Fui assistir à conferência do Mario Vargas Lhosa no Teatro Geo, em São Paulo. Era a abertura do Fronteiras do Pensamento e o auditório estava lotado. E Lhosa não decepcionou. Falou sobre seu novo livro, ainda inédito no Brasil, cujo título é Sociedade do Espetáculo. Contou que foi estimulado a escrevê-lo depois de visitar a Bienal de Veneza, onde percebeu que as obras expostas pareciam ter menos compromisso com a arte, e mais com o espetáculo. "Eu não levaria nada daquilo para casa", disse. E começou um bem organizado discurso a favor da cultura, como elemento transformador, ao mesmo tempo em que questionava o espetáculo pelo espetáculo, aquele sem compromisso com a qualidade, com o belo ou com a densidade artística, cuja missão é a de elevar a qualidade do humano.
O discurso dele foi ótimo, e concordo com ele, pois também não gosto da banalização de qualquer coisa, quanto mais da arte e da cultura. Obras de todas as áreas da arte podem até chocar - aliás, essa é uma de suas funções. Mas, por favor, que choquem pelo motivo e da maneira certa, pelo incômodo d mensagem, pelo inesperado da forma, pelo inusitado da estética. Que o choque venha daí, e não do mau gosto, da ofensa aos sentidos, da falta total de significado, do apenas querer ser diferente. A verdade pode ser confrontada, pois não é absoluta, mas a inteligência não aceita ser ofendida. Lhosa preocupa-se que a sociedade contemporânea esteja sendo mais atraída pela superficialidade do espetáculo que nos entretém do que pela profundidade da cultura que nos faz pensar. Eu também.
Mas, apesar de toda a erudição, foi uma frase, dita no meio de um longo discurso e perdida entre tantos pensamentos, que ficou reverberando em minha cabeça quando voltava para casa: "Que pequeno e medíocre é o mundo real quando comparado com o que nossa imaginação pode criar".
O escritor me deixou pensando seriamente sobre o valor da imaginação, sobre como podemos fazer para enriquecê-la e, mais ainda, como utilizá-la para melhorar a realidade, essa que nos cerca, nos protege e nos atormenta. Será possível melhorar a "qualidade" da imaginação humana ? Será que, com o tempo, paramos de imaginar e nos tornamos prisioneiros desse mundo pequeno e medíocre ? Naquela noite, dormi tarde.
Um pequeno esforço
Enquanto tentava dormir, entre outras memórias, lembrei-me da emoção que senti certa vez, quando cruzei a Central Park West na altura da W72nd St. e entrei no Central Park de Nova York pelo portão que leva a um jardim chamado Strawberry Fields. A primeira coisa que vi foi um círculo na calçada, uma mandala com raios concêntricos, desenhados com pequenos mosaicos portugueses brancos e pretos, em cujo centro está escrita apenas a palavra Imagine!. Esse jardim fica quase em frente ao Dakota Apartments, famoso por ter sido o último lar de John Lennon, e também o local de sua morte. Alguns anos antes, Lennon havia lançado um disco solo, que trazia a música Imagine, que também dava nome ao álbum. Consta que ele, no começo, não acreditava muito no sucesso do disco, mas a canção foi eleita pela revista Rolling Stone a terceira maior música de todos os tempos, e até hoje é reconhecida como uma espécie de hino à paz.
Sua mensagem propõe que imaginemos que as fronteiras, as posses, a ganância e a religião - os grandes causadores de conflitos - não existem, e por isso o mundo vive em paz.
Essa música é realmente belíssima, não há quem não se emocione com sua letra e sua melodia, simples e profundas. Até porque é difícil ser contra o que ela defende - a paz. Entretanto, a música é portadora de uma segunda mensagem, que passa despercebida: imagine. Antes de ser uma ode à paz, Imagine poderia também ser vista como um tributo à maravilhosa qualidade excessivamente humana, que é a capacidade de imaginar. "É fácil se você se esforçar", diz o ex-beatle, e acerta em cheio. Às vezes não nos esforçamos para imaginar nossas infinitas possibilidades, e perdemos uma parte importante de nós.
