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domingo, 20 de agosto de 2017

Flanar - Marina Bessa


Eu não gosto de programações turísticas. Daquele cronograma de atividades, com dezenas de atrações para ver em um dia. Os restaurantes já escolhidos. O tempo para comer definido. Saber que tenho que  visitar um museu em duas horas já me enche de ansiedade. Porque eu gosto de visitar museus sem hora para sair. Ler cada plaquinha, tentar me transportar no tempo, imaginando a história, a gente daquela época. E então olhar de novo para o quadro e pensar: uau, foi feito há centenas de anos, tem a pincelada daquele gênio aqui. Se por lá houver um café, ainda melhor. Enquanto descanso, observo as pessoas: quem elas são, de onde vêm, como se vestem, que língua falam, por que raios foram parar ali no mesmo dia que eu?

Os passeios têm que me dar espaço para a surpresa. Para me perder por uma rua bonita, me sentar em um banco ao sol saboreando o jornal do dia, para entrar  em um restaurante porque o cheiro da comida é incrível e ele é tão escondidinho e lotado... deve ser ótimo!

Depois de anos me perdendo nos meus pensamentos enquanto passeio, descobri que existe um nome pra isso: flanar. Andar sem rumo nem sentido certo, sem compromisso. Vagar. Perambular. Faz parte do hábito de um flâneur (uma pessoa que flana, em francês), observar detalhes, experimentar coisas novas, puxar assunto com a dona da lojinha, pegar com ela um par de dicas, perguntar em quem votou, saber o que ela vai comer de almoço e sair de lá sentindo-se tão perfeitamente integrado ao ambiente, que até imagina - e deseja - morar ali para sempre.

Flanar é um verbo muito usado para descrever as andanças por Paris, à capital francesa onde se faz isso por instinto. Mas o espírito flanador pode estar presente o tempo todo: na viagem para a casa dos seus avós no interior de Minas, em uma região desconhecida da sua cidade, na feira do seu bairro. Flanar é olhar com olhos curiosos, é estar atento aos imprevistos, ter o tempo a seu favor.

Um flâneur não sai em excursão jamais. E gosta de passear sozinho - no máximo na companhia de um outro flâneur. Porque só ele entenderá a magia de ver o mundo passar lentamente à frente das lentes de quem simplesmente ama estar vivo.




(texto publicado na revista Sorria para ser feliz agora nº 56 - jul/ago de 2017)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Edifício Matarazzo abre as portas para visitas


O Edifício Matarazzo, um dos mais importantes da cidade (que foi sede de uma das indústrias da família Matarazzo) e hoje abriga a prefeitura de São Paulo, está de portas abertas para receber os turistas. Para conhecê-lo basta agendar gratuitamente. Em uma hora os visitantes mergulham na história e na arquitetura do local além de apreciar um jardim suspenso no topo do edifício com vista para o centro da cidade.

O prédio foi projetado por Severo e Vilares, com revisão do arquiteto italiano Marcello Piacentini a pedido do industrial Francisco Matarazzo, que era considerado um dos homens mais ricos daqueles tempos. 

Com um estilo que lembra os edifícios italianos da década de 30, Piacentini, que também era conhecido como o "arquiteto de Mussolini", incorporou ao edifício algumas das características da arquitetura neoclássica, como a grandiosidade e a imponência. No hall de entrada, as paredes são revestidas em mármore travertino. Os interessados em fazer o tour pelo prédio da Prefeitura devem fazer o agendamento prévio pelo e-mail visitaedificomatarazzo@spturis.com até às 14h do dia anterior. As visitas acontecem de segunda a quinta, às 10h, 12h e 15h, às sextas, às 15h, 17h e 19h; e aos sábados, às 10h e às 14h.



(texto publicado no jornal  G4P Comunicação edição 649 - agosto de 2016)



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Entre queijos e lobos-guará - Marina Machado


Serra da Canastra. Nascente do rio São Francisco, cachoeiras, produtos típicos e o animal do cerrado atraem turistas à região mineira

Existe um pedaço do Brasil que reúne muitos tesouros naturais. É na Serra da Canastra, sudoeste de Minas Gerais, que fica a nascente do rio São Francisco e uma das maiores e mais belas cachoeiras do país, a Casca D'Anta. A região é a casa do lobo-guará, um animal que corre risco de extinção.

O solo contém uma das maiores reservas de diamantes do país. E com a união das propriedades, do pasto e da água, as vacas produzem um leite usado para fazer uma deliciosa iguaria, o queijo artesanal da Canastra.

