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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

As mulheres briguentas e nervosas são as que mais valem a pena se relacionar (Bem Mais Mulher)



Aquele tipo de mulher nervosa e que costuma brigar por tudo pode ter o seu lado bom e oferecer muitos benefícios ao relacionamento.

Ao contrário do que muitos pensam, elas carregam qualidades superiores diante das mulheres que sempre estão quietas e evitam qualquer tipo de desentendimento com o seu parceiro.

Se sua parceira costuma brigar por coisas bobas, isso significa que ela realmente se importa com você, e esta buscando arrumar algumas coisas que não estão indo bem na relação, tornando tudo mais harmonioso para ambos. Se ela briga constantemente é porque realmente ainda se importa… Enxergando um futuro próspero entre vocês.

Tentar equilibrar o relacionamento é algo importante para ela, fazendo com que a relação e o entendimento amoroso de vocês se tornem mais manso e completo. Se você passa a não escuta-la, certamente vai perder uma verdadeira mulher, que está disposta a trazer o melhor para a sua vida a dois.

Aquele tipo de mulher que nunca questiona nada, que não discute, não te liga mil vezes, deixa que você saia constantemente sozinho e não reclama de suas atitudes, ela não é a melhor mulher do mundo, ela está demonstrando que não está preocupada com o relacionamento ou simplesmente ela tem outros planos para o futuro, que certamente você não está incluído neles.

Homens que estão ao lado de mulheres tão serenas assim precisam ficar atentos, pois isso pode indicar a falta de compromisso que ela carrega. As que lutam pelo relacionamento, mesmo que seja através das discussões e brigas, está demonstrando o quando ela quer segurar a sua relação, e se isso for feito só por ela, um dia podem se cansar, deixando de lado essa batalha que foi inútil para ambos.

Se esforce para entendê-la, quem sabe isso fará com que você passe a ver o lado bom do seu relacionamento. Fale o que pense e dê atenção para as atitudes apresentadas por ela, uma boa conversa pode oferecer a segurança que ela tanto deseja receber de seu amor.

Mostre o quando você também deseja levar essa relação para frente, e não deixe que ela se sinta impotente diante de um possível relacionamento fracassado.

Não considere a sua companheira chata, arrogante, faladeira e briguenta, e sim, uma mulher que está completamente apaixonada, que luta pelo amor do homem que ama.

Uma mulher que pouco demonstra seus sentimentos nem sempre vai ser a melhor para se relacionar, as briguentas possivelmente são vistas com as mais confiáveis e sinceras para ter ao lado.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Cinderela (ou como superar velhas crenças)


A história de Cinderela, essa inocente vítima da opressão, tem sido, com pequenas variações, parte de toda e qualquer cultura. Ela pode ter surgido no passado distante entre os chineses, cujos aristocratas apreciavam pés pequenos. A versão popular hoje em dia foi transcrita da tradição oral nos anos 1600 por um francês, Charles Perrault, e transformada em filme por Walt Disney, em 1950.

A influência prejudicial de Cinderela lançou uma sombra sobre nós. Ela personaliza uma distorção da realidade, a realidade na qual se espera que nossas recompensas sejam merecidas.

Uma das características sinistras da história é a ideia de que as madrastas são más. Na verdade, não podemos nem pensar na palavra "madrasta" sem mentalmente acrescentar o adjetivo "má" a ela. Além disso, Cinderela reforça a mentalidade passiva daqueles que aceitam sua carga de opressão na vida enquanto esperam que forças místicas venham a seu auxílio.

No final, Cinderela se torna uma princesa e perdoa sua madrasta e as irmãs adotivas opressoras, apesar de sabermos que elas deveriam ser processadas por abuso infantil.

Cinderela é patética, mas nos apaixonamos pela ideia de que a tonta vencerá no final. Para esse fim, uma fada madrinha lhe dá roupas elegantes para que ela consiga atrair os olhares do príncipe que, por acaso, está justamente procurando uma mulher para se casar. Enfeitada com suas roupas espalhafatosas e jóias vistosas, Cinderela chama sua atenção em um baile onde não é nada além de um cabide de roupas. Ela não fez nada para merecer as atenções. Ela não merece nada, exceto, talvez, o salário mínimo em casa. E, mesmo assim, consegue fazer com o príncipe se case com ela. Não é essa a lição que deveríamos ensinar às nossas crianças. Há valores mais importantes do que boa aparência, roupas finas e enfeites caros - inteligência, independência, auto-estima, responsabilidade e automotivação - e nenhum deles caracteriza Cinderela.

Vamos deixar a mentalidade da Cinderela de lado e apresentar às crianças os valores genuínos na vida, isto é, que elas precisam merecer suas recompensas. E, enquanto fazemos isso, vamos nos livrar da atitude de que somos malvados se gritarmos para nossos filhos: "Arrume o seu quarto!".

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É uma velha história:

A fábula originou-se na China mais ou menos no ano 960, em The Miscellaneous Record of Yu Tang (O variado registro de Yu Tang), por Tuan Ch'eng-Shih.



(texto publicado no livro escrito por Dan Karlan, Jeremy Salter e Allan Lazar As pessoas mais importantes do mundo que nunca viveram com tradução de Cristina Yamagami)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Basta: a culpa nunca é da vítima - Tayonara Géa


O estupro é crime independente da roupa ou do comportamento da mulher

Dados de uma pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública causam arrepios, calafrios, repúdio, revolta - entre outros adjetivos que possam demonstrar o descalabro de uma sociedade que ainda defende o machismo - diante da quantidade de brasileiros que julga e condena a mulher pelo estupro que sofreu - uma em cada três pessoas, ou seja, 30%.

Diante desse dado lamentável, questiona-se como um ser humano consegue apontar o dedo para uma vítima que acabou de ser violentada - em muitos casos por pessoa conhecidas, seja um familiar, colega de trabalho e até mesmo pelo namorado ou marido?

É preciso dar um basta a essa cultura do machismo. Já passou da hora. A mulher tem o direito de vestir a roupa que desejar, de frequentar os lugares que quiser, de se comportar da maneira que lhe achar conveniente e, acima de tudo, de ser respeitada. Ou até quando veremos as estatísticas desse tipo de crime aumentar no país?

Leia e entenda

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública explicita que a violência contra a mulher, definida pela ONU (Organização das Nações Unidas), é qualquer ato de violência de gênero que resulte ou possa resultar em dano físico, sexual, psicológico ou sofrimento para as mulheres.

E o estupro é sim um ato de violência, humilhação e controle sobre o corpo da mulher que se expressa pelos meios sexuais. As consequências desse ato estúpido são depressão, ansiedade, fobias, uso de drogas ilícitas, entre outros.

Não cultue o machismo

Ao citar que o comportamento da mulher ou a roupa que ela veste pode ser o motivo para ocorrer o estupro, a pessoa está, simplesmente, cultuando o machismo.

Para a pesquisadora do Fórum, Roberta Astolfi, "muitas pessoas são contra o machismo, contra o estupro, mas a partir do momento que julgam as mulheres pela vestimenta ou comportamento, estão inseridas nessa cultura de que o corpo da mulher e a sua vida podem ser controladas por outras pessoas. É preciso que ocorra a mudança desse paradigma".

Elas contra elas?

Cerca de 85% do sexo feminino tem medo de ser vítima de agressão. Um dado contraditório quando se observa que 32% das mulheres concorda que "aquelas que se dão ao respeito não são estupradas" e 30% afirma que "a mulher que usa roupas provocativas não podem reclamar se for estuprada".

Para Roberta Astolfi, a porcentagem das mulheres que concordam ser a mulher culpada pela violência que sofre, é muito chocante. "Trata-se de uma questão cultural que permeia toda a sociedade. As pessoas não percebem que por meio dessa cultura subjacente, elas podem ser as próximas vítimas. As mulheres dizem que têm medo, mas culpam aquelas que já foram vítimas e isso ocorre porque é muito mais fácil distorcer a ação do outro", diz.

