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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cuidados ao usar seu celular em locais públicos


O aparelho é o recordista de furto em todo o Brasil

Celular é o equipamento eletrônico mais subtraído no país e bateu todos os recordes na estatística policial. Da mesma maneira que o mercado legal de telefonia móvel está tremendamente aquecido, o mercado ilegal está pegando fogo, principalmente pela facilidade em vender a mercadoria roubada ou trocar por drogas. O interesse do criminoso aumenta de acordo com o valor do celular. Portanto, se o leitor é apaixonado por seu aparelho, deve prestar atenção a algumas dicas de segurança.

Não o carregue à mostra em ruas de grande movimento e transporte público. Procure levar no bolso e com o modo vibrador acionado. Em bares, restaurantes, cafeterias e casas noturnas, jamais deixe o aparelho sobre a mesa ou balcão. A percepção do bandido é: "Aquilo que não vejo, não tenho como desejar". Cuidado extremo ao atender chamadas em vias públicas. Se for ligação urgente, entre em algum estabelecimento comercial, você poderá falar com tranquilidade e com mais segurança. Em coletivos, não use celular se estiver sentado próximo à janela e com vidro aberto, pois uma mão sorrateira poderá invadir o interior do ônibus e com rapidez e destreza subtrair o aparelho. Nunca deixe seu celular à mostra dentro do carro. Com alguns cuidados no seu dia a dia você pode aumentar muito a sua segurança.



(texto publicado no jornal Ponto a Ponto edição 405 - ano 7 - setembro de 2016)

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Detox do celular - Cinthia Quadrado

Curtir jogos, aplicativos e redes sociais é legal, mas aproveitar os momentos reais com seus amigos, colegas e família é ainda melhor

O smartphone serve para mandar fotos para as amigas, compartilhar os pensamentos no Facebook e, eventualmente, ligar para a família para matar as saudades. Apesar de ser um meio para se comunicar com todos, ele nem sempre tem o papel de aproximar as pessoas, porque muita gente fica viciada nos joguinhos e mensagens e acaba deixando de lado quem está fazendo companhia. "Tantas funcionalidades, aplicativos e atrativos fazem com que muitos 'mergulhem' dentro de seus aparelhos, se desconectando do mundo externo, e consequentemente dos seres humanos e de seus relacionamentos reais", explica Alessandra Vieira Fonseca, psicóloga coach e sócia-proprietária da ConsultaRH (DF). Pois bem, essas atitudes podem trazer vários malefícios para a vida e distanciar seus colegas de você. Para não entrar nessa roubada, confira agora as dicas da 7 Dias.

Aqui é trabalho!

Na hora do serviço, dá uma baita vontade de checar o Instagram para ver a foto nova do seu amigo ou conversar com alguém pelo Facebook? Saiba que isso pode ser um baita "tiro no pé", porque você pode perder os prazos de entrega dos jobs, além de acabar com o foco no trabalho e o seu chefe te pegar no flagra. "Então é melhor que a pessoa mantenha uma postura profissional e respeite as regras da empresa quanto ao uso do dispositivo. Enquanto algumas aceitam, outras são bem rígidas com esse assunto", afirma Alessandra Vieira.

Oi, eu tô aqui do lado!

Quem nunca saiu com os amigos e passou muita raiva porque eles só ficavam no celular? E sabe quando bate aquele silêncio na mesa e você fica até sem graça de tentar puxar assunto, porque ninguém levanta a cabeça e conversa? É muito chato, mas tem solução. "Ao se sentir incomodado, vale a pena chamar a atenção deles para o que está acontecendo no exato momento, deixando clara a sua insatisfação e o desejo de uma relação normal durante o encontro de vocês", explica Ana Paula Magosso Cavaggioni, psicóloga (SP).

Será que eu sou viciada?

Se as atividades importantes ficam em segundo plano, você atrasa o seu almoço ou dorme mais tarde por causa do aparelhinho, fique esperta porque pode ter se tornado um vício. "Se você sempre se preocupa se há um local para recarregar o celular, nunca sai sem ele, se sente ansiosa quando "cai" a internet, posta tudo o que pensa e tira foto de tudo pensando em como colocá-la nas redes também pode ser um mau sinal", avalia Ana Paula. Caso você ainda não tenha se convencido, faça o seguinte: mapeie o tempo para perceber quantas horas do dia você fica na internet. Se ela passar de mais de duas horas, essa ação pode ser prejudicial para o seu corpo e saúde. Reavalie e perceba seu vício.

Você não me ama?

Se vocês vão para o parque, o shopping ou para a casa dos seus pais e ele não larga do celular, tenha uma conversa bem franca e mostre que você não está feliz assim. "Fale que quer jantar sem intromissões e que o smartphone deve ficar desligado enquanto estiverem juntos. Acordos como este podem fazer maravilhas para o casal", afirma Alessandra. "Alguns estudos até comprovam que, quando o companheiro está sendo dispensado por causa disso, ele sente muito mais ciúmes", diz Ana Paula.

Reunindo a família

Natal, Páscoa, Dia das Mães... Todo mundo se junta, mas ninguém troca ideias, fala do trabalho ou menciona quais os seus planos durante o ano. Eles ficam apenas mostrando as fotos de gatinhos engraçados, as notícias de política que são polêmicas ou as receitas rápidas para fazer em casa com poucos ingredientes. "O mundo virtual vai, pouco a pouco, substituindo o real. Postar uma foto da comida, então, parece ser mais positivo do que compartilhá-la efetivamente com a família", explica Ana Paula. Nesse caso, vale a pena impor algumas regrinhas especiais. Por exemplo, quem mexer no smartphone na mesa vai ter que tirar os pratos e lavar a louça toda sem reclamar. O que você acha? Se eles ficarem de cara feia, converse e mostre que isso só isola as pessoas e deixa os encontros desanimados, ok?!

Detox tecnológico

Você não nasceu grudada com o celular, certo? Então, dá para ficar longe dele sem ter que ficar nervosa. Veja como fazer isso na sua vida:

- Deixe o aparelho no modo avião durante as atividades importantes (reuniões, almoços ou quando está dirigindo). Eles desligam a rede do celular, wi-fi, rádio FM e bluetooth simultaneamente, mas é possível usar os demais apps que não precisam de rede, incluindo os de ouvir música ou assistir vídeos.

