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segunda-feira, 10 de julho de 2017
domingo, 16 de outubro de 2016
domingo, 9 de outubro de 2016
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Spielberg entra na guerra fria - Jack Coyle
Com estreia em outubro, "Ponte de Espiões" traz Tom Hanks no papel principal
Os quase três anos de espera desde o último filme de Steven Spíelberg (Lincoln, de 2013) terminarão em outubro com o filme de suspense e espionagem Bridge of Spies.
Para sorte dos cinéfilos, não haverá tão cedo outra pausa tão grande entre as produções do diretor. Depois de terminar Ponte de Espiões, ele vai montar seu próximo filme, The BFG, baseado na história O Grande Gigante Bonachão, de Roald Dahl, e está na pré-produção de Ready Player One (Jogador nº 1), uma aventura de ficção científica baseada no popular livro de Ernest Cline.
É um ritmo que Spielberg, aos 68 anos, diz que pretende manter. "Terei um grande período de direção nos próximos anos", afirmou. "Nossa última filha, a menor, entrou na universidade na semana passada, e minha esposa (Kate Capshaw) e eu estamos desfrutando do ninho vazio."
Segundo Spielberg, a folga também permite maior tempo livre à mulher. "Isso lhe dá a possibilidade de envolver-se mais em sua arte, ela que é uma pintora maravilhosa", observa. "E, agora, tenho a oportunidade de dirigir filmes sequencialmente."
Para Spielberg, Ponte de Espiões, que estreia em outubro, é um novo capítulo da história que ele conhece pessoalmente: a guerra fria. Tom Hanks interpreta James Donovan, um advogado recrutado pela CIA para resgatar um piloto espião cujo avião foi abatido na ex-União Soviética.
Numa entrevista recente, durante uma folga da edição de The BFG, o diretor falou sobre o filme, baseado em fatos reais, o inesperado sucesso de Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros, e sua falta de interesse por filmes de super-heróis.
O que o levou a realizar Ponte de Espiões?
Sempre quis fazer um filme de espiões, mas este não é James Bond. Só James Bond pode ser James Bond. Sempre me fascinou o valor de entretenimento da série de filmes de espiões de Bond, assim como os romances sérios sobre espiões de John Le Carré, especialmente o filme de Martin Ritt, O Espião Que Saiu do Frio. Também filmes de espiões como A Morte Não Manda Aviso, e Ipcress - Arquivo Confidencial, além de Cortina Rasgada, de Hitchcock.
Estava interessado em fazer um filme que se desenvolvesse durante a guerra fria?
Vivi durante a guerra fria e estava muito consciente da possibilidade de andar pela rua, ver um flash branco e ser atomizado. Tinha igualmente muita consciência da insegurança nesse tempo, principalmente para os jovens. É algo que me impressionou muito quando criança. Filmes de 16 milímetros nos diziam o que fazer, em caso de um ataque aéreo. Quando começassem a tocar as sirenes ou se víssemos o flash, deveríamos nos esconder debaixo da escrivaninha, se possível com um livro bem grosso na cabeça.
Encontra alguma relação entre esta época e agora?
Há muitos pontos importantes entre o fim dos anos 1950 e agora. Hoje, usamos drones, enquanto, naquela época, eles usavam aviões espiões U2 sobre a União Soviética. Nossa história também fala do avião U2 de Gary Powers e a prisão de um espião soviético que trabalhou neste país por dez anos, Rudolph Abel. E o negociador, uma raridade, um advogado de seguros que era um dos promotores nos julgamentos por crimes de guerra de Nuremberg, foi convocado para defender um suposto espião soviético. Além disso, há o clima denso que ele se dispõe a suportar em sua luta para que se fizesse justiça. É uma história sobre um indivíduo de princípios, honesto, feito sob medida para Tom Hanks.
É seu quarto filme com ele.
Cada colaboração é melhor que a anterior. Nos divertimos muito juntos.
Você causou sensação há dois anos quando disse que Hollywood caminhava para uma implosão pelo excesso de filmes de grandes orçamentos. Ainda pensa assim?
Sim, ainda sinto o mesmo. Estávamos por aí quando morreram os filmes de vaqueiros, e haverá um momento em que os filmes de super-heróis terão o mesmo destino dos westerns. Não significa que não haverá outro momento no qual voltarão os filmes de vaqueiros e os de super-heróis. Claro que, neste momento, os filmes de super-heróis fazem o maior sucesso. Eu só falei que estes ciclos têm tempos específicos na cultura popular. Chegará o momento em que as histórias mitológicas serão suplantadas por outros gêneros e, quem sabe, algum cineasta jovem pensará em descobri-lo para todos nós.
Você ficou surpreso com o sucesso de Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros, o filme do qual foi produtor executivo?
Estou de volta ao negócio dos dinossauros. Prometemos que haveria mais dentes e nos recompensaram por isto. Teria sido genial se tivéssemos conseguido o que o pessoal esperava, um fim de semana de US$ 100 milhões em três dias. Isso teria dado para o ano inteiro, para mim. Mas o fato de ter ganho mais do dobro do que os especialistas esperavam, me deixou muito feliz.
