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terça-feira, 7 de março de 2017
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Finalmente si è avverato il concerto al Radio City Music Hall (2013)
Quando Gianluca, Piero e Ignazio nei primi anni erano a New York sono passati davanti al Radio City Music Hall e hanno detto che speravano di farci un giorno un grande concerto. Ed il sogno si è avverato nel 2013. Ignazio durante lo spettacolo sorprende Gianluca e Piero con un video emozionante.
Il Volo a New York all'inizio della loro carriera (audio in inglese e sottotitoli in spagnolo)
Il sogno che diventa realtà: un grande concerto al Radio City Music Hall
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
domingo, 8 de janeiro de 2017
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
sexta-feira, 10 de junho de 2016
E se... o 11 de setembro não tivesse ocorrido? - Sérgio Gwercman
A primeira dúvida é quem seria o presidente dos EUA hoje. Antes do 11/9, George W. Bush era um governante apagado, rejeitado por quase 40% do eleitorado. Depois dos atentados, foi promovido a estadista com aprovação de até 90%. Não é à toa que para muitos analistas Bush jamais se reelegeria sem ter a bandeira da luta contra o terror. E, nesse caso, o atual presidente tampouco seria John Kerry, derrotado por Bush em 2004 - veterano do Vietnã, ele só foi para a disputa porque o clima bélico do país exigia candidatos com experiência militar.
Se os EUA não estivessem em guerra, os democratas teriam outro candidato. E Al Gore seria o favorito. Afinal de contas, ele havia recebido mais votos que Bush nas eleições de 2000 e só não levara a Presidência por causa do complicado sistema eleitoral americano.
Como seria a gestão Gore? Ambientalista das antigas, seu governo poderia ser marcado pela entrada dos EUA no Protocolo de Kyoto. Seria uma mudança significativa para o planeta - os americanos emitem 25% dos gases que provocam o efeito estufa. "Gore provocaria um efeito em cadeia. Teríamos mais empresas ecológicas, mais políticos preocupados com o verde", diz o jornalista Sérgio Abranches, especialista em questões ambientais. Para Abranches, até o Brasil sofreria consequências. "Seríamos pressionados a zerar as queimadas na Amazônia, que representam 80% das nossas emissões", diz.
Mas é bobeira acreditar que Bush entregaria a Presidência de bandeja. Sem o terrorismo, ele buscaria outras questões capazes de mobilizar a opinião pública. Em especial, os eleitores do interior, conservadores e religiosos, que sempre o apoiaram. "A Presidência focaria toda a atenção em eleitores famintos por ações firmes contra o aborto, a pesquisa com células-tronco e os direitos gays", escreveu o analista político Frank Rich na edição da revista New York dedicada a discutir como seria o mundo hoje sem os atentados de 2001. Se você se assustou com a onda conservadora que varreu a América sob Bush, pense que sem 11/9 talvez ela fosse mais forte ainda. Pior: com um presidente eleito especialmente para cuidar que as coisas ficassem assim.
Mas é bobeira acreditar que Bush entregaria a Presidência de bandeja. Sem o terrorismo, ele buscaria outras questões capazes de mobilizar a opinião pública. Em especial, os eleitores do interior, conservadores e religiosos, que sempre o apoiaram. "A Presidência focaria toda a atenção em eleitores famintos por ações firmes contra o aborto, a pesquisa com células-tronco e os direitos gays", escreveu o analista político Frank Rich na edição da revista New York dedicada a discutir como seria o mundo hoje sem os atentados de 2001. Se você se assustou com a onda conservadora que varreu a América sob Bush, pense que sem 11/9 talvez ela fosse mais forte ainda. Pior: com um presidente eleito especialmente para cuidar que as coisas ficassem assim.
