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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Leia com Prazer: 125 anos de Agatha - Vivian Masutti


Morta em 1976, autora britânica Agatha Christie completa seus 125 anos de nascimento ainda viva na história da literatura

Conhecida como Dama do Crime, a britânica Agatha Christie, morta em 1976, completa, em setembro, 125 anos de nascimento. Mas, com mais de 80 livros publicados e uma legião de fãs, Agatha continua viva na história da literatura. Para se ter uma ideia, "O Caso dos Dez Negrinhos", seu romance mais vendido, é também um dos maiores best-sellers de todos os tempos, com 100 milhões de cópias.

Prova do reconhecimento da obra da britânica por aqui é que seus filhos (marginalizados por parte da crítica) ganharam em 2014 edição impecável, com boa tradução, da Globo Livros, além de versões de luxo da editora Nova Fronteira.

A maior importância da Agatha é agradar ao público de todas as idades e ser o primeiro livro de muita gente. Com mistérios intrigantes, ela é porta de entrada para a literatura. Eu e meus irmãos, Victor e Giulia, somos fãs e intercalamos leituras da autora com lançamentos. Afinal, ela é e sempre será fonte de inspiração. Vida longa a Agatha Christie (nome da nossa 'agathinha', uma linda e amada gata preta - aquela que dá sorte)!

Heróis queridos do público são marca registrada

Grande parte do sucesso de Agatha Christie se deve aos personagens extremamente carismáticos que criou. O principal é o detetive belga Hercule Poirot, comparado apenas ao lendário Sherlock Holmes. Extravagante, nada modesto e dono de um bigode peculiar, ele aparece em mais de 40 romances de Agatha. A preocupação da autora com a imagem de Poirot era tamanha que ela chegou a matá-lo no famoso "Cai o Pano" - para que ele não aparecesse em novas histórias após a sua morte. Outra que merece destaque é Miss Marple, velhinha sagaz que desvenda intrincados mistérios utilizando apenas sua sabedoria sobre a natureza humana.



(texto publicado na Revista da Hora de 16 de agosto de 2015)

domingo, 27 de setembro de 2015

Michelangelo total - Antonio Gonçalves Filho


O biógrafo inglês Martin Gayford fala de seu livro monumental sobre o artista

O escultor e pintor renascentista Michelangelo Buonarrotti (1475-1564) não era das pessoas mais agradáveis de Florença. Seus contemporâneos, como o prior da igreja de San Lorenzo, Giovan Battista Figiovanni, amigo e protetor, dizia que nem mesmo a paciência de Jó seria suficiente para aguentar o homem. Contudo, um acadêmico inglês, o professor Martin Gayford, de 63 anos, não contente com as toneladas de papel já gastas para explicar a difícil personalidade do criador do David - a mais conhecida escultura da Renascença italiana - resolveu, como diz, "aumentar os Alpes Apuanos dos estudos já existentes sobre Michelangelo", fazendo da mulher Josephine sua primeira leitora e do filho Tom o compilador da bibliografia monumental (754 páginas) que acompanha a biografia Michelangelo - Uma Vida Épica, lançada pela editora Cosac Naify.

Gayford está de férias, mas concedeu uma entrevista, por telefone, ao Caderno 2, de Dubrovnik, a agradável cidade costeira da Croácia, para falar do desagradável Michelangelo, o mais celebrado de todos os artistas que pisaram sobre o planeta - e, no seu caso, também sobre as cabeças de papas e outros gênios como ele. Leonardo da Vinci, por exemplo. A rusga entre os dois ganha um capítulo (9) inteiro na biografia de Gayford.

Da Vinci era um rival mais sociável, simpático e bonito que Michelangelo, ainda que 23 anos mais velho. Cosmopolita e vocacionado cortesão, sempre andava com sua entourage caçoando de espíritos solitários como Michelangelo, que, fascinado por sua pintura, até ensaiou uma versão da Madona e o Menino com Sant'Ana, de Da Vinci, num bloco de desenho, aos 26 anos, justamente a idade em que começou a esculpir seu David, em 1501.

