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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Bem-estar: Cérebro, vida saudável e intestino - Darlene Ponciano Bomfim


Cerca de 20% da população brasileira apresenta problemas de "prisão de ventre", a maioria mulheres. Esta queixa cresce a cada dia, tanto quanto a oferta de laxantes como "salvadores da situação". 

Na nossa cultura greco-romana, o centro das emoções é o coração, mas, em outras culturas antigas, mesopotâmicas, a caixa de ressonância das emoções é o aparelho digestivo, em especial o intestino. Existe uma verdadeira conexão entre o cérebro e o aparelho digestivo. O intestino "responde" ao estado emocional. Pode soltar, prender, produzir cólicas, gazes e até originar doenças graves e de difícil controle.

Sabemos que tudo no nosso organismo funciona de forma integrada. Tensão, medo, ansiedade, estresse, correria, raiva, tristeza geram reações em todo organismo. Um dos órgãos que "sente" os reflexos disso tudo é o intestino.

O intestino humano tem cerca de cem milhões de neurônios conectados ao cérebro. É como se possuíssemos um "cérebro intestinal". As funções do intestino não se resumem a conduzir o alimento que ingerimos, transformando-os em fezes. Além de selecionar os nutrientes, exercer uma excelente absorção deles e da água, ele contribui essencialmente com o sistema imunológico. É no intestino que acontece de 80% a 90% da síntese da Serotonina, o neurotransmissor responsável pelo prazer e sensação de bem-estar, mas ela também é precursora da Melatonina, elemento essencial para o sono e para a limpeza de radicais livres.

Além da Serotonina, o intestino produz uma série de outros neurotransmissores. Todo o esforço no tratamento das depressões, por exemplo, se concentra nestes neurotransmissores. Imagine a importância disso. Portanto, cérebro e intestino compõem uma via de mão dupla.

Mas o que é um intestino normal? Nem preso, nem solto. Sem exagero de gazes, sem cólicas. Mas como manter afiada essa orquestra exigente? O segredo é tão amplamente conhecido que corre o risco de ser deixado de lado: água, muita água - de 2 a 3 litros por dia -, alimentação rica em fibras, como verduras, legumes e frutas, e exercícios físicos.

Isso é essencial e imprescindível. Além disso, é preciso ficar atento à frequência com que se vai ao banheiro. Quando essa frequência é irregular, causa um desconforto que pode ser leve, grave ou até desesperador. O normal para o funcionamento do intestino é uma frequência entre três vezes ao dia e uma veza cada três dias. O mais comum, contudo, é uma vez ao dia. Essa é a faixa aceitável, porém o importante é que o ato de ir ao banheiro não cause sofrimento e desconforto. O intestino "avisa" quando precisa ir ao banheiro, exercendo estímulo no reto. Se a pessoa inibe a vontade de ir ao banheiro, o reto vai perdendo a sensibilidade, o que vai exigir maior quantidade de fezes para que a vontade de evacuar venha novamente. Além do que as fezes ficarão mais tempo no intestino, distendendo e perdendo mais água, ficando mais duras. Isto vai provocar desconforto e, ao longo do tempo, pode provocar hemorroidas e outras patologias.

Ser fiscal e cuidador da nossa própria saúde pode parecer difícil, pois requer conhecer o próprio corpo, tomar decisões e admitir erros. Resolver a prisão de ventre com laxantes e outras pílulas mágicas é um caminho que a indústria nos impõe de forma assustadora. Esses medicamentos estimulam as células intestinais a se contraírem, levando-as a se exaurirem e a morrerem. Causam dependência. O intestino piora, fica mais relaxado, menos responsivo e assim a pessoa tem que tomar doses cada vez maiores. O importante é a pergunta de sempre: o que está acontecendo comigo?

Alimentos que colaboram com o bom funcionamento do intestino

- Arroz, pães e massas integrais.

- Sementes, especialmente a de linhaça (deixar de molho em água).

- Farelo de trigo, aveia.

- Frutas que podem ser ingeridas com casca. E frutas que se pode ingerir com o bagaço.

- Folhas verdes em geral.

- Leguminosas.

- Iogurtes e outros leites probióticos.



(texto publicado na revista Cidade Nova edição 584 - ano LVI - nº 12 - dezembro de 2014)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

13 razões para ter um animal de estimação


1) A interação com bichos estimula os bebês: eles aprimoram a percepção dos cinco sentidos e a coordenação motora. Assim, podem se desenvolver mais rápido, aproveitando os estímulos para aprender a engatinhar e a caminhar, segundo os passos do animal.

2) O compromisso de levar o pet para passear inclui atividade física na sua rotina. Num estudo feito nos Estados Unidos, cães foram emprestados a sedentários durante 11 meses. No fim do período, as caminhadas resultaram numa perda média de 6 quilos por participante.

3) Segundo outro estudo estadunidense, ter nosso bichinho por perto em momentos de estresse pode evitar picos de pressão arterial. Além disso, a companhia dos animais de estimação está relacionada a níveis mais saudáveis de colesterol e triglicérides no sangue.

4) O convívio com animais de estimação na infância fortalece a imunidade. A conclusão é a de um estudo finlandês, que chancela a sabedoria popular: as crianças precisam ser moderadamente expostas a micro-organismos para amadurecer o sistema imunológico.

5) Para quem espirra só de ver um gato, pode parecer mentira, mas, segundo a Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, conviver com bichinhos durante a infância diminui em cerca de 33% o risco de desenvolver alergias.

6) Uma pesquisa feita nos Estados Unidos durante 20 anos concluiu que donos de gato correm 40% menos risco de sofrer ataque cardíaco. Outro estudo, do mesmo país, indica que qualquer espécie de animal de estimação ajuda a tornar nosso coração mais resistente.

7) Outra pesquisa estadunidense descobriu que acariciar um cachorro pode diminuir em até 28% a necessidade de analgésicos por pacientes internados após cirurgias nas articulações. Trata-se da Terapia Assistida por Animais, internacionalmente reconhecida.

8) Os bichos também contribuem para a nossa saúde psíquica. Pesquisas indicam que, na companhia de um animal, pacientes com transtornos mentais, como Alzheimer, realizam com maior facilidade atividades fundamentais, como se alimentar e conversar.

