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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O que é ? Constelação Familiar Sistêmica - Regina Inez Gonçalves


Uma definição de Constelação que nos leva ao conceito de Constelação Familiar Sistêmica é a que a define como um grupo de estrelas próximas uma das outras, tais como as vemos da Terra, e que, ligadas por linhas imaginárias,  formam diferentes figuras e se distinguem por nomes especiais. O grupo de estrelas são os grupos de pessoas brilhantes e notáveis que, quando próximas uma das outras, formam as famílias e as diferentes figuras são as diversas famílias nos diversos países no planeta Terra, no Sistema Solar, na Via Láctea e no Universo.

Por que familiar?

Porque as famílias são grupos de pessoas com ancestralidade comum e é essa ancestralidade que será mostrada no campo morfogenético na Constelação.

Por que sistêmica?

Segundo a definição na medicina, sistêmico é o que afeta todo o organismo ou o que é relativo à grande circulação. É exatamente o que é mostrado em uma constelação: o que afeta cada célula familiar afeta todo o organismo familiar e a circulação dos membros da família no sistema.

Segundo a agricultura, sistêmico é o que se diz de um produto Fitossanitário (relativo à preservação e defesa das plantas ou da flora em geral) que age sobre toda a planta, passando pela selva (líquido que circula pelas diversas partes dos vegetais). Os movimentos que acontecem em um sistema familiar são para preservar e defender os valores do sistema. As Constelações podem ser feitas individualmente com bonecos ou abertas com pessoas representando o sistema familiar.

As constelações são para pessoas ou organizações (públicas ou privadas) nas diversas áreas onde se constituem sistemas como no Direito, na Medicina, na Pedagogia etc.

A Constelação Familiar Sistêmica é uma abordagem terapêutica breve e eficaz que mostra ao cliente um caminho de solução.

A Constelação tem aplicação prática na melhoria das relações familiares, nas relações interpessoais nas empresas, nas relações de conflito dentro do Direito, nas exclusões sociais em Educação, na escolha de diagnóstico da Medicina e continua ampliando e ajudando a melhorar as relações onde há conflitos ou emaranhamentos que impedem a continuidade e harmonia das relações. Atua onde há desordens nas forças que movem as pessoas e os grupos e que se apresentam muitas vezes em forma de doenças e sofrimentos, sem que tenham consciência do que está impedindo-as de ter êxito e equilíbrio em determinadas situações.

A Constelação Familiar Sistêmica deve ser solicitada nas seguintes situações:

- Em qualquer situação de conflito (divórcio, inventário, em condomínios, em pais e filhos, entre casais);

- Nas perdas (falência, luto, aborto, doença, problemas financeiros);

- Quando há dificuldades de comunicação (timidez, pânico, depressão, agressividade, emoções em desequilíbrio com a comunicação):

- Diante de grandes decisões;

- Na busca de êxito profissional:

- Na necessidade de superação de conflitos internos e externos.

A Constelação Familiar Sistêmica é vivencial com conteúdos trazidos pelo cliente e revela o que está oculto por trás dos problemas, levando à solução dos mesmos. Uma única constelação pode fazer uma grande diferença em sua vida!

É um trabalho regido por três leis que são chamadas por Bert Hellinger de Ordens Arcaicas, a saber: ordem ou hierarquia; vínculo ou pertencimento e equilíbrio entre o dar e tomar.

A Constelação Familiar Sistêmica ocorre no campo da consciência da família de forma fenomenológica. "As ordens do amor quando desrespeitadas causam emaranhamentos e sofrimentos e quando restabelecidas nos causam a sensação de estarmos encaixados no mundo".

Os benefícios da Constelação Familiar Sistêmica surgem pelo fato de sua abordagem trazer à consciência a dinâmica que está oculta e que vem causando desequilíbrios e sofrimentos através da repetição inconsciente da história familiar.

Os acontecimentos trágicos ocorridos em uma família podem ter efeitos nas gerações posteriores. Os membros de uma família podem manter uma lealdade oculta invisível e imitar inconscientemente o destino difícil dos antepassados ou sofrer as consequências por eles.


(texto publicado na revista Leve & Leia nº 149 - ano 11 - dezembro 2017/janeiro 2018)

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Cinderela (ou como superar velhas crenças)


A história de Cinderela, essa inocente vítima da opressão, tem sido, com pequenas variações, parte de toda e qualquer cultura. Ela pode ter surgido no passado distante entre os chineses, cujos aristocratas apreciavam pés pequenos. A versão popular hoje em dia foi transcrita da tradição oral nos anos 1600 por um francês, Charles Perrault, e transformada em filme por Walt Disney, em 1950.

A influência prejudicial de Cinderela lançou uma sombra sobre nós. Ela personaliza uma distorção da realidade, a realidade na qual se espera que nossas recompensas sejam merecidas.

Uma das características sinistras da história é a ideia de que as madrastas são más. Na verdade, não podemos nem pensar na palavra "madrasta" sem mentalmente acrescentar o adjetivo "má" a ela. Além disso, Cinderela reforça a mentalidade passiva daqueles que aceitam sua carga de opressão na vida enquanto esperam que forças místicas venham a seu auxílio.

No final, Cinderela se torna uma princesa e perdoa sua madrasta e as irmãs adotivas opressoras, apesar de sabermos que elas deveriam ser processadas por abuso infantil.

Cinderela é patética, mas nos apaixonamos pela ideia de que a tonta vencerá no final. Para esse fim, uma fada madrinha lhe dá roupas elegantes para que ela consiga atrair os olhares do príncipe que, por acaso, está justamente procurando uma mulher para se casar. Enfeitada com suas roupas espalhafatosas e jóias vistosas, Cinderela chama sua atenção em um baile onde não é nada além de um cabide de roupas. Ela não fez nada para merecer as atenções. Ela não merece nada, exceto, talvez, o salário mínimo em casa. E, mesmo assim, consegue fazer com o príncipe se case com ela. Não é essa a lição que deveríamos ensinar às nossas crianças. Há valores mais importantes do que boa aparência, roupas finas e enfeites caros - inteligência, independência, auto-estima, responsabilidade e automotivação - e nenhum deles caracteriza Cinderela.

Vamos deixar a mentalidade da Cinderela de lado e apresentar às crianças os valores genuínos na vida, isto é, que elas precisam merecer suas recompensas. E, enquanto fazemos isso, vamos nos livrar da atitude de que somos malvados se gritarmos para nossos filhos: "Arrume o seu quarto!".

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É uma velha história:

A fábula originou-se na China mais ou menos no ano 960, em The Miscellaneous Record of Yu Tang (O variado registro de Yu Tang), por Tuan Ch'eng-Shih.