O biógrafo conta que Da Vinci passava um dia pela Piazza Santa Trinita quando reconheceu alguns amigos discutindo uma passagem de Dante, para a qual pediram sua opinião. Coincidentemente, Michelangelo passava pelo local, sendo interpelado por Da Vinci para elucidar o trecho dantesco. Furioso, por ser alvo de um cruel bullying intelectual, o escultor respondeu: "Explica-o tu,que fizeste o desenho de um cavalo para ser moldado em bronze mas foste incapaz de moldá-lo". A amizade entre os dois jamais voltaria a ser a mesma, se é que um dia foi sincera.

Da Vinci deu o troco quando o David de Michelangelo ficou pronto. Sugeriu que cobrissem sua nudez,  que poderia ser "chocante para exibição pública". Seu conselho foi seguido pelos poderosos. Suas partes íntimas foram cobertas por uma guirlanda de flores douradas e assim permaneceu o gigantesco David por séculos, até que o bom senso prevalecesse. São passagens como essa que tornam a leitura da biografia escrita por Gayford recomendável para quem quiser saber como era a vida em Florença nos tempos de Maquiavel.

O acadêmico faz do tripé sexo-política-religião o sustentáculo de uma análise acurada e nada impressionista. Sua fonte principal, além da biografia de Condivi, contemporãneo de Michelangelo, foram os cinco volumes de cartas que o artista trocou com papas, amigos, poetas (Aretino, entre eles) e políticos poderosos, inclusive as mais íntimas, em que descreve, por exemplo, sua paixão por um adolescente aristocrata, o romano Tommaso de' Cavalieri, que deveria ter entre 12 e 20 anos quando conheceu o escultor (a essa altura já na casa dos 50).

O biógrafo não trata da questão de forma escandalosa, justificando essa atração como neoplatônica. Na corte de Lourenço, o Magnífico, amor à beleza era uma experiência do bem, o que, em termos cristãos, equivale a dizer, do divino. Michelangelo dizia nas cartas que contemplar o rosto de Tommaso era como fazer sua alma ascender a Deus.

Outros críticos e historiadores discordam dele. O falecido Leo Steinbeg (1920-2011), por exemplo, tentou explicar a mais enigmática das pinturas de Michelangelo, o Tondo Doni, como uma afirmação carnal de sua homossexualidade diante da Igreja. Isso numa época em que gays iam parar na fogueira do dominicano Savonarola. Em tempo: O Tondo Doni (cerca de 1507), uma pintura redonda como indica o título, mostra a Sagrada Família separada de cinco gays se agarrando ao fundo, intermediados pela figura de S. João Batista, talvez na esperança de que o batismo os redima.

"Florença era liberal com relação a homossexuais até a ascensão de Savonarola, mas sabe-se pouco da vida íntima de Michelangelo, embora algumas cartas de amigos o aconselhem contra as patrulhas da noite que perseguiam os gays." Em todo caso, a profusão de homens nus nos desenhos e na pintura da Capela Sistina - que levou um papa a compará-la a um bordel masculino - é justificada pelo biógrafo como uma obsessão de Michelangelo pelo corpo masculino como signo da perfeição. "Foi essa beleza, mais que o sexo, que o levou a interpretações eróticas como os desenhos do mito de Ganimedes."

Seja como for, os conflitos amorosos e as fantasias sexuais dos artistas sempre aparecem como elementos indutores da criação artística nas biografias de Gayford - e ele escreveu sobre a conflituosa relação entre Van Gogh e Gauguin e a paixão de Constable por sua musa Maria Bicknell. "Não diria que Michelangelo criou todas aquelas esculturas e pinturas repletas de corpos masculinos nus para provocar a igreja, mas por acreditar na beleza como elemento transcendental. Tanto assim, lembra o professor, que, na velhice, Michelangelo chamava aqueles homens de "bonecos", seres destituídos de alma.

Entrando no último período de sua vida, de fato, Michelangelo recomeça a pintar - ele gostava mais de esculpir. Em 1542, sua visão do gênero humano, segundo Gayford, se transforma. No afresco Conversão de São Paulo, na capela Paulina, ele "projeta Cristo como um míssil espiritual do alto para baixo, como um raio de luz dourada na estrada de Damasco" (e evoque-se, o rosto de São Paulo é quase um autorretrato de Michelangelo).

