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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Diário de vida: Decifrando imagens: artes visuais e estratégias para o olhar



Conheci o João Vilhena em 2008 quando se inscreveu na minha turma no curso de italiano. Ele é professor de história e é apaixonado pela Itália, principalmente por Florença e o período histórico da Renascença, algo que nos aproximou desde o começo. Depois de um intervalo de 4 anos, ele retomou o estudo da língua italiana em 2012 e em seguida começou a ter aulas particulares comigo. Entre idas e vindas por causa do trabalho, já se passaram 9 anos. É o meu único aluno a "longo prazo". 


Em agosto deste ano a situação se inverteu: passei a ser uma sua aluna no curso "decifrando imagens". Como sempre repetia que não era muito visual, o João um dia me convidou para ir assistir a uma aula em um espaço em Pinheiros justamente no dia em que iria falar sobre Florença e a família Medici. 

O que dizer a respeito desse curso que acabou hoje ? Simplesmente maravilhoso!!! 

O que pode parecer a princípio um curso de descrição de imagens, à medida que ele se desenvolve se transforma em um mergulho dentro de nossa alma: o que pensamos, o que sentimos, como interagimos com o próximo, as nossas crenças e tantas outras coisas. 

O curso é altamente recomendado!!!!! 

Ele agora será oferecido de novo no espaço Casa Tombada 





Decifrando imagens: artes visuais e estratégias para o olhar

Afinal, o que é uma imagem? Como articulamos nosso repertório pessoal aos dados do mundo externo para dar sentido ao que vemos? O que artistas de todas as épocas têm a nos dizer sobre nosso próprio olhar e sobre ser humano? Essas e outras questões estão no centro deste curso, no qual os participantes são convidados a refletir sobre a dimensão cultural dos fenômenos visuais, a partir do contato com pinturas, esculturas, desenhos, peças de propaganda, excertos de filmes e de textos, todos episódios marcantes da história das artes humanas. Por meio de um método de descrição e interpretação de imagens, praticado coletivamente, investigaremos a visão como linguagem, e as narrativas visuais como suporte para a construção do atributo que nos faz humanos, de fato – a imaginação.

Neste curso, os participantes irão perceber, conhecer e construir estratégias para ampliar seu próprio repertório visual, enriquecendo a capacidade de observação e o estabelecimento de relações entre por meio de imagens. A visualidade encontra-se aqui tratada como um fenômeno individual e social, para além do sentido da visão, englobando outras esferas, como memória, afetividade, lógica, percepção, espiritualidade e os demais sentidos, fruto da busca humana por atribuir significado ao que nos cerca.


Passaremos por pinturas, esculturas, filmes, peças de propaganda, quadrinhos, desenhos, construções, entre outros, exploraremos neste curso algumas das principais narrativas humanas, símbolos, mitos antigos e contemporâneos, gêneros artísticos, biografias de criadores, aspectos psicológicos e condições históricas. Tal exploração ocorrerá – tendo como ponto de partida os temas destacados no programa – por meio do desenvolvimento de um método coletivo de observação e descrição de imagens que, progressivamente, trará instrumentos para que cada um dos participantes reconheça e desenvolva seu próprio olhar, condição importante para o enriquecimento da percepção dos fenômenos culturais que fazem parte do vasto e ricoacervo produzido pela humanidade.

Quando: De 17/10 a 21/11 terças-feiras das 19h30 às 22h30
Investimento: R$420,00 ( pagamento em até 3x)
Desconto de 10% para alunos e ex-alunos das pós-graduações da Casa Tombada


Programação:
1. Apresentação – Os que olhos não vêem, o cérebro vê!
As interações fascinantes de natureza, cultura, linguagem e memória na construção da experiência visual.
2. Palavras, símbolos, códigos visuais – Mitologias e sua dimensão visual na Arte.
O que é uma narrativa visual? Como ela nos aproxima de histórias consagradas?
3. Retratos e espelhos – O desejo de ver e ser visto.
O rico e estranho parentesco entre decalques de mãos em cavernas e os selfies contemporâneos.
4. Um dilema visual – Uma imagem não vale mais do que mil palavras…
O exame de séries de imagens como antídoto para interpretações apressadas.
5. Inspiração e transpiração – Afinal, existem obras-primas?
Esboços, rabiscos, rascunhos e a difícil tarefa de transpor a barreira da imaginação.
6. Originais e cópias – O espectador-artista.
Afinal, o que somos diante de uma obra?