9) Um estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, mostrou que os níveis dos hormônios do bem-estar, como a serotonina, aumentam quando estamos acompanhados de nossos animaizinhos, afastando distúrbios como a depressão.

10) Para os tímidos, os bichos são aliados na socialização. No caso do cachorro, o empurrãozinho é mais direto. Já que a interação é constante nos passeios. Mas qualquer espécie rende histórias que servem como pretexto para um começo de conversa.

11) Cuidar de animais de estimação é uma tarefa que ajuda as crianças a desenvolver o senso de responsabilidade. E não é só isso: o convívio com os pets estimula outras habilidades sociais fundamentais, como a empatia e a compreensão das diferenças.

12) Segundo um estudo da rede britânica Pets at Home, bichinhos, de fato, deixam as crianças mais felizes. E uma pesquisa publicada na revista estadunidense Psychology Today estende esse benefício: em qualquer idade, bichos trazem autoestima e felicidade.

13) Mesmo quando se vão, os bichinhos dão lições importantes às crianças. A dolorida experiência do luto ajuda a amadurecer, mostrando que algumas situações tristes são inevitáveis, fogem ao nosso controle, mas precisam ser superadas.



(texto publicado na revista Sorria para ser feliz nº 49 - mai/jun de 2016)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

11 benefícios do limão - Samira Menezes


Desde curar acne até reduzir o ácido úrico. Descubra como aproveitar ao máximo esses e outros superpoderes

Por ser tão comum e azedo, ninguém dá muita bola para o limão. Isso até a pessoa descobrir do que ele é capaz. Mais do que um excelente fortificante do sistema imunológico, é diurético, antibacteriano e antiviral. Também funciona contra a acne, é protetor da saúde do coração, regulador dos intestinos, alcalinizante natural do pH sanguíneo... A lista é longa.

Mas talvez a propriedade do limão que mais mereça destaque seja a sua capacidade de alcalinizar tudo o que vê pela frente. No caso, o organismo, que recebe o limão como alívio para processos inflamatórios ou acidificantes. Isso porque de todas as frutas da família Citrus, como laranjas, tangerinas e pomelos, o limão é quem concentra mais ácido cítrico, responsável por esse e outros superpoderes do limão.

Rico em vitamina C, que favorece a absorção do ferro presente nos vegetais, e fonte de outros nutrientes importantes como cálcio, magnésio, fósforo e potássio, o limão também tem outra vantagem: seu sabor azedinho dá um toque refrescante a qualquer bebida e até em receitas salgadas. Experimente pingar algumas gotas dele em receitas de massas com ervas, arroz com legumes ou, como fazem os árabes, no cuscuz vegetariano.

As possibilidades do limão são muitas, assim como seus benefícios. 

1) Diminui o ácido úrico

A dona de casa Elisa Magalhães, de São Paulo, não podia acreditar que o tratamento para diminuir seu ácido úrico era tão simples: tomar, por três meses, meio copo de água com suco de meio limão e uma colher de café de bicarbonato pela manhã e em jejum. "Meu médico me explicou que essa bebida alcalinizaria meu organismo e ajudaria a diminuir meus níveis de ácido úrico. Em um mês, os exames mostraram uma melhora e, depois, de três meses, os níveis se normalizaram."

Apesar de caseira, a receita indicada para Elisa, de 62 anos, tem fundamento científico. Um estudo publicado em maio de 2015, no jornal Anais das Doenças Reumáticas, mostrou que o suco de limão foi capaz de diminuir o ácido úrico em 75 pacientes, que durante seis meses ingeriram suco de dois limões diluído em 2 litros de água ao longo do dia.

"O sumo do limão estimula a formação de carbonato de cálcio, substância liberada pelo pâncreas que ajuda na alcalinização do sangue e da urina, neutralizando o ácido úrico", explica o líder da pesquisa, Dr. Etienne Gamon, reumatologista em Montpellier, na França.

Especialista em terapia intensiva, Dr. Jo]ao Ramalho Alves, do Rio de Janeiro, explica que o ácido úrico é produzido pelo organismo a partir de uma substância chamada purina, proteína presente em alimentos, como carnes vermelhas, peixes e frutos do mar. Por este motivo, estes alimentos, considerados acidificantes do organismo, devem ser retirados da alimentação de quem está com ácido úrico alto.

"O índice ideal de ácido úrico não deve ultrapassar 6,8 mg por 100 ml de sangue. Nas mulheres o valor é de 2,4, nos homens, de 3,4. Acima disso, ele pode ocasionar dores, inchaços e inflamações articulares, além de cálculos renais."

Além da retirada das carnes, o consumo diário do limão ajuda a devolver alcalinidade ao organismo. "Apesar do sabor ácido, o potencial alcalinizante do limão acontece logo após sua ingestão. Principalmente quando ele é batido com frutas, raízes, folhas e sementes (germinadas). Nesses casos, ele mal alcança o estômago e já está alcalinizando os líquidos corporais com os citratos de cálcio, magnésio, ferro e sais alcalinos", revela a química Conceição Trucom.

2) Complementa tratamento contra câncer

Alimentos milagrosos não existem. Mas, alguns deles, como o limão, podem dar uma forcinha extra até mesmo no tratamento de doenças graves, como o câncer. "É preciso aprofundar mais o assunto, mas sabe-se que frutas cítricas, principalmente o limão, contém propriedades anticancerígenas", afirma Dr. Subrata Chakravarty, do Instituto Hope4Cancer, na Califórnia (EUA). "Ainda que outros estudos sejam necessários, os benefícios do limão mostrados até agora não podem ser ignorados", observa.

O primeiro motivo por que pessoas com câncer podem incluir o limão na alimentação diária é a forte presença de vitamina C na fruta. Em 2014, um estudo da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, verificou que altas doses de vitamina C em mulheres com câncer nos ovários foram capazes de potencializar a resposta da quimioterapia.

"A casca também contém substâncias que ajudam a eliminar toxinas do corpo. E, em forma de extrato, o limão auxilia na destruição das células malignas, ao mesmo tempo que fortalece as células saudáveis, graças a seus flavonoides e uma substância conhecida como limonoide", revela Dr. Subrata, que sugere aos pacientes com câncer o consumo de 150 g de limão (cerca de dois a três limões) pelo menos quatro vezes por semana.