A favor delas

Uma vítima de estupro precisa de atenção e acolhimento. Mas pelo que relata a pesquisa não é isso que recebem. Primeiro pela culpa que recebe da sociedade e depois por se tornar novamente vítima do descaso da polícia, quando se apresenta para fazer o registro da violência - 50% das pessoas não acredita que a polícia militar esteja bem preparada para atender mulheres vítimas de violência sexual.

"Em 2014 foram mais de 47 mil denúncias de estupro no Brasil. Isso mostra que a mulher quer contar com a ajuda da polícia nesse momento. É por isso que deve haver uma mudança nessa instituição para melhor atender essa vítima", comenta Roberta.

O que mudar?

Abolir a cultura do machismo é apenas um passo para diminuir o número de estupros no Brasil. Mas outras maneiras devem ser adotadas, segundo Roberta Astolfi. "Recentemente tivemos a opção de incluir a questão de gêneros no currículo das escolas, mas em muitas cidades foi barrado. Se você perguntar se essas pessoas são contra o estupro, elas dirão que sim. Porém, elas não estão dispostas a mexer nessas questões culturais. É preciso trabalhar esse assunto nas unidades de ensino. Existe uma vontade de mudança, mas se não mudar a cultura e o aprendizado de fundo, não vai adiantar muito", explica a pesquisadora.




(texto publicado na revista Folha do Ônibus nº 742 - ano XXI - 23 a 29 de setembro de 2016)

As bruxas do 21


A intolerância é a mãe de todas as outras violências. O que causa um estupro ou um assédio sexual de qualquer natureza? A intolerância - algumas vezes até velada - de alguns homens em relação às suas vítimas.

O machismo que existe em todo o mundo, não só no Brasil, é fruto da intolerância, sim. Essa intolerância que faz com que os homens - e também muitas mulheres - acreditem que elas são inferiores e que merecem ser subjugadas a qualquer preço.

Sejam as proibições de uma religião, sejam os "manuais de conduta da mulher recatada", sejam os comentários numa festa ou mesmo na rua.

A mulher sofre.

E não interessa que o mundo está em pleno século 21. Em alguns momentos, é como se ainda vivêssemos na Idade Média, quando as mulheres que ousavam sair um pouco da curva eram queimadas como bruxas.

Hoje, as "bruxas" não têm direito de reclamar ao serem estupradas, se não estiverem usando a roupa "adequada". Pelo menos é o que pensam 30% dos entrevistados de uma pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Detalhe: fatiando os pesquisados entre gênero, descobre-se que 30% das mulheres também consideram que não pode reclamar do estupro a mulher que não se veste adequadamente.

As próprias mulheres não toleram as diferenças entre si. Existe um padrão que precisa ser o limitador de todas as moças "direitas", "boas para casar". Se a colega sai pela borda, começa o julgamento. "Perdida", "piriguete", entre tantos outros adjetivos são usados para classificar essas "erradas".

O julgamento é um costume tão forte, que é bom lembrar aqui de uma moça que foi apedrejada há mais de 2 mil anos. Uma "tal" de Maria Madalena. Eis que Jesus Cristo deu um sermão no povo, e disse que não devemos julgar. Porque é preciso tolerar.

Desde aquele tempo, o que a humanidade aprendeu?

Mudaram as pedras, mas elas continuam na mão de quem acha que uma mulher não pode reclamar se for estuprada - só pela roupa que ela estava usando na ocasião.

Todos os seres humanos merecem respeito. Absolutamente todos. Em qualquer situação. Nunca se justifica uma agressão. Nenhuma agressão.

Se você pensa serem elásticas essas definições, você precisa rever seus conceitos. Prestar atenção nas suas crenças mais íntimas e ver onde brota a sua indiferença. Esse é o primeiro passo para efetuar a mudança que você precisa fazer.

Porque em algum momento você vai ter de escolher se vai semear e espalhar o respeito ou o contrário. Depende só de você.




(texto publicado na Folha do Ônibus nº 742 - ano XXI - 23 a 29 de setembro de 2016)

domingo, 24 de julho de 2016

Divórcio é coisa de mulher - Ana Luísa Fernandes


O segredo para um casamento duradouro é a igualdade de gêneros. Essa é a conclusão de um estudo feito pelo professor da Universidade de Stanford Michael J. Rosenfeld, que descobriu que as mulheres dão início a 69% dos pedidos de divórcio, contra 31% dos homens. De início alguns cientistas atribuíram a diferença ao fato de que as mulheres seriam mais suscetíveis aos altos e baixos da relação. Mas Rosenfeld encontrou um outro dado que quebra essa ideia: "Entre os casais não casados, ambos os sexos pedem o término de forma igual. Enquanto isso nos casais casados, as mulheres são predominantes entre os que querem romper". A explicação? "As mulheres são menos felizes no casamento que os homens. Uma possível razão para isso é que o casamento heterossexual, como instituição, privilegia os homens", diz. Ainda que escassos, a mulher enxerga avanços de igualdade em outros setores da sociedade, como o trabalho. Em contraste, segundo Rosenfeld, o casamento não se moderniza. Uma mulher pode assumir um cargo importante em uma grande empresa, mas quando chega em casa ainda tem que cuidar do lar, dos filhos e do marido. No Brasil, por exemplo, elas passam 26 horas por semana cuidando do lar - contra apenas 10 horas deles. Bem longe da igualdade. Cansadas, elas optaram pelo divórcio. Já os relacionamentos não matrimoniais seriam mais igualitários porque a mulher sofre com menos cobranças das famílias e da sociedade. A pesquisa estudou casais heterossexuais de 2009 até 2015. No final, 371 haviam se separado ou divorciado. Quando Rosenfeld questionou o motivo do término, as respostas entre casais não casados seguiram a linha "Nós dois decidimos terminar. Temos opiniões muito diferentes". Já entre os casados: "Comecei a sentir que ele estava me sugando". Ou: "Os casamentos tradicionais são muito controladores". Deu para perceber a diferença, né?


(texto publicado na revista Super Interessante edição 352 - outubro de 2015)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Só tinha que ser com você - Isabella D'Ercole



Três histórias de mulheres que não deixaram escapar o primeiro amor. duas demoraram décadas para voltar a encontrar o namorado da adolescência. A terceira nem chegou a cogitar se casar com outro e sobe ao altar neste ano

Janet Thomas tinha 14 anos quando viu Homero pela primeira vez. Estava em um bailinho da escola, em São Paulo, promovido em comemoração ao Dia dos Namorados. Ela levou uma amiga, que, no início, pareceu despertar o interesse de Homero. Depois, as atenções do jovem de 19 anos se voltaram para ela. Os dois conversaram a noite inteira. Duas semanas depois, estavam cara a cara novamente em uma festa de clube. Como era uma época em que não existia celular, internet ou aplicativo de mensagens, resolveram que não podiam perder muito tempo na paquera e começaram a namorar ali mesmo. "Ele era mais velho, interessante. Eu, novinha, fiquei completamente encantada", ela lembra. Por três anos, com Janet na crítica fase da adolescência, em pleno processo de formação de identidade, e Homero jovem demais, os dois dividiram a sensação de descobrir o mundo juntos. Cresceram, escolheram novos caminhos, foram atrás de sonhos. Mas, quando Janet tinha 17 anos, a relação minguou. O motivo, até hoje, não é certo. Ela diz que ele a trocou por outra. Ele, que ela queria casar cedo e ainda não estava pronto para sustentar uma família. Foi então que Homero tomou um susto, pois, seis meses depois do fim, Janet se casou com seu melhor amigo. Dois dias antes da cerimônia, desesperado, foi tentar convencê-la a desistir de tudo e fugir com ele. Não teve sucesso.

A psicopedagoga Janet passou 28 anos casada e diz que viveu uma relação cheia de amor e companheirismo. Acabou mudando de estado - para o Paraná, depois para o Mato Grosso - e teve três filhos. Contudo, ela admite que, vira e mexe, seu pensamento se voltava para Homero. O que teria acontecido com ele? Mais de uma vez, achou até ter visto o ex andando na rua ou no supermercado. Estava enganada. No fundo, pensava que nunca mais o veria. Quase 30 anos depois, em 2007, Janet o encontrou.

