Mostrando postagens com marcador vendas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vendas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de junho de 2016

25 erros que as empresas cometem na redes sociais - Camila Porto


Especialista em Internet Marketing, Camila Porto lista os maiores erros das empresas na hora de usar ferramentas como Facebook, Instagram e outros.

Especialista em Internet Marketing, Camila Porto é uma das maiores autoridades no assunto, tendo formado mais de 6 mil empreendedores para anunciar no Facebook por meio dos seus treinamentos online. Sempre que discute com empreendedores e profissionais de mídias sociais, Camila se depara com muitos erros cometidos pelas empresas. "É preciso estar atento para corrigi-los no mesmo instante, caso contrário os investimentos em anúncios podem se transformar em dinheiro jogado fora", alerta a especialista, que lsita os 25 erros mais comuns que as empresas cometem nas redes.

1 - Achar que vender na web é fácil

Muita gente acredita que, ao fazer um anúncio no Facebook, vai conquistar rápidas vendas. "Vender é difícil em qualquer lugar, por isso é preciso encarar a venda online como um processo tão complexo quanto a venda física", explica Camila. "A vantagem da rede social é que o anúncio é focado no público-alvo".

2 - Não identificar oportunidades de negócio

"Quem vai empreender online precisa ficar de olho nas oportunidades, usando sempre a tecnologia a seu favor", explica a especialista, que destaca a importância de observar o que o público mais precisa no momento, como um aplicativo novo ou uma solução para um problema atual.

3 - Achar que todo mundo vai comprar

Segundo a especialista, é preciso delimitar o público-alvo. "Mesmo um produto que pode ser comprado por todo mundo deve ser anunciado para um nicho específico", destaca. A linguagem e a rede social devem ser condizentes com o público.

4 - Encarar como um "trabalho fácil"

Muita gente associa o trabalho em redes sociais com a expressão "ganhar dinheiro online". A especialista alerta que o termo correto é "trabalhar online", já que ganhar dinheiro requer muito esforço. "Para o seu negócio ser financeiramente saudável, você precisa ter um fluxo de caixa, previsibilidade de receitas, entradas recorrentes e controle de gastos", resume.

5 - Acreditar nos antigos paradigmas de trabalho

Camila destaca que trabalhar online pode ser libertador quando se compreende que é possível atuar de qualquer lugar. "Por isso, o trabalho com redes sociais pode durar muito menos ou muito mais que as tradicionais 40 horas semanais", explica.

6 - Manter-se apenas com um plano

Camila ensina que o mundo online está sempre mudando, e por isso nem sempre é possível manter os mesmos planos. "Faça os anúncios sempre pensando em um plano B, assim como o seu próprio negócio deve ter uma segunda opção na manga", resume a especialista.

7 - Deixar de lado o espírito empreendedor

A autora do livro Facebook Marketing ensina que ter um CNPJ não faz de ninguém um empreendedor, e para estar nas redes sociais é preciso ter espírito empreendedor o tempo todo. "Para ser empreendedor é preciso aceitar riscos, e ainda seguir com determinação, liderança, visão, coragem e competência", resume Camila Porto.

8 - Dedicar-se parcialmente

Segundo a especialista, ter um negócio online e anunciar nas redes sociais exige dedicação, total. "Esquecer um anúncio ou olhar para as redes sociais apenas quando tiver tempo sobrando é uma forma muito ruim de lidar com este tipo de investimento", ensina.

9 - Investir demais

Mais do que investir altas quantias em anúncios no Facebook, Google, Instagram e outras redes, Camila destaca que é preciso ter um planejamento. "É melhor investir um pouco de forma bem planejada e para um público específico, que muito dinheiro para um público que não vai comprar seu produto ou serviço", destaca.

10 - Investir de menos

"Muitas vezes, o empreendedor tem esperança de que no dia seguinte vai dar certo, e continua gastando em anúncios sem ter resultado", destaca Camila sobre anúncios especialmente no Facebook. O ideal, segundo ela, é acompanhar diariamente o andamento de todo anúncio. "Mas é preciso tomar cuidado ao mudar o anúncio demais, pois às vezes se perde a capacidade de avaliar o que está funcionando ou não."

