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domingo, 27 de maio de 2018

A guerra aos canudos - André Lopes e Tatiana Babadobulos


Depois que o vídeo de uma tartaruga sufocada por um cilindro de plástico viralizou na internet, ganhou força a grita contra um símbolo do nosso tempo

Os números

500 milhões de canudos são usados diariamente nos Estados Unidos, o país que mais consome esses objetos de plástico - se todos fossem enfileirados, dariam duas voltas e meia na Terra

Zero é o número desses itens que podem ser totalmente reciclados, pois a química usada na fabricação não permite o reaproveitamento

12 000 toneladas de CO2 são produzidas anualmente pela indústria de poliestireno - o principal material da fabricação de canudos - apenas nos EUA, quantidade suficiente para derreter uma área de gelo ártico equivalente a quatro campos de futebol, no mesmo período

8 milhões de canudos foram retirados das praias nos últimos trinta anos

500 anos é o tempo que um único canudo leva para se decompor na natureza

Quando se pede uma bebida em um fast-food, é comum ela ser servida com um canudo plástico embalado em papel - ou mesmo em plástico! O costume surgiu nos Estados Unidos dos idos de 1960 e se popularizou ao redor do planeta. Contudo, nos últimos três anos essa tradição tem sido questionada, em razão da crescente conscientização em torno dos impactos ambientais da fabricação dos aparentemente inocentes canudinhos. Em alguns lugares, especialmente nas regiões do mundo em que as preocupações conservacionistas são mais agudas, eles começam a ser abolidos.

No Estado da Califórnia, por exemplo, há um projeto de lei, com alta probabilidade de aprovação, que propõe punição, com multa de 1 000 dólares e até seis meses de prisão, a donos e funcionários de estabelecimentos que oferecerem o canudinho aos clientes sem perguntar se eles querem. O banimento vem se espalhando gradualmente pelos Estados Unidos, com adesão de restaurantes em metrópoles como Nova York. Na Inglaterra, a rainha Elizabeth II comoveu-se com o documentário Blue Planet 2 (Planeta Azul 2), lançado pela BBC no ano passado, que trata do impacto que a poluição dos mares pelo descarte de materiais plásticos provoca nos animais marinhos. Ela decidiu proibir o uso dessas mercadorias nas propriedades da família real e sugeriu que gostaria que a medida fosse replicada em todo o Reino Unido. No Brasil, o grito também já começa a ecoar.

A guerra contra os canudos teve início espalhafatoso em 2015, quando se difundiu pela internet (e onde mais poderia ser?) um vídeo no qual dois pesquisadores retiravam cilindros plásticos da narina de uma tartaruga marinha, no litoral da Costa Rica. A operação, de improviso, realizada com um alicate, durou quase dez minutos e levou o animal a desesperadora agonia. A comovente gravação viralizou e chamou atenção para o problema. Mais da metade das tartarugas marinhas morre asfixiada pela ingestão de alguma forma de lixo, em especial o constituído de insumos plásticos, que correspondem a 90% dos detritos despejados nos oceanos. Apesar de sua fabricação demandar apenas 4% do plástico produzido no planeta, os canudinhos figuram entre os dez resíduos mais achados em praias e mares.

Eles são um grande inimigo da natureza por várias razões. A principal delas é que, mesmo que a vida útil de cada um deles seja de dez minutos - o tempo que se gasta para  tomar um refrigerante - os cilindros de plástico levam 500 anos para se decompor. Por isso, desde que a produção em larga escala teve início, nos anos 60, estima-se que vaguem por aí, como detritos, 8,3 bilhões de toneladas de objetos feitos de plástico. Além disso, a indústria do poliestireno colabora para o agravamento do aquecimento global, pela emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera, polui ecossistemas e ameaça a sobrevivência de animais em risco de extinção, como algumas das espécies de tartarugas marinhas.

Diante dos dados alarmantes, iniciou-se o movimento de extinção dos canudos. Convenhamos, substituí-los é fácil. A alternativa mais simples é tomar direto do copo. Para quem não gosta da prática, por receio de beber de latas infectadas ou copos mal lavados, também há substituições possíveis. Nos EUA, tem se tornado comum pessoas carregarem consigo versões reutilizáveis, feitas de inox ou silicone. Medida essa que começou a se disseminar por outras nações, como o Brasil. Baseada no Rio de Janeiro, a fabricante Mentah! é uma das pioneiras, em âmbito nacional, na venda exclusiva de modelos reutilizáveis produzidos com vidro - de sua fábrica, saem 3 000 unidades por mês. Outro bom exemplo é o da rede espanhola de hotéis Iberostar. No ano passado, a multinacional baniu os canudos das 110 filiais que possui pelo mundo, incluindo duas na Praia do Forte, na Bahia.

