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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Diario di vita: in giro per San Paolo il martedì grasso


Oggi ho deciso di andare al Masp. Ci sarei dovuta andare con il professor Vilhena e i miei compagni di classe del corso "Decifrando imagens" ma ero talmente stanca che ci ho rinunciato l'anno scorso. Siccome molte strade erano bloccate sono dovuta scendere dall'autobus alla fermata della Consolação con la Paulista e sono andata a piedi fino al museo. Ma prima ho fatto un salto al Starbucks per prendermi un cappuccino. Ne ho bevuto un po' e sono uscita dal locale con il bicchiere e ho finito di berlo nella fila del Masp. Sono andata direttamente al primo piano dove c'è l'esposizione "Histórias da Sexualidade" e poi sono andata al secondo piano dove c'è l'acervo permanente. All'entrata distribuiscono ai visitanti una tessera e il ragazzo mi ha parlato in inglese pensando che io fossi giapponese. Abbiamo cominciato a chiacchierare e lui mi ha detto che era in Brasile da un anno circa venuto dal Marocco. Ho colto l'occasione per praticare il francese e lui mi ha detto che avevo un bell'accento. Gli ho chiesto di fare una foto insieme per illustrare questo post e lui mi contatterà perché io gli possa passare il link del blog. 

Mi è dispiaciuto non aver fatto la visita con il professor Vilhena, ma ho seguito il suo consiglio di guardare il quadro e cercare di sapere chi l'aveva dipinto. Ne ho azzeccati pochissimi: Giovanni Bellini, Monet, Van Gogh e Tintoretto. 


Con Youssef che lavora al Masp


Giovanni Bellini

Maestro di San Martino alla Palma


Monet


Raffaello Sanzio







terça-feira, 26 de setembro de 2017

Contra a crise, museus - Mariana Barros


Em meio à instabilidade econômica, o Brasil assiste ao florescimento de mais de uma dezena de novos museus que apostam em tecnologia em vez de acervos próprios

A cultura tem sido historicamente o rio onde deságuam as crises econômicas brasileiras. Quando o dinheiro público e privado começa a escassear, são os projetos arquitetônicos, artísticos ou literários os primeiros a ir para o sacrifício. O Brasil, no entanto, encontra-se hoje na contramão dessa tendência. Nos próximos cinco anos, nada menos que doze centros culturais vão desapontar em cinco estados brasileiros. Só até o fim deste ano, cinco projetos do gênero terão sido inaugurados no país: Manaus ganhará o Museu Olímpico e São Paulo, além do Japan House, aberta em maio, passará a contar com as novas unidades do Instituto Moreira Salles, do Sesc Paulista e do Centro Cultural Fiesp. Em 2018, a lista deve crescer com a abertura do Museu Judaico, também em São Paulo, e do Museu da Imagem e do Som (MIS) no Rio. Outros três projetos - o Museu da Natureza, no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, o Museu da Cidade, em Manaus, e a Praça Cívica, em Goiânia - deixarão de ser maquete para virar realidade até 2022. Os únicos ainda sem prazo para inauguração são o Museu da Escravidão e o Museu do Holocausto, ambos no Rio.

Esses centros marcam o início de uma nova geração de espaços culturais que fogem do modelo tradicional de museu com acervo próprio e exposições periódicas. Saem as coleções centradas em períodos históricos e ofertadas por benfeitores e entram a tecnologia, a interatividade e as exposições itinerantes. O modelo das grandes coleções, dizem os especialistas, envelheceu e vem sendo substituído pelos chamados "museus de identidade", aqueles que versam sobre aspectos culturais específicos.

Um dos primeiros do gênero foi o Museu Cais do Sertão, no Recife, que gira em torno da cultura sertaneja e da obra de Luiz Gonzaga. Foi aberto em 2014. No ano seguinte, foi a vez do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, que explora os caminhos da ciência em um edifício de mais de 200 milhões de reais projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava; e do Museu de Congonhas, em Minas Gerais, voltado para a obra de Aleijadinho (1738-1814).

O Museu da Natureza, no Piauí, seguirá a mesma trilha temática. Localizado em meio à área de sítios arqueológicos do Parque Nacional da Serra da Capivara, ele vai detalhar as transformações geológicas, climáticas e biológicas ocorridas no mundo ao longo das eras. A proposta partiu da arqueóloga Niède Guidon. O Museu da Cidade, em Manaus, pretende explicar o surgimento da capital amazonense a partir dos diversos fluxos migratórios. Já a Praça Cívica de Goiânia, em Goiás, reunirá um conjunto de museus, além de casas de espetáculo e biblioteca, como parte de um plano com vistas a revigorar a região. A reforma realizada dois anos atrás deu vida nova a prédios históricos, mas não conseguiu fazer como que o lugar fosse frequentado pela população.