João Eduardo de Vilhena é historiador e professor de História, com mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo, defendendo, em 2007, a dissertação "Metrópole na ponta do lápis: charges e urbanização em São Paulo - 1900-1914". Tem trabalhado com grupos de alunos de todas as idades nos últimos quinze anos, com ênfase na História da Cultura, destacando-se as áreas de História da Arte e História da Tecnologia. Atualmente, desenvolve projeto de doutorado sobre as relações entre a economia e produção artística no Renascimento italiano.



segunda-feira, 3 de abril de 2017

Diário de vida: gírias


Tenho feito um curso de atualização da língua italiana através dos inúmeros vídeos do trio Il Volo. Uma das coisas que mais "envelhecem" em qualquer língua é o uso das gírias. Como a maior parte de meus alunos são jovens na faixa dos 20 aos 30 anos tomo cuidado e pergunto sempre se algo mudou.

Eu me lembrei de um termo que uma professora de alemão usou quando estudava com ela: boko moko. Fui a única que deu risada. 

O que significa boko moko? 

Guaraná Antarctica (Boko Moko) - Anos 70. É raro, mas ainda há quem use “boko moko” para classificar o que é démodé, de gosto duvidoso – ou “brega”, “cafona”, segundo os adjetivos mais usuais. A expressão, cunhada pelo jornalista e publicitário Sergio de Andrade, o Arapuã (1928-2009), fez sucesso nos anos 70.

Esse termo foi vinculado na propaganda do Guaraná Antarctica: quem não consumisse esse refrigerante era considerado boko moko, ou seja, fora de moda, ou usando uma outra gíria da época, estava por fora. 






sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Diferença entre marketing e publicidade - Mariana Marques


Um depende do outro e ambos devem ser usados de forma integrada

Neste artigo tentarei desmistificar um assunto que ainda é um tanto quanto confuso para algumas pessoas: qual a diferença entre marketing e publicidade? O que é fazer marketing? O que é fazer publicidade?

Na verdade, creio que um dependa do outro, que devam trabalhar de forma integrada. Uma publicidade benfeita é consequência de um marketing bem realizado.

Publicidade é a apresentação das informações sobre um produto, serviço, uma marca específica, com o intuito de influenciar, causar desejo de consumo, persuadir o consumidor. Ela "vende", ela cria uma imagem, uma reputação.

Mas como posso fazer essa publicidade sem a certeza de que o que estou tornando público é realmente necessário e irá satisfazer meu consumidor? Para isso, dados e análises são fundamentais.

É aí que entra o tão importante marketing. Criar algo sem ele é atirar no escuro, é navegar sem bússola. A publicidade determina "como fazer"; o marketing, "o que fazer".

Fazer marketing não é apenas auxiliar o departamento de vendas, nem incentivar pessoas a consumirem o que nem sempre necessitam. Fazer marketing é suprir necessidades, é satisfazer desejos, é direcionar de forma precisa, criativa e orientadora, ideias, estratégias e planejamento de condução de negócios, visando a lucro, conquistas, sustentação e expansão da marca, produto ou serviço.

Para o marketing ser implantado corretamente e com sucesso dentro de uma empresa, é necessário que se conheça muito bem as necessidades do cliente, que se entenda plenamente quais os seus reais desejos.

Fazer marketing é provocar, "alfinetar", aproximar seu produto, sua marca do seu consumidor. E para isso é necessário que exista toda uma estratégia, um planejamento envolvido.

Acho que usei as palavras mais adequadas no contexto: "estratégia" e "planejamento". Vejamos por que:

Primeiramente efetua-se uma análise de mercado, ou seja, identifica-se o público que deverá ser atingido, para assim segmentá-lo. Depois, analisam-se os concorrentes direitos e indiretos e ainda os pontos fortes e fracos que diferenciam sua empresa, sua marca, seu serviço ou produto, em relação a eles.

