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sábado, 10 de janeiro de 2015

Encontro de rainhas - Tatiana Ferreira


Elizabeth II condecora Angelina Jolie por seu trabalho humanitário

A cerimônia durou apenas 20 minutos, no entanto, o tempo restrito foi suficiente para marcar a vida da atriz Angelina Jolie, 39 anos. Reconhecida por seus trabalhos humanitários, a embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) recebeu da mãos da rainha Elizabeth II, 89, o título de Dama Honorária. Em cerimônia privada na sala 1.844 do Palácio de Buckingham, na Inglaterra, a mulher de Brad Pitt, 50, foi condecorada, na manhã de sexta-feira (10), com a insígnia da Ordem de São Miguel e São Jorge por seu trabalho no combate à violência sexual em áreas de guerra e por prestar serviços à política externa britânica.

O título foi anunciado em junho, durante conferência de direitos humanos, que aconteceu em Londres, mas só agora foi possível o encontro entre Jolie e a monarca britânica. "Receber uma condecoração ligada à política internacional é de grande importância para mim. Trabalhar para prevenir a violência sexual já é uma honra por si só", afirmou Angelina, que é cofundadora da Preventing Sexual Violence Initiative (Iniciativa para Prevenção da Violência Sexual) por meio de um comunicado oficial na época.

Conversa em família

A estrela hollywoodiana chegou ao palácio acompanhada do marido e dos seis filhos, Maddox, 13, Pax, 10, Zahara, 9, Shiloh, 8, e os gêmeos, Vivienne e Knox, 6. Depois da breve cerimônia, Pitt e as crianças foram encaminhados até a sala 1.844, onde foram apresentados à rainha. Nenhum fotógrafo ou porta-voz presenciou o momento e, por isso, não foi possível ter informações ou imagens da reunião entre a realeza e os Jolie-Pitt. Mas, de acordo com uma fonte da revista americana People, o clima era de uma "família feliz".

Reconhecimento

Não é a primeira vez que a atriz é reconhecida por suas ações. Angelina é engajada em causas humanitárias desde 2000, quando filmou no Camboja (Sudeste da Ásia) o filme Lara Croft: Tomb Raider. Em novembro do ano passado, ela recebeu um Oscar honorário por seu trabalho humanitário na quinta edição do Governors Awards, em Hollywood, organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.



(texto publicado na revista Contigo!)









sábado, 22 de novembro de 2014

Hora de prevenir o câncer de mama - Dr. José Luiz Barbosa Bevilacqua, oncologista


O Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço (rosa) que simboliza a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, de empresas e entidades. Esse movimento começou nos Estados Unidos, onde vários estudos promoviam ações isoladas referentes à doença no mês de outubro. Posteriormente, com a aprovação do Congresso Americano, o mês se tornou oficialmente de prevenção.

Um dos casos mais emblemáticos de prevenção foi o da atriz Angelina Jolie que, ao compartilhar sua história relacionada à retirada das mamas, em 14 de maio do ano passado, no The New York Times, deu início a uma importante discussão sobre a necessidade do suporte especializado e individualizado aos pacientes com história familiar de câncer. Assim como Angelina, milhares de mulheres também possuem a mutação no gene BRCA1 (que regula o ciclo celular e previne a proliferação descontrolada das células), que resulta em um risco entre 60% a 85% de desenvolvimento de câncer de mama ao longo da via. Esse risco é seis a oito vezes maior quando comparado às mulheres não portadoras dessa alteração genética. Há também o risco, em torno de 50%, de desenvolvimento de câncer de ovário. Vale ressaltar que a história familiar representa uma pequena parcela da incidência de câncer de mama. Apenas um entre dez casos são originados de uma alteração genética herdada, sendo a mutação do BRCA1 uma das mais comuns.

Embora o assunto tenha ganhado visibilidade mundial após o depoimento público de Angelina, está longe de ser novo para mastologistas, oncologistas e oncogeneticistas. A experiência clínica demonstra que é fundamental para as pacientes estarem munidas de informações transmitidas com clareza por seus médicos para uma tomada de decisão segura, pois a cirurgia profilática, ou seja, é retirada da mamas e/ou dos ovários não é a única opção. É de suma importância esclarecer para a paciente que ela não está isenta de riscos, podendo provocar a perda de sensibilidade da pele da mama e dos mamilos e também a necrose da pele ou infecção da prótese e, dessa forma, não pode ser um procedimento indicado de forma indiscriminada. A principal recomendação é para que a mulher se submeta ao procedimento de remoção das mamas na faixa dos 30 e 40 anos. Acima dos 50, o benefício é ainda bastante controverso.

