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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Otimismo: ele nos trouxe até aqui. Sem ele não avançamos - Adriana Dias Lopes & alli


O otimismo é o vinho tinto das emoções. Uma ou duas taças por dia fazem um bem enorme. Duas garrafas arruínam a pessoa. A diferença de volume da bebida ilustra os dois tipos de otimismo, o racional, uma das conquistas evolutivas mais preciosas da espécie, e o irracional, a fonte de grandes tragédias históricas e fracassos pessoais. A média das mais amplas pesquisas já conduzidas sobre o tema revela que cerca de 80% das pessoas são otimistas. Essa é a parcela da humanidade capaz de enxergar o copo meio cheio. A outra parcela, a minoria, cuja mente vê o mesmo copo meio vazio, tem uma única vantagem sobre a maioria, pois, como diz o ditado, "o pessimista só tem boas surpresas".

O otimista tem más surpresas e é capaz de assimilá-las e transformar o azedume em doce limonada. Do ponto de vista da psicobiologia, o pessimismo é um defeito na fiação cerebral pois a evolução premiou os otimistas com enormes vantagens psicológicas. Afinal, como sair da caverna e disputar a comida com um tigre-dentes-de-sabre sem calcular como positivas suas chances de vencer a fera? Como acordar cedo, trabalhar e ter filhos sem a esperança de que o dia seguinte será melhor que o anterior? Por que investir na criação de uma empresa sem a confiança em que ela vai crescer, gerar empregos, dar lucros e perpetuar o nome de seu fundador? Como se deixar trancar em uma cápsula no topo de um foguete com energia suficiente para iluminar uma metrópole por um mês sem a confiança racional em que as probabilidades de o voo dar certo estão do seu lado ? Os otimistas movem a humanidade. Eles vivem mais e têm maior resistência às doenças. Quando presos a um leito de hospital, são eles que têm a maior chance de cura. Os otimistas ousam mais, poupam mais e aposentam-se mais tarde. Se, como asseguram os filósofos, a consciência da morte torna o pessimismo inerente à condição humana, o instinto vital se alimenta do otimismo para que a ideia da finitude não nos enlouqueça.

Com todo esse poder, o otimismo não passa de uma ilusão. Mas é um erro subestimar as ilusões. Sem elas, a vida é insuportável. Em seu livro The Optimism Bias: a Tour of the Irrationally Positive Brain (em tradução livre, A Propensão para o Otimisimo: um Desvio no Cérebro Irracionalmente Animado), a neurocientista Tali Sharot, da University College London, lembra que "a ilusão mais perigosa é achar-se imune às ilusões". Ela mostra como está superada a arcana contraposição entre a visão rósea do "melhor mundo possível" do alemão Leibniz (1646-1716) e a de seu feroz opositor, o francês Voltaire (1694-1778). Os estudiosos do comportamento humano avançaram muito e puseram fim à explicação simplista de que o otimista é um sonhador descuidado e o pessimista uma pessoa realista, com os pés no chão. Diz Tali Sharot: "O que nos interessa entender agora é o comportamento do otimista racional, a pessoa que projeta uma ilusão realista sobre seu futuro".

As pessoas mais interessantes são os otimistas com os pés bem plantados no chão. São os arquitetos do futuro, que tomam uma ou duas taças diárias do vinho da ousadia. São as personalidades com um olho nas lições do passado e o outro nas questões do presente e nos desafios do futuro. São ao mesmo tempo raízes e asas. Ilusão e realidade.


(texto publicado na revista Veja edição 2305 - ano 46 - nº 4 - 23 de janeiro de 2013)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Guardes estas frases para quando estiver triste (O Segredo)


– Seu sorriso pode alegrar até mesmo as pessoas que não gostam de você.

– Muitas vezes, quem te odeia gostaria de ser como você!

– No mundo, há pelo menos duas pessoas por quem você estaria disposto a dar sua vida.

– Para alguém, você é tudo!

– Pelo menos 13 pessoas te amam, mesmo que seja da maneira delas.

– A vida é muito curta pra se acordar triste e arruinar o resto do dia. Alegre-se!

– Ame as pessoas que o tratam bem e esqueça as que o tratam mal!

– Toda noite, alguém pensa em você antes de dormir.

– Mesmo que você cometa o maior erro de sua vida, junto com ele virá algo bom. Uma lição, por exemplo.

– Quando você acreditar que a vida lhe deu as costas, mude sua perspectiva. Encare-a por outro ângulo.

– Lembre-se de que a vida lhe dá uma segunda chance, é para acertar!

– Se você tem uma oportunidade, não a desperdice. Se essa oportunidade pode mudar sua vida, deixe isso acontecer.

– Ninguém disse que seria fácil, mas disseram que o esforço vale a pena!



quarta-feira, 6 de abril de 2016

7 hábitos que você pode adotar para ser mais otimista (Melhor com Saúde)


Manter uma atitude otimista nem sempre é fácil. No entanto, se conseguirmos, poderemos enfrentar melhor as dificuldades, evitar o estresse e desfrutar a vida de maneira plena.

O otimismo é a capacidade que algumas pessoas têm de ver e julgar as coisas de um ponto de vista positivo. É uma decisão pessoal que permite ter uma atitude favorável frente a todos os tipos de situação que a vida nos apresenta.