A partir disso, criam-se metodologias, objetivos adequados e análises quantitativas e qualitativas para verificação de resultados obtidos.

Fazer marketing é pesquisar muito! Por isso é um desafio maravilhoso. Provoca tensão, adrenalina.

Mas o marketing só terá grande expressão quando todas as empresas perceberem sua importância. Por isso achei válido esclarecer e partilhar um pouco deste conhecimento, para que essa importante ferramenta seja entendida e agregada às pequenas, médias e grandes empresas e escritórios, expandindo-se, assim, cada vez mais no mercado empresarial.



(texto publicado na revista Visão Jurídica nº 69)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vida nova às bancas - Total Express


Projeto de lei que libera publicidade pode revitalizar bancas de jornais e revistas e criar novas áreas de convívio em São Paulo

Um dos jornaleiros mais tradicionais de São Paulo, o italiano Paolo Pellegrini, de 66 anos, vende jornais e revistas praticamente desde que chegou ao Brasil, em 1952. Começou garoto, aos 8 anos, ajudando o tio em uma banca no Viaduto do Chá, no centro da cidade. Depois abriu com o pai sua própria banca, em 1967. O negócio deu tão certo que Pellegrini transformou os empregados em sócios e montou uma rede com cinco bancas em São Paulo. Agora, enxerga a possibilidade de dar uma nova guinada nos negócios, com a ajuda de um projeto de lei em discussão na Câmara Municipal que pode revigorar as bancas da cidade, ao liberar, nesses pontos, a exposição de publicidade, restrita desde a entrada em vigor da Lei Cidade Limpa, há quase dez anos.

O programa Banca SP, idealizado pelo prefeito Fernando Haddad com base em um projeto de lei de 2014, do então vereador José Américo, também do PT, estabelece uma política pública dentro da Lei Cidade Limpa que pode auxiliar na renovação de parte dos 3 500 pontos de venda de jornais e revistas da cidade, com a veiculação de anúncios publicitários. As bancas poderão ter quatro painéis de até 90 centímetros de largura por 1.80 metro de altura, um em cada lateral externa e dois na parte traseira. O projeto já passou por uma votação e aguarda a segunda aprovação em plenário, prevista para agosto, para que, então, possa ser encaminhado para a sansão do prefeito Haddad.

Se for aprovado, os jornaleiros que quiserem colocar os painéis publicitários deverão reformar suas bancas para adequá-las à Lei Cidade Limpa e também aos padrões a serem definidos pela São Paulo Urbanismo, empresa pública ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU).

O acordo para veicular os anúncios seria feito diretamente entre os donos das bancas de jornais e revistas e as agências de publicidade, responsáveis pela criação das peças. Os jornaleiros pagariam uma taxa ao governo municipal, calculada de acordo com variáveis como o tamanho do terreno em que está a banca e a área total dos anúncios. A receita arrecadada seria direcionada a um fundo voltado à manutenção do chamado mobiliário urbano, categoria em que se encontram as bancas, os relógios e os pontos de ônibus da cidade.

Aumento nas vendas

O jornaleiro pode ser dispensado da taxa municipal ou pagar menos ao governo se oferecer e cuidar de facilidades como bicicletários, bancos de jardim, wi-fi e tomadas para recarregar smartphones. "A ideia é não só deixar a banca mais bonita, mas torná-la uma área de convivência agradável, para que as pessoas sintam vontade de frequentar", afirma José Antonio Mantovani da Silva, presidente do Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas de São Paulo (SindjorSP).

A adesão ao programa Banca SP é opcional e o sindicato prevê que 2 000 bancas devem participar, o que geraria ao município uma arrecadação de cerca de 8 milhões de reais. A estimativa é que cada banca receba aproximadamente 1 000 reais por mês, em média, por painel de publicidade.

O sindicato estima ainda que somente a reforma das bancas para receber os anúncios publicitários já aumente em 30% as vendas, na média. "Um ambiente mais bonito, moderno e bem iluminado consegue expor os produtos de forma muito mais harmônico", afirma Mantovani.

