Mostrando postagens com marcador redes sociais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador redes sociais. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de setembro de 2017

A saga das correções e atualizações automáticas - Walcyr Carrasco


O corretor automático do celular deve ter sido criado por uma velha fuxiqueira que quer ver briga

Você tem ideia do que é escrever uma novela? Não estou falando da parte glamourosa da vida de um escritor. Mas da labuta, da transpiração aliada à inspiração. São páginas e páginas por dia. Entro em uma espécie de transe. Mergulho na história. Certa vez um acupunturista me aconselhou a fazer algum tipo de alongamento a cada meia hora. Expliquei que é impossível. Esqueço. Começo a escrever. Quando vejo, o tempo passou. É um processo de entrega total. O mesmo acontece com meus livros, peças de teatro. Vou fundo.

Tudo seria perfeito se não fossem as atualizações automáticas. Estou escrevendo. De repente, vem um aviso. Dentro de 15 minutos meu computador será reiniciado por causa de uma atualização. Mas eu não posso reiniciar meu cérebro. Estou, como dizem os especialistas em produtividade, em “flow”, fluindo, vivendo minha nova história, a novela O outro lado do paraíso, que estreará na Globo em outubro. Portanto, não aceito. Ok. Dali a dois minutos volta o aviso. Vem e vem sem parar. Até que eu desisto, paro de trabalhar e espero atualizar e reiniciar. Imagine isso às 2, 3 da manhã. É o horário que costuma acontecer. Tranquilo, não? Quem inventou certamente é contra todos os escritores da face da Terra, que costumam trabalhar à noite. Mordo o teclado. É o que me resta. Se consigo evitar, quando durmo ele faz a atualização. No dia seguinte, o programa está diferente. Fico maluco até entender as mudanças. Mas aí, é claro, está na hora de nova atualização...

De todos os meus conhecidos, fui o primeiro a ter computador pessoal. Quando todo mundo ainda usava máquina de escrever. Passava horas decifrando programas, via mapas astrais, ouvia música, lia livros que só existem na internet. Escrevi minhas primeiras novelas nos primeiros computadores lançados no país, máquinas horrendas e lentas. Céus, sou do tempo do Orkut! Mas os programas mudaram. Atualizações e mais atualizações. Perdi o pé. Até em sites de compras me confundo. A Amazon brasileira, por exemplo. É tanta vontade deles de vender livro virtual que não consigo achar os físicos. Não sei mais baixar músicas. Não encontro música nenhuma. Depois de muitas atualizações, as bibliotecas virtuais tornaram-se atividade para iniciados.
Mas nem tudo está perdido.

Outro dia estava confuso no celular. Minha secretária do lar ofereceu ajuda. Explicou.

– Meu filhinho de 4 anos acha tudo!

Humilhação. O fato é que os mais novinhos também passaram por alguma atualização, que ainda não entendi.

Quem não odeia correção automática de texto em celular? Quem? Quem?

É um horror. O corretor automático me trai. Aposto que trai você também. Se digo que vou descansar, ele troca por desgastar, e de repente estou no meio de uma longa DR. Objetivo: descobrir por que a relação está desgastada. Explico que foi o corretor. Quem acredita? Uma amiga escreve que vai na TV. Explico que não estarei lá, trabalho em casa. Após um diálogo confuso, ela descobre que o corretor trocou “vi” por “vou”. Ela apenas viu um programa na TV e queria me indicar. Mas eu já fui grosso dizendo que não estaria lá. E ela entendeu que não me interessei pela dica que ela queria passar. Outro exemplo: Fui escrever “fala”. Mas botei um “l” a mais sem querer, “falla”. O corretor trocou por “Callado”, o dramaturgo, mas que lembra uma ordem impondo silêncio... quem leu, obviamente, não gostou muito. Fiquei um tempo tentando me explicar. Agora pouco quis escrever “importar”. Esqueci do “r” e foi “impotar”, ok. Mas o corretor tinha de trocar por “impotente”? Pronto, mais um amigo ofendidíssimo. O corretor automático de celular deve ter sido criado por uma velha fuxiqueira cujo maior objetivo é provocar rixas entre usuários de mensagens.

E correção em computador? Escrevo as falas de um personagem caipira. O corretor muda. Vou em cima, refaço. Nova correção. Depois, pontilhado vermelho embaixo de cada palavra considerada “errada”. Mas e se o personagem fala errado? Pronto, tiro as correções automáticas de texto. Acredite ou não, elas voltam, misteriosamente. Estão cravadas no interior do programa. Eu me debato. Quase choro.

Simplesmente queria saber: por que não posso voltar aos bons tempos em que podia usar um programa simples? Apenas adequado a minha principal atividade, que é escrever? Por que tenho de me tornar um expert em computador? Ixi, não posso continuar. Um aviso que meu antivírus está expirando insiste em piscar na minha tela. Fecho. Ele volta. Fecho. Ele volta. Socorro!


(texto publicado na revista Época - junho de 2017)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Luto virtual - Mariana Rosário


Paulistanos usam o Facebook e uma nova rede social para criar perfis e postar mensagens em homenagem a parentes mortos

Há dez anos, o empresário Roberto Dhelomme sofreu a dor de perder um primo, o artista plástico Eduardo, que cometeu suicídio depois de descobrir que tinha câncer. "Foi um grande sujeito, daqueles que mereciam ter a história de sua vida contada em um livro ou até mesmo em um filme", afirma. Dhelomme ficou com essa ideia na cabeça e, em junho passado, decidiu criar um serviço on-line de homenagens póstumas. Batizado de Etternum, a rede social tem estrutura parecida com a do Facebook. O usuário cria uma conta, inclui os dados da pessoa falecida e libera o acesso a convidados. Esse grupo pode postar até cinquenta fotos, vídeos e textos, que ficam disponíveis em uma linha do tempo após a liberação do administrador. Quando se ultrapassa essa quantidade, é preciso contratar planos a partir de 14,90 reais. Nos dois primeiros meses, o negócio acumulou cerca de 100 perfis. Um dos clientes é o relações-públicas André Nascimento, responsável pela criação do espaço no qual ele e outros parentes compartilham imagens e recordações de uma tia morta há quatro anos. "Foi a maneira que a família encontrou de relembrar as coisas boas que vivemos com ela, sem nos expormos publicamente", explica.