Essa virtude não deve se transformar numa desculpa para escapar da realidade ou das coisas que nos desagradam. Pelo contrário: ser otimista é aceitar e aprender a enfrentar todo tipo de problemas, sempre com a convicção de que será possível solucioná-lo da melhor maneira possível.

Algumas pessoas têm mais dificuldade em desenvolver essa qualidade, por isso, a seguir vamos compartilhar sete bons hábitos que podemos exercitar para potencializá-la.

1. Aproveite o presente

É muito bom fazer planos para o futuro, e de fato se trata de algo necessário durante a vida. Entretanto, isso não deve ser motivo de ansiedade ou frustração. No que for possível, deve-se viver o presente ao máximo e procurar fazer de cada dia uma oportunidade para chegar ao futuro desejado.

Se a caminhada é difícil ou tudo parece estar dando errado, uma atitude positiva mantém o estresse longe e permite desfrutar as pequenas alegrias da vida.

2. Diga adeus às energias negativas

Infelizmente, as energias negativas estão onde menos imaginamos. As discussões familiares, os problemas com o parceiro ou qualquer outra situação negativa causa estresse e emoções que roubam nossa felicidade.

Colocar os ressentimentos de lado e solucionar os conflitos é a melhor forma de evitar que se tornem um obstáculo para estarmos bem durante o dia.

Também é fundamental afastar-se das pessoas que transmitem sua negatividade o tempo inteiro, queixando-se, sendo invejosas ou vendo sempre o lado ruim das coisas.

3. Não viva de acordo com o que as pessoas dizem

Nem todo mundo pensa da mesma maneira e, às vezes, isso pode limitar a forma como desfrutamos a vida.

Ainda que, de vez em quando, seja bom receber bons conselhos, às vezes as pessoas se intrometem, querendo impor seu ponto de vista e frustrando o desejo que temos.

É preciso aprender a viver de acordo com sua própria maneira de pensar, ignorando o que vão dizer e tendo consciência do que vai bem e do que vai mal.

4. Aceite os fracassos na vida para ser mais otimista

O fracasso faz parte do processo de aprendizagem e é necessário para adquirir experiência. Todas as pessoas, em algum momento, terão que enfrentá-lo, seja qual for a área da vida.

O importante é assumi-lo com a melhor atitude possível, ciente de que se pode tentar de novo até conseguir bons resultados.

Deixar-se levar por uma experiência ruim causa apenas frustração e obstáculos para se aproveitar novas oportunidades.

5. Conheça suas habilidades

As pessoas que descobrem suas habilidades e seu potencial têm uma percepção mais alegre da vida. Isso porque sua autoestima também aumenta, o que permite ter mais relações sociais e buscar mais momentos de prazer e alegria.

A confiança em si mesmo é determinante para enfrentar qualquer situação, por mais difícil que pareça.

6. Combine seus pensamentos positivos com hábitos saudáveis

Combinando os fatores mentais com hábitos físicos e emocionais saudáveis é possível melhorar a saúde em geral, a aparência física e as nossas habilidades. Fazer exercícios, estabelecer metas e compartilhar bons momentos com entes queridos contribui para vermos o lado positivo de todas as situações.

Não se trata de ser otimista sem motivo, mas de converter o otimismo numa atitude para vencer limites e ser uma pessoa melhor a cada dia.

7. Não apenas palavras, mas atitudes

As palavras vêm e vão e podem ser vazias. Os atos são concretos e demonstram que podemos superar cada etapa para chegar no objetivo desejado.

Mais do que repetir palavras positivas ou fazer os outros pensarem que está tudo bem, trata-se de tentar fazer o melhor possível e lutar para tornar realidade cada uma das suas metas.

Pondo em prática cada um desses conselhos todos os dias, pode-se começar a ter uma atitude melhor para fazer frente às dificuldades.

Apesar do que possa parecer, não é nada simples colocá-los em prática, e muito menos torná-los um estilo de vida. Entretanto, vale a pena começar a adotá-los até que se tornem parta de sua personalidade.

sexta-feira, 25 de março de 2016

5 motivos para ser otimista - Pedro Burgos


Estamos caminhando para a destruição planetária, cravou o mais recente relatório ambiental encomendado pela ONU. Nos últimos anos, as manchetes dos jornais só mostram motivos para a desesperança: guerras, corrupção, novas epidemias, novos vícios, terrorismo e criminalidade. Será que a coisa está tão braba assim? Na contramão do pessimismo global, o cabeçudo site edge.org, que reúne artigos dos mais importantes pensadores vivos, perguntou a 160 deles: "O que o faz otimista? E por quê?" Tem gente que acha que a cura do câncer está próxima, que o amor triunfará e que, acredite, o mundo está menos violento que nunca. A SUPER selecionou 5 dessas ideias para que você desiste de desistir da raça humana. Pelo menos por enquanto.

1 - A violência está diminuindo

Steven Pinker, psicólogo da Universidade Harvard, autor de Como o cérebro funciona.