(texto publicado no livro escrito por Dan Karlan, Jeremy Salter e Allan Lazar As pessoas mais importantes do mundo que nunca viveram com tradução de Cristina Yamagami)

sábado, 11 de junho de 2016

Por que a gente tem medo de barata? - Renata Magnenti

Simples: as malditas habitam os lugares onde jogamos tudo o que não presta para nós.

É preconceito. O habitat de animais influencia no julgamento do ser humano, e, como as baratas vivem em locais como esgotos, ralos e lixos, onde se alimentam de detritos, elas não poderiam deixar de ser odiadas. Cupim e besouro, por exemplo, são insetos como esta criatura repugnante ao lado. Mas não temos medo deles. E ainda tem os fofinhos. "Algumas espécies de borboletas têm cores similares às das baratas, porém moram em árvores e em flores. Logo, nós as consideramos "graciosas", diz José Albertino Rafael, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Vale a mesma coisa para os ratos de esgoto e os hamsters. São roedores, mas um é odiado e o outro é bicho de estimação.

A psicologia dá outras explicações. Quando a memória registra um episódio ruim na infância, você não vai necessariamente se lembrar dele na fase adulta, mas um medo irracional pode permanecer. Esse pavor também pode vir de outros - por exemplo, de sua mãe subindo no sofá, gritando para o homem da casa se livrar do bichano.

(texto publicado na revista Super Interessante edição 294 - agosto de 2011)

sábado, 29 de agosto de 2015

Bruxas as mulheres em chamas - Cadu Ladeira e Beth Leite


Durante mais de 300 anos, a mesma Europa que viu nascer a Idade Moderna e presenciou feitos como a conquista do Novo Mundo, a ascensão da burguesia comercial e o fim do domínio feudal, fez das fogueiras um instrumento de repressão e morte para milhares de mulheres condenadas por bruxaria

As pilhas de lenhas e gravetos já estavam acesas e a multidão, inquieta, aguardava o início do ritual que conhecia tão bem. Afinal, execuções eram espetáculos imperdíveis, que atraíam a atenção de pessoas vindas de vários cantos. Em meio ao ruído abafado dos comentários sobre os horrores que havia cometido, surgiu enfim a condenada. A turba, que já estava agitada, aproveitou para liberar a tensão reprimida: objetos, palavras de ódio, risos e piadas partiam de todas as direções contra a terrível criatura. Não houve muitas delongas. A sentença foi lida rapidamente, o carrasco, num gesto piedoso, estrangulou a condenada para que não enfrentasse as chamas viva e, em poucos minutos, seu corpo ardia, diante da aclamação selvagem da assistência. Durante mais de 300 anos, cenas como essa se tornaram corriqueiras nas praças públicas de boa parte da Europa e o caminho da fogueira se transformou no destino de milhares de mulheres. Nuas, montadas em vassouras, aterrorizando cidades, aldeias e castelos, no imaginário popular e religioso da época as bruxas estavam por toda parte, semeando o pavor. A perversidade feminina campeava solta, a serviço dos mandos do demônio, e precisava ser contida a qualquer custo.

De 1450 a 1750, poucas pessoas ousariam contradizer essa doutrina, repetida em tom de ameaça nos púlpitos dos pregadores católicos, assim como nos sermões protestantes depois da Reforma religiosa de Martinho Lutero, no século XVI. Bruxaria era uma calamidade tão real quanto tempestades ou pestes, e intimamente ligada à natureza feminina. Com exceção de Portugal e Espanha, onde os principais perseguidos eram cristãos-novos e judeus, em quase toda a Europa a porcentagem de mulheres excedeu 75% dos casos. Em algumas localidades, como o condado de Namur (atual Bélgica), elas responderam por 90% das acusações. Estima-se que 100 000 processos foram instalados pelo continente afora e pelo menos 60 000 vidas se perderam em meio às chamas.

Foi em plena Idade Moderna - a mesma que presenciou a descoberta de um novo mundo com as grandes navegações, a ascensão da burguesia comercial, o fim do domínio feudal e a formação dos primeiros Estados nacionais europeus - que o temor às forças do mal deixou o campo da crendice popular para se tornar alvo de uma perseguição sistemática de tribunais leigos, religiosos e da Inquisição - sob controle papal.

Não que as fogueiras tenham sido estranhas à sociedade medieval. A Idade Média também presenciou exibições do poder purificador das chamas, a mais notável delas, sem dúvida, aquela que consumiu a vida da jovem Joana D'Arc em 30 de maio de 1431, na cidade de Rouen, então sob domínio inglês. Heroína nacional, Joana ficou famosa depois que conduziu o exército francês à vitória sobre os ingleses em Orléans e deu início à revanche de seu país na Guerra dos Cem Anos (1337-1453), até aquele momento vencida fragorosamente pelos britânicos. Em 1430, quando caiu prisioneira nas mãos do duque de Borgonha, aliado do rei inglês Henrique V, seus inimigos aproveitaram a fama das visões que ela costumava ter desde pequena para levá-la à fogueira, mesmo sabendo de sua extrema devoção religiosa. Nesse caso, porém, o cunho político da condenação era tão óbvio, que antes do final daquele século, ela seria reabilitada e em 1920 finalmente transformada em santa.

Calamidades podiam detonar uma caça

Para bruxas menos famosas, no entanto, a chegada da Idade Moderna trouxe uma mudança radical na atitude da Igreja e dos tribunais em relação ao universo da superstição, do paganismo e do mito com o qual, havia mais de 1 500 anos, a Europa convivia. Na mitologia romana, Diana, deusa dos bosques e dos animais, já costumavam guiar amazonas noturnas em cavalgadas celestes. Entre as crenças imemoriais germânicas, acreditava-se que figuras ameaçadoras, conhecidas como streghe, se reuniam na floresta em torno de caldeirões para realizar seus rituais. Depois se volatilizavam e invadiam as  casas para chupar a vitalidade das crianças. Mas em meio à insegurança da aurora da modernidade, um tempo marcado por mudanças e desgraças contantes como fomes, pestes, guerras e conflitos religiosos, boa parte dessa tradição fantasiosa do passado acabou associada à certeza de que o demônio e suas seguidoras estavam determinados a dominar o mundo. Feitiços e mulheres voadoras tornaram-se, da noite para o dia, parte de uma grande conspiração demoníaca. Encantos e unguentos - chamados na época de maleficia - que antes serviam para ajudar as pessoas se transformavam em passaporte certo para a morte.