Em São Paulo, o segundo semestre do ano consolidará a região da Avenida Paulista como a primeira museum mile brasileira (a expressão, que significa "milha de museus" em inglês, é usada para definir, por exemplo, a Quinta Avenida, em Nova York, onde há diversos museus). Em maio último, a Paulista passou a sediar a Japan House, vitrine do Japão contemporâneo instalada em um edifício assinado por Kengo Kuma, expoente da arquitetura atual. Até o fim do ano, a avenida deve ganhar uma nova unidade do Sesc e outra grande estrela: o Instituto Moreira Salles (IMS). A sede renovada do IMS no Rio de Janeiro foi ianugurada no fim de 2015. A unidade de São Paulo está prevista para abrir no próximo dia 22 de agosto, com uma exposição inédita da série de fotografias The Americans, do fotógrafo suíço Robert Frank (o artista, que completou 92 anos, estará presente na mostra). O projeto do instituto, que conta com um acervo de 2 milhões de fotografias, é do escritório de arquitetura Andrade Morettin.

A notícia não tão boa assim é que o florescimento de tantos museus em plena crise não sugere o fim do paradigma que põe a área cultural entre as primeiras vítimas de qualquer abalo econômico no Brasil. A máxima, infelizmente, continua valendo. O que ocorre hoje é que alguns dos maiores empreendimentos em curso contam com financiamento externo (caso do Japan House, um investimento do governo japonês) ou privado (situação do Instituto Moreira Salles). Quanto aos demais centros culturais, a maioria foi planejada entre 2010 e 2013, quando a crise não era aguda. Seja como for, uma crise com boom de museus será sempre melhor que uma crise sem eles. Como diz Flavio Pinheiro, superintendente do IMS, a cultura, muitas vezes, não está nos planos de ninguém. Mas é uma forma de reagir às adversidades.


(texto publicado na revista Veja edição 2540 - ano 50 - nº 30 - 26 de julho de 2017)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A reorganização do museu mais popular da Itália - Rachel Donadio


Primeiro estrangeiro a se tornar diretor da Galeria Uffizi, Eike Schmidt planeja fazer profundas mudanças no local

Eike Schmidt, o primeiro estrangeiro a assumir o posto de diretor da Galeria uffizi, tomou uma decisão que lhe pareceu lógica: em março, instalou alto-falantes ali para alertar o público da ameaça dos cambistas e batedores de carteira, de olho nos turistas que enfrentam as longas e constantes filas na porta do museu mais popular da Itália, famoso por guardar tesouros magníficos de Botticelli e Rafael.

Só que nem todo mundo se sentiu agradecido: dias depois, três policiais, com repórteres a tiracolo, chegaram à sua mesa e lhe entregaram uma multa de 290 euros por "fazer anúncio sem a devida autorização". "A princípio, fiquei meio bravo, mas logo entendi que era uma oportunidade que não podia perder e anunciei que pagaria do meu próprio bolso", conta o historiador de arte alemão. No dia seguinte, quando deveria fazer o pagamento, os jornalistas estavam lá, tirando fotos para transformá-lo em celebridade local instantânea. Os florentinos começaram a se aproximar de Schmidt na rua para expressar sua solidariedade.

As reações tão dispares ao experimento do alto-falante mostram que Schmidt tem que enfrentar um desafio fundamental. Enquanto briga para administrar o público, gerar mais renda e melhorar a experiência - que inclui um sistema de compra de ingressos caótico -, será que continuará a angariar a simpatia geral e levar a melhor contra uma avalanche de restrições burocráticas, interesses velados e intrigas políticas?

No ano passado, a Uffizi, o Palácio Pitti e os Jardins de Boboli se transformaram em uma única entidade, visitada por 3,4 milhões de pessoas, resultando em 17,3 milhões de euros em vendas de ingressos ao governo, tornando-o o museu mais rentável do país. O objetivo de Schmidt é melhorar o fluxo do museu, fazer uma boa reforma, agilizar um organograma de exposições caótico, criar um programa sério de bolsas de estudo e descobrir formas inovadoras de expor mais de 12 mil pinturas, 3,5 mil esculturas antigas e 180 mil desenhos e gravuras, incluindo trabalhos latino-americanos reunidos ao longo dos séculos, mas raramente mostrados.