"Em Paris, no século 16, uma forma popular de entretenimento era a 'queima de gatos', na qual um gato vivo era amarrado e içado num palco e devagar baixado em uma fogueira. De acordo com o historiador Norman Davies, 'os espectadores, incluindo reis e rainhas, se contorciam de dar gargalhadas enquanto os animais, berrando de dor, eram queimados.' Por mais horríveis que os fatos de hoje em dia sejam, tal sadismo seria impensável na maior parte do mundo. E esse é só um exemplo da mais importante e subestimada tendência na história da nossa espécie: o declínio da violência. Crueldade como entretenimento popular, sacrifício humano para satisfazer a superstição, escravidão como forma de trabalho barato, tortura e mutilação como formas comuns de punição e homicídio como a mais comum forma de resolução de conflitos - todas essas eram características comuns da vida na maior parte da história humana. Mas hoje elas são raras no Ocidente, menos comuns em outros lugares do que costumavam ser e largamente condenadas quando ocorrem. Meu otimismo está na esperança de que o declínio da violência nos últimos séculos é um fenômeno real e continuará a acontecer."

2 - O amor vai prevalecer

Helen Fisher, professora de antropologia da Universidade Rutgers (EUA), autora de Por que amamos e A Natureza Química do Amor Romântico.

"'O amor vence, sempre vence', tem sido dito. Mas, ao longo da maior parte do nosso passado, o amor perdeu - ao menos nas classes mais abastadas. Desde que as sociedades começaram a se fixar, 10 mil anos arás, adquirindo bens imóveis, era preciso cimentar laços e posições sociais. Você poderia se apaixonar por quem fosse, mais só se casaria com o indivíduo certo, com as conexões certas e os valores sociais, políticos e econômicos de acordo. Foram séculos de casamentos arranjados, que só foram mudar recentemente. Mulheres e homens têm agora tempo, oportunidade e saúde para  achar o par perfeito. É o que os sociólogos chamam da forma marital do século 21: os casamentos simétricos ou entre companheiros que se amam passionalmente. Dessa maneira a humanidade está ganhando de volta a tradição que é altamente compatível com o antigo espírito humano."

3 - O ambiente pode ser salvo

Gregory Benford, físico da Universidade da Califórnia em Irvine

"Ninguém acredita que nós vamos diminuir a velocidade das mudanças climáticas em meio século a partir de agora. Pelo menos, nenhum economista que olhou o acelerado crescimento das nações em desenvolvimento e a crescente demanda por energia.

Devemos nos desesperar? De forma alguma.

Mas, em vez de tentar apenas um esforço coletivo para diminuir a emissão carbônica dos humanos, meus colaboradores e eu propomos uma alternativa de relativamente baixa tecnologia e baixo custo: experimentos para tentar mudar o clima de propósito, em vez de esperar que isso ocorra por acaso. Talvez a ideia mais simples seja a suspensão de microscópicas e inofensivas partículas a 25 mil metros de altitude, na estratosfera. Um primeiro teste poderia ser sobre o Ártico, já que o aquecimento lá é considerável. Poderíamos usar o suficiente dessas partículas para criar um efeito de escudo considerável. Elas refletiriam os raios ultravioleta de volta ao espaço, reduzindo o aquecimento e impedindo os danos desses raios UV a plantas e animais. Como poucas pessoas moram naquela região, qualquer efeito colateral seria mínimo. Estou otimista de que um experimento bem-sucedido mudaria o debate sobre aquecimento global para melhor."

4 - Vamos aprender a aprender

Gary Marcus, psicólogo da Universidade de Nova York (EUA).

"Nós podemos usar as descobertas da ciência cognitiva para melhorar a qualidade da educação. Para fazê-lo, porém, nós precisamos repensar radicalmente como as nossas escolas funcionam. Desde a Revolução Industrial, a maior ênfase tem sido na memorização, enfiando goela abaixo das nossas crianças pedacinhos de informação que são facilmente memorizáveis. Na era do Google, a ênfase contínua na memorização é uma enorme perda de tempo. Cinco décadas de ciência cognitiva nos ensinaram que humanos não são particularmente bons memorizadores, que somos maus argumentadores, facilmente enganados. Ainda assim eu não tive uma única aula sobre argumentos informais, como identificar falácias, interpretar estatísticas, esse tipo de coisa. Na era da internet, o nosso problema não é que as crianças não acham as informações, mas sim que elas não conseguem analisá-las. Eu começaria com um curso sobre o que os cientistas chamam de "metacognição" - aprender como se aprende. Iria expor os alunos à arquitetura da mente - o que ela faz bem e o que não faz. Ninguém me ensinou essas coisas na escola. Espero que sejam ensinadas daqui para a frente."

5 - O câncer está sendo decifrado

Stuart Kauffman , diretor do Instituto para Biocomplexidade e Informática, Universidade de Calgary (Canadá).

"Nos últimos anos, aumentaram as provas de que as "células-tronco do câncer" (CTCs) têm um papel fundamental na doença. Tipicamente representando cerca de 1% ou menos da massa total de um tumor, essas células-tronco cancerígenas parecem ter capacidade ilimitada de proliferação e de direcionar o crescimento do câncer, além de terem sido associadas à metástase (quando o câncer se espalha por outros órgãos). A recente identificação dessas células pode ser a mais importante descoberta na biologia do câncer nos últimos 50 anos. Com a descoberta, ficou óbvio que meramente reduzir a massa de um tumor sem eliminar as CTCs levará, quase que com certeza, a uma recorrência da doença.