Não era preciso muito para provar que a ação infernal estava em andamento. Além das tradicionais acusações de possessões diabólicas, crises políticas e sociais, calamidades naturais ou qualquer outro acontecimento anormal eram capazes de detonar a mortandade. Em Trier, na França, uma feroz epidemia de processos contra as bruxas ocorreu entre 1580 e 1599, quando duas grandes colheitas foram dizimadas por alterações climáticas. No principado alemão de Ellwagen, em 1611, em Genebra em 1530, 1545, 1571 e 1615 e em Milão em 1630, para citar uns poucos exemplos, centenas foram condenadas à morte após um surto de peste. No século XVII, em Cambrai, também na França, a instalação de novas indústrias no campo gerou uma onda de ansiedade entre os camponeses que logo desembocou numa grande caça.

Algumas alegações contra a bruxaria eram tão descabidas, que só mesmo o clima de paranoia coletiva explicava a relação: em 1590, depois que uma tormenta no Mar do Norte destruiu um dos navios da comitiva de Jaime VI da Escócia e de sua noiva, Ana da Dinamarca, os dois países iniciaram uma cruel perseguição a feiticeiras. As grandes caçadas vinham assim: como tempestades de verão, chegavam avassaladoras e de surpresa, mas tinham curta duração. Quase sempre, após um período de frenética perseguição, as comunidades se aquietavam durante os anos seguintes.Era como se tivessem se livrado de um cancro.

Escritos da época registram o quase inacreditável. Na diocese italiana de Como, 1 000 execuções em um ano. Em Toulouse, na França, 400 cremações são contadas em um único dia. No arcebispado francês de Trier, em 1585, 306 bruxas delataram cerca de 1 500 cúmplices. Embora a maior parte das acusadas tenha escapado à morte, isso não impediu que duas aldeias da região ficassem à beira do extermínio: sobraram apenas duas mulheres em cada uma delas.

O mais impressionante é que a maior parte dessas mulheres, e mesmo dos homens, condenadas chegaram às fogueiras por confissão própria, graças à tortura. Durante esses quase três séculos de morte, conseguir uma confissão era apenas questão de tempo. Quando acontecia de o acusado resistir muito durante uma sessão de maus tratos, isso só aumentava a convicção de culpa dos interrogadores: afinal, tamanha resistência só podia ter por trás o auxílio de forças que não eram apenas naturais. Hoje, sabe-se que o uso indiscriminado desse instrumento macabro se confunde com o próprio mapeamento da caça às bruxas pela Europa.

Inquisição era um tribunal comedido

O predomínio do temido Tribunal de Inquisição, por exemplo, serviu para atenuar os casos de condenação à morte de bruxas nos países da Península Ibérica e na Itália. Embora tenha ficado famoso na Idade Média pela prática da tortura, na época em que começou a grande repressão europeia, a partir do século XV, os inquisidores já haviam elaborado uma extensa reforma jurídica que garantia não só assistência legal aos acusados como restringia a ação dos torturados a casos muito especiais. Na Inglaterra, onde suspeitos de bruxaria só podiam ser submetidos à tortura com autorização dos conselhos superiores de Justiça, a caça às bruxas também teve pouca expressão. Já na Alemanha, dividida em dezenas de ducados e principados independentes política e judicialmente, a caça às bruxas ganhou proporções assustadoras. Nada menos de 50% dos processos contra elas aconteceram em terras germânicas, e a maior parte resultou em morte.

Às vezes, a descoberta de uma fraude conseguiu evitar que a perseguição chegasse a um final dramático. Em 1633, o jovem inglês Edmund Robinson denunciou uma mulher que o teria levado a um sabá de bruxas, onde estavam reunidas cerca de sessenta feiticeiras. O menino deu o nome de dezessete delas ,todas imediatamente presas e condenadas. Algumas dúvidas sobre o depoimento, no entanto, levaram o bispo de Chester a interrogar Edmund e ele acabou admitindo ter forjado a história por sugestão do pai, que havia indicado todos os nomes "por inveja, vingança e desejo de tirar vantagem", descobriram os juízes. Na Escócia, o ensaio de uma grande repressão nacional em 1661 entrou em colapso quando os eméritos caçadores de bruxas John Kincaid e John Dick foram flagrados dando picadas em mulheres acusadas de bruxaria: nos tribunais, essas pequenas marcas eram a prova de que elas haviam feito pacto com o diabo.

Foram poucas, porém, as caças detidas por evidência de fraudes. Normalmente, quando uma perseguição se instalava, nada conseguia detê-la e o pânico tomava conta da população. A princípio, todos estavam sob suspeita e a melhor defesa era o ataque. Uma vez iniciada a caça, delações não paravam mais. Assustadas com a perseguição, muitas pessoas logo se punham a entregar as vizinhas na tentativa de livrar a própria pele de potenciais acusações. Cada possível bruxa levada a julgamento por sua vez, não tardava a incriminar mais uma lista de acusadas, num efeito dominó que levava grandes levas de pessoas diante dos juízes.

Furor uterino e cobiça carnal

Cenas e relatos como esses não só foram realidade como contavam com uma robusta fundamentação teórica de uma obra sinistra. Publicado em 1486, o livro Malleus Maleficarum, escrito pelos inquisidores papais alemães Heinrich Kramer e James Sprenger, foi um eficaz instrumento nos tribunais para consolidar a crença de que uma grande conspiração arquitetada por Satã e suas seguidoras, as bruxas, tomava conta do mundo. Até o final do século XV, o manual já era um best seller, recordista absoluto entre qualquer livro anterior ou posterior sobre demonologia, com mais de uma dúzia de edições.

Na detalhada obra, que explicava desde os feitiços mais comumente praticados até como localizar a presença das malignas criaturas no seio da sociedade, Kramer e Sprenger não pouparam esforços para mostrar que a mesma mulher que provocou a expulsão do homem do paraíso ainda era uma ameaça presente. O velho temor católico de monges e padres celibatários estava mais forte do que nunca. "A perfídia é mais encontrada nas pessoas do sexo frágil do que nos homens", garantiam os dois. Bruxas eram o mal total: renunciavam ao batismo, dedicavam seus corpos e almas ao demônio e, suprema lascívia, costumavam manter relações sexuais com ele. Principalmente durante os sabás, reuniões em que as forças do mal se reuniam para banquetear-se com criancinhas não batizadas e que sempre terminavam em fabulosas orgias. Testemunhos da época davam notícia de sabás reunindo até 1 000 bruxas.

Para provar a propensão natural da mulher à maldade não faltavam argumentos aos autores do Malleus. A começar por "uma falha na formação da primeira mulher, por ser ela criada a partir de uma costela recurva, ou seja, uma costela no peito, cuja curvatura é, por assim dizer, contrária à retidão do homem. A própria etimologia da palavra feminina confirmava essa fraqueza original: segundo eles, femina, em latim, reunia em sua formação as palavras fide e minus, o que quer dizer menos fé.