A iniciativa surge no momento em que muitos paulistanos já utilizam o Facebook para manter viva a memória de quem já partiu. Em alguns casos, o perfil dos mortos torna-se um tipo de santuário, no qual parentes continuam postando mensagens, fotos e lembranças por um longo tempo. A própria rede social oferece um recurso para isso. Desde 2015, um parente pode solicitar a mudança da página para a versão "memorial", que bloqueia o acesso a novos contatos, mas preserva o conteúdo do usuário original e permite que os amigos continuem escrevendo mensagens. Além disso, o aviso "em memória de " é adicionado acima do nome da pessoa.

A alternativa é simplesmente excluir a conta, acessando essa opção na área de configurações. Boa parte dos parentes, no entanto, prefere não mudar nada. "Quero deixar do jeito que ela usava", conta a estudante universitária Yasmin Rodrigues. Ela visita toda semana a página da mãe, Marli Rodrigues de Souza, que sofreu um infarto fulminante em fevereiro. No perfil da mãe, Yasmin insere fotos tiradas em cenas corriqueiras do dia a dia, vídeos de viagens e até mensagens de datas especiais. Sua irmã Anahí marcou a mãe na foto de uma tatuagem que fez para homenageá-la.

Outros até decidem ingressar no Facebook como forma de superar o drama familiar. "Depois que ela se foi, percebi que essa seria a melhor maneira de ficar mais próxima das recordações", diz a administradora Vera Lucia Simões Meletti, que criou uma conta logo depois de perder a filha, Denise, para o câncer, em 2015, aos 33 anos. Ela publica fotos antigas e mensagens como "saudades", além de comentar as postagens de amigas da garota. Há também quem crie páginas especiais, como a Via Anariá, em tributo à socióloga Anariá Recchia, atropelada por um motorista embriagado em Pinheiros em maio. No espaço em questão, amigos compartilham recordações e até marcam passeata, como a que ocorreu em julho no mesmo local do acidente. "Essa iniciativa foi um presente, pois percebi como minha filha era querida", conta a mãe, Sônia Calidone. Psicólogos e especialistas veem com bons olhos as homenagens virtuais, mas alertam para os riscos do exagero. "Caso isso se mantenha por muitos anos, é melhor procurar ajuda", afirma o analista comportamental Victor Mangabeira. "O luto tem etapas, mas não pode se prolongar indefinidamente."




(texto publicado na revista Veja São Paulo de 7 de setembro de 2016)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O luto na era digital - Fernanda Allegretti


A devastadora experiência de se ver diante da morte de filhos, cônjuges e outros entes queridos ganha um aliado para superá-la: o compartilhamento da dor nas redes sociais

Ninguém ouviu quando o telefone fixo tocou no meio da sala. Eram quase 5 da madrugada de um dia que, reza a tradição, precede uma noite feliz: 24 de dezembro. Depois de um breve silêncio tomou conta da casa de novo, o celular do médico Wladimir Taborda, hoje com 57 anos, soou à sua cabeceira. Ele atendeu. Do lado de lá da linha, uma mulher avisava que Gabriel, seu enteado e filho do meio da jornalista Cynthia de Almeida, 60, tinha batido o carro. "Iel", como era chamado pelos mais próximos, saíra poucas horas antes, após reunir os amigos para ensaiar músicas que tocaria na festa de Natal. Aos 20 anos, havia acabado de passar no vestibular para publicidade. Wladimir pediu para falar com o rapaz. A desconhecida, uma paramédica do Samu, respondeu que não era possível, mas ele dissimulou sua preocupação.

Imaginando que o marido sairia apenas para ajudar o filho a resolver problemas burocráticos, Cynthia voltou a dormir assim que o médico deixou a residência da família - no Morumbi, Zona Sul de São Paulo, rumo à Zona Oeste da capital, onde tinha ocorrido o acidente -, seguindo a orientação da paramédica. "Nem de longe pensei que meu filho pudesse estar machucado, que algo de mais grave pudesse ter acontecido", relembra a jornalista, que, naquela véspera de Natal de 2001, despertou instantes depois, estranhando a falta de notícias. Telefonou uma, duas, três,  quatro vezes para o marido. Quando a ligação pareceu se completar, "só ouvi vozes ao longe e um som que interpretei como risadas. Pensei: estão se divertindo e nem lembraram de me tranquilizar!", conta Cynthia, que até hoje não consegue esclarecer a confusão daquele momento. Ela insistiu, e Wladimir, que convivia com Gabriel desde que ele tinha 5 anos de idade, enfim, atendeu. Chorando. Diz a jornalista: "Ficou tudo claro naquele centésimo de segundo. Nada o faria chorar senão a morte do Iel. Mesmo que a situação fosse de extrema gravidade, ele, por ser médico, estaria envolvido no processo para tentar salvá-lo. Chorar, Wladimir só faria diante da irreversabilidade da morte". Atônita, incrédula, Cynthia se viu na dolorosa contingência de ter de avisar o pai do rapaz, seus irmãos, avós. Não, aquele dia não teria uma noite feliz.

Evidentemente, não é possível ranquear, numa escala de dores, o sofrimento provocado pela morte de alguém. Contudo, alguns estudiosos ratificam a ideia disseminada pelo senso comum de que a mais irremediável das perdas seja a de um filho. O psicólogo inglês John Archer, professor da Universidade Central de Lancashire e autor do livro The Nature of Grief: The Evolution and Psychology of Reactions to Loss (A Natureza da Dor: Evolução e Psicologia das Reações à Perda), de 1999, arrisca uma explicação: a força de um vínculo e a intensidade e duração do luto resultantes do laço interrompido são proporcionais ao grau de envolvimento genético que se tem com aquele que partiu. Para Archer, quando se perde um filho, perde-se a "imortalidade genética"; em outras palavras, a possibilidade de a vida, em alguma medida, continuar a existir.