Defende a antropóloga franco-marroquina Mounia El Kotni, uma das fundadoras do movimento francês Bas Le Pailles (Abaixo os Canudos): "É preciso engajar as pessoas nessa meta. Temos nos manifestado, com protestos deflagrados em setenta cidades de trinta países". Entretanto, se é tão fácil substituir os canudos plásticos, quais são os impedimentos para que isso ocorra de vez ? Há dois: um econômico e um cultural. O mercado de canudos comercializa, só nos EUA, 500 milhões de exemplares ao dia. No Brasil, não há dados tão precisos, mas o IBGE divulga que a produção foi de 2 800 toneladas em 2015. Esses números grandiosos resultam em lucro e empregos. Já do ponto de vista dos costumes, o canudinho se tornou um item do dia a dia. O primeiro modelo popular data de 1888, inventado pelo americano Marvin Stone, e era feito de papel, também danoso à natureza. Com a explosão das lanchonetes nos EUA, iniciou-se a venda das versões de plástico, porque os papéis eram considerados frágeis. E o canudo rapidamente virou unanimidade mundial - do milk shake à caipirinha, da Coca-Cola ao suco de laranja. O fato é que o canudo, tão simpático, com seu ar infanto-juvenil, está deixando de combinar com outro hábito mais moderno e inteligente: o de viver de forma sustentável.


(texto publicado na revista Veja edição 2571 - ano 51 - nº 9 - 28 de fevereiro de 2018)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Descartáveis: como e quando usá-los


O uso dos descartáveis está longe de ser uma unanimidade, mas de uns tempos para cá, eles vem ganhando uma nova roupagem e oque era sinal de festa despretensiosa, hoje significa maior praticidade e, dependendo da escolha, até chique.

Combatido por muitos ambientalistas que veem no uso dos descartáveis o aumento da produção de lixo a boa notícia é que esse cenário começou a mudar. Já estão disponíveis no mercado descartáveis considerados eco-friendlies. Alguns são desenvolvidos a partir de fontes renováveis como o amido de milho e o bagaço da cana de açúcar, e podem ser descartados juntamente com o lixo orgânico. Embora sejam mais resistentes que os antigos, degradam-se em 90 dias. Encontrados facilmente em papelarias, hipermercados e lojas de festas os descartáveis são práticos e muitas vezes são uma ótima solução para uma festa de última hora ou quando não se tem a quantidade de pratos, talheres e copos suficientes.

Uma reunião marcada na última hora, por si só, não deve ser formal. Assim, os descartáveis mais sofisticados, aliados  à criatividade dos organizadores, podem garantir um mínimo de charme à ocasião. Vale usar acessórios decorativos temáticos, adesivos e fitinhas para incrementar a mesa. Além disso, não são só doces que podem ser servidos em copinhos e colheres (sim, eles podem ser literalmente servidos em talher), as saladas também podem se transformar em arranjos coloridos se colocadas em taças mais largas, copos ou cumbucas. Essas últimas servem também para risotos, petiscos e complementos como vinagrete, patês, molhos, conservas, etc.

Os detalhes dos descartáveis de luxo são tantos que a primeira vista quem olha pensa que são de inox, tudo porque o acabamento é diferente e bastante caprichado, dando a impressão de serem verdadeiros com seus detalhes em prata, ouro ou ouro branco. Há ainda no mercado linhas que imitam porcelana. O material também é um pouco mais reforçado que os descartáveis comuns. A variedade é imensa. É possível, por exemplo, organizar uma mesa de jantar com travessas, bandejas, palitos para quitutes, cumbucas para sobremesas, pratos, talheres, taças de vários tipos, suportes para finger foods e cupcakes. 

O tradicional guardanapo de pano também vem sendo substituído pelo de papel. Na Europa, há muito tempo já não se usa mais guardanapos de pano. No Brasil isso também tem se tornado uma tendência. Hoje o mercado dispõe de opções mais luxuosas e práticas. É importante destacar que os guardanapos devem ser macios e de qualidade. Além de higiene e requinte, os novos guardanapos oferecem a possibilidade de personalização, com a impressão de iniciais de noivos, aniversariantes ou até a identificação da empresa, no caso de eventos corporativos.