São tantas as razões para visitar a região que o turismo tem sido um aliado para o desenvolvimento econômico de diversos pequenos municípios que circundam o Parque Nacional da Serra da Canastra, criado em 1972 para proteger as nascentes do Velho Chico. Se há 30 anos a principal atividade de Vargem Bonita era o garimpo predatório de diamantes, hoje é a agricultura, a pecuária e a produção de queijos.

A cidade de São Roque de Minas, coração dessa cultura queijeira, que tem quase dois séculos de tradição, é o principal reduto de turismo ecológico. Situada próximo à entrada do parque, ela reúne a maior quantidade de produtores com certificação de origem do queijo.

Mas são as belezas dos 71 mil hectares do Parque Nacional que mais atraem os visitantes. Os passeios, feitos em veículos 4 x 4, proporcionam  imagens inesquecíveis. Pastagens de cerrado, milhares de tipos de plantas e animais. E a grande atração: o lobo-guará.

Graças ao trabalho do Instituto Pró-Carnívoros com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o parque tem hoje a maior concentração de lobos-guará da América do Sul: cerca de 150. Pode parecer muito, mas para um animal solitário essa quantidade ainda é muito pequena para manter uma população que sobreviva a grandes incêndios, mortes por atropelamentos e problemas de saúde causados por contato com animais domésticos. O grupo de pesquisadores trabalha dentro e fora do parque para mapear e acompanhar os lobos, mas o grande desafio é educar os moradores e produtores rurais.

Com o avanço das pastagens e das plantações, o habitat dos lobos foi sendo drasticamente reduzido e as queimadas frequentes matam as plantas e outros animais que servem de alimento para os lobos-guará. Com o aumento do turismo, a população local tem melhorado a relação com o parque nacional e com os lobos.



(texto publicado no jornal Metrô - 24 de outubro de 2016)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Morte viva - Chico Felitti


Cemitérios ganham pista de corrida, visita noturna e grade no lugar dos muros; prefeitura promete wi-fi

"Já me chamaram de papa-defunto e de louca", conta a auxiliar de enfermagem Luisa Dalva, 31, sobre o hábito de correr todos os dias por entre lápides do Cemitério Vila Formosa, na zona leste.

Em menos de um mês, a maratonista conseguirá a chancela da prefeitura no seu hábito matinal: uma pista de corrida será instalada na necrópole, com cinco paradas e um quilômetro e meio de extensão.

O poder público tem um plano para os 22 cemitérios municipais paulistanos. "Torná-los mais parecidos com parques do que com lugares mortos, sempre respeitando a memória de quem está enterrado", diz a chefe do Serviço Funerário, Lúcia Salles França Pinto.

As mudanças para tornar as áreas verdes lugares mais vivos incluem tours noturnos, o estímulo a encenação de peças e de concertos e introduzir passeios autoguiados, além da promessa de implantação de internet sem fio em todas as necrópoles da capital paulista.

Um gesto que simboliza essas intenções poderá ser visto durante esta semana no Jardim São Luís, perto do Capão Redondo, na zona sul.

O muro do cemitério local já começou a ruir e, no lugar da parede de concreto, 700 metros de grades retiradas de monumentos como os Arcos do Jânio, na região central, farão a delimitação entre a rua e o mortuário.

A prefeitura afirma que a visão desobstruída do terreno inibe a ocupação para uso ou tráfico de drogas. "Muro não segura alma penada", diz França Pinto, do Serviço Funerário.

A empregada doméstica Evelyse Santos, 33, reza para que a empreiteira seja bem-sucedida: "Já vi gente sendo roubada, ladrão pulando o muro do cemitério e gente fumando crack lá dentro. É triste".

A mudança só terá o custo da mão de obra, afirma a prefeitura. Caso dê certo no bairro, com uma das mais altas taxas de criminalidade da cidade, "a ideia é expandir essa obra para outros cemitérios, idealmente todos", diz França Pinto.

Enquanto isso, os três principais mortuários da cidade, na região central, passarão por ações para trazer mais gente muro adentro.

As visitas guiadas ao cemitério da Consolação, onde estão enterrados artistas como Mário de Andrade e Paulo Goulart, vão se tornar mais frequentes a partir de setembro. Alunos da PUC paulistana serão treinados para fazer os passeios com grupos. As visitas matutinas também ocorrerão em mais dias da semana - atualmente se restringem a terças e sextas-feiras.

Perder o medo do escuro também faz parte da nova diretriz. Haverá visitas noturnas quinzenais ao cemitério onde descansam em paz Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.

O ex-coveiro Francivaldo Gomes, o Popó, que há 13 anos é o único guia do Consolação, se diz "muito animado" com a chegada dos colegas universitários. "Quanto mais, melhor!"

