Mostrando postagens com marcador etimologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador etimologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Por que respondemos "obrigado" com "de nada" ? - Bruna Estevanin


Para entender o porquê, é preciso explicar de onde vêm as expressões. A origem do agradecimento é obscura, mas houve um tempo em que, quando alguém recebia um favor ou um presente, era obrigatório retribuir. Assim surgiu o "obrigado" - e, mais tarde, sua variação no feminino. Ele vem do verbo em latim obligare, que significa "responsabilizar", "dever". Por isso, quando alguém nos agradece, é como se dissesse "fico devendo uma obrigação". Por educação, quem presta um favor responde "de nada", que significa "de modo nenhum" e vem do latim rem natam. Aqui no Brasil,  o regionalismo acabou dando origem a novas formas de dizer o mesmo, como "imagina", "não há de quê" e outras mais informais e recentes como "falou" e "valeu". Independentemente da versão escolhida, quando respondemos ao "obrigado" com expressões do gênero, estamos dizendo que "de modo nenhum você é meu devedor", "você não é obrigado a nada".

(texto publicado na revista Mundo Estranho edição 162)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mil novecentos e guaraná com rolha (Info Branding)



Pouca gente sabe, mas os refrigerantes, quase que no formato que conhecemos hoje, foram inventados por farmacêuticos e eram vendidos como produtos com propriedades medicinais!

Pois é, quem diria. Hoje martirizada por ter uma quantidade absurda de corantes, conservantes e açúcar, essa bebida começou quase como um suco, evoluiu para uma versão gaseificada e, após grande aceitação nos Estados Unidos, progrediu mais e mais. Ganhou componentes, cores, sabores, novas misturas e as receitas de sucesso passaram a ser guardadas como tesouros.

No Brasil, a novidade não foi aceita de primeira e alternativas tiveram que ser encontradas. Uma delas, o guaraná, pareceu ser boa escolha. Com apelo nacionalista, cor e sabor mais agradáveis ao gosto brasileiro, a bebida da fruta “matava dois coelhos em uma cajadada só”, seguindo a tendência mundial, tinha “propriedades medicinais” e altos índices de cafeína.

Uma das pioneiras no beneficiamento da bebida lançou sua versão com uma estratégia, digamos, interessante. A associação. Segundo alguns, o então Guaraná Champagne Antarctica, criado em 1921 pela Companhia Antarctica Paulista, recebeu esse nome por conta do leve amargor e da sua baixa adstringência. Outros defendem que as bolhas de gás carbônico e a coloração do produto é que contribuíram para essa escolha.

Outro ponto relevante é que as primeiras tampas-coroas metálicas, que selavam as garrafas, eram similares as de hoje em dia, só que em vez do plástico tinham um disco de cortiça (mesmo material das rolhas de champagne) para evitar o contato da bebida com o metal.

Qualquer semelhança é mera coincidência? Acredito que não. A companhia aproveitou esses “ingredientes” e abusou, chegando a deixar o produto sem identidade. As propagandas, o formato da garrafa, os elementos do rótulo, tudo fazia alusão aos champagnes da época, mais especificamente ao Mumm, um produto mais bem consolidado e com maior valor agregado.

A estratégia parecia boa, mas as vendas de refrigerantes, de qualquer sabor, ainda não eram um absurdo por esses lados, somente com o advento da tecnologia é que o povo brasileiro passou aceitar melhor o produto. Refrigeradores, latinhas e novos tipos de garrafa, facilitaram esse approach, e a essa altura a Coca-Cola, que vamos combinar, tinha muito mais poder financeiro e uma estratégia bem consolidada de mercado começou a nadar de braçada. Então qual foi à estratégia da Companhia Antarctica Paulista? Passou a utilizar em suas latinhas, elementos parecidos aos da latinha da Coca-Cola, cores e formas principalmente, e mais uma vez tínhamos um produto sem identidade.

A coisa evoluiu, e muito, com o produto refrigerante aceito, marcas começaram a surgir, o mercado se viu cheio de opções e algumas empresas passaram a se descolar, entre elas a Companhia Antarctica Paulista com o seu Guaraná Champagne Antarctica. O mercado tinha amadurecido e era preciso amadurecer, assim nova linguagem, novos elementos, novas cores passaram a ser adicionados à identidade do produto.

Nesse meio tempo, surgiu a Ambev (fruto da fusão entre a Companhia Antarctica Paulista e a Companhia Cervejaria Brahma) que se viu obrigada a fazer uma reforma no seu portfólio de marcas. A nova empresa tinha em suas mãos uma salada de produtos similares: Guaraná Brahma, Kas Guaraná, Guaraná Champagne Antarctica, Guará-Suco, Guaraná Baré, Guaraná Polar, entre outros. Descontinuou a maioria, restando somente o Guaraná Champagne Antarctica.

Tempos depois, trocou o nome do produto para Guaraná Antarctica, utilizar o termo champagne não fazia mais sentido, como dito, o rótulo tinha mudado, o formato da garrafa já não era parecido com uma garrafa de champagne e as propagandas não utilizavam mais esse gancho, enfim, um fechamento com chave de ouro para a família que, então, já contava com cores próprias, discurso amarrado e embalagens, teoricamente, bem resolvidas.