Suportar essa perda inominável, que produz "órfãos" às avessas - "Não há palavra para definir os pais que perdem um filho, e não só em português", atesta o gramático e filólogo Evanildo Bechara -, tem se mostrado, cada vez mais, uma tarefa levada a cabo por meio do compartilhando das feridas. É algo que a era digital vem facilitando de maneira notável, em especial por meio de sites especializados e das redes sociais. "A cultura ocidental oferece poucas alternativas de suporte ao processo do luto, e muitas pessoas estão recorrendo à internet para vivenciar seus sentimentos diante da morte de entes queridos", diz Regina Szylit, professora de enfermagem na Universidade de São Paulo e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa em Perdas e Luto. Em um recente levantamento feito por ela e sua equipe, e obtido em primeira mão por VEJA, os pesquisadores concluíram que a maior parte dos blogs dedicados ao luto era feita por mães que perderam seus filhos. Em um dos depoimentos colhidos pelo núcleo, uma delas declarou: "Na vida off-line, todos tratam a nossa dor de forma fria. Ficam incomodados quando começamos a falar, criam um distanciamento e constrangem os enlutados. Já no mundo on-line, a dor não pode ser calada. E lerá quem quiser".

Pode parecer contraditório que um ambiente marcado pela difusão de momentos de alegria e descontração seja receptivo à temática da morte, mas pesquisadores da Universidade de Washington, em mais um recente estudo sobre o tema, concluíram que as redes  sociais estão fomentando o debate sobre o luto justamente por tirá-lo da esfera privada e torná-lo público. A demanda por ler e falar sobre o assunto na web também fica evidente diante dos números do site brasileiro Vamos Falar sobre o Luto?. Criado há apenas seis meses por cinco publicitárias e duas jornalistas - uma delas, Cynthia de Almeida, de quem se falou no início desse texto -, com o objetivo comum de disponibilizar uma plataforma de informação, inspiração e conforto para os enlutados e ex-enlutados de toda espécie, o endereço vamosfalarsobreluto.com.br já soma 1 milhão de unique visitors. Logo na estréia, foram 100.000 visualizações. A cada mês o site recebe cerca de 100 histórias sobre a morte de alguém próximo. "Apesar de o acidente com meu filho ter acontecido há quase quinze anos, por causa do projeto estou sempre falando do Gabriel, e as memórias que tenho dele estão mais vivas do que nunca", afirma Cynthia. Não é que durante todo aquele tempo a jornalista tivesse guardado só para si as lembranças de Iel: desde que ele encontrou a morte ao perder a direção naquela madrugada de 2001, familiares e amigos se reúnem perto da data de seu aniversário para celebrar a vida que o jovem teve. Todavia, com o Vamos Falar sobre o Luto?, essa possibilidade se alargou e, mais do que isso, a fez chegar a outras pessoas que passaram por trauma semelhante.

Não existem dados estatísticos sobre sites voltados a esse propósito, mas o Vamos Falar sobre o Luto? não é uma iniciativa isolada. Em junho, o empresário Roberto Dhelomme criou o Etternum, um serviço virtual de homenagens póstumas. Lá, o usuário cria um perfil da pessoa que partiu e convida os mais próximos a colaborar com textos, fotos e vídeos. É como uma rede social acessível apenas a convidados. No Brasil, há ainda o 4estacoes.com, criado por psicólogas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com a intenção de provocar uma mudança na forma como a sociedade encara o luto. Em inglês, o site modernloss.com trata do assunto com delicadeza e até com um toque de humor. Feito por duas jovens americanas que perderam os pais, traz orientações para quem acaba de perder um ente querido. É possível encontrar, também em inglês, endereços dedicados exclusivamente a reunir lembranças daqueles que se foram para sempre. No americano Memoires.com, o usuário abre uma página em que pode contar a história da pessoa que morreu, deixar fotos e vídeos. Há a opção de compartilhar ou não o material.

Desde 2015, seguindo a tendência de abordar a morte de parentes e amigos no circuito digital, o Facebook oferece a seus usuários a possibilidade de eleger um "herdeiro de conta". A página da pessoa falecida se torna um memorial - e o herdeiro passa a administrá-la. Nesse caso, a expressão "Em memória de" surge ao lado do nome do titular original da conta e o conteúdo compartilhado em vida por ele permanece disponível aos seus contatos. SE nenhum herdeiro é indicado, a empresa dá duas opções aos familiares: deletar a conta ou transformá-la em memorial, se a alternativa de eleger um administrador.

O luto, deve-se sublinhar, não é um doença. Sendo assim, não tem um conjunto de sintomas que gradualmente vão se desvanecendo. E não existe, claro, uma receita para atravessá-lo, até porque a morte não tem o mesmo significado em todas as culturas. Religiões asiáticas como o hinduísmo e o budismo, conhecidas por lidar com a morte de maneira menos amargurada, consideram-na um período de renovação, de preparação para a reencarnação. Segundo o budismo, ela não marca o fim da existência, apenas o fim do corpo que tivemos nesta vida. Na mesma linha, o espiritismo entende o "morrer" como "desencarnar". Em Luto e Melancolia (1917), o  austríaco Sigmund Freud (1856-1939), criador da psicanálise, define o "trabalho do luto" como um "teste da realidade", capaz de revelar que o objeto amado não existe mais, e a demandar que toda a "libido" - "energia", no contexto usado pelo pensador - seja retirada das ligações com o referido objeto. Escreveu Freud: "Normalmente, prevalece o respeito pela realidade, ainda que suas ordens não possam ser obedecidas de imediato. São executadas pouco a pouco, com grande dispêndio de tempo e de energia, prolongando-se psiquicamente, nesse período, a existência do objeto perdido".

