivas, os batimentos cardíacos se harmonizam.

Se pensarmos nessa relação, acredito ser necessário refletir sobre as emoções que nos causam dano e deixar de lado o mau humor, a raiva e o rancor, por exemplo. Muitas pessoas têm comprovado o famoso ditado "Querer é poder", e para isso é importante que nos perguntemos: "Quero enxergar em mim mesmo problemas ou boas qualidades, como a bondade, o bom humor, a tolerância e a paciência?".

Se tivermos o desejo de alcançar algo bom, nós o conseguiremos. Além disso, esculpimos, limpamos e trazemos essa bela imagem à luz, aquilo que realmente somos, e trocamos a expressão: "Meu coração está partido" por esta outra: "Meu coração se enche de felicidade".

Algumas ideias para conseguir um coração saudável são:

1 - Lançar fora a irritação, a intolerância e o hábito de culpar-se a si mesmo.

2 - Ver que esses sentimentos são algo que não pertence à nossa natureza espiritual.

3 - Amar-se a si mesmo, despojar-se do que não serve e cultivar boas qualidades.

Começar com esses pequenos passos faz uma grande diferença na vida. Não importa onde estejamos, sempre podemos caminhar rumo ao bem-estar. Manter esse objetivo no pensamento nos dá força para seguirmos adiante e alcançá-lo.



(texto publicado na revista Sempre Jovem ano V, nº 16 - 2015)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

As quatro pontes para se libertar do medo - Roberto Shinyashiki


Para que você se veja livre da espada que paira sobre sua cabeça e viva de maneira mais leve e criativa, observe, confie, tenha alto astral e deixe a vida fluir.

Primeira ponte: observação

Antes de reagir ao medo que está sentindo, você deve observar: o que está acontecendo? Existe uma ameaça?

Não aja precipitadamente, pois pessoas com medo machucam quem está por perto, fogem ou atacam, e seus surtos de irritação quase sempre decorrem da insegurança.

A consciência é a melhor forma de sair do círculo vicioso medo-ataque-medo.

Portanto, não procure relaxar a respiração, pois isso aumentará a tensão. A palavra "angústia" vem do termo "contração". Simplesmente observe e fique em contato consigo mesmo por alguns minutos.

A seguir, comece a verificar seus pensamentos: o que está acontecendo em sua mente? Nossas reações nascem de nossos pensamentos, se eles forem negativos, produzirão ações que, depois, provocarão arrependimento.

Seus pensamentos irão se realizar. Portanto, esteja atento a eles: se neles existirem desgraças, elas acontecerão; se neles existir felicidade, é a felicidade que brotará.

Observe suas ações. A maioria das pessoas age sem consciência e somente tem noção dos seus atos depois que não restou outra saída senão o arrependimento. Arrepender-se e desculpar-se são atitudes generosas, mas o melhor é evitar que sua impulsividade provoque estragos.

Segunda ponte: confiança e fé. Acredite!

Quando você deixar que a vida tome conta, começará a perceber o quanto tem sido abençoado. Libertar-se do medo é como pular de um trampolim. Quando você se entrega, salta em direção à vida. Esse é o salto da fé.

Viver a ilusão de ter uma espada sobre a cabeça é como estar à beira do trampolim, mas não ter coragem de mergulhar. Adquirir essa coragem significa encarar a vida com todos os seus riscos, desfazer a assustadora visão de perigo por todos os lados.

A fé é a mais intensa ligação entre o plano espiritual e o material. Ela fornece uma força maior, capaz de nos levar à realização, à criação e à superação de nós mesmos.

Fé é diferente de esperança. A segunda convida a uma passividade que nos mantém presos a uma sensação de sermos vítimas do destino. A fé nos confere energia para agir, e é a certeza de que a vitória virá que nos dá força para batalharmos todos os dias.

Perceba que Deus o protege em todos os setores da sua vida. Quando ocorre a integração com o divino, você relaxa as tensões, se descontrai e aproveita melhor os momentos da vida.