Durante o tratamento, o suco do limão pode ser usado para minimizar náuseas e enjoos que geralmente a quimio e a radioterapia provocam. Porém, tendo sempre em mente que, no caso do câncer, o limão deve ser usado apenas como parte de uma alimentação saudável e não como substituto do tratamento.

Para quem quer prevenir o aparecimento da doença, uma boa dica é adicionar suco de limão (e também sua casca) na água que for beber ao longo do dia. "Para prevenir ou ajudar no tratamento, sugiro também o uso da casca do limão ralada como tempero de saladas, massas e sucos", recomenda o médico.

3) Rejuvenesce as células e a aparência

Além da redução do ácido úrico, a dona de casa Elisa Magalhães sentiu na pele os benefícios do limão ingerido com água pela manhã. "Percebi que minha pele, que sempre foi muito ressecada, estava muito mais macia. A textura dos meus cotovelos e calcanhares mudou da água para o vinho", conta Elisa, que adotou a água com limão de manhã também como antídoto à pele ressecada.

Esse poder do limão também tem a ver com a capacidade de esta fruta alcalinizar o organismo. Segundo Conceição Trucom, o uso regular do limão, de preferência maduro, é capaz de neutralizar a acidez de todos os líquidos corporais, do qual fazem parte sangue, linfa e até líquido cerebral. "Qualquer condição que alcalinize esses líquidos vai desencadear a possibilidade de mais saúde e longevidade para as células", observa Conceição. Efeito, aliás, que pode ser notado principalmente na pele, como aconteceu com a dona de casa Elisa, que procurou também uma nutricionista para ajudá-la a montar uma alimentação mais natural.

O tipo de dieta, aliás, tem tudo a ver com a aparência do corpo e da pele, que reflete o estado interior. A regra é simples: alimentação rica em proteína animal, açúcar e produtos industrializados acidificam o organismo. Enquanto o consumo regular de limão maduro e vegetais frescos, alcalinizam.

"A causa mais natural de acidificação do organismo é a ingestão frequente de alimentos que promovem esse estado", confirma Conceição, que cita os alimentos refinados, como o açúcar branco e a farinha branca, as carnes e proteínas animais, as frituras, os alimentos industrializados, congelados ou excessivamente cozidos, e bebidas gasosas como os maiores vilões. "Esses alimentos são os grandes protagonistas para acelerar o processo de envelhecimento de todas as células, a baixa vitalidade do organismo, os desequilíbrios emocionais, as dificuldades digestivas e nutricionais e, por fim, as doenças", ressalta a química.

Por outro lado, a inclusão do limão, dos vegetais frescos e das sementes germinadas no cardápio diário garante boa ingestão de sais minerais, vitaminas, água e fibras, que devolvem equilíbrio interior e, consequentemente, melhoram a aparência exterior em pouco tempo. "Em casos de acidose elevada, a pessoa pode preparar um caldo com nabo, cenoura e folhas verdes cozidas. Quando o caldo esfriar, coe e use no preparo de sucos feitos com frutas frescas, folhas cruas e limão", ensina a química.

Mas, é aquela história: de nada adianta praticar uma semana de alimentação saudável com a ingestão de limão se, nos outros dias do mês e do ano, não torna esse tipo de dieta o seu hábito. Ou se é o tipo de pessoa que não age contra sentimentos negativos, como estresse crônico, ansiedade, ressentimento, inveja e raiva. Lembre-se: sozinho, o limão não faz milagres. Por isso, cultive saúde e bons sentimentos.

"As emoções e sentimentos, as atividades mental e física também têm potencial para alcalinizar ou acidificar partes do organismo em pouco tempo", revela Conceição. Sentimentos e experiências prazerosas, como afetuosidade, compaixão, bom humor, positividade e compreensão, são estados típicos de um corpo em harmonia metabólica, sereno e pacífico. 'Essas emoções também podem ser consideradas 'alimentos' de grande potencial alcalinizante e rejuvenescedor."

4) Ajuda a eliminar mais facilmente toxinas

É como uma bola de neve. Além da revitalização celular, manter o pH sanguíneo alcalino com a ajuda do limão tem outra vantagem: a facilidade em eliminar toxinas, uma vez que a fruta auxilia na desintoxicação do intestino, dos rins e até dos pulmões e da pele.

"Com suas substâncias facilmente transformadas em elementos alcalinizantes, o limão contribui poderosamente com a eliminação de resíduos tóxicos que são responsáveis pelo aparecimento de doenças ou dificuldades em atingir o sucesso de tratamento de cura", garante Conceição Trucom.

5) Regula o intestino

É comum ouvir que limão prende o intestino, mas a história não é bem assim. Segundo Conceição, o limão regula as funções intestinais. Assim, quem sofre de prisão de ventre encontra no limão um aliado.

Para essas pessoas, recomenda-se o consumo de um corpo de água morna com o suco de um limão pela manhã. A fruta também pode ser adicionada a sucos desintoxicantes preparados com outras frutas, como maçã, e hortaliças para estimular as funções intestinais e facilitar a ida ao banheiro.

Outra opção é usar o óleo essencial do limão, comprado em farmácias ou lojas de produtos naturais, para fazer uma massagem na barriga.

Óleo de massagem para estimular os movimentos intestinais

Ingredientes:

6 gotas de óleo essencial de limão
2 colheres (sopa) de óleo de linhaça
3 gotas de óleo essencial de erva-doce
3 gotas de óleo essencial de capim-limão

Preparo:

Coloque todos os óleos em um frasco de vidro escuro, misture e mantenha em local fresco. Use-o para massagear por 5 minutos todo o ventre, com movimentos vigorosos, em sentido horário. Faça a massagem pela manhã, antes de levantar, e à noite, após deitar.

Sucos desintoxicantes para os intestinos

Opção 1

Ingredientes:

1 limão com casca
1 xícara (chá) de hortelã
1 cenoura média
2 maçãs
1 colher (sopa) de semente de linhaça deixada de molho em 5 colheres (sopa) de água à noite

Preparo:

Bata todos os ingredientes no liquidificador, coe num coador de tecido voil e beba imediatamente, em jejum.

Opção 2

Ingredientes:

suco de 1 limão
1 xícara de abacaxi em cubos
rodelas de gengibre e folhas de hortelã
2 colheres (sopa) de semente de girassol (crua com casca) deixada de molho em água durante toda a noite

Preparo:

Bata tudo no liquidificador, coe e beba em jejum.

