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domingo, 4 de janeiro de 2015

Eles sofrem como nós? - Priscilla Wilmers Bruce


Reações dos bichos a situações difíceis ou estressantes surpreendem seus donos

A artista plástica Tereza Camargo tem duas cachorrinhas poodles com quem divide seu carinho e disponibilidade. Rossi e Nala refletem o humor e a personalidade de sua dona, são alegres, festivas e barulhentas. Estão sempre em busca de um colo, exigem atenção constante e choram descontroladas quando são ignoradas. Lola é uma beagle curiosa e simpática. Mas sempre que há uma brecha, quando sua dona, a pedagoga Beatriz Bueno, se distrai, ela sobe na mesa de jantar e leva à boca o que encontra pela frente. O cachorrinho Simba foi um presante da fonoaudióloga Cinthia de Sá para os filhos Guilherme e Fernanda. No início, o cãozinho estava quase sempre acompanhado da família. Mas, nos momentos em que precisava ficar sozinho, invariavelmente acabava estressado e, em retaliação, marcava todas as paredes, sofás e camas com compridos "xixis"...

Melhor amigo do homem

O que há por trás do comportamento de Nala, Rossi, Lola e Simba? Mais do que animais de estimação, os cães fazem parte da vida das famílias brasileiras. Atualmente, cerca de 60% delas possuem cachorros interagindo continuamente, numa rotina onde ora o animal é dominado, ora ele domina. Mas qual é o mecanismo que aciona comportamentos e reações diversas entre eles? Esses seres inteligentes e sensíveis percebem o perfil de seus donos? São capazes de se alegrarem ou se entristecerem com eles? Eles sofrem? O veterinário e escritor Marcel Benedeti no livro Todos os Animais Merecem o Céu relata a história de Boris, um cão cego, e seu dono, personagem do livro e também veterinário, Guilherme. Boris, numa ocasião, para festejar a presença de seu dono, suja a calça do médico antes de ele sair atrasado para o trabalho e é duramente repreendido. Boris passa o dia encolhido, deprimido com a atitude e só retoma a alegria quando perdoado.

Troca de energia

O encantador de cães mexicano César Millan, especialista em comportamento e psicologia canina, alega que os animais captam nossas emoções e, assim, são como espelhos, refletindo a alegria, a ansiedade, a agitação ou a calma de seus donos.  Como a linguagem dos cães se baseia em energia, tudo o que fazem e refletem é com base nessa energia percebida, captada e refletida. Quando se adota um bichinho, torna-se responsável por ele em tudo e isso significa a satisfação física, emocional e psicológica do animal, como alimentação, saúde, recreação, etc. Portanto, é natural que, quando não são supridos esses quesitos, o animal demonstre, de alguma maneira, seu descontentamento. Assim, é comum encontrar cães ansiosos, nervosos, agressivos ou com comportamentos repetitivos, como o de lamber sem parar as patas ou determinada parte do corpo, causando até ferimentos.

Neste sentido, também esclarece Kardec, em O livro dos Espíritos, no capítulo 11, que trata dos Três Reinos, com a explicação dada pelos espíritos para a pergunta 593: "Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria." Ou seja, se eles se mutilam na ausência do dono, contrariando a lei de conservação, não é demais concluir que o fazem impulsionados por outro agente que não seja o instinto, embora esse seja predominante em sua constituição global.

A questão do instinto

De acordo com A Gênese de Allan Kardec, no capítulo sobre O bem e o mal o instinto é explicado da seguinte forma: "É a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação". E complementa: "É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica, que buscam, conforme a estação, os climas propícios; que constroem, sem ensino prévio, com mais ou menos arte, segundo as espécies, leitos macios e abrigos para as suas progênies, armadilhas para apanhar a presa; que manejam destramente as armas ofensivas e defensivas de que são providos; que os sexos se aproximam; que a mãe choca os filhos e que estes procuram o seio materno". Confirmando Kardec, Ronaldo Novoa diz: "Não só os cães, mas  todos os seres vivos, têm reações de acordo com o meio. Uma planta irá sempre procurar a claridade, agindo de acordo com o meio para sua sobrevivência. Os animais domésticos têm suas condutas psicológicas, diferentes do ser humano. Assim, os animais sofrem, mas de um jeito diferente que imaginamos".