11 - Ser ofensivo

Para estar nas redes sociais, é preciso se comunicar na linguagem do público e interagir sempre. No entanto, a especialista alerta para que as empresas não exagerem. "Acredito que vale a pena correr riscos com conteúdo ou linguagem que saia da curva, desde que não seja ofensivo", conta.

12 - Ser falso ou pouco autêntico

Segundo Camila Porto, é preciso que toda marca tome cuidado para não ser falsa. "As pessoas sabem quando a marca faz alguma coisa só para pegar carona em uma situação, por isso é preciso ser verdadeiro", explica. Autenticidade é primordial para a imagem de um produto.

13 - Achar que anúncio é máquina de fazer dinheiro

Camila ressalta que muitos empreendedores pensam que, ao anunciar no Facebook, terão vendas automáticas. "É preciso ter uma estratégia e saber o que está fazendo. Qualquer pessoa pode fazer um anúncio, mas fazer com que ele dê resultado é mais complicado", resume.

14 - Comunicar-se nas redes sociais diferente da "vida real"

No caso de negócios físicos que atuam nas redes sociais, a especialista ensina que é preciso haver um alinhamento da linguagem online e a forma de se comunicar nos meios off-line. "Não adianta agir de uma forma no Facebook e de outra maneira na loja", exemplifica.

15 - Conhecer o público-alvo superficialmente

Camila Porto explica que é preciso conhecer o público com mais profundidade que apenas saber faixa etária e classe social. "Precisamos ir mais fundo e saber dos desejos, medos, sonhos e necessidades que podem ser atendidas pela sua comunicação e que vão além do produto em si", destaca.

16 - Não se relacionar

A especialista resume que rede social é feita para se relacionarem uns com os outros. "Ninguém entra nas redes sociais para comprar, mas para se relacionar e como o relacionamento faz parte da venda, ninguém compra de uma empresa ou pessoa que não conhece", ensina Camila, que ressalta a importância de oferecer informações e criar um sentimento de comunidade antes de querer vender.

17 - Prender-se a apenas uma ou duas redes sociais

Segundo a especialista, existem muitas redes sociais que podem ser aproveitadas, e prender-se apenas às mais famosas pode não ser uma boa solução. "Alguns negócios pedem atendimento ao cliente pelo Whatsapp, enquanto outros encontram seu público no Instagram e alguns empreendedores devem investir no Snapchat", exemplifica. O ideal é ficar de olho nas tendências.

18 - Fazer apenas "propaganda" no Facebook

Camila Porto avisa que um dos maiores erros de uma marca é publicar apenas divulgação, promoções e produtos nas redes sociais. Redes sociais não são vitrines, explica. "Publique o conteúdo que seu público deseja ver e construa uma boa relação com ele".

19 - Não responder aos comentários

Como a rede social foi feita para interagir com o público, é um problema muito grave quando a página não responde aos comentários e às mensagens. "Não basta responder, é preciso responder o mais rápido possível, e de preferência com a informação que a pessoa busca", ensina.

20 - Achar que sabe de tudo sobre as redes sociais

Lembrando que o mundo das redes sociais está sempre mudando, Camila Porto reforça que é preciso conhecer e estudar sempre mais. "Não importa o quanto você sabe sobre anúncios e conteúdo das redes, é preciso estar atento às novidades, e e também às mudanças de regras dos anúncios, por exemplo", ensina.

21 - Não usar Call to Action

"Todo anúncio precisa exigir alguma ação de público-alvo", explica Camila, referindo-se ao que o marketing digital chama de "call to action". Segundo a especialista, o usuário precisa clicar para ir a uma página, reservar o produto, cadastrar-se ou baixar alguma coisa, entre outras possibilidades.

22 - Trabalhar com imagens sem entender do assunto

Com toda sua experiência, a especialista conta que um dos fatores mais importantes para o sucesso de uma marca nas redes sociais são as imagens utilizadas. "É importante ter o conhecimento da área de design, ou contratar um profissional capacitado", destaca.