O cemitério São Paulo, em Pinheiros, terá um sistema de auto visitação a partir de 15 de julho. "QR codes", espécie de código de barra que pode ser lido por um celular e mostra informações sobre mortos famosos.

Serão 129 placas no total, sendo 13 de túmulos de políticos, 37 de personalidades públicas e intelectuais e as 79 restantes para arte tumular de artistas como Victor Brecheret e Aldo Bonadei. A tecnologia já está disponível no Araçá e no Consolação.

Fotos proibidas

A sãopaulo testou os códigos distribuídos pelo cemitério da Consolação. Com exceção de um cuja tinta parece já ter desbotado, todos os demais funcionaram.

Mas alguns empecilhos ainda dificultam as visitas ao Consolação, como a necessidade de pedir autorização por e-mail antes de fazer qualquer foto lá dentro. A proibição, sem previsão de ser suspensa, não encontra paralelo nos mais conhecidos cemitérios do mundo, como o parisiense Père Lechase ou o portenho Cementerio de La Recoleta, onde selfies e retratos são livres.

Pelo menos outras manifestações artísticas devem ganhar mais liberdade. "Meu sonho é fazer um sarau de poesia gótica perto do túmulo do poeta Luís Gama", diz o também poeta Silvio Almeida, 32, que vende sua arte na rua Augusta.

O desejo dele pode estar mais perto do que imagina. A peça "Para Gelar a Alma", que encena contos de Edgar Allan Poe entre túmulos e estava prevista para até 5 de julho, teve temporada prorrogada até 2 de agosto. "Faremos mais eventos culturais nos cemitérios. Peças, saraus, concertos", diz Lúcia França Pinto, para quem a participação do mausoléu em eventos como a Virada Cultural é "essencial". Mas nem só de cultura é feita a política da perda.

O Serviço Funerário reserva parte de seu orçamento de 2015, de cerca de R$ 6 milhões, para cuidar da família de quem partiu.

O Núcleo de Pesquisa em Perdas e Luto, da USP, dará palestras para funcionários do Serviço Funerário. Não há nenhum psicólogo entre os mais de 200 funcionários do órgão.

O primeiro servidor municipal contratado para ajudar famílias a lidar com o luto trabalharia dentro do Instituto Médico Legal, na avenida Doutor Arnaldo. Trabalharia, no condicional, porque o governo do Estado, que toca o IML, e a prefeitura não conseguem chegar a um acordo quanto a quem ocupará uma sala de apoio, reformada nos últimos meses com dinheiro municipal.

Questionada sobre o imbróglio, a Secretaria de Segurança Pública responde em nota: "O IML irá implantar serviços de atendimento às famílias das vítimas, inclusive com atendimento psicológico a ser realizado por meio de convênio com universidades públicas."

E afirma que "não haverá convênio" com a prefeitura. Tem desavença que só se resolve em funeral.

Os au-aus e as "almas penadas"

Rita, Rat, Romeu, Rambo, Rex, Rint e Raider não sabem, do alto de seus quatro meses de vida, mas é capaz que o cemitério seja seu destino em breve. Os irmãos pastores alemães ainda parecem ter mais orelha e língua do que corpo, mas logo começarão a formação profissional.

A ninhada nasceu em um dos canis que fornece animais para guardar fábricas, construções, casas e necrópoles, como a da Consolação.

No começo do ano, o mortuário da rua da Consolação testou um esquema de segurança com seis cães guardando à noite os trechos de muro prediletos de gatunos.

"Os furtos caíram de 40 por mês a zero", diz a chefe do Serviço Funerário, Lúcia Salles França Pinto. "E cão não tem medo de alma penada."

A empreitada foi considerada bem sucedida pela prefeitura, que fará uma licitação neste mês para contratar 20 cães para guardar os cemitérios da Consolação e do Araçá, onde oito canis já foram construídos.

A sãopaulo visitou o Canil Vale das Pedras, em Santa Izabel (SP), um dos principais fornecedores de pastores alemães do Estado.

"Esses cães são extremamente inteligentes e obedientes", diz Sérgio Sampaio, ex-policial militar que toca o negócio e aluga pastores por R$ 800 mensais, valor que inclui comida e veterinário e banhos quinzenais.

Sampaio sugere que cada animal tenha um guia humano consigo, em vez das câmeras de vídeo que o poder público prevê. O criador tampouco utiliza o método de contenção usado, uma guia presa a um fio de aço esticado entre postes. 