Hoje cheio de identidade, o Guaraná Antarctica, do Brasil, é vendido em diversos países (Argentina, China, Estados Unidos, Japão e Portugal são alguns exemplos) e está entre uma das marcas de refrigerantes mais vendidas no mundo. Uma evolução tão perceptível que contribuiu para o surgimento da expressão “Mil novecentos e guaraná com rolha”, uma alusão a coisas velhas/antigas e tempos passados.

sábado, 16 de julho de 2016

Por que chamam de "pelada" uma partida de futebol amador? - Ludmila Amaral

ou '
Não tem nada a ver com mulheres sem roupa! O termo vem de "péla", como eram chamadas as bolas de couro ou de borracha. A palavra tem origem em pilella, diminutivo de pila, que, no latim, significa bola ou novelo de lã. "Pode ter havido uma contaminação com "pêlo", já que as primeiras bolas de couro ainda tinham muitos deles", afirma o etimologista Deonísio da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Ao contrário do futebol profissional, a pelada quase não tem regras: uma bola e um mínimo de dois participantes bastam para começar um jogo. O campo pode ser uma praça, um trecho de praia, um terreno baldio ou uma rua de pouco movimento.

Geralmente não há goleiros e as balizas são feitas com qualquer objeto que estiver à mão, como pedaços de pau ou camisas enroladas. A divisão dos times segue critérios como "com-camisa versus sem-camisa" ou "casados contra solteiros". Sem um tempo determinado de duração - a não ser quando se combina um número limite de gols - a bola pode rolar até o escurecer. Juiz, então, nem pensar! Só costumam proibir tocar a bola com a mão e derrubar o adversário.


(texto publicado na revista Super Interessante edição 180 - setembro de 2002)

sábado, 4 de junho de 2016

Torre de Babel


Países não se entendem na hora de mexer com o português

Era pra gente começar 2008 escrevendo diferente. Arquitetada pela CPLP (Comissão de Países de Língua Portuguesa), a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa previa, entre outras alterações, o fim do trema e de alguns acentos e a incorporação das letras k, y e w ao alfabeto oficial.Mas as mudanças - criadas para padronizar o idioma e facilitar a comunicação entre os oitos países que o adotam - correm o risco de não vingar. De novo. A história registra que nunca houve consenso quando uma reforma foi proposta. "Desta vez, é Portugal quem resiste a abandonar as consoantes mudas [como as de 'contacto' e 'direcção'], diz o gramático Evanildo Bechara, presidente da Academia Brasileira de Letras.

Até o século 16 sequer existia um padrão na língua portuguesa. Cada escritor grafava as palavras da forma que lhe convinha. "É a fase fonética, em que se escrevia de acordo com o som. Uma mesma palavra era encontrada de modos diferentes: cinco e cinquo, algem e alguém, muyto e muito", exemplifica a professora Nelly Carvalho, linguista da Universidade Federal de Pernambuco. Do século 16 ao 20, influenciados pelo renascentismo e desejosos do status de "língua de cultura", intelectuais lusitanos abusavam das clássicas consoantes duplas e do y (pharmacia, collega, lyrio), herdado do latim.

Aquela do português

Desde o século 20, vive-se o período simplificado. Conheça as outras fases históricas da nossa língua

Período fonético

Até o Renascimento (metade do século 16) a escrita era pautada pelos sons das palavras. Não havia padrão, embora fosse comum que a duplicação das vogais indicasse sílaba tônica, como em ceeo (céu), consoantes aparecessem juntas (fficar), e o h indicasse hiatos (cahir).

Período pseudo-etimológico

Do século 16 até os primeiros anos do século 20, predomina a influência do latim e da cultura grega. A grafia respeitava, na medida do possível, sua origem etimológica. É o auge dos grafemas ph, th, ch, rh e y (philosophia, theatro, sepulchro, cysne).

O vira-não-vira

Reformas ortográficas são marcadas por reviravoltas

1904

O filólogo Gonçalves Viana propõe a simplificação para valorizar aspectos da fala e se distanciar do latim. A novidade é oficializada em 1911, em Portugal. Em 1915, o Brasil se ajusta aos padrões.

1919

Por influência do acadêmico Osório Duque Estrada, autor da letra do hino nacional, o Brasil cancela as mudanças. Voltamos a usar "ph" e "ch".

1931

Volta a simplificação com o primeiro acordo ortográfico entre Brasil e Portugal, iniciativa da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.

1934

Getúlio Vargas anula o acordo de 1931. O Brasil volta com todas as consoantes duplas. Por pressão dos professores, a imposição tem fim quatro anos depois.

1943

Lisboa realiza a convenção ortográfica com a intenção de unificar o idioma. Mas só o Brasil faz mudanças como, por exemplo, o "s" em "casa", antes com "z".

1945

Nova convenção luso-brasileira. Dessa vez é o Brasil quem não aceita as consoantes mudas ("óptimo" e "direcção") e o fim do trema. Só Portugal faz as mudanças.

1971

Na era Médici, caem alguns acentos circunflexos diferenciais (almôço, enderêço) e graves (sòmente, últimamente), além de tremas em palavras como saüdade e vaïdade.

1986

O encontro dos países de língua portuguesa, no Rio, é o embrião das mudanças pleiteadas até hoje. Mas Portugal só aceita abrir mão das consoantes mudas a partir de 2017.

2007

Decide-se pressionar os outros países a realizar em 2008 o acordo ortográfico, já assinado pelo Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.