Foi o qeu aconteceu com a banca localizada em frente ao edifício Copan, na avenida Ipiranga, no centro da cidade. Seu proprietário, Adroaldo Carrilho, de 63 anos, jornaleiro há 24, investiu em um teto de aço inox, iluminação embutida e ventiladores. Em um mês, seu faturamento cresceu mais de 70%. "Tem morador do Copan que nunca havia entrado na minha banca. Mas na primeira semana após a reforma já veio comprar. O ambiente ficou agradável", afirma Carrilho.

Com o italiano Paolo Pellegrini não foi diferente. Uma de suas cinco bancas, localizada na Avenida Paulista, ao lado do Masp, ganhou há cinco meses, uma estrutura nova, revestida de vidros, o que gerou mais movimento e vendas. Agora, ele enxerga a possibilidade de ter outra fonte de venda, com a publicidade e a revitalização do entorno da banca. "Isso com certeza vai gerar retorno", diz Pellegrini.

Ambiente de convívio social

As mudanças promovidas para receber os anúncios e a possibilidade de uma venda extra com publicidade têm potencial para inserir as bancas na vida urbana de um modo mais harmônico. "Bancas de jornal e revista aproximam as pessoas", afirma Fernando Forte, sócio-fundador do escritório FGMF Arquitetos. Para Forte, se o projeto de lei for aprovado pela Câmara Municipal e os recursos utilizados no entorno das bancas, esses pontos se enquadrarão em uma tendência contemporânea de criação de novos ambientes culturais e de convívio social. "Os espaços públicos serão cada vez mais tomados pelas pessoas", afirma Forte. "E as bancas podem fazer parte desse movimento."




(texto publicado na revista Veja São Paulo de 27 de julho de 2016)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O gênio do Fusca - Álvaro Oppermann


O publicitário Bill Bernbach tinha pela frente um problema e tanto naquele ano de 1959. Sua agência acabara de ser contratada para fazer a propaganda do Fusca nos Estados Unidos. Os americanos não gostavam do carro, insensíveis ao seu arrojado design, criado pelo austríaco Ferdinand Porsche, inspirado numa  gota d'água, o achavam feio e pouco prático. Deram a ele o apelido pejorativo de beetle, besouro em inglês. Além disso, carregava a pecha de ser "o carro de Hitler", o veículo que o ditador nazista sonhara para o povo alemão. Lançado nos Estados Unidos em 1949, foi logo um fracasso. Em 1950, dos 6,6 milhões de veículos novos do país, apenas 330 eram da marca Volkswagen.

Bill Bernbach, um nova-iorquino nascido em 1911, resolveu mudar esse cenário e engatou uma nova marcha na história dos negócios do século 20. O anúncio que criou para o pequeno besouro alterou o curso do automóvel no país e, de quebra, mudou o jeito de se fazer propaganda no mundo. O seu título era "Think small" (pense pequeno). Seu humor provocativo ia contra o pensamento corrente nos EUA do "pense grande". Um fenômeno curioso se registrou: os consumidores chegavam às lojas de automóveis repetindo aos vendedores quase literalmente os textos de campanha publicitária que tinham ouvido.

Os anúncios de Bill tinham humor e falavam com o consumidor como se fosse um amigo próximo. Além disso, o publicitário colocou um ingrediente inédito nos anúncios americanos: a malandragem de quem nasceu no Bronx.

Para a então obscura locadora de automóveis Avis, que no ano de 1962 se encontrava bem distante da líder e rival Hertz, criou a campanha "Nós somos o número dois". Ser vice, argumentava Bernbach, era um estímulo para a Avis atender melhor o cliente e assim bater a líder. O que de fato aconteceu.

Por trás do malandro, porém, escondia-se um erudito que estudava literatura inglesa e filosofia. O passado imerso nos clássicos o ajudou. Vendo em retrospecto, os melhores anúncios de Bernbach se apoiavam num velho truque de retórica, cujo artifício consistia em, de início, concordar com a opinião contrária de uma platéia hostil, a fim de ganhar sua simpatia e confiança, para só então expor os argumentos que faziam o público mudar de opinião.

A erudição não era sua única marca distintiva. Organizado, nunca saía do escritório depois das 5 da tarde. De gosto apurado, estava sempre de paletó e gravata. Foi o primeiro a dar um lugar ao sol na publicidade a judeus, italianos e negros, antes rigorosamente excluídos da avenida Madison (rua das agências em Nova York).

