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domingo, 16 de outubro de 2016
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
A reorganização do museu mais popular da Itália - Rachel Donadio
Primeiro estrangeiro a se tornar diretor da Galeria Uffizi, Eike Schmidt planeja fazer profundas mudanças no local
Eike Schmidt, o primeiro estrangeiro a assumir o posto de diretor da Galeria uffizi, tomou uma decisão que lhe pareceu lógica: em março, instalou alto-falantes ali para alertar o público da ameaça dos cambistas e batedores de carteira, de olho nos turistas que enfrentam as longas e constantes filas na porta do museu mais popular da Itália, famoso por guardar tesouros magníficos de Botticelli e Rafael.
Só que nem todo mundo se sentiu agradecido: dias depois, três policiais, com repórteres a tiracolo, chegaram à sua mesa e lhe entregaram uma multa de 290 euros por "fazer anúncio sem a devida autorização". "A princípio, fiquei meio bravo, mas logo entendi que era uma oportunidade que não podia perder e anunciei que pagaria do meu próprio bolso", conta o historiador de arte alemão. No dia seguinte, quando deveria fazer o pagamento, os jornalistas estavam lá, tirando fotos para transformá-lo em celebridade local instantânea. Os florentinos começaram a se aproximar de Schmidt na rua para expressar sua solidariedade.
As reações tão dispares ao experimento do alto-falante mostram que Schmidt tem que enfrentar um desafio fundamental. Enquanto briga para administrar o público, gerar mais renda e melhorar a experiência - que inclui um sistema de compra de ingressos caótico -, será que continuará a angariar a simpatia geral e levar a melhor contra uma avalanche de restrições burocráticas, interesses velados e intrigas políticas?
No ano passado, a Uffizi, o Palácio Pitti e os Jardins de Boboli se transformaram em uma única entidade, visitada por 3,4 milhões de pessoas, resultando em 17,3 milhões de euros em vendas de ingressos ao governo, tornando-o o museu mais rentável do país. O objetivo de Schmidt é melhorar o fluxo do museu, fazer uma boa reforma, agilizar um organograma de exposições caótico, criar um programa sério de bolsas de estudo e descobrir formas inovadoras de expor mais de 12 mil pinturas, 3,5 mil esculturas antigas e 180 mil desenhos e gravuras, incluindo trabalhos latino-americanos reunidos ao longo dos séculos, mas raramente mostrados.
Schmidt, 48 anos, que era curador do Instituto de Arte de Minneapolis, em Minnesota, foi contratado no ano passado, como parte de uma reforma radical que deu a vinte instituições nacionais maior autonomia em relação ao Ministério da Cultura, em Roma, que é quem o mantém e fornece funcionários.
No que foi considerada uma atitude ousada, a pasta abriu as diretorias, pela primeira vez, a candidatos internacionais, o que acabou resultando na contratação de sete estrangeiros. Schmidt, estudioso da coleção Médici que forma a base da Uffrizi, já tinha morado em Florença. A intenção da reforma, levada a cabo pelo ministro Dario Franceschini, era reciclar talentos e dar a esses "supermuseus" - incluindo o Capodimonte de Nápoles, a Pinacoteca de Brera de Milão e a Accademia de Veneza - mais controle sobre seus orçamentos, mostras, serviços como cafés e livrarias e mais autonomia em um momento em que a economia nacional está estagnada.
Em uma reunião com os funcionários, Schmidt discutiu, em italiano fluente, como abrir ao público uma das atrações mais valiosas do museu: um corredor projetado por Giorgio Vasari, artista e escritor italiano do século 16. Atualmente, está reservado apenas a turnês de grupos pequenos, organizadas por empresas particulares que quase sempre ganham mais que o museu. Com a mudança, porém, vem a resistência. As empresas que organizam os passeios não querem perder a fonte de renda.