Comportamento e distúrbios psicológicos

"Hoje temos cães possessivos, outros inseguros ou os dominantes. Alguns com um tipo de desvio, levando à agressividade. Esses cães têm muita energia e precisam de atividades para se estabilizar!", diz o especialista em comportamento canino e adestrador paulista Ronaldo Novoa, que trabalha com educação de cães há 16 anos. Ele também treina animais para pet terapia, além de fazer parte de um corpo de profissionais da saúde (www.lianaequoterapia.com.br) que atuam nessa atividade terapêutica com pessoas portadoras de dificuldades motoras e psicológicas, com diversas síndromes e fobias. O especialista concorda com o companheiro de profissão mexicano quanto ao reflexo do comportamento do dono em seu cão: 'Muitos cães se tornam problemáticos por falta de conhecimento dos donos de como lidar com eles. Porém esses mesmos cães podem ser reabilitados em pouco tempo e ter uma vida mais tranquila se os humanos tiverem mais boa vontade para com eles. Meu trabalho é a reabilitação de cães e educar as pessoas para entendê-los melhor". Ronaldo explica que a convivência entre animal e homem precisa ser estimulada porque passa pelo instinto. Veja o que ele diz a respeito: "Para o cão, é essencial o convívio, por ser um animal que vive em matilha, ou bando, ele precisa de nossa presença. Cães precisam de 60% de atividade física, 30% de disciplina e 10%¨de afeto. Infelizmente, isso não é nem sombra da realidade na maioria dos lares". E o adestrador conclui que a falta de equilíbrio nessa relação, pela ausência prolongada do dono ou pela indiferença, pode, sim, levar a sérias crises, como as síndromes de ansiedade. "Eles desenvolvem sérias complicações físicas como feridas, mutilações ou mesmo machucados quando tentam passar por janelas e portas de vidro. Problemas psicológicos também são encontrados como ansiedade, tristeza e depressão".




(texto publicado na revista Alma animal nº 14 - ano 6 - ano de 2012)







sábado, 20 de setembro de 2014

Experiência fora do corpo com animais - divulgação do livro "Todos os animais merecem o céu" do Dr. Marcel Benedeti


Espiritualidade dos animais - Dr. Marcel Benedeti


Eu sou, tu és... eles são! - Dr. Marcel Benedeti


A personalidade é algo particular a cada indivíduo. Não existem duas personalidades idênticas em qualquer lugar do Universo, mas, sim, semelhantes ou que tenham sintonia, isto é, não são idênticas, mas muito parecidas.

A personalidade é o que define nossas atitudes e a nossa maneira de ser, que nos caracteriza. Assim como nós, os animais também têm personalidade e demonstram quem são e sabemos o que esperar de cada um de nossos companheiros animais, de acordo com o que conhecemos de suas personalidades. Alguns dizem que eles não possuem personalidade, mas, sim, temperamentos. Na verdade, não tenho formação na área de psicologia, e sim na área de medicina veterinária. O que podemos dizer é que cada animal tem seu jeito de ser e age de acordo com certos padrões que se repetem e correspondem a padrões de personalidade estudadas em seres humanos. Portanto, cremos que, assim como nós, humanos, os animais também têm personalidade própria. A homeopatia, uma modalidade terapêutica, baseia-se no conhecimento da personalidade do paciente para prescrever o tratamento. Se os animais fossem apenas objetos, sem personalidade, o tratamento não traria tantos resultados positivos como percebemos neles. Este fato é uma prova circunstancial de que os animais possuem personalidades definidas.




(texto publicado no livro do Dr. Marcel Benedeti - Meus amigos inteligentes)




domingo, 30 de setembro de 2012

Entrevista com Dr. Marcel Benedeti, autor do livro "Todos os animais merecem o céu" - Érika Silveira


"Todos os animais merecem o céu". Este foi o título escolhido pelo autor e veterinário Marcel Benedeti para o livro que relata a reencarnação dos animais, a eutanásia, o sofrimento como forma de evolução desses seres, a existência de colônias que cuidam dos animais no plano espiritual e outras questões importantes.

