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sábado, 24 de setembro de 2016

Palavra - Maria Goretti de Oliveira, fsp


Para escrever é preciso saber:
o valor de cada palavra e a essência que ela carrega.
É preciso saber de onde ela vem, as transformações por que
passou no decorrer do tempo e o que ela carrega em si.
Que marcas o tempo lhe deixou.
A palavra é extremamente sensorial:
tem som,
cheiro,
cor,
textura,
sabor,
sentimento,
emoção.
Uma palavra pode ter muitos sentidos,
por isso, ela não pode andar solta por aí.
Palavra tem até espaço, duvida?
Às vezes, ela cabe direitinho no que queremos dizer,
outras vezes, não. Fica estranha, parece um peixe fora
d'água. Aí, precisamos procurar outra palavra.
E quando ela confunde a gente? Aposto que já aconteceu
com você. Eu já perdi até a conta das vezes que aconteceu
comigo. Mas não vamos pros números agora.
Que aí é outra história e seria outra crônica.
Eu já ouvi tanta palavra por aí.
Palavra que liberta.
Palavra que magoa.
Palavra doce.
Palavra amarga.
Palavra de amor.
Palavra de paz.
Há palavra que escapa
e acaba se perdendo pelo mundo afora.
Mas há palavra que fica
martelando em nossa cabeça.
Umas ficam bem perto do coração,
pois entram nele, sem cerimônia alguma.
E ficam anos e anos.
Espero que sejam boas as palavras
que você carrega em seu coração.




domingo, 18 de outubro de 2015

Scrivere fa bene alla salute: migliora l'umore, riduce lo stress, guarisce le ferite emotive e fisiche (L'Huffington Post)


La scrittura ha molti vantaggi che vanno ben oltre il semplice arricchimento del nostro vocabolario. Non importa quale sia la qualità della prosa, è l'atto stesso dell'impugnare in mano una penna a portare benefici sia per la salute fisica sia per quella mentale. L'umore, i livelli di stress, i sintomi depressivi sono solo alcuni degli aspetti a risentirne positivamente.

In uno studio del 2005 sui benefici per la salute emotiva e fisica della scrittura espressiva, i ricercatori hanno scoperto che buttare già qualche riga dalle tre alle 5 volte nel corso dei 4 mesi di ricerca, spendendo ogni volta dai 15 ai 20 minuti, aveva fatto la differenza nel migliorare la vita delle persone analizzate.

Scrivendo su eventi traumatici, stressanti o emotivi, i partecipanti avevano significativamente più probabilità di avere un minor numero di malattie e di essere meno colpiti da traumi. I partecipanti alla fine, infatti, aveva passato molto meno tempo in ospedale, avevano avuto una pressione sanguigna più bassa e funzionalità epatica migliore rispetto ai loro omologhi che non si erano dedicati alla pratica della scrittura.

Si scopre, addirittura, che la scrittura può fare in modo che le ferite fisiche guariscano più velocemente. Nel 2013, i ricercatori neozelandesi hanno monitorato il recupero delle ferite da biopsie medicalmente necessarie su 49 adulti sani. Gli adulti hanno scritto i loro pensieri e sentimenti per soli 20 minuti, tre giorni di fila, due settimane prima della biopsia. Undici giorni dopo, il 76% dei pazienti monitorati che si era esercitato nella scrittura era completamente guarito. Il 58% non aveva recuperato. Lo studio ha concluso che scrivere di eventi dolorosi ha aiutato i partecipanti a dare un senso degli eventi e a ridurre angoscia.

Anche coloro che soffrono di malattie specifiche possono migliorare la loro salute attraverso la scrittura. Gli studi hanno dimostrato che le persone con asma che scrivono hanno meno attacchi rispetto a quelli che non lo fanno. Lo stesso vale per i malati di AIDS e per i malati di cancro che si aprono, scrivendo, a prospettive più ottimistiche e possono verificare un effettivo miglioramento della qualità della vita.

"Quando le persone hanno la possibilità di scrivere di sconvolgimenti emotivi, spesso sperimentano un miglioramento della salute," ha detto James W. Pennebaker che ha condotto la ricerca sulla scrittura presso l'Università del Texas a Austin Pennebaker. "Si ammalano di meno e hanno dei cambiamenti nel loro sistema immunitario".