Então, um número crescente de investigadores está focando espaço em 3 sentidos: 1) achar meios para matar especificamente as CTCs; 2) interromper a proliferação delas; e 3) achar meios de induzir as CTCs a se diferenciar ou mudar de tipo - para células não malignas. As implicações potenciais das terapias baseadas nas CTCs são enormes. Eu estou profundamente otimista como médico e biólogo de que nós iremos, finalmente, achar maneiras sutis de tratar o câncer."



(texto publicado na revista Super Interessante edição 237 - março de 2007)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

9 formas de fazer acontecer quando tudo está indo errado - André Cruz via Professores do Sucesso (O Segredo)


Já teve um daqueles dias onde nada parece sair certo?

Desde a primeira coisa que você faz, tudo parece ir na direção errada.

Como você se mantem produtivo quando nada esteá saindo certo?

Alguns dias nada sai certo

Alguns dias simplesmente não cooperam. Tudo parece estar fora de ordem.

Desde seu primeiro passo para fora da cama as coisas vão mal.

Suas roupas não estão limpas. O trânsito está horrível. Você derrama o café. Você chega tarde ao escritório, apenas para descobrir que esqueceu alguma coisa em casa.

Isso faz você ficar pronto para dar meia volta e ir direto de volta para cama, certo?

Mude sua atitude

Como você coloca as coisas de volta no trilho quando nada parece estar indo no caminho certo?

Você pode cair e se render ao dia. Ou você pode ficar de pé e decidir que você terá um bom dia não importando o que aconteça.

"Quando as coisas não estão no caminho certo, é sua escolha desistir ou mudar sua atitude."

Algumas vezes é esta escolha que faz a diferença entre um dia ruim e um dia produtivo.

Veja nove formas de ser produtivo quando tudo parece estar saindo errado:

1) Assuma uma atitude positiva - uma atitude positiva pode fazer toda a diferença. Ela pode pegar uma situação ruim e mudá-lo completamente, algumas vezes tão rápido quanto um sorriso;

2) Coloque em perspectiva - existem muito poucas emergências verdadeiras na vida. Independente de quão ruim seu dia pode estar sendo, mantenha em mente a possibilidade de não significar muita coisa numa visão macro das coisas. Não reaja além da conta por acontecimentos triviais;

3) Mude a tática - se as coisas não estão funcionando, é hora de mudar o jogo. Se você está sendo muito sério, ria. Se você estiver apertando muito, talvez seja o momento de tentar um toque mais suave;

4) Ria - algumas vezes você precisa apenas rir da vida. E ria de você mesmo. Rir de uma situação pode ser o primeiro passo para reverter o tom negativo de seu dia;

5) Não desista - como diz o velho ditado, não é sobre quantas vezes você caiu - mas sim sobre quantas vezes você é capaz de se levantar. Não permita que os acontecimentos da vida parem você;

6) Faça alguma outra coisa - se você não for capaz de concluir alguma coisa, tente fazer outra coisa. Mudar de tarefa pode te fazer voltar ao caminho e clarear sua mente. Volte depois à tarefa frustrante e você pode acabar vendo a solução a partir de um novo ponto de vista;

7) Consiga ajuda - não permita que seu orgulho evite que você busque ajuda. Existe um momento e lugar para pedir reforço. Vá até alguém em quem você confie para te ajudar a superar o obstáculo;

8) Não fique zangado, fique motivado - reclamar não faz as coisas acontecerem. Tão pouco a raiva chega faz. Ficar zangado não ajuda. Ao invés disso, direcione essa energia para a ação de fazer as coisas acontecerem;

9) Foque em uma coisa apenas - geralmente quando as coisas ficam estranhas é porque estamos fazendo muitas coisas ao mesmo tempo ou dividindo nossa atenção. Ao invés disso, foque naquela única coisa que é a mais importante a ser feita.

Mude seu dia de ruim para bom

Todos nós temos dias em que desejamos desistir até o dia seguinte.

A chave é continuar seguindo em frente. Mudar o mesmo.

Algumas vezes a adversidade pode ser um grande motivador.

Permita que ela te guie da frustração para o sucesso quando você estiver tendo um dia ruim.



Pergunta: como você lida com as coisas quando elas não saem da forma como você espera?

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Viver melhor: um ótimo remédio


Deus, energia, otimismo, força do pensamento, esperança. Não importa que nome você dá àquilo que traz conforto, disposição, alegria e segurança nos momentos difíceis. O fato é que quem consegue mentalizar o bem mesmo quando as coisas vão mal e acredita que, no fim, tudo vai dar certo vive melhor. Não se trata de autoajuda nem de discurso de Poliana; a ciência e a medicina assinam embaixo e cada vez mais se debruçam sobre o assunto.

O maior estudo já realizado sobre a influência das emoções na saúde saiu da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Para os pesquisadores, satisfação e felicidade teriam a mesma relevância na prevenção de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (os derrames) do que fatores como idade, peso, tabagismo e condição socioeconômica. Trocando em miúdos, os riscos de alguém que tem fé na vida desenvolver doenças são muito menores do que quem não crê que tudo pode acabar bem. Tem mais: a progressão de uma doença já instalada é mais lenta em quem encara a vida pelo lado bom. Uma das explicações dos cientistas é que indivíduos positivos e comprometidos com o bem-estar costumam ter hábitos mais saudáveis e, por isso, tendem a apresentar pressão sanguínea mais baixa e menos gordura no sangue.