Alguns especialistas, é verdade, chegam a identificar fases - negação, raiva, angústia, aceitação - que, entretanto, não precisam necessariamente se suceder. Há também quem divida os enlutados em dois grupos: o instrumental e o intuitivo. O primeiro grupo, associado com maior frequência aos homens, reúne indivíduos que não falam abertamente sobre suas emoções e expressam o luto por meio de ações como, por exemplo, fundar uma ONG. Já o segundo, relacionado na maioria das vezes às mulheres, aproxima pessoas que falam a respeito de suas perdas e demonstram em público seus sentimentos. "Não há nada de errado em não querer compartilhar o luto na internet ou mesmo com os mais próximos. No entanto, se precisasse dar um único conselho a pais que perderam seus filhos, eu diria a eles que não negligenciassem a comunicação", ressalta, do alto de seus 88 anos de idade, o psiquiatra inglês Colin Murray Parkes, um dos mais respeitados pesquisadores do luto em atividade no mundo. Em seu livro Amor e Perda (2006), Parkes menciona um estudo que apontou um dado revelador: um terço dos casais que perderam o filho subitamente paassou a ter problemas conjugais. "Falar das diferenças de como vivenciam e expressam sua dor ajuda os membros da família a ser mais pacientes e compreensivos uns com os outros, e evita que sejam mal interpretados", esclarece a psicóloga Heather Servaty-Seib, professora de tanatologia na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. O casal Fernando Pfister e Verônica Dutra constatou isso na prática. Ao perderem os quatro filhos, em 2011, marido e mulher chegaram a pensar em suicídio. Testemunha Pfister: "É importante superar por completo uma tragédia como essa, mas, se ela não tivesse me dado apoio e vice-versa, seria ainda pior. Hoje, podemos dizer que voltamos a viver momentos de alegria".

Em mais de cinco décadas dedicadas à pesquisa do luto, Colin Murray Parkes identificou que a idade e a expectativa de mortalidade infantil influenciam o modo como os pais encaram a perda de um filho. "Uma ligação crucial se estabelece após o nascimento do bebê e cresce no curso dos próximos dois anos", observa. "Não estou afirmando que as mortes antes desse período não possam ser traumáticas, porém as estatísticas mostram que o risco de um luto se tornar problemático aumenta conforme a criança cresce." Por outro lado, em regiões onde as taxas de mortalidade infantil são altas, constata-se uma condescendência maior dos pais. "Lembro-me de uma mãe do Nordeste brasileiro que, ao saber que o filho recém-nascido tinha sucumbido, declarou: "Era só um bebê", narra Parkes. O pensador francês Michel de Montaigne (1533-1592) corrobora a teoria do psiquiatra britânico. Em um de seus Ensaios (1580), escrito pouco tempo depois de encerrada a Idade Média, refletiu: "Perdi dois ou três filhos pequenos, não sem tristeza, mas sem desespero". Foi somente no mundo moderno - e nas sociedades mais desenvolvidas - que a morte de uma criança passou a se tornar menos corriqueira. E com a ampliação do número de famílias menores, um traço marcante da contemporaneidade, o vínculo entre pais e filhos estreitou.

Até há bem pouco tempo, bebês natimortos raramente eram apresentados a seus genitores. Isso trazia uma consequência irreparável: o casal não guardava um registro concreto da imagem do filho. Uma prova da mudança radical nesse cenário é a ONG americana Now I Lay me Down to Sleep (Agora Eu me Deito para Dormir). Fundada em 2005, ela reúne 1 700 fotógrafos em quarenta países - o Brasil ainda não está na lista - treinados para registrar bebês que nascem mortos ou vivem poucos dias. Consta que retratar "anjinhos", como se costuma chamar as crianças mortas, não era algo estranho em Itabira (MG). Ainda assim , o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) desaprovou a foto feita de seu filho Carlos Flavio, que morreu trinta minutos após o nascimento. Quando Carlos Flavio veio ao mundo, em 1927, a cada 1 000 bebês nascidos vivos, 162 morriam - hoje são catorze. A expectativa de vida era de apenas 36 anos, contra os atuais 75. A morte era mais presente, mas não deixava de se associar ao sofrimento. No século XVII, a Inglaterra relacionava óbitos que considerava ter o luto como causa. O médico americano Benjamin Rush (1746-1813), signatário da Declaração da Independência, anotou em uma de suas obras que pessoas mortas quando ainda se encontravam enlutadas mostravam "congestão e inflamação do coração, com ruptura nos aurículos e ventrículos".

Sabe-se hoje que quem perde uma pessoa próxima fica mais exposto a doenças, especialmente as cardíacas, contudo o luto não é considerado causa de morte. No caso de pais que perderam um filho, o "teste de realidade" a que se referia Freud precisa ser "trabalhado" para que eles consigam redefinir suas vidas sem a presença do herdeiro que se foi. Drummond não conseguiu. Submetido, pela segunda vez, a esse incomensurável sofrimento, ao ver a única filha, Julieta, de 59 anos, partir para sempre, o poeta se entregou: morreu doze dias depois dela, em 17 de outubro de 1987. O publicitário Paulo Camossa, que perdeu a filha Amanda em 2008, quando ela estava com apenas 18 anos, encontrou forças para resistir ao teste e admitir a realidade: "No início, parece que a dor nunca vai passar, mas um dia você acorda e o primeiro pensamento não é mais a sua filha, embora as lembranças dela venham à mente em muitos outros momentos. É possível, então, viver em paz, porque a partida não pode ser maior que o tempo que passamos juntos". Há algo de esperançoso em pensar que a retomada da vida pelos pais seja uma forma de vencer a morte de um filho. É como dar a ele uma, por assim dizer, "imortalidade genética". Dar vida a um filho: não é isso mesmo que, por definição, cabe aos pais?




(texto publicado na revista Veja edição 2500 - ano 49 - nº 42 - 19 de outubro de 2016)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Estavam tão felizes que não postavam nas redes sociais (A soma de todos os afetos)


Utilizar as redes sociais de modo saudável implica em não buscar a aprovação dos seus contatos e não sentir a necessidade de que essas pessoas saibam o que você faz a todo momento

O uso das redes sociais já faz parte da vida das pessoas. São muitos os que têm perfis no Facebook, Twitter, Instagram…

São, sem dúvida alguma, um mecanismo maravilhoso para compartilhar vivências, pensamentos, e, graças ao ambiente atual, também é possível acompanhar notícias e assuntos que nos fazem aprender.