É importante manter as funções intestinais regulares, com alimentação rica em fibras e ingestão de água, porque isso garante a eliminação de toxinas e, consequentemente, mais bem-estar, uma vez que nutrientes, como ferro, vitamina C e cálcio, são absorvidos no intestino.

"A prisão de ventre também produz material tóxico, que será reabsorvido pelo organismo e levar à baixa imunidade. Além de ser uma porta de entrada para câncer do cólon", alerta Conceição Trucom.

6) Ele "afina" o sangue

Talvez você já tenha ouvido dizer que o limão "afina" o sangue, mas nunca entendeu direito porquê. Isso, de fato, é verdade e traz à tona mais uma das inúmeras propriedades do limão: a de ser um alimento adstringente. "Usado corretamente, não no preparo de caipirinha, o limão desintoxica e limpa o sangue, porque ajuda a eliminar o excesso de colesterol e triglicérides. Por isso, dizem que ele 'afina' o sangue graças à sua propriedade adstringente", confirma Conceição.

Esse poder do limão se deve à sua composição, que reúne fibras e excelentes doses de vitamina C, um nutriente considerado antioxidante. De acordo com um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, a alta ingestão diária de vitamina C (acima de 1.000 mg por dia) não só previne os danos causados pelo colesterol LDL (aquele considerado "ruim") como também diminui os níveis de colesterol total e os riscos de doenças cardiovasculares.

Vale lembrar que um copo de limonada contém cerca de 94 mg de vitamina C - quantidade mais do que suficiente para suprir as necessidades diárias deste nutriente em um adulto. Enquanto os homens precisam de 90 mg de vitamina C por dia, as mulheres devem consumir 75 mg. E outra coisa: excesso de vitamina C é expulso pelos rins, junto com a urina.

7) Previne cálculos renais

É também graças à sua propriedade adstringente que o limão é uma poderosa arma no combate aos cálculos renais - as famosas pedrinhas nos rins, que causam dores terríveis. "Da mesma maneira que o limão não deixa o colesterol e o triglicérides se acumularem, ele inviabiliza a aglomeração de ácido úrico no sangue, evitando a formação dos cálculos renais. Por isso, o consumo diário de uma limonada sem açúcar pode ser um bom tratamento natural para prevenir o desenvolvimento das pedras nos rins", esclarece Conceição.

Em seu site, a Fundação Nacional dos Rins, nos Estados Unidos, explica que geralmente as pedras nos rins são tratadas com citrato de potássio. Porém, limonadas ou outros sucos naturais ricos em citrato, como o de laranja ou tangerina, têm a mesma eficácia dos medicamentos à base dessa substância usados na prevenção do problema.

"Citrato presente na urina pode evitar não só a formação de novas pedras nos rins como impede que as pedras existentes se unam com outras e fiquem ainda maiores", explica Dr. Allan Jhagroo, nefrologista membro da Fundação Nacional dos Rins. Só não vale adoçar a limonada ou o suco de laranja, pois o açúcar e o adoçante aumentam o risco de formação de novas pedrinhas.

8) Ajuda na absorção do ferro

O principal ácido presente no limão é o cítrico, que há tempos é reconhecido como um facilitador da absorção de ferro. Por isso, o limão é um ingrediente-chave na alimentação de vegetarianos e veganos.

Para entender por que isso acontece, é preciso saber um pouco sobre as diferenças entre os tipos de ferro.

Os vegetais possuem um tipo de ferro conhecido como não-heme, que vem sem "capa de proteção" e, por isso, é mais suscetível a interferência de nutrientes que atrapalham sua absorção, como o cálcio. Esse ferro não-heme, presente em alimentos como feijão, quinoa, aveia, castanha-de-caju e melado, também é encontrado na carne.

Na verdade, a carne contém 60% de ferro não-heme e 40% do ferro heme. Esse tipo de ferro, chamado heme, vem com "capa de proteção" e não sofre interferência de nada, por isso, é completamente absorvido.

Por essa característica química do ferro não-heme, os vegetarianos precisam fazer combinações alimentares para garantir uma boa absorção do nutriente, importante para a oxigenação dos tecidos. Uma boa tática para conseguir isso é incluir alimentos ricos em vitamina C, como o limão, nas refeições ricas em ferro.

Em teoria, para cada 3 mg de ferro não-heme, é necessário 1 g de ácido cítrico. Na prática, basta tomar água com limão sem aç´~ucar ao comer um prato de feijoada vegana e couve. De todas as frutas cítricas, o limão é o mais rico em ácido cítrico, a substância que ajuda o ferro a ser melhor absorvido.

9) Contribui para a saúde dos ossos

A receita para ter ossos saudáveis não passa necessariamente pelos laticínios. Você também pode incluir o limão na sua alimentação para dar uma forcinha aos ossos. Isso acontece basicamente por dois motivos: ao contrário dos laticínios, o limão alcaliniza o organismo e é uma fonte de cálcio e fósforo, nutriente que participa do fortalecimento dos ossos.

O fato é que, quando o organismo está muito ácido, o próprio corpo tenta corrigir essa acidez. E ele faz isso com a ajuda do cálcio, um mineral que também tem propriedade alcalinizante.

Como a única reserva de cálcio do corpo está nos ossos, é lá que o organismo vai buscar o elemento para combater o excesso de acidez do pH sanguíneo. Portanto, se a pessoa faz uso regular do limão e tem como hábito uma alimentação rica em vegetais frescos, provavelmente seu meio interno será mais alcalino, o que ajuda a manter a integridade dos ossos.

Por isso, mais eficiente do que um copo de leite (bebida que favorece a acidez interna) é a exposição solar para garantir a produção de vitamina D (nutriente fundamental para a fixação do cálcio nos ossos) e a ingestão de alimentos alcalinizantes ou ricos em nutrientes que participam do metabolismo ósseo. Como o magnésio, presente em semestre de abóbora e amêndoa, e fósforo, que você encontra no limão.

A fruta, porém, não é a melhor fonte de fósforo do reino vegetal. Nesse caso, a castanha-do-brasil sai na frente. Porém, é importante saber que consumido diariamente, acompanhado da alimentação saudável e pelo menos 15 minutos de sol por dia sem protetor solar, o limão trará bons resultados para a firmeza do esqueleto.