(texto publicado na revista Super Interessante edição 230 - setembro de 2006)
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Norte-americanos criam lista citando 40 motivos que os fazem odiar viver no Brasil - Merelyn Cerqueira
Um norte-americano (que não teve sua real identidade revelada), casado com uma brasileira, morou em São Paulo por cerca de três anos. Assim, ao voltar para sua terra natal, os Estados Unidos, ele deixou de herança para nós uma “pequena crítica” listando em 20 tópicos os motivos pelos quais odiou viver no Brasil. Obviamente que o post viralizou, e um fórum gringo ainda resolveu acrescentar mais alguns itens.
O fato é que, depois da repercussão gigantesca e inúmeras críticas, o post original foi apagado. Contudo, a polêmica causada por ele rendeu muita reflexão por parte dos brasileiros. Confira:
1) Os brasileiros não têm consideração com as pessoas fora do seu círculo de amizades e muitas vezes são simplesmente rudes. Por exemplo, um vizinho que toca música alta durante toda a noite… E mesmo se você vá pedir-lhe educadamente para abaixar o volume, ele diz-lhe para você “ir se fud**”. E educação básica? Um simples “desculpe-me “, quando alguém esbarra com tudo em você na rua simplesmente não existe.
2) Os brasileiros são agressivos e oportunistas, e, geralmente, à custa de outras pessoas. É como um “instinto de sobrevivência” em alta velocidade, o tempo todo. O melhor exemplo é o transporte público. Se eles vêem uma maneira de passar por você e furar a fila, eles o farão, mesmo que isso signifique quase matá-lo, e mesmo se eles não estiverem com pressa. Então, por que eles fazem isso? É só porque eles podem, porque eles vêem a oportunidade, por que eles querem ganhar vantagem em tudo. Eles sentem que precisam sempre de tomar tudo o que podem, sempre que possível, independentemente de quem é prejudicado como resultado.
3) Os brasileiros não têm respeito por seu ambiente. Eles despejam grandes cargas de lixo em qualquer lugar e em todos os lugares, e o lixo é inacreditável. As ruas são muito sujas. Os recursos naturais abundantes, como são, estão sendo desperdiçados em uma velocidade surpreendente, com pouco ou nenhum recurso.
4) Brasileiros toleram uma quantidade incrível de corrupção nos negócios e governo. Enquanto todos os governos têm funcionários corruptos, é mais comum e desenfreado no Brasil do que na maioria dos outros países, e ainda assim a população continua a reeleger as mesmas pessoas.
5) As mulheres brasileiras são excessivamente obcecadas com seus corpos e são muito críticas (e competitivas com) as outras.
6) Os brasileiros, principalmente os homens, são altamente propensos a casos extraconjugais. A menos que o homem nunca saia de casa, as chances de que ele tenha uma amante são enormes.
7) Os brasileiros são muito expressivos de suas opiniões negativas a respeito de outras pessoas, com total desrespeito sobre a possibilidade de ferir os sentimentos de alguém.
8) Brasileiros, especialmente as pessoas que realizam serviços, são geralmente malandras, preguiçosas e quase sempre atrasadas.
9) Os brasileiros têm um sistema de classes muito proeminente. Os ricos têm um senso de direito que está além do imaginável. Eles acham que as regras não se aplicam a eles, que eles estão acima do sistema, e são muito arrogantes e insensíveis, especialmente com o próximo.
10) Brasileiros constantemente interrompem o outro para poder falar. Tentar ter uma conversa é como uma competição para ser ouvido, uma competição de gritos.
11) A polícia brasileira é essencialmente inexistente quando se trata de fazer cumprir as leis para proteger a população, como fazer cumprir as leis de trânsito, encontrar e prender os ladrões, etc. Existem Leis, mas ninguém as aplica, o sistema judicial é uma piada e não há normalmente nenhum recurso para o cidadão que é roubado, enganado ou prejudicado. As pessoas vivem com medo e constroem muros em torno de suas casas ou pagam taxas elevadas para viver em comunidades fechadas.
12) Os brasileiros fazem tudo inconveniente e difícil. Nada é simplificado ou concebido com a conveniência do cliente em mente, e os brasileiros têm uma alta tolerância para níveis surpreendentes de burocracia desnecessária e redundante.
