Mostrando postagens com marcador filhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filhos. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Redes sociais e a segurança de seus filhos


Pais de crianças da era digital, sabem da dificuldade de manter os filhos longe da tecnologia, principalmente se ela atende pelo nome de Smartphone. Proibir não adianta. A solução, ainda é a compreensão básica do que seu filho está fazendo para orientá-lo sobre o que é ou não seguro.

Os pais precisam manter um diálogo e, através dele, partilhar as boas e más experiências online. Ficar de olho e acompanhar as últimas tendências das redes sociais.

A mais nova mania em uso pelos adolescentes é o Snapchat, um aplicativo que permite aos usuários tirar fotos de si mesmo, selecionar a quem essas fotos serão enviadas e, em seguida, estabelecer um prazo de até 10 segundos, após isso elas são apagadas.

O aplicativo ganhou a preferência dos adolescentes por poder ser usado sem que os pais ou responsáveis façam parte da rede. Diferente do Facebook, Twitter e Instagram onde pais estão presentes em seus círculos, monitorando as atividades dessas redes.

Como a maioria dos pais não têm ideia das possibilidades do Snapchat, as atividades fogem do controle dos adultos, ficando restritas apenas a visualização de amigos dos adolescentes.

O perigo do Snapchat é a falsa ilusão de segurança quando se trata de tirar fotos de imagens inadequadas e enviá-las para seus amigos. A ilusão de autodestruição das imagens, faz aumentar o uso indevido de fotos íntimas pelos adolescentes. O chamado "sexting", que significa compartilhar fotos nuas ou seminuas, com Snapchat.

O Snapchat é um risco quando usado incorretamente entre os adolescentes que podem ficar expostos ao assédio moral e ser vítimas de pedófilos.

Se seu filho está usando Snapchat, converse com ele sobre o uso apropriado do App. Para saber se ele está ou não usando o aplicativo, é só ver no Smartphone dele tem um ícone com um quadrado amarelo com um fantasma dentro.



(texto publicado na revista Viva! Bonfiglioli nº 08)

sábado, 17 de outubro de 2015

50 decisões vitais para o futuro do seu filho - Rita Trevisan


Como fazer as escolhas certas para que ele seja um adulto feliz e realizado? Essa questão angustia 11 entre 10 mães. Com a ajuda de experts, indicamos os melhores caminhos para você percorrer (com segurança) na educação, saúde, vida financeira e carreira. Conquiste a sensação de missão cumprida!

1. Dar uma educação multicultural

No mundo globalizado, é essencial saber conviver com o diferente e enxergar a riqueza de cada cultura. "Vale colocar seu filho desde cedo para estudar línguas, incentivar que tenha contato com gente de outras religiões, de outros países e níveis sociais, além de organizar viagens para novos lugares", indica a doutora em educação Wanda Engel, superintendente-executiva do Instituto Unibanco.

2. Ser muito mais que amiga do seu filho

"Aos pais, cabe a árdua função de corrigir, de repetir as regras, até que fiquem claras. Já o amigo é aquele que a tudo consente", diz o jornalista Gilberto Dimenstein, presidente da ONG Cidade Escola Aprendiz, em São Paulo.

3. Trazer os colegas dele para perto

Abra as portas de casa para recebê-los. "A maior parte dos adolescentes que chegam para tratamento começou a usar drogas por incentivo de um amigo", conta a psiquiatra Jackeline Giusti, especialista em dependência química do Ambulatório de Adolescentes e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

4. Dar mesada

Comece quando seus filhos tiverem cerca de 12 anos. "Com esse instrumento, eles aprenderão a fazer escolhas e planos", diz Jurandir Sell Macedo Jr., professor de finanças pessoais da Universidade Federal de Santa Catarina e autor de A Árvore do Dinheiro (Campus).

5. Não exigir muito, nem muito pouco

Quando se cobra sempre da criança um nível muito alto de desempenho, ela se frustra e desanima, pois é impossível ser excelente em tudo. Já aquela que não tem de lidar com nenhuma exigência pode interpretar isso como desinteresse dos pais e, da mesma forma, não usará todo o seu potencial para vencer.

6. Ensinar a ouvir

Num cenário interdependente e multicultural, a capacidade de escutar e a sensibilidade para entender o ponto de vista do outro serão um diferencial", diz a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora de Comunicação entre Pais e Filhos (Integrare Editora). Transmita esse valor ouvindo o que seu filho tem a dizer e ensinando-o a prestar atenção nas suas palavras.

7. Não ter medo dos games

"Há jogos que desenvolvem lógica e raciocínio rápido, como Civilization V e Starcraft", indica o educador Roger Tavares, pós-doutorando em tecnologias da inteligência pela Pontifícia Universidade Católica-SP.

8., Valorizar o estudo e não o sucesso

Conte a seu filho que cada ano a mais de escolaridade corresponde a um aumento de 15% no futuro salário. "É preciso resgatar a ideia de que a educação continua sendo a principal porta de entrada para uma carreira bem-sucedida", afirma Wanda Engel.

9. Fazer com que ele tenha várias turmas

Não concentre as atividades na escola. Deixe o futebol para o clube, o balé ou judô para a academia. Conhecer muita gente significa ter mais oportunidades de selecionar as amizades com critério e de não se sujeitar àquelas que não lhe fazem bem. Ou seja, menos riscos de sofrer bullying.

10. Promover o espírito empreendedor

"Isso habilitará seu filho para, aos poucos, gerenciar a própria vida", diz Maria Tereza Maldonado. Crianças pequenas podem ser convidadas a ajudar na arrumação dos brinquedos e da cama. Já os mais velhos são capazes de assumir desafios maiores, como administrar a própria mesada.

11. Adotar a comunicação positiva

"A melhor forma de educar seu filho para o sucesso é descobrir as qualidades que ele em e fazer com que ele as desenvolva. Isso vale mais do que criticar ou educar por meio de repreensões", garante Flora Victoria, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching.

12. Não se contentar com o boletim

"Quando seu filho não aprende um conceito essencial, a tendência é que ele passe a acumular dúvidas e se torne cada vez mais resistente aos estudos", diz Wanda Engel. Daí a importância de não apenas consultar o boletim da criança, mas de acompanhá-la no dia a dia para ajudá-la a superar as dificuldades. Se for o caso, contrate um professor particular.

13. Discutir soluções

Se ele quebrar o vaso da avó, não diga: "Está tudo bem. Vamos comprar outro". Estimule-o a pensar, perguntando: "E agora? O que acha que devemos fazer? Como evitar que a vovó fique chateada?" Assim, você ensina seu filho a manter o foco na solução", garante Flora Victoria.