A obra foi uma das premiadas no Concurso Literário Espírita João Castardelli 2003-2004, promovido pela Fundação Espírita André Luiz. Esse foi o primeiro livro do autor que se especializou em homeopatia para animais e conheceu a doutrina espírita na época em que cursava a faculdade, apesar de sua mediunidade ter se manifestado muito antes desse período. Marcel relata que quando trabalhava em uma livraria e se preparava para prestar vestibular, em um dia de pouco movimento, foi para a parte de baixo da loja estudar e notou que estava sendo observado por um senhor. Resolveu perguntar se o senhor desejava alguma coisa e ele lhe respondeu que só estava achando interessante ele estudar, então explicou que queria passar no vestibular de veterinária e o velhinho disse que não se preocupasse porque passaria. Previu também outros fatos que aconteceriam.

Em seguida se despediu dizendo que se veriam depois. Após alguns instantes comentou com seu colega de trabalho que tinha achado aquele homem esquisito por fazer previsões do futuro. O colega disse que não havia entrado ninguém na livraria, foi então que seu conta de que se tratava de um espírito. Este mais tarde é que lhe ditaria o livro.

Como o livro foi escrito?


Escrevi o livro em menos de um mês, durante os intervalos das consultas, mas o espírito que ditou não quis se identificar.

As cenas foram surgindo em uma tela mental e ao mesmo tempo um espírito narrava os episódios. Outras vezes, não havia imagem, apenas a narrativa; nesses momentos se tornava mais difícil. Apesar de achar o livro maravilhoso, não acreditava que alguma editora pudesse se interessar pelo assunto. Mas certo dia estava ouvindo a rádio Boa Nova quando anunciaram o concurso literário espírita. Resolvi participar e acabei ganhando o concurso 2003-2004 e editando o livro pela editora Mundo Maior.

O que o livro pode acrescentar para os veterinários e pessoas que possuem animais?

Se as pessoas não tiverem a visão espiritual em relação aos animais, que eles  tem espírito e sentimentos vão continuar tratando esses seres como objetos, como era há pouco tempo atrás. Essa onda de conscientização é recente.

Entramos na questão também de comer carne, cada um tem que perceber o que está fazendo. Eu mesmo comia carne e parei para pensar porque comia, se meu corpo recusava, me fazia mal... Mas quando comecei a lembrar as descrições feitas no livro a respeito do matadouro, passei a sentir repugnância da carne.

Sendo veterinário e espírita, como analisa a questão da eutanásia?

O ser humano tem o carma, o animal não, O animal tem consciência, mas muito mais restrita, em relação ao ser humano. Ele segue muito mais os seus instintos.

Então, como não tem carma, a eutanásia deve ser o último recurso utilizado; o veterinário deve fazer todo o possível para salvá-lo.

Se o animal estiver sofrendo muito e não existir outra maneira, o plano espiritual não condena, porque é um aprendizado tanto para o animal quanto para o dono que precisa tomar a decisão.

Os animais reencarnam?

Há um capítulo no livro que explica como ocorre a reencarnação dos animais. Este descreve que cada espécie de animal leva um tempo para reencarnar mas por possuírem o livre-arbítrio ainda muito restrito, uma comissão avalia as fichas dos animais e estabelece o ambiente em que deverão nascer e a espécie.

Como o conhecimento espiritual pode ajudar o veterinário no trato com os animais?

O veterinário, em geral, por natureza, mesmo não sabendo já é espiritualizado, pelo fato de gostar de animai e querer salvar a vida deles. Quando o veterinário adquire consciência de que o animal não é um objeto e sim um ser espiritual que possui inteligência e sentimento, muda o seu ponto de vista, passa a enxergar os fatos de uma forma mais ampla. Com certeza se mais veterinários tivessem um conhecimento espiritual, o tratamento em relação aos animais seria melhor.

