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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O drama após o Enem - Walcyr Carrasco


Há a proposta de reforma curricular e de exigir opções mais cedo. Como aos 15 anos alguém pode escolher uma área?

Veio o Enem. Ah, bom, para muitos não. Mas vem. E, durante ou depois do Enem, o jovem tem de escolher uma profissão. O que você será o resto da vida, eis a pergunta. Os que têm sorte fizeram um teste vocacional. Hum... testes vocacionais não são perfeitos. O resultado é difuso, aponta tendências. Na minha época, fiz um. Deu que eu tinha vocação para... tudo. É, tudo. Ler a palma da mão talvez seja mais exato. Um bom quiromante extrai verdades daquelas linhazinhas. Certa vez um estudante se aconselhou comigo por e-mail sobre que universidade cursar. Era de família pobre e falei para escolher algo seguro. Advocacia, medicina. Fez o teste e deu jornalismo na cabeça. Ainda insisti: os colegas jornalistas sabem que a profissão é dificil e não deixa ninguém rico. Ele insistiu em jornalismo. No meio do curso, descobriu seu ser mais íntimo: travesti. Travesti não é profissão. Mas daí decorrem várias questões e possibilidades profissionais. Algum psicólogo analisando teste vocacional consideraria essa hipótese? Pois virar travesti foi a melhor mudança que ele poderia ter feito. Virou um sucesso. Sobrevive do Snapchat e tornou-se um dos principais influenciadores do país. Agora fez ponta numa série de TV e juro que não tem dedo meu nessa história. Quer fazer stand-up comedy. E terá sucesso, eu sei. Repito: algum teste...???? Você visualiza uma psicóloga dizendo num teste vocacional:

– Bota peito, querida. Vai ser.

A garotada do Enem está saindo da adolescência. Há quem tenha sorte e saiba o que pretende fazer o resto da vida. Alguns, por uma vocação que explodiu muito cedo. Eu, por exemplo. Aos 11 anos avisei meus pais que seria escritor. Como a família não tinha nem sequer o hábito de ler (só eu), foi uma surpresa. Medo de que eu passasse fome. Papai me botou num curso de datilografia, aprendi a usar aquelas máquinas enormes, antigas. Observou:

– Se não der certo como escritor, pelo menos pode trabalhar num escritório.

Essa ferramenta ajuda-me até hoje. Sou rapidíssimo para escrever capítulos de novelas. Mesmo assim, como escritor não era exatamente uma profissão, tentei faculdade de história, cursei três anos na Universidade de São Paulo, prestei novo vestibular e concluí jornalismo na mesma USP. Se hesitei, foi porque viver de escrever não é algo linear. Tipo terminar uma faculdade e começar como trainee. Sempre soube o que desejava ser. É uma dádiva. Boa parte dos jovens se enquadra em dois tipos: os que escolhem a profissão desejada pelos pais e os rebeldes, frontalmente contra qualquer desejo ou sugestão dos mais velhos. O médico é filho de médico e surge uma dinastia. Roqueiro também pode ser filho de médico. Boa parte escolhe as profissões “certinhas”, de emprego certo, garantido. Um grande número deseja empregos públicos, estáveis. Mas isso criará seres humanos felizes? Pessoas têm um potencial, uma vocação. A família tenta induzir o jovem a escolher algo para “se dar bem”. Mas há um outro conceito de “se dar bem”. É tornar-se um ser humano pleno e realizado.

Estudei num colégio que fez nome na época. O antigo Colégio de Aplicação da USP, fechado pelo governo militar. Reabriu depois. Era experimental e proporcionava a todos nós experiências variadas e extracurriculares. Do Colégio de Aplicação saíram pessoas que se tornaram importantes em vários campos. Há a proposta de modificar o currículo e exigir que escolhas sejam feitas mais cedo. Como aos 15 anos alguém pode escolher uma área? Pior: não haverá opção. A maior parte estudará onde conseguir. Se houver vaga em um colégio mais voltado para humanas, é para lá que vai, mesmo que seja um gênio em física. No passado, havia clássico e científico. Mas em todas as escolas.

A decisão vocacional, muito difícil mesmo após o Enem, com um conhecimento tênue das carreiras, nem existirá mais. De certa forma, o Estado decidirá pelos cidadãos. Será muito dinheiro perdido. Engenheiros sem contato com a filosofia, já adultos, podem se apaixonar por ela e jogar anos de estudo fora para recomeçar. Da mesma maneira, filósofos que não se encontrarem na vida acadêmica vão recomeçar em arquitetura, por exemplo. Tempo, dinheiro e capital humano gastos à toa. Será mais caro. Se alguém sentir o impulso da vocação mais tarde, que se vire se não tiver as ferramentas apropriadas. A reforma educacional reduz opções. E reduz a vida. Vocação, para quê?



(texto publicado na revista Época nº 961 - 14 de novembro de 2016)

domingo, 7 de agosto de 2016

Ensinar e aprender mudou de forma. Mas segue o desafio de formar cidadãos conscientes


A era digital está transformando estilos de vida, comportamentos, relacionamentos familiares e sociais.

Crianças e adolescentes vivem em dois mundos, o real e o virtual. Nascidos a partir do ano 2000, são conhecidos como Geração Z.

O avanço da tecnologia mostra que o caminho da informação ao toque de um dedo chegou para ficar. Os nativos digitais têm uma relação inédita com todo o conteúdo que a rede tem para oferecer. De acordo com estudo da consultoria norte-americana Qmee, a cada minuto que passa são gerados, em média, 72 horas de vídeo no YouTube, 41 mil posts no Facebook e 3,6 mil fotos no Instagram.

As recomendações sobre o que fazer para transformar o uso da internet numa fonte mais segura, ética, educativa e saudável de conhecimentos e como ponte de diálogo entre as gerações devem fazer, agora, parte da rotina das escolas e famílias.

Verdadeiros desafios para os profissionais da educação e os pais, que precisam acompanhar as novidades criando formas de equilibrar o uso dessas inúmeras ferramentas de comunicação.

Nesta edição especial de Educação pedimos ajuda a educadores da região para abordar diferentes temas sobre esses comportamentos.

"Educar a criança e o jovem a viver presencialmente é um dos grandes desafios da educação. Temos experiências virtuais, mas nosso dia a dia é presencial, nós somos globais, mas acordamos em nossa casa, vivemos na nossa comunidade, mas vamos para a escola ou para o trabalho. Temos de ensinar as crianças a olhar nos olhos; a saber argumentar e a ser resilientes", explica Esther Carvalho, diretora-geral do Colégio Rio Branco. Esther defende que a criança precisa construir valores com base em reflexões que devem ser estimuladas na escola e dentro de casa, para que ela venha a ter uma experiência ética no ambiente virtual.

A educadora ressalta que os adultos têm o importante papel de apresentar referências positivas que estimulem o foco, em meio á crença da multitarefa, preservando a profundidade nas relações e nos saberes.

A idade ideal

Esther Carvalho atenta par os aplicativos voltados para os pequenos. "Para manter a atenção do bebê num restaurante, os pais lhe entregam um iPad, mas depois querem que o filho largue o celular ou o videogame. Então eu pergunto: que tipo de experiência você quer que seu filho tenha com a internet? Organizar o seu tempo online e ajudá-lo a administrar as atividades enquanto está navegando é fundamental", afirma ela.

Educar a atenção num mundo onde as crianças estão super estimuladas é um desafio. Criar mecanismos de foco em meio à crença da multitarefa - teoria que a neurociência desconstrói - (para a neurociência, o que existe é uma mudança rápida de uma tarefa para outra). Isso, certamente, prejudica o foco e a profundidade. "Os adultos são as grandes referências. E sabemos que não existem problemas nas redes sociais apenas com jovens e crianças", conclui.