Associações dos direitos dos animais dizem que o método, além de estressar os bichos, pode fazer com que eles se enforquem sem querer.

"Eu recebo isso como uma péssima notícia. Está na contramão da história", diz o deputado estadual Feliciano Filho (PEN), autor de leis como a que proíbe a criação de animais para o uso exclusivo de sua pele. "Usar cães para isso é pensar só na questão material, mas esquecer da mais fundamental: a vida."




(texto publicado na revista sãopaulo - 12 a 18 de julho de 2015)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Veneza, cenários de rara beleza e romantismo para os corações apaixonados - Iris Nunes Rodrigues


Quando se fala em Veneza, logo se imagina as seculares gôndolas que, como cisnes negros, navegam elegantemente pelos canais silenciosos e mansos. Sem dúvida um verdadeiro convite ao relaxamento e ao amor.

Pouquíssimas localidades no mundo são tão amadas como Veneza. Há séculos que ela vem inspirando pessoas do mundo inteiro a escolherem-na como a cidade para ser palco de pedido de casamento, comemorar bodas, passar lua de mel ou até quem sabe, encontrar o eterno amor.

Depois que o ator George Clooney, o solteiro mais cobiçado do mundo, escolheu Veneza como cenário de seu enlace com a advogada britânica Amal Alamuddin, já que foi local onde se conheceram, a cidade ganhou mais um elemento mágico. Se George Clooney se rendeu ao amor em Veneza, quem não se renderia?

Considerada desde 1987 pela UNESCO como patrimônio da Humanidade, não se pode dizer que é a cidade mais bonita do mundo por um motivo: ela é incomparável, completamente diferente de qualquer outra. O estilo arquitetônico veneziano é singular: são tantos palácios - construídos na era medieval - e outros belos edifícios, tão diversos entre si e ao mesmo tempo tão homogêneos que proporcionam um cenário inigualável! Suas ruelas formando verdadeiros labirintos, suas belas pontes ligando as ilhotas, as charmosas praças, as galerias de arte e os museus ao ar livre, há tanto o que ver que não se sabe para onde olhar... tudo é mágico e encantador.

O famoso carnaval de Veneza é um capítulo à parte. A festa veneziana surgiu há cerca de 500 anos e se destacou pelo fato de os nobres se misturarem à multidão usando máscaras para manter o anonimato. Durante 10 dias os desfiles venezianos encantam pelo fascinante impacto visual das fantasias e suas misteriosas máscaras em meio às construções seculares. À noite são realizados os famosos bailes nos salões em clima de muita pompa, luxo e beleza. As companhias artísticas, conhecidas como compagnie della calza, desfilam pela cidade contagiando os transeuntes com sua alegria e irreverência. Entre as mais conhecidas estão Os Antigos e Os Ardentes. As orquestras a céu aberto dão um ar ainda mais romântico que de costume. Para entrar na dança existem algumas regras, como a tonalidade das máscaras que obrigatoriamente devem ser brancas, douradas ou prateadas. O restante da fantasia permite uma certa liberdade de criação, mas nada que fuja ao tradicional visual renascentista.

Desvendando Veneza...

Sem dúvida que visitar a cidade ao lado da pessoa amada tem todo um clima de encantamento, mas a cidade também foi feita para os corações solitários... para os amantes da boa gastronomia, eventos culturais, o charme de suas ruas estreitas, os canais, os prédios e os monumentos que tornam a cidade uma verdadeira galeria de arte a céu aberto.

Sidney Tomassini retornou a pouco de Veneza, já esteve lá 3 vezes e diz que sempre descobre algo novo: "toda vez que chego em Veneza parece que faço uma regressão. Sinto-me que levado para a era medieval. Cada ponte que atravesso, ou quando caminho por aqueles labirintos tenho a sensação de voltar ao passado e demoro para retornar ao século atual. Uma boa dica é fugir para lugares fora da rota das multidões, se perder pelas ruas mais tranquilas, pelas travessas do lado oposto ao burburinho e sentir a verdadeira Veneza, conhecer um pouco a rotina dos moradores de lá. Siga, por exemplo, pela Via Giuseppe Garibaldi, onde se pode achar restaurantes mais baratos e até com música ao vivo. Mas não se esqueça de levar o mapa para achar o caminho de volta", alerta Sidney.