Outra pesquisa, da Universidade de Kentucky, também nos Estados Unidos, chegou a uma conclusão semelhante. Nela, os participantes responderam um questionário para mensurar o grau de otimismo e, na etapa seguinte, receberam uma injeção com antígenos (moléculas que estimulam uma resposta das células do sistema imune). O resultado? Aqueles que apresentaram a pior reação imunológica foram justamente os que avaliaram a si mesmos como pessimistas diante da vida.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 104 - ano 6 - agosto de 2013)


Otimismo todo dia - Albert Huber


Como achar e beber da fonte de otimismo que está dentro de cada um de nós? Algumas coisas funcionam bem para mim, e gostaria de compartilhá-las com todos.

Ninguém nasce "ruim"; ninguém nasce "pessimista". Todos nós guardamos em nós a chama do amor e da alegria - e cada qual sabe como despertá-la dentro de si!

Vejo a alegria no olhar de uma criança [...] Procuro pensar em como ela vê o mundo ao seu redor - será que há espaço para pessimismo? Certamente que não! O que essa criança vê são as maravilhas que se descortinam para ela a cada momento. Descobrindo tudo à sua volta, cada novo momento trazendo um sabor, um cheiro, novas cores, novas sensações e emoções. Lembro que na minha infância também me sentia assim: maravilhado com os espetáculos que mamãe natureza oferecia, me sentia como um sortudo por estar vivo naquele momento, naquele local - era o presente que Deus me dera; o momento presente que vivia.

Quando passo por momentos difíceis (como qualquer um de nós) em que o horizonte se mostra sombrio e parece não haver saída - às vezes só resta a fé para me apegar. E essa fé vem da certeza que Deus é bom para com todos nós, portanto tudo o que acontece em minha vida é para o meu bem - se não está bom agora é porque ainda não terminou!

Nessas horas, o que me ajuda muito é olhar mais detidamente à minha volta - ver como o céu está bonito, as árvores e flores em meu caminho, abelhas operando e pássaros voando ou cantando, a luz do sol fazendo uma aura nas nuvens, ou a chuva caindo suavemente sobre a cidade, lavando o chão e as plantas. Tudo faz parte do milagre da Natureza, e é nela que encontro uma fonte inesgotável de otimismo para com o amanhã!

Ajuda também, lembrar que o universo segue um ritmo evolutivo - num compasso talvez "mais lento", mas inexorável e pleno. Nós humanos é que queremos acelerar as coisas; impulsionados pelo desejo de saciar nossas vontades, estimulados pelo consumismo dos tempos modernos - imediatistas e apressados, acabamos nos esquecendo de fazer o essencial em nossas vidas para cuidar do que é "urgente". Quando não conseguimos realizar nossos desejos naquele tempo recorde, vem a frustração, o derrotismo, e com eles o pessimismo. Colocamos o foco de nossa atenção no lado negativo das coisas - mas há sempre um lado positivo, em tudo - basta procurarmos, com esmero e sinceridade em nossos corações.

Creio que todos temos "nossos dias". São aqueles dias em que nada deu certo: pelo contrário, tudo parece ir de mal a pior, e não há perspectiva de melhora. Para esses dias reservo o seguinte ensinamento de Chico Xavier: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Sei que sou um espírito em evolução - criança recém nascida aos olhos do Pai. Com seu amor inesgotável, Ele me ajuda a me tornar melhor - e nem sempre o caminho é agradável ou fácil. Essa criança reside dentro de mim, sorrindo e feliz [...]; e não há no coração dela lugar para pessimismo. Saber que posso começar hoje uma nova caminhada traz ânimo e inspira á perseverança, à ação e à esperança de dias melhores. Olho nos olhos dessa criança e vejo a vida ao redor como ela é: maravilhosa e abundante, cheia de surpresas e luz. Pois se há escuridão na noite, sempre há luz no amanhecer!



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 104 - ano 6 - agosto de 2013)






quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Como a música contribui para o otimismo? - Denise Chrysostomo Suzuki


O otimismo pode ser considerado a partir de diversos pontos de vista, desde a manifestação da vontade como apresenta Leibniz, até o bem estar e a autoestima, na psicologia. O otimista pode ser visto como aquele que acredita na sua vontade e no princípio de ordem da existência.

Uma audição musical, bem como, uma expressão pode ser um princípio de organização ou do estabelecimento da melhora na autoestima devido aos recursos existentes, como: o canto, a letra, a dança, a execução instrumental; acrescentando-se a esses elementos a interação social, a catarse, o aprofundamento pessoal e o desenvolvimento do indivíduo e da comunidade onde vive.

Falaremos com base na musicoterapia, uma ciência que busca levar a pessoa ou grupo a um contato efetivo com a música, de modo que este produza resultados benéficos em relação ao desenvolvimento perante a vida.

A escuta e a apreciação musical permite ao ouvinte reconhecer aspectos e interações sonoras que correspondam ao seu momento.

