segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Paulistano Nota Dez: Alessandro Marconi - Alessandra Freitas


Nome: Alessandro Marconi
Profissão: orquidófilo
Realidade que transformou: criou um projeto para plantar 1 000 orquídeas ao redor das marginais Pinheiros e Tietê

Há dez anos, o orquidófilo Alessandro Marconi deixou o curso de engenharia mecatrônica na Unip para dedicar-se a uma paixão. Encantando por orquídeas, aceitou um trabalho como técnico no Orquidário Morumby, onde se dispôs a cuidar das flores e a estudá-las por um ano. "Li muito e percebi que várias plantas cultivadas por especialistas os colecionadores não existiam mais em abundância na cidade", conta Marconi. A descoberta fez com que ele e a namorada, a produtora Carolina Sciotti, resolvessem abrir a ONG Mil Orquídeas Marginais, que tem o objetivo de replantar a espécie ao redor das marginais Pinheiros e Tietê. O local já foi território de variedades nativas desse gênero, extintas devido ao tempo e à poluição. O projeto, criado em setembro de 2014, visa a inserir no espaço 1 000 mudas na Cattleya Ioddigesii, uma variação cor-de-rosa da flor. "Até agora, já colocamos 700 orquídeas nas matas ao redor do rio", afirma Carolina. De acordo com o casal, a meta deve ser alcançada em abril do ano que vem.

Para dar visibilidade à ação, eles montaram uma página no Facebook, que contabiliza quase 10 000 curtidas. Por lá, combinam dias específicos para que voluntários interessados possam ajudar com as mudas. "Já chegaram a aparecer vinte pessoas em um só dia", relata Marconi. Em uma viagem até a marginal, eles conseguem plantar cerca de cinquenta orquídeas de uma vez. Quem não pode comparecer tem a opção de contribuir financeiramente com a ONG. Basta acessar o site milorquideasmarginal.iluria.com e comprar uma unidade, ao custo de 35 reais. "Cada flor vendida é amarrada a uma árvore do canteiro, onde também colocamos uma placa com o nome do doador como forma de agradecimento", explica. Segundo Carolina, um dos objetivos do projeto é embelezar o Pinheiros e recuperar um pouco da vegetação que existia por ali. "Queremos que as pessoas vejam aquilo como um rio, e não como um esgoto entre duas pistas de trânsito", completa o orquidófilo. O próximo passo é expandir a empreitada. "Pretendemos ir para áreas verdes e praças da capital. Um dos primeiros locais da fila é o Parque Burle Marx", afirma Carolina.


(texto publicado na revista Veja São Paulo de 2 de março de 2016)

sábado, 27 de agosto de 2016

O perigo dos medicamentos novos - Dr. Lair Ribeiro


Diga-me como você se exibe e eu lhe direi qual é o seu vazio - Carolina Vila Nova (Conti Outra)