No limite

Os limites tecnológicos são necessários. Se a criança precisa de foco, sono, organização e o celular ou o  computador não estão permitindo isso, os pais e os professores devem atuar. É uma organização que vem da escola e da família. "Nós usamos o celular em sala de aula com os mais velhos, mas deixando claro que a utilização é pedagógica. Em outros momentos não será permitido", conta a diretora-geral do Colégio Rio Branco.

Situação

Um pai com três filhas adolescentes recolheu os celulares das filhas antes de elas dormirem, pois não estavam tendo uma boa noite de sono e, consequentemente, acordando atrasadas.

"A criança nasce num ambiente digital onde é filmada o tempo todo e é o centro das atenções; ela cresce com este jeito facebook e instagram de ser; então, a gente vai criando personas e papéis neste novo contexto", explica Esther. Por isso, defende que a criança deve construir valores, a partir de reflexões que devem ser estimuladas na escola e dentro de casa, para que ela venha ater uma experiência ética no ambiente virtual.

A profissional encontrou uma forma inteligente de, literalmente, conectar a família, a escola e os alunos. Em encontros periódicos com os pais, a pauta em discussão é o uso de WhatsApp e Snapchat. "Uma escola conectada é uma escola consciente", deixa o recado.

Esther Carvalho - Colégio Rio Branco

A verdade nua e crua

Os desafios da tecnologia para crianças, jovens e educadores

- Estar no Facebook é permitido para maiores de 13 anos. E a família, muitas vezes, autoriza o menor a mentir a idade para se conectar à rede social.

- O cyberbulling é um pesadelo que ajuda a comprovar que o que se posta é para sempre e desperta para a responsabilidade nas redes.

- O relacionamento humano não permite a conexão e a desconexão em um clique. Desconectar-se de alguém, na vida real, pode ser doloroso e difícil. Valorize o olho no olho, mas incentivar todas as formas de relacionamento e interação é importante.

- Separar o que é novo do que é novidade. Para Esther, a escola deve se atentar ao que é novo, mas não necessariamente ao que é novidade.

- Não é preciso substituir o livro pelo iPad, mas usar todas as possibilidades e linguagens: a brincadeira, o lúdico, o vídeo, a internet, os livros, os desenhos. O que faz a diferença é o resultado que se quer tirar disso. Como eu construo formas consistentes de aprender e ensinar neste novo ambiente?

O fenômeno selfie nude

A troca de fotos com sugestão sensual, ou até mesmo em poses nuas, tornou-se comum, principalmente entre adolescentes. Eles acreditam que possuem domínio sobre aquela informação, que pode ser compartilhada em poucos minutos. Como abordar este assunto com alunos e pais? O que é escrito no WhatsApp vale como prova jurídica, o que é compartilhado no Snapchat se apaga, mas pode ser salvo por outras pessoas, o que é postado no Facebook, no Twitter e no e-mail pode ser visto e rastreado para sempre. O fenômeno selfie nude, popular entre os jovens, surgiu nos EUA e consiste em produzir e enviar fotos sensuais usando o celular. O artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece pena de 3 a 6 anos de reclusão para quem produzir, divulgar ou manter imagens pornográficas envolvendo menores de 18 anos.

Mas o que fazer quando é o próprio adolescente quem compartilha?

Dialogar e monitorar são as únicas opções. Tanto famílias como as escolas precisam ampliar o nível de consciência das crianças e dos adolescentes em relação ao assunto. O acesso precoce aos celulares e à sexualização são fatores que contribuem para o aumento dos casos. Como expor sua sexualidade para si e para o grupo? Compartilhando cenas íntimas! Quando a família dá ao seu filho um celular, deve discutir as regras, combinados e alertas. No entanto, a dimensão entre público e privado, idade adequada e responsabilidade, muitas vezes, não são abordadas.

Assim, as histórias se repetem. Uma menina que atendeu ao pedido do "Manda nudes!", quando tem aquela foto "vazada", fica exposta na classe, na escola e no mundo. A família e a escola, muitas vezes, tentam abafar ao invés de acolher, em uma tentativa ingênua de apagar uma história que a rede pode retomar sempre.

Cláudia Siqueira - Colégio Sidarta


(texto publicado na revista Circuito especial de educação - edição 200 - ano 16 - agosto de 2016)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O aprendizado já começa com a economia na compra do material escolar - Silvana Silva


Com uma crise sem data para acabar, qualquer economia é bem-vinda. Esperar o cartão de crédito virar adia o pagamento da fatura para o mês seguinte, mas não representa necessariamente economia. Pais e filhos podem descobrir juntos outros caminhos para gastar menos.

Nem sempre é  preciso comprar tudo novo. A regra dos "3 Rs" pode ser aplicada facilmente. Reuse o que tem, recicle o que for possível e reduza os gastos. Quem tem filhos ou sobrinhos mais velhos pode ter o que precisa em casa ou na família. Lápis de cor, por exemplo. Com a febre dos livros para colorir muitos adultos aderiram à moda e compraram lápis e canetinhas que acabaram no fundo das gavetas. Reuse. Muitos livros também podem ser reutilizados. Com uma capa nova, ganham outra vida.

A arquiteta Flávia Pimenta foi às compras acompanhada do filho Lucas de seis anos. Essa é a primeira vez que ela compra pessoalmente o material e teve uma surpresa. Antes, a escola oferecia um kit pronto. Dessa vez, a mãe descobriu que, apesar da comodidade, a economia é maior nas compras feitas por conta própria. "A diferença é de R$ 2, R$ 3 reais por item que no final podem representar uma boa diferença", diz. Lucas é apaixonado por futebol e pelo Barcelona. Queria estojo e cadernos com a marca da equipe espanhola, mas a mãe ainda tinha dúvidas se levaria tudo. "No caixa eu decido. Talvez leve o estojo que dura mais" - acrescentou. 

As franquias exercem um enorme fascínio sobre as crianças e adolescentes e nessa hora os famosos heróis do cinema e dos quadrinhos, na ótica dos pais, não passam de vilões disfarçados. Se um dia exerceram alguma influência sobre essa geração mais velha, pode-se dizer que a crise econômica tem o mesmo poder da criptonita sobre o Super-Homem. O marketing pesa no custo, mas não é só. O peso dos tributos sobre esse tipo de material também tem relevância. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, 47,9% do preço de uma caneta é imposto. Réguas, agendas e apontadores também têm impostos pesados, que chegam a 40% do valor cobrado no caixa.

Para evitar negociações públicas e a birra das crianças, muitos pais preferem fazer compras sozinhos e não dão opção de escolha. A administradora Giordete Braga tem uma única filha que frequenta nesse ano, o infantil 2. A mãe não reclama da lista. "O material está dentro da proposta pedagógica e recreativa, mas os preços são abusivos", afirma. A menina, do carrinho, acompanha as escolhas da mãe que decide o que vai ou não ser levado.

O aposentado Jorge Duarte foi incumbido de comprar o material escolar do neto. Quando fazia o mesmo para os filhos não havia tanta variedade. Hoje, ainda enfrenta o gosto das crianças, mas prefere avaliar o custo-benefício de cada item antes da compra. "Você pega aqui um exemplo: uma caixa de lápis 2 B de uma marca custa R$ 5,80, de outra, R$ 10,40. A diferença é absurda", explica.