Luciana Orlando Lira Rodrigues é outra apaixonada pela cidade, diz que já esteve em Veneza, porém sozinha, mas promete voltar em breve agora com o seu marido João Alberto Rodrigues, e tem certeza que seu coração baterá de outra forma, novas sensações estarão por vir: "Veneza, sem dúvida, é uma viagem no tempo. Uma boa dica para mergulhar de cabeça nos séculos passados, nada melhor do que a música para levá-lo a essa outra dimensão. Não perca os concertos muis realizados em algumas igrejas. Escute e desfrute de verdadeiras obras-primas da música clsicaássica como Vivaldi, Bach, Beethoven e sinta-se realmente um veneziano por algumas horas", destaca Luciana.

A redação pediu para os nossos entrevistados algumas sugestões de lugares que valem a pena conhecer.

Piazza San Marco

Uma das mais belas praças do mundo e um ícone de Veneza. Nela fica a Basilica di San Marco, em estilo veneziano-bizantino, tem a forma de cruz grega e cinco enormes domos, repleto de mosaicos e objetos preciosos.

O Palazzo Ducale, um amplo edifício em estilo gótic0-veneziano, todos de mármore branco e avermelhado, com arcadas, chama a atenção por sua simetria e elegância. Construído a partir do século XII, passou por importantes modificações até o século XVI, quando assumiu a aparência atual.

Campanile

Foi aqui, em cima do Campanile di San Marco, que Galileu Galilei apresentou o seu telescópio ao doge Leonardo Donà, em 1609. A primeira torre, construída em 1173, foi usada durante muitos anos como farol, para guiar os navegadores da laguna.

Ponte dei Sospiri

Datada de 1600, esta ponte faz a passagem entre o Palazzo Ducale (e respectivas salas de tortura do tempo da Inquisição) para a prisão, do outro lado do canal. Deve o seu nome aos suspiros que os prisioneiros soltavam, depois de julgados e a caminho da execução.

Santi Giovanni e Paolo

No seu interior estão os túmulos de 25 doges, alguns deles são verdadeiras obras de arte executadas por grandes escultores.

Burano

Esta é a ilha mais animada de toda a região, reconhecida à distância pela inclinação da torre da sua igreja. Tem quiosques de venda de linho, rendas e muitas trattorias ao ar livre que servem peixe fresco.

Murano

Localizada a menos de 2 quilômetros ao norte de Veneza - acessível por vaporetto, a ilha é célebre pelos trabalhos artísticos em vidro como copos, luminárias, enfeites, penduricalhos e outros objetos forjados com os coloridos cristais locais. Os visitantes podem ainda conhecer fábricas e até um museu dedicado aos vidros, com mais de 4 itens em exposição.

Santa Maria della Salute

Mais de um milhão de pilares de madeira suportam o peso desta majestosa igreja barroca, um dos mais imponentes marcos arquitetônicos de Veneza. No seu interior, podem ser admiradas obras de Tintoretto, Giusto Le Corte e Tiziano.

Ponte di Rialto

Antigamente ela era a única maneira de atravessar o Gran Canal, ligando o bairro de San Marco a San Paolo e a Santa Croce. Atualmente, ela divide com a ponte dell'Accademia. Nas manhãs de segunda a sábado, funciona o mercado principal de Veneza, com ofertas de queijos, peixes e outros produtos frescos.

Santa Maria dei Miracoli

Escondida num labirinto de vielas e canais, esta pequena igreja é uma obra-prima da arquitetura do início do Renascimento, sendo a igreja preferida dos venezianos para celebrarem os seus casamentos. O seu interior é decorado com mármore rosa, branco e cinzento, magnífico quando iluminado pelos raios solares.

Hospedagem em Veneza

Os preços dos hotéis não podem ser considerados barganhas, mas é possível, sim, encontrar boas promoções na baixa temporada. Alguns hotéis colocam à disposição dos hóspedes embarcações para a estação de trem ou o aeroporto. Para os que se hospedam em hotéis que não oferecem serviço de transporte, o melhor é ficar em Santa Croce e Cannareggio, os bairros mais próximos da estação de trem de Veneza. Muitos turistas optam em se hospedar em Mestre (no continente) por ter hotéis bem mais baratos.

Comendo em Veneza

Boa comida é o que não falta em Veneza. Desde um lanche até uma deliciosa pizza ou uma verdadeira pasta italiana. Os preços em Veneza, no entanto, também não são baixos em se tratando de alimentação. Mas pesquisando, é possível comer bem sem precisar tirar muitos euros do bolso. Os frutos do mar são boas pedidas na cidade símbolo do romantismo. Há, ainda, muitos cafés, a maioria na Praça de San Marco. O consumo mínimo normalmente é de 10 euros como é o caso do Café Florian e do Quadri. Também é possível encontrar diversos lugares que vendem pizzas em porções, que podem sair de 1,50 a 2,50 euros cada uma. As pizzas inteiras custam entre 6 e 13 euros, dependendo do tamanho e dos ingredientes. Em se tratando de restaurantes, um risoto com frutos do mar é vendido, em média, por 15 euros e o escalope bolognese style sai por cerca de 17 euros. Não deixe de experimentar o antipasto veneziano, que é composto por azeitonas, anchovas marinadas, caranguejo e outros frutos do mar.