23 - Fazer sempre as mesmas coisas

Camila destaca que é importante variar as estratégias do tipo de conteúdo. "Se você fez imagens, pode tentar o uso de gifts, por exemplo". Ela também lembra que, recentemente, o Facebook passou a valorizar muito a produção de vídeos. "Não fique sempre produzindo as mesmas coisas, tente variar", sugere.

24 - Mentir e não dar ouvidos ao cliente

Na hora de se relacionar com o cliente, Camila destaca que é importante nunca mentir e nem fingir que o cliente não tem razão. "Fale sempre a verdade, mesmo que isso signifique dizer que você não sabe ou que a empresa errou", destaca. A especialista adverte que fingir que uma reclamação não aconteceu pode acarretar em consequências graves.

25 - Apenas fazer - e não analisar os resultados!

Por fim, a especialista ensina que o grande segredo de se trabalhar com redes sociais é analisar os resultados, especialmente no caso de anúncios. "Verifique sempre como as pessoas estão respondendo ao seu anúncio e que imagens ou conteúdo mais chama a atenção", ensina. Camila Porto lembra que muitos empreendedores apenas publicam e anunciam, sem analisar ou pensar na melhor forma. "É preciso fazer bem feito, e para isso é preciso analisar e pensar antes de simplesmente publicar", conclui.


(texto publicado na revista Leve & Leia nº 139 - ano 9 - junho de 2016)

domingo, 22 de maio de 2016

Por que artistas vendem mais depois de morrer? - Lais Montagnana


É um efeito psicológico, que nos faz querer ficar próximos do ídolo. Mas tem também uma forcinha da imprensa.

No fatídico 23 de julho, quando a morte de Amy Winehouse foi anunciada, a venda de CDs da cantora inglesa cresceu 37 vezes. Há dois anos, quando o mundo parou para acompanhar o funeral de Michael Jackson, foi a mesma coisa. Ele vendeu 4 milhões de álbuns em um mês. E o sucesso não é efêmero na morte. Em 2010, Elvis Presley, morto há 34 anos, liderou a lista da revista americana Forbes de celebridades que mais lucraram após o falecimento. Amy, Michael, Elvis e tantos outros que morreram repentinamente eram famosos em vida. Mas o que motivou o aumento de fãs póstumos? "É uma forma de manter vivo o ídolo", diz Simone Domingues, psicóloga da Unicsul, em São Paulo. Além disso, o sentimento da perda contagia os que nem eram fãs e as repetitivas notícias sobre a celebridade aumentam o efeito, causando envolvimento geral. "A imprensa apimenta a curiosidade do ser humano", afirma Cristiane Decat, doutoranda em psicologia da saúde pela UnB. E a fortuna do ídolo segue crescendo. Michael Jackson, por exemplo, já rendeu mais de R$ 424 milhões desde que morreu. Amy segue o mesmo caminho. Ela vendeu 13 milhões de álbuns em 8 anos de carreira. E 1 milhão nas primeiras 2 semanas desde sua morte.

E morrer de abstinência alcoólica é possível?

Com o resultado inconclusivo da autópsia de Amy, a família atribuiu a morte da cantora à abstinência alcoólica. Ela teria parado de beber abruptamente e morrido. Mas isso é possível? Não, segundo Ricardo Fittipaldi, da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Ele explica que abstinência de álcool, pode causar a psicose delirium tremens. A pessoa teria alucinações que levariam ao suicídio, como, por exemplo, achar que voa e se jogar da janela. Mas, para ele, a hipótese de abstinência não convence. Ela teria enfartado após uma superdosagem de drogas. Alcoolismo é combatido com medicamentos em clínicas, porém Amy disse "não, não, não" à rehab e abriu mão do tratamento.