Quais são as formas que expressamos nossos vazios? Existe um motivo para o exibicionismo físico? Ou para a exibição daquilo que se tem em bens materiais? A exibição exagerada de dotes intelectuais? De sociabilidade? De excesso de simpatia? Ou ainda de “sex appeal”?
Tudo na vida segue em busca de equilíbrio. E assim, para se analisar uma pessoa ou situação, basta perceber se há equilíbrio em todas as partes que compõe este alguém ou momento.
O simples fato de uma pessoa precisar se exibir já demonstra falta de equilíbrio. Quando alguém está inteiro e balanceado, não possui necessidade de se aparecer. O mesmo acontece como consequência e de forma natural, na intensidade que tem de ser.
Chegamos todos nesta vida sem manual de instrução sobre como seguir em frente. Passamos esta trajetória em busca de nós mesmos e de respostas que permeiam nossa consciência do início ao fim. Entre um momento e outro, extravasamos nossas dúvidas e faltas de respostas de inúmeras formas. Muitas que doem e nos marcam profundamente.
É na infância que construímos os nossos valores, crenças e princípios. E toda falta de amor, compreensão e qualquer dificuldade que se tenha tido nesta fase, irá se manifestar mais tarde, quando jovens ou adultos. Muitas vezes passa-se a vida na busca pela compensação de um fato do passado, sem sucesso ou sem qualquer consciência disso.
A busca desenfreada pelo amor de alguém, por exemplo, que acaba refletindo em diversos relacionamentos, um atrás do outro, ou em vários ao mesmo tempo, deixa clara a falta de afeto na infância. Uma mágoa em relação ao pai ou à mãe, ainda que inconsciente, faz com que o ser humano se sinta tão profundamente só, que o mesmo se perde na busca pela compensação de amor num parceiro ou parceira. Como nada, nem ninguém substitui este amor, a busca torna-se infinita e mal sucedida.
Todo excesso de nós mesmos ou de algumas de nossas características vem demonstrar uma falta de equilíbrio. Assim como a necessidade de exibição dessas características.
A exibição e ostentação de dinheiro mostra uma ausência de valores amorosos. Assim como a exibição e humilhação através da posse de dotes intelectuais, mostra a necessidade de subjugar o outro, compensando uma provável subjugação do passado. O excesso de sociabilidade, escancarando a necessidade de ser aceito, quando de forma inconsciente não há a aceitação por parte de si mesmo. E daí por diante.
Toda falta gera em nós um vazio, que em nós permanece de forma inconsciente, e na maioria das vezes por muito tempo. Anos a fio. É pelo despertar de consciência, pelo auto-conhecimento, o se olhar para dentro, que nos permite finalmente preencher esses “buracos” de forma adequada.
Não mudamos a história de nosso passado, mas somos capazes de mudar o que sentimos ao lembrar de nossas histórias. Transformamos nossas mágoas e dores em compreensão e aceitação. A partir daí, toda e qualquer necessidade de se sobressair desparece.
Uma vez donos de nós mesmos, não importa o que o mundo pensa ou o que o mundo fala. Só importa a paz finalmente encontrada no melhor lugar possível: em si mesmo.

10 conselhos que recebemos antes de vir para esse planeta (O Segredo)


1. Você receberá um corpo. Poderá amá-lo ou odiá-lo, mas ele será seu todo o tempo.

2. Você aprenderá lições. Você está matriculado numa escola informal de tempo integral chamada Vida. A cada dia, terá oportunidade de aprender lições. Você poderá amá-las ou considerá-las idiotas e irrelevantes.

3. Não há erros, apenas lições. O crescimento é um processo de ensaio e erro, de experimentação. Os experimentos ‘mal sucedidos’ são parte do processo, assim como experimentos que, em última análise, funcionam.

4. Cada lição é repetida até ser aprendida. Ela será apresentada a você sob várias formas. Quando você a tiver aprendido, passará para a próxima.

5. Aprender lições é uma tarefa sem fim. Não há nenhuma parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo, há lições a serem aprendidas e ensinadas.

6. ‘Lá’ só será melhor que ‘aqui’ quando o seu ‘lá’ se tornar um ‘aqui’. Você simplesmente terá um outro ‘lá’ que novamente parecerá melhor que ‘aqui’.

7. Os outros são apenas espelhos de você. Você não pode amar ou odiar alguma coisa em outra pessoa, a menos que ela reflita algo que você ame ou deteste em você mesmo.

8. O que você faz da sua vida é problema seu. Você tem todas as ferramentas e recursos de que precisa. O que você faz com eles não é da conta de ninguém. A escolha é sua.

9. As respostas para as questões da vida estão dentro de você. Você só precisa olhar, ouvir e confiar.

10. Você se esquecerá de tudo isso.. e ainda assim, você se lembrará.

Confira alguns fatos curiosos que contam a história das Olimpíadas


É sempre bom conhecer um pouco da história do evento esportivo que mobiliza os quatro cantos do planeta

De quatro em quatro anos, atletas de diversos países se reúnem num país sede para disputarem um conjunto específico de modalidades esportivas. A própria bandeira olímpica representa essa união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados, representando os cinco continentes e suas cores. Os Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram início em 1896, e seu palco foi em Atenas no Estádio Panathenaic, onde a base do estádio era composta por uma estrutura de mármore feita no século IV a.C.