- Tire os livros empoeirados da estante e comece a lê-los. Assim, dá para se distrair sem ser "refém" das redes sociais.

- Faça exercícios físicos com mais frequência. Eles desestressam, promovem bem-estar e ainda queimam os quilinhos extras.

- Vá ao cinema para curtir o momento com quem você ama. Além de renovar os ares, dá para distrair a cabeça e se divertir bastante sem tocar na bendita telinha do aparelho celular.


(texto publicado na revista 7 Dias nº 683)

terça-feira, 22 de março de 2016

Relacionamentos e celular - Gustavo Gitti


Em um dos episódios da série inglesa Black Mirror, todas as pessoas usam um aparelho quase invisível atrás da orelha, capaz de gravar tudo o que ouvem e veem, para que depois projetem suas memórias na parede. A ficção nos leva a visualizar o que aconteceria se tal tecnologia caísse nas mãos do nosso monstrinho do ciúme - um exigindo comprovação da noite passada, outro apagando suas lembranças como se limpasse o histórico do navegador.

Em vez de focar nas alterações grosseiras do comportamento, prefiro olhar para como a tecnologia escancara dinâmicas sutis que sempre estiveram presentes, como controle, distração e nossa incapacidade de ficar sozinhos - às vezes observo casais em restaurantes: quando um se levanta para ir ao banheiro, o outro imediatamente saca o celular.

Aplicativos como o Tinder podem reforçar ou nos ajudar a gargalhar desa operação de se relacionar a partir de "gosto" e "não gosto". No Facebook, podemos dividir ainda mais os seres entre amigos e inimigos ou podemos nos alegrar igualmente com suas qualidades e agir para que suas visões se ampliem. No WhatsApp, em vez de exigir que todos fiquem disponíveis para nós, é possível se deliciar com mais uma chance de oferecer disponibilidade.

Como sociedade, ainda somos adolescentes, fascinados com tantos canais de comunicação: por mensagem, iniciamos papos que exigem olho no olho, escrevemos demais quando poderíamos apenas ligar, subestimamos o poder de um simples café despretensioso.

As mensagens constantes são uma forma de manter o movimento do outro sob nossa supervisão - infelizmente, ainda não superamos o famoso "Onde você está?". Por isso é tão importante aprender a espaçar a frequência de contato, liberar o outro em nosso fluxo mental. Lembro do começo do namoro com a Isabella: em vez de nos falarmos todo dia ao telefone, começamos a experimentar e-mails ou SMS esporádicos apenas para marcar o próximo encontro, nos desafiando a passar mais tempo sem checagem.

Você pode usar a internet para se entreter e reificar aflições ou para cultivar compaixão. Por trás até mesmo do pior comentário nas redes sociais, há um grito de socorro, uma tentativa desajeitada de ser visto, amado, uma vontade de ser útil, de se conectar à grande família humana. Se nos posicionamos com essa motivação, não é necessário demonizar a tecnologia. Em vez de nos cansarmos, começamos a dançar, a nos divertir com esse treino de como se posicionar de modo sereno e potente em meio a tanta reatividade. Um exemplo: toda quarta-feira, às 8h, via Google Hangout, me junto a pessoas de todo canto do Brasil para uma manhã de silêncio, com meditação guiada. É muito bom abrir o dia com esse momento de intimidade e de prática coletiva.

Para aprofundar, além de Black Mirror, recomendo os livros Alone Together (de Sherry Turkle, pesquisadora do MIT) e Conecte-se ao Que Importa (do jornalista Pedro Burgos), o curta-metragem Noah e as séries Mr. Robot e Humans.



(texto publicado na revista Vida Simples edição 163 - outubro de 2015)

Má postura pelo uso inadequado do celular pode agravar dores e problemas na coluna


Especialista explica o que é a síndrome do "pescoço da mensagem de texto" (Text Neck) e cita dicas de exercícios para a coluna cervical.

O hábito de inclinar o pescoço para ler ou escrever mensagens no celular ou tablet já se tornou uma rotina para a maioria das pessoas de todas as idades. Porém, o que muitos não sabem, é que essa posição pode ocasionar cefaleia ou dores na coluna cervical, e a longo prazo, até patologias mais sérias, como artrose da coluna, conhecido como Text Neck, ou "pescoço da mensagem de texto".

Segundo o ortopedista do Centro de Qualidade de Vida, Dr. Gilberto Ohara, a inclinação constante da cabeça por longos períodos afeta, principalmente, as primeiras vértebras da coluna cervical. "Essa inclinação equivocada pode causar desde dor de cabeça até dor no pescoço por fadiga muscular, e se mantida durante muito tempo, pode ocasionar uma artrose por degeneração do disco vertebral", afirma o especialista.

A cabeça de um homem adulto pesa cerca de 6 kg, mas quando ela é inclinada para baixo por meio do movimento do pescoço, ocorre uma sobrecarga mecânica e pode chegar a pesar 27 kg. O ortopedista complementa que essa postura é prejudicial, e em casos extremos, pode haver a necessidade de uma cirurgia da coluna cervical.

Para não deixar de usar o smartphone e desenvolver uma Text Neck, é importante tomar medidas preventivas contra essas lesões, como colocar o celular ou tablet em frente aos olhos quando for ler ou escrever alguma mensagem de texto. O ideal é fazer exercícios específicos para a coluna cervical, como orienta o educador físico do Centro de Qualidade de Vida, Rodrigo Poli. "Comece com um leve alongamento. Sem pressionar, puxe a cabeça primeiro para um dos lados e segure na posição até sentir a musculatura reagindo. Mantenha o conforto e troque o lado. Faça de duas a três séries. Outra forma é flexionar a cabeça para frente, usando as duas mãos pressionando a cabeça para baixo, segure 20 ou 30 segundos, solte as mãos e repita por três vezes", explica.