"Van Gogh foi crucificado na crença, mas Michelangelo não", observa o biógrafo. Exemplo disso pode ser sua escultura Cristo Ressurecto, objeto de uma reclamação de Metello Vari, que encomendou a obra para a igreja de Santa Maria sopra Minerva. Vari não gostou do Cristo nu. Muito menos de sua expressão de indiferença diante da ressurreição. "No fim, entendi sua personalidade, a de um homem de uma ambição sem limites que só pensava na arte e um artista a serviço do poder."



(texto publicado no jornal O Estado de São Paulo - Caderno 2 - C3 - 12 de setembro de 2015)

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Na toca do coelho - Renata Vomero


Prestes a completar 150 anos, "Alice no País das Maravilhas" ainda traz na escrita nonsense de Lewis Carroll diversas críticas, simbologias e interpretações que nos fazem questionar: afinal, o que está por trás dessa história?

Em um passeio de barco pelo rio Tâmisa, em 4 de julho de 1862, Charles Lutwidge Dodgson busca entreter as três filhas de Henry George Liddell, o vice-chanceler da Universidade de Oxford e decano de Christ Church. Seriam elas Lorina, Edith e Alice Liddell. As garotinhas imploram que Charles conte uma história a elas e assim ele faz. Afinal, "Quem pode resistir a três traquinas pequenas?". A narrativa gira em torno da adorável - e preferida - Alice. Sim, ela mesma. Você já deve ter notado que estamos descrevendo o momento em que o inglês Lewis Carroll (1832-1898), pseudônimo adotado por Charles, criou Alice no País das Maravilhas.

Professor de matemática e com uma relação muito próxima com a lógica, Carroll foi o escritor que deu cara ao gênero nonsense. Isso porque narrou a história da garotinha que, ao entrar na toca de um coelho apressado, viu-se diante de um mundo fantástico, o País das Maravilhas.

As peripécias de Alice causaram tanto frisson nas meninas que a própria garotinha pediu a Carroll que escrevesse a história; e assim ele fez. Em 1865, foi publicada a primeira edição de As aventuras de Alice no País das Maravilhas com ilustrações de John Tenniel, o qual solicitou a retirada imediata dos exemplares das livrarias, pois estava descontente com a qualidade da impressão. No ano seguinte, foi publicada uma nova edição e, a partir dali, o sucesso de Alice foi absoluto.

Em um universo paralelo e deveras surreal, a personagem de Carroll encarou diversas situações que até hoje aguçam a curiosidade de pesquisadores e estudiosos. Afinal, o que está por trás dessa história infantil? 

A corrida dos ensopados

Prestes a comemorar seus 150 anos, a narrativa ganha vida no teatro em Alice no País das Maravilhas - O musical, em São Paulo, e exposição inédita no Brasil, trazendo o olhar do artista plástico Antonio Peticov, que se debruça sobre o enredo de Carroll há 30 anos. Alice no País de Peticov fica em cartaz do dia 9 deste mês até 3 de junho no recém-inaugurado Deco ArtClub, também na capital paulista, trazendo mais de 30 obras que retratam esse fantástico mundo. "Da mesma maneira que Mr. Dodgson deixou-se guiar por fantasia e imaginação naquela tarde de verão inglês, improvisando e inventando à medida que o barquinho deslizava sobre as águas do Tâmisa, na observação dos desenhos de Tenniel, vou sendo guiado por minha intuição/imaginação, deixando surgir imagens cujas formas propõem uma analogia com o Universo Alicinógico", comenta Peticov.

Basta uma rápida pesquisa pela internet e você verá diversas teorias em torno da história de Alice. Entre viagens causadas por efeitos de drogas até uma possível esquizofrenia, a garota não fica de fora das mais diversas possibilidades, nenhuma delas confirmada. No entanto, os mais críticos e observadores notam no texto do inglês uma fiel e afiada crítica à sociedade vitoriana da época.