Em geral, a recomendação é de que todas as mulheres façam uma mamografia anual a partir dos 40 anos e tenham as mamas analisadas durante a consulta médica. Quem tem histórico familiar da doença deve começar antes. Mulheres com perfil de alto risco podem optar pela hormonioterapia preventiva por meio de um medicamento e o acompanhamento médico permanente. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tornou obrigatória neste ano a cobertura dos testes genéticos de mutação de BRCA1 e BRCA2 por parte dos planos privados de saúde.

Muitos fatores levam à doença

O câncer de mama é provocado por alterações genéticas não hereditárias, sendo que elas são, em cerca de 80% a 90% dos casos, estimuladas por fatores como obesidade, uso de hormônios (TRH - terapia de reposição hormonal), início da menstruação em idade muito jovem (menos de 12 anos), menopausa em idade mais tardia (acima de 55), menor número ou ausência de gravidez durante a vida e gravidez em idade cada vez mais tardia, assim como a ingestão de bebidas alcoólicas. A maioria dos cânceres de mama começa nos ductos, alguns têm início nos lóbulos e os demais nos outros tecidos. O câncer de mama é o mais incidente nas mulheres, atrás apenas dos casos de câncer de pele não melanoma. Para 2014, a estimativa é de 57.120 novos casos detectados.

Amamentação ajuda a proteger

Todas as mulheres estão sujeitas ao câncer de mama. O principal fator de risco é o envelhecimento. Isso porque, com o passar dos anos, o DNA sofre mais alterações genéticas e, portanto, aumenta as chances de a mulher desenvolvê-lo, alcançando seu pico entre os 60 e 70 anos. Isso não significa, por sua vez, que ser jovem é estar imune ao câncer. Em relação a casos de histórico familiar, sobretudo mãe, irmã e filha, a probabilidade é um pouco maior. Assim como nas mulheres com as características já citadas. A boa notícia é que o risco pode ser diminuído com a adoção de hábitos de vida saudáveis, como manter o peso adequado com uma dieta balanceada, não gordurosa, praticar atividade física regularmente e evitar bebidas alcoólicas. A amamentação também é um importante fator protetor.

A importância da mamografia para redução da mortalidade

A mamografia é um exame adotado a partir dos 40 anos com a proposta de detectar câncer em estágio inicial, em que o tumor ainda não é palpável e quando a taxa de cura pode superar os 95%. Também é indicada para avaliar eventuais alterações clínicas, como palpação de nódulo ou qualquer modificação das mamas. Em caso de história familiar, principalmente em se tratando de vários casos de câncer de mama na família - algumas vezes se recomenda começar os exames de rastreamento dez anos antes da idade em que o parente mais jovem foi diagnosticado. Por exemplo, numa família com vários casos de câncer de mama, em que a mãe desenvolveu a doença aos 40 anos, o aconselhável é que a filha faça a primeira mamografia aos 30 anos. Especialmente nesse grupo de alto risco, é recomendado também o exame de ressonância magnética anual.




(texto publicado na revista Contigo nº 2041 - 30 de outubro de 2014)




sábado, 30 de agosto de 2014

Malévola (dublado) com Angelina Jolie


www.tamiozzo.com.br



Entrevista com Angelina Jolie: "Acredito no mal porque vi o mal" - Ana Maria Bahiana


A atriz está em Malévola, uma versão moderna do conto de fadas A Bela Adormecida. Na vida real, ela diz ter conhecido a maldade ao viajar como comissária da ONU

"Nunca pensei que faria um filme da Disney", diz a atriz americana Angelina Jolie, de 38 anos. "Na verdade, nunca fiz um filme a que meus filhos pudessem assistir. Jamais me oferecem esse tipo de papel. "É um belo dia de fim de primavera em Los Angeles, com sol, 22 graus, nuvens e flores por todo lado. Angelina pouco ou nada vê de tudo isso. Desde a manhã, está trancada num hotel de luxo em Beverly Hills, recebendo a imprensa na habitual maratona promocional de lançamento de um filme. No caso, sua estreia como habitante do mundo Disney: Malévola, uma releitura da história da Bela Adormecida. O filme toma emprestada uma ideia do bem-sucedido musical da Broadway: Wicked.

