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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Paulistana Nota Dez: Lucila Coelho - Ana Luiza Cardoso

Nome: Lucila Coelho
Profissão: empresária
Atitude transformadora: é uma das pessoas que mais auxiliam o banco de sangue veterinário da USP, com doações de seus cães, Cuca e Duque

Os bancos de sangue dos hospitais paulistanos vivem em constante estado de alerta por falta de doação. Muitos donos de pets não sabem, mas também existem reservas do tipo para bichos. E elas enfrentam o mesmo problema. Ao saber disso, por meio de uma postagem no Facebook, a empresária da área de tecnologia da informação Lucila Coelho resolveu agir. Em 2013, passou a levar sua labradora Cuca, hoje com 8 anos, para ajudar o laboratório de hemoterapia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Em 2015, entrou também na ação do bem o boxer Duque, 3. Moradora do Brooklin, a dona traz ainda dois cães de amigos para encher bolsas de 450 mililitros por visita. A cada três meses, período mínimo entre uma contribuição e outra, ela os coloca no carro e segue para a Cidade Universitária. Tornou-se uma das "doadoras" mais ativas dali. Durante o procedimento, de cerca de dez minutos, as mascotes ficam tranquilas, sem sedativo. A picada da agulha é dada no pescoço. "Quando acaba, eu as mimo com água de coco", diz Lucila, que garante não se tratar de um processo penoso para os cães. "Faço isso para ajudar animais que sofreram acidente ou que passam por tratamento."

Ações como essas são fundamentais para que continuem as cirurgias e os atendimentos no hospital da faculdade da USP. De acordo com o veterinária Denise Tabacchi Fantoni, o serviço recebe por mês trinta contribuições, número insuficiente para suprir a demanda. "Precisamos visitar canis, daqui e de outras cidades, para obter sangue", lamenta. Os receptores pagam somente os custos dos procedimentos, necessários para a coleta, em torno de 150 reais. Em relação às reservas para gatos, a escassez mostra ainda mais grave. Para doar, é preciso que o cachorro tenha entre 1 e 8 anos, esteja saudável e pese pelo menos 26 quilos. No caso dos felinos, eles devem ter no mínimo 4 quilos e até 8 anos.



(texto publicado na revista Veja São Paulo de 2 de novembro de 2016)






Cão colhendo sangue para fazer exame

sábado, 12 de dezembro de 2015

Paulistano Nota Dez: Lucio Serrano - Alessandra Freitas


Nome: Lucio Serrano
Profissão: taxista
Atitude transformadora: realizou mais de 400 doações de sangue e plaquetas em hospital da capital

Entre uma corrida e outra, o taxista Lucio Serrano costuma estacionar o carro em endereços bem específicos. Nas últimas quatro décadas, ele foi responsável por mais de 400 doações de sangue e plaquetas em hospitais da capital. Isso representa 240 litros. Sua trajetória na atividade começou em 1973, quando Serrano cumpria serviço militar. "Desde então, ajudar outras pessoas tornou-se minha paixão", conta. Por ter alto número de plaquetas no organismo (cerca de 400 000, quase 60% mais que a quantidade média) e boa calibragem nas veias, condição que facilita a retirada do material, ele passou a ser disputado por várias instituições de saúde onde mantém cadastro. "Cheguei a doar toda semana", diz. "Hoje vou uma duas vezes por mês."

Embora o nome dos pacientes beneficiados nunca seja divulgado, ele desconfia que tenha ajudado pelo menos duas celebridades. Uma teria sido a psicóloga Maria Rita Simões, esposa do cantor Roberto Carlos morta em 1999 devido a um câncer na região pélvica, internada diversas vezes no Hospital Albert Einstein, no Morumbi. "Eu era chamado sempre que ela ia lá." Outra seria o ex-presidente Lula. "Recebi uma ligação assim que ele chegou ao Hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista, em julho de 2013, para tratar de uma metástase pulmonar", afirma.