Uma pesquisa realizada pelo PROCON na primeira semana de janeiro registrou diferenças ainda maiores. Em uma borracha era de 420%. Numa loja da zona norte custava R$ 0,48. Na zona oeste, a mesma borracha custava R$ 2,50. Havia também diferença de 123% nos cadernos universitários de 96 folhas com capas de times de futebol, variando entre R$ 8,90 e R$ 19,90.

Além de pesquisa, a compra em grupo com outros pais é uma alternativa. Em qualquer situação, pechinchar é outro hábito que merece ser resgatado, principalmente nas compras em grupo ou no caso de famílias que têm mais de um filho.

Artigos de papelaria encantam até adultos. Por isso, pais que curtem esse tipo de material também precisam ter controle. É o caso da professora universitária Luciana Sena Magalhães, que acha tudo muito bonito. Mãe de dois meninos: João Luiz, de um ano e meio, e Eduardo, de quatro e meio. Ela foi às compras com o marido, sem as crianças. O mais novo não entende o que acontece ainda, avalia, mas o Eduardo já tem suas preferências que nem sempre são as mais baratas. Na lista da escola constava um "estojo tri completo". "Não sei bem o que é. Não conheço. Têm três divisões com lápis coloridos, canetas, etc, mas se achar vamos avaliar se vale a pena comprar tudo junto ou separado", planejava Luciana.

Ela não é a única. As capas dos cadernos realmente são encantadoras, sem falar as agendas, caixas de lápis, canetinhas, apontadores, lancheiras térmicas e mochilas que, para o bem da coluna dos pequenos, o ideal é que elas tenham rodas. Se a criatividade dos desenvolvedores pudesse contaminar as crianças já seria meio caminho andado. Lisos, coloridos, brilhantes, em relevo não poderiam ser mais atraentes. Não faltam nem modelos em plástico rígido no formato de abelhas, joaninhas, corujas, entre outros, mas por volta dos 10 anos alguns estudantes podem achar alguns personagens infantis demais e prefiram malas pequenas com rodinhas mais discretas. Não se surpreenda.

Levar ou não as crianças às compras?

Karina Dias cursará o primeiro ano do ensino médio. Foi às compras com os pais e escolheu os cadernos que usará nesse ano, mas não explica a preferência por alguns temas. Confessa até que não guarda todos os cadernos. "É só uma questão de gosto mesmo", diz. Questionada sobre a possível influência sobre o aproveitamento escolar ou se o material colorido incentiva os estudos é taxativa: "Não mesmo! Não tem peso, não faz diferença", diz sorrindo.

A psicóloga Ana Cintra não vê ligação ente o resultado escolar e a estética do material, mas defende a participação das crianças nas compras. "Conversar com elas antes de sair para combinar algumas escolhas e limites é essencial. O preço, por exemplo, pode ser discutido com discursos como: 'vamos comprar os cadernos. Mas a soma não pode passar de tal valor'. Na realidade, a liberdade de escolha e a ida dos filhos junto com os pais são importantes e para a participação e a conscientização dos jovens perante a questão econômica", enfatiza a psicóloga. 

Guia de economia

TROQUE LIVROS: participe ou incentive a troca de livros didáticos com pais que possuem filhos com idades escolares diferentes. Isso pode ser incentivado nos condomínios e nas próprias escolas.

FAÇA COMPRAS EM GRUPO: reúna-se com outros pais para uma compra coletiva. Alguns estabelecimentos concedem bons descontos para compras em grandes quantidades.

FIQUE ATENTO AOS PRODUTOS FRANQUEADOS: nem sempre o material mais sofisticado é o mais adequado ou de melhor qualidade. Fique de olho nos preços de materiais com personagens e logotipos: eles costumam ser mais caros. Avalie o custo-benefício de cada item.

CUIDADO AO COMPRAR DE VENDEDORES AMBULANTES: o preço dos vendedores ambulantes pode ser menor, mas os produtos não possuem certificação do órgão responsável. Canetas hidrográficas costumam  ter vida curta.

FIQUE ATENTO AOS SEUS DIREITOS: o prazo para reclamar de produtos não duráveis que tenham apresentado problemas é de 30 dias; no caso dos duráveis, o prazo aumenta para 90 dias. Nas compras pela internet, o consumidor tem até sete dias para se arrepender, contados a partir do recebimento do produto ou da data da assinatura do contrato.


(texto publicado na revista Shop News Vertical edição 31 - ano 4)

sábado, 5 de setembro de 2015

"Quem precisa mais de você é o seu pior aluno", diz escritor a professores - Vinicius Lisboa


Autor de best-sellers infanto-juvenis como "A Droga da Obediência" e especialista em letramento e técnicas de leitura, Pedro Bandeira comparou as profissões de professor e médico, em palestra hoje (5) na 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. A uma plateia cheia de fãs e professores, ele sugeriu que os docentes se atentem às diferenças entre os alunos.

"Cada aluno é diferente do outro. Você tem que ter a habilidade de cuidar de diferentes", disse ele, que comparou: "Quem precisa mais de médico? É quem está mais doente. Quem precisa mais de você? É o seu pior aluno. O seu bom aluno não precisa de você, ele anda sozinho. Mas se você não cuida do seu mau aluno, ele vai embora".

O autor deu dicas a professores que querem estimular a leitura, afirmando que alunos que têm mais dificuldades de ler podem ser incentivados, inicialmente, com trechos menores e textos ritmados. Bandeira criticou os professores que cobram que todos os alunos comecem por livros do mesmo tamanho e entendam de forma igual.

"Não existe isso. É a mesma coisa que o médico receitar o mesmo remédio para todos os pacientes", afirmou ele, que reforçou a necessidade de cuidar dos alunos com dificuldades de aprendizado: "Nossa política sempre foi essa, a de excluir. o mau aluno não interessa, eu expulso da classe. Sempre foi assim. Mas no hospital vou expulsar quem está pior?"

Outro ponto criticado pelo autor foi a preocupação com as notas. Mais uma vez comparando com o universo da medicina, ele disse que as notas são os exames de laboratório que só interessam ao médico, já que o importante é que o paciente saia curado e que o aluno aprenda.

"A nota não é importante. A nota é para você, a prova é para você, assim como o exame de laboratório é para o médico", disse ele, que ironizou: "Se você for procurar um emprego, não vão perguntar qual foi foi sua nota de ciências na 3ª série. O que importa é o que você é hoje".

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

"Quer dizer que médico pode chorar?" - Cristiane Segatto (Revista Época)


Como um professor da Faculdade de Medicina da Unicamp ajuda os alunos a trocar o cinismo pela capacidade de se colocar no lugar do paciente

O carioca Marco Antonio de Carvalho-Filho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Campinas, é uma daquelas figuras boas de conversa que cativam os alunos sem fazer força. Aos 40 anos, ele entende e fala a língua dos jovens. Nos últimos anos, Carvalho-Filho trabalha para reverter um fenômeno cruel detectado na Unicamp.

Os calouros de medicina escolhem a profissão movidos por sentimentos nobres (como entender o ser humano e aliviar o sofrimento), mas são deformados ao longo da experiência universitária. Para enfrentar o problema, o professor criou uma série de atividades baseadas em recursos das artes e da psicologia. O objetivo é desenvolver nos futuros médicos a chamada empatia – a capacidade de compreender o sentimento ou a reação de outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias.

