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domingo, 25 de janeiro de 2015

Tratamentos para os problemas bucais mais comuns (Melhor com Saúde)


Aftas, gengivite, cáries, tártaro, dentes enfraquecidos são problemas bucais que pioram a nossa qualidade de vida, dão uma verdadeira dor de cabeça e um gasto considerável no dentista.

Aqui, vamos explicar suas causas e vamos propor alguns tratamentos simples com produtos naturais, tais como óleo, bicarbonato, tomilho e água do mar.

Possíveis causas

- Alimentação: é a principal causa dos problemas bucais. O mau funcionamento ou sobrecarregamento do sistema digestivo gera, sutilmente, excesso de acidez, a qual altera o pH natural da boca, causando gengivite, aftas, cáries e tártaro. Assim, o melhor tratamento é uma dieta alimentar equilibrada, com muitas frutas e verduras frescas, nozes, legumes, cereais integrais etc.

- Açúcar branco: o açúcar branco merece uma menção à parte, já que é um veneno para os dentes e a saúde em geral. Sua eliminação da dieta é recomendada e deve-se ficar atento àqueles alimentos que o contêm.

- Tabaco e café: tabaco e café mancham os dentes, alteram o pH da boca, causam tártaro e descalcificam os dentes.

- Má higiene bucal: a higiene é imprescindível. Escove os dentes, limpe a língua com escova especial e retire os resíduos entre os dentes com fio dental.

- Produtos químicos: as pastas de dentes comuns contêm ingredientes que criam muita espuma e são agressivos ao pH da boca, piorando problemas como gengivite e aftas. Recomenda-se comprar pastas em herboristas ou lojas de produtos naturais ou até preparar uma pasta caseira.

Apresentamos a seguir quatro receitas naturais para prevenir e tratar os problemas bucais.

Infusão de tomilho

O tomilho é uma erva antisséptica secular, usada para problemas bucais, tais como aftas, feridas ou gengivite. Pode-se tomar o chá diariamente, mas, recomenda-se especialmente realizar enxágues. Para a infusão, ferva um litro de água mineral com 60 gramas de tomilho por 5 minutos, deixando-a descansar por mais 5 minutos. Quando a infusão ficar morna, faça bochechos, repetindo várias vezes por dia até notar melhorias.

Uma pitada de bicarbonato

Como mencionamos, a maioria dos problemas bucais resultam do excesso de acidez na saliva, que pode ser combatida alcalinizando-a e aplicando diretamente na língua uma pitada de bicarbonato.

Recomenda-se levar sempre consigo um frasco de bicarbonato. Umedeça o dedo para colher doses mínimas de bicarbonato e aplique na língua, repetindo esse procedimento várias vezes ao dia, de modo a permitir um processo de alcalinização natural sem alteração do pH bucal. Este remédio funcionará para todos os problemas já citados, inclusive para a prevenção de cáries.

Água do mar para remineralizar a dentadura

A falta de minerais, decorrente de uma má alimentação, enfraquece os dentes e os expõe a qualquer doença.

Uma forma de evitar isso seria tomar cálcio, mas também muitos outros minerais. Por isso, recomenda-se água de mar, para enxágues diários. Pode ser encontrada em herboristas ou lojas de produtos dietéticos, ou até supermercados. Se o mar for perto, recolher, na primeira hora da manhã e fora de temporada, um pouco de água numa garrafa, evitando a superfície da água onde se acumulam resíduos. Pode-se também misturar sal do mar com água mineral.

Bochechos com óleo

Este antigo tratamento ayurvédico é ideal para os problemas bucais e todo o aparato digestivo, uma vez que permite extrair as toxinas e limpar profundamente a boca. Recomenda-se especialmente para infecções bucais, problemas gengivais, placa dentária, dentadura escurecida e dentes soltos.

Precisamos apenas de óleo de girassol ou de gergelim de primeira pressão a frio.





































segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Leite Dourado - uma bebida milagrosa para a saúde (Notícias Naturais)


O leite com cúrcuma (ou leite dourado) é uma bebida tradicional Ayurveda para aumentar a sua saúde e vitalidade. Normalmente é tomado à noite para promove o sono e curar uma série de doenças, incluindo resfriados comuns, dor de garganta, indigestão, diarreia, síndrome do intestino irritável, doença de Crohn, cólicas menstruais, dores de cabeça e artrite.