14. Trocar a babá pela escolinha

Pesquisas mostram que crianças que tiveram uma pré-escola estimulante tendem a ser melhores estudantes no futuro. Certifique-se de que a instituição prioriza o brincar e incentiva a criatividade.

15. Dar a bronca-sanduíche

Ela é mais eficaz. No momento de repreender, comece falando com o filho sobre os pontos fortes dele. Depois, exponha o que pode ser feito de outra forma e, então, finalize com palavras de motivação.

16. Falar bem do seu trabalho

Aposente o discurso "preciso trabalhar para ganhar dinheiro" e troque por "vou trabalhar porque gosto". Refira-se à sua atividade profissional como fonte de realização, não como um fardo.

17. Informar-se sobre as novas vacinas

Há cada vez mais doses preventivas que podem ser aplicadas na adolescência e na vida adulta. "Essa tendência deve se fortalecer", avisa o pediatra Eduardo da Silva Vaz, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

18. Estudar seu filho

Leia tudo que considerar confiável sobre desenvolvimento infantil. "Pais que se informam têm mais parâmetros para avaliar se a criança está crescendo conforme o esperado e estabelecem maior cumplicidade com ela", garante o pediatra e nutrólogo Fabio Ancona Lopez, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autor de Avós e Netos - Uma Forma Especial de Amar (Manole).

19. Adotar cedo o check-up anual

É importante que seu filho se acostume a ir ao médico para manter-se saudável, e não apenas para tratar doenças. Com o acompanhamento constante, é possível adotar estratégias de prevenção.

20. Aliviar a agenda

Ao impor à criança uma rotina sem tempo para brincadeiras e descanso, você colhe mais desvantagens que benefícios. "Ela é candidata a estresse, baixa imunidade, dificuldade de relacionamento e dores no corpo", afirma o pediatra Fabio Ancona Lopez.

21. Esbanjar carinho

Uma pesquisa americana publicada no Journal of Epidemiology and Community Health mostra que crianças que recebem afeto nos primeiros meses de vida lidam melhor com problemas na idade adulta.

22. Não ser inimiga do brigadeiro

"Evite sufocar seu filho com um rígido controle do que ele leva à boca. Quando estiver longe dos pais, a primeira coisa que ele vai fazer é driblar essas regras", explica Fabio Ancona Lopez.

23. Mimar menos

Crianças que nem sempre ganham o que pedem se tornam adultos mais motivados para sonhar e correr atrás de seus sonhos.

24. Diversificar a programação do fim de semana

Resista a se enfiar no shopping o sábado todo. Ou acabará ensinando que divertimento é sinônimo de comprar. É importante fazer piquenique no parque, pedalar, ler um bom livro...

25. Transmitir

Uma criança que não é incentivada pelos pais a ter contato com livros dificilmente vai gostar de ler. Estimule a curiosidade dos filhos contando histórias a eles. O mesmo vale para o desenvolvimento do gosto musical, interesse por cinema e teatro...

26. Fazer uma previdência-educação

Ela permite constituir um patrimônio capaz de custear a faculdade do seu filho, a viagem de intercâmbio... "Planos de previdência são uma boa indicação para investimentos de, no mínimo, dez anos", ensina o educador financeiro Mauro Calil. Já o seguro-educação ajuda a garantir a faculdade se um dos pais (ou ambos) vier a faltar.

27. Investir na bolsa de valores

"Faça a aplicação no nome da criança, medida que reduz os riscos de os pais sacarem o dinheiro em caso de necessidade", sugere Calil. Escolha fundos que tiveram boa rentabilidade nos últimos cinco anos.

28. Ensinar seu filho a poupar

Em vez de prometer que vai comprar aquele game de última geração no Natal, aumente um pouco a mesada e incentive-o a juntar a quantia.

29. Investir em bons colégios

"Só não terceirize para a escola aspectos da educação como boas maneiras, respeito ao próximo, à natureza, educação financeira e ética. Ensine em casa por meio de suas atitudes", lembra Macedo Jr.

30. Ir à feira sempre

Compre frutas cítricas e vegetais verde-escuros, fontes de vitaminas e minerais. O nutricionista Eliseu Verly Junior, da Universidade de São Paulo (USP), analisou os hábitos alimentares de 512 jovens paulistanos e descobriu que 71% deles não consomem suficientemente vitamina A, 53% têm carência de vitamina C, 99% de vitamina E e 84% de magnésio.

31. Adotar os superalimentos

A tendência é apostar nos alimentos que nutrem e fazem bem à saúde. É o caso dos probióticos (encontrados no alho-poró, na alcachofra, na cebola) e dos probióticos (presentes em leites fermentados, como iogurtes). "Eles protegem o trato intestinal e melhoram a imunidade", diz Mauro Fisberg, nutrólogo e professor do Centro de Adolescentes da Unifesp.

32. Estruturar a rotina alimentar

"Quem come sempre na mesma hora e faz cinco refeições por dia garante melhor  funcionamento do organismo e evita excessos", explica a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do grupo de obesidade do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

33. Reunir a família à mesa

Além da oportunidade de colocar os assuntos em dia, é um bom momento para dar o exemplo de como se alimentar. E de checar o tamanho do prato do filho (medida eficiente para identificar, no início, transtornos alimentares, como compulsão ou anorexia).

34. Limitar lanches e pizzas

Alimentos ricos em gorduras e sódio devem ser restringidos a uma vez por semana. A pesquisa de Verly Junior apurou que 15% dos jovens paulistanos consomem mais sódio do que o indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso amplia os riscos de hipertensão e complicações renais no futuro.

35. Não usar comida como moeda de troca

Ou ensinará que comer é um meio de lidar com emoções, o que leva à obesidade. 

36. Caprichar no cálcio

Segundo pesquisa da USP, menos de 5% dos adolescentes paulistanos consomem a quantidade adequada desse elemento.

37. Controlar

Faça questão de que ele suba na balança nas consultas com o pediatra. "A probabilidade de uma criança ou jovem que já têm problemas com o peso continuar nessa condição na vida adulta é grande, chegando a 70% dos casos", adverte Claudia Cozer.

38. Dar o exemplo

"Um pai ativo faz com que o filho tenha três vezes mais chances de ser um adulto ativo. No caso da mãe, a probabilidade de a criança praticar exercícios na idade adulta dobra", conta Victor Matsudo, diretor científico do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul e consultor do Grupo Internacional de Atividade Física para Saúde da OMS.