No primeiro ano, Carvalho-Filho usa obras de arte e textos literários nas aulas. O quadroUdslidt (algo como “desgastado”, em dinamarquês), do pintor Hans Andersen Brendekilde (1857-1942) retrata uma mulher que chora a morte do pai num campo recém-arado por ele. É o pretexto para falar sobre a morte e os sentimentos relacionados a ela. “Discutimos a impotência e as fantasias de poder que o médico pode ter como mecanismo de defesa”, diz Carvalho-Filho. “Isso pode levá-lo a indicar tratamentos fúteis que apenas prejudicam os pacientes”.
Durante uma pesquisa acadêmica orientada por ele e realizada pelo médico Marcelo Schweller, alunos do quarto e do sexto anos foram convidados a atender pacientes fictícios, representados por atores profissionais de forma bastante realista. Os níveis de empatia antes e depois das atividades foram avaliados por meio de uma escala internacional de empatia médica. O desempenho dos alunos do quarto ano aumentou de 115 pontos para 121. Entre os do sexto ano, o crescimento foi de 117 pontos para 123. O trabalho, publicado na revistaAcademic Medicine, tem sido apresentado em vários congressos médicos internacionais. A seguir, Carvalho-Filho explica como exemplos negativos recebidos durante a faculdade moldam o caráter dos futuros médicos. 

ÉPOCA - O ensino de medicina provoca nos alunos uma espécie de antipatia em relação ao pacientes?
Marco Antonio de Carvalho-Filho -
 Não é exatamente antipatia. Entrevistei os calouros durante três anos consecutivos. Queria saber por que eles haviam escolhido a profissão. Mais de 70% diziam que a principal motivação era ajudar o próximo. A segunda era conhecer o ser humano. Citavam exatamente as virtudes que esperamos que um médico tenha. Infelizmente, a tendência ao longo do curso é que eles percam aquelas motivações iniciais e se distanciem dos pacientes.


ÉPOCA - Por que isso acontece?
Carvalho - Filho - 
Pense na realidade desses alunos. Para entrar numa universidade como a Unicamp, eles precisam ser alunos de alto rendimento. Vivem em famílias pequenas, têm pais graduados, nunca trabalharam na vida e são solteiros. São garotos privilegiados.


ÉPOCA - De que forma essa condição privilegiada dificulta a adaptação deles à nova realidade?
Carvalho-Filho -
 Os alunos chegam superprotegidos, com pouca experiência de fracasso ou perda. A maioria nunca perdeu ninguém – nem um tio, uma avó. A sociedade produziu uma geração que cresce confinada em casa, sem a vivência da rua. Isso leva à perda de capacidade de comunicação. Quando esses garotos entram na faculdade de medicina, são expostos à pobreza e à doença. Os pacientes sofrem, perdem funções, morrem. Quando o aluno está diante do sofrimento e não tem instrumentos para lidar com ele, cai na armadilha de usar o cinismo. É natural que isso aconteça. O cinismo – ou distanciamento afetivo – é um mecanismo de defesa.


ÉPOCA - Os estudantes não têm oportunidade de refletir sobre esses sentimentos?
Carvalho-Filho -
 Falta esse espaço nas escolas médicas, tanto no Brasil como no Exterior. A medicina se desenvolveu de forma tão tecnológica a ponto de suplantar o conhecimento dos últimos 5 mil anos. Nesse processo de especialização, ela se aproximou da doença e se afastou do doente. O aluno  tem que estudar tanto que se esquece da dimensão humana do paciente. Quando percebemos isso na Unicamp, decidimos criar um núcleo para lidar com essa questão.


ÉPOCA - Que tipo de intervenção vocês fizeram durante a pesquisa?
Carvalho-Filho -
 Criamos pacientes fictícios com a ajuda de uma companhia de atores formados na Unicamp. Construímos pacientes extremamente densos afetivamente. Uma mulher que recebeu o diagnóstico de câncer de mama e não quer se submeter à cirurgia. Um rapaz que imagina ter uma doença cardíaca e, na verdade, enfrenta um tremendo sofrimento porque perdeu o emprego e é arrimo de família. Vários outros casos. Os atores usam uma técnica de realismo. Todos sabem que são atores, mas 96% dos alunos dizem que se sentem diante de pacientes reais. Os alunos atendem esses “pacientes” e depois fazemos um debate. Discutimos os sentimentos e as habilidades de comunicação que cada um demonstrou.


ÉPOCA - Eles se emocionam?
Carvalho-Filho - 
É espetacular. É a redescoberta da pureza. Olham para mim e perguntam: “Quer dizer que médico pode chorar? Não preciso virar um robô?”. Claro que médico pode chorar. Às vezes, uma lágrima expressa mais que qualquer palavra. Os alunos adoram a atividade. Fazemos das 14 horas às 18 horas. Tem dia que ficamos até às dez horas da noite. Não querem ir embora. Preciso dizer que tenho filho me esperando em casa.


ÉPOCA - É possível treinar a empatia?
Carvalho-Filho - 
Empatia é a capacidade de se colocar no outro, de entender o outro e ajudá-lo. Alguns estudos sugerem que há um componente cognitivo nessa história -- algo que pode ser ensinado e praticado. Mas acredito que o lado afetivo também pode ser treinado. Ensinamos relação médico-paciente com recursos das artes, da poesia, da música, do teatro. Na Unicamp, esse curso faz parte do currículo obrigatório do primeiro ano. Na maioria das faculdades, há uma disciplina de habilidades de comunicação. Ensinam que o médico deve dizer “bom dia” e olhar nos olhos do paciente.


ÉPOCA - Isso basta?
Carvalho-Filho -
 De jeito nenhum. O aluno precisa perceber que o médico é um especialista na espécie humana. Tanto no lado afetivo como biológico. Falamos sobre técnicas de comunicação. Como eles devem começar uma conversa, como deixar o paciente à vontade. O que determina a boa consulta não é o tempo. É a capacidade de ouvir. Quando era estudante, passa visita no hospital, ia para um bar e só ficava falando sobre os pacientes com os meus amigos. Falava o tempo todo. É uma forma de elaborar as sensações. Queremos ajudar nossos alunos a aprender a amar esse amor. Se não aprende isso, faz uma medicina ruim. Não é fugir do sentimento. É aprender a sentir esse sentimento.

  
ÉPOCA - Está cada vez mais difícil encontrar um médico que tenha uma boa dose de empatia?
Carvalho-Filho -
 Se eu chegar à minha casa e perguntar quem teve uma experiência positiva com algum médico no último ano, vai ser aquele silêncio. Médicos que demonstram empatia são raros. Acho que sempre foram. A medicina deveria ser uma bandalheira quando o grupo de Hipócrates achou, lá na Grécia Antiga, que era necessário formalizar certas virtudes em forma de juramento. Hoje, falar em virtude virou tabu na nossa sociedade. O médico bem-sucedido é o médico valorizado pelo mercado.



ÉPOCA - Por tudo isso, a sociedade perdeu a confiança na classe médica?
Carvalho-Filho - 
Perdeu. Isso é ruim para a classe médica e para a sociedade. O paciente sofre duplamente: pela doença e pela falta de confiança. A situação de trabalho da maioria dos médicos está muito difícil. Baixa remuneração, falta de estrutura, acúmulo de empregos. Com tudo isso, o médico fica reativo. Surge uma série de conflitos nos serviços de saúde. Eles acabam explodindo no colo do paciente. Acho que se tivermos médicos mais preparados afetivamente, do ponto de vista humano, vamos conseguir proteger mais o paciente.


ÉPOCA - O que você chama de currículo oculto na medicina?
Carvalho-Filho - 
São algumas experiências informais que o aluno acumula na faculdade e que ajudam a moldar o caráter do médico. Boa parte do aprendizado de valores acontece nas festas, no bar, dentro do centro cirúrgico. Um exemplo é o trote. Estou feliz com toda a discussão sobre o trote. Esse debate precisa crescer. O trote é uma forma de perpetuar o poder que não tem nada a ver com o bom exercício da medicina.