De lá para cá uma série de fatos curiosos ocorreram na História das Olimpíadas, confira alguns selecionados abaixo:

- Los Angeles (EUA) foi a cidade que mais vezes se candidatou para ser sede dos Jogos Olímpicos. Foram nove candidaturas, sendo escolhida por duas vezes.

- O sueco Oscar Swahn foi o atleta mais velho a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos. Com 72 anos, ele ganhou medalha de prata na competição de tiro durante as Olimpíadas de Antuérpia (Bélgica) em 1920.

- A nadadora Maria Emma Hulga Lenk Zigler, mais conhecida como Maria Lenk, foi a primeira brasileira a participar dos Jogos Olímpicos. O fato histórico ocorreu nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1932.

- Foi somente nos Jogos Olímpicos de 1932, Los Angeles, que os atletas vencedores começaram a ouvir o hino do seu país e a ver o hasteamento da sua bandeira, no momento da entrega das medalhas no pódio.

- Abebe Bikila foi o primeiro africano a conquistar uma medalha de ouro, isto em 1960 em Roma. E a maneira como ele a conquistou foi simplesmente incrível, pois venceu a maratona correndo descalço.



(texto publicado no jornal Week edição 2921 - ano VIII - agosto de 2016)

Psicólogos explicam por que pessoas muito inteligentes têm poucos amigos (Conti Outra)


É óbvio que ter amigos é algo necessário, e que a interação com outras pessoas tem muitas vantagens. Alguns cientistas resolveram responder à pergunta: é realmente preciso ter amigos para ser feliz e estar plenamente satisfeito com a vida? Para isso, foi realizada uma pesquisa, da qual participaram 15 mil pessoas com idades entre 18 e 28 anos, moradores de áreas com densidades populacionais distintas e acostumadas a se comunicar frequentemente com os amigos.

Três conclusões principais da pesquisa

Os psicólogos evolutivos Satoshi Kanazawa, da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, e Norman Lee, da Universidade de Gerenciamento de Singapura (SMU), após a análise dos resultados do estudo chegaram às seguintes conclusões:

Em primeiro lugar, as pessoas que moram em locais de alta densidade populacional, de forma geral, se sentem menos felizes.

Em segundo lugar, para se sentir feliz, a maior parte das pessoas precisa se reunir frequentemente com seus amigos ou com pessoas que pensam de forma similar. Quanto mais comunicação próxima, maior é o nível de felicidade.

Em terceiro lugar, as pessoas com inteligência superior à média da população representam uma exceção a esta regra.

Quanto mais alto é o QI, menor é a necessidade do ser humano de se relacionar constantemente com amigos.

Geralmente, intelectuais não consideram muito atraente a vida com muita atividade social. Eles não se interessam em ser a «alma da festa».

Pessoas muito inteligentes costumam ter um círculo social reduzido

O cérebro de uma pessoa com habilidades intelectuais elevadas funciona de forma diferente. E a sociabilidade está incluída nestas diferenças.

Sim, ser inteligente pode não ser algo simples. Dentro de cada intelectual existe seu próprio universo particular.

Para as pessoas com inteligência superior à maioria, a vida social é mais um supérfluo do que algo primordial. A maioria dos grandes gênios foram e costumam ser solitários. Na verdade, são poucas as pessoas que os entendem e os aceitam. Mas isso não é problema para eles. Pelo contrário, quanto mais precisam socializar, menos felizes eles se sentem.

Pessoas inteligentes gostam mais de tratar dos assuntos importantes para elas do que de socializar

A pesquisadora Carol Graham, da Brookings Institution, especialista na «economia da felicidade», acredita que as pessoas inteligentes usam a maior parte do tempo tentando atingir metas a longo prazo. Os intelectuais se sentem satisfeitos quando fazem aquilo que os leva a conquistar determinados resultados.