13) Brasileiros pagam impostos altos e taxas de importação que fazem tudo, especialmente produtos para o lar, eletrônicos e carros, incrivelmente caros. E para os empresários, seguindo as regras e pagando todos os seus impostos faz com que seja quase impossível de ser rentável. Como resultado, a corrupção e subornos em empresas e governo são comuns.
14) Está quente como o inferno durante nove meses do ano, e ar condicionado nas casas não existe aqui, porque as casas não são construídas para ser herméticamente isoladas ou incluir dutos de ar.
15) A comida pode ser mais fresca, menos processada e, geralmente, mais saudável do que o alimento americano ou europeu, mas é sem graça, repetitivo e muito inconveniente. Alimentos processados, congelados ou prontos no supermercado são poucos, caros e geralmente terríveis.
16) Os brasileiros são super sociais e raramente passam algum tempo sozinho, especialmente nas refeições e fins de semana. Isso não é necessariamente uma má qualidade, mas, pessoalmente, eu odeio isso porque eu gosto do meu espaço e privacidade, mas a expectativa cultural é que você vai assistir (ou pior, convidar amigos e família) para cada refeição e você é criticado por não se comportar “normalmente” se você optar por ficar sozinho.
17) Brasileiros ficam muito perto, emocionalmente e geograficamente, de suas famílias de origem durante toda a vida. Como no #16, isso não é necessariamente uma má qualidade, mas pessoalmente eu odeio porque me deixa desconfortável e afeta meu casamento. Adultos brasileiros nunca “cortam o cordão” emocional e sua família de origem (especialmente as mães) continuam a se envolvido em suas vidas diariamente, nos problemas, decisões, atividades, etc. Como você pode imaginar, este é um item difícil para o cônjuge de outra cultura onde geralmente vivemos em famílias nucleares e temos uma dinâmica diferente com as nossas famílias de origem.
18) Eletricidade e serviços de internet são absurdamente caros e ruins.
19) A qualidade da água é questionável. Os brasileiros bebem, mas não morrem, com certeza, mas com base na total falta de aplicação de leis e a abundância de corrupção, eu não confio no governo que diz que é totalmente seguro e não vai te fazer mal a longo prazo.
20) E, finalmente, os brasileiros só tem um tipo de cerveja (aguada) e realmente é uma porcaria, e claro, cervejas importadas são extremamente caras.
Até aqui foram as declarações do americano. Abaixo, segue os tópicos que outros norte-americanos (que também foram apagados) citaram em um fórum de internet após visualizarem a lista:
21) A maioria dos motoristas de ônibus dirigem como se eles estivessem tentando quebrar o ônibus e todos dentro dele.
22) Calçadas no meu bairro são cobertos com mijo e coco de cães que latem dia e noite.
23) Engarrafamentos de 3 horas e meia toda vez que chove.
24) Raramente as coisas são feitas corretamente da primeira vez. Você tem que voltar para o banco, consulado, escritório, mandar e-mail ou telefonar 2-10 vezes para as pessoas a fazerem o seu trabalho.
25) Qualidade do ar muito ruim. O ar muitas vezes cheira a plástico queimado.
26) Ir a Shoppings e restaurantes são as principais atividades. Não há nada para fazer se você não gastar. Há um parque principal e está horrivelmente lotado.
27) O acabamento das casas é péssimo. Janelas, portas, dobradiças , tubos, energia elétrica, calçadas, são todos construídos com o menor esforço possível.
28) Árvores, postes, telefones, plantas e caixas de lixo são colocados no centro das calçadas, tornando-as intransitáveis.
29) Você paga o triplo para os produtos que vão quebrar dentro de 1-2 anos, talvez mais.
30) Os brasileiros amam estar bem no seu caminho. Eles não dão espaço para você passar.