Como é aplicada a homeopatia para animais?

No Brasil, a homeopatia ainda é pouco aplicada nos animais porque muitos acham que não funciona. Só utilizo a homeopatia quando o dono do animal permite e, em casos mais graves, a homeopatia entra como terapia complementar, porque demora um pouco mais para trazer resultado e alguns casos são urgentes.

O uso da homeopatia é igual tanto para pessoas quanto para animais. A única diferença é que o animal não fala, então o dono precisa ser um bom observador para relatar a personalidade do animal para o veterinário, e muitas vezes, não possui as informações necessárias para um diagnóstico mais preciso.

Pergunto, por exemplo, se o animal gosta de quente ou frio, do verão ou do inverno, a posição em que dorme, entre outras perguntas do gênero.

Tive o caso de um gato com câncer e que em decorrência da doença estava com o rosto deformado. Com o tratamento ele melhorou 70%. Só não foi melhor porque esse gato saía e demorava a voltar e com isso interrompia o tratamento.

Cuidei também de um cachorro com problema de comportamento muito agressivo. O animal, depois de 10 dias, parecia outro, muito mais calmo. Utilizo também florais para animais em casos emocionais. Se nós equilibramos o emocional, o organismo ganha condições de combater as bactérias.

E os próximos livros?

Já tenho na editora outro livro em análise que tem o título: Todos os animais são nossos irmãos. E já estou escrevendo o terceiro. Pelas informações que recebi do plano espiritual serão seis livros.






domingo, 26 de agosto de 2012

Diário de vida: O presente - Dr. Brian Weiss


Além do hábito de escrever, retomei um outro prazer: o de ler. Por vários motivos (ou desculpas) tinha parado completamente de praticar a leitura. Foi só uma questão de escolher o texto mais adequado nesse exato momento. Percebi que não estou na vibe de ler obras de ficção, então preferi os assim chamados livros de autoajuda ou autoconhecimento. E fuçando nas estantes da livraria Nobel onde trabalha o meu amigo João, me deparei com a obra "Errar é humano...perdoar é canino!" de autoria do médico veterinário Marcel Benedeti e a adquiri. E assim surgiu o interesse pelo espiritismo, nesse caso, dos animais. Há dias decidi começar a ler um novo livro e dessa vez fui fuçar na minha própria estante e peguei um por acaso. Era a obra "Só o amor é real" de outro médico, o Dr. Brian Weiss, dessa vez falando sobre vidas passadas. É desse livro o seguinte texto que fala da importância de se viver o presente. Não é à toa que essa palavra também significa aquilo que ganhamos de parentes e amigos em datas especiais como aniversário e Natal.
Quando faço uma revisão dos verbos para alunos do nível intermediário, traço uma linha na lousa e escrevo todos os tempos que eles aprenderam. O presente é sempre único, não existe presente "passado" e nem presente "futuro" como ocorre com os outros tempos verbais.

O vietnamita Thich Nhat Hanh, monge budista e filósofo, nos ensina a saborear uma boa xícara de chá. Temos de estar completamente conscientes para sentir prazer com o chá. Somente na consciência do momento presente as nossas mãos podem sentir o agradável calor da xícara. Somente no presente podemos sentir o aroma e a doçura, apreciar o requinte do sabor. Se estivermos ruminando acerca do passado, a experiência de saborear a xícara de chá nos fugirá completamente. Quando olharmos a xícara, o chá já acabou.

A vida é assim. Se não estivermos inteiramente no momento presente, olharemos em nossa volta e ele terá passado. Teremos deixado de sentir o contato, o aroma, o requinte e a beleza da vida. Esta parecerá estar nos deixando para trás.

O passado terminou. Devemos aprender com ele e deixá-lo ir. O futuro ainda não chegou. Devemos fazer planos, mas não perder tempo nos preocupando com ele. De nada vale nos preocupar. Quando pararmos de ruminar a respeito do que já aconteceu, quando pararmos de nos preocupar com o que talvez nunca aconteça, então estaremos vivendo o presente e começaremos a sentir a alegria de viver.

sábado, 25 de agosto de 2012

Diário de vida: diabetes e problemas cardíacos


Apesar dos vários compromissos com a escola e com a minha mãe, decidi não interromper por nada o processo de autoconhecimento. 