Schmidt, 48 anos, que era curador do Instituto de Arte de Minneapolis, em Minnesota, foi contratado no ano passado, como parte de uma reforma radical que deu a vinte instituições nacionais maior autonomia em relação ao Ministério da Cultura, em Roma, que é quem o mantém e fornece funcionários.

No que foi considerada uma atitude ousada, a pasta abriu as diretorias, pela primeira vez, a candidatos internacionais, o que acabou resultando na contratação de sete estrangeiros. Schmidt, estudioso da coleção Médici que forma a base da Uffrizi, já tinha morado em Florença. A intenção da reforma, levada a cabo pelo ministro Dario Franceschini, era reciclar talentos e dar a esses "supermuseus" - incluindo o Capodimonte de Nápoles, a Pinacoteca de Brera de Milão e a Accademia de Veneza - mais controle sobre seus orçamentos, mostras, serviços como cafés e livrarias e mais autonomia em um momento em que a economia nacional está estagnada.

Em uma reunião com os funcionários, Schmidt discutiu, em italiano fluente, como abrir ao público uma das atrações mais valiosas do museu: um corredor projetado por Giorgio Vasari, artista e escritor italiano do século 16. Atualmente, está reservado apenas a turnês de grupos pequenos, organizadas por empresas particulares que quase sempre ganham mais que o museu. Com a mudança, porém, vem a resistência. As empresas que organizam os passeios não querem perder a fonte de renda.

Franceschini, o ministro da cultura, se disse satisfeito com a maneira com que as mudanças vêm ocorrendo. "É claro que uma reforma tão profunda enfrentará resistência. Se forem reais, vão desagradar mesmo, se todo mundo gostar, é porque são falsas", afirmou, em entrevista em Roma.



(texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 31 de agosto de 2016)

segunda-feira, 7 de março de 2016

Moedas revelam a vida e as crenças da Roma Antiga - Leticia Fuentes

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Em cartaz no saguão do prédio da Reitoria, mostra traz 320 peças originais, cunhadas durante os períodos da República e do Império Romano

Com a intensificação das trocas de mercadorias entre os povos, ainda na Antiguidade, surgiu a necessidade de criar uma convenção capaz de medir riquezas e estabelecer valores para os produtos. O resultado disso foi a invenção do que hoje conhecemos como dinheiro, surgindo primeiramente na forma de moedas metálicas. As primeiras moedas surgiram na Grécia Antiga, no século 7 a.C., mas rapidamente atingiram outras regiões, que também começaram a produzir suas próprias chapas de metal padronizadas. Em Roma, as moedas eram fabricadas em prata, ouro ou bronze e traziam várias representações, de deuses, animais, mulheres, reis, figuras míticas e heróis.

A exposição "Moedas da Antiguidade Romana nos Acervos da USP" busca retratar justamente esse aspecto da história de Roma. Nela, são mostradas 320 moedas, que pertencem aos acervos do Museu Paulista - também conhecido como Museu do Ipiranga - e do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), ambos da USP. A mostra, com curadoria do pesquisador Vagner Carvalheiro Porto, do MAE, traz os exemplares mais representativos dos acervos e está sendo exibida no espaço expositivo da Reitoria da USP.

Carvalheiro explica que a exposição está dividida em três partes. "A primeira parte está relacionada ao próprio histórico da coleção, ao processo de formação da coleção em si. A segunda parte explica todo o processo de higienização e conservação das peças. E a terceira parte se refere às moedas expostas. Essa terceira parte também está dividida em duas: as moedas do período da República Romana e as do Império Romano. "O pesquisador conta que, dentro de cada subdivisão, as peças também estão organizadas de acordo com os temas que elas trazem. "Eu fiz com que, pela iconografia das peças, as próprias moedas me dissessem que temas eu iria escolher", complementa.

O pesquisador esclarece que todas as moedas são originais e não circulavam apenas em Roma, mas em toda a vasta região do império. "Em um dos módulos da exposição, temos um mapa que mostra os locais de produção das moedas. Temos moedas que foram produzidas na atual região da Inglaterra, na Alemanha, na França e na Palestina. Elas circulavam por todos os lados", explica.