Para que serve imaginar
No filme À procura da Felicidade, Will Smith representa Chris Gardner, um homem que atravessa um período turbulento, em que é abandonado pela esposa e enfrenta uma grave crise financeira. Chega ao ponto de ser despejado e ter de dormir com o filho Christopher de cinco anos em abrigos e estações de trem. Como muitos dos filmes do gênero "superação", este é baseado em uma história real, e o herói vira o jogo e, após ser aprovado para trabalhar em uma corretora de valores, torna-se um milionário.
Mas o fato relevante é como ele usava a imaginação para fazer dua coisas: convencer-se da possibilidade de mudança da situação, e conseguir sobreviver às dificuldades pelas quais estava passando. Na primeira noite em que dormiu no banheiro público do metrô, criou uma brincadeira com o filho, na qual eles imaginavam que fugiam de dinossauros e se salvavam protegendo-e em uma pequena caverna. A imaginação o salvou do dinossauro da desesperança e manteve intacta a relação pai/filho.
E não é só Hollywood que enaltece a imaginação. A frase mais conhecida de Einstein é aquela em que diz: "A imaginação é mais importante que o conhecimento". O físico estava se referindo à limitação do conhecimento científico, enquanto declarava que a imaginação seria um território ilimitado. Nada mais certo. De certa forma, podemos dizer que tudo o que existe de concreto no mundo, e que foi feito pelo homem, é descendente direto da imaginação humana. Sem imaginação a arte seria manca e monótona, a ciência seria primitiva e pequena, e até as relações humanas seriam previsíveis e insatisfatórias. Se é que essas coisas existiriam.
Por isso, imagine. Liberte a criatividade da mesmice, da impossibilidade e do limite. Todos são inimigos da imaginação, e também do progresso e da felicidade. Imaginar é usar a faculdade mental de criar imagens com as quais não se teve uma experiência direta. E isso tem uma imensa virtude. A de gerar a energia necessária para que a transformação da imagem mental em algo real aconteça. Não existe nada feito pelo homem que não tenha começado com uma imagem mental.
A imaginação junto com a curiosidade e a transgressão, é uma qualidade infantil. Como as crianças ainda não foram apresentadas inteiramente à realidade, só lhes resta imaginar. Elas criam seu universo imaginário e vivem nele a aventura da felicidade. Sim, precisamos da imaginação para sermos felizes, pois este é o antídoto para a dureza de tal realidade.
Mas o tempo passa e trata de nos fazer íntimos da realidade. Isso não é ruim, mas tem seu lado perverso: passamos a acreditar que a realidade é mais poderosa que a imaginação. O resultado é o calo da alma, que nos enrijece e limita nossos movimentos.
No dia em que paramos de acreditar na possibilidade da criação de um mundo melhor, começamos a morrer. Convença-se que a vida é injusta e ela assim ser´, e sempre contra você. Imagine um mundo mais justo e ele começará a existir. Eu me nego a me conformar com o mundo pequeno e medíocre a que Vargas Lhosa se refere. Prefiro imaginar algo melhor, em que as pessoas têm oportunidades equivalentes, os mesmos direitos, e exercem seu direito de aproveitá-los ou não. Alguns dirão que sou ingênuo. Outros, que sou visionário.
Na verdade, estou sempre disposto a imaginar que a vida vale a pena e que se existe a tristeza é só para que possamos entender a alegria. Imagino que a intolerância, a arrogância, o orgulho e a maldade são sintomas da fase evolutiva inferior em que ainda nos encontramos. E imagino que vamos evoluir. Prefiro imaginar que um mundo melhor é, sim, possível, e assumo minha parcela de responsabilidade para ajudar a construí-lo. Imagine, e você se arrisca a conseguir. Não imagine, conforme-se, e você estará condenado à mesmice. Imagine e organize-se para tornar a imaginação realidade, e algumas coisas fantásticas começarão a acontecer. "Você pode achar que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único e você ainda vai se juntar a nós".