Na época, ela estava se divorciando do marido e precisava viajar para São Paulo a fim de cuidar da mãe doente. Sua filha mais velha, de 17 anos, fez um perfil na rede social Orkut para que pudesse se comunicar mais facilmente com ela e com a caçula, de 14 anos. Naquela semana, o filho de Homero abriu uma conta para o pai na mesma rede social e o primeiro nome que ele buscou foi o de Janet. Depois, ela veio a saber que aquele era um comportamento comum dele: por anos, jogou o nome da namoradinha do passado no Google em busca de alguma notícia. Quando a achou, mandou uma mensagem. Janet não respondeu. Ele recorreu, então, à filha dela, que, na hora, incentivou a mãe a dar trela. "Tinha acabado de sair de um relacionamento longo e achei que aquilo podia ser ruim, mas cedi", conta. O casal conversou pela internet por seis meses. "Com o tempo, foi tudo ficando mais interessante", diz Janet. Eu me lembro de pensar que, mesmo depois de décadas, ele continuava o mesmo, a essência estava ali conservada", derrete-se.

Foi no Natal daquele ano que Homero, já separado da mãe do filho, com quem tinha vivido sete anos, pediu Janet em namoro, ainda por mensagem. Depois disso, ela abriu o jogo com os filhos e, com muito incentivo em casa, embarcou para uma estadia de duas semanas em São Paulo. A mãe já havia morrido, não tinha mais ninguém na cidade. O objetivo era reencontrar Homero pessoalmente e ver se ainda rolava química. Na primeira noite, foram jantar e conversaram muito. No dia seguinte, logo pela manhã, ela sentiu um mal-estar e ligou para ele ir encontrá-la. Quando Homero chegou ao hotel, Janet estava em coma. Havia sofrido uma trombose cerebral e ele teria que cuidar dela até filhos e familiares chegarem. Foi no quarto do hospital que ele conheceu os meninos de Janet, reencontrou o pai e os irmãos dela. "Meus filhos o têm como o homem que salvou minha vida, mas, para nós, era complicado. Estávamos namorando? Eram tantas dúvidas." Indiferente às incertezas, Homero ficou cinco meses ao lado de Janet, cuidando. Dormiu no hospital algumas noites. Quando ela teve alta e foi se recuperar na casa do pai, em Londrina (PR), ia visitá-la nos fins de semana. Em seguida, Janet retomou seu cargo como secretária de Educação de Querência, no Mato Grosso, onde estava morando. E lá se foi Homero atrás dela. Os planos eram de ficar seis meses. "O período se alongou e os meses viraram seis anos. Ele até fez as pazes com meu ex-marido, com quem brigara na época do casamento", ela diz. Há dois anos, a carreira a fez mudar novamente para Londrina. Homero prepara-se para segui-la ainda neste ano. Até lá, percorre mais de 1 500 quilômetros todo mês para ficar com seu primeiro amor.

Hoje, aos 53 anos, Janet alegra-se com as voltas que a vida deu. "Foi só na nossa segunda chance que eu percebi como o Homero tinha sido uma peça importante na minha formação como pessoa. Ele influenciou meus gostos, me transformou em parte do que sou", afirma. A história dos dois virou um sucesso nas cidades em que eles viveram. Janet já foi parada na rua por mulheres que queriam abraçá-la e dividir casos de primeiros amores. "Parece história de filme e as pessoas se sentem atraídas por essa ideia de que era para ser, de que há uma mão do destino", explica a psicopedagoga. A verdade é que o primeiro amor tem mesmo um apelo diferente, um potencial enorme para ser especialmente marcante - como, aliás, quase todas as primeiras experiências que temos. "Nunca passamos por aquilo, então há um certo medo envolvido, um mistério", explica o psicólogo Ailton Amélio, de São Paulo, um especialista em vida a dois, autor de livros como Relacionamento Amoroso - Como Encontrar Sua Metade Ideal e Cuidar Dela (Publifolha). Segundo Amélio, guardamos as lembranças dessa época de descoberta em uma redoma, protegidas de autocrítica e julgamentos, o que torna aquelas imagens eternamente positivas. Dão saudade. Ao olharmos para trás, brigas e dificuldades simplesmente desaparecem e restam apenas os bons momentos.

Era mesmo para ser?

O primeiro amor, além disso, lembra a juventude, uma época sem tantas preocupações e responsabilidades. E pode ser um elo importante com o passado. "Normalmente, após um término traumático,como o fim de um casamento longo, o primeiro namorado reaparece na nossa cabeça e ele tem o papel heroico de resgatar quem éramos antes desses relacionamentos que acabaram mal", analisa a psicóloga e sexóloga Maria Claudia Lordello, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). E isso ajuda a entender quem nos tornamos. Janet recorda-se de ter tido uma gostosa sensação de "conforto" ao reencontrar Homero após o divórcio: "Já tínhamos intimidade. Não era uma relação começando do zero, que pode assustar nessa fase. E foi ele quem me ajudou a recuperar a autoconfiança e autoestima, a voltar a  gostar de mim".

Os especialistas acreditam que é necessário contar com uma dose de sorte para fazer o primeiro amor dar certo depois de os dois terem se distanciado com as muitas curvas da vida. "Quando um antigo casal se reencontra, um espera que o outro seja o mesmo daqueles primeiros tempos", observa Maria Claudia. "Essa ideia tende a cair por terra em poucos dias, pois a convivência mostra quem o outro se tornou. Mas também passar um tempo juntos pode revelar que vocês ainda se completam." Para Janet, por concidência, a vida levou tanto ela quanto Homero por caminhos semelhantes - e talvez por isso, após 28 de distância, os dois ainda tinham os mesmos valores e gostos que os uniram lá atrás.

Já quem começa a namorar cedo e se casa com esse amor, sem nunca ter tido outra relação significativa, encara uma dificuldade diferente, a de ter de crescer junto com o parceiro e passar por mudanças, mas não deixar que elas afastem os dois. "É preciso que o casal enxergue as transformações do outro como uma oportunidade de renovação. Enquanto o parceiro apresentar novas facetas, não haverá tédio na relação, pois sempre será necessário redescobri-lo", avalia a psicóloga Maria Claudia. Claro que isso exige maturidade, coisa que, certamente, eles não tinham quando eram muito jovens e se conheceram, mas adquirem com o passar do tempo, meio simultaneamente.

Décadas atrás, quando as garotas tinham de guardar a  virgindade até subirem ao altar, casar-se com o primeiro amor, sem nem olhar muito para outras possibilidades, muito menos testá-las, era algo muito mais comum do que hoje. "A expectativa da virgindade, há muito, não existe mais. As mulheres conquistaram liberdade para experimentar e desvendar suas preferências", afirma o psicólogo Ailton Amélio. "Agora, elas se casam conscientes do que realmente querem e gostam." Em outro ponto, as coisas são bem diferentes nos dias atuais. Multiplicaram-se as ferramentas para encontrar um primeiro amor perdido no mundo. Temos a internet, programas de busca, redes sociais.Mas, ainda que sejam usadas ao montes, não é raro creditarmos um reencontro desses ao destino. Isso reforça a mágica. Fica aquele sentimento "só tinha que ser com você" - e isso, segundo Maria Claudia, até reforça os laços. "A aura de pura paixão traz colorido à vida, deixa tudo mais bonito e aproxima."

Mas nada disso significa que as pessoas não possam vivenciar emoções igualmente fortes, verdadeiras e muito especiais com alguém que conheceram há apenas dois ou três anos - o que talvez já seja o quarto ou quinto relacionamento importante em sua vida. Segundo o psicólogo Ailton Amélio, não é data de início que determina a intensidade nem o prazo de validade de um amor. Quer dizer, para a sorte de todos, há muitas formas de se apaixonar e ser feliz, e em qualquer época da vida.