Ele também combate cânceres como o de mama, fígado, cólon e próstata, alivia a depressão, promove a saúde digestiva, desintoxica o fígado, purifica o sangue, estimula a circulação, acelera a cicatrização de feridas, alivia a dor, protege contra doenças cardiovasculares e ajuda como distúrbios neurológicos.

A maioria dos benefícios da cúrcuma vem do seu composto chave, a curcumina, a qual possui forte efeito antioxidante, anti-inflamatório, analgésico e propriedades antissépticas. A cúrcuma também é usada como uma erva carminativa na Ayurveda e na medicina tradicional chinesa.

Uma alternativa também é utilizar esta masaala para feijão, um condimento típico da Índia, que além da cúrcuma e da pimenta-do-reino, contém ainda cominho em pó, coentro, assafétida e gengibre, todos também com propriedades medicinais.

Os benefícios de saúde da cúrcuma são reforçadas pela adição de pimenta-do-reino à ela. A pesquisa mostra que a pimenta-do-reino contém piperina, um composto que ajuda o organismo a absorver melhor a curcumina.

Além disso, a adição de outras especiarias como canela e cardamomo melhoram o sabor, bem como os benefícios de saúde do leite com cúrcuma. A canela ajuda a controlar o açúcar no sangue, reduz o mal colesterol e melhora a circulação.

O cardamomo melhora a digestão, ajuda na desintoxicação e elimina o mau hálito. A inclusão de óleo de coco extra virgem nesta bebida acrescenta melhora do sistema imunológico e benefícios de redução do colesterol ao seu leite com cúrcuma.

Como fazer leite com cúrcuma em casa

Coisas que você vai precisar:

- Leite (opte por leite com baixo teor de gordura)
- Cúrcuma
- Pimenta-do-reino
- Canela
- Cardamomo
- Óleo de coco
- Mel
- Um pote
- Colheres de medição
- Um copo
- Um filtro

Passos:

1. Despeje um copo de leite em uma panela e leve ao fogo.
2. Adicione 1/2 colher de chá de cúrcuma em pó.
3. Adicione 1/4 colher de chá de pimenta-do-reino em pó.
4. Adicione uma canela pequena.
5. Esmague as sementes de uma vagem de cardamomo (ou cardamomo em pó) e adicione-as à solução.
6. Adicione 1/2 colher de chá de óleo de coco extra virgem.
7. Leve a solução para ferver por alguns minutos.
8. Coe.
9. Adoce com um pouco de mel.

Seu leite com cúrcuma caseiro está pronto agora. Beba-o diariamente à tarde ou à noite antes de ir dormir.

Dicas

- Os veganos podem substituir o leite desta receita por leite de coco ou leite de amêndoa e adoçar esta bebida saudável com stevia ou algum outro adoçante natural.

- Se você estiver usando pimenta-do-reino moída na hora, use um pouco menos de 1/4 de colher de chá.

- Se você não tem canela inteira, use 1/2 colher de chá de canela em pó.

- Você também pode adicionar 1/2 ou 1 colher de chá de gengibre ralado ou em pó ao seu leite com cúrcuma.

- Para fazer esta receita como uma pasta, aqueça 1/4 de xícara de cúrcuma em pó, 1/2 colher de chá de pimenta-do-reino em pó e  1/2 xícara de água juntos em uma panela em fogo médio até formar uma pasta. Use 1/4 de colher de chá desta pasta em seu leite e adicione a canela e o cardamomo antes de fervê-lo. Deixe esfriar e armazene a pasta restante na geladeira.













quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

"Mudei e ganhei minha vida de volta" - depoimento a Mariana Sgarioni


Ao receber o terrível diagnóstico de esclerose múltipla, a arquiteta Laura Pires optou por tratamentos tradicionais indianos e embarcou em uma viagem transformadora que a fez rever prioridades. Sua história é contada no livro Em Busca da Cura (Casa da Palavra)