Exercícios para fortalecer a musculatura:

1 - Incline a cabeça para baixo e passe uma toalha por trás, segurando nas pontas. Mantenha as mãos puxando levemente movimentos para baixo e, ao mesmo tempo, mantenha a cabeça fazendo a força contrária, para cima. Com isso, a musculatura do pescoço se movimenta contra uma resistência, favorecendo o fortalecimento dos músculos extensores do pescoço (músculos de trás).

2 - Para fortalecer os músculos flexores do pescoço, ao contrário do primeiro exemplo, a toalha ou algum peso - caneleiras, por exemplo - é colocado na testa e a cabeça pode ficar levemente inclinada para trás, e o movimento então se inicia flexionando a cabeça para frente. Pode ser feito entre duas a três séries e a princípio com movimentos curtos e resistência leve a moderada, podendo evoluir nos próximos treinos.

3 - Em pé ou sentado, segure nas duas mãos algum peso, mínimo 2 kg, com os braços estendidos. Eleve ao máximo os ombros para cima, como se quisesse encostar o ombro na orelha, segure por volta de 2 ou 3 segundos, desça os ombros e relaxe.

O recomendado é que faça três séries entre 15 e 18 movimentos, podendo aumentar a carga gradativamente em todos os exercícios.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 135 - ano 9 - fevereiro de 2016)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A era da solidão acompanhada - Fernanda Allegretti


As inúmeras possibilidades de conexão digital representam uma estupenda conquista para a sociedade atual. Mas a ânsia de estar on-line com tudo e, pricnipalmente, com todos, o tempo inteiro, fez nascer um personagem: o cibersolitário

Você já viu esta cena. Agora mesmo ela pode estar ocorrendo ao seu lado. Um casal, dois adolescentes, talvez uma criança dividem uma mesa num restaurante. É razoável supor que a ideia de comer fora tenha surgido como um programa - com o perdão da redundância - familiar. E, no entanto, o que se vê é cada um entretido com seu smartphone, alheio aos vizinhos de cadeira, os dedos dos mais novos movimentando-se com destreza de pianista, os dos mais velhos sem tanta agilidade, é fato, e nem por isso menos ansiosos. Na tela do celular, um desfile infindável de fotos, videos, WhatsApp, Facebook, Twitter e Instagram. Ainda que os personagens e o ambiente sejam outros - namorados na fila de bilheteria do cinema, um grupo de amigos em um show, pais à espera dos filhos na saída da escola -, tal tipo de comportamento é cada vez mais frequente. Eles estão juntos, mas separados. Estão próximos, porém distantes. Estão acompanhados - mas sozinhos. São os cibersolitários. 

Bem-vindos à Era Virtual. Essa seria a primeira e mais óbvia conclusão. Em tempos digitalmente corretos, qualquer pensamento contrário a esse soaria como um elogio à "magia", ao "romantismo", ao encantamento de - para usar um termo adequado - "outrora". Entretanto, não há nenhuma magia, romantismo nem encantamento no atraso. Seria absolutamente descabido demonizar os avanços tecnológicos, sobretudo com o advento da internet, e a revolução trazida por eles, em especial no quesito comunicação. Ao mesmo tempo, parece inegável haver um ponto a partir do qual as relações virtuais passam a andar na mão oposta à de suas principais conquistas - minando os relacionamentos pessoais "reais".

Diz a psicóloga e socióloga Sherry Turkle, professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em seu livro Alone Together (Sozinhos Juntos): "A tecnologia é sedutora quando o que oferece preenche nossas vulnerabilidades humanas. E somos, realmente, bastante vulneráveis. Somos solitários, mas temos medo da intimidade. As conexões digitais oferecem a ilusão de estarmos acompanhados, contudo sem as demandas da amizade. Nossa vida virtual permite nos escondermos uns dos outros, mesmo quando estamos interessados. Preferimos teclar a falar". Certa vez, durante sua pesquisa de campo, ela ouviu de um rapaz de 18 anos: "Um dia gostaria de aprender a ter uma conversa de verdade".

Até pouco tempo atrás, Sherry Turkle era uma inconteste entusiasta do mundo digital. Durante seus estudos sobre o tema, porém, passou a identificar alguns incômodos exageros no mergulho no universo virtual. isso a levou a rever sua posição, sem deixar de reconhecer os benefícios de viver na Idade da Web. De acordo com a especialista, o argumento mais usado por aqueles que preferem se comunicar quase que exclusivamente por meio de ferramentas digitais é a possibilidade de controlar cada palavra da conversa e, dessa forma, eliminar qualquer perspectiva de ser surpreendido - para o bem e para o mal. No Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas, em São Paulo, a psicóloga Dora Sampaio Góes, vice-coordenadora do Programa de Dependência Tecnológica, já atendeu até mesmo gente que havia perdido o elo com todos os amigos feitos pessoalmente e só conseguia cultivar os virtuais. "É claro que, nesses casos extremos, o indivíduo já tem pouca habilidade social. A internet não muda a índole de ninguém. O que vicia é a possibilidade de melhorar o conceito sobre si mesmo, e isso é justamente o que aumenta a solidão: o abismo entre a persona virtual e a real", acredita ela.

Uma pesquisa feita pelo Pew Research Center nos Estados Unidos com 2 000 usuários de smartphone, divulgada em abril, mostrou que nada menos do que 47% dos jovens adultos, na faixa entre 18 e 29 anos, usam o dispositivo para deliberadamente evitar as pessoas ao redor - ainda que, vez por outra, possa haver algum tipo de interação entre cibersolitários. A porcentagem diminui conforme a idade aumenta. No mesmo levantamento, enquanto 54% do total de entrevistados assume que o telefone nem sempre é necessário, 46% dizem que não podem mais viver sem ele. Embora o aparelho suscite mais emoções positivas do que negativas - 79% disseram sentir-se mais produtivos com ele, por exemplo -, 57% mencionaram "distração excessiva" e 36%, "frustração" ao utilizar o celular.