É como se o mundo inteiro estivesse ao alcance das nossas mãos em somente um clique e, são elas, as redes sociais, que mais nos ajudam nessa característica tão básica do ser humano: a comunicação e a interação.

Mas, como tudo na vida, cada objeto, espaço ou mecanismo, desempenhará a função que cada um de nós dará de acordo com as nossas necessidades, personalidade e motivação.

Os psicólogos nos explicam que as redes sociais atuam como mecanismos de defesa para muitas de nossas carências, de nossas necessidades, essas das quais, muitas vezes, não temos consciência e que nós projetamos nesses espaços que vão muito além de uma simples interação social.

Quantas pessoas você conhece em seu círculo social que estão acostumadas a publicar seus estados de ânimo ou suas relações afetivas, no Facebook ou Twitter o tempo todo? Hoje vamos falar sobre os processos psicológicos mascarados nesses costumes.

O perfil saudável das redes sociais

Existe um comentário muito popular que é comumente dito nas redes sociais: “O mundo está cheio de mortos-vivos e a maioria deles se esconde no Facebook”.

O que isso quer dizer? A internet serve como uma ferramenta para muitas pessoas para ficar em evidência e aparentar ter uma vida que, na realidade, não possuem. 

No entanto, podemos dizer que grande parte dessas pessoas que usam as redes sociais faz isso de maneira saudável, pois dispõem de algumas características:

As redes sociais não são uma parte essencial e necessária em suas vidas. São um complemento e uma forma de comunicação para compartilhar experiências com pessoas que veem todos os dias, ou com as quais mantêm uma relação frequente e real.

O comportamento e a personalidade das pessoas que utilizam as redes sociais de forma saudável não mudam de meio para meio, ou seja, mantêm as mesmas atitudes, independente do meio em que se encontram. Portanto, são pessoas centradas que controlam adequadamente suas emoções e sabem expressá-las nos meios adequados.

Um exemplo? Quando se está aborrecido com algum companheiro de trabalho, não é através das redes sociais, enviando uma mensagem privada ou até publicando em seu mural para que todas as pessoas saibam da situação, a melhor maneira de comunicar-se. O correto é ser direto e conversar pessoalmente, sem a necessidade do conhecimento ou envolvimento de outras pessoas.

As pessoas saudáveis sabem quando “se desconectar”. Não são reféns dos seus telefones celulares e do que ocorre nas redes sociais. A vida real é muito mais apaixonante.

Publicam as boas notícias nas redes sociais somente pelo prazer de compartilhar com as amizades essas emoções positivas. Não possuem o desejo de “engrandecer-se” e não buscam ser prepotentes ou aparecer.

Também não sentem a necessidade de que todos os seus contatos (conhecidos ou não) saibam cada dia o que fazem ou deixam de fazer, o que pensam ou sentem. As pessoas que utilizam as redes sociais de modo saudável têm o conceito de “intimidade” muito bem definido.

Comportamentos pouco saudáveis nas redes sociais

A nossa vida e o nosso cotidiano não seriam o que são sem o apoio diário da internet. Ela é mais do que uma ferramenta de trabalho, podendo dizer também que torna nossas vidas mais fáceis, nos instruindo e enriquecendo de informações.

Entretanto, existem pessoas que, sem chegar a ser ofensivas, não utilizam de modo correto as redes sociais.

Convidamos você a conhecer alguns interessantes aspectos.

Em busca dos apoios psicológicos

Há pessoas que publicam estados ou fotografias em suas redes sociais devido à necessidade natural de encontrar um apoio. Esses “likes” são muito mais do que uma opção no Facebook ou um favorito no Twitter:

É obter uma gratificação.

É que alguém diga “que gosta” de uma fotografia postada, onde a pessoa aparece com um vestido ou um penteado novo. Com isso, aumenta a autoestima e, por sua vez, mostra aos outros “o quanto atrativa essa pessoa é em comparação as demais”.

Obter um apoio imediato e rápido. Não ter que esperar sair na rua para que as outras pessoas a vejam e digam algo. Em poucos segundos, obtém-se uma infinidades de apoios psicológicos.

As redes sociais são escudos protetores

A internet pode mostrar tal e como eu gostaria de ser. Posso ser mais atrevido, posso estabelecer relacionamentos afetivos nas redes sociais, pois nela me sinto mais seguro do que na vida real.

As redes sociais nos permitem, inclusive, criar uma personalidade nova e utilizar até mesmo uma imagem falsa de perfil. Tudo isso são, na verdade, comportamentos tão perigosos para as outras pessoas como destrutivos para nós mesmos.

Pensar que se não estamos nas redes sociais “não existimos”

Certamente já aconteceu isso alguma vez: você se encontra com alguém e pergunta, com tom irônico “Mas, quem é essa (e) em sua vida? Você já não posta mais nada no Facebook!”. Diante disso, geralmente olhamos à pessoa que fez essa pergunta e dizemos com tranquilidade: “Tenho uma vida além das redes sociais”.

Ou seja, há quem credita de que se você não publicar o que faz ou o que está vivenciando é como se, na realidade, nada estivesse acontecendo.

Toda experiência só adquire sentido no momento em que aparece no mural do Facebook e aparecem os likes e comentários. É só assim que você se sente aliviado, reconhecido e tranquilo.

Evitemos estes tipos de cosais. A vida é muito mais charmosa se sairmos para vivê-la, se guardamos as coisas para nós mesmos sem a necessidade de expor tudo a terceiros.

Pratiquemos no íntimo e no pessoal isso de “estavam tão felizes que não publicavam nas redes sociais”.

terça-feira, 7 de junho de 2016

25 erros que as empresas cometem na redes sociais - Camila Porto


Especialista em Internet Marketing, Camila Porto lista os maiores erros das empresas na hora de usar ferramentas como Facebook, Instagram e outros.