"Lewis Carroll tinha angústias e dúvidas com relação a muitos fatos que transformavam sua realidade, principalmente no que tange ao futuro daquela sociedade. Ele fez críticas com relação à estrutura de poder, aos caminhos da ciência, à relação entre pessoas, que,segundo ele, caminhavam para um rumo de competição. Tinha, também, a percepção de que, naquele mundo em que viviam como em uma linha de montagem - já que, em 1860, a Inglaterra atravessava o boom da chamada Segunda Revolução Industrial -, as pessoas estavam perdendo seu senso crítico diante dos fatos presentes", revela Eduardo José Afonso, professor assistente doutor do Departamento de História da Unesp.

A obra de Lewis Carroll pode ter uma nova interpretação a cada olhar e ângulo, como ressalta Julia Teitelroit Martins, doutoranda em Literatura e Cultura pela PUC-Rio e cineasta. "Uma leitura alegórica do texto também é possível. O historiador Nicolau Sevcenko, professor de história da cultura da USP, vê em Alice uma alegoria satírica sobre a Inglaterra do período vitoriano. Então, uma leitura como a dele, que leva em conta referências históricas, amplia as possibilidades de interpretação da narrativa e de seus elementos." E ela complementa: "Se lemos o livro pela ótica do nonsense, não há mensagens por detrás dos diálogos. Ou, o nonsense é a mensagem".

Diante de diversas referências a cantigas, poemas e textos do período em que foi escrito, o livro traz sua crítica racional por meio de metáforas e alusões nos diversos diálogos e personagens da história, seja na representação da Rainha de Copas, que impunha uma autoridade rígida ao comportamento de Alice, seja no caso do Coelho Branco, personagem que carrega consigo um relógio e sempre diz estar atrasado. "Ele nos remete a um hábito que foi criado pelos ingleses, que era a presença do relógio nas fábricas, sempre lembrando aos operários que o tempo era importante. Esta forma de controle da produção tornou-se 'hábito' para todos os ingleses. Essa era, ou é, uma das grandes críticas de Carroll diante daquela sociedade que vinha se configurando com 'hábitos' que condicionavam os homens a comportamentos iguais", ressalta José Afonso.

O tempo, aliás, tomou grande corpo na obra de Lewis Carroll. Momentos à frente, Alice se encontra com o Chapeleiro Maluco e a lebre presos em um chá da tarde. Isso porque o chapeleiro brigou com o tempo, o qual parou às 18h. "O tempo não é uma coisa para se perder, matar ou correr contra ele, mas alguém com quem negociar. Se ficarmos amigos dele, podemos fazer o que quiser com ele! Se na Inglaterra de sua época Carroll vivia em uma sociedade presa às engrenagens de rituais repetitivos e limitantes, hoje somos desafiados mais do que nunca para que possamos ser amigos do tempo, em busca de criar vidas mais criativas e livres!", enfatiza Adriana Peliano, artista plástica que ilustra a edição comemorativa de 150 anos de Alice no País das Maravilhas - com lançamento em breve pela editora Zahar -, além de ser fundadora da Sociedade Lewis Carroll Brasil e  tradutora da obra do autor.

Um chá maluco

Do outro lado da moeda, ou do jardim encantado de Alice, deparamos com um universo onírico cheio de representações subjetivas da história. Lewis Carroll traz uma linguagem com simbologias que representam as inquietações do inconsciente de Alice, do próprio autor e também de nós mesmos. Lembrando que, ao fim do livro, Alice desperta e descobre que tudo não passou de um sonho - sim, contamos o fim da história.