Além das pedras, comecei a me interessar pelo espiritismo com a descoberta dos livros de Marcel Benedeti e agora com as obras de Brian Weiss. Acabei de ler a sua obra "Só o amor é real" e fiquei encantada com a questão das almas gêmeas que encarnam e desencarnam várias vezes até aprenderem a lição, ou como diria a Cristina Cairo, até conseguirem encher o próprio balde, enfim, cumprir a sua missão por aqui. 

Como preciso quase que cronometrar o tempo para fazer as coisas que realmente quero fazer, fui em um pé e voltei no outro do centro da cidade ontem. Sou cliente antiga do Sebo do Messias e antes de sair de casa tinha reservado alguns livros do Dr. Weiss e fui retirá-los. Dos 5 que tinham me interessado, só encontrei 3, mas acabei pegando outros livros, inclusive um escrito pelo Dalai Lama, "A arte da felicidade", uma das leituras que a Cristina Cairo tinha recomendado em um de seus programas.

Falando nela, agora me convenci realmente que todos os males que provocamos ao nosso corpo são consequência de nossa mente, de nossos pensamentos, mas principalmente de nosso inconsciente.

Fui ao centro de ônibus e metrô e durante o percurso não pude deixar de ouvir a conversa dos passageiros sentados perto de mim. E o tom utilizado era de reclamação e o assunto, pasmem, doenças. Na ida foram dois jovens conversando, um rapaz e uma moça. Ele descreveu durante todo o percurso que fizemos juntos  as visitas ao médico, sobre os remédios que estava tomando sempre no horário certo (coisa que nunca consegui fazer). E na volta ouvi a conversa de uma moça que estava falando com um rapaz pelo celular. Ela tinha feito um exame e o médico disse à mãe dela que o caso era grave. A própria paciente não sabia exatamente o que tinha porque a mãe não quis entrar em detalhes, só a mandou tomar um remédio e mais nada. Infelizmente quando falamos de doenças queremos sempre chamar a atenção do outro, despertando a piedade. E não é raro dramatizarmos o ocorrido para que a situação pareça pior do que realmente é. 

Há dias descobri como são as pessoas diabéticas e com problemas cardíacos. Segundo a linguagem do corpo, pessoas assim são controladoras, vivem do passado, não sonham mais. A minha mãe se encaixa nas duas situações. E foi muito interessante descobrir quando ela começou a desenvolver a diabetes: quando estava no Japão, longe de mim e do meu pai. Ela tinha literalmente perdido o controle sobre nós. E o problema cardíaco dela se acentuou (felizmente o médico detectou a gravidade em tempo) no início do ano passado quando comecei a sair bastante com as minhas amigas Cristal e Aninha. Eu estava tratando da minha vida. Inconscientemente ela achou um modo de me trazer para perto dela. 

E a minha somatização qual foi diante disso? Manchas no rosto!!!! Segundo a linguagem do corpo, elas aparecem quando a pessoa sente que a sua privacidade está sendo invadida. Lógico. Sem vida própria o meu corpo mais cedo ou mais tarde iria me avisar que algo estava errado com o meu espírito, a minha alma. Na verdade ele sempre avisa, a questão é que não prestamos atenção ou não entendemos o que ele está querendo nos dizer.

A solução que achei para resolver isso foi aprender a "desencanar" e negociar com a minha mãe. São pequenas atitudes que não a prejudicam e estão ajudando a cuidar de minha própria vida sem magoá-la. É fácil? Não, mas não impossível. Quero realmente continuar a encher o meu próprio balde. Não vou conseguir enchê-lo nessa vida? Voltarei quantas vezes forem necessárias até aprender a lição!!!