10) É um aliado do fígado

O poder do limão a favor do fígado é tão grande que a Fundação Americana do Fígado, nos Estados Unidos, até lançou uma campanha, intitulada Liver Lemon Dare to Care (algo como Desafio do limão para o Fígado), para incentivar o consumo de água com limão, principalmente de manhã, em jejum.

"Todo mundo deveria tomar água morna com limão, em jejum, pela manhã, porque essa combinação estimula todo o sistema digestivo e 'acorda' o fígado, ajudando-o a eliminar toxinas", explica Dr. Frank Lipman, médico especialista em medicina integrativa e diretor do centro de bem-estar Eleven-Eleven, em Nova York (EUA). "Para tornar a bebida mais agradável e refrescante, você pode adicionar folhas de hortelã", sugere.

Segundo ele, quando a pessoa torna hábito o consumo de água morna com limão, o fígado se sente estimulado a produzir bile porque o suco dessa fruta tem estrutura química similar aos sucos digestivos. "Isso também ajuda muito no processo de digestão, prevenindo desconfortos abdominais após as refeições do dia, como inchaço na barriga e gases."

11) É um cosmético natural

Além de "afinar" o sangue e prevenir pedras nos rins, a propriedade adstringente do limão traz outro benefício, dessa vez, estético.

Graças a essa propriedade, o limão pode ser usado como cosmético natural, eficiente no combate à oleosidade dos cabelos e no tratamento de manchas da pele, desde que você não se exponha ao sol, porque seus ácidos cítricos não combinam com o sol, causando manchas escuras na pele.

"Se você for usar a fruta para clarear manchas na pele, aplique o limão à noite, e, durante o dia, use protetor solar", avisa Conceição Trucom, que ensina algumas receitas simples de cosméticos naturais e caseiros. 

Porém, não só o suco pode ser aproveitado como cosmético poderoso. O óleo essencial, obtido da casca da fruta, pode ser usado na realização de massagens diárias contra a odiada celulite ou para ativar a circulação nas pernas, principalmente depois de um dia cansativo de trabalho.

Loção antimanchas

Ingredientes:

flor de sabugueiro
rodelas de limão
água mineral

Preparo:

Coloque as flores de sabugueiro no fundo de um frasco de vidro de 250 ml, cubra-as com rodelas de limão e siga montando essas duas camadas até encher o frasco.

Cubra tudo com água e deixe repousar por 24 horas. Passado esse tempo, filtre a água e guarde-a na geladeira. Aplique essa loção gelada na pele, à noite. Não tome sol durante o tratamento.

Loção antiacne

Ingredientes:

suco de meio limão
1 xícara de água filtrada

Preparo:

Misture a água com o limão e aplique no rosto com algodão, evitando a área dos olhos. SE a pele irritar, aumente a quantidade de água para 2 xícaras. Deixe agir por alguns segundos e lave com água abundante.

Loção contra oleosidade capilar

Ingredientes:

1 maçã sem casca e sem sementes
suco de meio limão
1/4 de copo de água mineral

Preparo:

Bata tudo no liquidificador, coe e aplique nos cabelos já limpos. Deixe agir por 15 minutos e enxágue.

Óleo para massagem contra celulite

Ingredientes:

2 colheres (sopa) de óleo de gérmen de trigo
2 colheres (sopa) de azeite
3 gotas de óleo essencial de limão
3 gotas de óleo essencial de hortelã
3 gotas de óleo essencial de gerânio

Preparo:

Misture todos os ingredientes e aplique em massagens locais, deixando agir por 60 minutos.



(texto publicado na Revista dos Vegetarianos nº 117 - ano 10 - julho de 2016)

domingo, 25 de setembro de 2016

Cuidado, é antibiótico! - Bárbara Louise


O remédio trata infecções por bactérias e ajuda o sistema imunológico a vencer a batalha contra esses micro-organismos. Apesar disso, o uso abusivo pode afetar a saúde de toda a comunidade. Veja o que é preciso saber antese da primeira dose

A cena é clássica. Você vai ao médico com alguma infecção, seja ela de garganta, urinária, seja de ouvido, e o tratamento mais comumente indicado é o uso de antibióticos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções causam 25% das mortes em todo o mundo e, nos países menos desenvolvidos, esse número sobe para 45%. No entanto, de acordo com o órgão, o uso de antibióticos, mesmo formalmente prescritos, pode ser desnecessário em até 50% dos casos. O Brasil atualmente é o quarto mercado de consumo de medicamentos no mundo e os antibióticos são responsáveis por 40% do total de vendas, de acordo com o Sindicato das Indústrias Farmacêuticas (Sindusfarma).

De maneira inocente, os pacientes acabam pedindo aos médicos que prescrevam antibióticos, mas a ingestão indiscriminada cria bactérias multirresistentes. Por isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a regular a venda desse tipo de remédio, a partir de outubro de 2010, com o objetivo de reduzir a exposição da população aos antibióticos e, com isso, combater a resistência bacteriana a esse grupo de medicamentos, situação na qual eles passam a não ter mais eficácia pela utilização incorreta.

Só com receita

Desde então, os antibióticos só podem ser vendidos mediante a apresentação da receita de controle especial em duas vias. A primeira via fica retida na farmácia e a segunda deve ser devolvida ao paciente carimbada para comprovar o atendimento. Além disso, as embalagens e bulas devem ter a frase "Venda sob prescrição médica - só pode ser vendido com retenção da receita". "Há fármacos de administração oral, intravenosa, intramuscular e tópica. Ainda há diversos antibióticos usados em larga escala nos mais diversos setores da indústria e da agricultura, o que nos expõe a eles, podendo até mesmo contribuir com a resistência dos microorganismos", afirma a infectologista Bianca Grassi de Miranda, do Hospital Samaritano (SP).

Para ajudá-lo a proteger a si e sua família, a VivaSaúde pediu que dois especialistas, os infectologistas Alexandre Naime Barbosa, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Botucatu) e Bianca Grassi de Miranda explicassem o que é necessário perguntar ao médico antes de sair do consultório com a receita na mão. Confira.

Tenho que tomar esse medicamento?