Defender ideias assim não era exclusividade dos dois inquisidores alemães. A aversão á mulher como ser mais fraco e, portanto, mais propenso a sucumbir à tentação diabólica era moeda corrente em todas as regiões da Europa - dos pequenos vilarejos camponeses aos grandes centros urbanos. Nos sermões de padres por toda a Europa, proliferava a concepção de que a bruxaria estava ligada à cobiça carnal insaciável do "sexo frágil", que não conhece limites para satisfazer seus prazeres. Com seu "furor uterino", para o homem a mulher era uma armadilha fatal, que podia levá-lo à destruição, impedindo-o de seguir sua vida tranquilamente e de estar em paz com sua espiritualidade.

O clima de desconfiança em relação às mulheres teve também predileções profissionais. Quando não era o caso de grandes perseguições orquestradas para expurgar males como a peste, certos ofícios tipicamente femininos tinham precedência na lista de denúncias. Curandeiras, vitais para uma sociedade onde a medicina ainda era uma ciência incipiente, tornavam-se hereges e apóstatas da noite para o dia. Cozinheiras também viviam sob constante desconfiança, assim como as parteiras.

Parteiras eram alvos visados

Acusadas frequentemente de batizar os recém-nascidos em nome do diabo ou de matá-los para usar seus corpos em rituais, elas foram vítimas de anos em suspeita acumulada, numa época em que a taxa de mortalidade infantil era altíssima. Em 1587, a parteira alemã Walpurga Hausmannin, foi processada por ter causado a morte de quarenta crianças, algumas com até 12 anos. Entre os métodos que ela empregava, estavam o estrangulamento, esmagamento de cérebro da criança no parto e aplicação de "um unguento do diabo sobre a placenta", de modo que a mãe e a criança morressem juntas. Seu destino foi a fogueira. O mesmo de uma parteira húngara, que em 1728 conseguiu uma marca duvidosa, mas perfeitamente factível para seus contemporâneos: ela morreu queimada por ter batizado nada menos do que 2 000 crianças em nome do demônio.

Para quem se acostumou a relacionar a figura das bruxas a personagens pitorescas de contos da carochinha - como a madrasta de Branca de Neve ou a fada malvada de Cinderela -, às vezes fica difícil acreditar em histórias assim. Mas elas existiram e deixaram em seu rastro uma cruel realidade da morte de milhares de mulheres inocentes em fogueiras piamente acesas para limpar o mundo.




(texto publicado na revista Super Interessante nº 2 - ano 7 - fevereiro de 1993)













quinta-feira, 30 de julho de 2015

O anel que tu me destes - Diana Corso


Os objetos que acumulamos ao longo da vida, em significado ou em quantidade, traduzem nossas crenças e valores

Herdei um anel de madeira. Ele foi feito pelo meu tio-avô em uma macabra oficina onde lhe coube trabalhar. Por sua vitalidade, na hora de repartir os deportados entre a vida e a morte, Ödon foi destinado aos trabalhos forçados em Auschwitz e conseguiu sobreviver. A mesma sorte não tiveram meu avô e meu outro tio, irmão de meu pai.

Ödon furtivamente entalhou esse único pertence pessoal, um tesouro tanto mais valioso pois desafiava o castigo da impessoalidade, que transformava pessoas em números, sem cabelos nem distinção alguma entre si. A despersonalização era uma das formas utilizadas no campo de concentração para matar a identidade antes do corpo. Como ele fabricou e salvou o anel eu nunca soube, mas antes de morrer ele o presenteou a meu pai, seu sobrinho.

Os colegas da instituição psicanalítica à qual pertenço estão criando um museu virtual onde as pessoas podem comparecer com um objeto que considerem especial e descrever sua importância. Nesse museu não haverá nenhuma presença física; só encontraremos histórias e imagens de objetos de relevância pessoal, de preferência que tenham pertencido a alguém a quem a sociedade de alguma forma silenciou. Terei o privilégio de participar com esse anel.

Hoje se fala muito em desapego, um debate imprescindível em uma sociedade que vive produzindo lixo, cercando-se de objetos descartáveis comprados por compulsão. Como a identidade nunca foi tão frágil e avulsa, acabamos sentindo-nos representados pelo que possuímos. Cada um amontoa sobre si uma miríade de coisas através das quais espera se valorizar. O problema é que, como nenhuma delas faz efetivamente uma marca, tornam-se obsoletas e vão para o lixo as inúteis tentativas de ser alguém por seu intermédio.

É fundamental saber descartar e dar-se conta da inutilidade do acúmulo. Isso passa também por escolher quais são nossos verdadeiros pertences. Os mendigos talvez tenham algo a ensinar: eles costumam ter sempre consigo uma trouxinha ou sacolinha que, aos nossos olhos, estaria cheia de lixo. Muitas vezes ela está mesmo, contém trapos sujos e jornais amassados, que somente possuem o significado de representar o único pertence daquele que é nada. Não é estranho que os que se sentem como um nada preencham sua trouxa com o que também não é nada. Os bebês, que ainda sabem ser pouca coisa, apegam-se a um  trapo ou brinquedo encardido, primeiro pertence pessoal.

Provavelmente, para Ödon, a construção desse anel fez parte de sua estratégia de sobrevivência. Encerrada sua longeva existência, em outro continente, uma descendente que ele nunca conheceu pessoalmente o escolheu para esse museu de objetos peculiares. Como ele, também tentarei deixar algo que possa ser usado pelas gerações futuras para contar uma história. "É interessante, como dentro do essencial, recordo principalmente de pequenos detalhes que ganham importância e se fiam na memória", escreveu Ödon a meu pai.



(texto publicado na revista Vida Simples nº 161 - agosto de 2015)




domingo, 29 de março de 2015

8 mitos estúpidos sobre a ciência que as pessoas precisam parar de acreditar (Mistérios no Mundo)


Há uma série de contos da carochinha por aí a respeito de alguns princípios científicos básicos. Embora a maioria deles foram refutados anos atrás, esses rumores não vão embora. Aqui estão alguns dos principais mitos flutuando por aí que simplesmente não são verdadeiros.

Nós só usamos 10% do nosso cérebro

É verdade que há muita coisa que não sabemos sobre o cérebro, mas certamente sabemos que nós o usamos completamente. Embora o cérebro não pese nem 1 quilo, é extremamente exigente em termos energéticos, consumindo cerca de 20% de todo o oxigênio e glicose de dentro do corpo. É extremamente improvável que o cérebro tenha evoluído para se tornar praticamente inútil.

Além disso, não há nenhuma evidência de que alguém alguma vez foi diagnosticado com um tumor no cérebro, mas foi dito: "Grande notícia! O tumor está em uma parte que você não usa!" Traumas para o cérebro também raramente teriam resultados devastadores se fosse na maior parte não utilizada.