31) A melhor maneira de inspirar ódio no Brasil? Educadamente recusar-se a comer alimentos oferecidos a você. Não importa o quão válido é a sua razão, este é considerado um pecado imperdoável aos olhos dos brasileiros e eles vão continuar agressivamente incomodando você para comê-lo.
32) As pessoas vão apertar e empurrar você sem pedir desculpas. No transporte público você vai tão apertado que você é incapaz de mover qualquer coisa, além da sua cabeça.
33) O Brasil é um país de 3° mundo com preços ridiculamente inflacionados para itens de qualidade. Para se ter uma ideia, São Paulo é classificada como a 10ª cidade mais cara do mundo. (New York é a 32ª).
34) A infidelidade galopante. Este não é apenas um estereótipo, tanto quanto eu gostaria que fosse. Homens na sociedade brasileira são condicionados a acreditar que eles são mais “viris” por saírem com várias mulheres.
35) Zero respeito aos pedestres. Sim, eles não param para você passar. Na melhor das hipóteses, eles vão buzinar.
36) Quando calçadas estão em construção espera-se que você ande na rua. Alguns motoristas se recusam a fazer o menor desvio a sua presença, acelerando a poucos centímetros de você, mesmo quando a pista ao lado está livre.
37) Nem pense em dizer a alguém quando você estiver viajando para o EUA. Todo mundo vai pedir para você trazer iPods, X-Box, laptops, roupas, itens de mercearia, etc. em sua mala, porque eles são muito caros ou não disponíveis no Brasil.
38) A menos que você goste muito de futebol ou reality shows (ou seja, do Big Brother), não há nada muito o que conversar com os brasileiros em geral. Você pode aprender fluentemente a língua portuguesa, mas no final, a conversa fica muito limitada, muito rapidamente.
39) Tudo é construído para carros e motoristas, mesmo os carros sendo 3x o preço de qualquer outro país. Os ônibus intermunicipais de luxo são eficientes, mas o transporte público é inconveniente, caro e desconfortável para andar. Consequentemente, o tráfego em São Paulo e Rio é hoje considerado um dos piores da Terra (SP, possivelmente, o pior). Mesmo ao meio-dia podem ter engarrafamentos enormes que torna impossível você andar mesmo em um pequeno trajeto limitado, a menos que você tenha uma motocicleta.
40) Todas as cidades brasileiras (com exceção talvez do Rio e o antigo bairro do Pelourinho em Salvador), são feias, cheias de concreto, hiper-modernas e desprovidas de arquitetura, árvores ou charme. A maioria é monótona e completamente idênticas na aparência. Qualquer história colonial ou bela mansão antiga é rapidamente demolida para dar lugar a um estacionamento ou um shopping center.
sábado, 17 de outubro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
O edifício que conta a história de Nova York - Paula Rocha
Novo livro revela detalhes da construção do lendário Dakota, marco arquitetônico da metrópole americana e prédio residencial mais famoso do mundo
Quem visita Nova York pode ver de perto a constante transformação da paisagem da metrópole, onde arranha-céus surgem na velocidade dos investimentos bilionários que ela atrai. Entre tantos prédios modernos e envidraçados, uma construção histórica, no entanto, repousa solenemente numa das esquinas mais caras da cidade, na junção da Rua 72 com a Avenida Central Park West. Ali, há exatos 131 anos, foi erguido o edifício Dakota, um dos primeiros prédios residenciais de luxo do mundo. Apesar de centenário, ele continua um dos endereços mais cobiçados da cidade e sua história se confunde com a da própria Nova York. É isso o que revela o novo livro "The Dakota: A History of the World's Best-Known Apartment Building" ("O Dakota: A História de um dos Prédios Residenciais Mais Conhecidos do Mundo"), do historiador americano Andrew Alpern, com lançamento previsto para 13 de outubro.