Bom fim de semana a todos!!!!







quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Bob, o malamute" do livro "Todos os animais merecem o céu" do Dr. Marcel Benedeti

Guilherme arregalou os olhos. Mal podia acreditar no que via. Era seu pai, falecido há alguns anos. Parecia bem mais velho que era quando o viu pela última vez (...)

Aquele senhor de aparência humilde, com roupas simples, atitudes tímidas e de voz muito baixa, deu um grande suspiro, como que para adquirir mais força, ergueu a cabeça de forma lenta e insegura, expondo o rosto, que Guilherme reconheceu como o de seu pai, mas não teve coragem de encará-lo. Guilherme deu um salto e abraçou-o, ternamente, sem dizer uma palavra. Lágrimas rolaram dos olhos de ambos e assim permaneceram por algum tempo, como se imaginassem não poderem se abraçar novamente. Então, Guilherme, disse:

- Que saudade, pai! Finalmente o encontro. Mas por que esta aparência tão deprimida e envelhecida? Por que fica desviando o olhar e não olha para mim? Não sente saudades também? - perguntou Guilherme, triste pela atitude distante do pai.

- Não sou digno de olhá-lo nos olhos, filho! Estou aqui para pedir-lhe que me perdoe, pelo que  fizemos - explicou o sr. Benati.

- Mas perdoar por quê? O que o senhor poderia ter feito para que necessite de perdão? Você só me deu alegria e me criou com o maior carinho - falou o filho ao pai.

- Não se iluda com isso, filho. Sou um criminoso e estou nesta colônia para me redimir pelo trabalho. Estou aqui por minha vontade de me recuperar da culpa que me corrói por dentro.

- Que crime poderia ter cometido? Você sempre foi uma pessoa notável e ótimo pai. Não diga tal inverdade.

- Sou o responsável pela morte dolorosa de Bob. Com remoro, até hoje me puno pelo mal que cometi a você e ao pobre cão inocente. A consciência pesada foi a causa do surgimento do mal que me consumiu os pulmões, destruindo-me a saúde e a minha energia vital com meu corpo físico. Sofro muito com as lembranças, por isso tenho essa aparência envelhecida. Preciso que me perdoe senão ficarei eternamente me martirizando. Perdoe-me, filho. Perdoe-me! - implorou Benati ao filho.

- Não acredito que vocês tenham tomado parte na morte de Bob, pois sei que você e mamãe também o amavam. Não é assim? - perguntou ao pai, que respondeu com a voz embargada e com os olhos inundados de lágrimas.

- Não, não foi assim. Apenas o tolerávamos por sua causa. Seus uivos agudos incomodavam, seus latidos incessantes tiravam o sossego, suas travessuras tiravam-me o equilíbrio, eu não suportava mais a presença daquele animal em casa. Resolvi envenená-lo, e quando fosse de manhã, o encontraríamos já morto e diria a você que ele morreu de algum mal súbito. Infelizmente, Bob era muito resistente e a dose de veneno que dei não o matou, apenas o intoxicou e o atordoou. Pela ação do veneno, uma dor o maltratava, por isso começou a gemer e a ganir. Aqueles gemidos altos poderiam acordá-lo ou chamar a atenção de alguém da vizinhança, por isso dei uma outra dose mais forte. Ele era muito resistente e não morreu. Eu não sabia, mas os trabalhadores desta colônia faziam o possível para que não morresse e, para tanto, ministravam-lhe medicamentos energéticos capazes de neutralizar as toxinas que lhe dei. A quantidade era suficiente para um animal com quatro vezes o seu peso, mas ele continuava vivo, apesar de estar semiconsciente. Irritado, peguei um objeto pesado que encontrei perto e arremessei contra sua cabeça, acreditando que seria mais rápido assim, mas ele ainda respirava. Tornei a golpear-lhe o crânio, com mais violência. Por fim, decidi embebê-lo em gasolina e atear fogo sobre ele. Dizia isso, enquanto sua voz quase sumia entre soluços e engasgos. A imagem que mais me impressionou e ainda tenho comigo e me consome o espírito foi vê-lo ganindo alto de dor, enquanto era consumido pelas chamas. eus olhos foram sendo cozidos nas órbitas, até explodirem espalhando um líquido quente que me atingiu o rosto. Ainda sinto o calor das chamas sobre meu rosto. Tentei enterrã-lo para que não vissem nada, mas não tive tempo, pois já amanhecia. Sua mãe, quando acordou, me viu ao lado do corpo de Bob, pois não houve tempo para escondê-lo. Ela se impressionou tanto com o que viu que nunca mais falou comigo até eu sucumbir pela enfermidade que me tomou.