Enquanto você não pode estar usando cada pedacinho de seu cérebro em todos os momentos, você o usa completamente ao longo do dia.

Há um lado escuro da lua

Oh, Pink Floyd, você ajudou a propagar um mito.

De nossa perspectiva na Terra, somos capazes de ver cerca de 59% da superfície da lua (embora não toda ao mesmo tempo). Os restantes 41% estão completamente escondidos sob nosso ponto de vista. Então, essa parte deve estar em perpétua escuridão e frio, e nunca sente o calor do Sol, correto? Não.

Esta confusão é devido ao bloqueio das marés, que faz parecer que a lua não está girando. A lua, na verdade, está girando muito lentamente, completando uma rotação mais ou menos ao mesmo tempo que leva para fazer uma órbita em torno da Terra. Enquanto um lado (mais ou menos) está sempre protegido contra a Terra, não tem nada a ver com a quantidade de luz solar que recebe. Afinal de contas, nós temos diferentes fases da lua.

A lua cheia afeta o comportamento

Há tempos que dizem que a lua afeta o comportamento das pessoas. Que bobagem. Este mito tem uma grande variedade de causas, incluindo um outro mito de que a água no cérebro é afetada por forças gravitacionais da lua. Muitas pessoas afirmam que crimes violentos aumentam durante esta fase e até mesmo as delegacias de polícia no Reino Unido uma vez aumentaram o plantão durante a lua cheia para se preparar para o afluxo de crime e acidentes.

O tema foi estudado muitas vezes e há uma correlação muito limitada entre a lua cheia e o aumento do comportamento errático. Certamente, nenhum nexo de causalidade foi descoberto. Não há nada a temer sobre o comportamento das pessoas e a lua cheia, a menos que você acredite em lobisomens.

Açúcar torna as crianças hiperativas

Não há nenhuma evidência que apoie a ideia de que excesso de açúcar deixa as crianças muito ativas. O aparente aumento de energia visto durante aniversários ou Dia das Bruxas pode ser entusiasmo sobre uma data especial ou de estar perto de outras crianças.

Também é possível que outros ingredientes, como a cafeína sejam os culpados. Isso não quer dizer que a ingestão de açúcar não deva ser limitada, afinal de contas, isso pode trazer outros problemas.

Raios nunca caem no mesmo lugar duas vezes

"Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar" é uma expressão comum usada para dizer que algo de ruim que aconteceu uma vez não pode acontecer novamente. Infelizmente, isso não tem nada a ver com ataques reais de raios.

Raios são uma enorme descarga eletrostática à procura de um caminho no solo, e não estão particularmente interessados em saber se o alvo já foi atingido antes. Objetos mais altos, como árvores e arranha-céus, geralmente são alvos preferidos, pois há uma distância menor entre eles e a origem do raio. A árvore mais alta em uma floresta pode ser atingida várias vezes até que a tempestade passe. Na verdade, um raio atinge o Empire State Building em torno de 100 vezes por ano.

Soltar um centavo de um edifício alto vai matar alguém

Se você estiver no topo do Empire State Building (esperemos que depois que a tempestade de raios tenha passado) e arremessar uma moeda de um centavo até a calçada abaixo, você não vai matar ninguém. Moedas de um centavo são bastante leves e não tem boa aerodinâmica. Sua baixa massa e velocidade terminal relativamente lenta (105 km/h) não fariam muitos danos ao azarado na calçada, além de uma leve dor.

No entanto, jogar itens mais pesados ou aerodinâmicos aumentaria a velocidade terminal do objeto e poderia trazer mais danos.

Cabelos e unhas continuam crescendo após a morte

Para unhas e cabelos crescerem depois que alguém é morto, a pessoa precisaria ainda estar comendo, digerindo e realizando processos celulares, o que tira o conceito de morte. Portanto, não há nenhuma maneira do corpo produzir mais queratina, a fim de fazer o cabelo e unhas crescerem.

No entanto, é fato que há essa ilusão. Conforme a pele morta começa a secar, ele se retrai e se afasta dos fios de cabelo e unhas. O cabelo e as unhas não são afetados pela falta de umidade e não encolhem, dando a impressão de terem crescido.

Leva 7 anos para digerir goma de mascar engolida

Chicletes não levam sete anos para serem digeridos. Na verdade, você não precisa nem digeri-los. Além de uma pequena quantidade de adoçantes e aromatizantes, não há realmente muitas coisas dentro do chiclete que o corpo humano não possa realmente quebrar e usar. A maior parte da goma é feita de polímeros de borracha conhecidos como elastômeros, juntamente com ingredientes à base de óleo de glicerina e vegetais para manter a goma macia e úmida. Uma vez que o corpo tenha extraído o pouco que pode aproveitar, o resto é repassado como lixo, como qualquer outra coisa.

No entanto, engolir chiclete continua não sendo uma boa ideia. A ingestão de grandes quantidades pode causar obstipação e obstrução gastrointestinal e a goma precisará ser removida por um médico.


domingo, 25 de janeiro de 2015

A inteligência e a realidade emotiva dos cães - Olivier Soulier (Portal do Dog)


Ainda existem muitos mitos, considerações e dizeres fantasiosos no assunto dos cães em geral e de certas raças em particular. O pior é que geralmente quem sofre mais desse tipo de descriminações são os animais.

De fato, os mitos e as crenças são os grandes culpados por uma parte das pessoas, criadores ou não, ainda acharem que os animais, inclusive os cães, são seres inferiores, com inteligência limitada a aptidões unicamente associativas de causa a efeitos, isentos de sentimentos e por isso podem ou devem ser considerados e tratados de forma grosseira, ver abusiva.

O processo de domesticação, iniciado em torno de dez mil a doze mil anos atrás, assim como a evolução da sociedade humana, levou os cães domésticos a passar do estatuto de ferramenta, servo do ser humano, a conviverem sempre mais perto dentro dos lares e até, muitas vezes, considerados como membros da família.

Só que, por ter considerado os animais como serviçais cativos por tanto tempo, a maioria ainda ignora ou desconhece muitas realidades do "melhor amigo do ser humano".

Felizmente, essa recente mudança de posição dentro das famílias humanas obra em favor deles.

Além do lado emocional dos proprietários, a curiosidade e evolução do meio científico e, principalmente, o crescimento exponencial do mercado e seus resultados econômicos fabulosos impulsionaram pesquisas e descobertas concretas e edificantes sobre, entre outras, a inteligência, as emoções, os sentimentos e as necessidades que lhes são próprios.

Vários resultados dessas pesquisas e descobertas, anteriormente pressentidos pela grande maioria dos proprietários convivendo com proximidade e diariamente com os seus cães, já são amplamente aceitos e comprovados, tais como:

Inteligência

O melhor amigo do homem tem capacidade de resolver problemas complexos e é mais parecido com os humanos e outros grandes primatas do que se pensava.