A mera presença de um smartphone - mudo, apagado - já é suficiente para interferir na qualidade da conversa entre duas pessoas. Foi o que revelou o estudo "The iPhone effect" (O efeito iPhone), realizado em 2014. Nele, pesquisadores da universidade Virginia Tech observaram 100 duplas que interagiam em um café por dez minutos. Aquelas que trocaram palavras sem a presença de um iPhone à mesa reportaram maior empatia e proximidade em relação ao interlocutor. O trabalho, feito com voluntários, comparou o contato estabelecido entre pessoas que se conheciam e desconhecidas entre si. Até os desconhecidos que conversaram sem o smartphone por perto relataram um grau maior de empatia do que os conhecidos que fizeram o mesmo na presença de um celular.

Recentemente, um restaurante de Nova York, que preferiu permanecer anônimo e definir-se apenas como "famoso e renomado", divulgou o resultado de um levantamento que comparou imagens de vídeo de seus clientes em 2004 e em 2014. A análise começou a ser feita quando o estabelecimento passou a receber reclamações de que seu serviço estava muito lento. As queixas continuaram mesmo após a contratação de mais funcionários e a redução de itens no menu. Pois bem: descobriu-se que a demora era culpa dos clientes que insistiam em se manter conectados. Enquanto as refeições duravam, em média, uma hora e cinco minutos no período pré-smartphone, elas se estenderam por uma hora e 55 minutos em 2014. Em 2004, nenhum cliente fotografou o próprio prato. Já em 2014, mais da metade registrou o que estava comendo, levando cerca de três minutos para concluir o processo. Não houve pedidos de clientes ao garçom para tirar uma foto da mesa em 2004. Dez anos depois, 27 a cada 45 clientes o fizeram, sendo que catorze pediram para refazer a foto.

"É inegável que as pessoas estão deixando as relações reais de lado", diz Christian Gebara, vice-presidente executivo de marketing e vendas da Telefônica Vivo. Em discussões dentro da própria empresa, Gebara e sua equipe comentavam sobre o desconforto ao ver alguém dirigindo e teclando ao mesmo tempo ou andando pela rua sem desgrudar o olhar da tela. Foi assim que surgiu a campanha #UsarBemPegaBem, que sugere, por exemplo, que os casais desconectem os aparelhos nos momentos a dois e que o celular não seja usado no trânsito, pois aumenta em 400% o risco de acidentes. "Não se trata de um debate contra a conexão, mas sobre seu uso consciente", argumenta Gebara.

Para o sociólogo e advogado Stefan Larsson, diretor do Instituto da Internet na Universidade de Lund, na Suécia, é normal que a sociedade leve tempo para se adaptar e definir bem as regras que vão orientar o novo comportamento tecnológico-conectivo. "A maneira como nos socializamos e nos comunicamos muda; no entanto, o que ocorre agora é mais uma alteração de formato, da voz para o texto", diz Larsson. "Tendemos a acreditar que a voz seja algo mais natural porque estamos acostumados a esse tipo de comunicação. Nosso desafio é encontrar um balanço entre a conexão das telas e o ambiente externo", complementa.

Há estudiosos menos otimistas, que creem que as sociedades conectadas estão gradualmente migrando do que chamam de relações verticais para relações horizontais. No modelo horizontal, os vínculos expandem-se vultosamente, porém são mais superficiais e não demandam o tempo, a dedicação, a atenção e o comprometimento das relações verticais, que progridem e exigem "sacrifícios" para ser cultivadas. As conversas virtuais são, em geral, breves e facilmente transmitidas. Raramente sustentam discussões complexas ou sentimentos mais profundos.

Segundo o psicanalista Renato Mezan, o comportamento cibersolitário é provocado pela ânsia de estabelecer contatos. "É uma espécie de voracidade pela comunicação, que é difícil de suportar por causa de nossas limitações. Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo", raciocina ele. Essa "voracidade pela comunicação" espelha, sem dúvida, a própria natureza humana. "As leis da comunicação são as leis da cultura", atestou Umberto Eco. Se a cultura é nosso traço distintivo - e ela é -, a condição humana se estabelece na relação com o outro. Não por acaso, na obra do psicanalista francês jacques Lacan (1901-1981), a alteridade ocupa uma posição-chave, pois, para ele, não há sujeito sem o outro.

Se não há sujeito sem o outro, solidarizar-se com o próximo deveria ser algo incontornável para o homem. Preocupado com o fato de os moradores das metrópoles se mostrarem menos dispostos a ajudar o semelhante do que os de pequenas cidades do interior, o psicólogo americano Stanley Milgram desenvolveu, em 1970, a tese de que a sobrecarga urbana estaria na raiz desse problema. Sua conclusão pode ajudar a compreender a cibersolidão. Para Milgram, a população urbana está constantemente sendo exposta a uma quantidade enorme de estímulos. E eles são tantos que é impossível ao ser humano processá-los de uma vez - como destacou Mezan. Com isso, experimentamos a sobrecarga, e nos adaptamos a ela escolhendo a qual estímulo atender. Passamos a ignorar as pessoas ao redor simplesmente pela impossibilidade de dar atenção a todas elas. Exatamente como agimos no mundo conectado.

A desconexão total e completa - algo considerado um verdadeiro pesadelo para muita gente, apesar do que se disse até aqui - é a realidade cotidiana de 150 pessoas do povoado de Green Bank, no Estado de Virginia Ocidental, nos Estados Unidos. Lá, não pegam celular, wi-fi, rádio, microondas nem babás eletrônicas. Não, não se trata de uma revolta camponesa contra a Era Digital. Isso ocorre na cidadezinha americana porque ela faz parte da chamada Zona do Silêncio, uma área de 34 000 quilômetros quadrados em que qualquer dispositivo elétrico pode interferir no funcionamento do Green Bank Telescope (GBT), o maior radiotelescópio orientável do mundo. Com 148 metros de altura, o GBT foi desenvolvido para detectar ondas de rádio naturalmente emitidas por organismos  e corpos que circulam pelo universo. Sua sensibilidade, portanto, é gigantesca: por essa razão, ele precisa de um ambiente sem grandes perturbações para operar. Diz Michael Holstine, gerente do National Radio Astronomy Observatory, onde fica o telescópio: "Nunca tivemos wi-fi. Não podemos sentir falta de uma situação que nunca provamos. Viver aqui é uma experiência tremendamente social. Todo mundo fala cara a cara. Estranho quando vou a uma cidade grande e vejo pessoas na fila do supermercado ou no restaurante sem interagir com quem está ao seu lado".

