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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Legado da paralimpíada - Roberto Mattus - CIEE


Bastaram um planejamento de longo prazo, iniciado em 2009, e um aumento nos investimentos, de R$ 168 milhões a R$ 375 milhões, para que a delegação de 287 atletas iniciasse ontem a disputa pelo pódio alimentando o sonho de terminar a Paralimpíada do Rio em quinto lugar, entre os 176 países participantes. E, o que é melhor, com a confiança dos brasileiros de que tem tudo para chegar lá. Afinal, de 1972, em Heidelberg, a 2012, em Londres, houve o apreciável salto do 32º para o 7º lugar no ranking paraolimpíco. No intervalo, o Brasil colecionou resultados significativos, atingindo a liderança do Parapan de Toronto (mais ouro que os Estados Unidos e Canadá) e boas marcas no Parapan de Guadalajara.

O histórico de superação dos paratletas não é diferente daquele de seus colegas que acabaram de disputar os Jogos do Rio. Ambas as delegações enfrentam os mesmos problemas de falta de apoio, de verba e de infraestrutura para treinamento, entre outros obstáculos. Com um adicional: "A gente é coitado ou super-herói. Somos tão humanos quanto qualquer pessoa, podemos errar ou acertar. Infelizmente esse estereótipo é uma pressão." A declaração - dada em entrevista pela velocista Terezinha Guilhermina, deficiente visual que em três jogos olímpicos conquistou seis medalhas (três ouros, uma prata e dois bronzes) - é válida também para a árdua competição que as pessoas com deficiência enfrentam na busca pela inclusão no mercado de trabalho.

Alinhado a essa causa desde 1999, com um programa específico de estágio e aprendizagem, o CIEE é testemunha da teia de preconceito e incompreensão que esse segmento enfrenta para conquistar o pleno exercício dos direitos da cidadania. Mas o CIEE também é testemunha, até por experiência própria, dos bons dividendos que a inclusão de deficientes traz para o ambiente organizacional, a começar por surpreendentes produtividade e capacidade e adaptação. Nossa expectativa é que os Jogos Paralímpicos do Rio deixem como legado, além da merecida coleção de medalhas, uma nova visão - mais justa e mais humana - sobre a inclusão das pessoas com deficiência.



(texto publicado no Jornal Jaguaré nº 209 - ano 18 - setembro de 2016)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Entrevista com Alan Fonteles (Programa do Jô)


Perfil Daniel Dias


Vida de Atleta - Natação paralímpica com Daniel Dias (01/05/16)


Susana Schnarndorf - Atleta Paralímpica


Rende muito - Mariana Lajolo


Centro de treinamento e pesquisa em SP prepara potenciais medalhistas olímpicos

Corredores ajustam suas próteses ao lado da pista de atletismo. Deficientes visuais já correm com seus guias. Na grama, gigantes do rúgbi treinam jogadas após levantarem (muito) peso na área de musculação. Lá de dentro, ouve-se os gritos dos lutadores de taekwondo a cada golpe aplicado.

Essa é a rotina no NAR (Núcleo de Alto Rendimento Esportivo) na reta final da preparação dos atletas para os Jogos Olímpicos do Rio. Nos últimos quatro anos, o centro de treinamento e pesquisa em São Paulo esteve sempre cheio.

Enquanto atletas correm, lutam e suam, pesquisadores colhem dados para desenvolver técnicas e métodos que podem fazer a diferença na disputa pelas medalhas.

A delegação do Brasil na Olimpíada ainda não está fechada, mas já é possível dizer que cerca de um terço dos atletas que estarão em ação na competição carioca passaram em algum momento pelo NAR neste ciclo olímpico (2013-2016).

Entre eles, estão candidatos ao pódio no Rio, como os membros das equipes de judô, vôlei, boxe e handebol e a saltadora Fabiana Murer, entre outros. E também estreantes, como o time de rúgbi.

"Nossa parceria já dura três anos. Foi um diferencial muito grande na preparação para a Olimpíada pela estrutura de ponta e pela metodologia de treinamento", afirma José Eduardo Moraes, preparador físico da seleção de rúgbi sevens.

"Conseguimos individualizar os trabalhos para cada atleta, definir a carga ideal para cada um, e isso foi essencial."

O NAR atende cerca de 70 modalidades, entre atletas de ponta e iniciantes.

Já havia auxiliado boa parte dos esportistas que foram aos Jogos de Londres-2012. O destaque neste ciclo foi o crescimento de jovens promessas.