Segundo diversas medidas de comportamento, a capacidade mental do cachorro está próxima à de uma criança de dois anos e meio de idade.

Existem três tipos de inteligência canina:

1) instintiva
2) adaptativa
3) de trabalho e obediência (equivalente a aprendizagem escolar)

Seus mecanismos mentais não são idênticos aos nossos e possuem seus limites.

Mas disso a concluir que o cão somente segue seus instintos ou condicionamentos, é negar os fatos relatados pelos criadores e os estudos científicos.

Realidade emotiva

Vale sempre lembrar que os cães não possuem sentimentos no sentido que nós entendemos. Por exemplo, um cão que destruiu a casa não o fez por vingança.

A vingança, a traição, a crueldade etc são conceitos exclusivamente humanos, não de outras espécies.

Os estudos da psicologia canina comprovam que o cão é capaz de sentir emoções, ansiedade e estresse, assim como os humanos.

Era previsível, por serem sensações relacionadas ao sistema nervoso central, que funciona da mesma maneira para as duas espécies.

O cão sente emoções que vão desde a alegria à dor, passando pela excitação e o desespero.

Alegria e tristeza são emoções fáceis de observar e compreender nos cães, elas costumam aparecer claramente.

Infelizmente, é difícil avaliar sensações "secundárias", como ansiedade e estresse.

No cão, ouvimos sempre mais falar sobre a ansiedade de separação, em que o sujeito está passando por uma fase de estresse emocional causado pela separação dos proprietários.

A ansiedade pode aumentar aos poucos, como quando o cão entende que o seu dono vai sair.

A área límbica do cérebro, nos casos de ansiedade, provoca uma forte emotividade, resultando em diferentes estados, como medo, irritação e agressividade.

Existem vários tipos de estresse fisiológico (trauma, hemorragia, fraturas e doenças), bem como o estresse emocional, particularmente em casos de conflito.

Nos cães, o estresse pode simplesmente ser o resultado de tédio, o excesso de energia não aliviada, uma relação conflituosa com os proprietários, o uso e abuso de punição, técnicas de educação e treinamento criando uma pressão psicológica forte nos animais.

Em conclusão: vamos esquecer mitos e lendas e voltar a estudar e pesquisar. O conhecimento e a informação sempre trazem uma compaixão crescente da parte das pessoas, soluções eficientes e melhorias notáveis nas interações que vão beneficiando ambas as espécies.

A boa convivência, a nossa consideração com os animais e o tratamento que os humanos oferecem para eles exigem mudanças urgentes e importantes.

Talvez então nós poderíamos ser considerados como "o melhor amigo deles".
























quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Il tarantismo


Secondo la credenza popolare il tarantismo era una malattia provocata dal morso della tarantola, che si manifestava soprattutto nei mesi estivi (periodo della mietitura). Le persone morse dalla tarantola sudavano, avevano mal di pancia e avevano convulsioni.

Si usava la musica per guarire queste persone.

Si è scoperto, però, che il morso della tarantola non provoca questi sintomi. Il morso era un pretesto per risolvere traumi, frustrazioni, conflitti familiari, e vicende personali: un amore infelice, la perdita di una persona cara, le crisi legate alla pubertà e condizioni socio-economiche difficili.

La musica é l'elemento più importante della  terapia; infatti, la tarantata, che era a terra o sul letto, ascoltandola cominciava a muovere la testa e le gambe, strisciava sul dorso, si identificava con la tarantola. Successivamente batteva i piedi a tempo di musica come per schiacciare il ragno, e poi crollava a terra.

La famiglia portava la donna tarantata presso la cappella di San Paolo (patrono di Galatina e delle tarante, serpenti e scorpioni), a Galatina. La donna beveva l'acqua sacra del pozzo della chiesa e poi la vomitava. Poi tutte le donne aspettavano la grazia di San Paolo per essere liberate dalla malattia.

Il fenomeno del tarantismo oggi è quasi scomparso, perché sono radicalmente mutate le componenti psicologiche, sociali ,culturali, economiche e religiose che ne costituivano la base.

Le donne erano guarite anche grazie alla musica che si chiama "pizzica"; la famiglia chiamava un gruppo di musicisti che suonavano per molti giorni questa musica, poi le donne si calmavano.

Danzavano sfrenatamente al suono del tamburello fino a cadere a  terra stanche dalla fatica. Il suono del tamburello provocava uno stato di trans. La cura poteva durare anche diversi giorni. Già Platone utilizzava la iatromusica, cioè la guarigione attraverso la musica. Gli attacchi si manifestavano in maniera molto simile all'isteria. Si può dire che il tarantismo è un male culturale. Una volta, infatti, le donne che subivano frustrazioni per eccesso di fatica, povertà o tabù sessuali, non potevano fare altro che rivolgersi a San Paolo per liberarsi dal male. San Paolo, in particolare, era considerato il Santo dei poveri e il protettore dagli animali striscianti (e quindi anche la tarantola).



(testo pubblicato sulla dispensa Parliamo l'italiano! - Scuola Porta d'Oriente - Otranto (LE))




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Melhores hábitos na alimentação


Hábitos como excluir a fruta da sobremesa e incluir carne em toda refeição comprometem a dieta

Quem nunca ouviu "Tem que comer tudo, menino!" na infância? Essa frase costuma ser tão repetida que facilmente é assimilada e levada para a vida toda. Forçar a comer, porém, nem sempre é a melhor opção. "Como a infância é o período de descobrir o sabor de cada alimento, apelar para comer pode trazer consequências negativas, como acabar com o prazer envolvido na refeição", explica a nutricionista Simone Freire, doutora em Ciências Aplicadas à Pediatria, de São Paulo.

"Fruta não é sobremesa"

Você é daqueles que não dispensa o bolo de chocolate depois do almoço? Esse hábito pode ter surgido na sua infância, principalmente se seus pais não dispensavam uma sobremesa bem açucarada. Entretanto, maçã, banana, pera e companhia também podem ser ótimas sobremesas. Se você não tem o hábito de incluir frutas no cardápio, tente incorporar aos poucos à rotina. Vale associar acompanhamentos saudáveis, como o mel e adoçante, para ir se acostumando com o sabor.

"Tem que comer até limpar o prato"

Isso depende muito do tamanho do prato. Forçar-se a comer é uma das piores coisas a se fazer, o mais importante é respeitar a satisfação. Outro erro comum é acreditar que todas as crianças devem comer da mesma maneira quanto à quantidade. "Cada uma tem as suas necessidades individuais e os pais pecam ao acreditar que o filho deve comer como o irmão ou ao amigo". Se você notou que ainda segue esse hábito, tente fazer porções menores e montar refeições equilibradas.