Conservação - Para conservar as moedas, alguns cuidados devem ser rigorosamente tomados, explica Carvalheiro. Os responsáveis pela higienização e armazenamento das peças não podem encostar diretamente no metal com a mão, por conta do suor, que pode corroer o material. Eles também não podem deixar a moeda entrar em contato com outro metal, pois isso provoca um processo de oxidação. Além disso, devem tomar cuidado para deixá-las sempre num ambiente com umidade adequada. De acordo com o pesquisador, a limpeza das moedas deve ser feita apenas com uma flanela, para evitar um impacto muito agressivo nas peças, e sempre usando luvas.

Carvalheiro destaca a importância dos acervos do Museu Paulista e do MAE para a pesquisa sobre a Antiguidade. "Recentemente, fizemos um catálogo com todas essas peças, que envolveu alunos de mestrado, de doutorado e até de graduação", afirma o pesquisador. "Muitas pesquisas também estão sendo desenvolvidas a partir dos temas relacionados a essas moedas. Ter um acervo como esse é muito importante para o desenvolvimento da pesquisa sobre a Roma Antiga no nosso país", complementa.

Ainda de acordo com o pesquisador, a intenção da exposição não é analisar a Antiguidade sob o aspecto político, mas sim cultural. "O objetivo é que as pessoas conheçam mais sobre a vida dos romanos. Isso é possível através das moedas, ainda que pouca gente saiba", afirma. "As pessoas relacionam muito a moeda à economia ou à política, justamente porque são as autoridades que emitem as moedas. Mas os símbolos presentes nas moedas dizem muito sobre a cultura daqueles povos, e com elas nós aprendemos sobre os cultos, as religiões, a vida dos imperadores e das mulheres dos imperadores, a esfera militar e até a arquitetura."


A exposição "Moedas da Antiguidade Romana nos Acervos da USP" fica em cartaz até 20 de maio, de segunda à sexta, das 8h às 17h, no saguão do prédio da Reitoria (rua da Reitoria, 374, Cidade Universitária, São Paulo). Entrada grátis.



(texto publicado no Jornal da USP nº 1.098 - ano XXXI - 7 a 13 de março de 2016)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um quadro crítico - Catharina Nakashima


A impossibilidade de remover a colossal obra de Pedro Américo é apenas um dos problemas da restauração do Museu do Ipiranga, que será mais complexa e custosa do que se imaginava

Uma pedra com 8,43 metros de largura por 5,03 de altura entrou no caminho da reforma do Museu Paulista, mais  conhecido como Museu do Ipiranga, interditado sob risco de desabamento em agosto de 2013. A tela Independência ou Morte, pintada em 1888 por Pedro Américo, não pode deixar o salão nobre. Além de  estar chumbada na parede desde 1895, ela não passaria por nenhuma porta do lugar mesmo que sua moldura fosse retirada. Sabia-se que esse manejo não seria fácil, mas agora a única solução encontrada é protegê-la com uma redoma de metal, com aberturas que viabilizem sua higienização e vistoria, enquanto os operários atuam no entorno.

Passados nove meses do fechamento do museu, a Universidade de São Paulo, responsável pela instituição, está às voltas com esses e outros desafios no processo de restauração. "A operação terá de ser mais cara e complicada do que se imaginava", afirma o vice-reitor da USP, Vahan Agopyan, designado para supervisionar os trabalhos. O custo previsto pela gestão anterior, de 21 milhões de reais, acabou sendo descartado. Uma avaliação minuciosa, que ficará pronta em dois meses, determinará o novo orçamento.

Inicialmente, o plano era revitalizar a fachada e resolver problemas visíveis que levaram à decisão de suspender a visitação, como o perigo de o forro de duas salas no 1º andar despencar. A diretriz agora é submeter toda a estrutura de paredes, lajes e pilares a uma técnica semelhante a um raio X que possibilitará descobrir falhas camufladas. Além disso, Agopyan e o atual reitor, Marco Antonio Zago, querem aproveitar para implementar um "novo modelo museológico", com acessibilidade adequada, café, loja e um anexo para administração e acervo não exposto.