Ponte de Espiões é o primeiro filme em anos que fez sem trilha musical de John Williams, seu colaborador habitual. Por quê?
John Williams voltará para fazer The BFG. Somente duas vezes não trabalhamos juntos em 42 anos. A primeira foi em A Cor Púrpura, em 1985, que teve música de Quincy Jones, e a segunda foi porque Johnny teve de se submeter a um pequeno procedimento médico, que lhe impediu de compor para o meu filme no prazo que ele pensava. Agora está bem, está 100% de volta para trabalhar em Guerra nas Estrelas, mas, infelizmente, não pôde trabalhar em Ponte de Espiões. Pude trabalhar com Thomas Newman, de quem sou fã. Este foi somente um tropeço e ambos ficamos tristes com isso, mas nos emociona voltar para The BFG.
(texto publicado no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo de 9 de setembro de 2015)
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Crítica de Cinema: Queda de braço - Mario Mendes
Mesmo quem nunca viu Mary Poppins pode se deliciar com o espirituoso embate entre Emma Thompson e Tom Hanks nos bastidores do clássico de Walt Disney
Era uma vez um garoto americano que costumava ser surrado pelo pai depois de um dia inteiro com neve pelas canelas, entregando jornais de porta em porta, e uma garotinha australiana assustada e entristecida por ver seu adorado pai sucumbir à bebida e à doença. Um belo dia, muitos anos depois, os dois se encontram em Hollywood. Agora rico e poderoso, ele quer conquistar algo que ela, conhecida e respeitada, tem a oferecer mas reluta em ceder. Juntos eles farão uma jornada por uma terra encantada, repleta de aventuras e descobertas, com muita música e, claro, um final feliz. Esse poderia ser o resumo de Walt nos Bastidores de Mary Poppins (indigesto título nacional para Saving Mr. Banks, Estados Unidos/Inglaterra/Austrália, 2013), já em cartaz no país, não fosse o filme baseado em personagens e fatos reais.
Em 1961, o produtor Walt Disney (Tom Hanks) prepara uma cartada decisiva: conseguir finalmente os direitos autorais sobre um personagem que cobiçava havia mais de vinte anos - a sobrenatural babá inglesa Mary Poppins, criação da escritora P. L. Travers (Emma Thompson). Depois de sucessivas recusas em deixar que as aventuras de sua heroína fossem adaptadas para o cinema, a irascível P. L. (ambígua abreviação para Pamela Lyndon) se vê às voltas com uma casa hipotecada em Londres e a queda nas vendas de seus até então best-sellers. Em face dessa insegurança financeira, a proposta de Disney começa a parecer tentadora (cercade 100.000 dólares mais uma porcentagem da bilheteria, segundo dados da época) e, por isso, ela se abala até a Califórnia para 1) impedir que sua criação seja transformada num "desenho animado idiota" e 2) ter o direito de aprovação total e final sobre o roteiro.
É uma colisão de planetas. De um lado, a feérica engrenagem do showbiz americano, com dedicados roteiristas/compositores a serviço do produtor obcecado pela ideia de criar um musical que seja um marco em sua obra. Do outro, a sombria intransigência da dama conservadora de esnobismo vitoriano, ainda apegada ao passado, às lembranças do pai sonhador e fracassado (Colin Farrell) e à figura da tia (Rachel Griffiths) - esta, a mulher forte que chega para pôr ordem em um lar em ruínas, assim como Mary Poppins faria nos livros com a fictícia família Banks. Estabelecendo a ponte entre esses dois mundos há um motorista boa-praça (Paul Giamatti) que se incumbe de conduzir Pamela pela cidade enquanto faz as vezes de Grilo Falante e providencia a ela um oportuno choque de realidade.
Realidade, porém, nunca foi o forte da Disney e, se Emma Thompson está deliciosamente tensa como P. L. - toda caras, bocas e sotaque metálico -, é mais difícil aceitar o "papai Walt Disney" bonachão de Tom Hanks, apesar da costumeira competência do ator. É sabido que o produtor, um dos maiores tubarões da indústria do entretenimento e uma raposa nos negócios, não primava pela simpatia nas relações com subalternos e colaboradores. Sabe-se também que o passeio com P. L. pela Disneylândia nunca aconteceu, e que a dança de sedução com a escritora cessou abruptamente, assim que ele se viu de posse dos direitos sobre a babá. Um relato mais factual, porém não menos saboroso, dessa relação está no livro Mary Poppins e Sua Criadora, da jornalista Valerie Lawson (tradução de Marilu Reis, Frederico Rimoli e Natália Petroff; Prata, 352 páginas; 49,90 reais), uma das fontes para o roteiro do filme.
Mary Poppins foi a maior conquista do final da carreira de Walt Disney (ele morreria em 1966, dois anos após a estreia do filme): ganhou cinco Oscar e lançou Julie Andrews como estrela. É o ápice dos espetáculos para a família que o produtor tanto cultivou e um favorito do público desde então. Conta como uma misteriosa babá, vinda pelos ares pendurada em um guarda-chuva, resolve o problema de um casal de irmãos negligenciados pelos pais, os atarefados sr. e sra. Banks. Tudo regado a música, dança, desenho animado e uma porção de efeitos especiais. Mas não é preciso conhecer o original para apreciar Walt nos Bastidores de Mary Poppins, já que o filme tem sua própria comédia, música e uma dupla de personagens carentes da aprovação paterna.
