sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Paulistanos Nota Dez: Eduardo Lopes e Guido Junior - Tatiana Izquierdo

Nomes: Eduardo Lopes e Guido Junior
Profissões: empresário e produtor musical
Atitude transformadora: fazem apresentações musicais para desmistificar assuntos como bullying, violência e drogas

Eduardo Lopes, de 51 anos, é sócio de uma fábrica de parafusos há três décadas em Guarulhos. No início do negócio, ao perceber que alguns de seus funcionários não andavam empenhados no serviço, chamou-os para uma conversa informal. Dedicou parte de seu tempo a entender que problemas eles enfrentavam fora dali. Ouviu casos relacionados a drogas, violência e bullying. Em 1996, os bate-papos evoluíram para a criação da Associação Sustentabilidade Humana, no Tatuapé. No começo, ela promoveu encontros com o objetivo de fortalecer as relações entre as famílias. "Várias pessoas não tinham a quem recorrer", lembra Edu Inox, como o empresário é mais conhecido, em função de sua atividade profissional. Esses compromissos chegavam a reunir quarenta participantes e ocorriam em empresas e em escolas da Zona Leste. Em 2000, desenvolveu uma nova frente da iniciativa. Ela continua até hoje e envolve a realização de palestras-show com o objetivo de ajudar crianças, pais, professores e trabalhadores a lidar melhor com essas questões. Seu atual parceiro é o produtor musical Guido Junior, 45. "Com as canções, tratamos assuntos pesados de maneira leve", diz.

Para o evento com uma hora de duração, eles bolaram um arsenal de personagens inusitados (com direito a figurinos), do naipe de Drogzila, Macaconha, Haxixonha e Psicocrak. "Os nomes divertidos facilitam o diálogo de pais e filhos", explica Junior. Sem medo de pagar mico, a dupla já realizou cerca de 100 exibições em instituições como o Sesc. Hoje, costuma animar plateias gratuitamente quatro vezes ao mês. Os custos de até 5 000 reais por performance, que podem envolver estrutura de som e ajudantes, são bancados pelo fundador da associação. Recentemente, os amigos passaram a criar vídeos para o YouTube. O bullying tornou-se tema de um deles. Perto dos 40 anos, Edu Inox virou alvo de chacota por deixar o cabelo crescer. Isso facilitou a identificação com as agressões. "Quero contribuir para que as crianças não fiquem traumatizadas no futuro", afirma.



(texto publicado na revista Veja São Paulo de 12 de outubro de 2016)

What is bullying? - Lucas Mendes


Achou estranho um título em inglês na Revista Canção Nova? Sim, mas para descrever este fenômeno, hoje tão presente na nossa sociedade, nós precisamos estender o seu significado em inglês.

Bullying é uma palavra que deriva do termo "bully" que significa "valentão", mas está longe de ser algo relacionado à valentia. São atitudes verbais ou físicas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação, podendo chegar até mesmo a agressões.

Saindo do campo teórico e indo para o campo prático, faço uma pergunta: o termo "valentão" lhe traz um sentimento positivo ou negativo? Para mim traz a representação de um sentimento negativo. Você deve imaginar. "Ah, então ele deve ter sofrido muito bullying". E eu posso dizer que sim. Eu passei por isso. Mas, acabei escolhendo o caminho errado, eu me tornei um "valentão".

Durante minha infância sempre fui gordinho. Isso nunca me impediu de fazer coisas que eu gostasse, como por exemplo, jogar futebol. Porém, as piadinhas e os apelidos sempre me incomodaram. Com certeza, ninguém gosta de ser chamado de baleia, gordão, elefante ou de outros apelidos.

Então, um dia percebi que tinha duas opções: conversar com meus pais e professores ou usar do meu tamanho para intimidar e ser respeitado pelos meus colegas. Olhando assim, a segunda opção pareceu-me bem mais atrativa. E eu decidi por ela, mesmo sabendo que não seria a melhor escolha.

Assim passei de vítima a praticante. Comecei a agredir de forma verbal e física, colocando medo oas que zombavam de mim. mas, se engana quem acha que eu vejo isso com admiração nos dias de hoje. Aprendi que não podemos nos orgulhar em ser alguém que intimida o outro ou que transforma o outro em motivo de risada.