Por muitos anos, a construção do Dakota foi considerada uma empreitada improvável. O local onde hoje está o edifício, à beira da face oeste do Central Park, era praticamente uma área rural em 1880, ano em que teve início da sua edificação. A região era muito afastada do centro financeiro e social da cidade, na época ao sul de Manhattan, e não contava com transporte adequado. Além disso, construir um prédio residencial de luxo era uma ideia inovadora para a época. Até então, morar em apartamentos era condição apenas das classes mais baixas - os ricos viviam em suntuosas casas. Convencer os nova-iorquinos endinheirados a se mudarem para um endereço tão distante, ainda mais um prédio, seria um desafio, mas a opulência do Dakota falou mais alto. Com pé direito alto, paredes revestidas em mogno e chão de mármore, o edifício logo conquistou moradores abastados. Mas, apesar da riqueza do lugar, os aluguéis eram modestos, o que tornava possível a convivência de residentes ricos com artistas e outros tipos alternativos.
A predileção de atores e músicos pelo Dakota, aliás, marcou a história do imóvel. Nos anos 1950, o ator Boris Karloff (1887-1969) foi um dos primeiros moradores ilustres do local. Em 1960, Judy Garland (1922-1969) e Lauren Bacall (1924-2014) se mudaram para lá. Na mesma década, a fachada do edifício foi usada no clássico de terror "O Bebê de Rosemary" (1968). Nos anos 1970, o casal John Lennon (1940-1980) e Yoko Ono viveu no local por sete anos, até Lennon ser morto a tiros na frente do prédio por um fã. A tragédia tornou a construção mundialmente famosa e também fez dela um ponto turístico para curiosos e fãs do ex-Beatle, o que só impulsionou o valor dos apartamentos. Em julho, a antiga residência de Bacall, com nove cômodos, foi vendida por US$ 23,5 milhões (R$ 94 milhões). Já o apartamento mais barato, com dois quartos e dois banheiros, é avaliado atualmente em US$ 3,6 milhões (R$ 14 milhões).
Por sua aura de glamour e tradição, o Dakota também atraiu candidatos a moradores famosos, mas menos desejados. Reza a lenda que Madonna, Cher e Antonio Banderas teriam sido rejeitados pelo conselho atual de administradores do prédio. Para o autor de "The Dakota", o caráter único do edifício é o que faz dele tão importante para a história de Nova York. "Eu conheço o Dakota desde a minha infância, pois morava no bairro, e sempre fui fascinado pelo fato dele ser completamente diferente dos outros prédios residenciais de NY", disse Alpern à ISTOÉ. Enquanto a cidade crescia em torno do edifício, o Dakota se consolidou como um dos mais originais, do ponto de vista arquitetônico, e exclusivos prédios do mundo. Sua localização extraordinária, sua vista para o Central Park e seu luxo fazem dele um marco que deve perdurar pelas gerações futuras.
(texto publicado na revista IstoÉ nº 2392 - ano 38 - 7 de outubro de 2015)
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Papa Francisco: "O mundo pede a todos os governantes uma vontade efetiva, prática e constante" - Nayá Fernandes
Durante a viagem apostólica do Papa Francisco a Cuba e aos Estados Unidos entre os dias 19 e 27, ele visitou a Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, na sexta-feira, 25.
No seu discurso que foi proferido na LXX Sessão da Assembléia Geral, o Papa lembrou os seus antecessores que estiveram na ONU, como Paulo VI, em 1965, e Bento XVI, em 2008. Não posso deixar de me associar ao apreçamento dos meus antecessores, reiterando a importância que a Igreja Católica reconhece a esta instituição e as esperanças que coloca nas suas atividades".
Francisco reconheceu a importância da Organização, que em 2015 completa 70 anos, ao mesmo tempo que lembrou haver muitos passos a serem dados, "para além de tudo o que se conseguiu, há constante necessidade de reforma e adaptação aos tempos, avançando rumo ao objetivo final que é conceder a todos os países, sem exceção, uma participação e uma incidência reais e equitativas nas decisões."
Reproduzimos a seguir trechos do discurso do Pontífice, que podem ser lidos na íntegra no site do Vaticano (www.vatican.va).