ÉPOCA - Isso significa que o aluno chega bem intencionado à faculdade e vai sendo deformado ao longo do curso?
Carvalho-Filho -
 Na medicina, reproduzimos modelos. Que futuro médico nós teremos se ele vê o melhor cirurgião destratar a enfermeira corriqueiramente? As demonstrações de poder exercido de forma unilateral são modelos negativos. É a educação pela humilhação. Um professor que gosta de um aluno e, mesmo assim, o humilha ensina a esse aluno que a humilhação é uma forma normal de se comunicar. Esse futuro médico vai humilhar a secretária e o paciente.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Prefeito deixa de investir no carnaval e usa verba para instalar ar em escolas do município (Portal Litoral PB com RS Notícias)


Neste ano o prefeito de Passo Fundo - RS, Luciano Azevedo (PPS), resolveu cancelar qualquer pagamento para as escolas de samba e decidiu aplicar nas escolas municipais os R$ 400 mil que estavam reservados para o Carnaval.

O dinheiro irá todo para a compra de aparelhos de ar condicionado e não para escolas de samba, com o dinheiro ele instalou cerca de 400 ar condicionados nas salas de aula das escolas de educação infantil.

Os passo-fundenses dizem que não se pode perder a esperança nas atitudes de políticos que ainda possuem senso de clareza ao que se deve realmente ser feito com o dinheiro público e que acabou a palhaçada de investir no carnaval de rua, o qual gera violência, bagunça e desordem! Fica a dica ao nosso prefeito.

O carnaval na nossa avenida é um grande exemplo de desperdício e que com certeza os moradores se sentem extremamente incomodados, porque pagam os seus impostos e o mínimo que esperam é que haja um consenso no investimento público para o alto público e não para agradar uma minoria em nome de uma tradição que vem morrendo a cada ano.

Os pais dos alunos que  tiveram os seus filhos beneficiados com ar-condicionados em suas escolas estão felizes e agradecem à prefeitura.

Foi feito um plebiscito na cidade para que a comunidade de Santo Inácio, se expressasse sobre a ação do prefeito em não investir em carnaval e sim em escolas, a população aprovou a atitude positiva do gestor.





sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Diário de vida: o prazer de um encontro inesperado


A língua italiana não só está presente, mas faz parte da minha vida, aliás, é como se fosse parte integrante de meu corpo e de minha alma. Se ela desaparecesse da minha vida faria muita falta e com certeza o meu metabolismo não funcionaria bem.

Como hoje o tempo estava bonito, decidi fazer a minha caminhada, algo que me ajuda a recarregar as baterias. Na volta para casa dei uma passada na revistaria e após alguns minutos ouço alguém se dirigindo a mim em italiano. Era o Dudu, o professor de economia, que foi meu aluno particular por quase dois anos. Por "coincidência" ele estava ouvindo a rádio da RAI pelo celular. Estava com a filha mais nova, que nasceu depois que ele parou com as aulas. Conversamos o tempo todo em italiano o que para mim é sempre um prazer muito grande, ainda mais que estou em recesso escolar e os meus alunos particulares também estão de férias. 

Amo esses pequenos presentes que a vida me dá e agradeço sempre quando isso acontece.







terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Paulistanos nota dez: Henrique Vaz e Soiane Vieira - Ricardo Rossetto


Nome: Henrique Vaz e Soiane Vieira
Profissões: estudante e advogada
Atitude transformadora: treinam alunos de escola pública para olimpíadas de matemática

Na manhã do último domingo (16), a estudante Fernanda Souto, de 14 anos, apareceu de surpresa na sala de seu ex-professor para fazer um agradecimento. As aulas cursadas ao longo do ano passado foram fundamentais para a obtenção de uma bolsa de estudos integral no ensino médio do prestigiado Colégio Etapa, cuja mensalidade custa 2653 reais - valor que sua família não poderia bancar. Seu tutor, no entanto, não é um decano de cabelos brancos e larga experiência acadêmica, mas um garoto que mal atingiu a maioridade: o também estudante Henrique Vaz, de 18 anos. Ele é o mentor do projeto Vontade Olímpica de Aprender (VOA!), criado em 2010 para treinar alunos da rede pública interessados em disputar olimpíadas nacionais de matemática. Os pupilos com melhor desempenho acabam premiados com mais do que medalhas, como foi o caso de Fernanda. "Ele foi o grande responsável por minha conquista", diz a garota.

No começo da iniciativa, quando ainda tinha 14 anos de idade, Henrique contou com o apoio de sua mãe, Soiane Vieira. A advogada o ajudou a encontrar o espaço adequado para as aulas, na Escola Estadual Maestro Fabiano Lozano, na Vila Mariana, e a conseguir um patrocínio do Rotary Club para bancar o custo anual de 10 000 reais. Após iniciar a empreitada sozinho, hoje Henrique divide a tarefa de explicar as lições com outras vinte pessoas, entre amigos e professores do Etapa. A chance de transformar vidas é seu combustível. "Criamos a cultura do estudo para mostrar que vale a pena lutar por seus sonhos", diz o estudante. Entre seus alunos de destaque estão Anderson Otsuka, medalhista de prata em uma olimpíada realizada em 2011, e Lucas Nascimento, bronze em 2012. O próximo objetivo de Henrique é abrir turmas para o ensino de português. Um plano que talvez precise ser adiado: em agosto ele irá aos Estados Unidos para cursar Ciências Políticas na Universidade Harvard. No período em que estiver fora, o VOA! será mantido por seus colegas. "O projeto é um dos caminhos possíveis para melhorar a escola pública", acredita.



(texto publicado na revista Veja São Paulo de 26 de março de 2014)




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mr Holland - adorável professor (dublado)


Ao Mestre Com Carinho 2 (1996) - dublado


Além da sala de aula (dublado)


Fronteiras da educação: Depende dele - Camila Guimarães


A família, a vizinhança e o esforço pessoal contam no resultado de cada aluno. Mas pesquisa após pesquisa mostra que um fator importa muito mais do que os outros: o professor

As irmãs americanas Beatriz e Elizabeth Vergara, de 15 e 16 anos, passam por uma experiência inusitada para adolescentes que frequentam o ensino médio público. Com mais sete alunos, elas processam o Estado da Califórnia, onde moram e estudam, por oferecer uma educação ruim. O processo correu entre janeiro e junho. Mais surpreendente foi o argumento usado: segundo os advogados das meninas, o Estado da Califórnia fere a Constituição dos Estados Unidos, ao manter a estabilidade de emprego e outras leis de proteção ao professor, porque isso dificulta a demissão de educadores ruins. A decisão do juiz Rolf True não tem precedentes. Ele concordou que a estabilidade de emprego mantém os maus professores em sala de aula. Na sentença, afirmou: "Os maus professores são determinantes para a educação das crianças. Além de chocar nossa consciência, isso viola o direito constitucional dos estudantes de ter oportunidade de uma educação básica de qualidade". A causa das irmãs Vergara foi levada à Justiça pela ONG Students Matter (Estudante Importam), de David Welch, um empresário do setor de fibras óticas e ex-estudante de escola pública.

Apesar de a decisão ser de primeira infância e de não criar jurisprudência, True fez barulho, na Califórnia e nos EUA. Precisa fazer barulho também no Brasil. Acabamos de passar por campanhas eleitorais, para presidente e governadores, fraquíssimas em propostas de mudanças na educação. Por aqui, o debate se concentra quase exclusivamente em quanto investir. Pouco se discute como investir de forma a melhorar o nível do professor.