"Tem que comer de tudo"

Uma criança que come tudo o que é saudável, de fato, terá alimentação equilibrada. Mas biscoito, salgadinhos e outras guloseimas não precisam fazer parte do cardápio de ninguém. Então, nem sempre comer de tudo é a melhor solução. "Além disso, comer alimentos mais calóricos e menos saudáveis pode trazer à tona obesidade, hipertensão e outros problemas", explica o nutricionista Israel Adolfo. Prefira alimentos com menos calorias e que agreguem nutrientes às suas refeições.

"Tem que comer bastante para crescer saudável"

Muitas famílias acreditam que a criança só vai crescer forte se comer bastante e se orgulham ao dizer que o filho come muito. Claro que se alimentar adequadamente traz vantagens para a saúde, mas quantidade nem sempre é qualidade. "O importante é escolher bem os alimentos, e caso não seja do seu agrado, trocar por outro do mesmo grupo alimentar", explica Simone Freire.

"Salada não é comida"

Famílias que comem alimentos muito gordurosos ou com muito sal acostumam o paladar de seus filhos a essas comidas pouco saudáveis. O ideal é estimular o gosto por alimentos mais saudáveis, como a salada, e incorporá-la à dieta. A nutricionista Simone Freire recomenda trocar as folhas de sabor muito amargo, como rúcula, por outras de sabor mais suave, como alface, para acostumar-se com o sabor.

"Não é refeição completa se não tiver carne"

Israel Adolfo explica que, mais que um hábito de mãe, colocar uma carne em todo prato é um costume brasileiro. "Não é a toa que nossas comemorações são feitas com churrasco", comenta. Mas isso não é necessariamente saudável para o organismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo semanal de carne vermelha não deve exceder 300 gramas, algo entre dois e três bifes. Experimente trocá-la por peixe, frango ou carne de soja.

"Besteira só no jantar"

A correria do dia a dia faz com que muitos pais procurem alimentos práticos, como industrializados, sanduíches e pizzas, principalmente no jantar, momento em que todos estão em casa. Mas essa atitude prejudica a alimentação dos pequenos até a vida adulta. "O melhor é evitar esses alimentos e comê-los preferencialmente aos finais de semana e no horário do almoço, dando mais tempo entre a digestão e a hora de dormir", orienta a nutricionista Simone Freire.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 97 - ano 6 - janeiro de 2013)










sábado, 18 de outubro de 2014

Alquimia mental: transforme situações negativas em positivas


Você já ouviu falar em Alquimia Mental? É a prática de transformar situações negativas em positivas. A prática ficou mais conhecida a partir do ano passado durante o programa americano "O que você faria?"

Sem saber que estava sendo gravado, durante uma pegadinha, um jovem americano adepto praticante da Alquimia Mental, ajudou um ator vestido de muçulmano, a trocar o pneu do carro. Quando a equipe de TV apareceu Dominic Giamo explicou: "Eu amo ajudar as pessoas". Ele mostrou o braço tatuado com o símbolo da Alquimia Mental e deu seu recado: "Ajude seus irmãos e irmãs! Amor incondicional para todas as coisas vivas. Esta é a minha política".

Veja: A Alquimia Mental não é ligada a crenças religiosas, embora seja pregada por várias religiões, sob nomes diferentes. Ela trata do pensamento positivo e mostra que pensando positivamente, você consegue enxergar oportunidades onde ninguém mais enxerga, fazendo o seu futuro mudar com atitudes simples, mas que poucas pessoas fariam.

Primeiro, é preciso limpar da sua vida, parar de falar frases que podem te sabotar, e são muito ouvidas e repetidas como:

 - "Como sou desastrado (a)!"
 - "Tô pobre."
- "A vida tá difícil."
- "Dinheiro não cai do céu, nem nasce em árvore."
- "É bom demais pra ser verdade."
- "Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece."
- "Desgraça pouca é bobagem."
- "Só comigo que acontecem essas coisas. Deve ser urucubaca."
- "Não tenho sorte."
- "Tenho medo do que pode acontecer."
- "Vou tentar, mas não sei se vou conseguir."
- "Isso é muito complicado para mim."
- "Sou feio (a)."
- "Tô velho (a)."
- "Sou tímido (a) e inseguro (a)."
- "Tem coisa que não dá pra perdoar."
- "Estou pagando meus pecados."
- "Quando tudo vai bem, algo dá errado."
- "O mar não tá pra peixe."
- "Vivo preocupado."
- "E se tudo correr bem..."
- "Só os pobres herdarão o Reino do Céu."

A proposta é promover uma verdadeira alquimia mental. Criar mantras e afirmações positivas, memorizar, repetir, repetir, repetir, repetir, até ficar "gravado no disco rígido".

São frases que dizem que:

- você já conseguiu "aquilo" que queria,
- agradecendo por já ter pago suas dívidas,
- por estar curado,
- por ter encontrado o grande amor da sua vida,
- por estar feliz no trabalho,
- por estar ganhando bem no trabalho e aguardando novo aumento,
- que está em paz consigo mesmo.

Pensamentos são imãs!

O primeiro passo é confiança em um futuro melhor. Mas para gerar essa confiança, você precisa primeiro pegar todos os seus hábitos e pensamentos que te deixam triste, e transformá-los em algo melhor... e não há nada melhor que isso do que o perdão.

O segundo é você praticar a transmutação mental, tirando todos os pensamentos de negação e transformando tudo em afirmação.

Por exemplo: se você tem uns quilos a mais, não pense: "estou gordo, eu preciso emagrecer". Pense: "apareceram alguns quilos a mais em meu corpo, é preciso emagrecer".

Quando você coloca o "é preciso" (no sentido de ação), sua mente fica mais à vontade para executar a ação, pois ela percebe que você está em uma situação que não é para estar (tirando de você a culpa); do que o "eu preciso", que coloca a culpa, a pressão e a cobrança toda para cima de você. Percebeu a diferença?

Alquimia Mental, basicamente, é isso.

A pioneira em propor a reprogramação mental como ferramenta de cura foi Louise L. Hay. Ela lançou vários livros entre eles "Você pode Curar sua Vida".




(texto publicado na revista Leve & Leia nº 107 - ano 7 - novembro de 2013)









Aprenda a ser dono dos pensamentos - Cida Scabello


Aprenda a ser dono dos pensamentos que atuam em sua mente e controle todo pensamento externo que tente influenciá-la. Saiba como aumentar, mediante a função seletiva de sua inteligência, cada alma humana, seja consciente de sua realidade interna, saiba com que recursos pode contar.