Come mai? Pennebaker ritiene che l'atto della scrittura espressiva permetta alle persone di fare un passo indietro e valutare la loro vita. Invece di essere morbosamente ossessionati dell'evento, possono concentrarsi per superarlo. In questo modo, i livelli di stress si abbassano e la salute corrispondentemente migliora.

Non dovete essere un romanziere o riflettere costantemente su momenti più traumatici della vostra vita per ottenere questi grandi benefici. Anche tenere un blog o scrivere articoli è sufficiente per vedere i risultati. Uno studio ha trovato che scrivere dei post potrebbe innescare il rilascio di dopamina e produrre lo stesso effetto benefico della corsa o dell'ascoltare musica.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Um livro para chamar de seu - Leandro Quintanilha


Qualquer um pode escrever uma obra, seja um romance, uma biografia ou mesmo uma fábula infantil. Se animou? Saiba como concretizar essa ideia

Todo livro começa com uma página em branco. Cabe ao autor preencher o vazio com conhecimento e imaginação. Há de se ter perseverança - a escrita requer atributos técnicos e maturidade emocional para compreender o ser humano, incluindo o que escreve. Para o cronista e escritor Antonio Prata, não é a página em branco o que mais aflige, mas o preto das letrinhas inseguras que começam a preenchê-la.

A despeito das dificuldades, escrever um romance é um sonho compartilhado por muita gente. Porque é uma tentativa de posteridade, uma trapaça contra a solidão e a morte, um jeito de sobreviver à privacidade da própria imaginação e á vida em si.

E esse anseio parece ser cada vez maior. "Somos hoje expostos a uma quantidade extraordinária de narrativas - em livros, filmes, séries, novelas, games...", enumera o jornalista e escritor Roberto Taddei, que coordena uma pós-graduação para formação de autores no Instituto Vera Cruz, em São Paulo. O uso crescente de computadores e smartphones também acentua a comunicação interpessoal por escrito. De certo modo, somos todos escritores.

Ao mesmo tempo, como é difícil escrever! "Muitos jovens têm uma imagem romântica da profissão e esperam ser tomados pela fúria da criação", afirma Antonio. "Para escrever, é preciso perder essa reverência à literatura", continua. Ou seja, é preciso encará-la como trabalho.

Não há fórmula pronta para desenvolver um livro, mesmo porque cada autor tem de encontrar em si o melhor jeito de se tornar produtivo em um ofício que demanda concentração e tempo. No caso de Antonio, ajudou ser filho do escritor Mário Prata: o pai era apenas um cara com quem convivia de chinelos. 

O primeiro livro do filho foi feito às pressas, sob encomenda. Mas produzir a primeira obra sozinho foi um baque. Era uma crise autoral por dia, o que ele administrou com humor. Colocou um mantra na tela de proteção do computador: "Calma, Antonio, é assim mesmo". Deu certo: Douglas e Outras Histórias (Azougue Editorial) foi publicado em 2001 e, de lá para cá, já são oito obras.

Mestre em escrita criativa pela Universidade de Columbia (EUA), Roberto Taddei precisou de cinco anos para concluir as 160 páginas de seu primeiro romance, Terminália (Prumos). Com a prática, foi percebendo que escreve melhor pela manhã, quando o bairro está silencioso.

Cada autor tem a sua metodologia. André de Leones levou só um ano e maio para fazer seu romance de estreia, Hoje Está um Dia Morto (Record), de 2006. Desde então, foram outros três livros, que sempre abordam temas ásperos, como depressão e suicídio. "Procuro dar o que o tema pede, e cada história tem o seu tempo - algumas fluem, outras exigem meses ou anos de escrita e, sobretudo, reescrita." Para ele, terminar um conto ou um romance equivale a esgotá-lo.

A escritora e revisora Cristina Lasaitis publicou na internet o Guia de Primeiros Socorros para o Escritor Iniciante. Ela explica que alguns autores precisam colocar no papel toda a estrutura da narrativa antes de escrever; outros criam a história durante o processo; e há ainda os que combinam as duas metodologias. 

Alguns toques, no entanto, soam universais. "Para se tornar um bom escritor, é necessário ler muito e sobre os mais variados assuntos, dominar a língua, conhecer bem os temas sobre os quais se pretende dissertar e garantir a si próprio uma educação continuada", diz ela. Cristina também enfatiza a importância do exercício regular. "O mais recomendável é criar o hábito de escrever todos os dias - mesmo quando não se sentir inspirado ou com vontade."