O pesquisador que trabalha na busca de vacinas contra o câncer ou o escritor que está criando um romance formidável não precisam interagir com outras pessoas. Até porque isso poderia distrai-los de sua meta principal, ou seja, influenciaria de forma negativa na sua felicidade e desequilibraria sua harmonia interna.

As razões estão no passado distante

Você já ouviu falar na teoria da savana? Segundo ela, há algo dos nossos ancestrais que carregamos não só nos genes, mas também em nossa memória subconsciente. O estilo de vida dos nossos antepassados, com que a história humana teve início, influencia até hoje em nossa vida e em nossa noção de felicidade.

Nos sentimos felizes exatamente nas mesmas situações e circunstâncias nas quais as pessoas que viveram há milhares de anos também se sentiam felizes.

Para sermos exatos, o círculo social dos antepassados se resumia aos 150 membros que seu grupo tinha, em média. Eles viviam em lugares isolados, com densidade populacional menor que uma pessoa por quilômetro quadrado. Precisavam estar sempre juntos para sobreviver num ambiente hostil.

Mas hoje vivemos na Era das tecnologias, com muita gente ao nosso redor. Porém, a maior parte das pessoas continua mostrando traços de comportamento dos nossos antepassados, que permaneceram em nossa memória genética. Parece até que nosso corpo vive numa realidade, e o cérebro, em outra. O corpo pode estar numa metrópole com milhares de habitantes, enquanto o cérebro permanece na savana praticamente deserta.

Isso serve para a maioria das pessoas. Mas não para todas.

Grande inteligência permite a adaptação às novas condições

Os intelectuais, diferentemente das pessoas com habilidades mentais medianas, conseguiram, em alguma etapa da evolução humana, superar a memória do passado, já que ela não se encaixa nos dias atuais.

Tais pessoas podem se adaptar com mais facilidade. Parece até que a natureza deu a eles a tarefa de resolver novos problemas evolutivos. Por isso, quem é inteligente pode viver facilmente de acordo com suas próprias leis, sem se apegar muito às nossas origens.

Uma inteligência alta permite que pessoa não fique pendente dos outros, e sim mantenha o foco em suas metas individuais. Pessoas inteligentes estão em harmonia com elas mesmas, e só de vez em quando precisam interagir mais intimamente com os demais.

Paulistana Nota Dez: Ivani Nacked - Jussara Soares


Nome: Ivani Nacked
Profissão: empresária
Atitude transformadora: implantou bibliotecas comunitárias que reúnem um acervo de 20 000 livros na capital

Um livro pode mudar uma vida. A certeza da empresária Ivani Nacked é fruto de experiência própria. Nascida na Penha, na Zona Leste, ela acabou fisgada pela leitura aos 10 anos de idade, com o clássico Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. A então menina emocionou-se com a história de Zezé, o travesso garoto de família pobre que fez de uma árvore sua grande companheira. "Foi a primeira obra que me ajudou a entender o mundo", relembra. Essa experiência marcante serviria de inspiração, anos depois, para a criação do Instituto Brasil Leitor, fundado em 2000 com a ajuda do marido, o economista William Nacked. O objetivo é, com o apoio de empresas, implantar bibliotecas comunitárias pelo país. Em quinze anos de atuação, a entidade inaugurou 144 espaços do tipo, sendo vinte na capital (há doze em atividade no momento por aqui, com um acervo conjunto de 20 000 livros). Alguns deles estão localizados em escolas públicas municipais e em lugares como o Poupatempo Santo Amaro e a Academia do Barro Branco, em Santana.

O mais recente, com 920 obras, surgiu em maio, numa unidade da Fundação Casa, na Vila Guilherme. A maioria dos 108 menores abrigados tem entre 16 e 18 anos e 40% estavam fora da escola no momento da internação. "Muitos nunca haviam segurado um livro e, aos poucos, descobrem esse prazer", diz o coordenador pedagógico do local. Rivaldo dos Santos. Por ali, a saga Harry Potter da britânica J. K. Rowling, e A Rosa do Povo, compilação de poesias do mineiro Carlos Drummond de Andrade, encontram-se entre os títulos preferidos. "Nossa missão é colocar a literatura no caminho das pessoas, onde quer que elas estejam", afirma Ivani. Outro projeto já implementado foi o Embarque na Leitura, que começou em 2004 e disponibilizou publicações a passageiros em cinco estações do metrô e uma da CPTM. Por falta de patrocínio, no entanto, ele encerrou suas atividades em 2013. "Nesse tempo, ao menos contribuímos para estimular o hábito da leitura os vagões dos trens", consola-se Ivani.