Os EUA passam por profundas reformas na educação, regionais e nacionais, há décadas. Uma das maiores lutas dos reformistas é pela qualidade dos educadores. Isso passa pela avaliação do trabalho do professor. É preciso dar a ele oportunidade para melhorar e, se for o caso, dispensá-lo - medidas controversas, que contrariam leis antigas, o senso comum e os poderosos sindicatos de professores. A interpretação da lei feita pelo juiz True abalou as amarras dessas velhas regras. Desde junho, pelo menos mais três processos semelhantes ao da irmãs Vergara foram abertos em outros Estados americanos.

Reduzir a estabilidade de emprego dos professores é apenas uma das várias estratégias adotadas por países como EUA, Finlândia, Polônia e Chile. Todos já fizeram ou conduzem reformas educacionais, para chegar a um objetivo: melhorar a qualidade do professor e, dessa forma, melhorar o aprendizado do aluno.

Pode parecer óbvia, mas a ligação entre a qualidade do professor e o que se aprende em sala de aula só foi estudada e comprovada nos últimos anos. As pesquisas mais recentes mostram que não há fator mais importante para o sucesso do aluno na escola e na vida adulta. É mais decisivo que o tamanho das redes de ensino, em que região do mundo estão, as diferenças socioeconômica entre os estudantes, os gastos com a educação de cada país, se a escola tem ou não computador, se a família ajuda na lição de casa. Por isso, para elevar o nível da educação, deve-se colocar o professor sob o microscópio. "Ninguém precisa reinventar a roda para melhorar a educação brasileira. Se a escola é o lugar onde alunos ganham conhecimento, então o professor é chave para um aprendizado de sucesso", afirma João Batista de Oliveira,doutor em pesquisa educacional e autor do livro Repensando a educação brasileira.

As pesquisas se preocuparam em medir a influência do professor entre crianças com o mesmo nível socioeconômico, na mesma escola e até na mesma série. Pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade Stanford descobriram que, enquanto o estudante com professor fraco aprende metade ou menos do que deveria no ano, aquele que tem bons professores aprende o equivalente a um ano a mais, e o que tem professores considerados excelentes, um ano e meio a mais. A mais recente pesquisa sobre o assunto, da Universidade Harvard, analisou duas décadas de desempenho de alunos e professores. Chegou à conclusão de que os alunos de classe com melhores professores ganham, ao longo da vida adulta, US$ 250 mil a mais.

Para além da academia, a vida real também mostra os efeitos positivos do bom professor. "O professor é o segredo das reformas bem-sucedidas de potências educacionais, como Finlândia, Polônia e Coreia", afirma Amanda Ripley, autora do livro As crianças mais inteligentes do mundo. Ela viajou e acompanhou estudantes em cada um desses países para compreender o que fizeram. "São diferentes países, com diferentes culturas e tamanhos, com poucas coisas em comum. Uma delas é levar mais a sério a preparação dos professores para a sala de aula", afirma.

Como tornar os professores melhores? Por onde começar? Há um consenso entre estudiosos e educadores: um bom começo é mudar a forma como recrutamos e formamos os futuros educadores. No Brasil, alunos do grupo dos melhores e mais brilhantes no ensino médio dificilmente seguem para o curso de pedagogia. A maioria dos jovens que prestam vestibular para esse curso está entre os 20% piores resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Os melhores seguirão carreiras mais atraentes, como medicina e engenharia", afirma Barbara Bruns, economista que chefia os estudos de educação do Banco Mundial para a América Latina. Em novembro, será publicado no Brasil um livro com os resultados de uma ampla pesquisa liderada por ela, sobre a qualidade dos professores da região. Ela afirma que, na Universidade de São Paulo (USP), onde os ingressantes estão entre os melhores alunos do Brasil, pedagogia é o único curso que aceita candidatos com pontuação inferior à metade da prova do vestibular. Cerca de 90% dos professores do Brasil se formam em faculdades de baixa qualidade.

Todos os países que investiram para tornar a carreira mais atraente também tinham estratégias para melhorar a qualidade de quem já estava no sistema. No caso do Brasil, são 2 milhões de professores da educação básica. Um caminho comum é fazer uma avaliação periódica do professor, descobrir suas falhas e ajudá-lo a melhorar. A avaliação de professores, com a redução da estabilidade de emprego, enfrenta resistências, especialmente se o propósito for premiar os melhores. Os defensores da meritocracia afirmam que tratar professores bons e ruins da mesma forma espanta os jovens talentosos e desprestigia a carreira. Quem é contra menciona programas de bonificação sem efeito nenhum no resultado do aprendizado, como em alguns Estados americanos. "Sou contra avaliar professor para premiar os melhores", diz Maria Izabel de Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, o maior da América Latina. "Para valorizar a carreira docente e avançar na qualidade do ensino, é preciso pagar salários maiores e melhorar as condições de  trabalho do professor."

As discordâncias são muitas, mas é possível chegar a um acordo. Isso ocorreu no Chile, país latino-americano mais bem colocado nas avaliações internacionais de educação. Em 2003, os chilenos adotaram a avaliação de professores. Seus critérios foram elaborados em conjunto pelo Ministério da Educação, pelo sindicato dos professores, pelos administradores municipais e por técnicos da área. Ficou definido ali como o professor deve organizar uma aula e como deve elaborar uma prova para avaliar o aprendizado. A prova para os professores se tornou obrigatória. Eles são avaliados por pares e suas aulas são filmadas por observadores externos. "Avaliamos se ele tem domínio do conteúdo e da turma, como ele interage com os alunos, como organiza a aula", diz Sergio Martinic, pesquisador da Universidade Católica do Chile. Se, após cinco avaliações, o professor ainda tiver desempenho insuficiente, é demitido. Ao mesmo tempo, os cursos de pedagogia chilenos modernizaram o currículo. Orientam-se mais para práticas em sala de aula que para disciplinas teóricas. O governo passou a financiar os estudos dos candidatos que tirarem mais de 60% da nota do vestibular.

Mexer na formação e na carreira dos professores envolve tomar medidas impopulares e esperar resultados no longo prazo. Mas não é impossível. A Finlândia começou fechando todas as faculdades de pedagogia. A Coreia leva a meritocracia a extremos e paga salários milionários aos professores-astro. É preciso ir além das políticas de inclusão na escola e estabelecer um debate sobre qualidade de ensino e dos professores. Falta só começar.



(texto publicado na revista Época nº 858 - 10 de novembro de 2014)




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A incansável supertia - Gabriela Abreu


Dagmar Garroux, há 20 anos dedicada a melhorar a educação de jovens carentes, cria centro de medicina integrativa

É agora, José! A pedagoga Dagmar Garroux tomou emprestado um verso do poeta Carlos Drummond de Andrade, subverteu-o e transformou em mote para a Casa do Zezinho, instituição fundada por ela e mais quatro amigos em 1993 com o objetivo de alterar a realidade de crianças e jovens carentes da zona sul de São Paulo. "Você só muda o mundo com educação. Por isso, luto por uma educação de qualidade. Só assim podemos ajudar a criar um pensamento crítico, dar voz e alegria e trazer progresso", defende Dagmar. Em 20 anos, mais de 15 mil Zezinhos, como são chamados seus alunos, passaram pelo casarão colorido pintado por tia Dag, o apelido carinhoso que recebeu deles. Ali alternam-se aulas de informática, línguas, música, esportes e por aí vai. Desde janeiro, a sede ganhou um anexo: uma clínica de medicina integrativa. São oferecidas sessões de massagem, psicoterapia, acupuntura, tratamento homeopático e terapia ocupacional para os moradores do Parque Santo Antônio, do Capão Redondo e do Jardim Ângela, região paulistana que já foi batizada de "triângulo da morte". Desenvolvemos esse projeto porque percebemos que, muitas vezes, problemas de saúde dificultam até o raciocínio das pessoas", conta Dagmar. Por enquanto, só aos sábados há atendimento - que começa a ser ampliado neste mês.