Concentre-se inteiramente no que você faz, pois viver sem dúvida é a melhor de todas as metas, é abandonar o medo. 

Não procure o sofrimento, mas, se ele fizer parte da conquista, enfrente-o e supere-o.

Terceira ponte: alto astral

Alto astral é energia positiva. É a capacidade de transcender aos acontecimentos dolorosos da vida. 

Quem tem uma postura muito séria e carrancuda não deixa fluir a criatividade. A atitude positiva consegue transformar o pântano em jardim.

O pessimista acredita que eventos negativos têm origem em condições definitivas. Se perde a hora do voo é porque sempre dá azar com avião. Se o chefe elogiou, é porque queria que fizesses hora extra. Esse pessimismo permite que uma decepção em determinada área de sua vida invada o restante dela.

O otimista,  ao contrário, atribui uma falha a um motivo circunstancial. Para ele, as situações favoráveis são causadas por fatos permanentes: "Meu marido trouxe flores para mim porque me ama". Eles não permitem que um problema específico contamine as demais áreas de sua vida.

Comece a cultivar dentro de você o alto astral, o comportamento positivo; brinque com os reveses da vida, enfrente com bom humor até as situações mais complicadas.

O alto astral é uma forma de ver a vida. Portanto, é diferente do prazer. Quando falamos de prazer, inevitavelmente pensamos em sexo, comida, lazer. O alto astral é bem mais que isso. É um gesto de generosidade para com a vida, com os erros, com as dificuldades.

A seriedade leva ao julgamento; o alto astral,  à compreensão. Quando alguém está feliz, não perde tempo nem energia julgando os outros.

Quarta ponte: fluidez

Fluidez é uma característica relacionada à sua capacidade de ser espontâneo e levar a vida com facilidade, deixando tudo transcorrer naturalmente, como a água cristalina de um riacho.

Fluir é atravessar espaços vazios para realizar encontros. Muita gente quer ser dona da vida alheia e acaba provocando tensão ao seu redor.

Não existe uma verdade única, mas muitos caminhos, diversos pontos de vista para a mesma questão.

Quando os Dâmocles fluem, percebem, por exemplo, que a pessoa amada não os está rejeitando, que o distanciamento é apenas aparente. Notam então que é timidez, dificuldade de expor sentimentos. Cabe a eles brincar com o mal-entendido, fluir ao encontro do outro.

No sexo, o outro é a porta da vida. Flua através dele.

Você precisa aprender a ter a força da água, que, como não é dura como a pedra, sempre chega aonde quer pelos caminhos alternativos que encontra, amoldando-se às situações sem perder sua natureza e suas características.

O medo é uma cortina que impede a pessoa de enxergar o arco-íris da vida! Rasgue essa cortina e veja quantas maravilhas existem ao seu redor. Observe quantas pessoas o admiram e quantas são mais felizes porque você as ajudou.


(texto publicado na revista Sempre Jovem - ano V - nº 16 - 2015)

Entrevista com Leandro Karnal (Programa Mais Você)


domingo, 10 de setembro de 2017

A saga das correções e atualizações automáticas - Walcyr Carrasco


O corretor automático do celular deve ter sido criado por uma velha fuxiqueira que quer ver briga

Você tem ideia do que é escrever uma novela? Não estou falando da parte glamourosa da vida de um escritor. Mas da labuta, da transpiração aliada à inspiração. São páginas e páginas por dia. Entro em uma espécie de transe. Mergulho na história. Certa vez um acupunturista me aconselhou a fazer algum tipo de alongamento a cada meia hora. Expliquei que é impossível. Esqueço. Começo a escrever. Quando vejo, o tempo passou. É um processo de entrega total. O mesmo acontece com meus livros, peças de teatro. Vou fundo.

