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sábado, 2 de novembro de 2019
terça-feira, 22 de outubro de 2019
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
sábado, 24 de agosto de 2019
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
domingo, 4 de agosto de 2019
Autoconhecimento e superação: Robert David Hall's story
Sobre o acidente de carro em que teve que amputar as duas pernas
CSI: Grissom e o dr. Robbins cantam na sala de autópsia - Robert David Hall unindo seus 2 talentos: a interpretação e o canto
segunda-feira, 1 de julho de 2019
sexta-feira, 31 de maio de 2019
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Ganhei o Emmy! - Walcyr Carrasco
Lembrei da primeira máquina de escrever que meus pais me deram, quando eu tinha 13 anos
Quando minha novela Verdades secretas se tornou uma das finalistas do Emmy, maior prêmio da televisão no mundo, já comemorei. Ser finalista já é muito. Tenho expectativas sobre meu trabalho, mas sou muito ligado às minhas origens de garoto de classe média baixa de São Paulo. Acho importante homenagear as próprias raízes. Não venho de uma família letrada, mas meus pais acreditaram em meu desejo de ser escritor. Para o garoto do interior de São Paulo, apenas ser indicado para o Emmy já estava mais que bom!
Parti, com um grupo da Rede Globo, para Nova York. A decisão do Emmy passa por etapas. Tanto no Oscar como no Emmy, seu equivalente na TV, a decisão é revelada na hora. Os candidatos roem até as cutículas.
No primeiro dia tivemos a cerimônia de entrega de medalhas aos finalistas. Recebi a minha, já orgulhoso. Nos dois seguintes, painéis.
Painéis? Cada uma das categorias participa de um debate, com um mediador, em que fala de seu processo de criação e produção. Assim, de repente vi-me sentado do lado de uma produtora filipina. Passaram o trailer da novela filipina e era ótima! Em dois segundos dava o panorama da história inteira! O canadense nem se fala: um menino de classe média encontra o avô, que se tornou sem-teto. Demais. Botei minha emoção para fora.
– Escrevi Verdades secretas com meu coração. Foi uma entrega total não só minha, mas também do diretor Mauro Mendonça Filho e sua equipe, de todo elenco. Eu sentia que era importante contar essa história.
Isso foi no domingo. A festa, só na segunda-feira. Tentei levantar informações de bastidores. Não consegui. Ninguém tem acesso ao nome dos vencedores. Honestidade absoluta.
Depois desse processo de acúmulo de tensão, chegou a hora da festa. Black tie. Minha camisa não fechava. A empresária Marcia Marbá, que acompanhava a atriz Grazi Massafera, estava no apartamento ao lado. No instante de sair, corri para pedir socorro. Como salvar meu colarinho? Ela prendeu com linha no lugar do botão e pronto! Depois, botou a borboleta. Perfeito. Meu problema era como sair da camisa depois. Melhor pensar após a premiação. Na festa, entramos numa fila. Os nomes eram chamados um a um e percorríamos o tapete vermelho. Fiz algumas fotos. Francamente, a maior parte dos repórteres internacionais não se interessou por minha pessoa. Entramos, houve um longo coquetel. Depois, o jantar, que eu achei mais demorado ainda. Já estava certo de ter perdido. Melhor acabar logo com tudo.
Os prêmios foram sendo anunciados sucessivamente. A certeza de que eu não ganharia cresceu. Sinceramente, não acertava um! Telenovela foi um dos últimos. Passaram os trailers mais uma vez, e novamente achei todas ótimas. Aí, falaram:
– Hidden truths.
Que é o nome de Verdades secretas em inglês. Levantei pasmado, com um misto de sensações. “Eu ganhei? Eu ganhei?”, pensava, sem acreditar. É estranho. Até então eu estava controlado, até blasé. De repente, havia ganhado o maior prêmio de TV do mundo. O EMMY! Fui para o palco. Minha sorte foi que os diretores Felipe Binder, Alan Fiterman e Natália Grimber me acompanharam. E as atrizes Grazi Massafera, Camila Queiroz, Agatha Moreira e Guilhermina Guinle. Todas lindas. O teatro só aplaudia. É uma sensação incrível receber um troféu desses nas mãos! Pedi ao Lipe para agradecer em meu nome. E, depois, só consegui dizer:
– I am very happy. Thank you! Thank you.