"'É só um cisco no olho.' Foi o que pensei quando acordei naquela manhã de janeiro de 2006, antes de comer qualquer coisa e sair correndo para ir trabalhar. Minha visão do lado esquerdo estava embaçada, como se estivesse suja. Eu tinha 25 anos, era uma arquiteta em início de carreira e trabalhava sem parar. Parecia ligada na tomada. Não me alimentava bem, dormia mal, fazia mil coisas ao mesmo tempo. Comentei esse incômodo com o Marcus, então meu marido, e depois não dei muita bola. Mas aquele cisco ficou ali dias e dias. Acabei indo a um oftalmologista, que suspeitou de glaucoma e deslocamento de retina. Não era isso e não melhorou. Outro médico falou em inflamação do nervo ótico. Fui a vários especialistas e cada um me dizia uma coisa. Minha visão ficava cada vez mais borrada. Eu ia tomando os medicamentos que me receitavam até que tive uma reação alérgica a um corticoide. Fiquei toda inchada. Um mês depois, acordei com o olho direito do mesmo jeito. Comecei a desconfiar de que algo estava muito errado e passei a ir a diferentes consultas, com clínicos gerais, neurologistas, outros oftalmologistas. Ninguém descobria o que era.

Enquanto isso, o tempo passava e os sintomas mudavam: meus braços começaram a formigar e um dos meus joelhos simplesmente travou. Durante um dos inúmeros exames que fiz, o atendente disse: 'Todos os pacientes que chegam assim, como você, depois voltam na cadeira de rodas'. Fiquei apavorada. Em poucos dias, vi um lado direito do meu corpo paralisar. Tirei líquor da medula e fiz uma série de ressonâncias do cérebro. Apareceu uma mancha num nervo ótico e, finalmente, veio o diagnóstico: esclerose múltipla, doença degenerativa sem cura que compromete o sistema nervoso central.

Em maio, eu já estava muito doente. Perdi completamente a visão periférica e, à noite, só enxergava borrões. Emagreci muito porque não tinha mais forças para comer. Marcus precisava me dar comida na boca. Cheguei a 37 quilos - meu peso normal é de 45 quilos. Não andava, tinha tremores e cãibras. Para melhorar, fazia que sugeriam: centro espírita, acupuntura, terapia com picada de abelha. Eu só piorava. Os neurologistas queriam iniciar um tratamento pesado á base de corticoide injetável - justamente o remédio que havia causado alergia! Diziam que não havia outra opção. Até que o Marcus se lembrou de um médico que tinha cuidado dele em uma viagem à Índia, quando fora acometido por uma inflamação nos olhos. Resolvi ir e tentar com ayurveda, a milenar medicina indiana, que utiliza óleos, ervas, massagens e uma rígida dieta alimentar. Ele mandou e-mail e o médico respondeu na hora: 'Traga-a para cá imediatamente. Quanto antes, melhor'. Eu não estava em condição física - nem emocional - para viajar, mas também não tinha mais nada a perder: os tratamentos convencionais causavam efeitos colaterais devastadores e não me davam a mínima esperança. Queria tentar algo diferente.

Fizemos as malas e partimos do Rio de Janeiro, onde moro, para o hospital indicado, no interior da Índia. A viagem foi horrível. Eu tremia o tempo inteiro, até minha cabeça tinha cãibras. Quando chegamos, perguntei ao médico quando iniciaria o tratamento. Ele disse: 'Já começou no momento em que você decidiu vir para cá'. Durante 21 dias, fui submetida às terapias ayurvédicas. Fiz limpezas intestinais para purificar meu corpo e recebi orientação de rezar diariamente. Nunca fui uma pessoa religiosa, nem sabia rezar. Então, eu fechava os olhos e inventava minhas orações. Também tomava muitos chás concentrados. Passei por procedimentos curiosos para nós, ocidentais, como mergulhar os olhos em manteiga clarificada, chamada de ghee. Ou colocar na cabeça uma espécie de capacete feito de pão e folha de bananeira dentro do qual são despejados 3 litros de óleo medicinal aquecido. Marcus sempre teve fascinação pela Índia. Por causa dele, já conhecia um pouco mais sobre a cultura daquele país. E eu já praticava ioga e era vegetariana antes de ficar doente. Mas não sabia nada sobre tratamentos ayurvédicos quando resolvi ir. Tomei essa decisão porque estava desesperada. Afinal, não enxergava mais, não andava mais, mal conseguia segurar os talheres para comer, e a medicina convencional não oferecia cura para minha doença. Mas eu tinha encontrado uma alternativa e precisava me agarrar a ela com unhas e dentes.