Tudo seria perfeito se não fossem as atualizações automáticas. Estou escrevendo. De repente, vem um aviso. Dentro de 15 minutos meu computador será reiniciado por causa de uma atualização. Mas eu não posso reiniciar meu cérebro. Estou, como dizem os especialistas em produtividade, em “flow”, fluindo, vivendo minha nova história, a novela O outro lado do paraíso, que estreará na Globo em outubro. Portanto, não aceito. Ok. Dali a dois minutos volta o aviso. Vem e vem sem parar. Até que eu desisto, paro de trabalhar e espero atualizar e reiniciar. Imagine isso às 2, 3 da manhã. É o horário que costuma acontecer. Tranquilo, não? Quem inventou certamente é contra todos os escritores da face da Terra, que costumam trabalhar à noite. Mordo o teclado. É o que me resta. Se consigo evitar, quando durmo ele faz a atualização. No dia seguinte, o programa está diferente. Fico maluco até entender as mudanças. Mas aí, é claro, está na hora de nova atualização...

De todos os meus conhecidos, fui o primeiro a ter computador pessoal. Quando todo mundo ainda usava máquina de escrever. Passava horas decifrando programas, via mapas astrais, ouvia música, lia livros que só existem na internet. Escrevi minhas primeiras novelas nos primeiros computadores lançados no país, máquinas horrendas e lentas. Céus, sou do tempo do Orkut! Mas os programas mudaram. Atualizações e mais atualizações. Perdi o pé. Até em sites de compras me confundo. A Amazon brasileira, por exemplo. É tanta vontade deles de vender livro virtual que não consigo achar os físicos. Não sei mais baixar músicas. Não encontro música nenhuma. Depois de muitas atualizações, as bibliotecas virtuais tornaram-se atividade para iniciados.
Mas nem tudo está perdido.

Outro dia estava confuso no celular. Minha secretária do lar ofereceu ajuda. Explicou.

– Meu filhinho de 4 anos acha tudo!

Humilhação. O fato é que os mais novinhos também passaram por alguma atualização, que ainda não entendi.

Quem não odeia correção automática de texto em celular? Quem? Quem?

É um horror. O corretor automático me trai. Aposto que trai você também. Se digo que vou descansar, ele troca por desgastar, e de repente estou no meio de uma longa DR. Objetivo: descobrir por que a relação está desgastada. Explico que foi o corretor. Quem acredita? Uma amiga escreve que vai na TV. Explico que não estarei lá, trabalho em casa. Após um diálogo confuso, ela descobre que o corretor trocou “vi” por “vou”. Ela apenas viu um programa na TV e queria me indicar. Mas eu já fui grosso dizendo que não estaria lá. E ela entendeu que não me interessei pela dica que ela queria passar. Outro exemplo: Fui escrever “fala”. Mas botei um “l” a mais sem querer, “falla”. O corretor trocou por “Callado”, o dramaturgo, mas que lembra uma ordem impondo silêncio... quem leu, obviamente, não gostou muito. Fiquei um tempo tentando me explicar. Agora pouco quis escrever “importar”. Esqueci do “r” e foi “impotar”, ok. Mas o corretor tinha de trocar por “impotente”? Pronto, mais um amigo ofendidíssimo. O corretor automático de celular deve ter sido criado por uma velha fuxiqueira cujo maior objetivo é provocar rixas entre usuários de mensagens.

E correção em computador? Escrevo as falas de um personagem caipira. O corretor muda. Vou em cima, refaço. Nova correção. Depois, pontilhado vermelho embaixo de cada palavra considerada “errada”. Mas e se o personagem fala errado? Pronto, tiro as correções automáticas de texto. Acredite ou não, elas voltam, misteriosamente. Estão cravadas no interior do programa. Eu me debato. Quase choro.

Simplesmente queria saber: por que não posso voltar aos bons tempos em que podia usar um programa simples? Apenas adequado a minha principal atividade, que é escrever? Por que tenho de me tornar um expert em computador? Ixi, não posso continuar. Um aviso que meu antivírus está expirando insiste em piscar na minha tela. Fecho. Ele volta. Fecho. Ele volta. Socorro!