Saímos pela parte de trás do palco. Descemos uma escadinha e estávamos... numa enorme cozinha industrial. Fizemos fotos, pulamos. Atravessei a cozinha e havia um pequeno teatro, onde fui anunciado. Nunca vi tanto fotógrafo na minha vida, tantas televisões do mundo inteiro. Era uma loucura! Essa parte durou muito tempo. Depois, ainda teve uma festa do Emmy. Só quando cheguei a meu apartamento no hotel pude parar. E caiu a ficha. Eu havia, sim, ganhado o Emmy! Olhava para o troféu sem parar.
Sempre tive muitos sonhos na vida, mas não tão grandes. Sabem, sinceramente, no que pensei? Ah, a memória! Na primeira máquina de escrever que meus pais me deram, quando eu tinha 13 anos. E no desejo que ainda estivessem neste planeta para compartilhar o prêmio. Desde os 13 anos nunca mais parei de escrever. É o que amo fazer na vida. Eu queria poder falar:
– É graças a vocês!
Mas, de algum forma que nenhum de nós consegue entender exatamente, talvez eles saibam disso, onde estiverem. Pai, mãe. Gratidão! A vocês, eu devo este Emmy.
(texto publicado na revista Época - 7 de novembro de 2016)
domingo, 16 de outubro de 2016
domingo, 4 de setembro de 2016
terça-feira, 22 de março de 2016
Relacionamentos e celular - Gustavo Gitti
Em um dos episódios da série inglesa Black Mirror, todas as pessoas usam um aparelho quase invisível atrás da orelha, capaz de gravar tudo o que ouvem e veem, para que depois projetem suas memórias na parede. A ficção nos leva a visualizar o que aconteceria se tal tecnologia caísse nas mãos do nosso monstrinho do ciúme - um exigindo comprovação da noite passada, outro apagando suas lembranças como se limpasse o histórico do navegador.
Em vez de focar nas alterações grosseiras do comportamento, prefiro olhar para como a tecnologia escancara dinâmicas sutis que sempre estiveram presentes, como controle, distração e nossa incapacidade de ficar sozinhos - às vezes observo casais em restaurantes: quando um se levanta para ir ao banheiro, o outro imediatamente saca o celular.
Aplicativos como o Tinder podem reforçar ou nos ajudar a gargalhar desa operação de se relacionar a partir de "gosto" e "não gosto". No Facebook, podemos dividir ainda mais os seres entre amigos e inimigos ou podemos nos alegrar igualmente com suas qualidades e agir para que suas visões se ampliem. No WhatsApp, em vez de exigir que todos fiquem disponíveis para nós, é possível se deliciar com mais uma chance de oferecer disponibilidade.
Como sociedade, ainda somos adolescentes, fascinados com tantos canais de comunicação: por mensagem, iniciamos papos que exigem olho no olho, escrevemos demais quando poderíamos apenas ligar, subestimamos o poder de um simples café despretensioso.
As mensagens constantes são uma forma de manter o movimento do outro sob nossa supervisão - infelizmente, ainda não superamos o famoso "Onde você está?". Por isso é tão importante aprender a espaçar a frequência de contato, liberar o outro em nosso fluxo mental. Lembro do começo do namoro com a Isabella: em vez de nos falarmos todo dia ao telefone, começamos a experimentar e-mails ou SMS esporádicos apenas para marcar o próximo encontro, nos desafiando a passar mais tempo sem checagem.
Você pode usar a internet para se entreter e reificar aflições ou para cultivar compaixão. Por trás até mesmo do pior comentário nas redes sociais, há um grito de socorro, uma tentativa desajeitada de ser visto, amado, uma vontade de ser útil, de se conectar à grande família humana. Se nos posicionamos com essa motivação, não é necessário demonizar a tecnologia. Em vez de nos cansarmos, começamos a dançar, a nos divertir com esse treino de como se posicionar de modo sereno e potente em meio a tanta reatividade. Um exemplo: toda quarta-feira, às 8h, via Google Hangout, me junto a pessoas de todo canto do Brasil para uma manhã de silêncio, com meditação guiada. É muito bom abrir o dia com esse momento de intimidade e de prática coletiva.
Para aprofundar, além de Black Mirror, recomendo os livros Alone Together (de Sherry Turkle, pesquisadora do MIT) e Conecte-se ao Que Importa (do jornalista Pedro Burgos), o curta-metragem Noah e as séries Mr. Robot e Humans.
(texto publicado na revista Vida Simples edição 163 - outubro de 2015)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
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