Juntos desde a adolescência

"Meus pais e os do Marcelo eram vizinhos, em São Paulo, então convivemos desde que eu era bebê, mas foi quando tinha 13 anos que ele começou a chamar minha atenção. Ele era cinco anos mais velho, cabeludo e tocava rock na bandinha do prédio. Eu fiquei atraída, mas só me apaixonei, de verdade, depois do nosso primeiro beijo, que não demorou.  Aliás, ainda é nessa data que comemoramos nosso aniversário de namoro. No começo, meus pais foram contra nossa paquera, porque achavam que eu era muito nova para ele. Ficamos meses trocando cartinhas de amor escondido. Pela manhã, antes de ir à escola, eu deixava um bilhete para ele na caixa do extintor de incêndio do prédio. Ele pegava antes de ir trabalhar e deixava outro em troca. Quando dava, nos encontrávamos na casa dos amigos, que encobriam o namorico. Tivemos várias briguinhas, chegamos até a nos separar. O Marcelo era muito ciumento e eu detestava isso. Mas não conseguia ficar longe dele. Quando fiz 21 anos, ele foi pedir aos meus pais permissão para namorar comigo oficialmente. Desde então, a gente nunca mais se separou e lá se vão quase dez anos. Há dois, ele me levou para jantar em um restaurante que frequentávamos quando éramos pequenos, cada um com sua família. Temos até uma foto juntos lá. Naquela noite, ele me pediu em casamento. Agora, estamos comprando apartamento e planejando a festa, marcada para setembro."

Paola Mello, 30 anos, fonoaudióloga

"Uma amiga da Paola me contou que ela gostava de mim. Não dei bola porque a achei nova demais. Só que ela começou a frequentar todos os ensaios da minha banda e fomos nos aproximando. A Paola me atraía de um jeito diferente. Quando a via, tremia e sentia borboletas no estômago. Ainda sinto. Apesar de sermos parecidos nos valores básicos, foram nossas diferenças que nos uniram. Ela me ensinou que o principal no amor é o respeito."

Marcelo Pucci, 35 anos, músico

Reunidos 20 anos depois

"Namorei o Paulo na época do cursinho. Nossa relação era bem aquela coisa de adolescente: intensa, cheia de brigas, um amor explosivo. Ficamos assim por quase um ano. Quando nós rompemos, nunca mais ouvi falar dele. Fui viver a minha vida: casei, mudei de país, investi na minha carreira. Vinte anos depois do nosso namorico, quando já estava separada do meu primeiro marido, o Paulo ressurgiu. Ele me achou no Linkedin, uma rede social profissional, ou seja, nada tem a ver com romance. Começamos a conversar e, para nossa surpresa, morávamos e trabalhávamos no mesmo bairro, em São Paulo. Ironicamente, nunca havíamos nos cruzado na rua. Marcamos um encontro e eu lembro até hoje da sensação engraçada do primeiro beijo: era exatamente igual ao nosso primeiro beijo lá atrás! Foi incrível reviver essas emoções. Resolvemos ficar juntos, mas as certezas não forma sempre maiores do que as dúvidas. Muitas vezes, me perguntei se deveríamos mesmo nos casar ou ter filhos. E sei que ele também tinha questionamentos parecidos. Mas, aos 38 anos, aconteceu uma coisa que não esperávamos: eu engravidei. Nossa filha, Sophia, hoje tem 2 anos e foi ela que nos trouxe a certeza de que deveríamos confiar nos caminhos que a vida traçou e nos unir de vez. Ele se mudou para meu apartamento e, desde então, somos muito felizes."

Alethea Risoleo, 40 anos, gerente de trade marketing

"Após o namoro no cursinho, seguimos caminhos diferentes. Eu me casei e ela também, mas os dois se separaram. Um dia, estava no Linkedin e resolvi jogar o nome dela. Não tinha intenções claras, mas a Alethea havia sido importante para mim e pensei em retomar o contato. Logo no primeiro encontro, a gente se deu muito bem. No segundo, já não via mais nós só como namorados, mas como uma família. Precisamos, no entanto, nos conhecer de novo, pois havíamos mudado bastante."

Paulo Prósperi, 40 anos, gerente de TI


(texto publicado na revista Claudia nº 3 - ano 54 - março de 2015)

domingo, 13 de março de 2016

Para mulheres: livre-se do “bigode” e de pelos no rosto para sempre com esta receita natural (Dicas Online)


As mulheres costumam não gostar de pelos no corpo. Por isso são campeãs em depilação. E pelos no rosto parecem ser ainda piores. Seja abaixo da orelha, no buço, queixo ou sobrancelhas. O que elas querem mesmo é uma pele lisinha e macia. A boa aparência é a grande causa disso tudo.

No entanto, remover os pelos da face, com frequência, provoca espinhas e irrita a pele. Por isso, fomos longe para trazer para você uma solução bastante usada em alguns países asiáticos. É uma receita muito antiga que tem o açafrão-da-terra (também conhecido como cúrcuma) como grande destaque, já que ele:

– Limpa a pele profundamente, removendo células mortas e outras impurezas

– Estimula o trabalho das glândulas linfáticas

– Estimula a circulação sanguínea

– Combate espinhas, pois tem efeitos anti-inflamatórios

– Regula o pH natural da pele

A receita é realmente muito eficaz para eliminar o excesso de pelos nos rosto. Faça e comprove!

INGREDIENTES

2 colheres (sopa) de farinha de grão-de-bico
1 colher (sopa) de açafrão/cúrcuma
Um pouco de leite ou iogurte (quantidade suficiente para fazer uma pasta)

Observações: O açafrão é encontrado em qualquer supermercado bem equipado ou em lojas de alimentação natural.

A farinha de grão de bico pode ser preparada passando os grãos num bom processador ou moedor de café ou, ainda, comprada em lojas de produtos naturais.

MODO DE PREPARO

Misture o açafrão e a farinha de grão-de-bico em uma tigela.

Em seguida, adicione um pouco de leite ou iogurte e misture bem até formar uma pasta densa.

Feito isso, aplique onde deseja eliminar os pelos e deixe agir por 20 minutos, até que a mistura seque na pele.

Retire passando uma toalha de algodão limpa, umedecida em água morna, e depois enxágue bem.

Repita o tratamento de 3 a 4 vezes por mês e logo você verá que os pelos do rosto vão desaparecer completamente.

terça-feira, 8 de março de 2016

60 conselhos das mulheres de 60 para as jovens de 30 - Margaret Manning (O Segredo)


Um dia Margaret Manning decidiu deixar o emprego e criar Sixty e me, uma comunidade para mulheres com mais de 60 anos.

Sua proposta abriu as mentes de muitas mulheres, fazendo-as questionar o propósito e o significado de suas vidas. Em particular, ela percebeu que as dúvidas se apresentavam de forma habitual nas mulheres que estavam em torno de 30 anos.

Então, Margaret convidou cada um dos membros de sua crescente comunidade para compartilhar uma dica com as mulheres que tinham metade de sua idade. Com conselhos honestos e profundos, que pudessem refletir o que elas passaram três décadas atrás, quando elas começaram a levantar voo.

Aqui divulgamos suas sessenta sábias dicas:

Conselhos das mulheres de 60

1- Lembre-se de que você tem apenas uma vida; e esta não é um ensaio geral.

2- Tente ser positiva e olhar para o lado bom de cada experiência de vida.

3- Pense sobre o aqui e agora.

4- Viva cada dia de sua vida ao máximo, porque você nunca sabe o que te espera ao virar a esquina.

5- Lembre-se de que a sua vida pode mudar em um instante.

6- Ame todas as fases da sua vida e não tema passar por nenhuma delas, porque todas são mágicas.

7- Aprenda a viver o momento. Se você puder fazer isto enquanto você é jovem, vai ajudar muito quando você tiver 60.

8- A vida é muito curta para se preocupar com algo que vai acontecer no futuro. Viva o hoje.

9- Saia e desfrute da natureza!

10- Encontre um hobby ou um trabalho que faça você experimentar as diferentes sensações de cada fase de sua vida.

11- Seja você mesma. Envelheça com dignidade.