Veneza deve ser explorada com calma, pois tem muito a revelar a seus visitantes. Uma cidade romântica que, ao lado da companhia ideal, tornará sua viagem inesquecível e fará com que cada momento seja recordado com muito carinho. Boa viagem!



(texto publicado na revista Auguri - edição 25)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

I sette peccati capitali (da non commettere) a Venezia


1) Sempre in treno. Solo 'inesperienza della prima volta può giustificare l'uso dell'auto per arrivare a Venezia. I parcheggi sono carissimi e la mezz'ora o l'ora che spesso vi toccherebbe trascorrere in nervosissima attesa davanti al semaforo di accesso che non diventa verde annulla qualunque illusione di aver risparmiato tempo viaggiando in autostrada anziché sulla ferrovia.

2) Evitate i taxi abusivi. Nonostante i controlli delle forze dell'ordine è sempre forte il pericolo, per chi arriva in auto al Tronchetto, di essere "sequestrati" da un motoscafista abusivo che vi sbarcherà dove conviene a lui al prezzo che decide lui. Affiatevi ai mezzi pubblici, che a Venezia funzionano benissimo.

3) Niente cavallucci, maschere e merletti fasulli. Non date anche voi il solito obolo al già floridissimo commercio di paccottiglia veneziana (spesso importata da Taiwan). Se volete un vero vetro di Murano o un autentico pizzo di Burano, preparatevi a pagarlo molto e non cercatelo attorno a San Marco. Una vera maschera artigianale, invece, si può trovare quasi allo stesso prezzo di una fasulla nel laboratorio artigiano giusto (per esempio da L.A.M., in Barbaria de le Tole, a Castello).

4) Se non potete permettervi una stanza a quattro stelle, non scendete in un albergo vicino a San Marco. Rischiate prezzi spudorati e un servizio al limite dell'indecenza. Molto meglio far rotta su un'antica pensione. Basta prenotare per tempo.

5) Prezzo fisso? No, grazie. Tra i tanti segnali che consentono di riconoscere un ristorante dove non mettere piede, uno inequivocabile è il cartello "Menu a prezzo fisso". Evitate, a costo di ripiegare su cappuccino e brioche. Puntate su "cantine", "osterie", "cicchetterie" e "caffetterie". Anche qui: tenersi al largo da San Marco.

6) Non esiste città che in così pochi metri quadrati raggruppi tante vetrine dei massimi stilisti. Resistete anche alla tentazione più forte di acquistare a Venezia un oggetto griffato: il prezzo, che per le case più serie dovrebbe essere "consigliato", qui il negoziante se lo consiglia da solo.

7) Gondola vietata a mezzogiorno. Massì, fatevelo un giretto in gondola. Prima però adottate qualche precauzione: prezzo chiaro (la tariffa base è 80 mila lire per 50 minuti), niente serenata. E, possibilmente, scegliete le ore serali. Il fascino dei canali è proprio il silenzio notturno: che senso ha farsi scorrazzare a mezzogiorno, bersagliati a ogni ponte dai flash dei giapponesi?



(testo pubblicato sulla rivista Tuttoturismo nº 217 - febbraio 1997)






terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Os caminhos da roça - Rachel Verano


Cidades medievais, vinhedos, campos de girassóis, obras de arte. Cinco roteiros de carro para se perder e encontrar os segredos bem guardados da TOSCANA

A luz do fim de tarde dourava os campos cobertos de vinhedos e, lá na frente, os enormes ciprestes eram naquela hora apenas silhuetas no alto da colina, envoltas numa fina névoa. Impecável em um terninho preto, Giovanna Romanzi rompe o silêncio com um longo suspiro, tira a cãmera do bolso e começa a fotografar. Até aí nada demais, não fosse o fato de que Giovanna mora exatamente ali - e estava a  trabalho. Há dois anos ela foi contratada por um hotel de luxo e se mudou de Roma para a região de Grosseto, a pouco mais de duas horas de distância da capital. Não demorou muito para que incorporasse aos folders e cartões de visita do trabalho a tal cãmera, sempre a tiracolo. "Me surpreendo a todo momento", diz ela. "A cada hora do dia temos uma paisagem diferente, uma luz diferente, uma cena ainda mais mágica." É fácil entender o que ela está falando. A Toscana parece um cenário produzido - de qualquer ângulo, a qualquer hora e qualquer que seja a direção, vai ter sempre um cartão postal escancarado na nossa frente. Um campo de girassóis que sobe e desce suavemente as montanhas. Um caminho cheio de curvas, ladeado de ciprestes simétricos. Uma igrejinha de pedra isolada no alto da colina. Um castelo imponente que surge do nada no meio de uma estradinha de terra que parecia levar a lugar nenhum. Respire fundo, desacelere a alma, tire o relógio do pulso. Até porque o tempo por aqui é outro... A seguir, propomos cinco roteiros de carro pela região. Um conselho: não os siga à risca, apenas se oriente. O melhor da Toscana surge assim, quando menos se espera. E a surpresa faz parte do pacote.