Quero aproveitar para dizer que o bullying não é algo apenas entre "emissor e receptor", mas existe também o espectador, e essa plateia quem dá continuidade às humilhações, ele não ajuda quem sofre, não apóia quem faz, apenas assiste, e não existe show sem plateia, concorda?

Outra observação transformo aqui em alerta: o bullying acontece na escola, em família e até mesmo no trabalho. Porém, o local onde este fenômeno tem ocorrido com muita frequência é na WEB. Tornando-se aí o famoso "cyberbullying", praticado através da INTERNET.

O cyberbullying é a prática do bullying dentro da internet. Isso permite ao praticante o anonimato, as pessoas não estão cara a cara, proporcionando uma maior crueldade dos comentários e ameaças, causando efeitos tão graves ou até maiores.

Abro um breve espaço para me dirigir aos pais e professores. Você professor, fique atento ao que ocorre na sua sala de aula. Procure saber se acontecem brincadeiras constantes, humilhações e apelidos pejorativos entre os seus alunos. É de sua responsabilidade conter este tipo de situação.

Pais, vocês devem ficar atentos ao comportamento dos seus filhos! Caso eles mostrem desânimo para com a escola, estejam chateados e abatidos. É preciso buscar o diálogo, pois as vítimas nem sempre procuram ajuda para solucionar o problema. E quando não o fazem, é por vergonha ou medo.

Quero finalizar esta comunicação com uma dica para você que é estudante, professor, pai, mãe, trabalhador, seja lá qual a sua condição na sociedade: não se submeta a ser uma vítima do bullying. Não tolere o Bullying. Não deixe de procurar ajuda. Bullying não é brincadeira. É coisa séria. Saiba: não fomos criados para a humilhação. Fomos sim criados por Deus para amarmos o próximo como a nós mesmos.



(texto publicado na revista Canção Nova nº 190 - ano XIII - outubro de 2016)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Reinventar-se - Diviol Rufino


Chegamos ao final de mais um ano de nossa vida. É um tempo propício para lançarmos um olhar em retrospectiva e perceberemos quantas realidades experimentamos, seja na nossa história pessoal, seja na história da humanidade, com suas alegrias e seus dramas. Provavelmente hoje somos melhores de quanto éramos neste mesmo período um ano atrás.

Se formos honestos, descobriremos que coisas muito boas nos aconteceram nesse tempo que passou: decisões importantes foram tomadas, sofrimentos inusitados foram enfrentados e, através deles, descobrimos aforça interior que todos possuímos e que nos capacita, se soubermos usá-la, para prosseguir com ânimo revigorado.

Para muitos, o enfrentamento de uma doença, de uma dor inesperada, despertou, quem sabe até pela primeira vez, a necessidade de pedir auxílio a Deus e ele, então, se mostrou como "o único interlocutor que habita a existência nua e crua de nossa interioridade", como afirma o psiquiatra argentino Roberto Almada. Houve ainda quem realizou a viagem dos sonhos para lugares e países deslumbrantes, quem experimentou a alegria por um sucesso alcançado. Há ainda quem tentou novos impulsos espirituais e (re) descobriu a sua singularidade, vivenciando o paradoxo de sermos matéria e espírito em total sinergia.

Muitos fizeram a feliz descoberta de que cada um só se realiza quando toma consciência de sua capacidade relacional intrínseca e se mobiliza na doação de si e na abertura do próprio diafragma para deixar a luz entrar, na saída da reclusão para acolher o outro, evitando a atrofia do próprio eu.

Mas seríamos irresponsáveis se não olhássemos também para os erros cometidos e se deles não tirássemos lições e novos propósitos. De fato, o que mobiliza o olhar restaurador é uma atitude simples, humilde, corajosa e altamente transformadora: reinventar-se. É um olhar verdadeiro, sem autocomplacência, sem falso moralismo ou insano remorso. É uma tomada de decisão que projeta luzes sobre sombras antigas ou novas e faz com que a pessoa assuma responsavelmente as consequências do mau uso que fez da própria liberdade, propondo-se, com nova consciência, a recomeçar com determinação e responsabilidade. Uma reparação nem sempre é possível, mas é importante ter um compromisso proporcional aos danos eventualmente causados, assumir uma postura e um empenho verdadeiro em evitar o alargamento da ferida, bem como favorecer sua cura e cicatrização. Afinal, a vida nos mostrou que vale a pena ser vivida e cada pessoa existe como um presente, como uma dádiva para os outros, mesmo com seus defeitos, com o seu mistério a ser desvelado na reciprocidade.