Tensão dramática

Um problema real que aflige muitos aspirantes: coordenar as responsabilidades do presente com uma profissão ainda hipotética. O médico Raul Emerich atende em consultório, leciona na Universidade Federal de São Paulo, é casado e tem duas filhas. Ainda assim, conseguiu escrever um romance a ser publicado por uma grande editora. "Comecei a acordar às 4 da manhã", diz. O déficit de sono era compensado ao longo do dia com sonecas de dez minutos entre uma consulta e outra. Cardano (Record) narra a história de um médico italiano do século 16 que, apesar de perseguido, publicou mais de cem obras sobre saúde, matemática e filosofia. O livro entrou para a lista das 10 Melhores Obras de Ficção da revista Superinteressante em 2013: "Aos 50, começo uma nova carreira", anima-se.

Além de acordar de madrugada par dar corpo à obra, Raul também aprendeu a educar o olhar para o que há de literário na vida. Isso porque a formação de um escritor tem muito a ver com apurar sua sensibilidade sobre a condição humana e a decodificar detalhes que revelam o todo, algo difícil de mensurar. Em grande medida, aprender sobre literatura é aprender sobre a vida e vice-versa.

Conclusão e desfecho

Por vezes, enxergar é também criar, conceber. Para o sul-africano Nobel de Literatura J. M. Coetzee, "em tudo há o inexplorado, porque estamos acostumados a usar os olhos apenas como a lembrança daquilo que outros pensaram antes sobre o que estamos contemplando". O escritor precisa desvendar esse desconhecido intrigante e trazê-lo à tona de uma maneira também interessante.

À capacidade de desenvolver metáforas pertinentes, que revelam um contexto maior, é preciso somar estilo e graça. Em David Copperfield, o escritor Charles Dickens descreve um homem tão alto que as pernas compridas davam a impressão de ser a sombra de outra pessoa. Como se vê, seria menos impactante dizer apenas que era um tipo grandalhão.

Para desenvolver estilo próprio, um bom começo é mostrar seu trabalho a pessoas de confiança. "Não seja defensivo, ouça abertamente, compare opiniões e pondere sempre", orienta Cristina. Contratar um serviço de leitura crítica também pode ajudar a melhorar o seu manuscrito antes de encaminhá-lo, finalmente, a uma editora. Vale lembrar: é preciso ser persistente também nessa fase. Muitos livros de sucesso foram campeões de recusa antes de emplacar.

O mais importante é que você terá concluído algo muito seu. Haverá então, quem sabe, esse tal contrato privilegiado com o outro, com a humanidade, para além da sua expectativa de vida. Disso não há garantia, no entanto. De todo modo, terá sido um contato profundo com algo bom e novo que carrega dentro de si. E, pelo tempo que ainda lhe couber, você poderá se ler cada vez melhor.



(texto publicado na revista Vida Simples nº 148 - agosto de 2014)










domingo, 24 de novembro de 2013

Diário de vida: escrever faz bem à saúde


A primeira tarefa do projeto 7 de setembro do Chris Allmeida foi criar o blog. Inicialmente fiquei preocupada porque até hoje tenho dificuldades com assuntos internáuticos. Fui logo pedir ajuda à minha amiga Cristal que também fazia parte do projeto. E no final a filha dela, a Luana, me deu uma mão com o layout da página. Nunca pensei que gostaria tanto de ter um blog porque sempre gostei muito de escrever. 

A postagem anterior cujo título é "A elegante arte de escrever" me fez lembrar dos amigos epistolares que tive quando morava na Itália. Um pouco após a minha chegada à botinha mandei colocar um anúncio na revista "Gioia" procurando correspondentes porque queria aperfeiçoar o italiano escrito. Não me lembro mais quantas pessoas me escreveram, mas foram muitas e algumas conheci pessoalmente. 

Conservo até hoje em uma pasta especial cartas de alguns desses correspondentes, além de cartões de amigos, parentes e alunos. E as cartas juvenis de meu primeiro namorado que já partiu para o andar de cima.