Direito a um ambiente sem exclusão
(...) o ambiente natural e o vasto mundo de mulheres e homens excluídos são dois setores intimamente unidos entre si, que as relações políticas e econômicas preponderantes transformaram em partes frágeis da realidade. [...] Antes de mais nada, é preciso afirmar a existência de um verdadeiro "direito do ambiente", por duas razões. Em primeiro lugar, porque como seres humanos, fazemos parte do ambiente. Vivemos em comunhão com ele, porque o próprio ambiente comporta limites éticos que a ação humana deve reconhecer e respeitar, sobreviver e desenvolver-se, se o ambiente ecológico lhe for favorável. (...) Em segundo lugar, porque cada uma das criaturas, especialmente os seres vivos, possui em si mesma um valor de existência, de vida, de beleza e de interdependência com outras criaturas.
Cultura do descarte
O abuso e a destruição do meio ambiente aparecem associados, simultaneamente, com um processo ininterrupto de exclusão. Na verdade, uma ambição egoísta e ilimitada de poder e bem-estar material leva tanto a abusar dos meios materiais disponíveis como a excluir os fracos e os menos hábeis, seja pelo fato de terem habilidades diferentes (deficientes), seja porque lhes faltam conhecimentos e instrumentos técnicos adequados ou possuem uma capacidade insuficiente de decisão política. (...) Esses fenômenos constituem, hoje, a "cultura do descarte" tão difundida e inconscientemente consolidada. O caráter dramático de toda esta situação de exclusão e desigualdade, com as suas consequências claras, leva-me, juntamente com todo o povo cristão e muitos outros, a tomar consciência também da minha grave responsabilidade a esse respeito, pelo que levanto a minha voz, em conjunto com a de todos aqueles que aspiram por soluções urgentes e eficazes.
Agendas sociais não bastam
A adoção da "Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável", durante a Cimeira Mundial que hoje mesmo começa, é um sinal importante de esperança. Estou confiado também que a Conferência de Paris sobre as alterações climáticas alcance acordos fundamentais e efetivos. "Todavia, não são suficientes os compromissos solenemente assumidos, embora constituam certamente um passo necessário para a solução dos problemas. O mundo pede vivamente a todos os governantes uma vontade efetiva, prática e constante, feita de passos concretos e medidas imediatas, para preservar e melhorar o ambiente natural e superar o mais rapidamente possível o fenômeno da exclusão social e econômica, com suas tristes consequências de tráfico de seres humanos, tráfico de órgãos e tecidos humanos, exploração sexual de meninos e meninas, trabalho escravo, incluindo a prostituição, tráfico de drogas e de armas, terrorismo e criminalidade internacional organizada.
Não impor
O desenvolvimento humano integral e o pleno exercício da dignidade humana não podem ser impostos; devem ser construídos e realizados por cada um, por cada família, em comunhão com os outros seres humanos e num relacionamento correto com todos os ambientes onde se desenvolve a sociabilidade humana - amigos, comunidades, aldeias e vilas, escolas, empresas e sindicatos, províncias, países etc. Isso supõe e exige o direito à educação - mesmo para as meninas (excluídas em alguns lugares) -, que é assegurado, antes de mais nada, respeitando e reforçando o direito primário das famílias a educar e o direito das Igrejas e das agregações sociais a apoiar e colaborar com as famílias na educação das suas filhas e dos seus filhos.
Não à guerra
Sem o reconhecimento de alguns limites éticos naturais inultrapassáveis e sem a imediata atuação dos referidos pilares do desenvolvimento humano intgegral, o ideal de "preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra" e "promover o progresso social e um padrão mais elevado de viver em maior liberdade" corre o risco de se tornar uma miragem inatingível ou, pior ainda, palavras vazias que servem como desculpa para qualquer abuso e corrupção ou para promover uma colonização ideológica por meio da imposição de modelos e estilos de vida anormais, alheios à identidade dos povos e, em última análise, irresponsáveis. A guerra é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente. Se se quiser um desenvolvimento humano integral autêntico para todos, é preciso continuar incansavelmente no esforço de evitar a guerra entre as nações e os povos.