Hoje, o teto de seis ambientes está escorado para evitar acidentes com queda de revestimentos, assim como as portas laterais externas permanecem cobertas por toldos. Para diminuir as infiltrações, a claraboia central é mantida tampada e o piso de ladrilhos importados da Europa no século XIX recebeu uma camada de rejunte. Só as equipes da biblioteca e de documentação ainda trabalham no edifício. Até o fim do ano, o acervo composto de cerca de 100 000 livros, 40 000 papéis e manuscritos e outros 10 000 itens, inclusive objetos que pertenceram à família real, deverá ser removido. Três galpões no bairro do Ipiranga foram alugados e equipados com ar-condicionado, desumidificador e iluminação para receber a coleção. Mais três espaços na Zona Sul terão o mesmo propósito. A professora Sheila Walbe Ornstein, diretora do museu, mantém a localização sob sigilo, por questão de segurança.

Além do quadro de Pedro Américo, duas esculturas de mármore de Carrara do italiano Luigi Brizzolara e uma maquete de São Paulo de gesso realizada pelo holandês Henrique Bakkenist continuarão lá. As primeiras, pesadíssima, estão localizadas nas entradas do prédio, retratam os bandeirantes Antônio Raposo Tavares e Fernão Dias Paes Leme e medem 3,7 metros de altura. A miniatura da metrópole, de 6 por 5,1 metros de área, foi feita entre 1920 e 1922 dentro da galeria da ala oeste, onde está instalada.

A atual cúpula da USP afirma que, apesar da complexidade da restauração, o prazo de reinauguração do museu continua mantido para 2022. Além de definir o valor que a operação vai despender, será preciso captá-lo com parceiros. Em dificuldades financeiras, a USP revelou recentemente que a situação é grave em seus cofres: a folha de pagamento corresponde a 105% da receita total. Uma das alternativas de captação deve ser a Lei Rouanet, mas uma campanha para sensibilizar a sociedade e conseguir doações diretas também será organizada. "Tenho um carinho especial por esse museu, o primeiro que visitei quando criança", diz o vice-reitor. O sentimento é o mesmo para milhões de paulistanos, que esperam por avanços no trabalho para consertar os estragos provocados por décadas de abandono.



(texto publicado na revista Veja São Paulo de 14 de maio de 2014)







quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Vão livre? - Bruno B. Soraggi e Rafael Gregorio


Há 35 anos no vão-livre do Masp, a feira de antiguidades da Paulista pode estar à beira do despejo. "De nossa parte, já temos o consenso necessário", disse à sãopaulo, na terça (14), Heitor Martins, 46. Empresário que já geriu a Fundação Bienal, ele é o novo diretor-presidente do Masp.

Aventada no passado, a ideia de remover o evento agora parece madura. Ela viria na esteira da renovação do museu, que neste ano ganhou novos diretores, mecenas e estatuto. O mote se materializa em medidas como a construção de um anexo no quarteirão ao lado e a retomada dos cavaletes de vidro, ambas ao encontro do projeto original de Lina Bo Bardi (1914-1992).

A parceria com o Itaú, novo "patrocinador master" do museu, fortalece o temor dos expositores de que o espaço seja usado para outros tipos de evento e de exposições. Procurado, o banco preferiu não se manifestar a respeito.

Na manhã do último domingo (12), a possível perda do teto dominava o papo de  donos das 105 tendas da feira. "Fiquei sabendo pelo seu jornal", reclamou Luiz Henrique Andrade de Souza, 47, presidente da Aaesp [Associação de Antiquários do Estado de São Paulo], órgão responsável pela organização e infraestrutura da atração.

Ele cita notícia da Folha de 0/10, da qual distribuiu cópias destacando que "Está em curso negociação com a prefeitura para reaver o vão-livre".

Aos domingos, das 9 às 17h, o evento reúne antiquários, que buscam e avaliam obras raras, e vendedores de antiquidades. Ali, curiosos e colecionadores compram de gramofones a bustos, passando por joias, louças e arte popular, a valores entre R$ 10 a R$ 6.000. Da montagem à segurança, a feira é organizada com o rateio de despesas entre os associados - cerca de R$ 350 mensais, diz Souza.

"Tirar a feira é não conhecer sua história", diz o gestor da Aaesp, que tem como patrono Pietro Maria Bardi (1900-1999), marido de Lina e fundador do museu. Heitor Martins discorda: "A Lina concebeu o vão-livre como espaço de mediação entre o museu e a cidade. Lá eram realizados concertos, mostras, sessões de cinema, shows; a Daniela Mercury tocou no vão. Nosso desejo é retomar essa vocação".

A proposta do museu, ele diz, deve ser apresentada "nos próximos 20 ou 30 dias" ao poder público. Desde setembro, os secretários municipal e estadual de Cultura, além de empresários e acadêmicos, integram o Conselho Deliberativo do Masp.