Antes, não consumia carne, mas minha dieta não era exatamente saudável: ingeria muitos alimentos industrializados e bastante açúcar, ficava horas sem comer e costumava tomar bebida alcoólica. Levava, enfim, uma vida bem estressante, típica de quem mora em grandes cidades. Na medicina ayurvédica, a comida é o mais importante. Cada pessoa tem uma dieta a seguir, que é elaborada segundo o perfil dela, traçado com base nos cinco elementos da natureza (espaço, ar, fogo, água e terra). No meu caso, por exemplo, devo comer peixe pelo menos uma vez por semana e, apesar de vegetariana, sigo a recomendação. Encaro o peixe como um remédio. Por outro lado, evito certas coisas, como maçã ácida, capaz de fazer um lado inteiro do meu corpo paralisar. 

No período de internação, mergulhei profundamente nas minhas questões existenciais, revivi toda a minha história: meus medos, minhas dificuldades. Foi como um resgate de tudo o que me levou até ali. Antes de descobrir minha doença - digo descobrir porque eu já estava doente fazia tempo -, vivia um momento particularmente difícil. Além de trabalhar sem parar e não dormir nem comer direito, meu casamento não estava bem das pernas e a separação era iminente. Nesse contexto, já tinha sintomas da doença, só não me dava conta disso. Eu me sentia sempre fraca e cansada. Um ano antes daquele dia em que acordei com a vista embaçada, havia desmaiado em um shopping.

Enquanto estive internada na Índia, meu estado piorou demais, uma vez que a ayurveda não combate os sintomas, e sim trata a causa, ou seja, cuida do desequilíbrio que nos leva a ficar doentes. AS cãibras duravam a madrugada inteira, e eu tinha dores terríveis. Mas nunca duvidei do tratamento. Enfiei na minha cabeça que aquilo iria me curar e fazia tudo o que precisava fazer com uma fé cega. Logo que voltamos ao Brasil, reparei que estava enxergando novamente à noite, o que já significava uma melhora. Em casa, continuei a seguir à risca o tratamento prescrito: massagens, chás, exercícios respiratórios, meditação, ioga restaurativa e dieta. A comida precisa ser fresca, orgânica,  e com os alimentos especialmente indicados para mim. Por isso, hoje só como o que eu mesma preparo. E tive de cortar os doces que eu tanto amava! Minha família é de doceiras e faz guloseimas caseiras cheias de açúcar refinado e toxinas com as quais meu corpo não pode mais. Para compensar, aprendi receitas de doces indianos deliciosos sem açúcar. Pouco a pouco, os sintomas foram desaparecendo e, um ano e meio depois, não tinha mais nada.

Para manter a saúde, mudei totalmente minha rotina. Agora acordo às 5h30 para cumprir os meus rituais matinais. Não saio à noite, não bebo, como bem. Uma vez por ano, vou à Índia e fico um mês internada. Sou muito feliz assim e não vejo nada como sacrifício. Afinal, voltei a viver. Hoje estou separada e moro sozinha. Trabalho, me sustento e sou independente. Antes nem conseguia comer com minhas mãos! Meus médicos do Brasil disseram que se tratava de uma remissão da doença e que ela voltaria. O que sei é que minha última ressonância deu normal. Digo que não foi só um tratamento que me curou, e sim a mudança de comportamento, ou melhor, da minha maneira de encarar e levar a vida."




(texto publicado na revista Claudia nº 11 - ano 52 - novembro de 2013)




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ayurveda, a ciência da vida - Cissa Santini, terapia e estética


Estamos acostumados a ir ao médico para tratar os órgãos do corpo separadamente, pois a nossa medicina tem a característica de olhar individualmente a cada órgão, como se fosse uma peça de uma máquina. Nas medicinas orientais, a visão é diferente, olha-se o corpo todo do indivíduo e sua relação com a natureza. Dessa forma, a doença começa muito antes de seus sintomas se tornarem aparentes. A medicina ayurveda diagnostica pequenos desequilíbrios antes mesmo de originarem o sintoma maior, percebido por nós. Trata-se de um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade, originado na Índia e considerado universal. Os primeiros autores a passar este conhecimento milenar para o papel foram Caraka e Susruta.

Para a medicina ayurveda, o homem é um universo dentro de si mesmo (microcosmo) composto de corpo, mente e espírito, que interage com o macrocosmo o tempo todo. A relação adequada entre o homem e a natureza é a constante busca desta medicina, que apresenta tratamentos específicos para equilibrar o indivíduo.