O roteiro do filme, como do musical, explora o passado de uma vilã, a Malévola do título, para explicar suas ações e recolocá-la como, na pior das hipóteses, uma heroína incompreendida e digna de redenção. Usando lentes de contato especiais e próteses de silicone e gel no nariz, nas orelhas e na face - mais um par de chifres de poliuretano, presos à cabeça com uma touca especial e uma série de imãs - Angelina cria uma Malévola plausível dentro do mito reinventado pelo roteiro da veterana Linda Woolverton (A Bela e a Fera, O Rei Leão, Mulan). O diretor do filme é Robert Stromberg, supervisor de efeitos especiais de Piratas do Caribe. A magia das imagens está garantida.

Malévola marca o retorno à vida pública de Angelina, após três anos tomados por seu trabalho humanitário, como Enviada Especial das Nações Unidas, e, por uma série de tratamentos médicos que resultaram, em fevereiro de 2013, na cirurgia para remover os seios. Ela constatou que tinha o mesmo perfil genético de sua mãe (a modelo e atriz Marcheline Bertrand, que sucumbiu ao câncer de mama e ovários em 2007, aos 56 anos) e decidiu por uma cirurgia radical preventiva. A decisão de divulgar a cirurgia num artigo para o New York Times foi definida pelo geneticista Eric Topol, como um gesto de alto simbolismo e "um momento que para sempre impulsionará a medicina genética". Até o lançamento, em dezembro, de seu segundo filme como diretora, o drama de guerra Invencível (Unbroken), ela continuará com sua agenda de ativismo. Comparecerá em Londres, neste mês, a uma reunião de cúpula de 141 países para debater a violência contra as mulheres em situações de conflito. Depois, talvez ela e Brad Pitt se juntem novamente nas telas, algo que não acontece desde a comédia Sr. e Sra. Smith, de 2005, que deu início ao namoro deles. Desta vez, Angelina será diretora e roteirista, e Brad ator. "Depois de muita conversa, agora finalmente farei um filme com Brad", diz ela, sorrindo. "É uma parceria: escrevi, vou dirigir e atuaremos juntos. Será maravilhoso."

Época - Esse papel é muito diferente de todos os que a senhora fez em usa carreira. Por que escolheu esse projeto agora?

Angelina Jolie - Sempre quis fazer um papel assim. Gostei desse porque, além de ser um filme que meus filhos podem ver, é um filme que gostaria que eles vissem. Tem uma mensagem coerente com o modo como os educamos. A ideia de que cada um tem uma história que não conhecemos, que não podemos saber o que cada um passou, se foi doente ou molestado ou marginalizado. E que, mesmo que coisas terríveis tenham acontecido, temos sempre de lutar para recuperar nossa humanidade, não permitir que o mal tome conta de quem somos.

Época - O filme Malévola contesta alguns chavões dos contos de fadas do universo Disney. Nos convida a ter um novo olhar sobre o "vilão", o personagem "do mal". Qual sua definição de "mal"?

Angelina Jolie - Não sei como definir, mas sei que existe. Acredito no mal, porque vi o mal. Não é o das histórias. Não é o de Hollywood. É o que vi em minhas viagens pelas Nações Unidas: crianças queimadas, famílias destruídas, órfãos, mulheres violentadas, crianças torturadas, com unhas arrancadas... Essas meninas (na Nigéria) arrancadas de suas escolas, raptadas. Esse é o mal. É importante compreender o mal e compreender de onde vem, quais são suas raízes. Só assim é possível combatê-lo de verdade. Para enfrentar esse mal, temos apenas as saídas da Justiça, em primeiro lugar, depois da educação. Precisamos nos unir, unir todas as pessoas que reconhecem esse mal e realmente encará-lo.

Época - O filme também redefine as ideias de "amor verdadeiro" e "felizes para sempre", chichês comuns no universo de Walt Disney. Qual sua visão sobre essas ideias?