Holstine, com certeza, estranharia a cena relatada no início desta reportagem. Mas, como defende Sherry Turkle, o mundo digital é uma realidade muito nova, e, assim, os efeitos negativos que anda gerando ainda podem ser superados. Diferentemente das estirpes mencionadas no final de Cem Anos de Solidão, o impecável romance do colombiano Gabriel Garcia Márquez (1927-2014), os cibersolitários têm, sim, uma segunda chance sobre a terra.



(texto publicado na revista Veja edição 2442 - ano 48 - nº 36 - 9 de setembro de 2015)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Por que essa preguiça toda de conversar? - Pe. Juarez de Castro


Ouvi, ao meu lado, duas amigas, que pareciam bem próximas, conversando. Não que estivesse escutando sua conversa, mas pelo volume de suas vozes não haveria como não escutar. Foi quando uma disse: "Preciso lhe contar uma coisa". E a outra dispara: "Me passa um 'whats app"". "Ah, tá bom", a amiga concordou. E continuaram em silêncio, uma ao lado da outra em silêncio. Não contaram o que deveria ser contado, para depois contar no aplicativo de celular. Incrível, mas verdadeiro.

Fiquei muito preocupado. Por que não preferiram conversar ali mesmo, em vez de trocar uma mensagem fria pelo celular? Por alguma razão deixamos de conversar, de trocar segredos, de contar novidades e de sentir a presença do outro ao nosso lado.

O outro tem nos incomodado e estamos preferindo ficar sozinhos a ter que partilhar espaço e palavra com quem quer que seja. Grave! Muito grave, pois estamos perdendo a essência da humanidade, a socialização. O que nos torna humanos é a capacidade de nos relacionar e de amar. Estamos trocando isso por uma falsa socialização por meio de mensagens curtas e redes sociais. Acreditamos estar nos relacionando, mas, na verdade, estamos trocando frases prontas e até pré-estabelecidas, muitas vezes sugeridas pelo smartphone. Chame isso de tudo menos conversa ou mensagem. Conversar é trocar sentimentos, expor ideias, partilhar corações. Trocar palavras é partilhar um pedacinho da sua alma.

Tentei buscar a razão de tanta má vontade em conversarmos e preferirmos a mensagem dos computadores e smartphones. A única conclusão a que cheguei foi preguiça. Estamos sofrendo de preguiça de nos relacionarmos. Afinal, o outro precisa da minha atenção, do meu esforço e da minha entrega e, vamos ser sinceros, hoje ninguém está muito a fim de gastar seu "precioso" tempo com quem quer que seja. Estamos com preguiça de falar, pois isso pressupõe nos comprometermos com o outro. Então, prefere-se mandar uma mensagem curta, que resolve a questão e alivia a consciência.

Quer me conselho? Use seus celulares para falar e menos para mensagens. Esteja na frente de seu computador para pesquisar, trabalhar, escrever poemas. E, quando alguém lhe enviar uma mensagem, responda com uma proposta de encontro para uma conversa real, na qual você possa se emocionar e rir de verdade. Então, não serão necessárias aquelas carinhas amarelas e aqueles "kkkkkkkkkkks" insuportáveis.



(texto publicado na revista Viva! edição 747 - 24 de janeiro de 2014)

sábado, 28 de novembro de 2015

Desligue-se - Elaine Medeiros


É claro que a vida ficou bem mais prática e a distância entre as pessoas mais estreita com a chegada dos smartphones. Mas é certo também que com estes aparelhos, algumas pessoas estão perdendo a noção do tempo e lugar para utilizá-los causando, muitas vezes, mal-estar a quem está por perto.

"Sabemos que as barreiras da distância já foram rompidas com o uso do telefone e da internet sempre que visualizamos nossos entes queridos diante da tela dos aparelhos. Mas por outro lado, não conseguimos ficar sozinhos sem escutar um barulhinho anunciando uma nova mensagem, e logo desperta a nossa curiosidade. Ou seja, a todo instante nossos momentos íntimos são invadidos pela tecnologia, com posts que nem sempre são importantes ou urgentes e, com isso, não conseguimos desligar o aparelho para estarmos face a face com o outro. Essa prática pode prejudicar nossas relações mais próximas", explica a Dra. Dirley Lellis, psicóloga e membro do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais.

Abandone o vício

Desta forma, adotar uma rotina de apego excessivo com o celular pode tornar o indivíduo uma pessoa viciada sem que ela se dê conta disso. "Nessas horas, podemos dizer que a pessoa está viciada. Afinal, o vício também pode ser definido como uma prática irresistível do mau hábito, ao ponto de a pessoa não conseguir ficar sem o smartphone e prejudicar suas relações pessoais ou mesmo suas atividades ligadas ao estudo, trabalho e lazer", ressalta.

Em casos como estes, deve-se acender o sinal de alerta, pois com a percepção de que o uso excessivo do celular pode estar causando problemas, é preciso procurar, logo, um terapeuta para que se coloquem limites no uso do aparelho.

Perigo

Além de inconveniente, o uso indevido do celular também pode causar acidentes graves ou até fatais no trânsito. "É preciso mudar essa cultura de normalidade no uso de celulares, principalmente ao dirigir, até porque o motorista precisa estar atento ao trânsito e não ao celular. Campanhas informativas e um maior rigor na punição dos motoristas imprudentes podem ajudar", defende Dirley.

Por outro lado, Ligia Marques, consultora de etiqueta e marketing pessoal, de São Paulo (SP) lembra que por causa do tempo que passamos dentro do carro fica inevitável não atender uma chamada telefônica, por exemplo. Até mesmo em atividades como estacionar o carro deve-se ter bom senso, ainda que seja possível colocar o aparelho no painel do viva voz esta prática não impede que o motorista se distraia. "Mesmo havendo alternativas, o ideal mesmo é parar e só depois atender".

Como lidar com as crianças?

Na opinião da Dra. Dirley, o uso desenfreado desses aparatos tecnológicos está estimulando a cultura da solidão, pois pais e filhos estão convivendo mais com aparelhos eletroeletrônicos do que entre si mesmos. "Alguns pais acabam comprando, precocemente, celulares para os seus filhos, sem se dar conta de que eles não são brinquedos", explica.