Para isso é preciso analisar o dosha, ou seja, o perfil biológico de cada pessoa. Segundo a terapeuta Cissa Santini, a análise do perfil biológico (dosha) é o primeiro ponto a abordar quando se inicia uma terapia ayurveda para que o equilíbrio e sucesso da terapia sejam alcançados.

"Cada pessoa tem um dosha original com necessidades nutricionais. Conhecer o seu dosha é fundamental para um entendimento básico da sua natureza física e psicológica, e a ajustar a dieta e o estilo de vida pessoal para manter melhor saúde e paz de espírito. Um desequilíbrio no dosha pode causar vários incômodos como insônia, obesidade, processos alérgicos, quadros depressivos", explica a terapeuta.

Os doshas são divididos em três categorias: KAPHA - indivíduos sujeitos ao elemento água-terra; VATA - Elementos Éter - Ar e PITTA, regido pelos elementos Fogo e Água.

Pessoas com predominância de Kapha gostam de calor, ar livre, são afetuosos e amigos; indecisão, criatividade e instabilidade são algumas características de Vata e os indivíduos Pitta, por sua vez, são rápidos, fortes, inteligentes, confiantes e determinados.

É possível descobrir o dosha dominante do indivíduo através da análise do corpo e de algumas perguntas. Através das queixas da pessoa, o terapeuta identifica os desequilíbrios.

Formas de equilibrar os doshas

Na hora de desequilibrar os doshas, a ayurveda traz um extenso leque de oportunidades, como a massagem Abhyanga, o Lepa, o padabhyanga, reflexologia e Shirodhara.

De acordo com Cissa, a massagem Abhyanga é o primeiro procedimento realizado antes de qualquer terapia Ayurvédica. Inicia-se com a oleação de determinados pontos energéticos e seu objetivo é promover o deslocamento de toxinas mais profundas, melhorando o fluxo energético. Melhora o sono, previne o stress e tonifica a pele além de combater e diminuir a celulite e flacidez.

O Lepa é um tratamento de ervas, cereais e argilas que tem como objetivo desintoxicar, nutrir, desinflamar, podendo ser corporal e facial.

O Padabhyanga é um escalda-pés que inclui massagem com pressões nos pontos energéticos dos pés. É praticado como um ritual diário, principalmente a noite antes de dormir.

Reflexologia Ayurvédica é uma terapia nos pés onde os marmas são massageados para restaurar desequilíbrios e conferir relaxamento.

Shirodhara é um sistema de cura antiga da Ayurveda e uma terapia extremamente relaxante que consiste em derramar um fluxo de óleo medicinal aquecido constantemente na testa, onde localiza-se o "terceiro olho". A função é equilibrar as ondas cerebrais, sendo eficaz contra dores de cabeça, perda de cabelo, cabelos grisalhos, sensação de queimação na cabeça, secura da face e couro cabeludo, fadiga, cansaço, fraqueza geral, exaustão mental, dificuldade de concentração, raciocínio e memória, insônia, hipertensão arterial e problemas psiquiátricos.

Além de todas essas terapias, também é necessário uma alimentação equilibrada. Para isso, deve se levar em conta o dosha do indivíduo. Para o dosha Pitta são indicados alimentos amargos, adstringentes e doces. Já para Kapha, alimentos picantes, amargos e adstringentes. O dosha VATA para estar em equilíbrio precisa de alimentos salgados, ácidos e doces.



(texto publicado na revista Tudo nº 43 - agosto de 2014)








sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Vida Simples - Isabella D'Ercole


A guru Mother Maya venceu um câncer e hoje prega que uma rotina descomplicada traz saúde

Nascida na Guiana, em uma família de fazendeiros e sacerdotes hindus que migraram da Índia, Maya Tiwari não se interessava em seguir as mesmas tradições. Por isso, muito jovem, se mudou para Nova York, onde começou a trabalhar como estilista. Criou marca própria e fez sucesso. Conta que até a princesa Diana usou roupa desenhada por ela. No auge da fama, porém, Maya descobriu um grave câncer de ovário. Depois de se submeter a 12 cirurgias e a sessões de quimioterapia e radioterapia, recebeu dos médicos um prognóstico devastador: a doença havia vencido e restava-lhe pouquíssimo tempo de via. Ela tinha só 23 anos. Abalada, trocou a metrópole pelo interior e o glamour da moda por uma rotina simples e contemplativa. "Queria morrer livre de medicações centrada na minha existência", lembra. Cinco meses se passaram, a primavera chegou e o triste destino  de Maya não se confirmou. Intrigada, ela repetiu os exames. Inexplicavelmente, estava curada.