(texto publicado na revista Aventuras na História edição 54 - janeiro de 2008)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Como nasce uma língua? - Gilberto G. Pereira


Em primeiro lugar, é preciso compreender o que é um idioma. "É o conjunto organizado de signos linguísticos, com características fonéticas e vocabulares próprias. Além disso, ele deve ter um número razoável de falantes que o utilizem em textos de larga circulação. Do contrário, é só um dialeto", explica Jarbas Vargas Nascimento, professor de latim da PUC de São Paulo. Geralmente, uma nova língua nasce de outra já existente, num processo que pode durar séculos. O português e o francês, por exemplo, surgiram do latim. Mas também é possível que não haja uma só raiz. É o caso das chamadas línguas germânicas, como o alemão e o dinamarquês. "Elas podem ter se originado de forma independente, pois essas tribos nem sequer se conheciam", afirma Goez Kaufmann, especialista em dialetologia e professor convidado da Universidade de São Paulo.

"No caso das línguas neolatinas sabe-se que todas têm uma origem comum porque na época do Império Romano todos falavam o latim vulgar e quase ninguém estudava normas gramaticais", diz José Rodrigues Seabra, professor de língua e literatura latina da USP. Com o fim do domínio dos césares, os vários povos passaram a falar dialetos diferentes, que se transformaram em idiomas próprios.

Hoje o inglês é dominante, mas os especialistas acham difícil ocorrer um processo semelhante de fragmentação porque não só o idioma é bem estruturado como milhões de pessoas conhecem as regras gramaticais. "Ainda assim, o inglês falado na Índia é cada vez mais diferente do usado em outras partes do mundo e pode ser que no futuro ele seja considerado outra língua", diz Kaufmann.

Chinês

Origem: Pré-história, a partir de dialetos como o cantonês, o de Xangai e o de Pequim.

Curiosidade: Só em 1949, com o governo comunista, surgiu uma língua oficial, derivada da fala de Pequim. A escrita, ideográfica (refere-se a significados e não a fonemas), unificou culturalmente o país.

Grego

Origem: Nasceu de vários dialetos da península Balcânica no século 8 a.C.

Curiosidade: Foi a primeira língua internacional e com ele nasceram a filosofia e a cultura do Ocidente. Outros idiomas o utilizam em nomes científicos e em palavras como "fósforo" e "estética".

Japonês

Origem: Por volta do século 3, ao leste e ao sul do arquipélago japonês.

Curiosidade: Tem 3 sistemas de escrita: o hiragana, o katakana e o kanji (os ideogramas chineses). Por isso, um japonês que não fala uma palavra em chinês pode ler muita coisa nesta língua.

Árabe

Origem: Península Arábica, primeiros registros datam do século 5.

Curiosidade: Desenvolveu um alfabeto próprio, que depois foi adotado pelo persa (Irã) e o pashtu (Afeganistão). A língua responsável pelo desenvolvimento da civilização islâmica é falada em 22 países.

Latim

Origem: Por volta do século 7 a.C. na região do Lácio, onde Roma foi fundada

Curiosidade: Expandiu-se junto com o Império Romano e acabou dando origem a cerca de 10 línguas. Ainda hoje é o idioma oficial do Vaticano. Palavras latinas estão em todas as línguas modernas.


(texto publicado na revista Super Interessante edição 221 - 16 de dezembro de 2005)

domingo, 15 de maio de 2016

De onde vêm os termos "fulano", "beltrano" e "sicrano"? - Bruno Lazaretti


Cada um tem uma origem diferente! "Fulano" vem do árabe fulân, que significa "tal". Com o domínio árabe sobre a península ibérica durante a Idade Média, a língua influenciou os vocabulários espanhol e português. Por volta do século 13, os espanhóis usavam "fulano" como pronome: fulana casa (tal casa), fulano sujeito (tal sujeito). No português, "fulano" virou substantivo e até derivou para a forma "fuão" em Portugal. "Beltrano" vem do nome próprio Beltrão, ou Beltrand, de origem francesa, que se popularizou graças às novelas de cavalaria da era medieval. O nome acabou levando a terminação "ano" influenciada pelo "fulano", que a essa época já estava na boca do povo. A origem de "sicrano" é mais difícil de precisar. O termo surgiu quando fulano e beltrano já estavam consolidados na língua portuguesa. Há três hipóteses para a origem: "sicra" pode tanto se tratar de um derivado da palavra securu, do latim, do desfiguramento de um nome próprio ou ainda de uma mistura de zutano e citano - equivalentes a "fulano" e "beltrano" em espanhol.


(texto publicado na revista Mundo Estranho edição 107 - janeiro de 2011)


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Por que se diz "xará" para quem tem o mesmo nome? - Rodrigo Cavalcante


Se, pela pronúncia, você está desconfiado de que a palavra surgiu de alguma expressão indígena, acertou. "Ela tem origem na palavra sa rara, um derivado de se rera, 'aquele que tem meu nome', em tupi", diz o etimologista Cláudio Moreno, colunista da revista MUNDO ESTRANHO. O escritor gaúcho Deonísio da Silva, autor do livro Aa Vida Íntima das Palavras, lembra que, no sul do país, usa-se também a palavra tocaio com o mesmo significado. "Vem do espanhol tocayo que, por sua vez, tem origem na frase ritual latina que a noiva dizia ao noivo no Direito romano, quando a comitiva nupcial vinha buscá-la em casa: "Ubi 'tu Caius', ibi ego Caia (onde fores chamado Caio, ali eu serei Caia)". Por transmitir a ideia de que a noiva, ao se casar, passa a ter o mesmo nome do noivo, a palavra passou a ser usada como sinônimo de xará.