Assim, podemos inferir outras teorias acerca dos personagens e diálogos da narrativa. Olhando por este ângulo, o coelho pode ganhar uma diferente representação na trama, sendo aquele responsável por revelar o novo a Alice; o Gato Inglês pode trazer à menina a possibilidade de ter uma postura despreocupada diante da vida. Já o encontro com a Lagarta toma uma proporção única diante dos mistérios do inconsciente. "A lagarta, em minha opinião, uma das personagens mais interessantes da obra, pode representar a busca por conhecimento, as dúvidas e a transformação do ser humano. No diálogo, ela pergunta quem Alice é. Como resposta, a garota explica que sabia quem ela era até o momento em que acordou naquela manhã. Assim, percebemos a angústia da menina frente às modificações e transformações que está enfrentando em seu desenvolvimento e o quanto este processo pode ser confuso", comenta Débora Diegues, psicóloga clínica, pesquisadora e mestranda em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

É a lagarta, também, quem ensina Alice a forma de ficar no tamanho que mais convier. Um problema que ela enfrenta durante a narrativa: ora está pequena demais, ora muito grande. Estas transformações de Alice também trazem uma significação importante à história. "Uma das leituras possíveis é ver esta mudança de tamanho como muitas vezes sentimo-nos durante a vida: ora pequenos, frente a situações desconhecidas ou quando temos de enfrentar algo que pode trazer temor, por exemplo. Ora grandes quando nos sentimos satisfeitos", revela Suely Gevertz, professora do setor de Psicoterapia do Departamento de Psiquiatria da Unifesp. Esse vaivém no tamanho de Alice também pode representar a fase que a garota vive, já que ela está entre a infância e a pré-adolescência. "Elementos como as poções que encolhem e os mágicos bolos que a fazem ficar maior poderiam representar as questões envolvidas no processo de crescimento/desenvolvimento, em que existem mudanças significativas no corpo e que podem trazer desconforto", pontua Débora.

O despertar de Alice

Cento e cinquenta anos depois, ainda mantemos em nossa mente a imagem da garota que se abriu a um mundo novo e se deixou absorver diante das novas possibilidades que o País das Maravilhas trazia. "Precisamos cada dia mais de Alice, sempre a nos lembrar que somos humanos e que o mundo é feito por nós e por nossa ação como sujeitos da história, e não objetos descartáveis que aparecem, são consumidos e, depois, em condições de sucata, são reciclados", destaca Eduardo José Afonso, que conclui: "A principal mensagem, para mim, é a de liberdade, pois aquele que tem consciência de si e de seus atos, aquele que pensa sua existência e reflete suas ações é um ser livre".



(texto publicado na Revista da Cultura edição 94 - maio de 2015)

sábado, 28 de junho de 2014

A arte do futebol - Ana Laura Nahas


Livro conta como nasceu - e cresceu - o esporte mais popular do mundo

De futebol todo mundo entende um pouco. Poucos, no entanto, entendem à maneira do historiador Hilário Franco Júnior, um especialista em Idade Média que viajou no tempo para explicar origens, transformações, ideologias e até a psicologia do esporte das multidões. O resultado: o livro A Dança dos Deuses, um ambicioso painel sociológico, político e cultural da modalidade esportiva mais popular do planeta, desde seu surgimento entre as elites inglesas do século 19 até hoje.

Inventado para desenvolver o físico e a disciplina, com a industrialização o futebol passou a ser praticado pela classe operária. A partir de então, surgiram times financiados por fábricas - daí nomes como Manchester United (empresa da área ferroviária) e Arsenal (de armamentos). Sua expansão esteve ligada diretamente ao poderio do império britânico. Há quem diga, porém, que o esporte tem inspiração na China de 4 mil anos atrás - lá, guerreiros relaxavam com o macabro ato de chutar crânios inimigos rumo a duas estacas de bambu fincadas no chão.

O livro, nascido de um curso que Franco Júnior ministrou entre 2003 e 2005 na Universidade de São Paulo, enfoca a mudança nas regras (não havia juiz no futebol dos primeiros tempos), seu uso político (presidentes aproveitaram a euforia coletiva para mascarar atitudes duvidosas) e até os efeitos psicológicos (por que torcedores sofrem tanto por seus times?) da arte de Pelé, Garrincha e companhia. "Se um historiador daqui a 100 anos só tivesse como fonte o noticiário esportivo, ainda assim poderia reconstituir grande parte da vida social de hoje", afirma.