(texto publicado na revista Veja São Paulo de 9 de setembro de 2015)

Paulistano Nota Dez: Luis Junqueira - Clara Novais


Nome: Luis Junqueira
Profissão: professor de português
Atitude transformadora: criou projeto para a publicação de livros de crianças e adolescentes em instituições públicas

Após ser diagnosticada com uma doença grave, o maior conforto da jovem Angelina era a companhia do seu labrador, Charlie, que a seguiu até os últimos dias do tratamento. A história de afeto entre os dois, fruto da imaginação de uma menina de 13 anos, e outras tramas ficcionais elaboradas por crianças e adolescentes estão virando livro pelas mãos do professor de língua portuguesa Luis Junqueira. O docente ajuda os iniciantes a desenvolver as narrativas, que, depois de revisadas e editadas, são impressas com pequena tiragem em gráficas da capital. Fazer com que os futuros autores ponham a mão na massa foi o jeito encontrado por Junqueira para estimular o interesse deles pela escrita e pela literatura. "Não ensino a todos da mesma maneira, mas, a partir do estilo e da dificuldade de cada um", relata o paulistano de 34 anos, morador do Jardim Bonfiglioli, na Zona Oeste.

O negócio surgiu quando Luis lecionava em colégios particulares. Batizado de Primeiro Livro, o projeto é aplicado há um ano em instituições públicas e já teve 300 aprendizes. Em São Paulo, a iniciativa envolveu duas unidades da Fundação Casa na Vila Maria, na Zona Norte, e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos Salles, na comunidade de Heliópolis, na Zona Sul. "Alguns despejam as palavras inconscientemente no papel, sem reler nada", conta o professor. "Vou vendo nos buraquinhos que aparecem no texto os caminhos para ensinar."

Até agora, foram lançados 300 títulos, e cada autor recebeu 25 exemplares, realizando 7 500 volumes. Para isso, Luis obteve o apoio de 493 pessoas, que, juntas, doaram mais de 56 000 reais por meio de um site de financiamento coletivo. "Fizemos festas com sessões de autógrafos, todas muito emocionantes", afirma. Com as obras em mãos, alguns dos jovens presenteiam parentes ou tentam vendê-las. "Mas muitos optam por trocar seus trabalhos com os dos colegas", diz o professor.


(texto publicado na revista Veja São Paulo de 6 de abril de 2016)

Cosa significa "non ci piove"? (Sgrammaticando)


Cosa significa l'espressione "quattro gatti"? (Sgrammaticando)


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O senhor Claudia Raia - Dirceu Alves Jr.


O ator e coreógrafo Jarbas Homem de Mello emociona o público em Chaplin, o Musical e sai da sombra da famosa atriz, com quem vive há três anos

Desde o Carnaval de 2012, Jarbas Homem de Mello, de 45 anos, temeu ver uma carreira de dua décadas ofuscada pela sombra de um aposto, o de namorado da atriz Claudia Raia. Na época, ele contracenava com a estrela no musical Cabaret, e as cenas da intimidade dos camarins ganharam visibilidade nacional em uma troca mais afoita de carinhos no sambódromo carioca. "No dia seguinte, eu acordei e cheguei a pensar que tínhamos feito uma bobagem", lembra. O ator e coreógrafo era então conhecido no circuito dos palcos paulistanos, mas anônimo no mundo das celebridades. O relacionamento engatou e rendeu outra montagem de sucesso. Crazy for You, de 2013 a 2014. Hoje, o romance, definido pelos dois como casamento, não é novidade. O medo de entrar para a história na sombra da parceira famosa também se dissipou totalmente. Prova disso é a performance dele como protagonista do espetáculo Chaplin, o Musical. Em cartaz no Theatro Net, no Shopping Vila Olímpia, a versão brasileira da produção americana de Christopher Curtis e Thomas Meehan foi vista por 25 000 espectadores desde a estreia, em maio, e os ingressos para as próximas duas semanas estão esgotados.