(texto publicado na revista Super Interessante edição 186 - março de 2003)


sábado, 12 de setembro de 2015

Etimologia: Êxito - Sérgio Rodrigues, escritor e jornalista


Sinônimo de triunfo, ele pode ser menos auspicioso do que parece. Às vezes é o fim

Êxito, todos sabem, é sinônimo de sucesso, triunfo. Não foi sempre assim. É ilustrativo - não só da vivacidade mutante das palavras, mas também do quanto há de relativo nos sucessos e fracasso - pensar que o seu sentido hoje dominante nasceu como forma reduzida de "bom êxito". A princípio êxito queria dizer apenas resultado, consequência, termo, sem qualificação. Designava o lugar ou estado a que se chegou ao fim de determinado processo. O êxito podia - e ainda pode, pois não se trata de modo nenhum de uma acepção arcaica - ser bom ou mau, péssimo ou excelente, dependendo da situação.

A própria palavra sucesso, que de início designava apenas um fato, uma ocorrência, passou por processo semelhante. Que está longe de ser incomum. A qualidade está aí parra provar. Em sua primeira acepção o termo é neutro, mas diz-se informalmente, o tempo todo, que algo é "de qualidade" - e ninguém tem a menor dúvida sobre o caráter elogioso da expressão.

No latim exitus o sentido original é ainda mais estrito. A palavra significa saída ou ação de sair. A medicina antiga usava o termo preferencialmente para funções fisiológicas, para tratar das "fluxões que fazem êxito para fora do corpo por alguma parte dele", nas palavras do Vocabulário Português e Latino, dicionário do início do século 18.

No próprio latim, o sentido de êxito se ampliou para abarcar as acepções de resultado, consequência, conclusão, termo, fim e - mais distante ainda do êxito como normalmente o concebemos - morte. Curiosamente, cabe ao inglês, no qual exitus foi dar em exit, que se manteve colado à matriz latina com o sentido de saída, nos traz de volta um pouco do espírito original do vocábulo. Artigos e livros especializados têm traduzido literalmente a expressão médica lethal exit, eufemismo para morte, como "èxito letal".




(texto publicado na Revista da Semana edição 93 - ano 3 - nº 24 - 25 de junho de 2009)

Etimologia: Maomé - Sérgio Rodrigues, escritor e jornalista


Por que o fundador do islamismo é chamado também de Mahomet, Muhammad, Mahoma...

Como o nome do profeta é escrito no alfabeto árabe, sua grafia no Ocidente será sempre fruto de uma transposição

O reconhecimento, pelo Vaticano, de que a população muçulmana ultrapassou numericamente a católica fez a imprensa ocidental se voltar ao mesmo tempo para Meca, capital espiritual da religião fundada pelo profeta Maomé. Na hora de escrever o nome do pai do islamismo é que começou o descompasso: Maomé virou Muhammad em inglês, Mahomet em francês, Mahoma em espanhol e assim por diante. Como explicar isso?

Numa palavra: transcrição. Em muitas palavras: a técnica de transportar para uma língua, com base na fala, algo expresso em outra, quando esta adota um sistema de escrita diferente. Como o nome original de Maomé é escrito no alfabeto árabe, sua grafia no Ocidente será sempre uma transposição. Esta pode ser feita letra por letra (transliteração) ou com base nos sons. Neste caso, depende das características do idioma que importa o  termo, pois é ao perfil sonoro do vocábulo original que se busca ser fiel. Mesmo que a grafia sugira abismos, a pronúncia de Maomé é semelhante à do francês Mahomet e mesmo à do inglês Muhammad - que, só para complicar, segue o método da transliteração.

Qualquer ideia de fidelidade à forma "original" é, portanto, ingênua. Durante anos a Folha de S. Paulo só chamou Maomé de Muhammad. Sob o apego a uma transliteração ortodoxa escondia-se um equívoco: segundo o manual de redação, Muhammad seria a única forma correta, pois "o nome Maomé é considerado ofensivo pelos seguidores do islamismo, por significar o que não é filho de Deus". Falso. Em março de 2006 o jornal reconheceu o erro e abriu mão do Muhammad que chegava à redação nos despachos das agências internacionais de notícias - em inglês, naturally. Tomou seu lugar a forma consagrada em português, essa língua orgulhosa, filha legítima do latim, que não precisa dever nada a ninguém.




(texto publicado na Revista da Semana edição 31 - ano 2 - nº 13 - 7 de abril de 2008)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Qual a origem dos sobrenomes?


Os sobrenomes surgiram para diferenciar nomes repetidos - fato comum desde as mais primitivas culturas. Os primeiros de que se tem notícia são os patronímicos, nomes que fazem referência ao pai: Simão filho de Jonas. Como esse método era limitado, os sobrenomes passaram a identificar também o local de nascimento: Héron de Alexandria. Os sobrenomes tornaram-se hereditários à medida que a posse da terra era transmitida de geração em geração. O costume se ampliou com a inclusão de características físicas e geográficas ou nomes de profissões. Da Rocha significa que o patriarca dessa família provavelmente vivia numa região rochosa. Da Silveira vem do latim silvester, da floresta, que também originou o popular Silva. O registro sistemático dos nomes de família começou no século XVI, por decreto da Igreja Católica, no concílio de Trento (1563).