Formada em psicopedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), Dagmar, hoje com 60 anos, iniciou a carreira atendendo filhos de exilados políticos da ditadura militar. Na época, vivia com o marido em um sítio no ainda tranquilo Parque Santo Antônio. Quando, na vizinhança, grupos de extermínio passaram a ameaçar de morte garotos que tinham cometido pequenos delitos, ela abrigou sete deles em sua casa. Foram seus primeiros Zezinhos. Hoje, 1,5 mil garotos entre 6 e 21 anos estão matriculados nos cursos da instituição, frequentados em paralelo à escola. Para os mais velhos, há oficinas profissionalizantes, gama que inclui de robótica a formação para DJ. A fila de espera por vagas é grande: chega a 2 mil nomes.

O sucesso da ONG pode ser medido também pelas conquistas dos alunos. "Quando a casa do Zezinho fez 10 anos, comemorávamos o fato de eles terminarem o primeiro grau. Hoje, muitos concluem a faculdade e já emendam uma pós-graduação. Eles têm vontade de saber mais", alegra-se Dagmar, que tem um filho e duas netas. "Sou muito sortuda, todo dia ganho 1,5 mil beijos."



(texto publicado na revista Claudia nº 7 - ano 53 - julho de 2014)






sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Onde foi parar o mérito? - Paulo de Camargo


O ensino brasileiro celebra o vencedor e despreza o esforço para chegar lá, comprometendo o gosto pelo saber e o desenvolvimento pessoal da criança, alertam os especialistas. A solução par revalorizar o mérito não depende só da escola: passa pela postura dos pais e até pelo jeito de elogiar os filhos

Cada vez mais, e em velocidade crescente, o ingresso de crianças e adolescentes no mundo dos adultos se torna uma corrida de obstáculos: passar por seleções desde a educação infantil, vencer os vestibulares, arrumar um lugar ao sol no mundo do trabalho e nele se manter, especializações, MBAs. São tempos de competição, e disso ninguém tem dúvidas. Mas será que as escolas estão conseguindo preparar os alunos para encontrar um espaço nesse ambiente, que requer bom senso, boa formação e altíssima performance? 

Trata-se de uma questão pouco clara tanto para pais como para educadores, mas que começa a vir à tona, estimulada pela publicação de rankings como o da pontuação das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As escolas imprimem um ritmo de muita exigência acadêmica, pressionadas por famílias que esperam da educação um passaporte seguro para o futuro profissional. Ao mesmo tempo, os pais se preocupam em colocar seus filhos prematuramente em ambientes competitivos, o que produz sucesso, mas também tensão e desequilíbrio emocional.

Para especialistas como o psicólogo Yves de la Taille, da Universidade de São Paulo, o caminho para equilibrar esse jogo passa por uma educação que valorize o mérito, que, na visão dele, desapareceu das escolas. Na prática, ensina Yves, trata-se de buscar um modelo de educação que estimule crianças e jovens não apenas a obter a melhor nota - o que pode ser feito por estratégias como a cola - mas a construir, às vezes lentamente, o caminho até o bom resultado e encontrar satisfação nas conquistas. Dessa forma, o estudante pode não ser o primeiro, mas terá se empenhado na caminhada fascinante que os educadores chama de mérito. "Mérito é processo, competição é resultado; na educação, precisamos sempre olhar o resultado em relação ao processo", explica.

O culto ao vencedor

E por onde anda o mérito? Anda meio esquecido em relação ao culto do vencedor, ao qual, segundo Yves, a maioria das escolas vem aderindo. Esse culto põe em evidência o aluno que sempre respondeu bem e, assim, reflete a visão de uma sociedade que valoriza os dons inatos - o que nasce bonito e o que é rico de berço, por exemplo. "É um discurso social que vale para todos, a mídia, a escola e as famílias", alerta o psicólogo. "Todos falam do campeão e ninguém dá importância ao que ele fez para chegar lá." As estratégias de avaliação das escolas não ajudam. Para Ana Aragão, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas, a avaliação escolar não permite conhecer o processo de aprendizagem pelo qual o aluno passou, ou seja, quanto progrediu em relação ao próprio referencial. "Muitas vezes o que ocorre é que a meta do aluno não é aprender, mas se dar bem no processo de avaliação para melhorar sua imagem na escola", diz. Isso iguala alunos que decoraram toda a lição e os que efetivamente aprenderam o conteúdo. Para ela, a avaliação na escola adquiriu um caráter punitivo e de controle quando poderia ser um instrumento de estímulo ao avanço do aluno baseado no que ele já sabe e no que precisa aprender, desenvolvendo também sua autonomia.

Medo da reprovação

"Estabeleceu-se uma falsa polaridade entre diplomar alunos vorazmente competitivos, capazes de sobreviver a desafios como o do vestibular, ou formar cidadãos conscientes, com valores consolidados, mas menos preparados do ponto de vista acadêmico", considera o presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Arthur Fonseca Filho. Para ele, só agora algumas escolas começam a mudar e a construir projetos pedagógicos que aumentem o grau de exigência, a carga de estudos e a lição de casa - tudo sem abrir mão de trabalhar temas formativos.

Mas como fazer os alunos responderem a esse aperto no ritmo? De acordo com o economista Cláudio de Moura Castro, uma das formas históricas nas famílias de classe média e alta sempre foi o medo da reprovação. Na rede pública, o tema é bem mais complexo. "Nesse caso, precisamos separar duas questões: o efeito da reprovação, que leva frequentemente ao abandono da escola, o que é um desastre, e os problemas gerados pela maneira como a progressão automática foi implantada no Brasil", afirma Claudia Costin, ex vice-presidente da Fundação Victor Civita e atual secretária da Educação do município do Rio de Janeiro. Para ela, do modo como está, a progressão automática - mecanismo que impede por lei que crianças da primeira etapa do ensino fundamental sejam reprovadas - gera acomodação de alunos e professores. "Ela só funciona bem se houver um sistema eficiente de recuperação, com laboratórios de aprendizagem para dificuldades específicas que permitam aos alunos superar as defasagens", explica. Claudia acredita, no entanto, que, como ocorre nos países desenvolvidos, não deve haver reprovação durante os anos de alfabetização por se tratar de um processo em que cada criança tem um ritmo diferente. Encerrada essa etapa, Claudia defende que a reprovação não seja proibida, mas desestimulada, e aconteça depois que tudo tenha sido feito para recuperar a criança. Até porque, apesar da implantação da progressão, o Brasil ainda reprova muito. Segundo um estudo da Unesco divulgado no final de 2008, entre 15 nações, apenas 14 países (sendo 12 africanos) têm taxas de repetência superiores ás do Brasil - e continuamos tendo um dos piores indicadores de aprendizagem.

Na rede particular, embora as taxas de aprovação sejam consideradas mais adequadas, o desafio é fazer com que passar ou não passar do ano deixe de ser o único critério válido para avaliar o desempenho do aluno. Trata-se, na verdade, de educar crianças e jovens que deem valor ao saber e acreditem no esforço como uma forma preciosa de desenvolvimento pessoal.