O sonho de viver Chaplin nasceu há dois anos para o artista gaúcho, radicado na capital paulista desde 1994. Surgiu nos ensaios de Crazy for You, e a preparação tomou forma em setembro passado. Como ícone do cinema mudo, o inglês Charles Chaplin (1889-1977) se expressava pelo corpo, e por isso Jarbas reforçou seus conhecimentos de acrobacia e sapateado, além de tomar aulas de patinação, slackline e violino.A obsessão foi tanta que, para imitar o canhoto Chaplin, passou a escrever com a mão esquerda. Sua mulher famosa assina a produção do musical e levantou a verba de patrocínio. Mas nem os detratores mais ácidos ousam dizer que a razão do sucesso está no esforço de Claudia nos bastidores. Em  duas horas e meia, o protagonista comove e faz rir ao representar o realizador do clássico O Grande Ditador dos 14 aos 82 anos sem recorrer a truques, como maquiagem pesada e explorando basicamente o gestual e a postura. Ainda oferece uma leitura psicológica do caráter dúbio do personagem. A cena final, em que Chaplin recebe o Oscar honorário em 1972, leva muita gente às lágrimas. "O que mais admiro na personalidade dele é a eterna superação pelo trabalho", afirma Jarbas. "Teve uma infância difícil, um pai que bebia, a mãe louca... Mesmo consagrado, a cada rasteira que levava vinha um filme melhor."

Jarbas nasceu em um bairro agrícola de Novo Hamburgo, um dos principais polos calçadistas do Rio Grande do Sul, como o recheio de uma família de três filhos. Hoje aposentados, o pai era caminhoneiro e entregador de leite e a mãe ajudava a segurar as pontas como cabeleireira. Na parede do quarto que dividia com os irmãos, duas imagens de Chaplin - uma do filme O Garoto e a outra uma foto do comediante com um cão - não lhe diziam quase nada. Só percebeu o artista quando assistiu ao longa Tempos Modernos na televisão aos 17 anos. "Ele era todo desencaixado, caminhava com as pernas abertas", recorda. O jovem já havia descoberto o teatro amador, era vocalista de uma banda de rock, dançava música folclórica e fazia curso técnico para modelista de fábrica de sapatos. "Era a única perspectiva concreta", lembra. Faturava extras como produtor de pequenas peças e shows em Porto Alegre. A mudança para São Paulo foi justificada por um teste para um seriado na TV Manchete que nunca entraria no ar, pois a emissora decretou falência e acabou extinta em 1999. Boa-pinta, ganhou a vida como garçom em restaurantes descolados e acumulou experiência em comédias que não impressionam a crítica mas têm público cativo, além de atuar em peças infantis nas quais explorava o talento de sapateador. A (pouca) sobra do mês era aplicada em cursos de flamenco, balé clássico e canto.