Montepulciano/Pienza/Montalcino

Num pequeno trecho de menos de 30 quilômetros de estrada, a Toscana se entrega de bandeja com todas aquelas paisagens que você já viu nos livros e no cinema. É a região ideal para quem tem pouco tempo. Montepulciano tem um belo centro histórico que é uma sucessão de vielas imperfeitas e fachadas irregulares. Pienza, uma cidadela monocromática cercada de campos verdes de doer. E Montalcino, uma pequena vila de 5 mil habitantes erguida no topo de uma colina, cercada por alguns dos vinhedos mais afamados do mundo: os que dão origem ao vinho Brunello de Montalcino, uma das jóias italianas. Entre elas, campos dourados de feno, ilhas de ciprestes à beira da rodovia, campos de girassóis, casas singelas construídas no alto dos morros. Erre o caminho, busque as estradas secundárias. Não faça planos, mas não vá embora antes de conhecer alguns highlights: o Tempio de San Biaggio, nos arredores de Montepulciano, um belo exemplar da arquitetura renascentista, erguido no século 16; a pequenino vila de Monticiello, com suas casas de pedra, floreiras nas janelas e a sensação de que o tempo parou; as muitas enotecas de Montalcino, para fazer degustações com vista dos vinhedos (oque é ainda mais especial); e a Abbazia di Sant'Antimo, nos arredores da cidade, construída no meio de um vale de oliveiras centenárias, onde monges entoam cantos gregorianos várias vezes ao dia. A região é ainda famosa produtora do queijo pecorino, feito com leite de cabra, e é possível visitar diversas fábricas pelo caminho.

Siena/San Gimignano/Florença

O coração desta região tem um nome mágico: Chianti. Para apreciadores de vinho, não é preciso dizer muito mais. As terras localizadas entre Siena e Florença são cobertas de belos vinhedos. No meio deles, aqui e ali, pipocam castelos medievais, vilas minúsculas, abadias centenárias, muitas adegas e algumas curiosidades, como o fato de que Monalisa, a musa de Da Vinci, teria nascido por aqui, na villa Vignamaggio, em 1479. No meio de tudo isso serpenteia a S-222, uma estradinha secundária de cerca de 70 quilômetros de extensão, quase sempre vazia (apressados preferem a auto-estrada que corre paralela). Numa ponta fica Siena, com seu charmoso centro histórico de ruelas estreitas. No coração da cidade, a Piazza del Campo reina soberana como uma das mais belas praças do país, aos pés da Torre del Mangia, de onde se tem uma linda vista de toda a região. É ali que Siena se transforma nos dias 2 de julho e 16 de agosto para sediar a mais antiga e emocionante corrida de cavalos do mundo, o Palio. Na outra extremidade, Florença. Todos os caminhos levam ao Duomo, o grande cartão-postal da cidade desde o século 15. E, de lá, à Piazza della Signoria, às grandes obras da Accademia e da Galleria Uffizi, ao Palazzo Pitti, aos Jardins de Boboli, ao Rio Arno, à Ponte Vecchio... E também aos melhores gelatos do país. A 53 quilômetros dali (e a 40 de Siena) fica outra bela cidadezinha-cenário: San Gimignano, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Fundada no século 10, é famosa por suas torres medievais superbem preservadas - são ao todo 14.