(texto publicado na revista Época - junho de 2017)

E se todo mundo virasse vegano? - Tiago Cordeiro


Volta o verde

Sem precisar desmatar para dar espaço ao gado ou para cultivar alimentos para ele, poderíamos usar boa parte da área restante para recuperar florestas. Seria necessário fazer um alto investimento, porque o solo usado para pasto é bastante degradado, mas valeria a pena para melhorar a qualidade do ar e a variedade dos ecossistemas do planeta.

Abre a porteira!

Teríamos que lidar com quase 25 bilhões de animais sem função, porque, subitamente, não teriam mais valor econômico. São 1,4 bilhão de cabeças de gado, 1,9 bilhão de ovelhas e cabras, 980 milhões de porcos e 19,6 bilhões de galinhas. Devolvê-los para a natureza provocaria a morte da maioria. A melhor solução seria colocá-los em reservas onde seriam mantidos vivos. Mas como essas reservas iriam se sustentar financeiramente?

Pobres com fome

A carne é uma fonte barata de proteínas importantes para manter um organismo humano em pé. Dietas mais saudáveis são mais caras: seria preciso estimular a agricultura local dos países em desenvolvimento para melhorar a distribuição de legumes e frutas, que muitas vezes são mais difíceis de preservar sem estragar. Nos países mais pobres, que mais dependem da carne, esse é um cenário difícil de colocar em prática.

Choque cultural

Muitas regiões têm a carne como parte essencial de sua cultura. Elas seriam descaracterizadas - imagine o Brasil sem churrascarias, os EUA sem hambúrgueres, o Japão sem sushis. Além disso, povos nômades carregam o gado consigo, porque eles servem para transportar peso e também como fonte de comida. Eles se veriam forçados a migrar para as cidades, aumentando o inchaço populacional e a pobreza.

Ar limpo

A poluição cairia muito, porque a pecuária emite uma quantidade colossal de poluentes - desde o gás metano, muito liberado por esses animais, até a fumaça gerada pelo transporte da carne. Atualmente, cerca de 25% de todas as emissões de gases poluentes do planeta são provocadas pela agropecuária - comer 100 g de carne todos os dias significa emitir 99 kg de CO2 em um ano. Com o fim do consumo de produtos de origem animal, essa parceria cairia cerca de 70%.

Adeus, computadores

Diversos produtos contêm algum tipo de substância extraída de animais. A lista inclui desde itens mais óbvios, como roupas, até sacolas plásticas de mercado, perfume, xampu, açúcar, cigarro, desodorante, pasta de dente, batom, pneu de carro, giz de cera, camisinhas, filmes fotográficos e até mesmo computadores. Num mundo vegano, anda disso poderia mais existir, a menos que a ciência achasse substitutos viáveis.

Mais terra

Teríamos mais espaço para plantar, sem precisar desmatar florestas, um terço de toda a área cultivada do planeta não produz alimentos para nós, humanos, mas sim para os animais que consumimos. Com o fim da pecuária, liberaríamos uma porção de terra equivalente à África inteira. Também economizaríamos água: gastamos 15 mil litros para produzir 1 kg de bife e só 300 litros para 1 kg de vegetais.

Todo mundo na rua

Caso, subitamente, todo mundo parasse de comer carne de qualquer tipo, além de derivados de leite de vaca e de ovinos em geral, o impacto para a economia seria descomunal. O 1,5 bilhão de pessoas (20% da população mundial) que hoje trabalham na pecuária, na avicultura e na pesca ficariam desempregadas. Realocar tanta gente seria bem difícil, especialmente em países como o Brasil, onde o setor gera R$ 400 bilhões todos os anos, ou a Indonésia, onde os peixes são essenciais para a economia.