Os antibióticos só devem ser indicados em caso de diagnóstico de infecções bacterianas ou em algumas situações, como prevenção para essas infecções. A escolha entre os diferentes tipos de antibióticos recai sobre a análise da evidência científica sobre o tema, ou seja, a depender da doença, qual fármaco trouxe maior taxa de sucesso terapêutico no grupo de pacientes estudados.

Há marcas em doses exatas?

Várias apresentações de antibióticos têm a quantidade exata de comprimidos para determinada infecção, o que ocorre é que as caixas são produzidas com o número de comprimidos para as infecções mais prevalentes, e muitas vezes a doença do paciente exige um pouco menos ou um pouco mais de comprimidos.

Posso tomar minha cerveja ou vinho?

O uso do álcool de forma moderada não causa nenhum tipo de alteração na eficácia, na metabolização, na concentração ou na eliminação dos antibióticos. A exceção se faz à classe dos imidazólicos (exemplo: metronidazol), pois o uso concomitante pode levar a sintomas como calor, vômito e taquicardia. Em caso de uso abusivo do álcool, o desfecho pode ser a redução da defesa do corpo, o que é especialmente grave em casos de infecção.

O que faço se esquecer ou atrasar a medicação?

Atrasos de até metade do tempo até a próxima dose permitem realizar a tomada assim que se perceber o esquecimento, mantendo-se o próximo horário predeterminado. Caso já tenha passado mais da metade do tempo, o ideal então é fazer a tomada imediatamente, e reagendar as próximas doses de acordo com a posologia. Por exemplo: se uma medicação deve ser tomada às 6h e às 18h, mas o indivíduo toma às 8h, deve tomar a próxima dose às 20h. Esta é uma regra geral, e pode não se aplicar a todos os casos.

Tomo outros medicamentos. Isso pode interferir?

Os profissionais da saúde devem se valer de ferramentas que permitam checar rapidamente uma a uma as milhares de possíveis interações entre medicamentos, e elas são frequentemente atualizadas. Ao receber a indicação de um antibiótico, peça a seu médico que cheque as possíveis interações medicamentosas com os remédios que usa, e não introduza nenhum novo fármaco sem antes noticiar o profissional que você consulta regularmente.

Minhas defesas vão baixar pelo uso?

O organismo tem bactérias que têm papel na defesa contra infecções. Ao usar os antibióticos, pode haver comprometimento dessas bactérias que são consideradas "aliadas" do organismo, por exemplo, a destruição da flora intestinal, levando a sintomas como diarreia. Mas quando é bem indicado e fazendo o seguimento clínico, esse risco é potencialmente nulo. Mas, atenção, ele em nada interfere no sistema imunológico, na verdade ele ajuda a combater as infecções.

Os vários tipos e indicações de uso

O primeiro antibiótico a ser utilizado com sucesso foi a penicilina, descoberta por Alexander Fleming em 1928. Com o passar do tempo, novas classes foram desenvolvidas, caracterizando-se por ações específicas a depender do tipo de bactéria, do local e da gravidade da infecção. De acordo com o infectologista Barbosa, os antibióticos se dividem em dois grandes grupos: bactericidas (destroem diretamente as bactérias) e bacteriostáticos (bloqueiam o ciclo de replicação das bactérias, mas sem matá-las). "A principal diferença entre eles é que, em cada situação clínica, alguns se encaixam como de melhor opção, pois levam ao maior sucesso terapêutico", explica Barbosa. E que fique claro:antibióticos não tratam doenças causadas por vírus como resfriados comuns, gripes, bronquites agudas, coriza e sinusites.

E se eu parar o tratamento?

Se o paciente interromper precocemente a terapia, provavelmente não terá resultado, podendo levar a graves consequências, a depender da razão de indicação do antibiótico. Há risco de que o tratamento não seja eficaz e a infecção não seja curada, trazendo possíveis complicações ao paciente.

Quanto vou esperar para melhorar?

Em geral a melhora clínica acontece após 48 horas de uso dos antibióticos, mas esse intervalo de tempo varia muito a depender da doença diagnosticada, da gravidade do quadro, do antibiótico escolhido e das características do paciente. No entanto, se houver piora a qualquer momento, o médico deve ser procurado.

E quando o paciente é uma criança

Não há limite para o número de prescrições anuais de antibióticos para crianças ou adultos. Se bem indicado, o antibiótico deve ser utilizado quantas vezes forem necessárias. Se os pais ou o paciente suspeitarem de excessos, devem procurar um pediatra ou um infectologista para avaliação global do caso. Há antibióticos que podem ser usados para os dois grupos de pessoas, mas há determinados tipos que são indicados especificamente a um. Este é mais um motivo pelo qual o fármaco deve sempre ser prescrito por um médico.

Tomo anticoncepcional. Ele pode anular o efeito da pílula?

Somente um antibiótico (rifampicina, usado principalmente no tratamento da tuberculose) tem comprovada ação que compromete a eficácia dos anticoncepcionais. É importante que a paciente informe ao médico o uso de anticoncepcionais, para que ele possa checar possíveis interações medicamentosas.

Antibiótico errado agrava uma infecção?

Sim, em alguns casos indicação ou uso inadequados dos antibióticos podem complicar gravemente uma infecção. Entre os vários exemplos, se destaca o uso de antibióticos que não ultrapassam a barreira hematoencefálica em casos de meningite bacteriana.

A garganta dói, posso tomar?

Existem algumas situações específicas que exigem o uso preventivo de antibióticos, como em certas situações cirúrgicas ou odontológicas, ou ainda em exposição potencial à doenças infecciosas, como a leptospirose. Não se justifica usar antibióticos para prevenir infecções ao sentir dor de garganta. Na maioria das vezes, esse sintoma se refere a um resfriado, que é uma infecção viral. É importante lembrar que a indicação preventiva de antibióticos deve sempre ser feita por um médico.

Por quanto tempo devo tomar o remédio?

Depende da doença, da gravidade do quadro, do antibiótico escolhido e das características do paciente, podendo ser tão curto como somente um dose única (exemplo: alguns DSTs) ou até mesmo de seis meses a um ano (exemplo: tuberculose).