(texto publicado na revista Super Interessante nº 7 - ano 3 - julho de 1989)


domingo, 23 de agosto de 2015

Etimologia: Amazônia - Sérgio Rodrigues


A etimologia é uma selva, mas o mito grego das amazonas é de longe o preferido dos estudiosos

É possível que as ferozes guerreiras que o espanhol Orellana enfrentou em 1542 às margens do grande rio fosse na verdade mancebos cabeludos, mas já não importa. O nome pegou

Assim como o estado da federação, a floresta que alguns gringos gostariam de internacionalizar deve seu nome ao rio. Tudo começou com um potamônimo, palavrão que quer dizer "nome de rio". Coube ao explorador espanhol Francisco de Orellana, o primeiro a descer o Amazonas de ponta a ponta, rebatizar em 1542 aquele marzão doce - a princípio chamado pelos colonizadores justamente de rio Santa Maria de la Mar Dulce  - de rio (das) Amazonas, após enfrentar uma tribo de ferozes guerreiras armadas de arco e flecha.

A preposição foi tragada pelo tempo, e as certezas também. Seriam tapuias? Segundo uma tese, as "guerreiras" de Orellana eram na verdade mancebos cabeludos. De uma forma ou de outra, a maioria dos estudiosos é firme ao sustentar que o mito grego das amazonas está por trás de tudo, tratando como mera curiosidade a tese alternativa de que a palavra teria vindo de amassunu, termo indígena para "águas ruidosas" (e não "águias", erro reproduzido em muitos sites brasileiros).

Como a etimologia é um campo de batalha em que pululam versões, a palavra amazona também carrega um quiproquó de origem. O vocábulo foi provavelmente importado do iraniano ha-mazan ("guerreiras"), mas, adotado no grego, ganhou o apoio da chamada etimologia popular, aquela que parte de uma ideia falsa ou de uma aproximação sonora para alterar o curso de uma palavra: amazona foi interpretada como a + mazos, isto é, "sem seios". Espalhou-se então a crença de que tais guerreiras se mutilavam para mais bem manejar o arco. Em todas as representações artísticas da Antiguidade, porém, as amazonas aparecem, digamos, inteiraças. Fica faltando explicar o porquê de Amazônia, mas isso é o mais simples. Basta aplicar às amazonas o sufixo latino indicativo de lugar que é usado em Itália, Lusitânia, Brasília etc.




(texto publicado na Revista da Semana edição 39 - ano 2 - nº 21 - 2 de junho de 2008)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Por que "pepino" e "abacaxi" são gírias para "problema"? - Felipe B. Cruz (P&R)


Porque abacaxi é difícil de descascar e pepino é difícil de digerir. Hoje em dia, esses problemas são facilmente contornáveis, mas antigamente os dois vegetais eram famosos por essas características. De acordo com Celso Ferrarezi Junior, pós-doutor em semântica e professor da Unifal (MG), falar essas palavras para se referir a "problema" é usar metáforas, ou seja, comparações que fazemos por analogia. "Uma analogia se dá pelo cruzamento de elementos em campos culturais diferentes. "Problema" é uma palavra genérica. Então procuramos exemplos para ilustrá-la. Quando você diz que tem um abacaxi ou um pepino, é possível dar uma dimensão específica à questão", explica o especialista. Só que toda analogia está ligada a um contexto histórico - que, no caso de pepino e abacaxi, já está ultrapassado. Por isso, cada geração cria suas próprias metáforas. Um exemplo atual para "problema"? "O forninho caiu."




(texto publicado na revista Mundo Estranho edição 166 - maio de 2015)

domingo, 25 de janeiro de 2015

Camarotização: por que o brasileiro gosta tanto de segregar o espaço? (El País)


Para especialista, o acesso das camadas mais populares ao que antes era exclusivo da elite fez com que o racismo e discriminação "saíssem do armário"

Camarotização. A gourmetização do espaço. A palavra ganhou força na última semana depois de aparecer no tema da redação do vestibular da USP, o mais concorrido do país, mas já faz tempo que o camarote faz sucesso ao prometer fazer do cidadão um ser diferenciado - para usar uma palavra cara ao público adepto.

Dos comícios políticos à farra do Carnaval, quem está no camarote não quer ser qualquer um. Em Salvador, no maior carnaval do mundo, participa quem paga - e caro - para ter direito a uma camiseta estampada com diversos logos dos patrocinadores. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, para ter acesso aos espaços exclusivos no Carnaval é preciso desembolsar até mais de 1.000 reais. A promessa é viver a festa rodeado de celebridades rodeadas de jornalistas. Os famosos mais trendy, porém, ficam em um cercadinho ao qual quase ninguém tem acesso. É a camarotização do camarote.

O Carnaval foi um start, mas não está sozinho no movimento de camarotização do país. Um dos lugares que lideram o ranking dos mais camarotizados do Brasil também está na Bahia: Trancoso. Há 20 anos era uma praia de pescadores, semi deserta, só alcançada por aventureiros (inclusive os endinheirados tradicionais) e hippies. Agora, nas palavras da jornalista e consultora de moda Gloria Kalil, no Réveillon, virou uma espécie de "Cannes tropical".

"Daqui a pouco, os moradores e antigos frequentadores só vão poder entrar no pedaço se estiverem com um vestido de marca, uma maquiagem de palco e um crachá que os autoriza a circular como no melhor estilo Festival de Cannes em dia de premiação final", disse Kalil, em sua coluna.

A camarotização, neste caso na política - com seus cercadinhos em cerimônias oficiais e comemorações -, também horroriza Andrea Matarazzo (PSDB), vereador que carrega o sobrenome de uma família da alta sociedade paulistana. "Getúlio Vargas fazia sucesso porque andava no meio do povo", conta ele. "O Lula, idem", diz. "E eu adoraria ser o Lula".