Vida saudável

No caso de os problemas socioeconômicos serem resolvidos e todos os habitantes do planeta terem acesso a uma alimentação sem carne, seriam evitadas 7 milhões de mortes por ano daqui até 2050. Isso porque a alimentação excessivamente dependente de proteína e gordura animal provoca doenças cardíacas, diabetes, derrames e alguns tipos de câncer. A redução nos gastos com saúde pública seria da ordem de 3% do PIB mundial.


(texto publicado na revista Mundo Estranho edição 199 - setembro de 2017)

Diário de vida: A arte de ouvir - Reinaldo Passadori


Hoje o  padre Adão disse na missa que nascemos com dois ouvidos e uma boca por uma razão: termos a disponibilidade para ouvir mais e falar menos. Ele falou também sobre o excesso de informações e a necessidade (eu diria vício) de fazer mil coisas ao mesmo tempo. As pessoas perderam o foco e a dispersão tem tomado conta do mundo. A maioria das pessoas quer ver, falar e estão perdendo a capacidade de ouvir, de sentir o outro. 

Vou transcrever um texto que vem bem a calhar.

Perceber, reconhecer, entender, compreender, valorizar, dar atenção, respeitar... São vários nomes diferentes para um processo tão simples, mas ao mesmo tempo tão difícil de ser praticado: ouvir, de fato, o outro.

Ouvir não significa simplesmente escutar os sons da voz ou acompanhar o raciocínio do interlocutor. Significa, antes de tudo, ter paciência e tolerância para aceitar a outra pessoa como ela é, com suas qualidades e seus defeitos, crenças e emoções, com sua aparência, quer nos seja agradável ou desagradável, sem pré-julgamentos. Concordo com quem disse que esse não é um processo fácil, embora pareça tão elementar.

Vamos analisar um pouco as causas dessas dificuldades. É muito comum compararmos o mundo ao nosso próprio referencial de vida, de como percebemos o mundo, que passa a ser o "nosso mundo". Incluem-se aí os nossos valores, conceitos e preconceitos.

Além disso, as pessoas aproximam-se pelas semelhanças e não pelas diferenças, desmistificando a crença popular de que os opostos se atraem. Se observarmos bem, antes da diferença há muita convergência, situações comuns, similaridades que atuam como facilitadoras de um processo de entendimento e consideração e a partir daí eventuais diferenças de caráter, atitudes ou comportamentos passam a configurar uma relação afetiva.

Se observarmos bem, quando admiramos uma pessoa dizemos: "Que pessoa extraordinária! Que pessoa agradável! Que pessoa simpática!" Enquanto isso, lá no fundo, um outro comentário quase imperceptível complementa... tão parecida comigo!" Também fica fácil entender tal atitude por outra simples razão: só percebemos qualidades e defeitos nos outros quando nos chamam a atenção porque em potencial essas características existem em nós mesmos.

Se precisamos falar com o outro de verdade, primeiro é necessário querer e esse querer precisa ser um desejo, uma vontade inquebrantável que não nos fará desistir diante da primeira adversidade. Depois, devemos ter e exercitar a flexibilidade, colocando-nos no lugar do outro, empaticamente.

Aliás, empatia é isso mesmo: ajustar-se ao estilo, momento psicológico, crenças e valores do mesmo interlocutor e nessa projeção conseguir melhor entendimento. Algumas sugestões importantes para quem, de fato, deseja ouvir de verdade outra pessoa e, a partir daí, abrir uma porta de entrada para o relacionamento: amizade, vendas, negociações, lideranças, amor, etc...

Olhe nos olhos da outra pessoa e perceba-a nos seus detalhes, esteja com a atenção focada e envolvida com ela.

Procure manter a calma, evite deixar-se dominar por algum preconceito ou algo de outra pessoa que desagrada.

Tenha paciência, saiba aceitar o silêncio da outra pessoa.

Evite contradizer o outro, evitando as palavras "mas", "todavia", "entretanto", "contudo". Procure, antes de qualquer discordância, algum ponto com o qual vocês concordem.