Quanto a P. L. Travers, ela teve uma velhice tranquila, graças ao dinheiro que sua criação lhe rendeu no cinema. Morreu aos 96 anos, em 1996. Um ano antes, ela havia autorizado a adaptação de Mary Poppins para um musical de teatro, mas com uma condição: que os irmãos Richard e Robert Sherman, os compositores do filme, não tivessem nada a ver com a produção. A palavra final, enfim, ficou com ela.
Em 1961, o produtor Walt Disney (Tom Hanks) prepara uma cartada decisiva: conseguir finalmente os direitos autorais sobre um personagem que cobiçava havia mais de vinte anos - a sobrenatural babá inglesa Mary Poppins, criação da escritora P. L. Travers (Emma Thompson). Depois de sucessivas recusas em deixar que as aventuras de sua heroína fossem adaptadas para o cinema, a irascível P. L. (ambígua abreviação para Pamela Lyndon) se vê às voltas com uma casa hipotecada em Londres e a queda nas vendas de seus até então best-sellers. Em face dessa insegurança financeira, a proposta de Disney começa a parecer tentadora (cercade 100.000 dólares mais uma porcentagem da bilheteria, segundo dados da época) e, por isso, ela se abala até a Califórnia para 1) impedir que sua criação seja transformada num "desenho animado idiota" e 2) ter o direito de aprovação total e final sobre o roteiro.
É uma colisão de planetas. De um lado, a feérica engrenagem do showbiz americano, com dedicados roteiristas/compositores a serviço do produtor obcecado pela ideia de criar um musical que seja um marco em sua obra. Do outro, a sombria intransigência da dama conservadora de esnobismo vitoriano, ainda apegada ao passado, às lembranças do pai sonhador e fracassado (Colin Farrell) e à figura da tia (Rachel Griffiths) - esta, a mulher forte que chega para pôr ordem em um lar em ruínas, assim como Mary Poppins faria nos livros com a fictícia família Banks. Estabelecendo a ponte entre esses dois mundos há um motorista boa-praça (Paul Giamatti) que se incumbe de conduzir Pamela pela cidade enquanto faz as vezes de Grilo Falante e providencia a ela um oportuno choque de realidade.
Realidade, porém, nunca foi o forte da Disney e, se Emma Thompson está deliciosamente tensa como P. L. - toda caras, bocas e sotaque metálico -, é mais difícil aceitar o "papai Walt Disney" bonachão de Tom Hanks, apesar da costumeira competência do ator. É sabido que o produtor, um dos maiores tubarões da indústria do entretenimento e uma raposa nos negócios, não primava pela simpatia nas relações com subalternos e colaboradores. Sabe-se também que o passeio com P. L. pela Disneylândia nunca aconteceu, e que a dança de sedução com a escritora cessou abruptamente, assim que ele se viu de posse dos direitos sobre a babá. Um relato mais factual, porém não menos saboroso, dessa relação está no livro Mary Poppins e Sua Criadora, da jornalista Valerie Lawson (tradução de Marilu Reis, Frederico Rimoli e Natália Petroff; Prata, 352 páginas; 49,90 reais), uma das fontes para o roteiro do filme.
Mary Poppins foi a maior conquista do final da carreira de Walt Disney (ele morreria em 1966, dois anos após a estreia do filme): ganhou cinco Oscar e lançou Julie Andrews como estrela. É o ápice dos espetáculos para a família que o produtor tanto cultivou e um favorito do público desde então. Conta como uma misteriosa babá, vinda pelos ares pendurada em um guarda-chuva, resolve o problema de um casal de irmãos negligenciados pelos pais, os atarefados sr. e sra. Banks. Tudo regado a música, dança, desenho animado e uma porção de efeitos especiais. Mas não é preciso conhecer o original para apreciar Walt nos Bastidores de Mary Poppins, já que o filme tem sua própria comédia, música e uma dupla de personagens carentes da aprovação paterna.
Quanto a P. L. Travers, ela teve uma velhice tranquila, graças ao dinheiro que sua criação lhe rendeu no cinema. Morreu aos 96 anos, em 1996. Um ano antes, ela havia autorizado a adaptação de Mary Poppins para um musical de teatro, mas com uma condição: que os irmãos Richard e Robert Sherman, os compositores do filme, não tivessem nada a ver com a produção. A palavra final, enfim, ficou com ela.
(texto publicado na revista Veja nº 2364 - 12 de março de 2014)
Mary Poppins (1964) - Trailer
The making of Mary Poppins - part 1
The making of Mary Poppins - part 2
The making of Mary Poppins - part 3
The making of Mary Poppins - part 4
The making of Mary Poppins - part 5
The making of Mary Poppins - part 6
Walt nos bastidores de Mary Poppins (2013) - trailer
sábado, 15 de fevereiro de 2014
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