Acesso e renda

Mas, afinal, de festas a eventos públicos, por que o Brasil gosta tanto de segregar o espaço? Para Rosana Pinheiro-Machado, antropóloga e professora da Universidade de Oxford, a aversão à mistura é o resultado de anos de desigualdade social no país. "O que está por trás [da camarotização] é o desejo de distinção em uma sociedade colonizada como a nossa e marcada por uma grande estratificação social", diz.

"O Brasil sempre foi avesso e segregado. Apesar de ter a ideologia da mistura, na verdade sempre foi o pior dos apartheids", diz a antropóloga brasileira. Para ela, o acesso das camadas mais pobres da população ao que antes era exclusivo dos mais ricos potencializou a camarotização. "No Brasil pós-Lula, as pessoas das camadas mais populares estão acessando o que antes era exclusivo aos brancos de elite", conta. "Isso faz com que o racismo e a discriminação saiam do armário." Por outro lado, "é também um fenômeno de todas as classes. O cara mais rico de uma comunidade quer camarote também. Afinal, o modelo hegemônico de distinção é pervasivo, se espalha."

É nos aeroportos que esse desconforto com o acesso fica explícito,diz Pinheiro-Machado. Antes, andava de avião quem tinha muito dinheiro. Com a ascensão da classe média, os aeroportos estão mais cheios, e os mais ricos tiveram que se misturar aos mais pobres. As companhias aéreas logo correram para tentar reverter isso: "As companhias aéreas brasileiras, que nos últimos anos só tinham a classe econômica, agora voltam a ter assentos 'diferenciados', mais caros e com mais espaço", diz a professora. "O conforto, na verdade, é apenas uma desculpa para agradar o passageiro rico que não quer ter o desprazer de se sentar ao lado de sua empregada doméstica", explica. "É uma forma sutil de segregação."

A fuga dessa segregação no avião se reflete em um dado econômico do país: o Brasil está em segundo no ranking das maiores frotas de jatinhos e helicópteros particulares do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Para usar um termo popular nos camarotes - se é que podemos usar as palavras popular e camarote na mesma frase -, o que "agrega valor", além de camarotizar, é exibir o ato, com ou sem pau de selfie. Cesar Giobbi, colunista social há décadas, culpa as redes sociais pelo exibicionismo adotado pela elite. "A indiscrição surgiu com a comunicação exacerbada", diz.

Para Giobbi, a camarotização é o primeiro indício de que o lugar está decadente. Primeiro, um lugar como Trancoso se populariza, então é preciso camarotizá-lo para não perder o elã diferenciador, mas aí ele já perdeu a graça para a primeira elite que o frequentava como exclusivo.

"Quando chega nesse auge, em que o absurdo passa a ser incorporado, o lugar perde a graça", diz. ""Sapato de salto Louboutin no Quadrado não precisa. Tudo tem lugar e hora", conta. Em tempo: "Quadrado" é o apelido usado pelos habitués de Trancoso, os de antes da camarotização, porque o local foi habitado inicialmente em torno de um gramado quadrado.

Mas se há um movimento que camarotiza os lugares, também há o contrário a ele: a pipocação. No Carnaval, quando você está fora do cordão ou do camarote, você está 'na pipoca'.

E no embate camarotização x pipocação, às vezes os da pipoca parecem se divertir mais. Na corrida de São Silvestre, que ocorre há mais de três décadas no último dia do ano em São Paulo, pode-se pagar pela inscrição - 135 reais - ou correr na pipoca. Os pró-segregação reclamam da "bagunça" e dizem: "paguei 135 reais e é essa zona", irritados. Enquanto isso, a maioria - inscrita ou não - se diverte. Fantasiados, eles vão ao longo do trajeto de 15 quilômetros desfrutando da sensação de correr na Avenida Paulista - e não é fugindo da polícia em alguma manifestação - e de se sentir parte da cidade.





















quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Palavra "aperreado" tem origem na colonização espanhola e nos ataques aos nativos utilizando cães- Samantha Kelly (Portal do Dog)


Como uma boa nordestina, já escutei muitas vezes e declarei outras tantas estar aperreada ou com aperreio, com o intuito de expressar um sentimento de impaciência, agonia, ansiedade ou para referir a uma situação difícil.

Apesar de seu significado atual, a palavra na verdade tem origem na colonização espanhola da América do Sul em um contexto perverso, reflexo cru e real das barbaridades que os nativos sofreram e que nós, atualmente, aprendendo uma versão romantizada da história, não temos acesso.

Aperreado tem origem na palavra perro, que em espanhol significa cachorro. Aperreamiento (aperreamento em português), então, significaria literalmente ser alvo do ataque de cães. O surgimento da palavra veio da prática odiosa de atiçar cães ferozes contra os nativos, com o intuito de assustá-los ou, mais especificamente, para serem devorados vivos.

Acredita-se que os primeiros cães que chegaram da Europa vieram com Cristóvão Colombo, em sua segunda viagem, no ano de 1493. Localmente, a região já contava com os cães das mais variadas cores e tamanhos, e um em particular que de tão manso,ganhou o apelido de "cão mudo". Eram conhecidos na língua náuatle (também conhecida como asteca) pelos nomes de techichi ou itzcuintli, e já haviam sido domesticados pelos índios para serem companhia das crianças. Apesar de serem encontrados em abundância, o fato de sua carne ser consumida causou sua eventual extinção.