12- Foque no envelhecimento de uma forma positiva; não tente evitá-lo.

13- Aceite as mudanças em seu corpo e na sua mente enquanto você amadurece.

14- Seja sempre honesta com você mesma. A vida é um processo lento de aprendizagem, mas que vale a pena.

15- Preserve suas memórias, mas não seja demasiadamente dura consigo mesma.

16- Virginia Woolf estava certa; uma mulher precisa de espaço para si mesma e US$ 500.

17- Esqueça os estereótipos que a sociedade tem sobre o envelhecimento.

18- Não se preocupe com o envelhecimento. Preocupe-se com o tédio.

19- A idade é apenas um número, ela não define quem você é.

20- O tempo vai passar, goste você disso ou não, portanto comece a viver!

21- Não deixe de inspirar-se.

22- Viva de uma maneira simples e segura. Exercite-se, cultive, leia e viaje.

23- Um visual clássico sempre está na moda.

24- Não desperdice dinheiro em sapatos; os homens não olham para os seus pés.

25- Não encha a sua vida com coisas e pessoas inúteis!

26- Seja você mesma; brilhe. Mostre-se real, esteja consciente e viva em todos os momentos.

27- Não se torne obsessivas com as rugas. Quando elas começarem a aparecer em seu rosto, pense que elas são um mapa de sua vida.

28- Viva com paixão e amor, com os olhos e o coração abertos. Basta ser feliz.

29- Esteja no presente; não se preocupe com o envelhecimento. O melhor ainda está por vir.

30- Aprecie os pequenos prazeres da vida; não a complique ainda mais.

31- Respeite o seu parceiro e seus filhos da mesma forma que você quer que eles te amem e te respeitem.

32- Distribua o seu amor de forma livre e incondicional.

33- Tenha filhos quando quiser tê-los: não há um momento específico para isto.

34- Mostre empatia com você mesma e com aqueles que estão ao seu redor.

35- Tire um monte de fotos, você vai ficar feliz em tê-las quando seus entes queridos não estiverem mais presentes.

36- Aprenda a perdoar desde a juventude.

37- Esqueça a sua raiva, e deixe a gratidão e a alegria serem a sua lei na vida.

38- Tenha um círculo íntimo de amigos. Isso é fundamental!

39- Valorize sua família. Eles vão estar com você quando os outros se afastarem. Irão apoiá-la durante todo o percurso de sua vida.

40- Nunca vá para a cama com raiva de si mesma ou de outra pessoa.

41- Diga ao seu parceiro, aos seus amigos e a sua família que você os ama todos os dias.

42- Aos 30 anos você se torna mulher. Aprecie sua beleza.

43- Não perca tempo se preocupando com coisas que não pode mudar; mude as que puder.

44- Termine um relacionamento ruim o mais cedo possível, você não pode mudar a outra pessoa.

45- Cuide de sua pele! E sorria com frequência.

46- Confie em seus instintos e nunca fale mal de si mesma.

47- Seja gentil com você mesma. Você não deve considerar o que não está sob seu controle. Se alguma coisa faz você se sentir mal, tire-a de sua vida.

48- Aprenda a rir de si mesma. Não seja tão séria!

49- Dedique algum tempo a si mesma todos os dias; ria e sorria o tempo todo.

50- Basta ser você mesma. Não pretenda ser perfeita.

51- Se você tem filhos, ame-os, mas não tente ser uma mãe perfeita.

52- Deixe o seu filho ser o seu próprio mestre.

53- Seja um guerreiro; aprenda a gerar os seus próprios recursos e a ser autossuficiente.

54- Não se guie pelo medo.

55- Não pare de aprender e a exercitar a sua mente, o seu físico e o seu espírito.

56- Mostre-se grato todos os dias, mesmo quando estiver tendo um dia ruim. Há sempre uma lição a aprender.

57- Aceite os aspectos positivos do envelhecimento, como ter menos responsabilidades e mais liberdade.

58- Muitas batalhas são simplificadas com a idade.

59- Não deixe que ninguém lhe diga que você está velho demais para fazer alguma coisa! Ou muito jovem.

60- Não tenha medo. Quando você ficar velha, você vai se sentir bem. A vida e a natureza preparam você para cada fase de sua vida.

terça-feira, 1 de março de 2016

Le parole delle donne - Cecilia Robustelli


Usare la declinazione al femminile per riconoscere pienamente alle donne il loro ruolo nella società e nel lavoro

La nostra cara lingua italiana conosce alcuni usi poco rispettosi nei confronti delle donne: per esempio certe espressioni un po' vecchiotte ma che risuonano spesso ancora oggi, specialmente in bocca maschile, come donna al volante, pericolo vagante e chi dice donna dice danno, ma anche il toscanissimo invito a non fare la dottora.

Attenzione, non si tratta di modi di dire innocenti, anche se vengono di solito pronunciati con un sorriso, ma di veri e propri "stereotipi", ciòe espressioni fisse, generalizzate, riflesso di luoghi comuni, che sviliscono la figura femminile perché ne danno un'immagine negativa e subalterna rispetto all'uomo. E poi (anzi, soprattutto!) l'uso del genere grammaticale maschile invece che femminile per i termini che indicano ruoli istituzionali o titoli professionali prestigiosi riferiti a donne. Alle forme femminili architetta, chirurga, direttrice, ingegnera, ispettrice, notaia, procuratirce, rettrice e assessora, cancelliera, consigliera, deputata, funzionaria, ministra, sindaca che sono grammaticalmente corrette e, se relative a ruoli istituzionali, hanno pieno valore giuridico, si preferiscono quelle maschili.

Così sebenne nessuno si azzardi a definire Federica Pellegrini o Antonella Clerici nuotatore o conduttore ma scelga, correttamente, nuotatrice e conduttrice, si continua a preferire il ministro Maria Elena Boschi o il direttore del Cern Fabiola Gianotti e la ministra Maria Elena Boschi e la direttrice del Cern Fabiola Gianotti.

Evidentemente ci sono forti resistenze di tipo culturale, e non linguistico, che frenano l'uso di alcune forme femminili.

Qualcuno sostiene addirittura che siano "brutte", ma questo è un giudizio molto soggettivo e giustificabile solo quando si parla di linguaggio letterario, non quotidiano: forse parole come professora o infermiera sono "belle"?

Altri ritengono che usare la forma maschile aggiunga prestigio al ruolo o alla professione, ma è mai possibile che una donna debba "travestirsi" linguisticamente da uomo per aver successo.

E che tutto il cammino compiuto da donne e uomini verso la parità di diritti e il pieno riconoscimento del loro valore, nel rispetto delle differenze, debba essere nascosto sotto una terminologia al maschile?

Quando si usa il genere grammaticale maschile, infatti, si evoca solo l'immagine di un uomo: i termini notaio, deputato o rettore fanno pensare che ci si riferisca a un uomo, non a una donna.

Il maschile non è neutro! Se lo si usa per una donna si "cancella" la presenza femminile in determinati ruoli e professioni, e si compie quindi una vera e propria discriminazione perché non si riconosce il cammino fatto dalle donne sul piano lavorativo, sociale e personale.

E inoltre si può rincorrere in equivoci a svantaggio della chiarezza comunicativa: un rischio, questo, molto grave specialmente quando sono le istituzioni a commetterlo, ma anche quando ci cascano (talvolta ad arte!) i media.

Qualche anno fa un giornale pubblicò un articolo intitolato Il sindaco di Cosenza: aspetto un figlio. Il segretario DS: il padre sono io che suscitò non poche perplessità nei lettori finché non fu chiaro che "il sindaco"... era in realtà "una sindaca"!

Che fare allora? Convincersi che è indispensabile riconoscere pienamente alle donne il loro ruolo perché possano così far parte a pieno titolo del mondo lavorativo e partecipare ai processi decisionali del paese, e che il linguaggio è uno strumento indispensabile per attuare questo processo.








sexta-feira, 16 de outubro de 2015

15 coisas para se lembrar se você ama uma mulher que está acostumada a ficar sozinha (O Segredo)


1. Ela é emocionalmente forte

Ela depende de si mesma, tornando-se emocionalmente forte. Ela pode lutar suas próprias batalhas, e apesar de isso parecer inicialmente intimidador, você vai apreciar a sua força quando um de vocês passar por um momento difícil.