Franceschini, o ministro da cultura, se disse satisfeito com a maneira com que as mudanças vêm ocorrendo. "É claro que uma reforma tão profunda enfrentará resistência. Se forem reais, vão desagradar mesmo, se todo mundo gostar, é porque são falsas", afirmou, em entrevista em Roma.
(texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 31 de agosto de 2016)
sábado, 13 de agosto de 2016
La dolce villa - Eric Wilson
Há 35 anos, Roberto e Eva Cavalli vivem na mesma casa, em Florença. Em meio a peças de arte renascentistas e pinturas contemporâneas, a família, que não para de crescer, desponta como o bem mais valioso.
Não seria exagero afirmar que hoje, na Itália, ao menos geograficamente, um estilista ocupa o lugar que um dia foi do mais famoso e temido clã de mecenas da Itália, a família Medici, que nos séculos 14 e 15 dominou a Toscana. Do alto de uma colina, em Florença, Roberto Cavalli avista sua propriedade, de tirar o fôlego: 16 hectares, ornamentados por alamedas de oliveiras (são mais de 2 mil árvores, plantadas em caminhos perfeitamente simétricos). No topo do terreno, onde a luz dourada do amanhecer confere tons pastel ao céu, fica a construção, que começou sua história como uma fazenda no século 15 e, com o passar dos anos, tornou-se tão luxosa quanto um palácio. Piscina coberta e ao ar livre, sauna e heliporto são apenas alguns dos confortos modernos. Também chamam a atenção os irrequietos papagaios e araras - alguns mantidos dentro de casa, outros habitando uma estrutura de vidro, construída sob a orientação do arquiteto italiano Italo Rota em 2008. Como se pode ver, no lar em que divide com a mulher, Eva, desde 1975, não há nada que possa ser considerado pequeno ou pouco. Exatamente como as coleções de moda assinadas pelo casal (ela também é sua parceira criativa), o lugar é um tributo ao sucesso e ao excesso. "É possível ver a casa de longe. Quando localizo minha colina e minha torre, fico todo orgulhoso", diz Cavalli, sentado confortavelmente numa cadeira de diretor em uma das muitas salas da villa. "As pedras dessas paredes têm 600 anos de idade", frisa. Ele gosta de dizer que Florença, sua cidade natal, está presente em seu sangue. "Às vezes, quando estou sozinho, tarde da noite, fico ouvindo Beethoven e Chopin e gostaria que eles pudessem conversar comigo. Talvez me contassem histórias sobre a cidade e as pessoas que viveram antes de mim. E imagino, daqui a 500 anos, quem poderá morar aqui? Afinal, é meu espaço agaora."
Apesar de eclética, a decoração guarda um ponto em comum: todos os objetos têm uma história particular. Uma das camas, por exemplo, fez parte do cenário de um desfile do estilista inspirado em Luisa Casati, uma marquesa que chocou a sociedade de Veneza, na primeira metade do século 20, porque usava cobras no lugar de joias e passeava com uma dupla de guepardos presos por coleiras de diamantes. "Meus amigos costumam dizer: 'Roberto, você mistura peças de estilos muito diferentes'. Mas por que se importam tanto? Escolho objetos que façam me lembrar da minha vida." Cavalli conheceu Eva durante um concurso de Miss Universo. Ele fazia parte do júri e ela era a representante da Áustria. Passados os anos, ambos mantêm o amor pela propriedade e pela família. Os sete netos, com idade de 2 a 11 anos, são recebidos com mimos e regalias. "Dou a eles o que quiserem", conta Eva. "Deixo que mexam em tudo. Eles ficam surpresos porque são muito comportados quando estão com seus pais." Em tudo mesmo? Até nas coleções de talismãs, globos de vidro, obeliscos de pedras e outros símbolos de sorte que ela guarda com carinho? Ela sorri e afirma que hoje está quase minimalista, com a maioria dos enfeites guardada no sótão. "Sempre fui extravagante. Acho que uma casa precisa ter a estética de quem mora nela. Nunca poderia pedir a um arquiteto que cuidasse de tudo. É preciso haver uma relação com as coisas que nos rodeiam", diz.