Polêmicas também cercavam o nome de William Bernbach. Era considerado arrogante. "Sem arrogância não dá para fazer propaganda", afirmava categoricamente. Rendeu-lhe críticas também o fato de ser judeu e ter transformado o sinistro carro de Hitler no simpático Fusca (ou Beetle e Carocha, alguns dos nomes que recebeu mundo afora). Aos críticos, respondia: "Nada é mais danoso a um mau produto que a boa propaganda".

Bernbach morreu em 1982, de leucemia. Recentemente, foi eleito o maior publicitário da história. Criar um dos ícones do século 20 foi só uma de suas façanhas. Persuasão era a arte de Bill.


(texto publicado na revista Super Interessante edição 205 - outubro de 2004)






sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ayrton Senna: Uma grife de 20 milhões - Renan França



Duas décadas após a morte de Ayrton Senna, a marca do piloto bate recorde de faturamento - o desafio agora é tirar do papel uma estratégia para resistir aos próximos anos

Nos primeiros 25 dias de maio, a italiana Ducati esgotou as 161 motocicletas de uma série limitada, produzida com exclusividade para clientes brasileiros. Todos fecharam negócio sem dar uma volta ou mesmo conferir a máquina de perto. Aliás, elas nem sequer saíram da fábrica da companhia em Manaus. Mesmo assim, os clientes pagaram à vista por algo que só será entregue a partir de agosto. A única referência que tinham, além das especificações técnicas, era que se tratava de uma série especial para o aniversário de morte do piloto Ayrton Senna. A pequena quantidade de unidades disponíveis faz referência ao total de corridas que ele disputou na Fórmula 1. Com uma série tão restrita, o jeito foi agir com discrição. Sem fazer barulho, a empresa entrou em contato com clientes selecionados e ofereceu o modelo por 100 000 reais - o dobro do valor médio de venda da companhia. O saldo foi um faturamento de 16 milhões de reais, equivalente a quase metade das receitas no país em 2013. "Não esperávamos um sucesso tão grande", afirma Arthur Wong, diretor de marketing da Ducati no Brasil.

Além da Ducati, outras 91 companhias hoje têm a assinatura de Senna em mais de 700 itens - de motocicleta a canetas. Em 2013, os produtos licenciados com a marca do piloto renderam 21,2 milhões de reais em royalties, o triplo da arrecadação registrada há uma década. A projeção para este ano é de 30 milhões de reais, com novos contratos, como o da Ducati e o da marca italiana de canetas Montegrappa, que lançou em abril uma linha que leva a assinatura de Senna. Segundo um estudo recente da consultoria Boston Consulting Group (BCG) com 2 000 pessoas, o piloto lidera a lista de celebridades esportivas no Brasil, com preferência de 86% dos entrevistados. E é o único do ranking que já morreu. Os demais, pela ordem, são Pelé e o ex-jogador de basquete Michael Jordan. "É impressionante, se pensarmos que Senna morreu há 20 anos", diz Christian Orglmeister, sócio-diretor do BCG. "Não há nada parecido no Brasil."

Mesmo no mundo são raros os exemplos de personalidades cujo sucesso póstumo supera o que tinham em vida. Nos Estados Unidos, o primeiro e o segundo lugar da lista das celebridades mortas que mais faturam pertencem, pela ordem, aos cantores Michael Jackson e Elvis Presley, ambos vítimas de um inesperado ataque cardíaco. "A morte repentina ajuda a construir um mito em torno do ídolo", afirma Fred Lucio, professor de antropologia da ESPM, em São Paulo. Após a morte de Presley, em 1977, a ex-mulher do cantor, Priscilla, transformou a mansão do astro num ponto de visitação. Na época, a intenção era usar o dinheiro para pagar as dívidas do imóvel. Nos anos seguintes, o local virou ponto turístico - e até hoje atrai 500 000 visitantes por ano a Memphis, nos Estados Unidos. A marca, sob a responsabilidade da filha do cantor, Lisa Presley, arrecadou 55 milhões de dólares em 2013 - muito mais do que os 19 milhões de dólares, em valores corrigidos pela inflação, que ele faturava no ano em que morreu. Primeira da lista, a marca Michael Jackson arrecadou 1 bilhão de dólares nos primeiros 12 meses após a morte do cantor, em 2009 - quase dez vezes mais do que ele faturou em média nos últimos anos. Tudo isso com uma série de lançamentos, como o disco póstumo Michael, o jogo eletrônico The Experience e o filme This is It, sobre o espetáculo que ele não viveu para apresentar.