Tanto a música em si poderá levar o indivíduo a esta mudança por meio da identificação com o sentimento presente, como também poderá conter recursos que transformem o sentimento do ouvinte. Como, por exemplo, uma música que apresenta um início tenso e se modifica para o relaxamento ou uma resolução.

Muitas pelas eruditas costumam ter esse tipo de movimento de transição de emoções. Um recurso poderia ser a modulação entre uma tonalidade menor (triste) para uma modalidade maior (alegre). O ouvinte, no momento em que está ouvindo, deixa suas emoções em segundo plano, então a influência desta tonalidade menor para maior poderá fazê-lo sentir-se melhor, tendo uma visão mais otimista do momento atual. Obviamente, devido ao caráter polissêmico da música, ou seja, a mesma música pode provocar diferentes sensações para diferentes pessoas, não podemos dizer que, para todas as pessoas, a escala menor soa triste e a maior alegre, mas é possível dizer que existem diferentes sensações em relação a uma e à outra.

Portanto, a música sendo um acontecimento espaço/temporal, ao se modificar de triste para alegre poderá conduzir o ouvinte também a uma mudança, já que as emoções dele são manifestações espaço/temporal modificáveis. Trata-se de um processo sutil e muitas vezes inconsciente que pode necessitar de um procedimento terapêutico ou acontecer naturalmente.

Não somente os elementos sonoros, mas também a letra da música trabalhará estes aspectos através de mensagem e poesias.

Em relação ao fazer música, podemos utilizar o canto como exemplo. Trata-se de uma maneira espontânea de se fazer música que, geralmente, se inicia desde os primeiros anos de vida ao escutar a voz materna acalantando. Já desde cedo este canto ajuda no desenvolvimento existem terapias que comprovam que ao escutar a mãe cantando, o desenvolvimento cognitivo da criança que necessita estimulação e reabilitação acontece mais rapidamente.

Além disso, o canto é uma manifestação antiga que acompanha a humanidade desde os primórdios - nas comemorações, nas guerras, em rituais religiosos e nos hinos patrióticos. Inclusive, um exemplo onde fica mais claro a relação entre música e otimismo são os cantos de guerra, que serviam principalmente para aumentar a autoconfiança em relação à batalha e ao momento de perigo. Os cantos religiosos também conferem ao indivíduo o otimismo por reforçarem a fé na ordem da vida.

O canto é uma ferramenta para todos, pois para se alcançar tais objetivos não é necessário cantar afinado ou no tempo correto. Para aqueles que não se identificam com esta atividade, ao contrário do que talvez pensem, poderão se beneficiar imensamente e retirar muitos benefícios do canto, como: uma oportunidade de ganharem segurança na comunicação verbal ou; uma maneira de administrar a raiva contida; uma forma de trabalharem a respiração liberando tensões e promovendo mais consciência acerca de si e do meio; interagir com um grupo, como no coral, e melhorar a experiência afetiva em relação ao social. Inclusive, muitos terapeutas recomendam aulas de canto ou canto de coral visando o desenvolvimento da prática com resultados notáveis para o aumento da autoconfiança e consequentemente do otimismo.

Assim vemos que a música contribui de diversas maneiras: não somente no espaço terapêutico como no dia a dia, onde escutamos e cantamos desde a primeira infância.




(texto publicado na revista Leve & Leia nº 104 - ano 6 - agosto de 2013)




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ciência estuda: a influência do otimismo


A ciência começa a entender agora o que significa a crença de que "tudo vai dar certo". E que ela é capaz de ajudar o corpo a se manter saudável. Estudos indicam que o pensamento positivo pode alterar a realidade ao redor.

As conclusões estão no livro "Nothing: Surprising Insights Everywhere From Zero to Oblivion" (Nada: Sacadas Surpreendentes por Todos os Lados, do Zero ao Esquecimento, em tradução livre), recém-lançado nos Estados Unidos.

Nele, dezenas de ensaios escritos por diversos cientistas de todo o mundo e compilados por Jeremy Webb, editor da consagrada revista norte-americana New Scientist, mostram como funciona a ciência por trás do otimismo.

É sabido que pensamentos negativos e estresse, por longos períodos, podem causar doenças como diabetes e certos tipos de demência, porque afetam o sistema nervoso.

Robert Hahn, do US Center for Disease Controland Prevention, em Atlanta, diz que alguns médicos, por exemplo, não gostam de operar pacientes que acreditam que vão morrer durante a operação, porque muitos de fato morrem.

Notícias ruins são veneno

"Notícias ruins desencadeiam psicologias ruins", diz Clifton Meador, médico da Vanderbilt School of Medicine, nos Estados Unidos.

É de conhecimento científico que ler notícias ruins dispara o sistema límbico, liberando ao organismo altas doses de glicocorticoide, um hormônio ligado ao estresse.

Altos níveis dessa substância no sangue prejudicam a digestão e aumentam a suscetibilidade a infecções.

Psicologicamente, a notícia ruim também tem impacto real: ao tomarmos conhecimento de uma tragédia, passamos a achar que a mesma coisa pode acontecer em nossas vidas e isso altera a realidade ao nosso redor.

Se ficamos sabendo que um avião caiu, no dia seguinte, a despeito do fato de as estatísticas não terem sido alteradas, sentimos mais medo de embarcar em uma corriqueira viagem de negócios.