Falando no Chris Allmeida uma outra tarefa foi fazer uma bela faxina doando ou jogando fora tudo o que não estava sendo usado. Em um de seus podcasts ele falava sobre o costume ou vício que as pessoas têm de guardar recordações principalmente as amorosas: o bilhetinho do primeiro encontro, o papel de bala, o papel de presente, o ingresso do cinema e outras lembrancinhas marcantes. Fiz realmente uma boa faxina em roupas, acessórios, revistas e livros, mas quando cheguei às cartas não tive coragem de jogá-las fora. Não sou saudosista e nem tenho por hábito acumular coisas, mas o carinho contido nas cartas fazem parte da minha história.


Daniela, a minha correspondente de Roma (que está ao meu lado)


Andrea, o correspondente de Padova, que conheci em Veneza

Giuliano, o meu correspondente de Senigallia, cidade onde vivi por um ano


Francesco, o correspondente que conheci na Ilha de Ischia


Com Pasquale, o único correspondente que era da mesma cidade onde morava na época, Reggio Calabria. Aqui estamos em Scilla



















A elegante arte de escrever - Marcelo Sampaio, consultor do Mercado Luxo e Qualidade


Que saudades do tempo em que, ansiosamente aguardávamos por postais de viajantes queridos!

Que saudades das palavras escritas o próprio punho de amigos ou familiares distantes narrando fatos especiais ou mesmo histórias comuns!

Há muito não recebo um bilhete sequer envido pelos correios. Há tempos não me surpreendo com um envelope misterioso tentando descobrir o autor das letras corridas sobre o papel.

Tudo de bom quando éramos surpreendidos com a entrega de uma foto de alguém que, vivenciado um momento especial, eternizava no verso da mesma com palavras de dedicação e afeto.

Abro minhas caixas de recordações e encontro papéis de carta de motivos diversos preenchidos com palavras deliciosas dedicadas a mim, escritas por alguém especial em minha vida. Encontro cartões postais de viajantes garimpeiros e mais cartões de aniversários e datas festivas eternizando dedicatórias e doces mensagens de carinho.

Nada mais personalizado, nada mais íntimo e profundo do que isso.

Hoje, acostumados com as facilidades dos e-mails, escrevemos rapidamente palavras objetivas dando recados diretos a todos que nos rodeiam. Claro, não seria mais possível esperarmos dias por uma novidade, por uma imagem tirada há meses ou mesmo por uma dedicatória que hoje em redes sociais declaramos instantaneamente.

Mas e as surpresas? E as tentativas do reconhecimento de letras por fora de um envelope? E a ansiedade ao abrir uma carta sem saber o assunto tratado ou o porque da mesma? Acabou?

Basta retomarmos esse milenar hábito e debruçarmos sobre nossas mesas com nossas vidas e debulharmos contos, lágrimas, sorrisos e fatos especiais.

A intensidade é outra, o resultado para quem recebe é outro, a entrega para quem escreve é outra.

Tudo é único, todas as palavras são sentidas e amarradas, uma às outras, com alma, com força.

Provocaremos emoções muitas vezes guardadas, provocaremos o reacender de algo escondido e muitas vezes perdido.

Escrever, desenhar, pintar, faz de seu papel um presente, faz com que aquele momento da dedicatória seja absolutamente do outro, seja você e outro inteiros ligados através de emoções. Nenhum presente pode ter mais personalidade e elegância do que um texto personalizado escrito a mão.

Risque, rabisque, busque esse realizar esquecido dentro das gavetas empoeirdas. Tire o pó da vida e de suas vivências.

Compre novos papéis, novos envelopes, novas canetas, lápis, adesivos. Abasteça-se de elementos que te impulsionem a escrever, que te impulsionem a expressar o seu verdadeiro sentimento.

Entregue-se. Escreva, escreva e escreva.

Doe-se por inteiro. Chic!



(texto publicado na revista Tudo nº 34)




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Escrever ajuda a lidar com as emoções


COLOCAR SENTIMENTOS NO PAPEL PODE ABRIR ESPAÇO PARA O AUTOCONHECIMENTO

Escrever sobre experiências pessoais pode fazer bem à saúde e ajudar a lidar com as próprias emoções. Um estudo feito pela Universidade de Kansas, nos EUA, acompanhou, durante três meses, 180 mulheres que estavam em estágio inicial do câncer de mama. O resultado surpreendeu: quem transmitiu seus sentimentos para o papel teve metade dos problemas físicos relacionados ao tratamento da doença.