Essa postura tanto dos pais quanto dos filhos impede que haja uma relação mais vivaz entre eles como: um passeio num parque, brincadeiras criativas mesmo dentro de casa, jogos de tabuleiros etc. "Para impedir que esse distanciamento aconteça é preciso oferecer aos filhos, brinquedos interativos, além de tempo para escutá-los e conversar com eles, se mantendo presente de corpo e alma", completa a psicóloga.

Dicas de etiqueta

Para evitar inconvenientes de qualquer espécie, fique atento às dicas da consultora Ligia para o uso do celular de maneira mais consciente

1) Evite incomodar as pessoas com o som alto do toque do celular;

2) Respeite as placas de sinalização: elas indicam onde é possível ou não atender o celular em determinados lugares públicos, como por exemplo, em cinemas, teatros e local religioso;

3) Ao estar em companhia de outras pessoas, procure deixar o aparelho no modo silencioso, assim é possível dar-lhes mais atenção e se está à espera de alguma chamada urgente, procure desculpar-se antecipadamente caso precisar atendê-la;

4) Teclar mensagens, interromper conversas ou refeições para atender uma chamada são gestos que devem ser evitados.




(texto publicado na revista Ponto de encontro nº 58 - out/nov de 2015)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

WhatsApp é vício - Walcyr Carrasco


Com o celular, a gente corre o risco de trabalhar o tempo inteiro, o chefe pode chamar a qualquer momento

Estou no restaurante Gero, em São Paulo. Na mesa próxima, um casal de orientais. Cada um em seu celular. Durante a refeição não trocam uma palavra. Só teclam. Saem juntos, andando e teclando. Em outra ocasião, em Madri, um amigo convidou um grupo para jantar. Um dos convidados sacou o celular. Ficou conversando com a família no Brasil. E nem se interessou em conhecer o grupo de espanhóis na mesa!

A vida com o celular é boa, mas tem armadilhas. Primeiro, a gente corre o risco de trabalhar o tempo inteiro. O chefe pode chamar a qualquer momento, com um assunto urgente. (Que no passado podia esperar até segunda-feira.) Também se intromete em minha vida o tempo todo. Por exemplo, estou jantando com alguém. Ouve-se o toque. A pessoa se lança numa longa conversa, enquanto espero trucido o peixe em meu prato e tento fazer cara de paisagem. Juro, tento me acostumar. Tornou-se impossível falar com alguém sem que a pessoa atenda a algumas ligações, e fale pelo Whats­App durante boa parte do papo, dividida entre nossa conversa e alguém que não sei. Ri, enquanto falo de um assunto sério. Mas está rindo do que escreveram do outro lado. É muito estranho. Reconheço: o WhatsApp tem vantagem. Tenho dois grupos familiares, um com minhas sobrinhas e outro com meus irmãos. Estamos sempre atualizados sobre nossas vidas. Sem dúvida a internet une as pessoas. Mas também separa. Porque há quem não consiga parar de teclar. Conheço umas duas atrizes que teclam até durante a gravação da novela. Na hora da fala, não se lembram. Estavam teclando. Alguém assopra e a interpretação vai para o lixo. Já ouvi diretor de novela falar:

– Aquela é muito desconcentrada. Fica teclando na hora de gravar.

É só uma demonstração, em meu meio profissional, de como o WhatsApp especialmente pode prejudicar a vida de alguém. Em reportagens, e também em conversas com um fisioterapeuta, soube que as pessoas estão tendo problemas no pescoço, de tanto ficar com a cabeça curvada no celular. Pode ser uma festa, a pessoa consegue se isolar. Um amigo saiu do Rio Grande do Sul para ser modelo em São Paulo. Durante um evento, estava direto no WhatsApp. A certa altura, virou-se para mim furioso:

– Imagine o que minha mãe disse para meu primo...

Respondi:

– Você não está lá. Está aqui. Não pode participar de briguinhas familiares. Relacione-se com as pessoas, faça contatos. Senão, é melhor voltar para sua cidade de uma vez.

Ele me encarou como se eu estivesse dizendo um absurdo.

– Espera aí. Só vou terminar aqui – disse.

E voltou a teclar que nem doido, rosto vermelho, no meio de uma briga familiar a quilômetros de distância.

Bem, mas isso é com ele. Pior quando é comigo. Às vezes, enquanto espero alguém, converso pelo WhatsApp. Quando a pessoa chega, explico que preciso parar. É como se estivesse expulsando alguém da minha casa. Vem uma rea­ção ofendida. Quem está no WhatsApp comigo acha que tem prioridade. E também quem faz ligações. Esses dias tive um problema com meu celular. Não carregava. Estava com um mínimo de bateria. Antes de sair para comprar um carregador, um amigo ligou. Como nunca me chama, achei que era importante. Atendi e expliquei:

– Seja rápido. Minha bateria está no fim e não sei se o problema é do celular ou do carregador.

– Ah, tá. Sabe, eu fui na casa da Vera, sou muito amigo dela e do marido, e ela disse que falou com você e que você...

– Pelo amor de Deus, diga em uma frase.

– Tudo bem. É que ela disse que...

O celular pifou. Mais tarde, celular carregado, liguei. Ele começou a explicar, eu cheio de trabalho a fazer. Finalmente, implorei.

– Por favor, do que se trata?

Ofendeu-se. O comportamento dele é o mesmo de quem está fazendo uma visita. Só que visita eu marco. O do celular entra e se instala como numa poltrona a minha frente. Vejo cada vez mais gente que não consegue parar de falar no WhatsApp, e nele resolve toda a vida amorosa, pessoal e, creio, até financeira. Há relações íntimas entre gente que nunca se viu. O comportamento do usuário de WhatsApp é idêntico ao de um viciado: verifica se há mensagens a cada instante, responde, volta a falar, verifica de novo, responde, verifica. Em vez de um vício químico, surgiu o eletrônico. Óbvio. Palpável. Mas do qual as pessoas não têm consciência e perdem até o contato direto, visual, com quem está em frente a elas.