39. Incentivar os esportes

"As experiências e os conhecimentos que vêm da atividade esportiva extrapolam o ambiente das quadras e podem gerar mudanças positivas nas relações das crianças com os membros da família e com os amigos", afirma Rodrigo Flores Sartori, professor de Iniciação Esportiva da Pontifícia Universidade Católica-RS.

40. Insistir diante da falta de aptidão

Ele não joga bem futebol? Antes de decretar que não leva jeito, tente vôlei, natação...

41. Ser coach do seu filho

Na adolescência, haverá situações em que ele vai querer tomar decisões. Deixe, mas não o abandone. Esteja por perto fazendo o papel de técnico, estimulando a descobrir por si mesmo a saída.

42. Preferir morar em um condomínio com área de lazer

Ou em uma casa com quintal. Não é possível? Leve-o sempre a parques ou hotéis com lugares para brincar. Ambientes com espaço convidam ao exercício.

43. Trocar o carro pelo tênis

Estimule hábitos como ir à padaria a pé ou levar o cachorro para dar uma volta no quarteirão.

44. Assumir o papel de mentor (a)

Em vez de impor regras, pegue na mão de seu filho e vá mostrando o caminho. "Assim a criança se sente apoiada, mas, ao mesmo tempo, tem espaço para a autonomia", ensina Flora Victoria.

45. Abolir a frase: "É porque estou mandando"

Procure explicar o porquê de suas decisões, usando argumentos claros e compatíveis com a idade do seu filho. "Se possível, faça combinados como: 'Isso que você quer não pode, mas vamos descobrir juntos algo permitido e igualmente divertido'", ensina a psicóloga Maria Tereza Maldonado.

46. Valorizar as tarefas domésticas

"Ao partilhar tarefas, estará estimulando a cooperação e a gentileza, atitudes que constroem bons relacionamentos na escola e, futuramente, no trabalho", diz Maria Tereza.

47. Não evitar a dor

Deixe que a criança sinta frustração e crie sozinha estratégias para livrar-se dela. "Um jovem que não foi acostumado a lidar com problemas terá dificuldades de adaptação nas sociedades violentas e, de certa forma, hostis em que vivemos", alerta Gilberto Dimenstein.

48. Colocar filtro no computador

Assim, você terá acesso às páginas visitadas por seu filho e poderá monitorar possíveis problemas. As ferramentas mais modernas permitem rastrear o conteúdo a partir de qualquer lugar.

49. Não permitir que a criança tenha perfil no Facebook

Ela ainda não tem capacidade de dimensionar os riscos dos relacionamentos em redes sociais.

50. Adotar práticas sustentáveis

Se quer que seu filho viva em um planeta habitável no futuro, dê o exemplo. "Use os produtos até o fim e também conserte e reaproveite antes de comprar algo novo", ensina Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.




(texto publicado na revista do Colégio Reggio Emilia edição número 02)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Dois anos de vida - Chris Flores


Quando J. K. Howling criou Harry Potter viu sua vida mudar: contando a saga do aprendiz de feiticeiro, tornou-se uma das mulheres mais poderosas do mundo e a primeira escritora bilionária da história. O que ela não imaginava é que seu personagem tocaria com sua magia a vida de uma brasileira e mudaria seu destino. O bruxinho é o ídolo de Pedro Henrique, 2 anos, e de sua mãe, Angélica. Essa mulher recebeu o diagnóstico de que não veria seu bebê crescer porque lhe restavam apenas dois anos de vida.

A história de Angélica Vasconcelos Melo, ou Angel, para os amigos, começa em 17 de março de 1989, mas tem seu curso interrompido 23 anos depois. Em 2012, ela havia realizado dois sonhos: formar-se em publicidade e propaganda e ter Pedro Henrique. Quando o bebê completou 3 meses, ela começou a tirar o leite da sua mama para armazenar e voltar ao trabalho. Foi nesse ato corriqueiro para tantas mães que sentiu um caroço no seio e procurou sua ginecologista. A partir daí, a vida de Angélica virou de ponta-cabeça. Depois de alguns exames, o diagnóstico soou, em suas palavras, como "uma frase maldita": "Você tem câncer".

Um buraco se abriu, a tristeza e a dor tomaram conta dela. Foram várias sessões de quimioterapia, enjoos fortes, o cabelo que foi embora, levando sua autoestima, e uma cirurgia para a retirada completa da mama. "Travo uma luta diária com minha mente tentando ocupar um espaço vazio dentro da roupa", conta. Não bastasse tudo isso, a separação do marido acontecia ao mesmo tempo. Dias bem difíceis faziam parte de sua rotina - só Pedro Henrique lhe dava motivos para sorrir.

Angélica finalmente se livrou do câncer de mama, mas poucos meses depois veio nova bomba: metástase no cérebro. Células cancerígenas saíram do local de origem e instalaram-se onde a quimioterapia não havia chegado. O mais cruel ainda estava por vir. Com o diagnóstico, a sentença sobre seu tempo de vida: aproximadamente dois anos lhe restavam.

Angélica não pensava mais em si, apenas no filho. O que fazer com uma criança que tinha apenas 2 anos? Ela reuniu forças e decidiu que seu pequeno precisava recordar dela e do amor que sentia por ele. Seu maior medo era morrer e seu menino não ter idade suficiente para guardar a mãe na memória. Ela não poderia partir sem deixar doces e importantes lembranças em sua vida. Só alguém poderia fazer isso por ela: Harry Potter. Uma legião de mães se mobilizou e, em contagem regressiva, iniciou uma vaquinha virtual que arrecadou, em apenas um mês, o dinheiro necessário para patrocinar a viagem de Angélica e Pedro Henrique para Orlando, nos Estados Unidos, onde poderiam conhecer o bruxinho no parque que leva seu nome. Passaportes, vistos, passagens e autorização médica em mãos, mãe e filho partiram para conhecer aquele que mudaria o futuro dos dois.

A viagem aconteceu bem no Dia das Mães, e a mágica se fez. Eles viveram o hoje com ose não houvesse o amanhã. Inesquecível para ambos. Angélica diz que seu futuro é hoje, mas o de Pedro Henrique é amanhã. Nos seus sonhos, ele torna-se médico e ela assiste à sua formatura. Recentemente, Angel passou por uma radiocirurgia no crânio. O resultado esperado para seis meses já foi alcançado em três. "Creio que estou curada", afirma. Quem discorda dessa que é anjo até no nome? Magia, fé, amor ou medicina. Só Pedro Henrique tem a resposta. Ele nem sabe, mas aqui vai nosso segredo: Pedro Henrique tem mais poderes que Harry.