Como o próprio Martins reconhece, a área do vão-livre não pertence ao Masp. Lei de 2013 concede à instituição o uso da área das escadas e elevadores - a Aaesp possui permissão municipal de uso dominical desde 1981.

A prefeitura afirmou que ainda não foi oficialmente procurada pelo Masp. Questionada, a Subprefeitura da Sé adiantou não ter interesse em "deslocar a tradicional feira" de lá.

A Secretaria Estadual de Cultura diz que "o secretário foi informado na última reunião, assim como os demais conselheiros, da intenção da diretoria". A proposta, segundo a nota, se insere na nova política cultural do museu, mas "demandará cuidadosa análise em função do impacto" neste "tradicional evento paulistano".

Sem ter para onde ir em caso de retirada, os feirantes se afligem. "A reunião tem valor artístico e sustenta muita gente", diz a israelense Rachel Mayo, 65, há 20 anos vendendo ali. Ela apela: "Temos que ser ouvidos".



(texto publicado na revista SãoPaulo da Folha de São Paulo - 19 a 25 de outubro de 2014)




sábado, 28 de junho de 2014

Visite museus sem sair de casa - Lucas Vasconcellos


Selecionamos sites (e até um aplicativo) em que é possível fazer passeios em 3D por alguns dos museus mais bacanas do mundo. Vale a pena!

Museu Nacional de História Natural 

Situado em Washington (EUA) e palco do filme Uma Noite no Museu, possui um rico acervo com espécies animais dissecadas e uma sala destinada a dinossauros. A navegação é bem simples (abr.ai/natural).

Museu do Louvre

Você não precisa ir a Paris para conhecer o famoso museu. Pelo site, dá para "passear" pelas salas e conhecer obras como a Monalisa. Embora a navegação não seja das mais fáceis, vale a experiência (abr.ai/louvre).

Museu Oscar Niemeyer

A instituição de Curitiba (PR) disponibiliza em seu site tours pelas 270 mostras que passaram por lá. Tem Anita Malfatti, Di Cavalcanti e até Modigliani, por exemplo. E o melhor, tudo em português (abr.ai/niemeyer).

Galeria Nacional de Londres

Principal pinacoteca da capital inglesa, existe desde 1837 e tem mais de 2.00 obras, de artistas como Van Gogh, Monet e Caravaggio. No passeio virtual, você vai do período medieval ao impressionismo (abr.ai/londres).

Era Virtual

É um achado, pois reúne diversas instituições brasileiras como o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG), e a Casa de Cora Coralina, em Cidade de Goiás (GO). É só clicar e apreciar (abr.ai/brasileiros).

Instituto Cultural do Google

Aqui é possível conhecer coleções brasileiras como as de Inhotim, maior museu a céu aberto do país, em Minas Gerais, e de lugares importantes como a Casa Branca, nos Estados Unidos, e o Palácio de Versalhes, na França (abr.ai/cultural).

Tem até museu disponível no celular!

O famoso Museu de Arte Moderna de Nova York (EUA), também conhecido como MoMA, tem um aplicativo bem legal para quem quiser conhecer o museu via celular. O local, que tem seis andares e é considerado o maior arquivo de arte moderna do mundo, tem milhares de obras, e dá para ver 32 mil deles no aplicativo, entre elas A Noite Estrelada, de Van Gogh. O tour inclui áudio em português! Gratuito e disponível para Android e IOS.

Nem se preocupe se o inglês não está afiado. Em geral, a navegação nos sites é simples. Se tiver dúvida, recorra aos tradutores online, como o Google Tradutor (abr.ai/tradutor).



(texto publicado na revista Viva! Mais nº 768 - 20 de junho de 2014)















sexta-feira, 4 de abril de 2014

MASP: o acervo mais importante da América Latina


O MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand é o mais importante museu de arte ocidental do Hemisfério Sul. Tal atributo deve-se a um acervo que inclui pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e objetos datados desde três mil anos atrás até os dias de hoje. Sua criação, em 1947, e sua consolidação como centro difusor de cultura e educação devem-se ao ideal do empresário Assis Chateaubriand, que escolheu São Paulo para abrigar no Brasil um centro de arte de repercussão mundial, tarefa para a qual contou com o apoio do marchand Pietro Maria Bardi.