Dona Jandira, uma senhora mineira de 85 anos, resumiu:

– A invenção do celular pôs fim à etiqueta.



(texto publicado na revista Época de 24 de agosto de 2015)

domingo, 9 de agosto de 2015

Os 10 telefones celulares que mais emitem radiação (Melhor com Saúde)


A tecnologia dos telefones celulares afeta a todos nós. A população mundial é de cerca de 7 bilhões de pessoas, e na atualidade existem mais de 5 bilhões que desfrutam da tecnologia móvel.

Nos últimos anos, muitos especialistas fizeram alertas quanto ao uso excessivo dos dispositivos tecnológicos que cada vez nos invadem mais.

Isso soa curioso e quase louco, já que, ao sabermos que a tecnologia vem se desenvolvendo, poderíamos supor que com ela viriam muitas soluções e ajudar con nossas tarefas.

No entanto, esta preocupação se torna bastante razoável, já que com o crescimento da tecnologia, principalmente naqueles aspectos associados à tecnologia móvel, também aumentaram as micro-ondas e as radiofrequências que podem afetar nosso organismo a longo prazo.

Isso chegou a tal extremo que podem até causar câncer e outras doenças perigosas.

Com o avanço da tecnologia, devemos estar atentos a um dos aparelhos sem cabos mais importantes na evolução tecnológica: o celular.

Agora falaremos sobre como os celulares podem causar câncer e outros problemas associados à saúde.

Por que há uma preocupação em relação ao uso do celular e o câncer?

Os estudos dos últimos anos puderam determinar que o uso frequente dos telefones celulares não é tão seguro quanto poderiamos imaginar. Entre as principais razões encontramos:

A tecnologia a nível de telefones celulares evoluiu muito e está atravessando mudanças muito bruscas e rápidas, graças ao aumento das chamadas, seja na quantidade ou na duração das mesmas.

Ao aumentar a duração da utilização dos telefones celulares,cresce a exposição à radiação e, como consequência, cresce o risco de desenvolver o câncer.
Outra razão similar à anterior é o crescimento na quantidade de usuários clientes de companhias de telefonia em nível mundial.

Alguns números da Associação de Telecomunicações Celulares e Internet (Cellular Telecommunications and Internet Association), nos Estados Unidos, afirmam que no ano de 2010 havia mais de 303 milhões de pessoas clientes de companhias de telefonia e telecomunicações nos Estados Unidos.

Este número é três vezes maior do que os 110 milhões de usuários que havia no ano 2000.
Estima-se que, a nível mundial, em 2010 havia cerca de cinco bilhões de pessoas que desfrutavam deste tipo de serviço.

Uma razão a mais e muito relevante é que os tecidos do corpo humano podem absorver a energia emitida pelos telefones celulares, que é muito perigosa. Os aparelhos emitem energia de rádiofrequência, uma forma não ionizante de radiação que é muito perigosa, embora não tanto quanto a ionizante.

O que dizem os estudos sobre o uso dos celulares e o câncer?

De acordo com os dados da Agência Internacional para a Investigação sobre o Câncer (IARC) no ano 2011 os telefones celulares foram classificados como Grupo 2B (possivelmente cancerígeno). Ou seja, “poderia haver algum risco” de que eles possam causar câncer.

Para chegar a esta conclusão, a pesquisa reuniu dados de longo prazo e de uso intensivo de diferentes tipos de celulares.

Os estudos sugerem que, com os milhões de usuários que a telefonia móvel tem em todo o mundo, não é estranho que os resultados comecem a ser descobertos no futuro, obtendo outra evidência contundente desta investigação.

Ainda que até o momento não haja evidência científica suficiente para fazer afirmações, especialistas no tema, como o Dr. George Carlo, consideram que a indústria da telefonia celular poderia arriscar a saùde das pessoas.

Acredita-se que, no mundo, poderiam aumentar os danos cerebrais e alguns tipos de cânceres, como consequência do aumento e da proliferação da tecnologia celular.

De fato, na atualidade algumas condições e problemas de saúde já estão sendo associados ao uso frequente do celular, como é o caso de:

Dores de cabeça repetitivas

Pressão arterial alta

Início precoce da doença de Alzheimer

Câncer

Quais são os telefones celulares com radiação mais alta?

Para que um telefone celular possa passar pela Certificação da Comissão Federal de Comunicações (FCC) e ser comercializado nos Estados Unidos, sua taxa máxima de absorção ou seu nível de taxa de absorção específica (SAR, na sigla em inglês) deve ser inferior a 1,6 watts por quilo.

Considerando esta recomendação, foi elaborada uma lista com os 10 celulares com a mais alta radiação:

MOTOROLA DROID MAXX
SAR: 1,54

MOTOROLA DROID ULTRA
SAR: 1,54

MOTOROLA MOTO E
SAR: 1.5

ALCATEL ONE TOUCH EVOLVE
SAR: 1,49

HUAWEI VITRIA
SAR: 1,49

KYOCERA HYDRO EDGE
SAR: 1,48

KYOCERA KONA
SAR: 1,45

KYOCERA HYDRO XTRM
SAR: 1,44

NOKIA ASHA 503
SAR: 1,43

BLACKBERRY Z30
SAR: 1,41

sábado, 9 de agosto de 2014

Mobiles: praticidade ou dependência? - Teresa Vieira Gama, psicóloga


Você consegue imaginar sua vida sem um aparelho celular? Estar numa situação de emergência e não ter como se comunicar para pedir uma ajuda? Estar num lugar muito legal e não poder ligar para alguém para dividir a experiência? Ou não poder mandar uma foto em tempo real? Estar preso no trânsito, precisar falar com alguém ou mandar um e-mail urgente e não poder? Se perder em algum trajeto e não ter acesso a um GPS para ajudar?

Pois é, tudo isso e muito mais é possível hoje com um smartphone. E como facilita a vida, não? Mas, será que não estamos exagerando no uso desses aparelhos? Para todos os cantos que olhamos vemos pessoas compenetradas em seus celulares e alheias ao mundo à sua volta. É comum vermos pessoas num restaurante, cada uma interagindo com seu celular ao invés de conversarem.