Se alguém descobre que seus recursos internos são insuficientes para enfrentar a empresa de seu aperfeiçoamento, nada lhe resultará tão grato e auspicioso quanto saber que o conhecimento lhe permitirá suprir essa falta de previsão, oferecendo-lhe generosamente todos os elementos que sua inteligência necessite para alcançar, no momento devido, o pleno desenvolvimento de aptidões superiores.

Mas o mundo do comportamento humano é uma das poucas áreas que continuam a operar com teoria e informações fora de moda. Muitos de nós ainda usamos modelos do século XIX de como o cérebro trabalha e de como nos comportamos.

Ao colocarmos uma etiqueta chamada "depressão" em alguma coisa, adivinha o que acontece? Ficamos deprimidos.

Existem ingredientes fundamentais que devem ser duplicados, a fim de reproduzir qualquer forma de descendência humana. Eles são, na realidade, as três formas de ações mentais e físicas que correspondem mais diretamente à qualidade dos resultados que produzimos. Imagine-as como três portas que levam a uma sala de um espetáculo. A primeira porta representa o sistema de crenças das pessoas. No que uma pessoa acredita. O que pensa ser possível e impossível. Numa maior extensão, determino o que ele pode ou não pode fazer. Há uma velha frase que diz: "Quer você acredita que pode fazer uma coisa, ou acredite que não pode você está certa". De certa forma é verdade, pois quando você não acredita que pode fazer alguma coisa, está mandando mensagem coerente ao seu sistema nervoso (subconsciente), que limita ou elimina a sua capacidade de conseguir aquele mesmo resultado. Se, por outro lado, o seu subconsciente estiver mandando mensagens congruentes, ele avisa seu cérebro para produzir os resultados que deseja. [...]

Nunca diga que não pode fazer determinada coisa! Supere o seu medo, substituindo-o pela seguinte afirmação:

"Posso fazer todas as coisas, através do poder da minha mente subconsciente!"

Você é o comandante de sua alma, é o senhor do seu destino! Lembre-se: "você tem a capacidade de escolher! Escolha a felicidade!"

O que quer que a sua mente consciente acredite ser verdade, o seu subconsciente aceitará, e fará com que se transforme em verdade mesmo! Acredite nas bênçãos da vida!




(texto publicado na revista Leve & Leia nº 97 - ano 6 - janeiro de 2013)








quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Ser ou não ser, muito além da questão - Maria Clara Braz


Não basta ser honesto ou respeitar o próximo. É preciso saber por que ser e agir assim.

Parar o carro no sinal vermelho, não jogar lixo na rua, respeitar o próximo... Em sua opinião, cara leitora, esses princípios que permeiam o nosso cotidiano são bons porque devem ser obedecidos ou devem ser obedecidos porque são bons? Esse é um dos pontos-chave que norteiam um conceito imprescindível para que possamos conviver harmonicamente em sociedade: a autonomia.

Quando crianças, a única alternativa que nos resta é seguir sem reclamar as regras impostas frequentemente pelos adultos. "Não belisque seu amiguinho!", "É feio falar palavrão", "Você não pode pegar os brinquedos que não são seus" e "Ganhou um presente? Diga obrigada!" são algumas das muitas ordens que recebemos todo o tempo. Não temos opção: só nos resta acatá-las ou levar uma bronca. Mas, para que realmente se tornem significativas e sejam incorporadas por toda a vida - inclusive quando os tais adultos não estiverem presentes - essas solicitações devem ser explicadas e sustentadas por quem as fala para que deixem de ser meras imposições. Afinal, por que não beliscar o outro se ele me beliscou? Não dizer palavrão se os adultos dizem? Não pegar o brinquedo que quero? E para que agradecer alguém por ter me agraciado com uma lembrança? Porque sim definitivamente não é a resposta: é necessário argumentar, pondo em evidência os valores e os princípios que estão por trás desses comportamentos. É uma tarefa bem mais simples do que parece à primeira vista. "Dizer que não se deve agredir alguém fisicamente porque todos merecem respeito é um desses argumentos", diz Ana Aragão, psicóloga e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Ao ser colocado em contato com explicações claras que ressaltam o respeito ao próximo, o ser humano tem, desde cedo, a chance de julgar com base em princípios e liberar-se da obediência estrita às regras impostas pelos outros, passando assim da situação de heteronomia para a de autonomia", fala Maria Teresa Trevisol, professora da graduação da Área de Ciências Humanas e Sociais do Programa de Mestrado em Educação da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). Esses são os termos centrais na filosofia moral do alemão Immanuel Kant (1724-1804), autor da citação "Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal".


Trilhando o próprio caminho

É claro que regras são importantes para o relacionamento social. Imagine grandes avenidas sem sinalização, por exemplo. Mas as normas não devem ser seguidas e respeitadas por temor às punições que o desrespeito a elas implica. Com limites mecânicos, é muito provável que alguém não se sinta atemorizado o suficiente com o castigo ou até se veja livre para cometer a mesma falta outra vez - afinal, basta "pagar" a pena e seguir a vida. Com pensamento autônomo bem fundamentado, agir pensando no outro e se manifestar para reparar o erro tende a ser uma atitude espontânea.

Lembra-se do escândalo de Watergate, na década de 70, que levou à renúncia de Richard Nixon (1913-1994) nos EUA? A postura de um dos funcionários do gabinete presidencial é excelente exemplo de autonomia, a ponto de ser citado pela educadora suíça Constance Kamii, em seu livro A Criança e o Número (Papirus), ao abordar a importância da autonomia para a aprendizagem escolar. Voltando no tempo, recordemos a decisão de Elliot Richardson, o tal funcionário de Nixon. Contrariando seu chefe, ele renunciou ao cargo porque não admitir ter de mentir a respeito do que estava acontecendo na política americana, mesmo sabendo que seus colegas não fariam o mesmo. Ana Aragão analisa que essa foi uma postura de quem compara o valor moral de ser justo e honesto com a questão da sobrevivência, que implica se manter no emprego a qualquer preço. "Para tomar a decisão, o autônomo não pensa só em si mesmo, como os heterônomos. Leva em conta o coletivo, analisa e assume as consequências que sua postura implica", diz ela.

No cotidiano, a postura autônoma também se revela importante a todo o momento. "No casamento, por exemplo, é preciso considerar o ponto de vista do parceiro, abdicar interesses individuais e cooperar para a manutenção da relação e da família. Os heterônomos não conseguem agir dessa maneira, a menos que alguém esteja sempre a guiá-los", conclui Maria Teresa. Eles também costumam ser movidos por recompensas. Fazem isto ou aquilo porque é bonito e elogioso. Assim, deixam escapar uma da maiores e mais ricas aprendizagens da vida: o crescimento por meio das relações de troca e o convívio em harmonia com seus semelhantes.



(texto publicado na revista Bons Fluídos nº 126 - setembro de 2009)