Para os adeptos dos descartáveis são muitas as vantagens de utilizá-los. Entre elas é que quando quebrados, não geram os incômodos cacos que podem ferir os convidados e, principalmente, o constrangimento por parte deles de terem quebrado a louça. Além disso, ao terminar a festa não é preciso lavar uma pilha de louça ou tão pouco preocupar-se em contar a louça no caso de locação e se deparar com a falta de um ou mais itens que com certeza será obrigado a ressarcir para a empresa.

Quando usar?

Cristiana Prado, da empresa de festas Mog e Mug, especializada em festas infantis, diz que há ocasiões em que não há necessidade de tanto refinamento. Além disso, num serviço para crianças os descartáveis são mais seguros. A organizadora, no entanto, faz algumas ressalvas. Mesmo numa festa infantil há adultos e, para eles, ela prefere reservar pratos de porcelana e talheres de inox. Em relação às taças descartáveis, Cristiana, já não mostra a mesma complacência. "Não precisa nem ser cristal, as taças e tulipas podem ser até de vidro, mas é inaceitável servir champanha ou prosecco num copo plástico. As taças têm a função de manter a temperatura adequada da bebida. O plástico não contribui para isso e deprecia a bebida."

Com ou sem restrições, ninguém pode negar que os descartáveis são práticos e, se a ocasião for informal, não há motivo para preconceito, principalmente quando o evento reunir adolescentes, for realizado em casa ou ao ar livre. Levar louça para um piquenique no campo ou praia também não é adequado.

Daniela Folloni, do Blog IT Mãe, não vê problema no uso de descartáveis e lembra a variedade enorme de produtos com design diferenciado e licenciados, com personagens que as crianças estão amando no momento. Para fazer um evento bem organizado e bonito ela indica um passeio pelas lojas especializadas, mas quem não tem fôlego, nem tempo para esse tipo de "garimpo" pode escolher o que quer na internet. Há inúmeros kits prontos com os personagens do momento. Peppa Pig e os personagens de "Frozen - Uma Aventura Congelante" são os queridinhos do momento. 

Já a organizadora de eventos Letícia Alencar é radical. Ela não aceita o uso de descartáveis para nenhum tipo de evento. Mesmo para os chamados docinhos de colher, prefere usar potinhos de vidro. Segundo ela, a cerâmica, porcelana, vidro, cristal garantem um acabamento mais refinado em qualquer produção.

Letícia acrescenta ainda que nem sempre o custo-benefício dos descartáveis é vantajoso. "Em São Paulo, você encontra uma série de empresas que alugam material para festas com preços bem acessíveis", assinala Letícia.

Quanto comprar

Na hora de calcular a quantidade de material descartáveis é preciso lembrar que pratos são vendidos em embalagens de 10 e 8 unidades (os temáticos). Talheres são vendidos em pacotes de 8, 10 e 50, dependendo do tipo. Os guardanapos vêm em pacotes de 50 e 100 unidades. As taças e copos de acrílico são vendidos em embalagens com no mínimo 5 unidades. A quantidade oferecida, porém,não é o mais importante. O que o anfitrião precisa ter claro é o tipo e duração do evento, a quantidade e a variedade de comida e o perfil do público.

Para calcular o número de copos há vários métodos. Em geral, reserva-se de três a cinco copos por convidado. Se preferir levar em conta o tipo de bebida lembre que uma garrafa pet de 2 litros de refrigerante serve 10 copos de 200 ml. Colocando uma margem de segurança, providencie 12 copos para cada garrafa. No caso da cerveja, que pode ser consumida direto da lata ou garrafinha, o consumo de copos pode ser menor, mas não devem ser dispensados e o ideal é optar por copos mais rígidos. A média, nesse caso, é de 3 a 5 unidades por pessoa.

A quantidade de talheres e de pratos depende do tipo de refeição. Em geral, estima-se o número de convidados com um acréscimo de 20%, sem esquecer os pratos e talheres para a sobremesa.

A quantidade de guardanapos também está condicionada ao tipo de alimento a ser servido. Festas com mais petiscos exigem uma quantidade maior de guardanapos. Nesse caso, estima-se de 10 a 15 unidades por convidado ou um guardanapo (pequeno) para cada salgado. Quando for servida uma refeição como prato principal, reserve três guardanapos por pessoa. Se ao final, decidir servir café, calcule 40% do número de convidados presentes. Ah, lembre-se que em geral, 30% dos convidados não comparecem. Boa Festa!




(texto publicado na revista Collina edição 17)