O episódio, que a hoje guru Mother Maya conta, foi o responsável por despertar nela o desejo de revisitar suas raízes e estudar a ayurveda, a milenar medicina indiana, que prioriza a alimentação saudável e o equilíbrio. "Descobri que temos dentro de nós um enorme poder de cura", afirma. "Precisamos é refinar nossa essência, porque a vida não pode ter tanto stress, preocupações e ansiedade. Ela flui e devemos seguir seu curso com mais simplicidade." Autora de sete livros, a guru tem rodado o mundo espalhando suas ideias e, neste mês, visita o Brasil. No dia 13, comanda a montagem de uma grande e colorida mandala feita com grãos, terra e sementes no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Em seguida, conduz uma sessão de meditação no cenário. O ritual já foi repetido em outros países, envolvendo mais de 150 mil pessoas. Aqui, faz parte do Festival Semana Cultural do Bem-Viver, evento que, antes chamado de Yoga pela Paz, chega à sua oitava edição e deve percorrer outras cidades brasileiras com suas atividades de autoconhecimento.

Maya acredita que a mulher tem papel central na virada que ela deseja para o mundo. "O hinduísmo tem muitas deusas. Nós podemos gerar vida e temos uma intuição natural, o que nos torna mais fortes." Focada no que escolheu como missão, Maya não teve filhos, mas diz que ganhou milhares em sua trajetória. "Minha obrigação é mostrar às pessoas que a mudança é para agora e todos nós precisamos fazê-la, não importam as diferenças."




(texto publicado na revista Claudia nº 10 - ano 52 - outubro de 2013)



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Apague as suas mágoas - Maria Laura Neves


Saiba por que algumas emoções se tornam tóxicas e podem afetar sua saúde - e siga um programa detox para se livrar delas

O psicólogo sul-africano Peter Frost fazia parte da equipe gestora da Universidade de British Columbia, no Canadá, quando, em 1997, descobriu um melanoma, um tipo de câncer altamente agressivo. Depois do diagnóstico, fez uma reflexão e chegou à conclusão de que os anos no núcleo de comando da instituição foram prejudiciais para sua saúde. Frost acreditava que o turbilhão de sentimentos e o stress a que estava submetido tinham abalado seu sistema imunológico e, por isso, ele teria desenvolvido a doença. Com base nessa teoria, escreveu Emoções Tóxicas no Trabalho (Futura), livro em que aborda a importância de as empresas considerarem o lado emocional dos funcionários. A obra virou um best-seller, e Frost levantou - não apenas no mundo corporativo - a discussão sobre até que ponto raiva, medo e companhia podem afetar a mente e o corpo. Mas o psicólogo não venceu o câncer. Faleceu, em decorrência da doença, em 2004. 

Muitos oncologistas discordam da teoria de Frost para o surgimento de seu melanoma. Nem a ciência provou a relação entre o stress emocional e o aparecimento de um câncer. Mas já se sabe que, sim, emoções tóxicas afetam diretamente a saúde. Claro que sentir raiva, tristeza ou inveja é inevitável. O problema é quando essas emoções se tornam crônicas. Aí elas podem ser tão prejudiciais que os psicólogos alemães Michael Linden e Andreas Maercker defendem em Embitterment (algo como amargurando, em português), livro não publicado no Brasil, a criação de um novo diagnóstico para facilitar o tratamento de pessoas que arrastam (e ruminam) sentimentos negativos pela vida: o do mal da amargura pós-traumática.

"Quando sentidas com muita intensidade ou por um período longo, emoções negativas fazem com que o corpo fique estressado. Então, a produção de cortisol aumenta e, em excesso no organismo, esse hormônio debilita o sistema de defesa, nos deixando mais propensos a alergias, vírus e bactérias", diz o médico Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo. Portanto, para entender melhor o efeito da contaminação pelas chamadas emoções tóxicas, é necessário compreender o que é o stress. Equivale ao modo de alerta do organismo. Diante da sensação de perigo, ele se prepara para a fuga ou a briga. No entanto, quando se fica permanentemente nesse estado, o feitiço vira contra o feiticeiro. "O que teria a função de nos proteger acaba nos agredindo. Por exemplo, o sangue corre mais rápido e, em última instância, isso pode levar a um ataque do coração", explica Dean Ornish, presidente do Instituto de Pesquisa em Medicina Preventiva, na Califórnia, nos Estados Unidos. 

