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terça-feira, 24 de maio de 2016

Kryptonita - Diana Corso


Tive todas as oportunidades de emburrecer com a babá eletrônica. Fui uma criança apaixonada pela telinha em preto e branco. Ansiava muito pela hora da tevê começar e me sentia miserável ao término da programação. Dessas extensas jornadas restam muitas memórias, mas uma evocação é insistente: a Kryptonita, proveniente dos desenhos do Superman.

Trata-se de uma arma que era usada contra seus superpoderes. Aproximar dele um fragmento dessa pedra, um mineral verde luminoso, deixava-o indefeso. O mais enigmático é que a Kryptonita era uma das raras coisas provenientes do seu planeta natal, Krypton. Do mesmo lugar de onde se originaram os poderes veio o calcanhar de Aquiles. Essa história sobreviveu na memória por portar uma verdade e um alerta: há um lugar, nossa origem, que determina o que somos, mas é também de onde nossa derrota pode se insinuar.

Não posso omitir a cilada do meu inconsciente: meus dois sobrenomes contêm a palavra "stein" (pedra, em alemão), ou seja, meu passado é uma "pedreira". Mas não só o meu, também o seu, o de todos. A infância, quando os outros são grandes e nós pequenos, é lugar de proteção, mas também de submissão, passividade, medos. O mundo dos pequenos é uma massa escura que não enfrentamos sem uma mão para segurar. Não é fácil lembrar disso. Tornamo-nos fortes e grandes graças ao exílio desse planeta natal da fragilidade. Só ficamos "super" porque crescemos.

Ao voltar à casa dos pais, mesmo velhinhos, sentimos a sensação de que lá o tempo congelou. Perdemos os bons modos, catamos no prato, distraímo-nos ao som da voz da mãe, testamos a força do pai, ficamos irritadiços, por vezes irreconhecíveis. Os lugares do passado são magnéticos, atraem à superfície fragmentos, cacos sobreviventes de outras eras. Atravessar a porta familiar dessa casa é como a queda de Alice no assustador País das Maravilhas. Não é porta, é portal, do outro lado esperam memórias que nos tomam de assalto. Assombrados pelos nossos outros "eus" do passado, descobrimo-nos, como Alice, viajantes surpresos num país de pesadelos, dentro de um corpo que encolhe, espicha e nunca nos abriga direito.

Faz diferença como encaramos e como nos contamos as experiências que vivemos, a mesma história pode ser enquadrada por diversas lentes. Mas nem tudo pode ser posteriormente resgatado, sempre há restos, alguma pedrinha nociva que incomoda. O passado é esse planeta natal, fonte de nossa força e vulnerabilidade.


(texto publicado na revista Vida Simples edição 132 - junho de 2013)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cachorro cai em ribanceira e é resgatado com vida 23 dias depois no Alto do Itajaí (Diário Catarinense)


Após nove horas e meia de operação, o Corpo de Bombeiros de Ituporanga resgatou, no fim da tarde de terça-feira, um cachorro de pequeno porte que caiu em um penhasco de aproximadamente 70 metros em Chapadão do Figueiredo, localidade de Chapadão do Lageado, no Alto Vale do Itajaí.

O socorro foi acionado por volta das 9h por Elcio Vanderlei Ianzen, que há 23 dias ouvia os latidos do animal. A ação só teve fim por volta das 18h30 min. Segundo relato dos soldados Mancilla, Mello e Luis Fernando, agentes que participaram do atendimento, o cão estava em uma fenda há 30 metros do topo da ribanceira. Ele foi resgatado sem ferimentos, porém estava muito debilitado.

Para socorrer o animal, os bombeiros precisaram ir até Chapadão Três Barras, em Ituporanga, onde fica o topo do paredão. Com ajuda de um binóculo, a equipe avistou um local onde o cachorro poderia estar. Os soldados desceram de rapel até a metade do penhasco e localizaram o cão sobre uma pequena pedra à beira da ribanceira.

Elcio, que acompanhou toda a operação, adotou o cãozinho.















terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ONG resgata elefante aprisionado por 50 anos e animal chora (Olhar animal)


Sabia que elefantes podem chorar? O paquiderme Raju derramou lágrimas ao ser resgatado na última sexta-feira por uma organização não governamental, depois de 50 anos aprisionado, na Índia. O animal vivia acorrentado pelas patas e era usado pelo tutor para pedir dinheiro. A ONG britânica Wildlife SOS fez uma operação conjunta com a polícia local para libertar o bicho durante a madrugada.

Foram 10 veterinários, 20 guardas florestais e seis policiais envolvidos no resgate do elefante. "A equipe ficou completamente abismada de ver as lágrimas rolarem durante o resgate. Foi absurdamente emocionante para todos nós. Nós sentimos que ele percebeu que seria liberado", contou o porta-voz da ONG, Pooja Binepal, em entrevista ao jornal britânico Daily Mail. "Elefantes não são só imponentes, mas também muito inteligentes, que já mostraram ter sentimentos de luto. Só podemos imaginar o que meio século de tortura fez com ele".

Segundo o relato de Pooja, o elefante nunca tinha vivido afastado das correntes. A Wildlife SOS soube da existência de Raju exatamente um ano antes de conseguir liberá-lo. Eles buscaram confiscar o animal por vias judiciais. O processo foi atrasado porque o dono do elefante não tinha nenhuma documentação de posse do animal. "O Raju deve ter sido capturado quando era filhote e foi vendido de mão em mão. Nós acreditamos que ele tenha tido incríveis 27 donos", explicou.

"Quando o localizamos, em julho de 2013, suas condições eram patéticas. Ele não tinha abrigo à noite e era usado para pedir dinheiro para turistas. Ele não era alimentado adequadamente, então os turistas lhe davam doces. Devido ao seu estado de fome e exaustão, ele começou a comer as embalagens de papel e plástico.

Assim que eles receberam a autorização judicial, a equipe fez a operação de resgate. O elefante estava muito ferido, sobretudo na região das patas que ficava acorrentada está cheia de abcessos. "Será um processo longo de reabilitação, queremos ensiná-lo que os humanos não são símbolos só de dor e brutalidade, mas vai demorar. Quando estiver pronto, vai começar a conviver com outros dois elefantes, Rajesh e Bhola, que também sofreram uma crueldade indescritível", explicou.