Valorize e respeite as opiniões de seu interlocutor.

Demonstre respeito pelo outro como o outro é, e não como gostaria que fosse.

Crie condições favoráveis para o outro expressar livremente suas ideias e opiniões, saiba ter tato para lidar com a discordância.

Concentre as diferenças no campo das ideias e não permita que sejam levadas para o lado pessoal.

Certifique-se de que você compreendeu de fato o que o outro queria transmitir; repita, questione, pergunte, evite ao máximo interpretações infundadas.

Por último, faça bom uso do grande amor que você tem em seu coração para aceitar incondicionalmente as outras pessoas como são: cheias de defeitos, limites, preconceitos e, também, repleta de virtudes, sonhos, conhecimentos, de sentimento. Assim como você. 

Ouvir e escutar são duas ações diferentes. Ao longo do dia ouvimos muitas coisas, mas escutamos muito pouco. Quando ouvimos, não prestamos atenção profundamente, simplesmente captamos a sucessão de sons que são produzidos ao nosso redor. Enquanto que, quando escutamos, nossa atenção está dirigida a algum som ou mensagem específica, ou seja, existe uma intenção; nesse momento, todos os nossos sentidos se encontram focados no que estamos recebendo. Assim, as pessoas que sabem escutar os demais os acompanham em sua viagem pela vida.

Aprendendo a escutar

Um provérbio oriental diz: "Ninguém coloca mais em evidência sua má criação, do que aquele que começa a falar antes que seu interlocutor tenha terminado".

O que acontece é que, às vezes, quando estamos falando com outra pessoa, ambos temos a dificuldade de escutar, passando, em muitas ocasiões, a apenas ouvir enquanto elaboramos o que vamos dizer assim que o outro terminar, ao invés de prestar atenção ao que estão nos dizendo. Dessa forma, o diálogo fica bloqueado por pausas verbais, já que, se todos querem falar ao mesmo tempo e as razões de ambos não são escutadas, não há diálogo; há apenas monólogos se sobrepondo.

Saber escutar é uma atitude difícil, já que exige o domínio de si mesmo e implica atenção, compreensão e esforço para captar a mensagem do outro. Significa dirigir nossa atenção ao outro, entrando em seu âmbito de interesse e seu ponto de referência.

O diálogo exige uma atitude silenciosa, na qual se escuta atentamente. O escritor e orador J. Krishnamurti afirmava que "Escutar é um ato de silêncio". Enquanto não calarmos nosso diálogo interno e prestarmos atenção ao nosso interlocutor, não aprenderemos a escutar. Somente a atitude de escutar atentamente faz com que a resposta que daremos ao nosso interlocutor crie força. Se não abrirmos nossos ouvidos para escutar completamente, será difícil poder dizer ao outro algo que seja válido.

Se realmente escutarmos, a pessoa que fala sentirá que estão dando a ela a importância que ela merece, ficando agradecida e criando em si, dessa maneira, um clima de respeito, estima e confiança.

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: 'Se eu fosse você... ' A gente ama não é a pessoa que fala bonito. E a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. Todos reunidos alegremente no restaurante: pai, mãe, filhos, falatório alegre. Na cabeceira, a avó, com sua cabeça branca. Silenciosa. Como se não existisse. Não é por não ter o que dizer que não falava. Não falava por não ter quem quisesse ouvir. O silêncio dos velhos. No tempo de Freud as pessoas procuravam os terapeutas para se curarem da dor das repressões sexuais. Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute. Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão." (...)

(Rubem Alves, em "Se eu fosse você" (do livro "O Amor Que Ascende a Lua")


(texto publicado na revista Leve & Leia nº 147 - ano 11 - edição agosto/setembro de 2017)

Diário de vida: São Francisco de Assis


Esse ano completo 30 anos de carreira como professora de italiano. E não me canso de repetir que a cultura italiana iria entrar na minha vida de qualquer jeito. No primeiro ano do ensino fundamental estudei em uma escola que foi fundada para atender aos paulistanos da comunidade italiana. E comecei a trabalhar com 17 anos em uma empresa italiana. Mas o mais incrível é como São Francisco de Assis sempre fez parte de minha vida. 