(texto publicado na revista Super Interessante edição 295 - setembro de 2011)

sábado, 27 de dezembro de 2014

1 milhão de bolachões - Carolina Giovanelli


Feira na Mooca atrai novos e antigos fãs dos discos de vinil, vendidos a 5 reais (com direito a um açaí e outro LP de graça)

À primeira vista, parece até cilada. Um galpão de 1 000 metros quadrados com corredores estreitos, entulhado de discos, quadros e quinquilharias. O pó é tanto que quem se aventura pelo espaço deve usar luvas e máscaras cirúrgicas, distribuídas na entrada. Os fãs de LPs parecem nem ligar. Trata-se de um negócio da China. No feirão realizado na Mooca desde março, 1 milhão de discos estão à venda por 5 reais cada um. Como se não bastasse, o valor dá direito a outro bolachão de graça, retirado em um setor especial, além de um pote de açaí na lanchonete no outro lado da rua. Nas compras acima de 100 reais, ganha~se um quadro. Quem tiver doado sangue e aparecer com o comprovante leva par casa dez álbuns. A partir deste fim de semana, basta visitar o espaço para ser presenteado com dois livros ou gibis.

Na babilônia musical, a desordem faz parte do charme do lugar. Não existe separação por gênero ou artista. Ali, vale a prática do garimpo. Há quem passe horas admirando as capas das obras, analisando a lista de músicas. No meio de uma coisa, existe muita porcaria, que inclui bandas das quais ninguém nunca ouviu falar e vinis riscados ou mofados - uma vitrola fica à disposição para testar os produtos. O grande momento se dá no encontro de tesouros, em meio a tantos Robertos Carlos e Xuxas. Nessas horas, deve-se segurar com gosto o achado ou ele pode facilmente ser afanado por outra pessoa. Bobeou, dançou.

O analista de sistemas Claudinei Junior se encantou tanto com a proposta do evento que apareceu por lá mesmo sem ter toca-discos. "Quero comprar um, então já estou formando meu acervo", justificou. Ele adquiriu catorze álbuns de jazz e samba e estava acompanhado da namorada, Juliana Aguiar, que selecionou para a mãe gravações do Trio Parada Dura e do Altemar Dutra. Também zanzava pelas caixas o vendedor Samuel Rodrigues, frequentador assíduo. Ele procurava principalmente por sertanejo e forró. "Compro por 5 reais aqui e vendo por até 80 reais na internet", garante. Entre outros clientes satisfeitos, houve quem levasse mais de 1 000 itens. Há ainda aqueles que saem de lá exultantes, encontrando a pérola que procuravam há décadas.

Muito do sucesso da feira se deve à volta da moda do vinil. Percebendo a onda, o paulistano Manoel Jorge Dias, de 59 anos, pensou em criar a atração como uma boa estratégia para desovar seu acervo. Ele é um serial colecionador. A mania começou em 2000, quando viu um anúncio de um leilão da Avon no jornal de domingo. Arrematou um lote de cinco carretas cheias de roupas de cama, lingeries e trajes femininos. "Foi uma burrada, não tinha lugar para guardar as coisas e precisei abrir uma loja", lembra. Foi aí que alugou seu primeiro galpão na Mooca. Em vez de vender, passou a fazer trocas com outros objetos. Hoje, tem três sebos no bairro, com um acervo de 1,2 milhão de vinis, 300.000 compactos, 5.000 quadros, 200.000 livros... Já fizeram parte de sua coleção, por exemplo, o primeiro LP de Roberto Carlos. A gravação raríssima, Louco por Você, de 1961, acabou vendida por 7.000 reais. "Normalmente, porém, não tinha lucro com isso", diz. "Com o feirão, estou ganhando mais do que nunca." Dias toca os depósitos em paralelo com a carreira de engenheiro especialista em implosões. Foi responsável por mais de 100 delas, como a do presídio do Carandiru e a do edifício Palace II, no Rio de Janeiro.

Sua ideia inicial era montar uma feira anual de vinis. O sucesso da estreia foi tanto que ele resolveu continuar. Fez mais uma edição, na qual vendeu 9.000 vinis graças á divulgação na internet - o Facebook da atração conta hoje com mais de 50.000 curtidas. O negócio, então, se estabeleceu todo fim de semana. Nos outros dias, o espaço da Rua da Mooca fica aberto normalmente - o preço dos produtos sobe para 10 reais. Dias trabalha agora na reforma do Casarão do Vinil, localizado em um de seus galpões alugados, que será um misto de espaço cultural e lojas de itens mais caros e importados, com inauguração prevista para o fim de julho. "Quero transformar a Mooca na capital do vinil", afirma.