O MASP é o museu mais visitado do país, e abriga cerca de 8 mil obras de origens e estilos diferentes, reunidas a partir dos anos 50, e incluem uma excepcional coleção de arte francesa e italiana, com obras-primas do Renascimento e do Impressionismo, além de uma ampla coleção de pinturas da escola portuguesa, espanhola, flamenga e notáveis exemplares da arte britânica e alemã. Estão expostos no museu obras de Van Gogh, Renoir, Botticelli, Picasso, Dali, Di Cavalcanti e muitos outros.

O acervo torna-se um dos mais importantes museus do mundo, integrando o "Clube dos 19", do qual participam os museus com acervos mais representativos de arte europeia do século XIX: Metropolitan Museum, de Nova York; Art Institute, de Chicago; Museum of Fine Arts, de Boston; Van Gogh Museum, de Amsterdã; Kunsthaus, de Zurique; Hermitage, de St. Petersburg; Galleria Nazionale d'Arte Moderna, de Roma; National Gallery e Tate Gallery, de Londres, dentre outros.



(texto publicado no jornal Vídeo Imóvel News - março de 2014)


sábado, 22 de setembro de 2012

Museu de Arte Contemporânea da USP


Conhecido como MAC USP, o museu possui um acerco de cerca de 10 mil obras

Localizado na Cidade Universitária, o Museu de Arte Contemporânea da USP é um dos mais importantes da América Latina.

Pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas, objetos e obras de arte conceitual e arte contemporânea, fazem parte do acervo. A relação de artistas inclui Picasso, Matisse, Miró, Kandinsky, Modigliani, Calder, Braque, Henry Moore, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Volpi, Flávio de Carvalho, Julio Plaza, Antonio Dias e Regina Silveira, entre outros.

Ainda é possível participar de atividades na área cultural, como cursos, palestras, atividades de ateliês e monitorias especiais e voltadas para o público geral. Na área acadêmica, oferece disciplinas optativas de gradução e pós-graduação. A atividade de pesquisa desenvolvida pelos docentes está voltada ao estudo do acervo e a temas ligados às áreas de história, teoria e crítica de arte, além de museologia e educação.

Para mais informações, acesse o site www.mac.usp.br. O museu está localizado na rua da Praça do Relógio, 160 - Cidade Universitária.


(texto publicado no Jornal Imobiliário da Cidade em julho de 2012)




domingo, 10 de junho de 2012

La formazione delle collezioni dei Medici - Firenze

Museo Galileo


Sala I - Il collezionismo mediceo




Museus e coleções

A palavra "museu" vem do grego mouseion, que significa "o templo das Musas" - as nove deusas das Artes. Acredita-se que o conceito moderno de museu data de 280 a.C.

Um museu é, na definição do International Council of Museums (ICOM, 2001), "uma instituição permanente, sem fins lucrativoss, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade".

Como os museus começaram

Um dos primeiros colecionadores da Grã Bretanha foi o Conde de Arundel. Ele trouxe em sua bagagem, depois de uma viagem à Itália, em 1614, algumas estátuas, muitas outras obras e as expôs em uma galeria especial arrumada em sua casa.

Por volta da mesma época, John Tradescant começou a colecionar objetos de interesse científico, inclusive ossos e plantas. Quando morreu, sua coleção deu início ao Ashmolean Museu, em Oxford, o museu mais antigo da Grã Bretanha.

O Museu Britânico de Londres, fundado em 1753, foi o primeiro museu público a ter um acervo de arte não religiosa. Sua base foi a coleção de "plantas, fósseis, minerais, espécies zoológicas anatômicas e patológicas, antiguidades e curiosidades, gravuras, desenhos e manuscritos" de Sir Hans Sloane, comprado para a nação britânica com fundos levantados pela loteria pública.

Mais tarde, o Museu Britânico adquiriu manuscritos ilustrados medievais - inclusive os Evangelhos Lindisfarne e a Magna Carta original - de coleções privadas. As primeiras peças egípcias foram doadas em 1756 e, em 1816, o Mármores Elgin da Grécia foram comprados por 35.000 libras esterlinas. O livro do Rei George III foi doado ao museu em 1822, e foi planejado um novo edifício para abrigar a biblioteca. Finalmente, em 1848, o Museu Britânico mudou-se para seu endereço atual, no bairro de Bloomsbury, em Londres.


(texto publicado no fascículo nº 2 da coleção Tesouros da Terra - Planeta DeAgostini)