No caso de Senna, uma coincidência foi crucial para a perenidade da marca. Meses antes de seu acidente fatal na Itália, ele criou o Instituto Ayrton Senna, com a missão de melhorar a qualidade de escolas públicas em todo o país. Desde o início, em 1994, o comando da ONG ficou com sua irmã, Viviane Senna, atual diretora e presidente do conselho. A gestão da marca começou naquele momento, com a definição de que uma parcela dos investimentos viria de royalties de produtos que levassem o nome do piloto. O primeiro acordo foi assinado com uma fabricante de bicicleta. O personagem Senninha, voltado para o público infantil, entrou em cena logo depois e por muito tempo dominou boa parte dos contratos fechados pelo instituto, com itens como cadernos e calçados de empresas como Suzano e Grendene. "Percebemos que poderíamos investir mais em produtos com rentabilidade maior", afirma Viviane. A virada ganhou força em 2011, com a chegada de um time especializado no assunto. Pela primeira vez, foi contratado um diretor para cuidar da área de negócios. O escolhido foi Marco Crespo, ex-diretor da consultoria BCG. Quando ele chegou, apenas duas pessoas integravam a área. Hoje são 18 profissionais, todos vindos de grandes empresas. "Era preciso aumentar o número de parcerias, sobretudo com marcas estrangeiras", diz Crespo. A decisão foi reforçada quando uma pesquisa apontou que a aprovação do piloto era maior na classe A (faixa em que chega a 94%) do que na classe C (com 85%). Desde então, marcas de luxo, como as suíças Tag Heuer e Hublot, fecharam acordo com o instituto. O auge dessa estratégia deverá acontecer nos próximos anos com o lançamento de jatos, barcos e carros de luxo com o nome de Senna. Ao mesmo tempo, há o esforço de lançar acessórios para o público de até 25 anos, como camisetas e chaveiros. O primeiro site exclusivo para vender esses itens tem lançamento previsto para o início de junho, na Europa. No Brasil, deverá ser no mês seguinte.

Futuro da marca

À medida que avança nos produtos de luxo, o instituto prepara o caminho para manter a longevidade da marca nos próximos anos. Daqui para a frente começa seu teste mais duro: resistir entre os consumidores que nunca viram o piloto correr. Um sinal amarelo aparece em alguns nichos com a marca Senninha. Há uma década, produtos que estampam o personagem correspondiam a 20% das receitas da fabricante de chocolate Top Cau, por exemplo. Hoje, equivalem a apenas 2%. "Outros personagens ganharam espaço para esse público", diz Alais Fonseca, diretor de marketing da Top Cau. Para manter a imagem do piloto viva, um dos planos é lançar uma série infantil para a TV fechada, batizada de Zupt. Os episódios começarão a ser produzidos neste ano. Também em 2014 imagens reais de corridas foram acrescentadas a jogos eletrônicos, como o simulador de Fórmula 1 Gran Turismo 6, da Sony. A chave, nesse caso, é criar um elo emocional entre esse público e o piloto. "Só assim vamos garantir os próximos 20 anos", diz Viviane.




(texto publicado na revista Exame edição 1067 - ano 48 - nº 11 - 17 de junho de 2014)





sábado, 15 de novembro de 2014

Venda de todo o acervo da locadora Imagens & Letras - São Paulo-SP


A locadora Imagens & Letras está colocando à venda  todo o seu acervo. Ainda há muitos títulos em DVDs e Blue Ray que podem ser adquiridos até o dia 27 de novembro.

Endereço: Av. Dr. Cândido Motta Filho, 567 - loja 35
Fones para contato: 3766 6555 ou 3766 9820