Angelina Jolie - Nunca fui romântica. Sou realista e pragmática. Nunca acreditei em "amor verdadeiro", "amor à primeira vista". Nunca acreditei na ideia de que basta você encontrar a pessoa certa e se entregar a essa pessoa, e ela se transformará na sua felicidade. Isso mudou quando me tornei mãe. No momento em que olhei nos olhos de Maddox no orfanato (nascido Rath Vibol em Pnom Penh, Camboja,  Maddox foi adotado por Angelina, aos 7 meses, em 2002), todo o meu mundo mudou. Foi a primeira vez que compreendi o que era amor verdadeiro. É o momento em que você não é mais o centro do mundo e é capaz de se dar inteiramente a outra pessoa, e essa pessoa se  torna sua felicidade. Tudo de ruim que possa acontecer a essa pessoa, você diz: "Que venha para mim, não para ela". Não estou sozinha. Quase todas as mães e pais se sentem assim.

Época - É seu primeiro trabalho diante das câmeras desde as cirurgias a que a senhora se submeteu em fevereiro do ano passado. Como está sua saúde? Se a senhora pudesse voltar atrás, faria algo de forma diferente?

Angelina Jolie - Minha saúde está ótima. Tenho muita energia. Estou feliz por ter tomado as decisões que tomei. Mesmo a decisão de ter levado a público minha decisão. Era meu dever para com as demais mulheres. Aprendi muito sobre minha saúde e não achava correto deixar de compartilhar o que aprendi e as escolhas que fiz com outras mulheres. Como teria sido bom se as ferramentas que temos hoje estivessem disponíveis para minha mãe, e que ela tivesse essa escolha quando era mais jovem. Ela poderia estar viva e comigo, hoje, aproveitando seus netos.

Época - A senhora pretende continuar o tratamento com a remoção dos ovários, procedimento recomendado para mulheres com a mesma mutação genética sua e de sua mãe?

Angelina Jolie - Sempre fui muito franca e firme em minha decisão de continuar o tratamento. Neste momento, me informo sobre o assunto, compreendo todos os detalhes sobre o que a mutação significa e como melhor me preparar para ela. Minha opção, como antes, é manter minha privacidade - minha e de minha família - antes e durante o processo, para que eu possa comentá-lo abertamente depois.

Época - Em dezembro deste ano, teremos seu segundo filme como diretora, Invencível, a história do corredor olímpico Lou Zamperini. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele tornou-se prisioneiro dos japoneses. A senhora está determinada a continuar sua carreira como diretora?

Angelina Jolie - Estou. Na verdade, estou cada vez mais interessada no trabalho de diretora cinematográfica. Me tornei diretora por acaso. Escrevi o roteiro de meu primeiro filme (Na terra de amor e ódio, 2011) como um exercício pessoal, uma meditação sobre o que eu tinha visto e aprendido sobre a situação na Bósnia - uma guerra que nunca consegui compreender direito - e não consegui achar ninguém que tivesse a mesma paixão pelo assunto, ninguém em quem confiasse. Atualmente, dentro do mundo de entretenimento, dirigir é o que mais quero fazer. É onde está meu interesse. Dirigir filmes é uma forma de abordar temas importantes para mim e de me educar a respeito de coisas que não conheço, de aprender sobre história, sobre cultura e de me aprofundar no conhecimento do próprio cinema.

Época - Se a senhora tivesse de escolher entre ser atriz, ser diretora e ser ativista, o que escolheria?

Angelina Jolie - Poderia não ser nenhuma das outras coisas e ser feliz. Mas não poderia não ser uma ativista. Poder usar o poder da celebridade e, assim, chamar a atenção para pessoas e problemas que em geral passam desapercebidos é algo que realmente faz sentido para mim. Demorei algum tempo até compreender o que significava ser celebridade, as coisas de que você abre mão sendo uma celebridade e, ao mesmo tempo, o poder que você tem. Comecei nisso muito jovem. De imediato, não sabia o que fazer com o poder e a celebridade. Francamente, nem poder nem celebridade me interessavam muito. Ser capaz de dar uma finalidade, um sentido a isso, é algo muito especial.



(texto publicado na revista Época nº 835 - 2 de junho de 2014)