(texto publicado na revista Aventuras na História nº 52 - dezembro de 2007)









domingo, 1 de junho de 2014

Il potere straordinario degli animali - Rupert Sheldrake, biologo (Per appassionati di gatti)


È uscito di recente un libro, secondo il quale i gatti e i cani sarebbero in grado di percepire, in anticipo, le emozioni e gli stati d’animo delle persone.
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L’autore del libro arriva a chiedersi se il gatto non sia dotato di poteri metapsichici, riferibili quindi alla predittività e alla chiaroveggenza. E la risposta finale è «Sì».

Rupert Sheldrake, biologo della Cambridge University, racconta nella sua ultima pubblicazione («Freeing the Spirit of Enquiry») una serie di storie che fanno sinceramente riflettere sulle capacità «parapsichiche» dei gatti, cosa che non sorprenderà più di tanto chi li possiede.
Racconta l’autore di una sua vicina vedova che aveva un figlio marinaio al quale non piaceva farle sapere quando sarebbe arrivato a casa perché voleva evitare che si preoccupasse di fronte a un eventuale ritardo.
Ma sua madre lo sapeva ugualmente, grazie al gatto di casa che era molto affezionato al giovane marinaio. Così, un paio d’ore prima che lui rientrasse, il micio si metteva seduto sullo zerbino e cominciava a miagolare in un modo particolare, proprio come se avesse un sesto senso che lo avvertiva del fatto che stava arrivando.
Il gatto non ha mai sbagliato, tanto che la madre poteva rassettare la camera del figlio e preparargli da mangiare, certa che in un paio d’ore avrebbe suonato il campanello.
Nell’esperienza dell’autore, e soprattutto nel suo database che conta oltre 5000 casi, alcuni animali sembrano percepire l’esatto momento in cui i loro proprietari hanno avuto un serio incidente o sono addirittura deceduti in posti lontani.
Sheldrake ha documentato 177 casi di cani e 62 di gatti che apparentemente rispondevano alla morte o alla grave sofferenza di un proprietario lontano, ululando o miagolando in modo straziante.
«Va da sé – scrive l’autore – che questi poteri metapsichici degli animali possono essere di enorme importanza per l’uomo nel predire catastrofi naturali, quali terremoti e tsunami e posso dire di essere sorpreso e anche un po’ indignato, di fronte allo scetticismo dei colleghi occidentali che lavorano in campo scientifico. In Oriente sono di mentalità più aperta. D’altronde, io sono un biologo e ho speso la mia intera vita di scienziato a studiare questi fenomeni che non sono certo fesserie».
Sheldrake sostiene che il 50% dei cani e il 30% dei gatti è in grado di percepire in anticipo l’arrivo di un membro della famiglia e quest’affermazione deriva da un’inchiesta durata anni presso i vicini di casa.
Molti gatti, scrive Sheldrake, si nascondono stranamente quando si tratta di andare dal veterinario. Confermo clamorosamente in pieno e mi ci gioco la laurea (ai pochi soldi ci pensa Monti). La mattina fissata per l’intervento non è la prima volta che chiama il padrone del gatto: «Dottore, mi spiace ma è sparito» oppure «Guardi è al centro del letto e non lo si lascia prendere».
Credeteci o no, ma è vero, come i moccoli per avere allestito la sala operatoria e il personale inutilmente.
Avrei anch’io mille storie a questo proposito ma ne basti una. Anni fa io e mia moglie andavamo a mangiare dai miei suoceri, di tanto in tanto, e qualche volta portammo il nostro amato gatto Pinky che non ne voleva sapere (ai gatti piace la loro casa). Dopo qualche tempo, la mattina che si decideva di andare a pranzo da loro, Pinky si portava sotto il letto, esattamente al centro, in postazione inattaccabile. Se si decideva per il ristorante, Pinky se la dormiva beato sul letto.
Mentre scrivo la Lulù è immobile, seduta di fianco al monitor e mi fissa intensamente. Giuro che mi aspetto parli e mi dica: «Ma ci voleva questo Sheldrake per capirla?».

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Recensione: Harry Potter e La Pietra Filosofale



La recensione e il paragone tra la prima stampa del libro e l'ultima uscita nel 2011. Qui giù troverete le differenze tra il film e il romanzo. 