(texto publicado na revista Veja São Paulo de 2 de julho de 2014)




quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Como vender para rico - Ana Luiza Leal e Vicente Vilardaga


Sem nenhuma experiência no varejo, dois empresários de São Paulo criaram a maior rede de supermercados de "luxo" do Brasil. Lá, a bandeja de tomate custa 14 reais

O empresário paulistano Victor Leal Jr. e o carioca Bernardo Ouro Preto são varejistas improváveis fazendo um sucesso improvável. Por décadas, vender alimentos e bebidas para os ricos brasileiros foi coisa de gente que pensava pequeno. Os dois mais tradicionais empórios de luxo do país, a paulistana Casa Santa Luzia e a carioca Lidador, nasceram nos anos 20 - e sempre mantiveram os pés fincados no chão. O risco de crescer sempre foi grande demais: como nossa moeda nunca foi das mais estáveis, o preço das coisas podia variar a ponto de inviabilizar um negócio grande demais. Diante disso, pode-se dizer que leal Jr. e Ouro Preto, dois executivos sem nenhuma experiência no varejo, realizaram um feito inédito - abraçaram os ricos, mas sem pensar pequeno. Acabaram criando a maior rede de supermercados "premium" do Brasil em número de lojas, o St Marche.

Como costuma acontecer em histórias desse tipo, a coisa toda aconteceu meio por acaso. Há pouco mais de uma década,  eles foram apresentados por um amigo em comum e souberam que havia um empório no bairro do Morumbi que estava claudicando. Interessada no varejo gastronômico, a dupla investiu dinheiro do próprio bolso e pediu ajuda a amigos e parentes. Juntou cerca de 700 000 reais para arrematar o empório e transformá-lo em supermercado, reinaugurado em 2002. A ideia era vender de tudo, de vinhos franceses e sorvetes artesanais a detergentes e frutas frescas, dando prioridade às marcas mais consumidas pelos endinheirados. No primeiro ano, a loja deu lucro. Hoje com 16 lojas, o St Marche fatura 370 milhões de reais e está em meio ao mais ambicioso projeto de expansão de sua história - chegar a 1 bilhão de reais de faturamento em 2018, com 40 lojas. Os dois são também donos desde 2007 do Empório Santa Maria, outro supermercado chique de São Paulo.

Um crescimento tão acelerado se deve ao encontro do modelo certo com o momento certo. Nenhuma rede de varejo capturou o, digamos, zeitgeist gastronômico brasileiro - sobretudo paulistano - da última década tão bem quanto o St Marche. Foi a década da sofisticação, alguns dirão exagerada, de tudo: comprar cervejas, cafés, azeites, carnes e até o sal de cozinha ficou um pouco mais complicado. O St Marche, com suas bandejas de tomate de 14 reais, seus cafés em pó de 43 reais e seus azeites de 150 reais, virou uma espécie de símbolo dessa tendência. O marketing abraça a ideia despudoradamente. O St Marche tem até um "manifesto" em que se define como o mercado "de gente que quer curadoria e menos encheção de linguiça". Deu preguiça? Não consegue imaginar alguém que vá ao supermercado querendo curadoria? Que está dando certo, está...