Perseguição religiosa e cultural
[...] Não posso deixar de reiterar os meus apelos que venho repetidamente fazendo em relação à dolorosa situação de todo o Médio Oriente, do Norte da África e de outros países africanos, onde os cristãos, juntamente com outros grupos culturais ou étnicos e também com aquelas parte dos membros da religião maioritária que não quer deixar-se envolver pelo ódio e a loucura, foram obrigados a ser testemunhas da destruição dos seus lugares de culto, do seu patrimônio cultural e religioso, das suas casas e haveres, e foram postos perante a alternativa de escapar ou pagar a adesão ao bem e à paz com a sua própria vida ou com a escravidão. Essas realidades devem constituir um sério apelo a um exame de consciência por parte daqueles que têm a responsabilidade pela condução dos assuntos internacionais. Não só nos casos de perseguição religiosa ou cultural, mas em toda a situação de conflito, como na Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia, Sudão do Sul e na região dos Grandes Lagos, antes dos interesses de parte, mesmo legítimos, existem rostos concretos.
Narcotráfico
Muitas das nossas sociedades vivem um tipo diferente de guerra com o fenômeno do narcotráfico. Uma guerra "suportada" e pobremente combatida. O narcotráfico, por sua própria natureza, é acompanhado pelo tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, exploração infantil e outras formas de corrupção. Corrupção que penetrou nos diferentes níveis da vida social, política, militar, artística e religiosa, gerando, em muitos casos, uma estrutura paralela que põe em perigo a credibilidade das nossas instituições.
O ser humano pode construir ou destruir
"Eis chegada a hora em que se impõe uma pausa, um momento de recolhimento, de reflexão, quase de oração: pensar de novo na nossa comum origem, na nossa história, no nosso destino comum. Nunca, como hoje, (...) foi tão necessário o apelo à consciência moral do homem. Porque o perigo não vem nem do progresso nem da ciência, que, bem utilizados, poderão, pelo contrário, resolver um grande número dos graves problemas que assaltam a humanidade" [disse ao citar Paulo VI]. Sem dúvida que a genialidade humana, bem aplicada, ajudará a resolver, entre outras coisas, os graves desafios da degradação ecológica e da exclusão. E continuo com as palavras de Paulo VI: "O verdadeiro perigo está no homem, que dispõe de instrumentos sempre cada vez mais poderosos, aptos tanto para a ruína como para as mais elevadas conquistas".
(texto publicado no jornal O São Paulo edição 3071 - ano 60 - 30 de setembro a 6 de outubro de 2015)
terça-feira, 29 de setembro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Esgoto guarda milhões em ouro e outros metais - João Pedro Caleiro (Planeta Sustentável)
Até o lixo tem valor. Uma cidade americana de 1 milhão de habitantes despeja em seu esgoto cerca de US$ 13 milhões por ano em metais, o equivalente a R$ 33,8 milhões.
Só em ouro e prata, são US$ 2,3 milhões (ou R$ 6,7 milhões), segundo um estudo da Arizona State University publicado recentemente na Environmental Science & Technology.
Os pesquisadores chegaram a este número coletando amostras de esgoto ao redor dos Estados Unidos e aplicando sobre elas um espectrômetro de massa que reconhece os principais elementos.
Os 13 mais encontrados foram, na ordem: prata, cobre, ouro, fósforo, ferro, paládio, manganês, zinco, irídio, alumínio, cádmio, titânio e gálio. O valor total por tonelada foi calculado em US$ 280 (ou 728 reais).
A hipótese mais provável é que os metais acabem no esgoto através do processo produtivo de indústrias como a mineradora, eletrônica e automobilística. Muitas já reaproveitam o próprio material, mas uma parte sempre acaba indo para o ralo.