Cães espanhóis que entraram para a história como heróis, sendo até mesmo foco central de lendas, como Becerrillo, Leoncillo, Amadis e Bruto, fizeram parte dessa matança, que foi acentuada na Venezuela, Peru e Colômbia.

É possível nos transportarmos para o que de fato pode ter sido o massacre com os relatos de Bartolomeu de las Casas (1474-1566), um frei dominicano espanhol famoso por denunciar as brutalidades cometidas por seus compatriotas. Dentre os mais chocantes relatos, o frei afirma que os espanhóis mantinham uma espécie de açougue, no qual penduravam pedaços de índios para oferecer aos cães como alimento.

Evidenciando a importância dos cães nessa jornada sangrenta, os trabalhos visuais de Theodor de Bry mostram em diversos episódios, claramente, os ataques caninos. De Bry nunca visitou a América do Sul e suas obras eram baseadas nos relatos dos exploradores.

Uma vez que o processo de colonização já estava mais estabelecido, os cães começaram a perder o protagonismo que adquiriram no começo do século, com alguns sendo oferecidos à população. Por não saber o que fazer com os cães, muitos foram soltos e se tornaram selvagens. A partir de então, por muito tempo, travou-se uma guerra contra os animais, que atacavam aldeias e comiam o gado.

A mudança veio para alguns cães, que foram reabilitados e reintroduzidos na sociedade, agora usados para a proteção, como na cidade de Lima, e para o auxílio na caça.








sábado, 13 de dezembro de 2014

Perché i termini "feria" e "feriale" hanno significati opposti


La confusione tra queste due parole deriva da una contraddizione di significato insita in entrambe. Infatti, "feria" indica sia un giorno di vacanza che un qualsiasi giorno della settimana. "Feriale" è sinonimo di giorno o periodo non festivo, lavorativo e quindi usuale, ma anche di periodo festivo, di vacanza.

Tale contrasto dipende dall'avvento del cristianesimo e dall'influenza che ha esercitato sulla lingua latina. Feriae (che ha la stessa radice di festus, festivo) erano in origine i giorni dell'anno in cui si sospendevano le attività pubbliche e le occupazioni private per celebrare i culti in onore delle diverse divinità. Col cristianesimo il giorno festivo divenne la domenica, il dies domini, mentre dies feriales furono detti gli altri giorni della settimana nei quali si celebravano le feste dei santi il cui culto non esentava dal lavoro. Da qui il termine feriae venne a indicare i giorni lavorativi, ma anche quei giorni in cui grandi mercati e fiere venivano organizzati per onorare i più importanti uomini di chiesa.


Ecco perché si dice "prezzi salati"


Salisburgo, come è noto, è la città di Mozart. Ma avete mai pensato al significato del nome Salisburgo? Burgo deriva dal tedesco Burg, cioè fortezza, città, e "salis" dal termine latino che indica il sale. Vale a dire: la città del sale. E infatti tutta la regione di Salisburgo è ricchissima di sale. L'Austria, uno dei pochi Paesi non bagnato dal mare, paradossalmente possedeva in passato alcuni tra i più ricchi (e redditizi) depositi di sale marino. Ancora oggi, del resto, le sue miniere sono attive, e anche visitabili. Ma come mai c'era tanto sale in questa regione? La storia della Terra, si sa, è stata una storia di continue trasformazioni della crosta superficiale; nel corso di centinaia di milioni di anni i movimenti dei continenti hanno continuamente modificato la geografia, facendo sì che certe porzioni di mare finissero per trovarsi racchiuse in una pozza, senza più comunicazioni con le altre acque. La lenta evaporazione fece depositare sul fondo il sale marino: scomparsa del tutto l'acqua rimase questo deposito, successivamente ricoperto da altri terreni e sedimenti. È quello che è accaduto nella regione di Salisburgo. Possedere il sale, in passato, voleva dire possedere una ricchezza. Era considerato l'oro bianco. Non esistevano ovviamente i frigoriferi e la conservazione degli alimenti, in particolare delle carni, era affidata al sale (basta pensare al ruolo che ha ancora oggi nei "salumi"). Il sale inoltre era un elemento essenziale nella dieta e per dare gusto ai cibi. Chi possedeva una miniera di sale, e chi commerciava il sale, diventava ricco. Il sale oggi lo si produce industrialmente, ma del suo grande pregio del passato sono rimasti alcuni significativi vocaboli nel nostro dizionario: come "salario", "prezzi salati" o... Salisburgo.



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Origem e significados de expressões e termos populares que envolvem cachorros - Samantha Kelly (Portal do Dog)


Cão-demônio

A figura do demônio já foi representada por diversos animais ao longo da história e nas mais diferentes civilizações. O cachorro foi vítima dessa "demonização", geralmente uma maneira da Igreja Católica de transformar crenças de outras religiões em negativas.

Acredita-se que o cachorro sendo referência ao demônio venha do Cérbero. Com origem na mitologia grega, o Cérbero seria um cachorro com múltiplas cabeças que guardava a entrada do inferno.

Mato sem cachorro

Na época das caçadas, o caçador que entrava no mato sem a ajuda de seu cachorro estava no mínimo em apuros. E foi dessa dificuldade que a expressão surgiu, geralmente indicando que determinada situação é um desperdício.

Ele é um cachorro/Ela é uma cadela (pejorativo)

O estado que muitos cães machos ficam quando uma cadela etá no cio, desesperados por uma chance de estenderem sua linhagem, é a mais provável origem para a expressão. No caso, o homem cachorro seria aquele que não pode ver uma mulher que age quase de maneira irracional.