(texto publicado na revista Vida Simples - junho 2013)
Ho visto questo bel testo in portoghese e l'ho tradotto velocemente. Scusatemi per qualche imperfezione nella struttura e nel lessico. Spero solo di riuscire a trasmettere il contenuto delle belle parole del grande John Lennon.
Ci hanno sempre fatto credere che il vero amore
lo viviamo una sola volta nella vita, di solito prima di compiere i 30 anni.
Non ci hanno raccontato che l’amore non funziona come un ingranaggio e neanche
ha un orario stabilito per arrivare. Ci hanno fatto credere che ognuno di noi è
la metà dell’arancia e che la vita ha senso solo quando troviamo l’altra metà.
Non ci hanno raccontato che siamo completi dalla nascita e che non abbiamo
bisogno di qualcuno che ci complementi. Siamo in grado di crescere da soli. Se
siamo in buona compagnia meglio perché sarà più piacevole. Ci hanno fatto
credere alla formula “due in uno”: due persone che pensano e agiscono dello stesso
modo. Hanno dimenticato di dirci che questo si chiama annullazione. E che l’unico
modo di avere un rapporto sano è quando ognuno ha la sua personalità. Ci hanno
fatto credere che il matrimonio è obbligatorio e che i desideri al di fuori di
esso dovrà essere represso. Ci hanno fatto credere che solo i belli e i magri
hanno il diritto di essere amati, quelli che praticano poco il sesso non sono
fidabili e che ci sarà sempre una ciabatta vecchia per un piede storto. Hanno
dimenticato di dirci che ci sono più teste storte che piedi storti. Ci hanno
fatto credere che c’è un solo modo di essere felici, lo stesso per tutti e
quelli che non sono d’accordo saranno condannati alla marginalità. Non ci hanno
raccontato che queste formule non funzionano sempre, sono frustranti e che
possiamo trovare altre alternative. E non ci hanno raccontato che nessuno ci
dirà mai niente. Ognuno dovrà scoprire da solo. E allora solo quando ti sarai innamorato di te stesso, sarai in grado di essere molto felice per trovare la persona giusta per te.
Trecho do filme "Operação Cupido" ambientado em Londres, que não poderia deixar de mostrar uma cena em que mãe e filha atravessam a famosa faixa de pedestres de Abbey Road
George Harrison, Paul McCartney, Ringo Starr e John Lennon
As personagens de Mauricio de Souza não poderiam faltar, né ?
Eis Cascão Harrison, Cebolinha McCartney, Magali Starr e Monica Lennon
Reparem no Mauricio de Souza perto do fusca amarelo!!!
E muito menos o meu sexteto favorito: Serginho Herval, Nando, Feghali, Paulinho, Kiko e Cleberson. E o DVD que eles foram gravar em Londres de quebra ganhou o Grammy Latino em 2009
Cena do filme "I am Sam" em que Sam com sua filha e seus amigos repetem a famosa cena dos Beatles. Toda a trilha sonora desse filme foi feita com regravações das canções dos 4 rapazes de Liverpool
Ewan McGregor canta "Your song" de Elton John no filme "Moulin Rouge"
Hugh Laurie canta "You don't know my mind"
Rupert Everett canta "I say a little prayer" no filme "O casamento do meu melhor amigo"
Hugh Grant canta "Pop! Goes my heart" no filme "Letra & música"
Michael J. Fox canta "Johnny B. Goode" no filme "De volta para o futuro"
Richard Dreyfuss como Mr. Holland interpreta a canção "Beautiful boy" para o seu filho surdo, Cole. A autoria da canção é de John Lennon que a fez para seu filho com Yoko Ono, Sean, e faz parte de seu último álbum "Double Fantasy" de 1980