As emoções tóxicas vivenciadas sem tréguas também podem provocar alterações de comportamento e até distúrbios psiquiátricos, como o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). "Sob o efeito da raiva ou tristeza, ficamos inebriados, nosso discernimento diminui, avaliamos mal as situações e tomamos decisões e atitudes equivocadas", exemplifica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil.

O universo dos sentimentos ruins é amplo. Vai da fraqueza, que nos faz sentir vítimas, à raiva, que gera ressentimento. A vergonha, a culpa, a tristeza, a solidão, o ciúme e a inveja também estão na lista. E eles surgem em diversos momentos da vida: quando morre um ente querido ou acaba um relacionamento, após uma briga familiar, em uma discussão com um amigo e até se aquela almejada promoção é dada ao colega. Em excesso, até emoções positivas, como a paixão, podem ser tóxicas e desencadear o mesmo processo nocivo. O limite entre o que é ou não saudável depende de cada um. "O sofrimento não está no fato em si, mas na percepção que se tem dele", resume Márcia De Luca, especialista em ioga e ayurveda (a medicina indiana). É preciso saber lidar de modo equilibrado com as adversidades e, se sentimentos negativos surgem, ter estratégias para se livrar logo deles.

Detox emocional: seu plano de ação

Fique de olho nos sinais

O corpo mostra quando a mente não vai bem. A pele, o cabelo e o olhar perdem o brilho. A pressão sanguínea fica alterada. "Bruxismo, alterações do sono e do apetite, pessimismo constante, perda da autoconfiança e da capacidade são sinais clássicos da presença de emoções tóxicas", enumera a psicóloga Ana Maria Rossi.

Identifique os males

Reflita para identificar qual emoção tóxica está sentindo e por quê. Raiva? E o que a levou a ficar irada com determinada pessoa? Escreva: por as ideias no papel contribui para clarear a mente. "Se não chegar sozinha a conclusões, peça ajuda a uma pessoa que você ama e a ama também e que será sincera", sugere o médico Ricardo Monezi, da Unifesp.

Desafie os pensamentos

Identificado o sentimento ruim e o que o causou, avalie se sua reação foi ou não exacerbada. Fique atenta às pressões externas que inflam suas emoções. "As pessoas podem se sentir incapazes por não atingir metas de vendas e esquecer que as empresas estipulam objetivos impossíveis para elas darem o máximo de si", exemplifica Ana Maria.

Fale e desabafe

Se depois da reflexão você considerar que sua reação não foi desmedida, não guarde as emoções negativas. Converse com pessoas próximas para pôr para fora e, se achar que ficará aliviada, também com quem você se desentendeu ou a magoou de alguma maneira. "Nas relações tóxicas, há campos de segredos e mágoas não ditas", ressalta a psicanalista Dorli Kamkhagi, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Rompa ou aceite

"Não existe emoção eterna, que não possa ser mudada", ressalta o médico Ricardo Monezi. Mas é preciso agir. Se uma relação não lhe faz bem, ponha fim a ela. Isso vale para amores e amizades. "Encerrar traz força. Não precisamos carregar as pessoas por toda a vida", alerta Dorli. Se você não tiver controle algum sobre a situação que a incomoda, apenas tente aceitá-la.

Faça a Pollyanna

Procure ver o lado positivo do evento que foi nocivo para você. É o que os especialistas chamam de ressignificação das emoções. Uma boa ideia é tirar uma lição do ocorrido. "Quanto mais pensamos em coisas boas, maior é a chance de nos recuperarmos das emoções negativas", avisa Monezi. "Esse é um processo que exige muita disciplina."

Cuide de você sempre

Doses altas de álcool, café e açúcar podem aumentar a ansiedade. Pegue leve e introduza momentos de relaxamento em sua rotina. "Passe as horas de lazer com pessoas queridas", sugere o médico Dean Ornish, da Califórnia. A regra é: faça o que puder por si mesma. A ansiedade no trabalho anda alta? Permita-se chegar mais tarde às vezes ou faça pausas demoradas para o café.