(texto publicado na revista Claudia Filhos 633-B)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A síndrome do ninho vazio


Passam-se anos de dedicação, amor e cumplicidade com seus filhos, mas, como pássaros, um dia eles aprendem avoar e vão para o mundo. Com isso, o lar, que antes era um lugar cheio de vozes, passa a se silenciar. Esta é a lei da vida. E, por consequência, os pais começam a se sentir menos importantes para seus filhos e ficam irritados e agoniados, ou seja, começam a apresentar sintomas da síndrome do ninho vazio. De acordo com a psicóloga especialista em terapia familiar, Roseli di Mauro, esta síndrome é pontual, ou seja, possui hora certa para acabar, sendo que sua duração começa desde o instante da separação dos filhos até o estabelecimento de uma nova ordem familiar. "No entanto, caso a tristeza da síndrome permaneça por mais tempo, pode se transformar em depressão", esclarece.

Neste período, a ajuda dos filhos é de extrema importância, sendo que deve haver uma inversão de papéis, com os filhos passando a "consolar" os pais, especialmente a mãe.

A personalidade de cada pessoa também influencia no modo como a separação é encarada, sendo que indivíduos mais dramáticos sofrem mais. Embora já seja certo que esta separação vai acontecer, ninguém está preparado, de fato, para ela. Além disso, a intensidade do sofrimento também fica na dependência de outros fatores, como o motivo da saída do filho da casa dos pais. Quando for por motivos bons, como casamento, faculdade ou até mesmo morar sozinho, mas com a participação dos pais, o processo se torna menos doloroso. Confira, abaixo, o que fazer para sair desta situação:

- Dê força ao seu companheiro. Quando temos filhos, muitas vezes nosso companheiro fica de lado. Este é o momento do equilíbrio, no qual um dá força ao outro.

- Fale do assunto. Por para fora seus sentimentos é o primeiro passo para melhorar. Às vezes, compartilhe este sentimento com nossos entes queridos permite perceber que podemos superar a situação.

- Atividades prazerosas. No decorrer da vida, as pessoas sempre sentem o desejo de realizar determinadas atividades que lhes dão prazer, mas as exigências diárias, às vezes, fazem com que estas terminem sendo esquecidas. Faça uma lista de todas as atividades das quais você gosta e se prepare para começar a fazê-las.

- Pratique um esporte. O exercício físico é muito bom para a saúde e ajuda a relaxar. Saia para caminhar todos os dias, durante 30 minutos, e você notará como em pouco tempo se sentirá cada vez melhor.

- Cuidado pessoal. Não se abandone, nem se deixe abandonar. Você deve buscar um cuidado pessoal, pois agora terá tempo para isso. É importante que você volte a adotar o papel de mulher, além de mãe.

- Estimule a independência. Seus filhos devem saber que podem contar com o seu apoio nesta nova fase. Evite invadir sua nova casa ou sua vida com visitas ou telefonemas contínuos. Você deve deixá-los crescer, acompanhá-los e desfrutar com eles desta nova etapa da vida.

- Adote um animal de estimação. Se você não tem um marido ou namorado com quem compartilhar este momento e sente que a casa está vazia sem seus filhos, pode adotar um animal de estimação. Eles serão uma grande companhia.

- Melhore a relação com seu filho. Á medida que passa o  tempo, a relação com seu filho mudará positivamente. A maturidade de ambos fomentará outro tipo de comunicação mais frutífera. Você nunca vai deixar o seu papel de mãe, seus filhos estarão sempre aí para você.




(texto publicado na revista Circuito edição 186 - ano 15 - junho de 2015)




terça-feira, 16 de junho de 2015

5 palavras chave para educarmos nossos filhos (Melhor com Saúde)


Educar uma criança não é fácil. Os pais não possuem um manual perfeito que permita criar uma pessoa para que se torne, amanhã, um adulto feliz. Isso sem dúvidas é o que todos os pais desejam para seus filhos. Assim, temem cometer erros e inclusive não cumprir com essas expectativas que depositam. E, antes de tudo, temem não saber corresponder a cada uma das necessidades que as crianças terão ao longo de sua vida. Contudo, os pais precisam ter em mente algo muito claro: isso não se trata de ser “a mãe ou o pai perfeito”. Trata-se simplesmente de ser um bom guia, um bom apoio.

Por isso não devemos nos tornar obsessivos em solucionar cada problema que surja na vida de nossos filhos. Às vezes é melhor dar “meios” e “estratégias” para que eles mesmos consigam encontrar uma solução adequada. E é aí que as palavras entram como uma chave para educar.

Hoje queremos ensinar quais são as palavras mais adequadas, aquelas que toda criança precisa escutar.

1. Confie

Depositar confiança em nossos filhos é uma base essencial para que cresçam com segurança e autonomia. Em outras ocasiões já falamos sobre os riscos da superproteção, um padrão educativo com o qual impedimos que as crianças tenham oportunidades próprias de aprendizagem, e exercemos um controle absoluto em muitos âmbitos de sua vida.

Esse não é o padrão adequado. A frase “eu confio em você” deve ser dita desde muito cedo pelos pais, para que as crianças entendam que têm nosso apoio incondicional para dar seus primeiros passos com segurança e decisão.

2. Sinta

“Sinta o que a criança pode pensar quando você a insulta”; “Sinta o que acontece quando trata mal a alguém”; “Sinta sua felicidade quando consegue fazer algo por você mesmo”; “Sinta seu bem estar quando abraça aos avós ou escutam algo que querem”…

A vida não é unicamente pensar no que queremos ou no que não temos. Não se trata apenas de “acumular coisas”, mas sim de nos sentirmos bem com o que conseguimos diariamente, desfrutar dos amigos, da família, dos animais de estimação… As crianças devem aprender desde muito cedo a importância de “sentir sua vida ao máximo, com felicidade e integridade”.

3. Compreenda

Nossas crianças devem aprender desde cedo a importância de compreender aos demais e de colocar-se no lugar dos outros. É vital que o conhecimento intelectual se equilibre com o emocional.Não se trata de entender apenas os conceitos educativos, saber multiplicar, interpretar texto, etc…

Também devemos fazer com que as crianças entendam o complexo mundo das emoções, que as respeitem e que saibam se expressar de forma adequada, falando do que sentem, do que as preocupa, do que precisam…

4. Compartilhe

“Compartilhe sua felicidade, estabeleça relações positivas com os que rodeiam você, compartilhando o que tem e deixando que os demais também lhe ofereçam as coisas”. Se inculcarmos em nossos filhos este pilar essencial, evitaremos educá-los de forma egoísta, de maneira que só pensem neles mesmos e que antepõem suas próprias necessidades frente às dos outros.