Especialista em Internet Marketing, Camila Porto é uma das maiores autoridades no assunto, tendo formado mais de 6 mil empreendedores para anunciar no Facebook por meio dos seus treinamentos online. Sempre que discute com empreendedores e profissionais de mídias sociais, Camila se depara com muitos erros cometidos pelas empresas. "É preciso estar atento para corrigi-los no mesmo instante, caso contrário os investimentos em anúncios podem se transformar em dinheiro jogado fora", alerta a especialista, que lsita os 25 erros mais comuns que as empresas cometem nas redes.

1 - Achar que vender na web é fácil

Muita gente acredita que, ao fazer um anúncio no Facebook, vai conquistar rápidas vendas. "Vender é difícil em qualquer lugar, por isso é preciso encarar a venda online como um processo tão complexo quanto a venda física", explica Camila. "A vantagem da rede social é que o anúncio é focado no público-alvo".

2 - Não identificar oportunidades de negócio

"Quem vai empreender online precisa ficar de olho nas oportunidades, usando sempre a tecnologia a seu favor", explica a especialista, que destaca a importância de observar o que o público mais precisa no momento, como um aplicativo novo ou uma solução para um problema atual.

3 - Achar que todo mundo vai comprar

Segundo a especialista, é preciso delimitar o público-alvo. "Mesmo um produto que pode ser comprado por todo mundo deve ser anunciado para um nicho específico", destaca. A linguagem e a rede social devem ser condizentes com o público.

4 - Encarar como um "trabalho fácil"

Muita gente associa o trabalho em redes sociais com a expressão "ganhar dinheiro online". A especialista alerta que o termo correto é "trabalhar online", já que ganhar dinheiro requer muito esforço. "Para o seu negócio ser financeiramente saudável, você precisa ter um fluxo de caixa, previsibilidade de receitas, entradas recorrentes e controle de gastos", resume.

5 - Acreditar nos antigos paradigmas de trabalho

Camila destaca que trabalhar online pode ser libertador quando se compreende que é possível atuar de qualquer lugar. "Por isso, o trabalho com redes sociais pode durar muito menos ou muito mais que as tradicionais 40 horas semanais", explica.

6 - Manter-se apenas com um plano

Camila ensina que o mundo online está sempre mudando, e por isso nem sempre é possível manter os mesmos planos. "Faça os anúncios sempre pensando em um plano B, assim como o seu próprio negócio deve ter uma segunda opção na manga", resume a especialista.

7 - Deixar de lado o espírito empreendedor

A autora do livro Facebook Marketing ensina que ter um CNPJ não faz de ninguém um empreendedor, e para estar nas redes sociais é preciso ter espírito empreendedor o tempo todo. "Para ser empreendedor é preciso aceitar riscos, e ainda seguir com determinação, liderança, visão, coragem e competência", resume Camila Porto.

8 - Dedicar-se parcialmente

Segundo a especialista, ter um negócio online e anunciar nas redes sociais exige dedicação, total. "Esquecer um anúncio ou olhar para as redes sociais apenas quando tiver tempo sobrando é uma forma muito ruim de lidar com este tipo de investimento", ensina.

9 - Investir demais

Mais do que investir altas quantias em anúncios no Facebook, Google, Instagram e outras redes, Camila destaca que é preciso ter um planejamento. "É melhor investir um pouco de forma bem planejada e para um público específico, que muito dinheiro para um público que não vai comprar seu produto ou serviço", destaca.

10 - Investir de menos

"Muitas vezes, o empreendedor tem esperança de que no dia seguinte vai dar certo, e continua gastando em anúncios sem ter resultado", destaca Camila sobre anúncios especialmente no Facebook. O ideal, segundo ela, é acompanhar diariamente o andamento de todo anúncio. "Mas é preciso tomar cuidado ao mudar o anúncio demais, pois às vezes se perde a capacidade de avaliar o que está funcionando ou não."

11 - Ser ofensivo

Para estar nas redes sociais, é preciso se comunicar na linguagem do público e interagir sempre. No entanto, a especialista alerta para que as empresas não exagerem. "Acredito que vale a pena correr riscos com conteúdo ou linguagem que saia da curva, desde que não seja ofensivo", conta.

12 - Ser falso ou pouco autêntico

Segundo Camila Porto, é preciso que toda marca tome cuidado para não ser falsa. "As pessoas sabem quando a marca faz alguma coisa só para pegar carona em uma situação, por isso é preciso ser verdadeiro", explica. Autenticidade é primordial para a imagem de um produto.

13 - Achar que anúncio é máquina de fazer dinheiro

Camila ressalta que muitos empreendedores pensam que, ao anunciar no Facebook, terão vendas automáticas. "É preciso ter uma estratégia e saber o que está fazendo. Qualquer pessoa pode fazer um anúncio, mas fazer com que ele dê resultado é mais complicado", resume.

14 - Comunicar-se nas redes sociais diferente da "vida real"

No caso de negócios físicos que atuam nas redes sociais, a especialista ensina que é preciso haver um alinhamento da linguagem online e a forma de se comunicar nos meios off-line. "Não adianta agir de uma forma no Facebook e de outra maneira na loja", exemplifica.

15 - Conhecer o público-alvo superficialmente

Camila Porto explica que é preciso conhecer o público com mais profundidade que apenas saber faixa etária e classe social. "Precisamos ir mais fundo e saber dos desejos, medos, sonhos e necessidades que podem ser atendidas pela sua comunicação e que vão além do produto em si", destaca.

16 - Não se relacionar

A especialista resume que rede social é feita para se relacionarem uns com os outros. "Ninguém entra nas redes sociais para comprar, mas para se relacionar e como o relacionamento faz parte da venda, ninguém compra de uma empresa ou pessoa que não conhece", ensina Camila, que ressalta a importância de oferecer informações e criar um sentimento de comunidade antes de querer vender.

17 - Prender-se a apenas uma ou duas redes sociais

Segundo a especialista, existem muitas redes sociais que podem ser aproveitadas, e prender-se apenas às mais famosas pode não ser uma boa solução. "Alguns negócios pedem atendimento ao cliente pelo Whatsapp, enquanto outros encontram seu público no Instagram e alguns empreendedores devem investir no Snapchat", exemplifica. O ideal é ficar de olho nas tendências.