(texto publicado na revista VivaSaúde edição 156)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Óleo do bem - Laís Oliveira


Além de dar um sabor especial aos alimentos, o azeite ainda faz bem para a saúde; veja como escolher e fazer melhor uso dele

Saboroso e com aroma agradável, o azeite combina com saladas, torrada ou mesmo com o arroz e o feijão. O melhor de tudo é que ele faz bem à saúde. "Ele é considerado um alimento funcional, capaz de prevenir doenças cardíacas, câncer e também de fortalecer o sistema imunológico. Enquanto os outros óleos são produzidos a partir de sementes, o azeite é o único extraído da fruta - a azeitona, que possui gordura monoinsaturada, considerada a mais saudável, além de vitaminas, de minerais e de antioxidantes que inibem a ação dos radicais livres", enumera Rita Bassi, presidente da Oliva (Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira).

Alguns especialistas apontam que, quando aquecido em alta temperatura, o azeite perde algumas de suas propriedades, mas indicam que, ainda assim, continua sendo o mais saudável dos óleos. "Ele se mantém estável sob aquecimento até 200ºC, em média. após um tempo exposto a essa temperatura, são formadas substâncias tóxicas ou cancerígenas, mas os outros óleos também liberam substâncias tóxicas", diz a nutricionista Kelly Damasceno, da clínica Dr. Rainer Moreira.

O ideal, então, é consumi-lo frio ou levemente aquecido, para que mantenha todas as características. "A escolha depende do paladar de cada um, podendo ser utilizado o extravirgem para a finalização de prato, e o azeite de oliva, para a preparação", indica Rita.

Não à toa, o azeite é um dos artifícios usados pelo chef de cozinha Marcos Rillo na preparação de várias iguarias. "Aprecio o gosto e costumo trabalhar com os aromatizados", conta ele, que cria sabores ao misturar o azeite a ervas, como salsinha e manjericão.

É recomendado optar pelos de menor acidez e checar a cor da embalagem. "O vidro deve ser escuro, pois evita a oxidação do óleo", ensina Flavia Meddeiros, especialista em nutrição funcional. O pote precisa ser mantido em local fresco e sem incidência da luz, para que não modifique as características do azeite.

A transformação da fruta em óleo dá até água na boca. "Após a pesagem das azeitonas, elas passam por uma classificação pela sua origem e vão para estruturas metálicas em forma de moinhos, com batimento lento e contínuo. Assim,  tornam-se uma massa uniforme, e ocorre a junção das pequenas gotículas de azeite. Ele, então, é filtrado, para a retirada de possíveis partículas, armazenado, para a decantação dos sólidos resultantes do processo de extração e, finalmente, embalado em garrafas de vidro, para ser comercializado", conta Kelly. Depois, é só comprá-lo e saboreá-lo.

Benefícios do azeite

- É fonte de vitaminas A, D, K e E

- Contribui para a redução do risco de doença cardiovascular

- Ajuda na redução da pressão arterial

- Tem efeito anti-inflamatório

- É anticoagulante

- Dá saciedade

- Melhora a função intestinal

- Tem ação antioxidante

- Tem efeito analgésico

- Auxilia na redução do colesterol LDL (colesterol ruim)

Aprenda a diferenciar

O azeite de oliva é o óleo extraído da azeitona e é classificado de acordo com o processo de obtenção, com os procedimentos tecnológicos aplicados e com os parâmetros de qualidade.

- Extravirgem: é prensado a frio, em um processo que mantém seus nutrientes. Sua acidez é a mais baixa, com limite de até 0,8%. O azeite com baixa acidez indica que foi proveniente de um fruto de boa qualidade e que obteve bom tratamento e boa conservação.

- Virgem: é extraído apenas por processos físicos. Sua acidz varia de 0,8% até 2%.

- Refinado: é extraído até da terceira prensagem da azeitona, com acidez maior do que 2%. Tem o sabor mais adocicado.

- Composto: com cor clara, tem menos aroma, cor e sabor, devido ao processo de refinamento do óleo, responsável também pela perda de nutrientes. Geralmente, é misturado ao azeite extravirgem, dando origem aos óleos ou azeites compostos. Sua acidez varia de 1,5% a 3%.



(texto publicado na Revista da Hora de 14 de agosto de 2016)

sábado, 9 de julho de 2016

Imunonutrição: a dieta que pode fortalecer o sistema imunológico

A influência da alimentação sob nossa saúde é indiscutível. Muito mais do que mera  fonte de energia, ela é essencial para prover os nutrientes de que precisamos para viver. Na cultura popular, determinados alimentos  tem até mesmo a fama de curar doenças. Quem nunca ouviu aquela receita infalível para curar o resfriado? Porém, este conhecimento é mera crendice ou de fato determinados alimentos podem aumentar nossas defesas naturais?

Estudos na área da nutrição corroboram parte do conhecimento popular: de fato alguns hábitos alimentares têm total influência sob a ação do nosso sistema imunológico. De acordo com a nutricionista Jéssica Freitas, especializada em nutrição, da clínica Nova Nutrii: "Através da oferta de nutrientes essenciais é possível fortalecer a função imune e beneficiar a saúde como um todo."

Sistema protetor

Dentre as diversas funções orgânicas desempenhadas pelo nosso corpo, o sistema imunológico é uma das estruturas mais importantes no processo de preservação da vida. Sua principal função é reconhecer agentes agressores e defender o organismo contra suas ações. Sem ele, estaríamos à mercê de vírus, bactérias, micróbios e outros microorganismos capazes de comprometer nossa saúde. Complexo, o sistema é constituído de diversos órgãos, células, e moléculas envolvidas em diversos processos que visam assegurar nossa proteção. Numa visão bem simplificada da resposta imune, podemos destacar a atuação das células de defesa que se encontram principalmente na corrente sanguínea, sobretudo os glóbulos brancos.

Conheça os alimentos capazes de beneficiar a saúde e proteger o organismo contra doenças crônicas 

Graças à ação de células de defesa conhecidas como monócitos, o corpo consegue imobilizar o invasor através de um processo chamado fagocitose. Nesse processo, os monócitos literalmente engolem o agente nocivo e sinalizam o ataque ao organismo, ativando a resposta imune. A partir de então, células sanguíneas chamadas linfócitos identificam o invasor e criam anticorpos específicos para combater e neutralizar sua ação. Ao final desse processo, células de memória são acionadas para registrar as informações desse embate, a fim de garantir uma resposta imune mais rápida e eficaz na próxima vez que o organismo confrontar o mesmo microorganismo.