Pesquisa Facebook

Para entender mais sobre como reagimos às notícias ruins, o Facebook fez uma pesquisa eticamente questionável. Entre 11 e 18 de janeiro de 2012, o site manipulou o algoritmo usado para distribuir os posts no feed de notícias. A intenção era a de verificar como o noticiário influi no humor.

Os pesquisadores pretendiam checar se o número de palavras positivas, ou negativas, nas mensagens lidas, resultaria em atualizações positivas, ou negativas, de posts nas redes sociais.

No final, descobriu-se que os usuários mudavam o humor de seus próprios posts depois de uma semana.

Portanto, é lógico que em ano de eleição, quando todo o tipo de especulação negativa a respeito do futuro parece nos inundar, aumentem os índices de pessimismo na população.

Lado bom

A boa nova é que, além de ser verdadeira, a boa notícia parece ser mais poderosa. Resultados de um estudo conduzido pela cientista e pesquisadora Taly Sharot, alguns anos atrás, sugerem que apontar seu pensamento futuro para lugares positivos é resultado da comunicação entre o córtex frontal, localizado atrás da testa, e regiões subcorticais localizadas em partes mais profundas do cérebro.

O córtex frontal é a parte do cérebro que evoluiu mais recentemente em humanos. Em matéria publicada na revista Time em 2011, Sharot explica que quando escutamos histórias boas, como a do inesperado sucesso de um garoto como Mark Zuckerberg, nosso cérebro faz uma anotação a respeito de como poderemos também nos tornar incrivelmente ricos um dia.

Por outro lado, saber que a chance de nos divorciarmos é estatisticamente uma em cada duas, não nos faz acreditar que nosso casamento pode fracassar.

Recentemente cientistas escanearam o cérebro de pessoas, enquanto elas recebiam informações positivas e negativas a respeito do futuro. O resultado explica muita coisa sobre esse otimismo irracional.

Ao serem informados sobre eventos futuros, os neurônios são capazes de codificar informações desejáveis, que aumentam o otimismo, mas fracassam na tentativa de incorporar as informações inesperadas e indesejadas, o que indica que o otimismo talvez seja mesmo uma arma evolutiva, como sugeriu Varki.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 119 - ano 8 - outubro de 2014)

















domingo, 17 de agosto de 2014

Força estranha - Rachel Soares


Ver o lado bom sempre fez a vida parecer mais fácil. Estudos mostram que o otimismo também aumenta a imunidade, protege o coração e melhora os relacionamentos.

Há pessoas que têm um dom natural para transformar limão em limonada. A esses indivíduos, guiados pela certeza de que depois da tempestade virá o céu claro, damos o nome de otimistas. E observar os efeitos dessa visão positiva na vida dessas pessoas é uma experiência muito enriquecedora, como mostra o caso do paulista Wellington Nogueira, 51 anos, coordenador do grupo Doutores da Alegria, grupo de palhaços que elegem o hospital como picadeiro, inspirado no americano Clown Care Unit. Basta conhecer um pouco de sua trajetória para constatar que problema, para Wellington, é um processo para se chegar a uma solução (o que é um jeito de ser tipicamente otimista!). A começar pela forma como ele conseguiu transformar uma tentativa de assalto em divisor de águas para sua vida. Era 1983 e Wellington, então com 23 anos, andava pelo centro da cidade de São Paulo mastigando suas dúvidas a caminho do vestibular para Medicina (mas não sabia se queria ser médico). Repentinamente, foi interrompido pelo cano reluzente de uma arma. Era um assalto. Por sorte, o ladrão foi embora sem levar nada, mas o acontecido deixou marcas. Não de violência, nem de descrença - Wellington jamais xingou aos céus por ter sido ele o escolhido, entre tantas pessoas na rua. O que veio foi uma inquietação. "Pensei que podia ter morrido e decidi a partir daquele dia só fazer o que realmente compensasse." E foi assim que ele desistiu de vez da Medicina e foi estudar teatro em Nova York. Já na escola de teatro, nova reviravolta. Wellington engatava uma bela carreira voltada para os musicais quando ficou encantado com a arte do Clown. O resultado mais famoso dessa confusão veio em 1991, quando montou no Brasil os Doutores da Alegria, uma iniciativa de sucesso reconhecido e em expansão.

Analisando a história dele à luz do presente, é difícil duvidar que poderia não dar certo uma ideia tão boa. Mas, no passado, as coisas não foram assim tão tranquilas. Wellington contrariou um desejo antigo ao abandonar a Medicina e foi repreendido pela mãe quando largou o teatro musical para virar palhaço. Mas acreditou! E por isso resolveu seguir em frente, movido por seu otimismo, essa força interior complexa, presente nos seres humanos desde o início da evolução e que ainda é um enigma que atrai e intriga os cientistas. O q ue tem surpreendido os pesquisadores é que os efeitos do otimismo vão além de descomplicar a vida. Ele é uma espécie de elixir para a saúde. Os trabalhos indicam que ele é capaz de aumentar a imunidade, proteger contra males cardíacos, favorece os bons hábitos alimentares e a atividade física. Também evita a depressão e melhora os relacionamentos.