Se, durante o ano, muita coisa ficou sedimentada na memória afetiva e emocional - com lembranças marcadamente positivas e outras dolorosas, que deixaram cicatrizes - o balanço que cada um é convidado a fazer deve ter esse foco: não resignar-se com o que foi alcançado, pois a existência, com suas perguntas, continua a interpelar-nos a novas e criativas respostas. Quem se dá por satisfeito consigo mesmo perde oportunidades. A vida propõe, a cada dia e a cada hora, a necessidade de novos feitos e abre a possibilidade de novas vivências. Habituar-se a criar no presente uma história eterna e viver abertos a um futuro rico de possibilidades é uma sábia maneira de viver o  tempo que nos é dado a cada instante.



(texto publicado na revista Cidade Nova exemplar 584 - Ano LV - Nº 12 - dezembro de 2014)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Gastrite nervosa - Dr. Drauzio Varella


Celular dá câncer - Dr. Drauzio Varella


Dicas para melhorar o fôlego - Dr. Drauzio Varella


A influência do individual no coletivo e vice-versa - Monja Coen


Bem-estar: Cérebro, vida saudável e intestino - Darlene Ponciano Bomfim


Cerca de 20% da população brasileira apresenta problemas de "prisão de ventre", a maioria mulheres. Esta queixa cresce a cada dia, tanto quanto a oferta de laxantes como "salvadores da situação". 

Na nossa cultura greco-romana, o centro das emoções é o coração, mas, em outras culturas antigas, mesopotâmicas, a caixa de ressonância das emoções é o aparelho digestivo, em especial o intestino. Existe uma verdadeira conexão entre o cérebro e o aparelho digestivo. O intestino "responde" ao estado emocional. Pode soltar, prender, produzir cólicas, gazes e até originar doenças graves e de difícil controle.

Sabemos que tudo no nosso organismo funciona de forma integrada. Tensão, medo, ansiedade, estresse, correria, raiva, tristeza geram reações em todo organismo. Um dos órgãos que "sente" os reflexos disso tudo é o intestino.

O intestino humano tem cerca de cem milhões de neurônios conectados ao cérebro. É como se possuíssemos um "cérebro intestinal". As funções do intestino não se resumem a conduzir o alimento que ingerimos, transformando-os em fezes. Além de selecionar os nutrientes, exercer uma excelente absorção deles e da água, ele contribui essencialmente com o sistema imunológico. É no intestino que acontece de 80% a 90% da síntese da Serotonina, o neurotransmissor responsável pelo prazer e sensação de bem-estar, mas ela também é precursora da Melatonina, elemento essencial para o sono e para a limpeza de radicais livres.

Além da Serotonina, o intestino produz uma série de outros neurotransmissores. Todo o esforço no tratamento das depressões, por exemplo, se concentra nestes neurotransmissores. Imagine a importância disso. Portanto, cérebro e intestino compõem uma via de mão dupla.

Mas o que é um intestino normal? Nem preso, nem solto. Sem exagero de gazes, sem cólicas. Mas como manter afiada essa orquestra exigente? O segredo é tão amplamente conhecido que corre o risco de ser deixado de lado: água, muita água - de 2 a 3 litros por dia -, alimentação rica em fibras, como verduras, legumes e frutas, e exercícios físicos.

Isso é essencial e imprescindível. Além disso, é preciso ficar atento à frequência com que se vai ao banheiro. Quando essa frequência é irregular, causa um desconforto que pode ser leve, grave ou até desesperador. O normal para o funcionamento do intestino é uma frequência entre três vezes ao dia e uma veza cada três dias. O mais comum, contudo, é uma vez ao dia. Essa é a faixa aceitável, porém o importante é que o ato de ir ao banheiro não cause sofrimento e desconforto. O intestino "avisa" quando precisa ir ao banheiro, exercendo estímulo no reto. Se a pessoa inibe a vontade de ir ao banheiro, o reto vai perdendo a sensibilidade, o que vai exigir maior quantidade de fezes para que a vontade de evacuar venha novamente. Além do que as fezes ficarão mais tempo no intestino, distendendo e perdendo mais água, ficando mais duras. Isto vai provocar desconforto e, ao longo do tempo, pode provocar hemorroidas e outras patologias.