Mexa o corpo e alivie a mente

Estudos mostram que a prática de ioga diminui o nível de stress no corpo. Mas qualquer exercício é benéfico, de caminhar a correr e dançar. Já a meditação faz com que pensamentos arraigados se dissipem.

Aprenda a diferenciar

Emoções negativas podem não se tornar tóxicas. Já se disse que sentir raiva, inveja ou tristeza faz parte da vida. Mais: as dores são importantes para o amadurecimento. Só não deixe que elas tomem conta de sua vida e a corroam por dentro. Aí a fronteira será ultrapassada. 




(texto publicado na revista Claudia nº 51 - ano 7 - julho de 2012)























segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ayurveda - Marise Berg


A medicina tradicional indiana também faz sucesso no Ocidente e visa o equilíbrio ideal entre corpo, alma e mente

A Ayurveda, sistema de saúde originário da Índia, aborda a saúde em sua totalidade, como a harmonia entre o Eu superior (atman), a mente (manas), a vitalidade (prãna) e o corpo físico. Em sânscrito, Ayurveda significa "Ciência (veda) da vida (ayur)". Ela é mais uma terapia complementar que pode ser associada aos tratamentos convencionais para preservar o bem-estar físico e psicológico e manter você livre de doenças.

Um pouco de história

"Atribui-se uma origem divina a esse conhecimento, que teria sido transmitido direto da Consciência Cósmica (plano espiritual) para antigos sábios que viviam na região onde hoje é a Índia, por volta de 9.000 a.C. Portanto, ela não é uma criação da mente humana", conta Marise Berg, nutricionista com especialização em medicina ayurvédica. A ciência original propagou-se pelo Oriente e parte do Ocidente por meio do budismo e recebeu influências de cada cultura, como a chinesa e a tibetana. Continuou o seu desenvolvimento na Índia, sendo por muito tempo a medicina praticada naquele país. Seu declínio ocorreu depois de 1.200 d.C., quando invasores muçulmanos vindos do Oriente Médio destruíram muitas bibliotecas e faculdades. Em 1750, com a colonização inglesa, a Ayurveda foi proibida de ser praticada e ensinada oficialmente, mas permaneceu viva na cultura, sendo ensinada em pequenas escolas privadas e entre guru-discípulo. Após a independência da Índia, em 1947, essa medicina foi gradualmente se restabelecendo. "Hoje existem muitas escolas formais e universidades onde ela é ensinada paralelamente á medicina alopática", afirma a especialista.

Como funciona

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a Ayurveda como uma ciência de intervenção inserida na Medicina Tradicional Indiana. Esse é um sistema médico holístico que, segundo Marise, aborda de modo integral e dinâmico o processo saúde-doença no ser humano, podendo ser usado isoladamente ou de forma integrada com outros recursos terapêuticos. "Também dispõe da fitoterapia e de práticas corporais complementares que se constituem em ações de promoção e recuperação da saúde e prevenção de doenças", complementa a nutricionista.

De acordo com a Associação Brasileira de Ayurveda, "a doença, para a Ayurveda, é muito mais que a manifestação de sintomas desagradáveis ou perigosos à manutenção da vida. Esse sistema médico, como ciência integral, considera que a doença inicia-se muito antes de chegar à fase em que ela finalmente pode ser percebida. Assim, pequenos desequilíbrios tendem a aumentar com o passar do tempo, se não forem corrigidos, originando a enfermidade muito antes de podermos percebê-la".

Dessa forma, a medicina ayurvédica tem como objetivo a manutenção de longevidade, vitalidade, saúde física, mental e emocional. "Ela percebe  a vida como uma jornada de expansão da consciência e de expressão dos talentos naturais em direção à felicidade, prosperidade e liberdade", explica Marise. Como isso se aplica na área do bem-estar? A nutricionista responde: "A Ayurveda estimula a prática do auto-cuidado. Idealmente, todos os indivíduos devem ter conhecimentos básicos sobre o seu organismo e observar os efeitos da sua rotina e dieta sobre a saúde, fazendo adaptações necessárias de acordo com as demandas individuais".



(texto publicado na revista Mais Saúde com Terapias que Curam nº 1 - ano 1)