2. Ela será reservada no começo

No começo ela será reservada sobre as coisas que são importantes para ela. No entanto, quanto mais você conhecê-la, mais vai descobrir. Quando ela estiver totalmente aberta com você, poderá se orgulhar de ser uma das poucas pessoas que ela escolhe para estar perto.

3. Ela gosta de fazer suas próprias coisas

Como ela gasta tempo sozinha regularmente, tem passatempos e atividades que gosta de fazer sozinha, como correr ou ler. Seja orgulhoso dela por seus interesses, e incentive-a a persegui-los.

4. Ela não é acostumada a contar com outras pessoas

Ela pode ter dificuldade em deixá-lo fazer coisas para ela, pois não tem esse hábito. No entanto, isso não quer dizer que ela não goste de depender de outras pessoas; ela provavelmente gosta, só vai levar um pouco de tempo para se acostumar com isso.

5. Ela gosta quando as coisas são do seu jeito

Ela vai ser teimosa quando vocês dois discordarem, e vai lutar para conseguir o que quer. Às vezes, ela vai ganhar, e às vezes você – e isso faz uma relação justa e saudável.

6. Ela pode querer levar as coisas devagar

Ela não está acostumada a estar com alguém com tanta frequência, portanto não vai querer saltar no fundo do poço imediatamente. Não se afaste por isso – ela gosta muito de você, mas é uma grande mudança de estilo de vida para ela. Uma mulher que está acostumada a ficar sozinha pode querer levar as coisas mais lentamente do que você está acostumado -, mas ela vale a pena.

7. Ela ainda aproveita tempo sozinha

Ela é acostumada a passar tempo sozinho e gosta esse tempo, então não vai desistir dele. Você ainda é muito importante, mas ela precisa de tempo sozinha, a fim de reagrupar-se.

8. Ela pode não ter certeza sobre seus sentimentos em relação a ela

Ela não é o tipo de pessoa que está regularmente em relacionamentos, assim pode não ter certeza sobre seus sentimentos por ela. Ela pode questioná-los, mas só porque este é um território novo para ela.

9. Ela vai levar tempo para abrir-se emocionalmente

Ela não vai dizer-lhe sua história de vida e todos os seus problemas imediatamente, porque é uma pessoa muito privada. Ela vai abrir-se ao longo do tempo, mas agora está simplesmente concentrada em desfrutar seu tempo com você.

10. Ela pode se preocupar com o quanto gosta de você

No início, ela pode afastar-se de você por um tempo. Isto não é porque ela não gosta de você; ela só quer avaliar seus sentimentos e decidir o que quer.

11. Sua confiança deve ser conquistada

Esta mulher não confia em tudo e todos – é preciso tempo e paciência para ganhar sua confiança. No entanto, uma vez que ela confiar em você, será completamente.

12. Ela é cabeça dura

Ela é teimosa e acostumada a administrar a sua vida de forma eficiente sem qualquer ajuda. Esta força é admirável, e isso significa que ela nunca dependerá de você para tudo.

13. Ela pode não precisar de você, mas te quer

No início ela não passará tempo com você, porque dessa maneira pensará que precisa de você. Ela sabe que só quer desfrutar da sua companhia neste momento – mas com tempo e paciência, vocês podem crescer e precisar um do outro.

14. Ela pode ser cautelosa com compromisso

Compromisso pode ser assustador para todos nós; você está entregando a alguém o poder de feri-lo ou deixá-lo. No entanto, ela está disposta a empurrar seus medos e passado e vagar em direção ao desconhecido juntos.

15. Ela está acostumada a ficar sozinha

Sua zona de conforto natural é estar sozinha, e estar sozinha sempre será reconfortante para ela. Você pode amá-la por toda a vida, e ela sempre gostará de estar sozinha. Deixe ela ficar sozinha quando quiser, e seja orgulhoso de sua independência.





quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Poema de Mario Quintana



Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha. 

Aos 8 anos: Ela olha para si e vê Cinderela.

Aos 15 anos: Ela olha e vê uma freira horrorosa.

Aos 20 anos: Ela olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair mas, vai sofrendo.

Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar então vai sair assim mesmo.

Aos 40 anos: Ela se olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa e sai mesmo assim.

Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender.

Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.

Aos 70 anos: Ela olha para si e vê sabedoria, risos, habilidades, sai para o mundo e aproveita a vida.

Aos 80 anos: Ela não se incomoda mais em se olhar. Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo.

Talvez devêssemos por aquele chapéu violeta mais cedo!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Outubro Rosa: um toque de amor à vida - Iris Nunes Rodrigues


A mais feminina das cores, o rosa inspira a delicadeza e a sensibilidade. E no mês de outubro, a cor rosa ganha ainda mais vida, abrindo caminhos para a conscientização e a prevenção do câncer mais comum entre as mulheres.

Nos próximos dias, com a chegada do mês de outubro, o mundo todo ficará mais colorido. A mobilização aumenta a cada ano e as campanhas expandem os alertas para os cuidados com a prevenção e o tratamento.

O Outubro Rosa é um movimento internacional que visa o estímulo da luta contra o câncer de mama. A ação iniciou-se em 1997, nos Estados Unidos, e foi ganhando o mundo como uma forma de conscientização acerca da importância do diagnóstico precoce e de alerta para a grande quantidade de mortes relacionadas com essa doença.

O símbolo da campanha é um laço rosa, que foi feito, inicialmente, pela Fundação Susan G. Komen e distribuído na primeira corrida pela cura do câncer de mama em 1990. Os laços rosa popularizaram-se e foram usados posteriormente para enfeitar locais públicos e outros eventos que lutavam pela causa.

Além do laço rosa, muitas cidades passaram a iluminar alguns monumentos públicos com luz rosa para dar maior destaque ao mês da luta contra a doença. No Brasil, o primeiro sinal de empatia pelo movimento aconteceu em outubro de 2002, quando o monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista, também chamado de Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado de rosa. A cada ano o movimento vem ganhando força e várias cidades brasileiras vêm sendo iluminadas como uma força de chamar a atenção para a saúde da mulher.

Câncer de mama: é preciso falar disso

Para a maioria das mulheres, talvez não haja doença mais assustadora e que aflija tanto o imaginário como o câncer de mama. Embora possa ser um tema difícil de tratar, falar abertamente sobre o câncer de mama pode ajudar a esclarecer mitos e verdades e, com isso, aumentar a chance de enfrentamento da doença.

Se diagnosticado precocemente, o câncer de mama pode ser tratado, com chances de cura que chegam até 90%. Assim, é cada vez mais frequente conhecermos mulheres que sobreviveram ao câncer de mama e deram a volta por cima.

Um em cada três casos de câncer pode ser curado se for descoberto logo no início. Mas muitos pacientes, por medo ou desconhecimento, preferem não pensar no assunto e acabam atrasando o diagnóstico. Por isso, é preciso desfazer crenças equivocadas sobre o câncer, para que a doença deixe de ser vista como uma sentença de morte ou um mal incurável e inevitável. Alguns tipos de câncer, entre eles o de mama, apresentam sintomas e sinais em suas fases iniciais. Segundo dados fornecidos pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer) em 2014 foram estimados 57.120 novos casos de câncer de mama.

A detecção precoce do câncer de mama faz toda a diferença caso haja um diagnóstico positivo, pois uma vez descoberto cedo, pode ser tratado a tempo, reduzindo a mortalidade e trazendo melhores resultados no tratamento.

Mas afinal, o que é câncer de mama?

É uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns se desenvolvem rapidamente e outros não. A maioria dos casos tem boa resposta ao tratamento, principalmente quando diagnosticado e tratado logo no início.

O câncer de mama é comum no Brasil?

Sim. É o tipo mais comum, depois do câncer de pele, e também o que causa mais mortes por câncer em mulheres.