18 - Fazer apenas "propaganda" no Facebook

Camila Porto avisa que um dos maiores erros de uma marca é publicar apenas divulgação, promoções e produtos nas redes sociais. Redes sociais não são vitrines, explica. "Publique o conteúdo que seu público deseja ver e construa uma boa relação com ele".

19 - Não responder aos comentários

Como a rede social foi feita para interagir com o público, é um problema muito grave quando a página não responde aos comentários e às mensagens. "Não basta responder, é preciso responder o mais rápido possível, e de preferência com a informação que a pessoa busca", ensina.

20 - Achar que sabe de tudo sobre as redes sociais

Lembrando que o mundo das redes sociais está sempre mudando, Camila Porto reforça que é preciso conhecer e estudar sempre mais. "Não importa o quanto você sabe sobre anúncios e conteúdo das redes, é preciso estar atento às novidades, e e também às mudanças de regras dos anúncios, por exemplo", ensina.

21 - Não usar Call to Action

"Todo anúncio precisa exigir alguma ação de público-alvo", explica Camila, referindo-se ao que o marketing digital chama de "call to action". Segundo a especialista, o usuário precisa clicar para ir a uma página, reservar o produto, cadastrar-se ou baixar alguma coisa, entre outras possibilidades.

22 - Trabalhar com imagens sem entender do assunto

Com toda sua experiência, a especialista conta que um dos fatores mais importantes para o sucesso de uma marca nas redes sociais são as imagens utilizadas. "É importante ter o conhecimento da área de design, ou contratar um profissional capacitado", destaca.

23 - Fazer sempre as mesmas coisas

Camila destaca que é importante variar as estratégias do tipo de conteúdo. "Se você fez imagens, pode tentar o uso de gifts, por exemplo". Ela também lembra que, recentemente, o Facebook passou a valorizar muito a produção de vídeos. "Não fique sempre produzindo as mesmas coisas, tente variar", sugere.

24 - Mentir e não dar ouvidos ao cliente

Na hora de se relacionar com o cliente, Camila destaca que é importante nunca mentir e nem fingir que o cliente não tem razão. "Fale sempre a verdade, mesmo que isso signifique dizer que você não sabe ou que a empresa errou", destaca. A especialista adverte que fingir que uma reclamação não aconteceu pode acarretar em consequências graves.

25 - Apenas fazer - e não analisar os resultados!

Por fim, a especialista ensina que o grande segredo de se trabalhar com redes sociais é analisar os resultados, especialmente no caso de anúncios. "Verifique sempre como as pessoas estão respondendo ao seu anúncio e que imagens ou conteúdo mais chama a atenção", ensina. Camila Porto lembra que muitos empreendedores apenas publicam e anunciam, sem analisar ou pensar na melhor forma. "É preciso fazer bem feito, e para isso é preciso analisar e pensar antes de simplesmente publicar", conclui.


(texto publicado na revista Leve & Leia nº 139 - ano 9 - junho de 2016)

sábado, 23 de abril de 2016

Festival de besteiras - Flávio Tiné


O Facebook é uma praça virtual, com a opção de desfilar por outras praças do mundo

Entrar no Facebook todos os dias e acompanhar as novidades postadas por amigos e desconhecidos geralmente é uma boa maneira de começar o dia. Não é a mesma coisa que ler os jornais, que já fizeram uma seleção natural dos principais acontecimentos do dia anterior e publicam artigos interessantes, dando uma visão abrangente dos fatos em evidência. O maior inconveniente é acompanhar incidentes que são importantes para quem os denuncia, mas não interessam a quem vive distante do problema.

Buraco na calçada, cachorro desaparecido, menino com doença rara, aniversário, batizado e casamento, tudo isto pode interessar às pessoas envolvidas, como parentes e amigos próximos, mas não ao grande público das redes sociais. É verdade que se consegue agitar qualquer reivindicação por meio dessa nova modalidade de comunicação, mas nem sempre há interesse, especialmente quando essa reivindicação é específica. Recentemente, na segunda semana de dezembro de 2013, dois irmãos de 16 e 17 anos convocaram adolescentes para um encontro no Shopping Center Aricanduva, em São Paulo. Não se pode prever o que irá acontecer com milhares de jovens circulando pelo interior de um centro comercial. No mínimo, correrias, arrastões e saques.

Um dos grandes inconvenientes desse novo hábito é acompanhar um festival de besteiras sem precedentes no rol de ociosidades mais ou menos forçado a que nos submetemos. Já sei, é só desconectar. É só fazer outra coisa. Como se faz com o controle remoto, é só mudar de canal e o problema estará resolvido. Acho que todo mundo já fez isso, para em seguida, horas depois ou no dia seguinte, voltar ao besteirol. Todos os dias leio mensagens de pessoas inteligentes, como o escritor Raimundo Carrero, comunicando a decisão de abandonar o hábito de postar algo em torno de suas atividades, decepcionado com o tal besteirol ou com a atitude de determinadas intervenções. Dia seguinte, reaparece com a informação de um encontro maravilhoso, uma viagem inesperada ou um convite.

Somos obrigados a ler a reler manifestações sobre a cara feia da mulher do presidente dos Estados Unidos porque o marido posou ao lado de uma loira, repetição sobre suposto assassinato de Juscelino Kubitschek, acusações ou insinuações contra tudo e contra todos sem comprovação etc.

O festival de besteiras que assola as redes sociais não tem precedente. Não se sabe se ficar o dia todo debruçado sobre um computador é melhor do que sentar num banco de praça ou passear numa avenida ou num shopping center, que também é muito divertido. O Facebook é uma praça virtual, com a opção de desfilar por outras praças do mundo e a possibilidade de viajar pela pesquisa sem fim. Você faz e desfaz seu festival de besteiras, como lhe aprouver.