Moro há muitos anos em um bairro chamado Vila São Francisco. Quando estava no colégio a professora de filosofia nos deu como lição de casa irmos ao cinema assistir ao filme "Irmão sol, irmã lua" de Franco Zeffirelli. E tomarmos nota do que achássemos relevante durante a projeção. Devo ressaltar que o áudio era em inglês com legendas em português como é costume no Brasil.

Anos mais tarde quando morava em Reggio Calabria, a professora de cultura nos fez assistir ao filme "Fratello sole, sorella luna" dublado em italiano, como é costume nesse país. O filme era o mesmo, mas a edição não, o que mudou o ritmo da narrativa. 

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a interpretação da canção-título. Em inglês é interpretada por Donovan, em italiano, por Claudio Baglioni.

E hoje na missa durante a comunhão tocaram a canção "Doce é sentir" que é a versão em português. 

Realmente hoje a missa foi muito especial, porque o Pe. Adão tem uma voz bem marcante e durante a homilia tratou do tema "viver, sobreviver e conviver" e ilustrou a exposição com exemplos de sua vida pessoal o que me prendeu a atenção e nem senti o tempo passar. 

Brother sun, sister moon - Donovan



Fratello sole, sorella luna - Claudio Baglioni



Doce é sentir - Elizabete Lacerda




sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Azeite de oliva: faz bem ou faz mal?


Se usado corretamente, o azeite é um grande aliado a saúde

O azeite de oliva é extraído das azeitonas, fruto das oliveiras. Dá para fazer uma coleção dos benefícios já identificados que este alimento traz para a saúde. O nutriente em evidência no azeite é a gordura monoinsaturada, necessária e indispensável ao organismo para manter diversas funções dentro do corpo e é por aí que começam os grandes benefícios oferecidos por ele. Além da gordura monoinsaturada, são encontrados na composição do azeite os polifenóis que são compostos antioxidantes fortíssimos, o famoso grupo dos ômegas ou ácidos graxos essenciais (ômega 3, ômega 7, ômega 9 e ômega 6), além das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), em especial a vitamina E que está em maior quantidade do que as demais.

Todos esses nutrientes e compostos são responsáveis pelos benefícios do azeite de oliva, dando a ele uma característica medicinal única com grande efeito preventivo na saúde. Cito os mais encontrados:

- Prevenção de arteriosclerose e proteção do coração;

- Proteção do cérebro, previne derrames:

- Prevenção do câncer;

- Efeito protetor do envelhecimento da pele;

- Ação nutritiva para pele, cabelos e unhas;

- Ação na redução das gorduras abdominais;

- Proteção da parede do estômago quanto a agressores externos;

- Auxilia no bom funcionamento do pâncreas;

- Melhora a saúde dos ossos.

Com tantos benefícios é impossível ficar sem ele diariamente na nossa alimentação.

Agora para que fique claro é importante compreender que tipo de azeite utilizar e que características ele deve apresentar para te oferecer tamanhos benefícios à saúde.

No mercado você irá encontrar o azeite extra virgem, com diversos tipos de acidez, irá encontrar também o azeite virgem, o azeite refinado e o azeite puro. Para obter todos os benefícios citados acima busque sempre pelo AZEITE EXTRA VIRGEM, e fique atento ao seu grau de acidez que deve ser menor do que 0,5% (,0,5%). Este tipo de azeite é extraído após a primeira prensagem a frio, portanto é mais puro e quanto menor a acidez, maior é a pureza e a garantia dos bons componentes.



(texto publicado no jornal Ponto a Ponto edição 507 - ano 8 - agosto de 2017)