1) Harry presenta differenze nell'aspetto: nei film ha i capelli lisci mentre in tutti i libri viene descritto con i capelli lisci ma arruffati e gli occhi di Harry sono verdi, mentre nei film sono azzurri.


2) Nel primo film sono stati omessi la signora Figg, un'anziana proprietaria di tanti gatti (che, in Harry Potter e l'Ordine della Fenice, rivela di essere una Maganò), Piers Polkiss, il migliore amico di Dudley, e il Poltergeist Pix (che non comparirà neppure nei film successivi).

3) Nel film, Harry incontra per la prima volta Draco Malfoy ad Hogwarts, prima di entrare nella sala Grande per lo smistamento nelle Case; nel libro invece, lo incontra prima di arrivare al castello ben due volte: a Diagon Alley in un negozio per divise scolastiche (dove i due non si presentano), e sul treno durante il viaggio, dove Malfoy è ormai consapevole chi sia il ragazzo incontrato precedentemente.

4) Nel film viene eliminato il duello nella sala dei trofei sul quale Harry e Draco si erano accordati.

5) Nel film viene omessa la presenza di Neville Paciock quando Harry, Ron e Hermione si imbattono per la prima volta in Fuffi.

6) Durante la cerimonia dello Smistamento, la professoressa Minerva McGranitt chiama Susan Ossas, che nelle ultime traduzioni dei libri viene invece chiamata Susan Bones.

7) Nel film viene inoltre eliminata la seconda partita di Quidditch (la quale viene arbitrata da Piton per impedire a Raptor di tentare nuovamente di far del male a Harry). Inoltre il dialogo che avviene subito dopo nella Foresta Proibita tra Piton e Raptor, nel film avviene di notte in un corridoio vicino alla biblioteca subito dopo che Harry si è recato nella sezione proibita; Harry, che nel libro vi assiste nascosto sul ramo di un albero (sul quale atterra con la sua scopa), nel film vi assiste nascosto sotto il mantello dell'invisibilità.

8) Nel film, Hermione chiama Voldemort per nome, mentre nei libri lo farà solo dal quinto.

9) Licenza dello sceneggiatore è rappresentare Seamus Finnigan come mago latente alle esplosioni coi propri incantesimi: tale aspetto, poi saltuariamente recuperato anche nei film successivi (e che avrà una notevole importanza in Harry Potter e i Doni della Morte - Parte 2), è del tutto assente nei libri.

10) Nel film il drago di Hagrid viene spedito da Silente in Romania, mentre nel libro sono Harry ed Hermione a portarlo agli amici di Charlie Weasley.

11) Nel film ad andare nella foresta proibita, come punizione, sono Harry, Ron, Hermione e Draco. Nel libro invece nella foresta vanno Harry, Hermione, Draco e Neville in quanto Ron è in infermeria a seguito di un morso infettato di Norberto.

12) Nel film lo scontro con Raptor viene vinto da Harry toccando il volto del professore, mentre nel libro è Silente a salvare Harry (cosa che gli viene rivelata dallo stesso Silente nell'infermeria).

13) Durante la prova degli scacchi giganti, Ron decide di sacrificarsi, ma la scena nel libro è meno drammatica: nel libro, infatti, le pedine "mangiate" non vengono distrutte, ma solo tramortite.

14) Alla fine del film Harry, Ron e Hermione trovano un'arpa che suona da sola, mentre nel libro Harry e Hermione suonano un flauto (regalato a Harry da Hagrid) per far addormentare Fuffi.

15) Nelle scene dove Harry, Ron e Hermione cercano di superare il corridoio per prendere la pietra filosofale, sono stati omessi due incantesimi dei professori che sono stati poi reinseriti nelle varie versioni del videogioco: il corridoio del Troll e la stanza del fuoco magico con le pozioni per attraversarlo in mezzo ad altre con i veleni.

16) Nel film la casa dei "Corvonero" sostituisce quella di "Pecoranera". In realtà pare che il nome di "Pecoranera" sia presente solo nelle prime edizioni del romanzo, mentre nelle ristampe risulta corretto in "Corvonero", traduzione più fedele all'originale, nonché alla rappresentazione grafica dello stemma di Hogwarts, che raffigura un grifone, un serpente, un tasso ed un rapace.