Casos como o do St Marche são raros no mundo todo. Na maioria dos países, há pequenos empórios que vendem produtos sofisticados - e as compras do dia a dia precisam ser feitas em supermercados. Uma exceção notória é a rede Whole Foods, com sua pegada orgânico choque, que cresceu alucinadamente nos Estados Unidos - e, de tão careira, passou a ser apelidada de "whole paycheck", ou "contracheque inteiro". Outro que rompeu a barreira é o italiano Eataly, que tem 27 lojas gigantescas, com restaurantes e espaços para eventos e aulas de culinária, em cinco países. Há um motivo para os donos de empórios terem medo de crescer demais: é bem mais difícil organizar um esquema de fornecimento de produtos sofisticados do que de itens corriqueiros, como arroz, feijão, sabão em pó e atum em lata. Alguns são fabricados por uma só empresa em condições artesanais, outros chegam por meio de importadores e podem sofrer com variações cambiais e atrasos nos portos (estamos no Brasil). A estratégia do St Marche para lidar com isso é ter produtos com garantia de fornecimento exclusivo e contratos longos nos segmentos mais críticos. Além disso, há produtos que podem ser incluídos e retirados das gôndolas sempre que necessário. Todo mês, a rede muda cerca de 300 dos 10 000 itens vendidos nas lojas. Os donos do St Marche não deram entrevista, mas responderam, por e-mail, que querem crescer no esquema atual, mantendo o controle da operação. "Queremos desmentir o mito de que quanto maior e mais feio o mercado, mais barato ele é", disseram eles. "Temos uma equipe dedicada a pesquisar nossos concorrentes diretos para garantir que nossos produtos, básicos e especiais, estão sempre a preços competitivos." Segundo estimativas de executivos do setor, a margem de lucro do St Marche é de aproximadamente 5%. Concorrentes como Pão de Açúcar, que vendem de tudo, têm margem de 3%.

Crescer do zero aos 370 milhões de reais em 12 anos foi, de fato, um feito e tanto. Mas, com 16 lojas nos pontos mais nobres de São Paulo, a rede ainda tem um tamanho em que é possível driblar as dificuldades do mercado "premium". Passar do estágio atual ao bilhão de reais será muito mais complicado. Primeiro, o investimento terá de ser maior. A rede não tem um centro de distribuição, o que significa que os fornecedores precisam entregar os produtos de loja em loja - hoje, cobram em média 5% do valor total do pedido para fazer isso, mas o percentual pode crescer dependendo da quantidade de filiais. O St Marche diz que estuda construir um centro de distribuição em 2015. Outro problema é o aumento do aluguel dos terrenos em bairros nobres, onde ficam as filiais do supermercado. Em média, os valores subiram 50% desde 2009, e não há sinais de que vão cair tão cedo. Em razão dessas dificuldades, os empresários já postergaram os planos de crescimento. Em 2008, eles anunciaram que faturariam 1 bilhão de reais até o fim deste ano. Mas a meta foi adiada para 2018. O tropeço mais visível veio com o movimento mais ambicioso dos donos do St Marche - a tentativa de trazer para o Brasil o Eataly. O St Marche já alugou um espaço de 4 000 metros quadrados no bairro do Itaim, em São Paulo, e pretendia lançar a unidade em novembro deste ano. Mas mudou a data par 2015 - os donos dizem que a inauguração será no primeiro bimestre e que o atraso se deve à necessidade de detalhar o projeto e treinar a equipe; já executivos do setor afirmam que ficará para o fim de 2015, devido a problemas na importação dos produtos.

Mas, daqui em diante, a vida vai ficar mais dura porque nenhum pioneiro consegue ficar sozinho por tanto tempo. A tal onde gourmet, que explica o sucesso do St Marche, está abrindo espaço para uma miríade de lojas de bairro - de carnes especiais, queijos mineiros, chás, pães e por aí vai. São rivais diretos. Finalmente, as grandes redes de supermercados decidiram apostar pesado nas lojas de bairro. O Pão de Açúcar, por exemplo, começou a investir no modelo "Minuto Pão", de lojas pequenas e sofisticadas em bairros de alto poder aquisitivo. A concorrência, portanto, virá de todos os lados. A turma que quer curadoria vai precisar de ainda mais ajuda para escolher.




(texto publicado na revista Exame edição 1071 - ano 48 - nº 15 - 20 de agosto de 20144)




sábado, 15 de novembro de 2014

Venda de todo o acervo da locadora Imagens & Letras - São Paulo-SP


A locadora Imagens & Letras está colocando à venda  todo o seu acervo. Ainda há muitos títulos em DVDs e Blue Ray que podem ser adquiridos até o dia 27 de novembro.

Endereço: Av. Dr. Cândido Motta Filho, 567 - loja 35
Fones para contato: 3766 6555 ou 3766 9820