Se aprenderem a compartilhar, construirão relações sociais mais íntimas e seguras, terão bons amigos e, amanhã, construirão relações afetivas mais saudáveis.

5. Ame

Para educar seus filhos na felicidade deve conseguir não apenas que amem a quem os rodeia e cuida, como também a eles mesmos. A auto-estima é muito importante para crescer com segurança e maturidade.

Amar a si mesmo e ser capaz de demonstrar amor aos demais é, sem dúvidas, uma boa base para desenvolver nas crianças a inteligência emocional. Então não deixe de fomentar essas palavras diariamente em seus filhos. O amor, a confiança, o saber compartilhar e entender são pontes nesse crescimento para que, no futuro, sejam adultos felizes.

Educar as crianças é uma aventura diária que deve ser empreendida com paciência, dedicação e amor. Não deve ter medo de cometer erros, pois ninguém é perfeito na hora de dar conselhos ou de servir como exemplo. O mais importante é que nossos filhos saibam a todo momento que os amamos e que os apoiaremos em tudo o que fizerem.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sem filhos por opção - Michelle Neven (The New York Times)


Ter um filho era uma ideia tão distante como uma dentadura e estava mais interessada em mim. Entretanto foi difícil tomar a decisão

ALTADENA - Califórnia - Aos 25 anos de idade fui a uma cartomante, que vivia numa casa cor de laranja com acabamentos em azul e vermelho brilhantes localizada numa rua muito movimentada. Uma placa continha o aviso: "Especial: 5 dólares".

Ela tinha pele clara, olhar arguto, com cerca de 40 anos, cabelos pretos. Atendia os clientes num quarto escuro na frente, repleto de móveis , os abajures adornados com lenços. Uma bola de cristal do tamanho de um melão estava depositada no centro de uma mesa de carvalho redonda, mas a cartomante não seguiu na direção dela - claramente, a obscura bola não era para clientes que iriam pechinchar.

Virando meu pulso, ela analisou a palma da minha mão: "você deve estar acostumada a ser pobre. O dinheiro vai aparecer, mas vai demorar", disse-me. E acrescentou que eu iria lutar como uma doença, séria, mas não que ameaçasse minha vida. E que eu teria um filho.

Eu havia terminado minha relação com meu último namorado três meses antes. Um ator agorafóbico que vivia num hotel que era um pulgueiro e já nem me lembrava mais dele. De modo que fiquei espantada quando, durante um exame pélvico de rotina, o doutor apalpou meu útero e disse que eu estava grávida. E na sua avaliação, eu tinha apenas alguns dias para decidir o que fazer.

Minha melhor amiga disse que eu não devia fazer um aborto. "Vai arruinar seu carma".

Fiquei preocupada com meu carma, mas não tinha um parceiro ao meu lado(e certamente não podia me reaproximar do último), nem dinheiro. Trabalhava meio período numa cafeteria enquanto tentava escrever. Ter um filho era uma ideia tão distante como uma dentadura e estava mais interessada em mim. Entretanto foi difícil tomar a decisão.

Naquela segunda-feira arruinei o meu carma.

Foi algumas semanas depois de ter visitado a cartomante, e me perguntei se haveria um filho no meu futuro ou se, como fiz com meu carma, tinha dado um fim à minha chance de ter um. O tempo diria. Não tinha pressa para saber.

Meus 20 e 30 anos foram consumidos numa série de casos amorosos em que perdi minha vida e meu tempo. E onde correu muita bebida também.

Enquanto isto minhas amigas se casaram. Ninguém se casou com o amor da sua vida. E ninguém tinha pressa de ter filhos. Os anticoncepcionais mudaram muito a vida das pessoas neste aspecto: era possível deixar os filhos para mais tarde. E foi o que fizemos. Mas aos 30, vem a mudança. Nos anos 80 os bebês começaram a chegar.

Uma amiga me disse que o fato de ter comprado uma casa fez com que ela desejasse encher os quartos. Outra estava tão apaixonada pelo marido muito mais velho que  tinha de ter filhos logo.

Duas amigas tiveram dificuldade para engravidar. Depois de anos de frustração e angústia ambas tentaram a fertilização in vitro; um casal produziu um bebê, o outro acabou adotando a filha de uma garota de 15 anos de idade de Bakersfield, Califórnia.

Amigas ainda solteiras loucas para ter filhos decidiram baixar o nível das suas escolhas masculinas - uma escolheu um alcoólatra, conseguiu reabilitá-lo pelo tempo necessário para se casarem e ela engravidar. Outra amiga, de 41 anos, seduziu o empacotador de um supermercado de 20 anos e educou seu belo filho como mãe solteira.

"Você tem de ter um bebê", uma amiga me disse no dia seguinte ao nascimento do seu filho. 'No mínimo para sentir essa onda gigantesca de amor que te arrebata".

Não queria sentir esse amor por ninguém. Ainda queria ser o objeto dessa onda gigantesca.

Porque desde que consigo me lembrar, eu me sentia desconcertada e de algum modo horrorizada com a família em que nasci. Minha primeira ideia claramente expressada deve ter surgido quando eu tinha provavelmente dois anos e meio ou três anos, estava de pé no jardim, e tinha a ver com meus pais:  quem são essas pessoas? Porque estão agindo desta maneira? E como foi que acabei vivendo com eles?

Minha mãe era diabética cujo pâncreas produzia insulina intermitentemente, de maneira que o seu humor mudava descontroladamente. Pianista de concerto formada pelo Oberlin Conservatory, estava entediada por viver dentro de casa. Retornou à escola para obter o diploma de professora quando eu tinha seis anos e voltou a trabalhar quando eu estava com sete. Então ficou menos apática, mas longe de ficar emocionalmente estável. Sua voz tremia tamanha era a autocompaixão e com frequência ela oscilava entre a fúria e o choro. Numa ocasião ela não falou com minha irmã de dez anos durante duas semanas.

Meu pai era um homem distante, não se envolvia com ninguém, tranquilo por um longo tempo, mas explodindo de cólera se o leite fosse derramado, ou quando pedíamos mais dinheiro ou, Deus nos livre, encontrasse alguma moeda no chão. Nunca nos demos conta nem nos preocupamos com dinheiro e o quanto ele trabalhava para nos sustentar, e como éramos caras.