Contador aposentado, o profissional mora em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e possui um ponto de táxi no Capão Redondo, na Zona Sul. Em pelo menos duas ocasiões, viveu situações com criminosos em que ele próprio quase precisou de uma transfusão: uma ao ser atacado com uma faca e a outra ao ficar sob a mira de um revólver. O fato de sair ileso dos episódios o motivou a escrever o livro As Experiências de um Vencedor (Editora Scortecci, 95 páginas, 20 reais). Lançada no mês passado, a obra é oferecida a clientes. Um coração de espuma costuma vir de brinde. Aos 59 anos, Serrano tem como meta completar 500 doações até os 70, quando terá de interromper a atividade voluntária, por causa da legislação. Depois disso, seu desafio será recolher documentos para provar que superou a marca do americano John Sheppard, recordista do Guinness Book, com 315 doações realizadas ao longo da vida.


(texto publicado na revista Veja São Paulo de 12 de agosto de 2015)

domingo, 30 de novembro de 2014

Como funciona: Doação de sangue - Letícia Roche


Essa atitude não só beneficia pessoas em casos de emergência, mas doentes que necessitam de tratamentos prolongados. Entenda cada processo desse belo ato

Quem pode

- Pessoas saudáveis que estejam descansadas.
- Homens e mulheres entre 18 e 69 anos. Candidatos com idade de 16 e 17 anos são aceitos com o consentimento formal e presencial do responsável legal, para cada doação.
- Indivíduos com documento oficial com foto (RG, CTPS, RM, CRC, CNH, passaporte).
- Quem tenha, no mínimo, 50 kg.

Quem não pode

- Pessoas com anemia e hipertensão.
- Os que têm febre ou foram vacinados.
- Indivíduos em jejum ou sem repouso suficiente.
- Pacientes submetidos a procedimentos como endoscopia ou tatuagem ou em tratamento dentário.
- Portadores de doenças transmissíveis pela transfusão, neoplasias, além de algumas doenças crônicas e cardíacas.

O processo de armazenamento

O sangue é fracionado em partes: hemácias, plaquetas e plasma. Cada componente tem a sua forma de ser guardado. As hemácias têm validade de 35 dias e devem ser armazenadas em temperatura de 4ºC, em geladeira. Já as plaquetas duram cinco dias e podem ser mantidas em temperatura ambiente (22ºC). O plasma pode ser usado até um ano depois de doado e deve ser conservado sob temperaturas inferiores a -20ºC.

Como é o atendimento no hemocentro

Cadastro: o doador é identificado (é obrigatório apresentar documento oficial com foto, endereços e telefone para contato).

Pré-triagem: verificam-se a pressão arterial, temperatura, pulso, peso e faz-se teste de anemia.

Triagem: em uma breve entrevista sigilosa, verifica-se se o candidato apresenta alguma contraindicação à doação, protegendo-o e o paciente que receberá o sangue. É fundamental que as informações prestadas sejam verdadeiras.

Problemas na triagem

Caso o doador seja portador de alguma doença transmissível pelo sangue, isso é detectado na triagem. Se o voluntário tiver qualquer alteração laboratorial, ele é convocado para ser orientado sobre o significado da alteração para repetir os testes ou acompanhamento médico, se necessário.

Coleta: é a hora do procedimento, que é feito por profissionais treinados e segundo padrões técnicos para maior conforto e segurança na doação. Todo o material utilizado é individual e descartável.

Lanche: o doador é convidado a iniciar a reposição do volume sanguíneo retirado. O ritual permite também observar o doador após a coleta por um pequeno período de tempo, diminuindo as chances de reações à doação.

As partes do sangue

Os principais componentes do sangue são os glóbulos vermelhos (hemácias), as plaquetas e o plasma. Em geral, a quantidade coletada é de 450 ml de sangue. O plasma é reposto em algumas horas. As plaquetas e as hemácias se restabelecem em alguns dias e os estoques de ferro demoram mais tempo. Por esse motivo, os homens devem realizar a doação a cada 90 dias e as mulheres, 120 dias. Veja como são utilizados em cada caso:

Hemácias:

anemias, sangramentos e em cirurgias.

Plaquetas:

quimioterapia, transplantes, sangramentos.

Plasma:

má coagulação, fabricação de hemoderivados.




(texto publicado na revista VivaSaúde nº 139)