Quando se refere à mulher como uma cadela, quer dizer que ela agiria igual a uma cadela no cio, que procura um cachorro para acasalar.

Cão que late não morde

A expressão é usada para aqueles que falam muito, mas na hora de agir, nada fazem. Essa seria um cão que estaria tão preocupado em latir que ao chegar o momento de agir, não morde.

Claro que na prática e no mundo canino, essa expressão não tem sentido. Cachorros que latem também mordem. A indicação para uma possível mordida não está só no tipo de latido, mas principalmente na comunicação corporal do animal.

Quem não tem cão caça com gato

A expressão com o tempo sofreu uma alteração. Na verdade, o certo seria "Quem não tem cão caça como gato", ou seja, quem não caça com cão, caça sozinho, como um gato.

Cão chupando manga

Na expressão "cão chupando manga", o cão é uma representação do demônio chupando manga, ou seja, fazendo careta. O termo significa alguém mais  feio que o demônio fazendo careta. Muito comum de ser usada no nordeste brasileiro.

Os cães ladram e a caravana passa

O significado da expressão "Os cães ladram e a caravana passa" é que se deve continuar, independentemente do quanto os invejosos e pessoas negativas falem.

Matando cachorro a grito

A expressão é designada para os que estão desesperados, passando por um momento de grande dificuldade. O cão, com audição aguçada, chegaria à óbito ou fugiria com os gritos altíssimos de alguém desesperado, que não teria nenhuma arma para lutar, a não ser sua voz.

Teria origem em uma anedota do século XVI, quando um homem, ao entrar em uma cidade nova, foi atacado por cães ferozes, e ao tentar arrancar uma pedra do chão para se defender, exclamou: "Maldita cidade esta, em que os cães estão soltos e as pedras estão presas!"

Brigar como cão e gato

A suposta briga entre cães e gatos, eternizada pela cultura popular através de filmes e programas de televisão, virou até expressão popular para designar duas pessoas que não param de brigar, porém, na prática, ela não passa de um mito.

A origem provável diz respeito ao instinto de caça dos cães que, antes de terem sido domesticados, necessitavam caçar para sobreviver. Os gatos, ao encontrarem cães, que não faziam parte de seu território natural, se sentiam ameaçados e se arrepiavam, entrando rapidamente em modo de defesa, saindo correndo para longe. Essa reação dos felinos estimularia o comportamento dos cães de caçadores e uma perseguição seria o próximo passo mais lógico.

Vida de cão

Quem leva uma vida de cão, levaria uma vida cheia de dificuldades. Essa expressão parece ter uma ligação com a vida cheia de trabalho que os cães levavam, sempre servindo ao seu dono.

Bom pra cachorro

Bom para cachorro (também poderia ser "bom para burro") significa algo extremamente bom. Segundo um texto de Sérgio Rodrigues, a origem estaria na cultura rural brasileira nos momentos de fartura de comida, com a expressão se desdobrando para "comida que sobrou para cachorro comer" ou "comida que sobrou para burro comer".

Não se ensina um truque novo a cachorro velho

A origem do ditado estaria em um tratado sobre criação de animais domésticos, escrito em 1523 pelo inglês de nome Fitzherbert.






























quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Che cos'è un'enclave?


È un territorio completamente contenuto entro i confini di un altro stato. Due casi sono presenti anche in Italia: la Città del Vaticano e la Repubblica di San Marino. Questi due stati, infatti, sono completamente circondati dall'Italia, senza avere uno sbocco sul mare. Un terzo caso di stato enclave è quello del Lesotho, in Africa. Questa nazione è infatti circondata dal Sudafrica e non ha sbocco sul mare. Diversa è la situazione di quei Paesi che, pur confinando con un'unica nazione, hanno uno sbocco sul mar e quindi non posso essere considerate un'enclave: è il caso di Gibilterra e del Principato del Monaco. Frequenti sono i casi di enclave constituite non da un intero stato, ma solo da alcuni territori: un esempio di enclave in territorio svizzero è il comune di Campione d'Italia. Un altro esempio si trova nella penisola araba dove un'enclave è all'interno di un'altra: Nahwa è una località appartenente agli Emirati Arabi Uniti situata all'interno dell'enclave di Madha; quest'ultima è appartenente all'Oman ma è situata all'interno degli Emirati stessi.



(testo pubblicato sulla rivista Airone nº 402 - anno XXXIII - ottobre 2014)




È più giusto dire... starnutire, sternutire, starnutare o sternutare?


Sono tutte forme corrette, ma con diverse sfumature di significato. Il verbo starnutire (io starnutisco, tu starnutisci, egli starnutisce...) significa "fare uno starnuto", termine quest'ultimo che entra nella lingua italiana sin dagli inizi del Trecento; nel Quattrocento gli si affianca la variante sternuto e al verbo starnutire si affianca la variante sternutire, oggi meno diffusa (il primo verbo è preferito nell'80 per cento dei casi, il secondo solo nell'11). Starnutare (il starnuto, tu starnuti, egli starnuta...) è anch'esso un verbo italiano originatosi tra Tre e Quattrocento; proviene dal latino sternutare che è la forma iterativa di sternuere "starnutire" e significa "fare più starnuti". Sternutare, infine, è una variante de starnutare: è il calco preciso dell'originale verbo latino, ma è veramente poco usato.


(testo pubblicato sulla rivista Airone nº 402 - anno XXIII - ottobre 2014)