Com a expansão por aqui do mercado de musicais, Jarbas era um dos raros atores preparados para enfrentar os testes e marcou presença em sucessivas produções. Rent (1999), Les Misérables (2001) e O Fantasma da Ópera (2005) são algumas delas. Selecionado para o time de substitutos de Miss Saigon (2007), pulou fora e montou a comédia Querido Mundo, ao lado da atriz Maximiliana Reis. "Jarbas e eu estávamos um tanto frustrados e, com despretensão, conquistamos um sucesso de três anos e 150 000 espectadores pelo país", conta Maximiliana. Durante as audições para o musical Pernas pro Ar, em 2009, ele apertou a mão de Claudia Raia e lançou um "muito prazer". Os dois só se conheciam de vista. Meses depois, a estrela comentou que produziria Cabaret e ele, na cabeça dela era o único artista capaz de dançar, cantar e interpretar MC, o segundo personagem da história. "Você não brinca comigo, daqui a um ano vai se esquecer disso e ficarei frustrado", provocou. O reencontro se concretizou em 2011, e ele se mostrou à altura, sendo indicado aos prêmios Shell e Governador do Estado, além de monopolizar os elogios na pele do mestre de cerimônias de uma boate de Berlim da década de 30. O personagem foi imortalizado por Joel Grey no filme estrelado por Liza Minnelli em 1972. A confiança se transformou em admiração, Claudia estava separada do ator Edson Celulari, e tudo veio à tona no tal beijo no sambódromo. O assédio em torno do namoro tirou o sono do ator. De repente, o homem solteiro e discreto por opção estava ao lado de uma celebridade, a ex de um galã e mãe de dois filhos. "Era um pacote grande", diz.

A primeira aparição oficial do casal foi na entrega do Prêmio Shell, um mês depois do Carnaval. Dezenas de fotógrafos cercaram a mesa dos dois. Experiente nos holofotes, a estrela cochichou em seu ouvido. "Vamos nos beijar e brindar com a taça de champanhe que eles ganham a foto e nos deixam sossegados." A barra pesou quando Jarbas ouviu comentários, de pessoas próximas, de que estava sendo oportunista ao posar de namorado da atriz. "As pessoas podem falar o que quiserem, mas saem do teatro de queixo caído com o trabalho dele, e só nós sabemos das tantas afinidades que nos une", afirma Claudia.

Vivendo em um apartamento no Itaim, por onde circulam os gatos Espeto, Próspero e Porter, a dupla divide o tempo com interesses semelhantes. São aulas de dança, sapateado, pilates e ginástica e, além dos futuros musicais, há o projeto de uma temporada de estudos no exterior. O ator ainda sonha dirigir Claudia em um monólogo dramático, adaptado de um clássico grego. "Nunca tinha tido o prazer e a solidez de fazer planos com alguém, pensando longe, em 2018 ou 2020", afirma ele. Fanática por sapatos, a mulher recorrer à consultoria do marido na hora de renovar a coleção. Bem versado no assunto, ele sabe analisar as costuras e a qualidade dos solados.

Jarbas convive com amigos famosos dela, como os apresentadores Luciano Huck e Angélica e o empresário José Maurício Machline, que o convidou neste mês para coreografar um dos números do Prêmio da Música Brasileira em homenagem a Maria Bethânia. "É um profissional que não tem constrangimento em se adaptar a um conceito e criou um balé moderno relacionado às religiões africanas no Brasil", elogia Machline. A turma dele também já é a de Claudia. Um dos amigos mais próximos, o ator e produtor Carlinhos Machado se comove com a generosidade dela. "Perdi minha mãe e minha tia em seis meses, e Claudia me ajudou a enfrentar a dor em todos os momentos. O casal tem temperamento muito parecido", completa Machado, que trabalha nos bastidores de Chaplin.

Se a base da atriz ainda é no Rio de Janeiro, será por pouco tempo. Os filhos dela, Enzo, 18 anos, e Sophia, 12, passam os fins de semana por aqui, e veio do rapaz a sugestão da transferência para São Paulo. Enzo prestará o vestibular para administração e a mãe pesquisa uma escola para Sophia. Em meio a isso, vem a procura de uma casa maior. Ela revela que a única exigência do marido é ter uma churrasqueira. "Ele leva muito jeito na cozinha e é ótimo na hora de assar uma carne", conta. A convivência dos familiares tem sido testada e, pelo visto, alcança resultados. Os dois últimos réveillons foram celebrados em Garopaba, no litoral de Santa Catarina, com a presença dos parentes de Jarbas. "Quando vi o Enzo tomando chimarrão com minha sogra, eu respirei aliviada e percebi que as famílias estavam integradas", diz Claudia.



(texto publicado na revista Veja São Paulo de 24 de junho de 2014)




Chaplin, o Musical