Uso econômico
Uma cidade japonesa chamada Suwa, próxima de uma planta de processamento de alta precisão, conseguiu extrair cerca de dois quilos de ouro para cada tonelada cúbica de cinzas de esgoto queimado. A dúvida agora é se há uma forma de recuperar esses materiais de forma lucrativa mesmo quando a concentração não é tão intensa.
"O próximo passo é olhar se isso é economicamente e tecnicamente viável. Acreditamos que sim", diz Paul Westerhoff, engenheiro ambiental que liderou o estudo.
Além do metal, outras propriedades do esgoto podem ser reaproveitadas: uma cidade na Áustria já usa a energia do seu calor para esquentar ou resfriar edifícios. Na Universidade de Stanford, cientistas desenvolveram um protótipo que produz energia através de água suja.
Há formas também de reaproveitar a água para o consumo, alternativa que voltou para a pauta com a crise de abastecimento em cidades como São Paulo. Recentemente, Bill Gates divulgou uma máquina que transforma esgoto em água potável e energia elétrica. Isso sem falar no potencial de reaproveitamento de lixo simples, seja em grandes usinas ou dentro das empresas.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Bombas coloridas de sementes espalham flores (e salvam abelhas) (Planeta Sustentável)
Você já ouviu falar em bombas de sementes? São pequenas bolinhas - feitas de materiais diversos - recheadas com sementes, adubo e argila e muito usadas por atividades americanos na década de 70 como estratégia de reflorestamento. Quando são arremessadas e ficam expostas ao sol e à chuva germinam até mesmo em solo pouco fértil. Além de ser uma diversão lançar essas bombas por aí, é uma tática fácil e muito interessante para aumentar o verde em praças e terrenos baldios.
Em São Francisco, na Califórnia (EUA), por exemplo, elas têm sido usadas para combater o desaparecimento das abelhas. Com o intuito de espalhar flores silvestres por todos os cantos do país, o casal Chris Burley e Ei Ei Khin criou o projeto Grow the Rainbow ("Cresça o arco-íris", em tradução livre). O nome se deve às cores das bolinhas - feitas com sementes nativas dos Estados Unidos, composto orgânico para ajudar na fertilização e um pó não tóxico - que remetem ao arco-íris em tons pastel.
Mas não é só para enfeitar as cidades que eles disparam bombas de sementes. Chris e Ei Ei querem que as abelhas voltem a voar pela Califórnia, pelos Estados Unidos, pelo mundo. Como sabemos, sua população está em declínio em várias regiões, inclusive no Brasil. Os cientistas acreditam que vários fatores contribuem para o colapso de suas colônias como a proliferação de pesticidas e parasitas, além da maior frequência de eventos extremos causados pelas mudanças climáticas. Tudo isso causa o declínio dos habitats naturais da espécie. E isso atinge a nossa vida diretamente.
As abelhas são indispensáveis para a produção dos alimentos porque polinizam cerca de 70% das frutas e vegetais que consumimos. Ao transportar o pólen de uma flor para outra, polinizam maçãs, morangos, amêndoas, melões, tomate, feijão, entre outros.
Criar abelhas num mundo complexo e contaminado como o de hoje, não é fácil, mas todos podem fazer sua parte para ajudar a proteger essa prática. E é por isso que Chris e Ei Ei estão na "batalha", com seu projeto, para incentivar o plantio de flores.
Um pacote da Grown the Rainbow, com 20 bolinhas, custa cerca de nove dólares no site do projeto. Mas fabricá-las em casa é possível e pode ser ainda mais divertido. A jornalista Giuliana Capelo, autora do blog Gaiatos e Gaianos (aqui no Planeta Sustentável),em post recente, ensinou seus leitores a produzir bombas de sementes, mostrando as que ela fez como lembrancinhas para o chá de bebê da filha que vai nascer em fevereiro.
Que tal espalhar essa ideia e ajudar a colorir as terras do Brasil, também? De quebra, com certeza as abelhas virão participar dessa festa.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
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