Um móvel, extremamente útil na maioria dos lares, foi preterido pelos Cavalli: uma mesa de jantar convencional. Quase toda a mobília que há nas salas pode ser removida ou empurrada para os cantos quando o casal resolve receber mais de 200 pessoas de uma hora para outra. Nessas ocasiões, Eva prefere utilizar pequenas mesas desmontáveis, que cobre com tecidos de animal print, candelabros e correntes. Ela já chegou a usar joias para enfeitar as festas até que um dia seu filho mais novo, Roberto, rompeu um colar de pérolas sobre o chão de terracota. Atrás da enorme garagem, que fica na parte norte da propriedade e guarda o helicóptero da família, fica o estúdio de Cavalli, repleto de pinturas e estátuas. Lá também ficam Nero, uma cacatua negra, originária da Papua Nova Guiné, Oro e Bianca, duas cacatuas brancas, Verde e Marrone, dois papagaios, Rosa e Viola, cachorras da raça yorkshire, Lupo, o pastor alemão, e finalmente, Ciallis, o gato, cujo curioso nome é o mesmo de um remédio para disfunção erétil. "Não sei explicar, mas eu os amo demais", afirma o estilista. Por isso, quando ele voa para Milão, para um dia ou dois de trabalho, ou embarca em seu iate, para momentos de descanso, ele leva consigo parte da tribo. Para ele, a família nunca fica para trás.
(texto publicado na revista Estilo de vida - abril de 2015)
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Os caminhos da roça - Rachel Verano
Cidades medievais, vinhedos, campos de girassóis, obras de arte. Cinco roteiros de carro para se perder e encontrar os segredos bem guardados da TOSCANA
A luz do fim de tarde dourava os campos cobertos de vinhedos e, lá na frente, os enormes ciprestes eram naquela hora apenas silhuetas no alto da colina, envoltas numa fina névoa. Impecável em um terninho preto, Giovanna Romanzi rompe o silêncio com um longo suspiro, tira a cãmera do bolso e começa a fotografar. Até aí nada demais, não fosse o fato de que Giovanna mora exatamente ali - e estava a trabalho. Há dois anos ela foi contratada por um hotel de luxo e se mudou de Roma para a região de Grosseto, a pouco mais de duas horas de distância da capital. Não demorou muito para que incorporasse aos folders e cartões de visita do trabalho a tal cãmera, sempre a tiracolo. "Me surpreendo a todo momento", diz ela. "A cada hora do dia temos uma paisagem diferente, uma luz diferente, uma cena ainda mais mágica." É fácil entender o que ela está falando. A Toscana parece um cenário produzido - de qualquer ângulo, a qualquer hora e qualquer que seja a direção, vai ter sempre um cartão postal escancarado na nossa frente. Um campo de girassóis que sobe e desce suavemente as montanhas. Um caminho cheio de curvas, ladeado de ciprestes simétricos. Uma igrejinha de pedra isolada no alto da colina. Um castelo imponente que surge do nada no meio de uma estradinha de terra que parecia levar a lugar nenhum. Respire fundo, desacelere a alma, tire o relógio do pulso. Até porque o tempo por aqui é outro... A seguir, propomos cinco roteiros de carro pela região. Um conselho: não os siga à risca, apenas se oriente. O melhor da Toscana surge assim, quando menos se espera. E a surpresa faz parte do pacote.
