domingo, 11 de outubro de 2015

A elegância do comportamento - Martha Medeiros


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez, por isso, esteja cada vez mais rara e fora de moda: é a elegância do comportamento...

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples "obrigado" diante de uma gentileza...

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma, nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada...

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que critiam, nas pessoas que escutam mais do que falam...

E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades, normalmente ampliadas no boca a boca...

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas...

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros...

É possível detectá-la nas pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte, antes, quem está falando e só depois manda dizer se está ou se não está...

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais...

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o quanto você teve que se desdobrar para o fazer...

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro...

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais... É elegante retribuir carinho e solidariedade. "É elegante o silêncio, diante de uma rejeição..."

Sobrenome, joias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto...

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante...

É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens.

Abrir a porta para alguém é muito elegante. Dar o lugar para alguém se sentar é muito elegante.

Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem imenso para a alma...

Oferecer ajuda é muito elegante... Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo...

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independentemente de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigos" não tem que ter estas coisas...

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la...

Educação enferruja por falta de uso...

E... um detalhe: não é frescura.

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