Embora silencioso, esse processo é visível em nosso dia a dia: no processo de cicatrização de um corte, na coceira provocada pela picada de um mosquito, na febre que aparece nos primeiros sintomas de uma doença. Todos esses sinais são pequenos indícios de que o corpo está em constante trabalho de defesa. Porém, quando alguns sintomas são recorrentes e adoecemos com frequência, a resposta frente aos corpos estranhos pode estar prejudicada e a imunidade do organismo em baixa. Diversos fatores podem desencadear esse quadro: estresse, distúrbios do sono, uso de medicamentos, doenças específicas e principalmente a má alimentação. Dietas extremamente rigorosas, maus hábitos e restrições severas podem afetar o funcionamento das células de defesa, deixando o organismo mais vulnerável ao ataque de agentes nocivos. Corrigir essas carências através da oferta de nutrientes específicos é essencial para recuperar o estado imune e aumentar a resistência do organismo, seja durante o tratamento de uma doença, ou na prevenção dela.

Nutrientes essenciais para a resposta imune

Assim como um exército, as células de defesa do nosso corpo dependem de material para o embate. Nutrientes que forneçam energia e estimulem a ação desse fronte são essenciais para o bom funcionamento do sistema imune. Conheça o papel desses nutrientes na resposta imunológica e porque eles devem fazer parte da sua dieta.

De acordo com a especialista, os alimentos indispensáveis para a função imunológica são os seguintes:

Alimentos ricos em vitaminas: frutas são ótimas fontes de diversas vitaminas, em especial as cítricas, pois possuem alta concentração de vitamina C. Proteínas animais também são uma ótima fonte desses nutrientes, sobretudo o fígado, rico em vitaminas A, e do complexo B. Vegetais folhosos escuros como couve, brócolis e espinafre são ótimas fontes de vitamina E e K;

Alimentos ricos em vitamina D: peixes, cogumelos tipo shiitake e gema de ovo.

Alimentos ricos em proteínas e zinco: alimentos de origem animal como carnes vermelhas, ovos e fígado são ricos em proteínas. Nozes, castanhas, cereais integrais e leguminosas como o feijão são excelentes fontes deste mineral.

Alimentos fontes de ômega 3: peixes como o salmão, atum, sardinha, suprem a necessidade de gorduras boas que garantem a proteção das células do organismo.

Outras atitudes benéficas

De acordo com a especialista, além da boa alimentação, é importante combater hábitos que também possam afetar a resposta imune: "Além de uma dieta que favoreça o fortalecimento do sistema imune é importante combater eventos que prejudicam a ação das defesas do organismo. Situações como estresse, sedentarismo e o consumo excessivo de álcool também podem reduzir a capacidade do organismo em combater doenças".

Vitaminas: Esses nutrientes são essenciais para a saúde geral do organismo. Porém, algumas vitaminas específicas se destacam quanto à sua ação sobre o sistema imunológico:

Vitamina C: é um dos nutrientes mais importantes para a eficiência da resposta imune. É capaz de estimular a produção dos linfócitos, auxiliando o organismo a reconhecer os agentes invasores, e, em consequência, favorecer a produção de anticorpos. É eficaz na prevenção de infecções virais, principalmente das vias respiratórias. Seu aporte adequado está relacionado, inclusive, à recuperação mais rápida diante de infecções;

Vitaminas do Complexo B: vitaminas como a tiamina (B1), riboflavina (B2), ácido pantotênico (B5), piridoxina (B6) e o ácido fólico (B9), são essenciais para o funcionamento dos linfócitos, sendo que sua deficiência pode refletir negativamente na sua contagem na corrente sanguínea. Da mesma forma, a carência de vitamina B12 pode reduzir a fagocitose e prejudicar a resposta imune:

Vitamina A: além de estimular a produção dos linfócitos, essa vitamina possui ação extremamente benéfica sobre a pele e as mucosas que funcionam como barreira contra microorganismos nocivos. Também tem ação antioxidante, que combate a degeneração celular e o surgimento de doenças crônicas;

Vitamina D: estudos apontam que a quantidade de D no ambiente, provenientes tanto da alimentação quanto da exposição solar, afetam o desenvolvimento e a função de linfócitos e, por consequência, modulam a função imunológica;

Proteínas: desempenham um papel fundamental na eficiência do sistema defensor. A deficiência de proteínas está ligada, inclusive, a casos de desnutrição e, consequentemente, à queda da eficiência do sistema imune;

Glutamina: é um aminoácido (constitui as proteínas) mais presente no organismo, porém em situações de trauma, queimaduras, infecções graves, pós-operatório, diabetes não controlada e exercícios exaustivos, sua concentração é diminuída e com isso o organismo fica mais sujeito a infecções:

Arginina: também um aminoácido, apresenta capacidade de estimular o sistema imune, é necessária para a defesa contra vírus, bactérias, fungos e parasitas.

Ômega 3 e 6: são ácidos graxos, ou seja, gorduras consideradas essenciais para os seres humanos pois não são fabricados pelo organismo e são necessários para a imunomodulação;

Zinco: esse mineral é necessário na ação anti-inflamatória, isso o torna essencial na função imunológica. Sua deficiência promove dificuldade na reparação de tecidos, o que aumenta o tempo de convalescença em algumas doenças;

Vitamina E: eficaz na resposta anti-inflamatória, também protege as membranas celulares e a formação saudável dos linfócitos graças a seu poder antioxidante;

Vitamina K: essencial na coagulação do sangue, processo pelo qual o corpo isola áreas do corpo com ferimentos, a fim de reduzir o risco de infecções.

O que incluir na alimentação?

De acordo com a nutricionista Jéssica Freitas, além do equilíbrio essencial em alimentação saudável, alguns alimentos se destacam no favorecimento das defesas naturais do organismo:  "Uma dieta equilibrada deve contar sempre com porções balanceadas de todos os grupos alimentares. Porém, quando se trata de uma alimentação voltada para o fortalecimento do sistema imune, devemos dar preferência aos nutrientes imunomodulares, ou seja, aqueles que tem ação direta sobre a resposta imunológica. Antes de agir, procure sempre um médico ou um nutricionista."


(texto publicado na revista Leve & Leia nº 140 - ano 9 - edição bimestral julho/agosto de 2016)