Só as mulheres têm câncer de mama?

Não. Homens também podem ter câncer de mama, mas isso é raro (apenas 1% dos casos).

O que causa o câncer de mama?

Não há uma única causa. Diversos fatores estão relacionados ao câncer de mama. Ser mulher e envelhecer são os principais fatores que aumentam o risco.

Saiba mais sobre o câncer de mama...

Quais são os sinais e os sintomas do câncer de mama?

- Alterações no bico do peito (mamilo).

- Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja.

- Pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço.

- Saída de líquido anormal das mamas. Essas alterações precisam ser investigadas o quanto antes, mas podem não ser câncer de mama.

Quais são os fatores de risco?

Ambientais

- Obesidade e sobrepeso, principalmente após a menopausa.

- Sedentarismo (não fazer exercícios).

- Consumo de bebida alcoólica.

- Exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X).

Hormonais

- Primeira menstruação (menarca) antes de 12 anos.

- Não ter tido filhos.

- Primeira gravidez após os 30 anos.

- Não ter amamentado.

- Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos.

- Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.

Genéticos

- História familiar de câncer de mama e ovário, principalmente em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos.

- Alteração genética.

A mulher que possui esses fatores genéticos tem risco elevado para câncer de mama. A presença de um ou mais desses fatores de risco não significa que a mulher terá necessariamente a doença.

O que é mamografia?

Mamografia é uma radiografia das mamas, realizada por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, capaz de visualizar alterações suspeitas.

Exame clínico das mamas é a observação e palpação das mamas por um médico ou enfermeira.



(texto publicado na revista Shop News Vertical edição 28 - ano 3)

sábado, 29 de agosto de 2015

Bruxas as mulheres em chamas - Cadu Ladeira e Beth Leite


Durante mais de 300 anos, a mesma Europa que viu nascer a Idade Moderna e presenciou feitos como a conquista do Novo Mundo, a ascensão da burguesia comercial e o fim do domínio feudal, fez das fogueiras um instrumento de repressão e morte para milhares de mulheres condenadas por bruxaria

As pilhas de lenhas e gravetos já estavam acesas e a multidão, inquieta, aguardava o início do ritual que conhecia tão bem. Afinal, execuções eram espetáculos imperdíveis, que atraíam a atenção de pessoas vindas de vários cantos. Em meio ao ruído abafado dos comentários sobre os horrores que havia cometido, surgiu enfim a condenada. A turba, que já estava agitada, aproveitou para liberar a tensão reprimida: objetos, palavras de ódio, risos e piadas partiam de todas as direções contra a terrível criatura. Não houve muitas delongas. A sentença foi lida rapidamente, o carrasco, num gesto piedoso, estrangulou a condenada para que não enfrentasse as chamas viva e, em poucos minutos, seu corpo ardia, diante da aclamação selvagem da assistência. Durante mais de 300 anos, cenas como essa se tornaram corriqueiras nas praças públicas de boa parte da Europa e o caminho da fogueira se transformou no destino de milhares de mulheres. Nuas, montadas em vassouras, aterrorizando cidades, aldeias e castelos, no imaginário popular e religioso da época as bruxas estavam por toda parte, semeando o pavor. A perversidade feminina campeava solta, a serviço dos mandos do demônio, e precisava ser contida a qualquer custo.

De 1450 a 1750, poucas pessoas ousariam contradizer essa doutrina, repetida em tom de ameaça nos púlpitos dos pregadores católicos, assim como nos sermões protestantes depois da Reforma religiosa de Martinho Lutero, no século XVI. Bruxaria era uma calamidade tão real quanto tempestades ou pestes, e intimamente ligada à natureza feminina. Com exceção de Portugal e Espanha, onde os principais perseguidos eram cristãos-novos e judeus, em quase toda a Europa a porcentagem de mulheres excedeu 75% dos casos. Em algumas localidades, como o condado de Namur (atual Bélgica), elas responderam por 90% das acusações. Estima-se que 100 000 processos foram instalados pelo continente afora e pelo menos 60 000 vidas se perderam em meio às chamas.

Foi em plena Idade Moderna - a mesma que presenciou a descoberta de um novo mundo com as grandes navegações, a ascensão da burguesia comercial, o fim do domínio feudal e a formação dos primeiros Estados nacionais europeus - que o temor às forças do mal deixou o campo da crendice popular para se tornar alvo de uma perseguição sistemática de tribunais leigos, religiosos e da Inquisição - sob controle papal.

Não que as fogueiras tenham sido estranhas à sociedade medieval. A Idade Média também presenciou exibições do poder purificador das chamas, a mais notável delas, sem dúvida, aquela que consumiu a vida da jovem Joana D'Arc em 30 de maio de 1431, na cidade de Rouen, então sob domínio inglês. Heroína nacional, Joana ficou famosa depois que conduziu o exército francês à vitória sobre os ingleses em Orléans e deu início à revanche de seu país na Guerra dos Cem Anos (1337-1453), até aquele momento vencida fragorosamente pelos britânicos. Em 1430, quando caiu prisioneira nas mãos do duque de Borgonha, aliado do rei inglês Henrique V, seus inimigos aproveitaram a fama das visões que ela costumava ter desde pequena para levá-la à fogueira, mesmo sabendo de sua extrema devoção religiosa. Nesse caso, porém, o cunho político da condenação era tão óbvio, que antes do final daquele século, ela seria reabilitada e em 1920 finalmente transformada em santa.

Calamidades podiam detonar uma caça

Para bruxas menos famosas, no entanto, a chegada da Idade Moderna trouxe uma mudança radical na atitude da Igreja e dos tribunais em relação ao universo da superstição, do paganismo e do mito com o qual, havia mais de 1 500 anos, a Europa convivia. Na mitologia romana, Diana, deusa dos bosques e dos animais, já costumavam guiar amazonas noturnas em cavalgadas celestes. Entre as crenças imemoriais germânicas, acreditava-se que figuras ameaçadoras, conhecidas como streghe, se reuniam na floresta em torno de caldeirões para realizar seus rituais. Depois se volatilizavam e invadiam as  casas para chupar a vitalidade das crianças. Mas em meio à insegurança da aurora da modernidade, um tempo marcado por mudanças e desgraças contantes como fomes, pestes, guerras e conflitos religiosos, boa parte dessa tradição fantasiosa do passado acabou associada à certeza de que o demônio e suas seguidoras estavam determinados a dominar o mundo. Feitiços e mulheres voadoras tornaram-se, da noite para o dia, parte de uma grande conspiração demoníaca. Encantos e unguentos - chamados na época de maleficia - que antes serviam para ajudar as pessoas se transformavam em passaporte certo para a morte.

Não era preciso muito para provar que a ação infernal estava em andamento. Além das tradicionais acusações de possessões diabólicas, crises políticas e sociais, calamidades naturais ou qualquer outro acontecimento anormal eram capazes de detonar a mortandade. Em Trier, na França, uma feroz epidemia de processos contra as bruxas ocorreu entre 1580 e 1599, quando duas grandes colheitas foram dizimadas por alterações climáticas. No principado alemão de Ellwagen, em 1611, em Genebra em 1530, 1545, 1571 e 1615 e em Milão em 1630, para citar uns poucos exemplos, centenas foram condenadas à morte após um surto de peste. No século XVII, em Cambrai, também na França, a instalação de novas indústrias no campo gerou uma onda de ansiedade entre os camponeses que logo desembocou numa grande caça.

Algumas alegações contra a bruxaria eram tão descabidas, que só mesmo o clima de paranoia coletiva explicava a relação: em 1590, depois que uma tormenta no Mar do Norte destruiu um dos navios da comitiva de Jaime VI da Escócia e de sua noiva, Ana da Dinamarca, os dois países iniciaram uma cruel perseguição a feiticeiras. As grandes caçadas vinham assim: como tempestades de verão, chegavam avassaladoras e de surpresa, mas tinham curta duração. Quase sempre, após um período de frenética perseguição, as comunidades se aquietavam durante os anos seguintes.Era como se tivessem se livrado de um cancro.