Montepulciano/Pienza/Montalcino
Num pequeno trecho de menos de 30 quilômetros de estrada, a Toscana se entrega de bandeja com todas aquelas paisagens que você já viu nos livros e no cinema. É a região ideal para quem tem pouco tempo. Montepulciano tem um belo centro histórico que é uma sucessão de vielas imperfeitas e fachadas irregulares. Pienza, uma cidadela monocromática cercada de campos verdes de doer. E Montalcino, uma pequena vila de 5 mil habitantes erguida no topo de uma colina, cercada por alguns dos vinhedos mais afamados do mundo: os que dão origem ao vinho Brunello de Montalcino, uma das jóias italianas. Entre elas, campos dourados de feno, ilhas de ciprestes à beira da rodovia, campos de girassóis, casas singelas construídas no alto dos morros. Erre o caminho, busque as estradas secundárias. Não faça planos, mas não vá embora antes de conhecer alguns highlights: o Tempio de San Biaggio, nos arredores de Montepulciano, um belo exemplar da arquitetura renascentista, erguido no século 16; a pequenino vila de Monticiello, com suas casas de pedra, floreiras nas janelas e a sensação de que o tempo parou; as muitas enotecas de Montalcino, para fazer degustações com vista dos vinhedos (oque é ainda mais especial); e a Abbazia di Sant'Antimo, nos arredores da cidade, construída no meio de um vale de oliveiras centenárias, onde monges entoam cantos gregorianos várias vezes ao dia. A região é ainda famosa produtora do queijo pecorino, feito com leite de cabra, e é possível visitar diversas fábricas pelo caminho.
Siena/San Gimignano/Florença
O coração desta região tem um nome mágico: Chianti. Para apreciadores de vinho, não é preciso dizer muito mais. As terras localizadas entre Siena e Florença são cobertas de belos vinhedos. No meio deles, aqui e ali, pipocam castelos medievais, vilas minúsculas, abadias centenárias, muitas adegas e algumas curiosidades, como o fato de que Monalisa, a musa de Da Vinci, teria nascido por aqui, na villa Vignamaggio, em 1479. No meio de tudo isso serpenteia a S-222, uma estradinha secundária de cerca de 70 quilômetros de extensão, quase sempre vazia (apressados preferem a auto-estrada que corre paralela). Numa ponta fica Siena, com seu charmoso centro histórico de ruelas estreitas. No coração da cidade, a Piazza del Campo reina soberana como uma das mais belas praças do país, aos pés da Torre del Mangia, de onde se tem uma linda vista de toda a região. É ali que Siena se transforma nos dias 2 de julho e 16 de agosto para sediar a mais antiga e emocionante corrida de cavalos do mundo, o Palio. Na outra extremidade, Florença. Todos os caminhos levam ao Duomo, o grande cartão-postal da cidade desde o século 15. E, de lá, à Piazza della Signoria, às grandes obras da Accademia e da Galleria Uffizi, ao Palazzo Pitti, aos Jardins de Boboli, ao Rio Arno, à Ponte Vecchio... E também aos melhores gelatos do país. A 53 quilômetros dali (e a 40 de Siena) fica outra bela cidadezinha-cenário: San Gimignano, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Fundada no século 10, é famosa por suas torres medievais superbem preservadas - são ao todo 14.
Pisa/Lucca
Pisa é grande (tem cerca de 100 mil habitantes). É industrial. E, verdade seja dita, é feinha. Talvez não fosse em qualquer outro canto do mundo, mas na Toscana, onde cada vila parece ter sido esculpida à mão, ela é, sim. E é justamente por ser assim que ela precisa ser visitada. Ela não, a Piazza dei Miracoli. Percorrer as ruas sem graça dos arredores e de repente dar de cara com aquele descampado com o belo Duomo e, ao lado, a famosa torre inclinada, que começou a ser construída ainda no século 12, é um choque delicioso e imperdível. Mas que não demanda mais do que uma tarde. A menos de 40 quilômetros de distância fica a puco conhecida e badalada Lucca, um charme. No centro histórico, todo murado, o trânsito de pessoas divide espaço com o de bicicletas e, no final, tudo converge para a curiosíssima Piazza Anfiteatro, uma praça completamente oval no meio da cidadela. Nos arredores há vilinhas interessantes e uma concentração de cursos de culinária. Quem quiser aprender a fazer cantucci, o tradicional biscoito de amêndoas normalmente acompanhado por um cálice de vin santo, ou saber a diferença entre bresaola, pastrami e prosciutto, pode se hospedar em belos palacetes e passar uns dias de avental e gorro pela mais tradicional zona rural italiana, com direito a visitas a deliciosos mercados e feiras de rua, como a que acontece na pequenina Pistoia aos sábados pela manhã.