Vitor Hugo dos Santos, 20, único velocista do país a se classificar para os 100 m rasos, é um exemplo. Atleta da BM&F, ele também conta com a ajuda dos testes do NAR em sua preparação.

O núcleo existe desde 2011. Ele tem como seu principal objetivo auxiliar treinadores e desenvolver o conhecimento científico sobre o esporte. No ano passado, mudou-se para uma sede de 20 mil metros quadrados na zona sul de São Paulo, com pista de atletismo oficial, campo de grama, raias de corrida indoor, centro de musculação, octógono de MMA, além de refeitório, espaço para lazer e descanso.

O NAR é mantido pelo Instituto Península, braço de investimentos sociais da família do empresário Abílio Diniz (ex-Pão de Açúcar), e oferece também cursos para pesquisadores e técnicos.

"Com a nova sede, deixamos de ser apenas um centro de formação de treinadores e viramos um centro de treinamento mesmo", diz Irineu Loturco, doutor em treinamento esportivo e diretor técnico do NAR.

Algumas equipes usam as instalações não só para testes como também para todas as fases do treinamento. É o caso do atletismo paraolímpico.

A delegação brasileira na Paralimpíada do Rio, aliás, deve ter 71% dos atletas com passagem pelo centro, em 11 modalidades. No último ciclo olímpico, 80% das medalhas conquistadas pelo Brasil em eventos internacionais foram obtidas por esportistas que foram testados ou treinaram no local.

"Essa parceria, que começou em 2011, foi fundamental. O CPB [Comitê Paralímpico Brasileiro] sempre fez testes nos atletas, mas tínhamos mais o lado fisiológico. Com a equipe do Irineu, complementamos com testes de força, potência, a parte neuromotora. Publicamos vários artigos científicos baseados nesses testes", diz Ciro Winckler, coordenador técnico do atletismo do CPB.

Ele destaca um estudo feito com Alan Fonteles, brasileiro que corre com duas próteses nas pernas e campeão dos 200 m da categoria T44 nos Jogos de Londres-2012.

"Percebemos que, com a prótese, o atleta paraolímpico perde muito mais tempo no contato da lâmina com o chão do que o atleta convencional. O Alan perdia quase um segundo numa prova de 100 m, o que é muita coisa. Trocamos a lâmina dele por uma menos flexível para diminuir essa perda."

Uma mudança nos parâmetros de treino da equipe de atletismo para o Parapan de Toronto, em 2015, com base em estudos do NAR, ajudou os brasileiros a ganharem 80 medalhas, 20 a mais do que quatro anos antes. O trabalho foi publicado na prestigiada revista "Frontiers in Physiology".

E se depender do trabalho do núcleo, as conquistas devem continuar em longo prazo. O NAR presta consultoria para todas as equipes de atletismo da Prefeitura de São Paulo e tem trabalhos com a base do rúgbi, do futebol e do taekwondo.

"São mais de 150 crianças beneficiadas por esse trabalho voltado para o alto rendimento. E vamos expandir no ano que vem", diz Irineu Loturco.




(texto publicado na revista da Folha sãopaulo - 17 a 23 de julho de 2016)

Diário de vida: Alex Zanardi, os jogos paralímpicos e a língua italiana


Confesso que não assisti aos Jogos Olímpicos desde o início, mas da metade para o fim acompanhei as competições, principalmente do vôlei masculino e fiquei super feliz com a medalha de ouro que o time obteve, com a emoção de todos, principalmente do libero Serginho, do Bruninho e do técnico Bernardinho. Além do vôlei fiquei super feliz com alguns exemplos de superação como a da judoca Rafaela da Silva, da nadadora Poliana Okimoto e o ginasta Diego Hypólito. 

Os Jogos Paralímpicos comecei a assistir desde o início no dia 7 de setembro e fiquei emocionada várias vezes com a garra dos atletas. Estou torcendo obviamente pelos brasileiros, mas ontem o meu lado italiano falou mais alto. Torci pelo paraciclista Alex Zanardi. Assistindo a alguns vídeos constatei a garra com que ele superou o acidente na corrida de Fórmula 1 em que perdeu as 2 pernas. 

E vendo todos esses exemplos de superação, dou bronca em mim mesma quando começo a me lamentar.

Viva a todos os atletas olímpicos e paralímpicos por terem contribuído para que o Rio 2016 fique na memória de todos nós!!!