Escritos da época registram o quase inacreditável. Na diocese italiana de Como, 1 000 execuções em um ano. Em Toulouse, na França, 400 cremações são contadas em um único dia. No arcebispado francês de Trier, em 1585, 306 bruxas delataram cerca de 1 500 cúmplices. Embora a maior parte das acusadas tenha escapado à morte, isso não impediu que duas aldeias da região ficassem à beira do extermínio: sobraram apenas duas mulheres em cada uma delas.

O mais impressionante é que a maior parte dessas mulheres, e mesmo dos homens, condenadas chegaram às fogueiras por confissão própria, graças à tortura. Durante esses quase três séculos de morte, conseguir uma confissão era apenas questão de tempo. Quando acontecia de o acusado resistir muito durante uma sessão de maus tratos, isso só aumentava a convicção de culpa dos interrogadores: afinal, tamanha resistência só podia ter por trás o auxílio de forças que não eram apenas naturais. Hoje, sabe-se que o uso indiscriminado desse instrumento macabro se confunde com o próprio mapeamento da caça às bruxas pela Europa.

Inquisição era um tribunal comedido

O predomínio do temido Tribunal de Inquisição, por exemplo, serviu para atenuar os casos de condenação à morte de bruxas nos países da Península Ibérica e na Itália. Embora tenha ficado famoso na Idade Média pela prática da tortura, na época em que começou a grande repressão europeia, a partir do século XV, os inquisidores já haviam elaborado uma extensa reforma jurídica que garantia não só assistência legal aos acusados como restringia a ação dos torturados a casos muito especiais. Na Inglaterra, onde suspeitos de bruxaria só podiam ser submetidos à tortura com autorização dos conselhos superiores de Justiça, a caça às bruxas também teve pouca expressão. Já na Alemanha, dividida em dezenas de ducados e principados independentes política e judicialmente, a caça às bruxas ganhou proporções assustadoras. Nada menos de 50% dos processos contra elas aconteceram em terras germânicas, e a maior parte resultou em morte.

Às vezes, a descoberta de uma fraude conseguiu evitar que a perseguição chegasse a um final dramático. Em 1633, o jovem inglês Edmund Robinson denunciou uma mulher que o teria levado a um sabá de bruxas, onde estavam reunidas cerca de sessenta feiticeiras. O menino deu o nome de dezessete delas ,todas imediatamente presas e condenadas. Algumas dúvidas sobre o depoimento, no entanto, levaram o bispo de Chester a interrogar Edmund e ele acabou admitindo ter forjado a história por sugestão do pai, que havia indicado todos os nomes "por inveja, vingança e desejo de tirar vantagem", descobriram os juízes. Na Escócia, o ensaio de uma grande repressão nacional em 1661 entrou em colapso quando os eméritos caçadores de bruxas John Kincaid e John Dick foram flagrados dando picadas em mulheres acusadas de bruxaria: nos tribunais, essas pequenas marcas eram a prova de que elas haviam feito pacto com o diabo.

Foram poucas, porém, as caças detidas por evidência de fraudes. Normalmente, quando uma perseguição se instalava, nada conseguia detê-la e o pânico tomava conta da população. A princípio, todos estavam sob suspeita e a melhor defesa era o ataque. Uma vez iniciada a caça, delações não paravam mais. Assustadas com a perseguição, muitas pessoas logo se punham a entregar as vizinhas na tentativa de livrar a própria pele de potenciais acusações. Cada possível bruxa levada a julgamento por sua vez, não tardava a incriminar mais uma lista de acusadas, num efeito dominó que levava grandes levas de pessoas diante dos juízes.

Furor uterino e cobiça carnal

Cenas e relatos como esses não só foram realidade como contavam com uma robusta fundamentação teórica de uma obra sinistra. Publicado em 1486, o livro Malleus Maleficarum, escrito pelos inquisidores papais alemães Heinrich Kramer e James Sprenger, foi um eficaz instrumento nos tribunais para consolidar a crença de que uma grande conspiração arquitetada por Satã e suas seguidoras, as bruxas, tomava conta do mundo. Até o final do século XV, o manual já era um best seller, recordista absoluto entre qualquer livro anterior ou posterior sobre demonologia, com mais de uma dúzia de edições.

Na detalhada obra, que explicava desde os feitiços mais comumente praticados até como localizar a presença das malignas criaturas no seio da sociedade, Kramer e Sprenger não pouparam esforços para mostrar que a mesma mulher que provocou a expulsão do homem do paraíso ainda era uma ameaça presente. O velho temor católico de monges e padres celibatários estava mais forte do que nunca. "A perfídia é mais encontrada nas pessoas do sexo frágil do que nos homens", garantiam os dois. Bruxas eram o mal total: renunciavam ao batismo, dedicavam seus corpos e almas ao demônio e, suprema lascívia, costumavam manter relações sexuais com ele. Principalmente durante os sabás, reuniões em que as forças do mal se reuniam para banquetear-se com criancinhas não batizadas e que sempre terminavam em fabulosas orgias. Testemunhos da época davam notícia de sabás reunindo até 1 000 bruxas.

Para provar a propensão natural da mulher à maldade não faltavam argumentos aos autores do Malleus. A começar por "uma falha na formação da primeira mulher, por ser ela criada a partir de uma costela recurva, ou seja, uma costela no peito, cuja curvatura é, por assim dizer, contrária à retidão do homem. A própria etimologia da palavra feminina confirmava essa fraqueza original: segundo eles, femina, em latim, reunia em sua formação as palavras fide e minus, o que quer dizer menos fé.

Defender ideias assim não era exclusividade dos dois inquisidores alemães. A aversão á mulher como ser mais fraco e, portanto, mais propenso a sucumbir à tentação diabólica era moeda corrente em todas as regiões da Europa - dos pequenos vilarejos camponeses aos grandes centros urbanos. Nos sermões de padres por toda a Europa, proliferava a concepção de que a bruxaria estava ligada à cobiça carnal insaciável do "sexo frágil", que não conhece limites para satisfazer seus prazeres. Com seu "furor uterino", para o homem a mulher era uma armadilha fatal, que podia levá-lo à destruição, impedindo-o de seguir sua vida tranquilamente e de estar em paz com sua espiritualidade.

O clima de desconfiança em relação às mulheres teve também predileções profissionais. Quando não era o caso de grandes perseguições orquestradas para expurgar males como a peste, certos ofícios tipicamente femininos tinham precedência na lista de denúncias. Curandeiras, vitais para uma sociedade onde a medicina ainda era uma ciência incipiente, tornavam-se hereges e apóstatas da noite para o dia. Cozinheiras também viviam sob constante desconfiança, assim como as parteiras.

Parteiras eram alvos visados

Acusadas frequentemente de batizar os recém-nascidos em nome do diabo ou de matá-los para usar seus corpos em rituais, elas foram vítimas de anos em suspeita acumulada, numa época em que a taxa de mortalidade infantil era altíssima. Em 1587, a parteira alemã Walpurga Hausmannin, foi processada por ter causado a morte de quarenta crianças, algumas com até 12 anos. Entre os métodos que ela empregava, estavam o estrangulamento, esmagamento de cérebro da criança no parto e aplicação de "um unguento do diabo sobre a placenta", de modo que a mãe e a criança morressem juntas. Seu destino foi a fogueira. O mesmo de uma parteira húngara, que em 1728 conseguiu uma marca duvidosa, mas perfeitamente factível para seus contemporâneos: ela morreu queimada por ter batizado nada menos do que 2 000 crianças em nome do demônio.

Para quem se acostumou a relacionar a figura das bruxas a personagens pitorescas de contos da carochinha - como a madrasta de Branca de Neve ou a fada malvada de Cinderela -, às vezes fica difícil acreditar em histórias assim. Mas elas existiram e deixaram em seu rastro uma cruel realidade da morte de milhares de mulheres inocentes em fogueiras piamente acesas para limpar o mundo.




(texto publicado na revista Super Interessante nº 2 - ano 7 - fevereiro de 1993)