Eles não sabiam brincar conosco, ou ficar próximos, conversar amigavelmente, sem críticas. Mas queriam que fôssemos pessoas bem educadas. Tínhamos aula de música, de natação; minha irmã aprendeu a cavalgar. Não havia dúvida que nós duas frequentaríamos a faculdade.

Exteriormente nossa família parecia arrojada, divertida. Ficávamos mais sociáveis, mais felizes, nas barracas, carros, nos trailers? Raramente. Em nosso círculo mais íntimo, minha mãe e seus humores dominavam e nós, meninas, nos retirávamos, cada uma na sua própria solidão.

Tenho amigos que vêm de famílias que por muito tempo lutaram com problemas de dependência de drogas, abusos e pobreza e se tornaram pais sóbrios, responsáveis e adoráveis que construíram um lar seguro e calmo para seus filhos. Então por que nem minha irmã, nem eu, quisemos "fazer a coisa certa" e viver numa família construída por nós? Mesmo sabendo que nem todas as famílias era iguais à nossa, não tinha confiança de que não iria recriar o mesmo ambiente que conheci.

Acho que não foi coincidência o fato de ter esperado para me casar até ser biologicamente impossível para mim constituir uma família. Diversas vezes eu me apaixonei por homens distantes, com frequência não disponíveis, e tentei, sem sucesso, fazer com que me amassem. Meu hábito de beber aos poucos foi se tornando excessivo até os 34 anos, quando tive um momento de clareza: percebi que não conseguiria melhorar nem as coisas que eu escrevia nem eu mesma se continuasse bebendo todas as noites.

Naquele ano iniciei uma terapia, parei de beber e comecei a trabalhar ininterruptamente, enveredando por um caminho que levou à minha atual satisfação. Abandonei meus esforços para fazer com que pessoas desinteressadas me amassem e aprendi a reconhecer e apreciar as pessoas que se mostravam realmente interessadas. Com os anos de terapia superei meu ressentimento e impaciência com crianças e controlei a necessidade imperiosa de atenção e amor paternos. Comecei a compreender meus pais também, sobre diabetes e mudanças de humor e fiquei sabendo que meu pai cresceu num lar onde espancamentos e combates potencialmente mortais ocorreram.

Tornei-me mais capaz e de algum modo comecei a desejar ser mãe, mas quando encontrei um homem que poderia ser um pai maravilhoso, já estava com 50 anos. Éramos velhos demais e, como ele diz, com os hábitos arraigados.

A cartomante que visitei quando tinha 25 anos acertou todas as suas previsões. Fui pobre durante décadas, finalmente passei a ter uma situação mais cômoda aos 40. Durante meus 20, 30 anos, tive problemas de alcoolismo. Há 27 anos não bebo. Sei também, como foi o prognóstico da cartomante, que a única chance de ser mãe que o destino me reservou, eu recusei.

Não me arrependo.


Tradução de Terezinha Martinho

domingo, 28 de dezembro de 2014

Viva família - João Felipe Candido


Os atores Nicette Bruno e Paulo Goulart estão juntos há 61 anos. O enredo de vida  dos dois poderia facilmente se transformar em um bom livro ou quem sabe um roteiro de teatro, ou até mesmo virar uma novela...

Maio sempre costuma ser um mês de muitas emoções. Afinal de contas, continua sendo o período preferido pelas noivas para o tão sonhado casamento. Na mesma época, no segundo domingo, comemoramos o Dia das Mães, e na sequência vem o Dia Internacional da Família, celebrado no dia 15. Com tantas datas especiais em um único mês, a reportagem da revista Viva S/A não pensou duas vezes em convidar um dos casais mais admirados do país para falar sobre sua história, que resultou em uma grande família, com três filhos, sete netos e dois bisnetos.

Como tudo começou

Nicette Xavier Miessa e Paulo Afonso Miessa completaram 80 anos em 2013. Ela nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, no dia 7 de janeiro. Ele nasceu dois dias depois, em Ribeirão Preto, São Paulo. Desde pequena, as raízes artísticas da família sempre a acompanharam de alguma forma. Com o passar do tempo, ela optou pela carreira de atriz e ingressou no Teatro Universitário do Rio de Janeiro. "Recebi total apoio de minha família, e logo passei a fazer parte do Teatro Municipal. Meu grande objetivo na época era transformar em realidade o teatro itinerante; porém, a ajuda prometida pelo então presidente Getúlio Vargas não saiu, pois isso, decidi ir para São Paulo."

Determinada, a jovem atriz formou a Companhia Nicette Bruno e conseguiu montar o teatro itinerante na capital paulista, mais precisamente no Vale do Anhangabaú. "Ruggero Jacobbi aceitou dirigir minhas peças, e precisávamos de um galã para atuar em 'Senhorita Minha Mãe'. Ele indicou o locutor de rádio Paulo Goulart, recém-contratado pela TV Paulista." Formado em química industrial, Paulo sempre sonhou em  trabalhar em rádio. Após inúmeros testes, passou a ser rádio-ator e fazer peças de teatro, até que surgiu o convite para atuar com Nicette. "Nosso romance começou bem depois da estreia do espetáculo, quando ela leu em uma festa o poema 'Único Amor', de Olegário Mariano, me encarando", recorda Goulart. Desde então, o casal não se separou mais. Logo veio o casamento, em 26 de fevereiro de 1954, e os filhos, Bárbara, Beth e Paulo Goulart Filho, todos artistas.

"Nicette é uma pessoa que nasceu sorrindo. Ela não chorou ao nascer. Eu nunca vi pessoa tão alegre na minha vida. Em todos os acontecimentos, ela sempre encontra uma maneira de virar o jogo. De transformar algo difícil ou desagradável em coisas passageiros", elogia Paulo. Nicette também elogia o marido: "Admiro a lealdade do Paulo. Ele é um grande amigo, não só comigo, mas com quem convive com ele. Ele é verdadeiro, autêntico, generoso, e isso faz com que eu o admire mais".

A profissão e a vida em família

Com a rotina atribulada da profissão, nem sempre Nicette e Paulo puderam estar ao lado de seus filhos. Durante a infância, Bárbara e Beth ficavam sob os cuidados da avó materna, Eleonor Bruno. E com Paulo Filho não foi diferente. "Nossa profissão sempre exigiu muito de nós, porém, quando estávamos juntos, aproveitávamos cada instante", diz Nicette, que não se arrepende de trabalhar e cuidar da família. "Minha avó estudou medicina mesmo com três filhos. A cada filho eu me dedicava inteiramente no primeiro ano de vida, pois achava fundamental, inclusive para a estabilidade emocional da criança. Nunca deixei meus filhos com babá, pois eu sempre tive muita ajuda de minha mãe."

