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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Ben humorado - Ivan Finotti


Em alta após seus filmes terem faturado US$ 6 bilhões, o comediante Ben Stiller deixa a palhaçada de lado e mergulha em seu projeto mais pessoal, A vida secreta de Walter Mitty

Não é novidade para ninguém que tenha assistido às trilogias Uma Noite no Museu (2006, 2009 e 2014), ainda inédito) ou Entrando Numa Fria (2000, 2004 e 2010): Ben Stiller tem cara de boboca.



Uma noite no museu


Como se fosse filho direto do casal Debi & Lóide, de 1994, Ben se especializou em ser o bocó de sua geração, assumindo um personagem sempre patético, para quem tudo dá errado (menos no final) e, por isso, simpático à plateia.

Mas é claro que Ben Stiller não é um bocó na vida real. As franquias acima renderam mais de US$ 2 bilhões em todo o mundo (e custaram menos de um quarto disso), elevando seu nome ao patamar dos poderosos de Hollywood. Considerando os cerca de 30 longas em que atuou (incluindo vozes na trilogia Madagascar), Ben é o "boboca" que ajudou o cinema a faturar US$ 6 bilhões.



Starsky (Ben Stiller) e Hutch (Owen Wilson)


E é com essa moral de dez dígitos que ele se senta em frente a dez jornalistas estrangeiros, incluindo Serafina, em um hotel-butique, em Nova York, para falar sobre seu novo filme. Não é um blockbuster como Uma Noite no Museu 3, com estreia prevista para 2014, mas um projeto mais pessoal chamado A Vida Secreta de Walter Mitty, que ele protagoniza, dirige e produz, e que estreia no Brasil no fim de dezembro. "Eu seria só o ator. Mas o estúdio não tinha um diretor e eu me identifiquei com a história. Acabei pedindo para dirigir", conta ele.

Ainda que tenha passagens cômicas, A Vida Secreta se aproxima mais de um drama de autoconhecimento e superação: Walter Mitty é um homem que vive num mundo de fantasia, sonhando coisas que gostaria de fazer, mas não faz por timidez ou falta de motivação.

Tudo muda (ou não seria um filme) quando Mitty, arquivista de fotos da revista Life, perde o negativo da foto que irá estampar a capa do último número da publicação, que deixará de ser impressa para virar um site. Para recuperar a imagem, Mitty seguirá os passos de seu ídolo, um fotógrafo vivido por Sean Penn. Na vida real, a Life, nascida em 1936, realmente acabou como revista em 2000, numa das mais significativas derrotas do jornalismo na era da internet.

"A ideia de um cara que sonha acordado foi imediatamente interessante pra mim. Conecto essa fantasia com o fato de ter algo dentro de mim que ainda não expressei. A pessoa que você é dentro da sua cabeça não se traduz para o mundo da maneira que você pensa. As pessoas se identificam com isso."

O par romântico do ator em A Vida Secreta é a atriz Kristen Wig, que divide com Ben um momento memorável: ela pega um violão e canta Space Oddity, de David Bowie, enquanto ele corre e pula para um helicóptero em movimento em uma terra de gelo. A cena é bela e eletrizante, provavelmente a melhor que ele já filmou em sua carreira.

Aos 47 anos, Ben Stiller é uma das caras mais conhecidas de uma geração de comediantes que começou a brilhar nos anos 2000, mas cuja gênese está em dois filmes de 1996.

O primeiro é O Pentelho, segundo longa dirigido por Ben. Além de contar com os astros Jim Carrey e Matthew Broderick, o filme trazia pontas do próprio diretor e de dois novos amigos, Jack Black e Owen Wilson. O outro é Pura Adrenalina, com os irmãos Owen e Luke Wilson e dirigido por Wes Anderson.


Turminha

Ali estava formado o núcleo duro do Frat Pack, apelido dado pela imprensa para o grupo que seria responsável por três dúzias de comédias nos 17 anos seguintes. A inspiração da alcunha veio de Rat Pack (quadrilha de ratos), que incluía os amigos Humphrey Bogart, Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy David Jr., na Hollywood dos anos 1950 e 1960. Nos anos 1980, uma nova geração, formada por Emilio Estevez, Rob Lowe, Demi Moore e Molly Ringwald, virou a Brat Pack (quadrilha de moleques).

Já a Frat Pack tem suas origens nas fraternidades norte-americanas, aquelas congregações universitárias com nomes de letras gregas (alfa, zeta, ípsilon, pi, beta etc.) que batem ponto há três décadas nas comédias de Hollywood.

Elevado ao cargo de líder da Frat Pack, Ben afirmou, em 2006, que o rótulo não passava de invenção da imprensa, o que é verdade, mas também não é. O ator e seus amigos efetivamente formaram uma dessas irmandades dentro da indústria do cinema, sempre ajudando uns aos outros a conseguir papéis. Em 2004, por exemplo, toda a  turma se reuniu em O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy, Jack Black, Ben Stiller, Luke Wilson, Vince Vaugh, Will Ferrell e um novo integrante, Steve Carell.

Mas há também uma crítica velada no apelido, que deve incomodar a Ben: o humor um tanto rasteiro de vários de seus filmes, que lembra o "gênero fraternidades" dos anos 1980, como Porky's (1982) ou A Vingança dos Nerds (1984).