(texto publicado na revista Medicina Social nº 225 - ano XXXI - abr/maio/jun de 2014)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Redes sociais e a segurança de seus filhos


Pais de crianças da era digital, sabem da dificuldade de manter os filhos longe da tecnologia, principalmente se ela atende pelo nome de Smartphone. Proibir não adianta. A solução, ainda é a compreensão básica do que seu filho está fazendo para orientá-lo sobre o que é ou não seguro.

Os pais precisam manter um diálogo e, através dele, partilhar as boas e más experiências online. Ficar de olho e acompanhar as últimas tendências das redes sociais.

A mais nova mania em uso pelos adolescentes é o Snapchat, um aplicativo que permite aos usuários tirar fotos de si mesmo, selecionar a quem essas fotos serão enviadas e, em seguida, estabelecer um prazo de até 10 segundos, após isso elas são apagadas.

O aplicativo ganhou a preferência dos adolescentes por poder ser usado sem que os pais ou responsáveis façam parte da rede. Diferente do Facebook, Twitter e Instagram onde pais estão presentes em seus círculos, monitorando as atividades dessas redes.

Como a maioria dos pais não têm ideia das possibilidades do Snapchat, as atividades fogem do controle dos adultos, ficando restritas apenas a visualização de amigos dos adolescentes.

O perigo do Snapchat é a falsa ilusão de segurança quando se trata de tirar fotos de imagens inadequadas e enviá-las para seus amigos. A ilusão de autodestruição das imagens, faz aumentar o uso indevido de fotos íntimas pelos adolescentes. O chamado "sexting", que significa compartilhar fotos nuas ou seminuas, com Snapchat.

O Snapchat é um risco quando usado incorretamente entre os adolescentes que podem ficar expostos ao assédio moral e ser vítimas de pedófilos.

Se seu filho está usando Snapchat, converse com ele sobre o uso apropriado do App. Para saber se ele está ou não usando o aplicativo, é só ver no Smartphone dele tem um ícone com um quadrado amarelo com um fantasma dentro.



(texto publicado na revista Viva! Bonfiglioli nº 08)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Os órfãos do Orkut - Paula Rocha


Superada pela concorrência, rede social adotada por milhões de brasileiros, que formou casais, amizades e até negócios, sai do ar e deixa milhares de usuários fiéis saudosos

O casal de noivos Ricardo Ribeiro da Silva, 29 anos, e Andressa Linhares, 24, teve seu primeiro encontro em um lugar até então pouco usual: uma sala de bate-papo de uma rede social. Em 2008, os dois jovens se conheceram num grupo de discussão sobre a banda de rock americana Incubus, em uma dos mais de 52 milhões de comunidades do agora extinto Orkut. O site, primeira rede social de sucesso entre os brasileiros, saiu do ar na semana passada, deixando milhares de usuários saudosos. Segundo o Google, o fechamento foi necessário para concentrar energias e recursos em outras plataformas do grupo, como YouTube, Blogger e Google+. A decisão do gigante da tecnologia, no entanto, gerou protestos de internautas brasileiros, que criaram até uma petição online para impedir a extinção da página. O pedido, porém, não surtiu efeito. No dia 30 de setembro, o Orkut chegou a seu aguardado e lamentado fim.

Criado nos Estados Unidos, em 2004, pelo desenvolvedor turco e funcionário do Google, Orkut Büyükkökten, o site se manteve como a rede social mais popular do mundo durante sete anos, e grande parte desse desempenho se deveu aos usuários brasileiros. Apenas cinco meses após seu lançamento, 31% da audiência do Orkut vinha do Brasil e, um ano depois, esse número chegou a 50%. Em 2009, no auge da popularidade, 75% dos internautas brasileiros, um contingente de 35 milhões de pessoas, acessavam o site diariamente. No fim de 2011, contudo, o Orkut perdeu o primeiro lugar para o ascendente Facebook e, meses antes de seu fechamento, registrava apenas seis milhões de acessos mensais mundiais, contra cerca de 67 milhões do principal concorrente.

Apesar do desprestígio e da crescente queda de acessos, muitos integrantes do Orkut continuavam frequentando o site, especialmente por conta das comunidades de discussão sobre os mais variados tópicos, recurso que não é oferecido da mesma forma pelo Facebook. O sucesso de determinadas comunidades foi tão grande que algumas até viraram um negócio. Caso do fórum de discussão "Doentes por Futebol", que reunia mais de dez mil integrantes e hoje é uma empresa de conteúdo que atinge milhões de internautas no Brasil. Um dos administradores da "Doentes", o publicitário paulista Felippe Garcia, 30 anos, lamenta o fim da rede social onde nasceu sua empresa. "Eu acessava o Orkut todos os dias, há dez anos. Usava o site como uma ferramenta para debates e para adquirir conhecimento", diz. "A notícia de que o Orkut encerraria suas atividades foi triste. Sem dúvidas irei sentir falta", afirma o empresário, que, a exemplo de muitos brasileiros, já migrou para a rede social russa VK, uma espécie de Facebook europeu que permite a criação de grupos de discussão ao estilo do Orkut.

O conteúdo das comunidades da finada rede social, não está perdido. Desde o encerramento do Orkut, qualquer pessoa que acessar o endereço do site poderá ler os tópicos e comentários de todos os grupos de discussão públicos criados entre janeiro de 2004 e setembro de 2014. Criar um tópico ou comentário novo, porém, não é permitido. Os antigos usuários também terão até 2016 para salvar fotos, perfis e dados de comunidades por meio do Google Takeout. O casal Ricardo e Andressa fez questão de salvar os álbuns de fotos que exibiam no Orkut, com imagens que marcaram sua história. "Eu tinha no Orkut a foto do nosso primeiro encontro pessoalmente", conta Andressa. Apesar de não acessar mais o site, a empresária catarinense também se diz chateada com o fim da rede social. "O Orkut tinha um perfil mais família do que qualquer outra rede social. Lá fiz muitos amigos e conheci meu futuro marido", diz Andressa. "Era um clima amigável e feliz. Já no Facebook tem muita briga", diz.




(texto publicado na revista IstoÉ nº 2341 - 8 de outubro de 2014)