O casal afirma que não esperava que seus filhos fossem trilhar a carreira artística. "Eu e o Paulo vivíamos estudando textos e roteiros. Acredito que isso foi um exemplo para nossos filhos. A escolha de suas carreiras deve ter sido reflexo da nossa profissão", diz a mãe dos artistas. Bárbara começou na TV na série "Dona Jandira em Busca da Felicidade", ao lado dos pais, em 1963. Beth passou por TV, teatro, fez alguns filmes e chegou a gravar três discos. Paulo formou-se em educação física, dedicou-se à dança e estreou ao lado dos pais, na peça "Dona Rosita, a Solteira".

Família é tudo de bom

Para o casal, a família é a base fundamental para direcionar a trajetória de vida de uma pessoa. "Com a família podemos aprender a ter relacionamentos amistosos e a ser úteis à sociedade. Só a família pode oferecer o equilíbrio emocional para que possamos enfrentar os desafios da vida", dizem. Quando o assunto envolve os valores que uma família deve deixar para seus filhos, o casal é uníssono. "Sem dúvida honestidade, lealdade, sinceridade e propósito. Mostrar a importância de deixar de lado o egoísmo, ser solidário e procurar o benefício do próximo. É fundamental ensiná-los a seguir as suas verdades com dignidade. Também devemos mostrar que nossa vida é uma batalha constante e um eterno aprendizado", salienta Nicette.

O casal afirma que atualmente não tem sido fácil reunir todos os membros da família, e revela que sempre que possível, tentam se encontrar aos domingos, e não abrem mão das datas comemorativas. No Natal, por exemplo, eu e o Paulo fazemos questão de reunir toda a família aqui em casa. No Ano Novo já é mais difícil. Nossa filha Beth está chegando hoje de viagem, e com certeza iremos comemorar a volta dela, mesmo que seja com um lanche informal", diz.

Questionada sobre o que gostaria de ganhar no Dia das Mães, ela revela que a presença de seus familiares seria o melhor presente. "Nós falamos com os nossos filhos todos os dias por telefone. "Não sei se eles poderão estar conosco no Dia das Mães, porém, se estiverem, com certeza ficarei extremamente feliz", finaliza Nicette.

Os segredos dos Goulart para manter a família unida

- Coloque a amizade e o apoio em primeiro lugar.

- Respeite a individualidade de cada um, não se intrometendo na vida do outro.

- Tenha uma boa convivência com os seus familiares, em uma relação de torcida pelo outro.

- Priorize o bom humor.

- Incentive o diálogo.

- Reúnam-se, nem que seja apenas nas datas comemorativas.

- Sempre que possível, divirtam-se juntos.

- Viva intensamente os momentos que estiver junto com seus familiares. E quando solicitado, esteja com eles.

- Fale com seus familiares, isso mantém o vínculo entre vocês. É uma forma de estabelecer contato.

- Viva em comunidade, mas crie momentos a sós com cada um.

- Seja o exemplo, suas atitudes positivas geram admiração.

- Reconheça que ninguém é perfeito.




(texto publicado na revista Viva S/A edição 143 - ano 11 - abril de 2013)











sábado, 13 de dezembro de 2014

Filho único... é feliz - Breno Rosostolato


No século XIX, o psicólogo e educador Granville Stanley Hall, também conhecido como um dos precursores da psicologia infantil, afirmou que os filhos únicos  possuíam comportamento estranho, isolado e solitário. Dizia que o "filho único era uma doença em si mesmo", indicando que o saudável seria a presença do irmão para fazer companhia ao mais velho. Esta concepção forçava, socialmente, para que muitos pais tivessem outros filhos, como medo que, sendo único, poderia ter algum comprometimento emocional e ser individualista. Uma ideia errônea e equivocada.

Estudos recentes revelam que o filho é influenciado mais pela postura e comportamento dos pais do que do irmão. Portanto, as crianças conseguem se desenvolver bem sozinhas ou na companhia de um irmão. Estes estereótipos sociais não condizem com a realidade, que demonstra que filhos únicos são saudáveis psicologicamente e que os amigos formados na escola, no clube, no local onde reside, exercem um papel importante para sua interação com crianças e suprem possíveis faltas e arestas afetivas.

O filho único, como não precisa dividir a atenção com o irmão, tende a ter uma autoestima maior, porque a atenção é dedicada a ele. Por conta disso, pode apresentar melhor desempenho escolar. Apresenta um linguajar mais refinado à medida que convive mais com os adultos. Os pais devem tomar cuidado para ser uma boa referência para esta criança, educando e ensinando-lhe a dividir, compartilhar seus brinquedos. Devem incentivá-lo a interagir com outras crianças. A concepção errônea de que filhos únicos são egoístas e individualistas são construídos à medida que os pais reforçam este comportamento e acentuam o conceito de exclusividade.

Esta dicotomia entre filhos "com" ou "sem" irmãos perde força e torna-se uma divisão desgastada. Nos dias de hoje, esta fragmentação toma outros rumos, haja vista que a tecnologia ocupa um espaço e exerce uma função importante na constituição das crianças.

Os famosos "amigos imaginários", que muitos atribuem à solidão, não são uma constante. De acordo com pesquisas e estudos da professora de psicologia da Universidade do Oregon, Marjorie Taylor, 65% das crianças até sete anos possuem amigos imaginários, ou seja, esta fantasia infantil não tem maior incidência ao filho único, além de que, isso não é sinal de solidão ou alguma dificuldade por não ter um irmão. Ao contrário, crianças que possuem estes amigos imaginários são mais criativas, tem melhor vocabulário e não ficam facilmente entediadas, uma vez que sabem se divertir sozinhas, demonstrando desenvoltura, desinibição e sensibilidade.

Nos dias de hoje as próprias famílias já possuem uma constituição, valores e dinamismos diferentes daquelas de tempos atrás. Observa-se que os pais possuem uma participação mais próxima dos filhos e que o diálogo é uma condição para um convívio harmonioso e a serenidade da instituição familiar, aspectos imprescindíveis para o crescimento do filho. A instituição família sofreu transformações no que diz respeito à construção social e à comunicação entre as pessoas que a compõem. Pais muito receptivos, equilibrados e que dão contorno ao filho precisam conter seus exageros e não transferir a ele seus medos e anseios, bem como expectativas e idealizações, sob o risco de sufocar a criança.