É isso que se vê efetivamente na maioria das obras da Frat Pack, como A Inveja Mata (2004) ou Trovão Tropical (2008). Ou no terrível Zoolander (2001), estrelado, dirigido, escrito e produzido por Ben.

O trunfo artístico que tanto faltava ao grupo acabou vindo de um agregado, o diretor Wes Anderson. Wes já havia sido notado quando dirigiu os irmãos Wilson em Pura Adrenalina. Martin Scorsese apontou o filme como um dos dez melhores dos anos 1990. Mas o diretor e a Frat Pack deslancharam mesmo após Os Excêntricos Tenenbaums (2001), com Ben e os Owen atuando em meio a grandes do cinema, como Gene Hackman, Anjelica Huston e Bill Murray.

Talvez seja com esse exemplo em mente que Ben tenha visto algo a mais no roteiro de A Vida Secreta de Walter Mitty. Walter é um personagem da minha idade, é o tipo de cara que faz parte de uma geração em transição. Temos uma conexão com o mundo pré-digital, onde nós crescemos, mas estamos totalmente imersos no digital agora. Viver nesses dois mundos e ver as mídias tradicionais, como o filme em película, irem embora é triste. Fiz questão de filmar em película. Era importante para mim que houvesse essa homenagem".

A transição parece ser mais profunda. Apesar de ter tido controle total do novo filme, Ben não chamou nenhum de seus colegas de confraria para fazer pontas ou aparições. Ao contrário, convidou um ou outro grande nome para contracenar. Além de Sean Penn, há Shirley MacLaine no papel da mãe de seu personagem. Após tanta palhaçada, Ben não quer mais brincar de ser boboca.



Walter Mitty (Ben Stiller)  e Sean O'Connell (Sean Penn)




(texto publicado na revista Serafina, suplemento da Folha de São Paulo, dezembro de 2013)

















domingo, 29 de dezembro de 2013

Diário de vida: A vida secreta de Walter Mitty


Ontem a Cristal e eu fomos assistir ao filme A vida secreta de Walter Mitty no Frei Caneca. Fazia tempo que não íamos ao cinema. O interessante (a sincronicidade atacou mais uma vez!!) é que eu estava pensando nisso quando a Cristal me convidou. Temos falado muito de autoconhecimento, ido a palestras, papo cabeça, mas temos vivido muito na virtualidade também e estávamos sentindo falta do mundo real. Gostamos muito de ir ao Frei Caneca porque exibe filmes comerciais,  mas também filmes nacionais e estrangeiros em outros idiomas além do inglês.

Sinopse: Walter Mitty (Ben Stiller) é o diretor de fotografia da revista Life, mas o seu cargo, como da maioria de seus colegas, está para ser extinto porque a publicação passará a ser online e não mais em papel. Walter é um homem muito comum que sonha o tempo todo que é um super herói principalmente para a sua colega de trabalho, Cheryl, cadastrada como ele no site de relacionamentos eharmony. Tudo muda quando ele não encontra um negativo (o de nº 25) que tinha sido mandado pelo fotógrafo Sean O'Connell (Sean Penn). Como Walter nunca perdeu um único negativo em toda a sua carreira, a procura pelo nº 25 que seria usado para fazer a última capa da revista era uma questão de honra. E assim começa a sua aventura por lugares nunca antes imaginados por ele: Groenlândia, Islândia, Himalaias e Afeganistão.


Trailer legendado em português


Trailer dublado em italiano


Trailer do filme realizado em 1947 e estrelado por Danny Kaye (sem legendas)


Comentários:

Dirigido e estrelado por Ben Stiller, A vida secreta de Walter Mitty foi levemente baseado no filme de 1947, com Danny Kaye no papel título. 

À medida que fui assistindo ao filme percebi que não se tratava de um simples entretenimento, mas de um enredo que contaria a viagem espiritual de um personagem com uma vida comum e rotineira, sem graça na verdade. A busca do negativo nº 25 foi só o impulso que Walter precisava para "viver a sua vida". 

Para conseguir encontrar o fotógrafo Sean O'Connell, Walter vai parar na Groenlândia, depois vai para Islândia, segue para os Himalaias e Afeganistão. Para conseguir entrar em seu próprio país, acaba tendo que recorrer à ajuda do funcionário da eharmony

Walter passou por todos esses lugares porque quando chegava a um local onde achava que Sean estaria, era informado que ele já tinha partido. Quando ele achou uma carteira que Sean tinha deixado, não lhe deu muita importância acabou jogando-a fora. 

Apesar de ter uma vida monótona e sem graça, Walter era bom no skate e ensinou o filho de Cheryl, a sua colega de trabalho, a usá-lo bem e durante as suas viagens para encontrar o fotógrafo esse veículo lhe foi muito útil. 

Para concluir, adivinhem onde estava o tal negativo? Na carteira, que felizmente a mãe dele, interpretada pela veterana Shirley MacLaine,  resgatou do lixo. E quando o negativo é revelado, quem aparece na foto? Exato: Walter Mitty. 

Analisando o filme, dá para concluir que a mãe de Walter e Sean arquitetaram tudo para que a viagem espiritual acontecesse. E o fato do protagonista trabalhar com negativos e a revista se chamar Life não é simples acaso.

Como devem ter notado, gosto muito de cinema e mesmo me propondo a assistir tranquilamente a um filme, o processo de autoconhecimento me impulsiona a tirar sempre uma lição de cada um deles.