Ser fiscal e cuidador da nossa própria saúde pode parecer difícil, pois requer conhecer o próprio corpo, tomar decisões e admitir erros. Resolver a prisão de ventre com laxantes e outras pílulas mágicas é um caminho que a indústria nos impõe de forma assustadora. Esses medicamentos estimulam as células intestinais a se contraírem, levando-as a se exaurirem e a morrerem. Causam dependência. O intestino piora, fica mais relaxado, menos responsivo e assim a pessoa tem que tomar doses cada vez maiores. O importante é a pergunta de sempre: o que está acontecendo comigo?

Alimentos que colaboram com o bom funcionamento do intestino

- Arroz, pães e massas integrais.

- Sementes, especialmente a de linhaça (deixar de molho em água).

- Farelo de trigo, aveia.

- Frutas que podem ser ingeridas com casca. E frutas que se pode ingerir com o bagaço.

- Folhas verdes em geral.

- Leguminosas.

- Iogurtes e outros leites probióticos.



(texto publicado na revista Cidade Nova edição 584 - ano LVI - nº 12 - dezembro de 2014)

Na ponta do lápis: 13º salário: aplicar, gastar ou quitar dívidas? - Magnus de Carvalho


Estamos mais uma vez em dezembro e com ele chega o tão esperado 13º salário. Um dinheiro extra que é bem-vindo num mês tão especial: Natal, Réveillon, férias, final de ano. É o mês das festas, das viagens, das trocas de presentes, dos "amigos secretos", confraternizações de todos os tipos... são muitas as ocasiões de gastos. E aí, o que fazer? Gastar todo o 13º nas festas? Quitar dívidas? Aplicar?

O 13º salário surgiu a partir da ideia de algumas empresas de pagar, em dezembro, uma gratificação de Natal para ajudar os funcionários nos festejos de fim de ano. Passou a ser obrigatório em 13 de julho de 1962, através da Lei 4.090, regulamentada pelo Decreto 57.155, de 3/11/1965. Apesar de, na sua origem, ser destinado para as compras do período natalino, isso não implica em dizer que deva ser usado somente para esse fim. É  claro que dar presentes, viajar, festejar, é muito bom, desde que seja feito com responsabilidade financeira. De que adianta curtir alguns dias e padecer um ano inteiro?

Quando se tem dívidas a pagar não se pode desprezar esse dinheiro extra. É muito mai sensato reservá-lo para quitar as dívidas do que gastar com presentes, festas e viagens. Isso não quer dizer que não se deva comemorar datas tão significativas. Pode-se usar a criatividade e procurar meios econômicos para gastar menos, como promover uma ceia de Natal compartilhada com a família e os amigos, troca de cartões ao invés de presentes no amigo oculto, viagens para lugares próximos, hospedagem em pousadas em vez de hotéis... São muitas as possibilidades de festejar e gastar menos. O que não dá é empurrar a ciranda do endividamento para mais um ano.

Para quem está com a vida financeira equilibrada existe a possibilidade de uma pequena extravagância, pontual, nesse período. Não significa torrar tudo com futilidades, deve-se aproveitar o momento e reservar uma parte para ser aplicada: poupança, aplicações de curto prazo, Títulos da Dívida Pública, ações... não importa, o importante é aplicar de acordo com o seu perfil investidor e manter a saúde financeira.

Mesmo podendo ir às compras não se deve deixar de pesquisar preços, procurar bens que respeitem o meio-ambiente e, antes de comprar, fazer as três famosas perguntas que os especialistas recomendam. Eu preciso? Eu posso? Tem que ser agora? Quando possível, uma boa alternativa é deixar para comprar nas liquidações de janeiro, com preços mais baixos.

Mas, muito além de gastar, quitar dívidas ou aplicar, o que realmente importa neste período tão significativo? Será que não seria oportuno gastar o nosso tempo em atos de amor ao próximo, quitar dívidas de perdão a quem nos magoou e aplicar a caridade em todas as ocasiões do nosso dia a dia? Agindo assim certamente o Natal será mais Natal e as festas de final de ano ganharão um sentido novo.



(texto publicado na revista Cidade Nova edição 584 - ano LVI - nº 12 - dezembro de 2014)

Hallelujah - patinação


Estrangeiros tentam adivinhar o significado de 7 gestos brasileiros (Vozes da Babbel)