O tradicionalismo e o conservadorismo diminuíram e estas mudanças dão vazão a uma nova agressividade desta família, que é móvel, possui outras necessidades e não sobrevive através da rigidez de imposições e arbitrariedades. O autoritarismo é substituído pela autonomia, principalmente dos padrões sociais, como ter mais de um filho para que a criança tenha um desenvolvimento satisfatório.

A criança, tendo irmão ou não, precisa receber educação, ser acolhida, e assim, buscar referências, apoio e amparo. As dificuldades surgem quando esta criança não é atendida em suas necessidades, não reconhece seus moldes e fica sem sustentação. O desamparo e o estado de abandono são as mazelas que prejudicam o desenvolvimento, o crescimento da criança. Daí a importância de eleger a figura materna e paterna, que não precisam ser, necessariamente, os pais biológicos.  É a criação e não a concepção que determina nossas bases psíquicas e sociais.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 121 - ano 8 - dezembro de 2014)




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Alienação parental - Ana Carolina Contri


Quando o processo de separação deixa marcas nos filhos

Apesar de ser um assunto que ainda enfrenta muitos estigmas, no Brasil, 20 milhões de crianças e jovens de até 17 anos são filhos de pais separados. Sempre dolorosa tanto para o casal quanto para os filhos, com fortes sentimentos de culpa, dor e abandono, a adaptação às inúmeras mudanças é fundamental de ambos os lados. Muitas vezes, os ânimos do ex-casal estão exaltados, e os sentimentos acabam desestabilizando emocionalmente os pequenos. E é nesse momento que pode acontecer a alienação parental, tema recentemente abordado na novela "Salve Jorge", em que o personagem de Caco Ciocler tenta colocar filha contra mãe. O problema é mais comum do que imaginamos e pode trazer problemas no desenvolvimento emocional da criança.

Segundo o presidente e fundador da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional no Brasil, Dr. Rodrigo Fonseca, o que mais se ouvia antigamente eram pais colocando a culpa nos filhos por terem abandonado sua própria vida e felicidade para dar-lhes estudo e conforto. "Hoje está diferente, ou seja, ao se separarem, buscam em primeiro lugar sua própria felicidade, e a parte do casal que fica com os filhos acaba usando-os como 'armas' para atacar aquele que decidiu ir embora. Para piorar, cria ainda a imagem de um verdadeiro carrasco na cabeça das crianças, para que também compartilhem da mesma raiva e decepção", explica.

Relação pais e filhos

Evitar brigas e discussões na frente dos pequenos e não falar mal do ex-companheiro, principalmente quando este estiver ausente, são condutas imprescindíveis para amenizar os inevitáveis traumas, marcados por sentimentos confusos e desconhecidos.

O que precisa ficar claro é que o que está se desfazendo é o vínculo matrimonial, mas a relação com os filhos permanece. "As crianças precisam da figura de um pai e uma mãe, e manter o contato com ambos durante a separação minimiza a sensação de perda, além de manter ativas suas referências", explica a psicóloga infantil de Salvador (BA), a dra. Rosana Alves.

Os pais desconhecem a profundidade que brigas e conflitos envolvendo os filhos podem gerar. Afinal, é comum que eles obriguem, mesmo sem intenção, as crianças a tomar partido, quando na verdade elas não querem escolher entre um e outro.

A psicóloga lembra que o passo mais importante nesse momento é que tanto pai quanto mãe digam para a criança que a amam e que jamais vão se separar dela. Isso dá segurança e alívio para que ela não sinta que os pais também estão se separando dela.

Conflito de lealdade

Sofrer um trauma não impede ninguém de se tornar um adulto saudável e equilibrado. As crianças precisam  ter uma imagem saudável dos pais, a fim de crescer com valores psicológicos adequados de identificação da autoestima.

Falar mal do ex-cônjuge, dificultar o contato da criança ou adolescente com um deles, esconder informações pessoais relevantes sobre o filho são alguns exemplos da chamada alienação parental. Nessa situação, a criança é manipulada por um deles, após a separação. Quando se torna persistente, pode se constituir em prática de violência psicológica infantil. O genitor aproveita a vulnerabilidade da criança após o divórcio para explorar e aumentar seus conflitos, alinhando a criança ao seu lado.

Segundo Fonseca, no fundo, o que desperta dentro desses pais e mães que foram deixados é um dos sentimentos mais temidos por todos nós: a rejeição. "Nesse contexto é comum problemas surgirem no período de transição entre as casas. A mãe ou pai faz chantagem emocional e fica triste quando a criança sai para visitar o ex, por exemplo. Com isso, a criança fica confusa ao achar que deve escolhe ou tomar partido de um dos dois", destaca Rosana.

A psicóloga explica que esse comportamento só faz crescer o sentimento de culpa consciente e inconsciente na criança, que pensa que está traindo um ao agradar o outro. Outro inconveniente é que, nessa divisão, o filho pode querer controlar seus pais e manipular situações, criando uma competição entre os adultos e, dessa forma, obter vantagens, como um brinquedo.

Amenizando o sofrimento

Pai e mãe devem ter disponibilidade e disciplina para cumprir tarefas do dia a dia, como levar à escola e zelar pelos horários de sono e refeições dos filhos. Além disso, devem acompanhar o desenvolvimento escolar da criança e decidir se vão às reuniões escolares juntos ou em dias alternados. O mesmo vale para as atividades extracurriculares. Quando pai e mãe comparecem juntos, devem se tratar com respeito.

A criança não pode ser exposta a brigas e opiniões divididas para não aprender a se relacionar apenas por meio do conflito, sob o risco de afetar seus relacionamentos amorosos no futuro. Além disso, segundo Rosana, é importante deixar a criança expressar sua tristeza, sempre ficando atento a sintomas de regressão (acontece quando ele retorna a níveis anteriores do desenvolvimento sempre que se depara com uma frustração), raiva, angústia, agressividade e birras frequentes. Em casos assim, ajuda profissional deve ser procurada.

Desde agosto de 2010, esse tipo de comportamento passou a ser punido por lei. O pai ou mãe poderá receber advertência ou até perder a guarda da criança ou adolescente. Nas ações judiciais em vara de família, a prova de alienação parental mais importante, geralmente, é a avaliação psicológica realizada pelo perito, que é psicólogo.



(texto publicado na revista Ponto de Encontro nº 44 - jun/jul de 2013)