Para o psicólogo Julio Peres, escrever é uma maneira eficaz de superar situações difíceis, a partir do momento que a pessoa manifesta suas angústias e sofrimentos. "Assim como as crianças, adultos traumatizados precisam atribuir significados às experiências dolorosas, para conseguirem explicar o que ocorreu. À medida que buscamos palavras para descrever alguma situação, conseguimos reestruturar o trauma, processar os sentimentos envolvidos na história e, finalmente, superá-la. E isso tem um natural impacto positivo na saúde", explica.

E os benefícios da escrita não param por aí. O especialista acredita que este tipo de experiência permite ter domínio sobre as próprias emoções, lidar harmoniosamente com os mais diversos eventos e, consequentemente, ter mais autoconhecimento. "Escrever é conhecer melhor a si mesmo. Ao colocar os sentimentos no papel podemos observar e reconhecer as projeções do nosso eu, ampliando o aprendizado sobre nós mesmos. Ou seja, por meio das palavras traduzimos o que pensamos e mostramos o reflexo do que somos", avalia.


RESOLVENDO DESENTENDIMENTOS

Para Mara Mello, a experiência de escrever sobre seu doloroso divórcio no Fórum de Histórias Reais do Personare contribuiu positivamente para que ela fizesse descobertas valiosas sobre si mesma. "Na manhã de um domingo sentei em frente ao computador e, pela primeira vez, escrevi sobre o assunto. Tinha me separado há pouco mais de dois anos e falar sobre essa história foi uma experiência maravilhosa. Por meio da escrita conseguimos avaliar melhor determinada situação e, na minha opinião, essa mudança de pensamento é a melhor forma de superar traumas vividos", ensina a autora da história "Um amor que não foi para sempre", que foi escolhida para entrar no livro que será lançado pela Verus Editora, em parceria com o Personare.

No caso de desentendimentos com pessoas queridas, por exemplo, escrever também pode ajudar a solucionar os problemas com quem você gosta. As reações impulsivas são frequentes quando a raiva, a tristeza ou o medo prevalecem. Nesse caso, quem decide expressar verbalmente o que sente, pode reagir com mais facilidade, inflamar as emoções e dificultar o entendimento. Por outro lado, ao escrever sobre o que incomodou, a pessoa é forçada a diminuir seu "ritmo interno" para sincronizar o pensamento às funções motoras envolvidas na escrita.

"Quem escreve pode se organizar para traduzir o que tem em mente, sem a ebulição emocional do momento. Já quem recebe o texto tem a oportunidade de ler e reler o conteúdo. Isso atenua a reação emocional e favorece uma melhor resposta para a ocasião. Depois dessa etapa, o contato pessoal tende a ser mais tranquilo, o que certamente favorece o entendimento mútuo", aconselha o psicólogo Julio Peres

Escrita permite contato com a dor       

Segundo o especialista, muita gente ainda tem dificuldade de entrar em contato com as emoções, especialmente as negativas. Para ele, as pessoas evitam abordar as dificuldades, como forma de não viver novamente o sentimento ruim experimentado em determinada circunstância. No entanto, a dificuldade de expressar o que sente e de enfrentar as adversidades pode aumentar ainda mais o sofrimento. O psicólogo acredita que a escrita permite que novos traços de memória se formem no cérebro, substituindo as conexões que antes produziam as reações de ansiedade.

Nesse sentido, fazer um diário ou montar um blog pode ajudar. Se você não sabe por onde começar, Mara dá a dica: "Comecei a perceber que, mesmo lendo muito, tenho dificuldades para escrever. Mas mesmo assim tento reproduzir minhas experiências no papel e escrever os sentimentos que surgem na minha mente, de forma fácil e agradável. Descobri quantas coisas mudei por causa da escrita e quantas ainda preciso melhorar. A partir do momento que entendi isso, comecei a respeitar o meu ritmo e, mesmo com dificuldade, estou caminhando".

No entanto, vale lembrar que para aproveitar todos os benefícios da escrita não basta simplesmente escrever uma história. É preciso estabelecer uma aliança de aprendizado com a adversidade. Nesse sentido, fazer um diário ou blog pode ajudar. "A dica é que sejam escritas as experiências que tenham relevância emocional e aprendizados consistentes. Ainda que não consigamos expressar nossos sentimentos e memórias da maneira mais adequada, devemos tentar. Durante a escrita, é natural que insights aconteçam e um novo significado na direção do bem-estar seja processado", avalia o especialista.