Dizendo iso, ajoelhou-se, colocou as mãos no rosto e chorou alto, implorando perdão. Permaneceu nesta posição algum tempo, quando, repentinamente, ouviu-se longe um latido. Era um cão de grande porte, com longos pelos cinza, que se aproximava, correndo e saltando alegre.

Era Bob. Ele não tinha marcas ou cicatrizes. Bob vinha trazendo uma bola, que era seu brinquedo favorito. Corria atrás da bola, jogava-a para cima, pegava-a novamente e corria. Estava fazendo gracinhas para chamar a atenção. Ele tinha muito ciúme daquela bola e não deixava ninguém tocá-la. Mas, aproximando-se dos dois, Bob aquietou-se e deixou cair a pequena bola próxima às mãos do sr. Benati e novamente soltou outro latido, que demonstrava alegria.

Como Benati não se mostrava animado em brincar com ele, começou a correr e a pular ao redor do pai de Guilherme. Por fim, encorajado pelo filho, que lhe tocou no ombro, olhou para Bob, que o chamava para brincar com a bola. Benati, diante daquele cão de olhos azuis, não conseguia dizer uma só palavra. Ficou imóvel. Não podia acreditar no que via: Bob o chamou novamente e saltou sobre aquele senhor de penosa aparência, lambendo-lhe o rosto, a cabeça, as mãos e, novamente, ofereceu-lhe o brinquedo. O sr. Benati, por fim, pegou a bola e abraçou Bob com grande carinho, o que o animal retribuiu com um uivo rouco de alegria. Guilherme disse, então:

- Pai, o senhor não me deve nada. Não há o que perdoar. Não se preocupe. Bob, no entanto, o perdoou.

Então, os três se abraçaram, demoradamente, enquanto Bob dava uivos de alegria por estarem juntos novamente.



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domingo, 5 de agosto de 2012

(recomendado) Errar é humano...perdoar é canino! - Dr. Marcel Benedeti

"- É muito louvável sua preocupação por nossos irmãos que serão enviados à Terra breve, mas não se preocupe tanto com o quanto irão sofrer. Tudo é parte do aprendizado a que todos estamos sujeitos, explicou Alba.

- Não entendo! Por que eles precisam sofrer? Não poderiam simplesmente aprender sem passar por tantos sofrimentos? Ter uma vida tranquila sem se submeterem a estes maus pedaços? Eles são tão inocentes! Por que Deus quer eles sofram?

- Você se engana quando diz que Deus pretende que sofram. Deus permite isso, como meio de adquirirem as mais variadas experiências durante sua fase de vida encarnada na crosta terrestre. Não sofra também você com isso. Procure entender para não cair nas malhas da depressão.

- Mas é difícil entender.

Alba pediu a todos os presentes que prestassem atenção à preocupação de Helena e explica:

- Assim como um diamante bruto precisa sofrer pelas mãos do lapidador antes de se tornar uma peça admirável, os seres devem ser diversas vezes burilados pela vida encarnada para se tornarem perfeitos."


domingo, 29 de julho de 2012

Diário de vida: entrevista com o Dr. Marcel Benedeti sobre a espiritualidade dos animais (Programa Transição)


Outro dia adquiri o livro "Errar é humano... Perdoar é canino! de Marcel Benedeti, médico veterinário,  e estou gostando muito da leitura. Alguns dias depois garimpando na prateleira da livraria achei outra obra do mesmo autor "Todos os animais merecem o céu" que foi a primeira escrita por ele. Achei a seguinte entrevista muito interessante falando sobre a espiritualidade dos animais.