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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Diário de vida: Alex Zanardi, os jogos paralímpicos e a língua italiana


Confesso que não assisti aos Jogos Olímpicos desde o início, mas da metade para o fim acompanhei as competições, principalmente do vôlei masculino e fiquei super feliz com a medalha de ouro que o time obteve, com a emoção de todos, principalmente do libero Serginho, do Bruninho e do técnico Bernardinho. Além do vôlei fiquei super feliz com alguns exemplos de superação como a da judoca Rafaela da Silva, da nadadora Poliana Okimoto e o ginasta Diego Hypólito. 

Os Jogos Paralímpicos comecei a assistir desde o início no dia 7 de setembro e fiquei emocionada várias vezes com a garra dos atletas. Estou torcendo obviamente pelos brasileiros, mas ontem o meu lado italiano falou mais alto. Torci pelo paraciclista Alex Zanardi. Assistindo a alguns vídeos constatei a garra com que ele superou o acidente na corrida de Fórmula 1 em que perdeu as 2 pernas. 

E vendo todos esses exemplos de superação, dou bronca em mim mesma quando começo a me lamentar.

Viva a todos os atletas olímpicos e paralímpicos por terem contribuído para que o Rio 2016 fique na memória de todos nós!!!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Da depressão ao pódio - Lucas Faraldo


Rafaela Silva, Diego Hypolito e Poliana Okimoto tiveram de superar o distúrbio para ganhar medalha na Rio 2016. São exemplos de superação que podem ajudar outros pacientes

Rafaela Silva, Diego Hypólito e Poliana Okimoto, além das medalhas conquistadas na Rio 2016, têm ao menos mais uma semelhança: superaram diagnósticos de depressão para chegar ao pódio no maior evento esportivo do planeta. E podem agora servir de inspiração - e salvação - para pacientes que sofrem do distúrbio.

Antes de mais nada, é importante enfatizar que depressão não é "frescura". Baixa autoestima, perda de interesse em muitas atividades e dores sem motivo aparente levam ao suicídio até 7% dos adultos diagnosticados, segundo estudo publicado em 2014 pela Universidade de Oxford, dos Estados Unidos.

Sempre que um atleta é confrontado com desafios, ele acaba sofrendo um bloqueio. Para superar as provas, tem de impedir que os acontecimentos ruins voltem à tona - explica Vinicius Hirota, professor de educação física com ênfase em desenvolvimento humano.

E bloqueios dos mais diversos foram superados por Rafaela, Diego e Poliana. A judoca, vítima de ataques nas redes sociais após ser derrotada em Londres 2012, se afastou dos tatames, pois só conseguia chorar ao pensar em judô. O ginasta foi demitido do Flamengo depois de falhar em Pequim 2008 e Londres, perdeu dez quilos e foi hospitalizado por conta de ansiedade elevada. A nadadora, que abandonou a prova da maratona aquática em 2012 com quadro de hipotermia, cogitou encerrar sua carreira antes da Rio 2016.

- A depressão ameaça não só a carreira esportiva de uma pessoa, mas a própria vida dela - sintetiza Eduardo Cillo, psicólogo esportivo.

- Esse exemplo dos medalhistas é fantástico. Quantas medalhas foram concorridas em mais de 100 anos de Olimpíadas? Pouquíssimas comparadas ao número de competidores. Isso é uma história de superação, mostra que os atletas sofreram, mas treinaram, se dedicaram e aí o resultado foi positivo - aponta Hirota.

E o que são esses atletas senão pessoas dando a volta por cima em algo no qual sentem prazer em praticar? É justamente nisso que pacientes diagnosticados com depressão podem se espelhar. Afinal, também são pessoas buscando superação.

- As medalhas desses atletas têm um valor muito grande para uma pessoa que está passando por dificuldade - diz Cillo, que complementa:

- O que mais emociona na história desses três esportistas é ver que o momento ruim ou o momento no qual não vemos saída ou esperança não é necessariamente o fim. É um momento. Se tiver paciência, cuidado, a gente pode sair dessa situação e voltar a ter momentos de felicidade plena na vida. Isso não só para o atleta, mas para qualquer pessoa. Isso é emocionante, dá esperança.


(texto publicado no jornal Lance! o diário da olimpíada de 18 de agosto de 2016)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Paulistano Nota Dez: Tiago Camilo - Adriana Farias


Nome: Tiago Camilo
Profissão: atleta
Atitude transformadora: mantém uma escola de judô na favela de Paraisópolis para crianças carentes

Tiago Camilo, de 33 anos, é um dos maiores craques do judô brasileiro. Em Toronto, no Canadá, ganhou recentemente a sua terceira medalha de ouro em Pan-Americanos. O currículo esportivo do rapaz inclui conquistas ainda maiores, como medalhas de prata e bronze na Olimpíada de Sydney (2000) e na de Pequim (2008), respectivamente. A experiência e a ótima forma atual o colocam entre as principais esperanças de pódio nacional nos Jogos do Rio, em 2016. Nascido em Tupã, a 514 quilômetros da capital, Tiago estreou nos tatames aos 5 anos. O incentivo e o apoio financeiro do pai, proprietário de um cartório na cidade, foram fundamentais para o seu desenvolvimento. "Sei que represento uma exceção, pois muita gente possui talento e não tem nenhum apoio", afirma o atleta. "Como o esporte é uma ferramenta de transformação muito grande na vida de uma pessoa, decidi ajudar quem precisa."

Em 2012, o campeão criou uma ONG para ensinar a modalidade e aproximadamente 200 crianças e adolescentes de 6 a 16 anos no Centro Educacional Unificado (CEU) da favela de Paraisópolis, na Zona Sul. "Eles aprendem a ser também atletas na vida, ou seja, a ter  boa conduta na escola e dentro de casa", diz o judoca. Os pupilos são jovens de baixa renda que sofrem com problemas como desestrutura no lar e familiares dependentes de álcool e drogas. Para frequentarem a atividade, precisam apresentar o boletim escolar e mostrar que estão melhorando as notas. "Um dos garotos de 16 anos pediu para mudar de turno no colégio para poder ficar o dia inteiro no projeto e não nas ruas", afirma Raphael Moura, de 31 anos, coordenador da ONG. A entidade conta ainda com um estagiário e três professores, entre eles Eduardo Kitadai, pai do também campeão de judô Felipe Kitadai. Tiago encarrega-se da administração e só eventualmente dá aulas aos alunos.

O projeto tem um orçamento anual de 280 000 reais, bancado pela empresa de telefonia Oi. Neste mês, ele vai ganhar uma "filial" no CEU Parque Bristol, também na Zona Sul. Outros 200 aprendizes devem se beneficiar da empreitada, ainda sem patrocinador definido. Para atividades extras, como viagens a competições e passeios culturais nos fins de semana. Tiago conta com a ajuda de vinte padrinhos, que doam mensalmente até 60 reais. Entre eles estão os também judocas da seleção Charles Chibana e Davi Moura.


(texto publicado na revista Veja São Paulo de 5 de agosto de 2015)