E à medida que os estudos avançam, o que se vê é que o otimismo tem raízes mais profundas do que se podia imaginar. "É uma emoção positiva relacionada principalmente ao futuro", esclarece o psicólogo Fábio Munhoz, de São Paulo. "Sem simplificações, ser otimista é diferente de se iludir. O otimismo deve ser realista", alerta Munhoz.

As investigações científicas estão revelando ainda algumas diferenças estruturais na forma de encarar a vida entre pessoas otimistas e pessimistas. Eles pensam no futuro usando áreas diferentes do cérebro. A descoberta foi feita por uma equipe de pesquisadores da escola americana New York University e do britânico University College London. Usando exames de imagem, eles viram que, quando um pensamento otimista se dá, há uma ativação de duas partes do cérebro: a amídala e o córtex cingulado rostral anterior. Essas mesmas regiões apresentam atividade abaixo do normal nos casos de depressão e estão associadas à formação de emoções e de imagens relacionadas ao futuro. Esperar pelo melhor, para a pesquisadora responsável pela descoberta, a neurologista Tali Sharot, é um mecanismo de autoproteção desenvolvido pelo ser humano. "Enquanto o passado está dado, o futuro está aberto a interpretações, permitindo à pessoa se aproximar de projeções positivas e se afastar das negativas." Se esperasse pelo pior, o ser humano dificilmente teria tido forças para dar o primeiro passo para fora das cavernas.

Uma dose de otimismo

Não é só o cérebro que trabalha diferente quando estamos tomados por perspectivas otimistas. Alterações podem ser notadas em outras partes do corpo. O mecanismo ainda não está claro, mas pesquisadores das Universidades de Kentucky e de Louisville, nos Estados Unidos, perceberam maior proteção contra infecções entre indivíduos que tinham melhores perspectivas em relação ao futuro. Para a análise, foram recrutados 124 estudantes. Durante seis meses, eles falaram aos cientistas sobre suas experiências em relação ao curso superior. Quando o aluno se revelava animado com o futuro, o sistema imune se apresentava também mais eficaz no combate às infecções. Ao se deparar com os resultados, os cientistas tiveram certeza: uma dose de otimismo facilita a cura. "Não vou dizer às pessoas para revisarem suas experiências de modo irrealista", falou a psicóloga Suzanne Segerstrom, "mas se tiverem expectativas mais positivas em relação ao futuro, haverá bons resultados".

Até o coração bate mais leve longe da ameaça de um futuro aterrador. Foi o que concluiu o psicólogo Eric Kim após analisar 6.044 adultos durante uma pesquisa de doutorado na Universidade de Michigan. Kim usou uma escala de 16 pontos para avaliar o nível de otimismo de seus voluntários. Viu que a cada ponto a mais na escola de otimismo, caiam em 9% as chances de acontecer um infarto. As razões estão em uma combinação entre fatores comportamentais e biológicos. "Temos vários estudos que mostram que as pessoas otimistas são muito mais propensas a tomar as suas vitaminas, a comer alimentos saudáveis e a seguir programas de redução de riscos cardíacos quando é o caso", explica Kim. "Os otimistas acreditam que suas ações fazem a diferença e por isso eles tentam agir de modo mais saudável." Há também estudos relacionando o otimismo à recuperação mais rápida, a melhores respostas às vacinas e à progressão mais lenta da arteriosclerose.

Enxergar a cura

Se o otimismo ajuda na saúde, o mesmo pode se dizer da doença. "Hipócrates, o pai da medicina, já falava que o otimismo é revigorante", diz Vera Bifulco, coordenadora do setor de psico-oncologia do Instituto Paulista de Cancerologia. A especialista, que diariamente atende pacientes de uma das doenças mais temidas do mundo moderno, o câncer, não tem dúvidas: o  tratamento é muito mais suave para os otimistas. "Eles entendem, ao receber o diagnóstico, que têm uma doença, mas têm também um lado sadio", avalia Vera. "Já o pessimista consegue se ver do fio de cabelo à unha do pé tomado pelo câncer." Nas enfermidades, ser otimista nada tem a ver com a capacidade de enxergar uma possibilidade de cura.

A história do escritor José Walter da Costa, 62 anos, da cidade de Taboão da Serra (região metropolitana de São Paulo), ilustra bem a diferença que a atitude positiva faz. Primeiro, ele viu a mulher, Catarina, desenvolver um câncer de pele em 2005. Menos de dois anos depois, recebeu o mesmo diagnóstico. Passado o susto, ele retomou um velho conhecido seu de longa data: otimismo. "Sempre vi o lado bom das coisas, mas a vida vai criando uma casca dura e a gente vai fechando essa parte bonita dentro da gente. Com o câncer, recuperei esse lado", diz. Assim conseguiu forças para encarar a quimioterapia e escrever o livro "Trajetória" (Editora Manole), em que alterna a narrativa do período de enfermidade com outras fases da vida. Sem otimismo, diz, não teria passado de cabeça erguida pelo diagnóstico, ano passado, de que sua filha do meio também tem câncer. "Ela operou e está fazendo o tratamento, mas com tudo isso, aprendi a conviver com a doença e vejo que ela não é mais algo assustador". O remédio de José Walter para encarar a vida com tanta coragem? Uma bela dose de otimismo, ao amanhecer.




(texto publicado na revista SimplesMente nº 1 - maio de 2012)