17) Nel film è stata fatta la scelta di rendere le scale magiche, con movimenti autonomi ('Hermione: "Alle scale piace cambiare"'). Nel libro si dice soltanto che a volte alcune scalinate portano in luoghi diversi.


domingo, 1 de setembro de 2013

Diario di vita: A spasso con Bob


A casa abbiamo sempre avuto cani, ma mi sono sempre piaciuti gli animali in generale. Quando la mia collega Denise è andata in Italia le ho chiesto di portarmi alcuni libri fra i quali "A spasso con Bob" (A street cat named Bob) scritto da James Bowen, un ex-tossicodipendente,  che dopo aver curato il gatto randagio pel di carota, sono diventati amici inseparabili. Il libro fu scritto in un modo colloquiale, ma molto sincero e commuovente. Raccomando a tutti quelli che amano i gatti, la lettura e la lingua italiana.



Uscire da solo quel giorno servì a farmi capire quanto ormai Bob fosse importante nella mia vita. Con lui sulla spalla o al guinzaglio, ero anch'io al centro dell'attenzione, mentre adesso, senza la sua presenza, rischiavo di tornare invisibile.

Tuttavia, qualcuno nel quartiere mi riconobbe e non poté fare a meno di chiedermi dove fosse Bob. "Dov'è il gatto, oggi?" mi domandò un venditore ambulante quando mi vide passare davanti alla sua bancarella.

"Sì è preso un giorno di ferie", risposi.

"Ah, meno male. Temevo che gli fosse successo qualcosa", aggiunse sorridendo.

Un paio di altre persone mi fermarono e mi rivolsero la stessa domanda. Appena spiegavo che Bob stava bene, si allontanavano, non gliene importava di me, lo sapevo e mi andava bene così.

Quel pomeriggio in James Street dovetti suonare qualche ora in più per guadagnare circa la metà di quanto avevo incassato nelle settimane precedenti.

Fu mentre tornavo a casa quella sera che cominciai a vedere con chiarezza la situazione: non era una questione di soldi, la verità era che da quando Bob era entrato a far parte della mia vita, questa si era arricchita di significato. La sua compagnia era talmente stimolante da farmi sentire più forte, più fiducioso, sicuro di farcela e rimettermi in gioco e ricominciare.

Non è facile quando lavori in strada. La gente non vuole darti una possibilità. Prima di Bob, se mi avvicinavo a qualcuno, mi rispondevano un: "No, grazie", ancora prima che io riuscissi a dire: "Ciao".

Succedeva anche se volevo solo chiedere l'ora. Non avevo ancora aperto bocca, che già partiva: "Non ho spiccioli, mi dispiace". Andava sempre a finire così. Nessuno mi concedeva un'opportunità; la gente non vuole capire che anch'io lavoro, che non sono uno scroccone che vive a sbafo chiedendo l'elemosina. Solo perché non indosso giacca e cravatta, non timbro il cartellino e non ho una busta paga, mi scambiano per un parassita, ma non lo sono.

Avere Bob con me mi dava la possibilità di interagire con il prossimo. Potevo raccontare di come c'eravamo conosciuti e anche spiegare che suonare in strada era il mio lavoro, che i soldi mi servivano per pagare l'affitto, le bollette, il cibo per me e per Bob. Finalmente la gente aveva cominciato a vedermi sotto una luce diversa.

Il gatto è un animale notoriamente molto esigente quando si tratta di concedere la sua fiducia; se decide che il padrone non la merita, semplicemente se ne va e ne cerca un altro. Vedermi con lui mi rendeva più accettabile agli occhi degli altri, mi faceva apparire più umano, soprattutto dopo tutte le esperienze disumane che avevo vissuto.

In un certo senso Bob mi stava aiutando a ritrovare un'identità, grazie a lui stavo tornando a essere una persona.


(pagine 75 e 76 del libro "A spasso con Bob" di James Bowen)



James and Bob


A street cat named Bob