O mérito e o professor

O desconforto da escola ao lidar com o tema se reflete no próprio tratamento dado aos professores. Na rede pública e privada, a política de remuneração definida nos acordos coletivos impede qualquer diferenciação salarial por mérito. Os professores não recebem conforme a qualidade de seu trabalho, e esse se tornou um tema espinhoso tanto para os formuladores de política pública como para os diretores das escolas privadas. "Melhorar a qualidade de ensino passa por um aumento no grau de exigência e por uma política de incentivo aos bons professores", acredita a educadora Maria Inês Fini, uma das criadoras do Enem. "O incentivo ao mérito do professor é essencial para aprimorar a educação, e isso já foi comprovado em muitos países", acrescenta o economista Samuel Pessoa, pesquisador das relações entre educação e desenvolvimento. Segundo Claudia Costin, já há no Brasil iniciativas positivas em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, onde a escola toda recebe prêmios pela evolução do desempenho dos alunos. Para Claudia, essa é uma estratégia decisiva para estimular a cultura do mérito, mostrando que o  esforço e a dedicação devem ser recompensados.

A questão do mérito tem raízes profundas na sociedade. O consultor Robert Wong, um dos principais caçadores de talentos no mundo corporativo brasileiro, identifica na cultura brasileira uma tendência negativa de punir o erro em vez de premiar o acerto. "O reforço positivo é muito mais importante", acredita. Para ele, numa sociedade que valoriza a meritocracia, o que conta é o esforço pessoal. "Não importa se você nasceu inteligente ou bonita, mas o que fez com aquele talento", afirma. 

Muitas vezes, o reforço é necessário até mesmo para que o aluno possa simplesmente gostar de estudar, diz Mauro Aguiar, diretor do Colégio Bandeirantes, uma das escolas que mais aprovam nos vestibulares de São Paulo. Segundo ele, costuma ocorrer um efeito perverso de desestímulo aos bons alunos, que recebem a pecha de nerds. "A criança pode deixar de ter orgulho de ser um bom aluno, o que é um absurdo." De acordo com Mauro, as escolas brasileiras erram não apenas ao desconsiderar o mérito mas também ao subestimar o potencial dos alunos. "Não temos vergonha nenhuma de dizer que os nossos têm de estudar muitíssimo, mas levamos críticas de todos os lados."

Formar crianças e jovens automotivados não é um desafio apenas para as escolas: o processo começa em casa. Um erro comum é o elogio fácil ou enganoso: em vez de fazer frequentes referências positivas ao desempenho, os pais também deveriam valorizar o processo. "Pode-se ganhar um campeonato por muitas razões, inclusive pela fraqueza do adversário", considera o psicólogo Yves. Por isso, o principal é relembrar tudo o que foi feito para chegar a uma conquista. "Pais e professores precisam sempre ponderar o êxito em relação ao processo: o resultado dessa soma chama-se mérito", diz.




(texto publicado na revista Claudia nº 2 - ano 48 - fevereiro de 2009







terça-feira, 26 de agosto de 2014

Boletim azul no segundo semestre - Suzana Dias


Seu filho está cheio de notas vermelhas? Agora é a hora certa de ajudá-lo a passar de ano. Veja a melhor estratégia para cada perfil de aluno

Nota vermelha em muitas matérias pode significar que o aluno se dedica pouco aos estudos. Por que isso acontece? Quase sempre, porque ele acha que ir à escola, fazer lição  e estudar para as provas é algo muito chato. Há falta de motivação para o saber. "Temos de despertar o interesse no aluno. Quando se aprende a aprender, não se deseja mais outra coisa", diz Camila D'Amico, coordenadora pedagógica do Colégio Graphein, de São Paulo. Listamos alguns perfis de aluno que costumam ir mal na escola e damos dicas para fazê-los pegar gosto de vez pelos estudos.

O preguiçoso

Como ele é: na escola, presta pouca atenção e sente as horas se arrastarem. Chega em casa, deita no sofá e dorme o resto do dia. Reclama muito quando precisa estudar.

O que fazer? Em geral, existe algo por trás da preguiça. Pode ser que ele esteja dormindo menos do que deve. Será que não fica até tarde no computador ou vendo TV? Determine que ele vá para a cama mais cedo. Além disso, faça-o praticar um esporte, o que ajuda a dar mais ânimo. Na hora de estudar, oriente-o a começar pelas matérias de que menos gosta, com a cabeça mais descansada. Quando ele conseguir um trabalho ou uma lição, elogie!

O desorganizado

Como ele é: o material escolar está sempre espalhado pela casa. Tem pouca disciplina e acaba estudando de maneira confusa e sem horário certo. Faz tudo na última hora.

O que fazer? Se seu filho não tem um local definido para estudar, escolha um junto com ele. Depois, organize a mesa. Separe livros, apostilas e cadernos por matéria. Em seguida, providencie uma cartolina e escreva o que ele deve fazer em cada dia da semana, com horários fixos de estudo e de descanso. Entrem num acordo antes, claro. Ao fim de cada dia, você deve checar com ele as atividades foram mesmo cumpridas.

O hiperativo

Como ele é: a agitação faz com que ele não consiga se concentrar nem nas aulas, nem nas tarefas de casa. Tem muita disposição, mas nunca a canaliza para os estudos.

O que fazer? Esse aluno tem dificuldade de ficar muito tempo na mesma atividade. "Os pais devem propor, por exemplo, que a criança estude por meia hora, depois veja televisão pelo mesmo período e, em seguida, retorne às lições, e assim por diante", ensina Rita Rizzo, psicopedagoga da Escola Novo Ângulo Novo Esquema (NANE), de São Paulo. Outra dica é reduzir estímulos que desviam a atenção. Na hora do estudo, nada de celular por perto.

O teimoso

Como ele é: desobediente, insiste em fazer tudo do jeito dele. Na escola, resiste às ordens dos professores. Bate o pé e diz que já sabe a matéria e que não precisa estudar.

O que fazer? A criança rebelde, geralmente, é fruto de uma família que só sabe dizer sim. Ela não aprendeu a ter limites e se nega a obedecer os mais velhos. É hora de dizer não a seu filho e impor sua autoridade. Determine que ele se dedique aos estudos pelo menos uma hora por dia. Ele deve começar pelas tarefas simples e passar para as mais complexas. Não dê colher de chá, peça para olhar os cadernos sempre.

O apático

Como ele é: demonstra-se desinteressado por tudo e acha a escola um saco. Parece não ter vontade de aprender e vai empurrando as tarefas sempre com a barriga.

O que fazer? A falta de motivação para fazer as lições quase sempre é consequência do desinteresse pelos assuntos ensinados. Uma boa ideia é estudar junto com seu filho e acrescentar mais dados ao que ele está aprendendo. Por exemplo: se está estudando os climas do Brasil, comente com ele como é o tempo na região em que vocês vivem. Conte casos antigos, leve-o para visitar museus, alugue um filme sobre o tema... O objetivo é torná-lo mais curioso.

O rueiro

Como ele é: o negócio dele é jogar bola e andar de bicicleta. Chega a matar aula para se divertir na rua. Sentar e estudar é a maior tortura para esse tipo de criança.

O que fazer? Controle de perto a rotina dele. "Os pais precisam estar mais próximos do filho e solicitar à escola o cronograma de trabalhos e provas. Assim fica mais fácil acompanhar o que está sendo feito ou não", orienta Rita Rizzo. Peça também que comuniquem caso o aluno falte às aulas. Depois de checar as tarefas que a criança tem para cumprir, diga que ela só poderá sair quando terminar tudo. E dê hora para voltar.




(texto publicado na revista AnaMaria nº 930- 8 de agosto de 2014)