Sem dúvida, a invenção do celular e da internet estão provocando uma revolução na nossa vida. Para se ter uma ideia da abrangência desse fenômeno, veja alguns números que impressionam nesse mundo tecnológico: segundo dados da União Internacional de Telecomunicações, órgão ligado à ONU, o número de celulares chegará até o fim desse ano a 7 bilhões, próximo do número de habitantes do planeta. O uso da internet nos celulares também aumentou e chega hoje a 2,3 bilhões de usuários, ou cerca de 32% da população mundial. De acordo com a Anatel, no Brasil o número de linhas celulares ativas passa de 273 milhões, sendo que São paulo está em primeiro lugar, com quase 66 milhões de aparelhos. Um estudo realizado pela F/Nazca em parceria com a Datafolha aponta que 43 milhões de brasileiros acessam a internet por meio do celular.

Esses aparelhos incorporam inúmeras funções, com muitas ferramentas que ajudam realmente a organizar a vida. Com um celular com acesso à internet é possível comprar, estudar, trabalhar, pesquisar, ler notícias, divertir-se, jogar, ouvir músicas, conectar-se a um GPS para ir a algum lugar, relacionar-se com outras pessoas, entrar nas redes sociais e, principalmente, obter informações.

Não há como discordar de que a convivência com a tecnologia é inevitável e influenciará cada vez mais a vida de todos nós. São inegáveis os benefícios que os aparelhos móveis trouxeram à vida moderna, pois além da facilidade de comunicação com grande número de pessoas, a mobilidade de acesso a diversos contextos contribui para maior eficiência e agilidade de resposta às situações.

Por outro lado, essa abundância de recursos tecnológicos nos apresenta o desafio de usufruir das facilidades que eles nos oferecem, sem cair no exagero que poderá comprometer nossa saúde, a qualidade das nossas relações, etc.

Os jovens são os mais atraídos para o uso desses aparelhos, justamente pela inovação tecnológica, para a qual têm grande habilidade e interesse, e por oferecerem diversidade de entretenimento. Geralmente o aparelho passa a ser também um símbolo de status e de identidade perante o grupo. E essa faixa etária é mais sujeita ao uso excessivo desses aparelhos, podendo sofrer prejuízos no desempenho escolar, no relacionamento interpessoal e familiar.

Para muitos profissionais o celular é uma ferramenta de trabalho, aumentando produtividade, agilizando negócios e decisões. E, também estão sujeitos ao uso exagerado desses aparelhos, por se manterem conectados constantemente, atentos às diversas informações. São interrompidos a todo instante por chamadas, mensagens, e-mails, que "não podem esperar". É frequente estarem em reunião ou realizando alguma tarefa e, ao mesmo tempo, manterem-se atentos às mensagens que chegam pelos aparelhos móveis. E essa interrupção constante no fluxo de sua atenção provoca desgastes no cérebro, podendo levar a lapsos de memória, segundo pesquisas de neurocientistas. Além disso, o desejo de absorver a avalanche de informações que chega é um fator gerador de grande ansiedade, estresse e outros transtornos emocionais.

Algumas pessoas perdem a noção do tempo que gastam manuseando seus aparelhos celulares e acabam apresentando problemas de relacionamento interpessoal e deterioração da vida familiar, já que muitas vezes utilizam o aparelho enquanto estão na companhia das pessoas, prejudicando o convívio. Até mesmo crianças estão tendo acesso a esses aparelhos cada vez mais cedo e não é incomum vê-las manuseando o celular dos pais ao invés de brincar com os colegas.

Ainda não sabemos aonde essa revolução tecnológica vai nos levar, mas os pesquisadores têm levantado questões que merecem reflexão. Já foi inclusive, cunhado o termo "nomofobia" para a dependência do celular ou uso exagerado do aparelho. Esta palavra surgiu na Inglaterra e deriva de no mobile phobia, que significa ansiedade por estar sem seu celular, sentimento manifesto por grande número de pessoas hoje em dia. É difícil identificar quando um "hábito" sai do controle e entra na esfera da "dependência". Assim, é importante identificar alguns sinais de que o uso está passando do normal, como por exemplo: sensação de angústia e desconforto quando se está sem o celular, pensamento recorrente sobre o que estaria acontecendo na internet quando se está offline, irritabilidade quando tenta frear o uso, utilização intensa do celular para aliviar sentimentos de ansiedade, tristeza, culpa; falta de interesse por outras atividades, isolamento social, queda de desempenho escolar ou profissional em decorrência do uso excessivo do celular.

No final das contas, estamos literalmente o tempo todo conectados. Já acordamos olhando as notícias do dia, os e-mails que entraram, mensagens, o que os amigos postaram nas redes sociais, etc. E o que ganhamos com isso? Certamente, muita coisa interessante, caso contrário não viraria um hábito ou até mesmo um vício! Mas, se a moderação é uma grande virtude, talvez possamos nos valer dela e refletir profundamente sobre esse tema e nos perguntarmos se estamos fazendo uso adequado dessas tecnologias, se elas estão realmente sendo um benefício ou comprometendo alguns aspectos de nossa vida.

Experimente desligar seus aparelhos móveis por um período e veja como se sente. Observe como se relaciona, como realiza suas atividades, como se alimenta, como enxerga o mundo ao seu redor, enfim, seja o que for que faça durante este tempo, observe se há diferença. Se for para melhor, procure praticar isso mais vezes e por períodos maiores; você vai perceber o benefício de viver mais intensamente no mundo "real". Se, por outro lado, a experiência for muito desconfortável, se sentir muita falta de seu velho companheiro "celular", tente identificar a razão. O que será que o mundo virtual preenche, que o "real" não preenche? Como está seu relacionamento com o mundo "real"? Com seu trabalho, sua família, seus relacionamentos afetivos, amigos, etc? Será que você está se "anestesiando" ou se "escondendo" nesse mundo virtual porque o real está muito difícil de lidar? Ou está "vazio"? Que papel esse mundo virtual está tendo na sua vida? Após esta análise, esforce-se para inverter essa ordem. Afinal, a vida é aqui e agora!




(texto publicado na revista Tudo nº 42 - ano 4 - julho de 2014)