Cortona/Arezzo
Cena rum: um desajeitado Guido Orefici percorre as ruelas de um lindo centro histórico de bicicleta e sorriso escancarado, deixando ecoar pelos becos um sonoro "buongiorno principessa" para sua amada. Cena dois: uma escritora norte-americana recém-separada do marido embarca numa excursão para a Itália e, ao fazer um passeio pelo interior do país, se encanta com a região, manda o motorista parar, desce do ônibus, compra uma casa e nunca mais vai embora. Nos últimos tempos, essa região da Toscana foi elevada ao status de celebridade depois de ter servido de pano de fundo para sucessos de Hollywood. O primeiro, A Vida é Bela, protagonizado por Roberto Benigni, se passa no centro de Arezzo, um emaranhado de ruinhas calçadas recheadas de café, lojas de antiguidades e pequenos empórios que vendem massas e vinhos. O segundo, Sob o Sol da Toscana, narra a aventura real da escritora Frances Mayes em Cortona, uma cidade de pouco mais de 20 mil habitantes de origem etrusca, encarapitada no topo de um morro cercado de vinhedos. As duas foram feitas para ser saboreadas sem pressa. De preferência num café com vista. A estradinha que liga uma à outra tem menos de 30 quilômetros de extensão e os mais impressionantes campos de girassóis do país, durante os meses do verão. Reserve uma tarde para conhecer Il Borro, a 20 quilômetros de Arezzo, uma minúscula vila medieval do século 11 comprada e completamente recuperada pela tradicional família Ferragamo (leia-se Salvatore Ferragamo, uma das mais renomadas grifes italianas). As fachadas coloridas e gastas escondem segredos que quase já não existem mais - há um sapateiro que confecciona calçados à mão sob encomenda, um ourives, um marceneiro que faz brinquedos de madeira... Uma verdadeira viagem no tempo.
Maremma
Depois de meia hora andando numa trilha aberta na mata, com suaves descidas e subidas, a grande surpresa: uma faixa estreita de areia fina e branquinha e o mar azul, azul, tipo piscina. Pouca gente, nenhuma barraquinha, nenhum ambulante. Precisar, nem precisava. Mas a Toscana tem até praia. E a Cala Violina é maias um desses segredos que vão sendo revelados aos poucos. Maremma é a região onde a Toscana encontra o mar. Um Tirreno de águas tranquilas e transparentes que emoldura aquela mesma paisagem de cinema do interior. São 130 quilômetros de costa de frente para as ilhas do Arquipélago Toscano (Elba é a maior delas). A cidade mais encantadora dos arredores é Castiglione della Pescaia. Uma vilinha medieval que sobe o morro suavemente até encontrar o castelo e as muralhas lá no alto. Pelo caminho, se espalham cafés, mesas ao ar livre em pracinhas e um silêncio quase absoluto. Foi a poucos quilômetros dali que o chef Alain Ducasse resolveu abrir o seu primeiro country-inn italiano, instalado na antiga residência de caça de Leopoldo II de Lorena, o último duque da Toscana. Para chegar até o palacete de cor ocre é preciso percorrer uma estrada de 1 quilômetro de extensão em linha reta, ladeada por ciprestes - L'Andana, que emprestou o nome ao hotel. De um lado, oliveiras cobrem todo o morro. Do outro, os vinhedos seguem até onde a vista alcança. Foi ali que, naquele final de tarde da primavera, Giovanna suspirou. Poderia ter sido em Cortona, Siena, Montalcino, Florença ou na pequena Monticello. A Toscana é assim.
(texto publicado na revista Viagem e Turismo - O melhor da Itália - eidção 139-B)
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