Pisa/Lucca

Pisa é grande (tem cerca de 100 mil habitantes). É industrial. E, verdade seja dita, é feinha. Talvez não fosse em qualquer outro canto do mundo, mas na Toscana, onde cada vila parece ter sido esculpida à mão, ela é, sim. E é justamente por ser assim que ela precisa ser visitada. Ela não, a Piazza dei Miracoli. Percorrer as ruas sem graça dos arredores e de repente dar de cara com aquele descampado com o belo Duomo e, ao lado, a famosa torre inclinada, que começou a ser construída ainda no século 12, é um choque delicioso e imperdível. Mas que não demanda mais do que uma tarde. A menos de 40 quilômetros de distância fica a puco conhecida e badalada Lucca, um charme. No centro histórico, todo murado, o trânsito de pessoas divide espaço com o de bicicletas e, no final, tudo converge para a curiosíssima Piazza Anfiteatro, uma praça completamente oval no meio da cidadela. Nos arredores há vilinhas interessantes e uma concentração de cursos de culinária. Quem quiser aprender a fazer cantucci, o tradicional biscoito de amêndoas normalmente acompanhado por um cálice de vin santo, ou saber a diferença entre bresaola, pastrami e prosciutto, pode se hospedar em belos palacetes e passar uns dias de avental e gorro pela mais tradicional zona rural italiana, com direito a visitas a deliciosos mercados e feiras de rua, como a que acontece na pequenina Pistoia aos sábados pela manhã.

Cortona/Arezzo

Cena rum: um desajeitado Guido Orefici percorre as ruelas de um lindo centro histórico de bicicleta e sorriso escancarado, deixando ecoar pelos becos um sonoro "buongiorno principessa" para sua amada. Cena dois: uma escritora norte-americana recém-separada do marido embarca numa excursão para a Itália e, ao fazer um passeio pelo interior do país, se encanta com a região, manda o motorista parar, desce do ônibus, compra uma casa e nunca mais vai embora. Nos últimos tempos, essa região da Toscana foi elevada ao status de celebridade depois de ter servido de pano de fundo para sucessos de Hollywood. O primeiro, A Vida é Bela, protagonizado por Roberto Benigni, se passa no centro de Arezzo, um emaranhado de ruinhas calçadas recheadas de café, lojas de antiguidades e pequenos empórios que vendem massas e vinhos. O segundo, Sob o Sol da Toscana, narra a aventura real da escritora Frances Mayes em Cortona, uma cidade de pouco mais de 20 mil habitantes de origem etrusca, encarapitada no topo de um morro cercado de vinhedos. As duas foram feitas para ser saboreadas sem pressa. De preferência num café com vista. A estradinha que liga uma à outra tem menos de 30 quilômetros de extensão e os mais impressionantes campos de girassóis do país, durante os meses do verão. Reserve uma tarde para conhecer Il Borro, a 20 quilômetros de Arezzo, uma minúscula vila medieval do século 11 comprada e completamente recuperada pela tradicional família Ferragamo (leia-se Salvatore Ferragamo, uma das mais renomadas grifes italianas). As fachadas coloridas e gastas escondem segredos que quase já não existem mais - há um sapateiro que confecciona calçados à mão sob encomenda, um ourives, um marceneiro que faz brinquedos de madeira... Uma verdadeira viagem no tempo.

Maremma

Depois de meia hora andando numa trilha aberta na mata, com suaves descidas e subidas, a grande surpresa: uma faixa estreita de areia fina e branquinha e o mar azul, azul, tipo piscina. Pouca gente, nenhuma barraquinha, nenhum ambulante. Precisar, nem precisava. Mas a Toscana tem até praia. E a Cala Violina é maias um desses segredos que vão sendo revelados aos poucos. Maremma é a região onde a Toscana encontra o mar. Um Tirreno de águas tranquilas e transparentes que emoldura aquela mesma paisagem de cinema do interior. São 130 quilômetros de costa de frente para as ilhas do Arquipélago Toscano (Elba é a maior delas). A cidade mais encantadora dos arredores é Castiglione della Pescaia. Uma vilinha medieval que sobe o morro suavemente até encontrar o castelo e as muralhas lá no alto. Pelo caminho, se espalham cafés, mesas ao ar livre em pracinhas e um silêncio quase absoluto. Foi a poucos quilômetros dali que o chef Alain Ducasse resolveu abrir o seu primeiro country-inn italiano, instalado na antiga residência de caça de Leopoldo II de Lorena, o último duque da Toscana. Para chegar até o palacete de cor ocre é preciso percorrer uma estrada de 1 quilômetro de extensão em linha reta, ladeada por ciprestes - L'Andana, que emprestou o nome ao hotel. De um lado, oliveiras cobrem todo o morro. Do outro, os vinhedos seguem até onde a vista alcança. Foi ali que, naquele final de tarde da primavera, Giovanna suspirou. Poderia ter sido em Cortona, Siena, Montalcino, Florença ou na pequena Monticello. A Toscana é assim.



(texto publicado na revista Viagem e Turismo - O melhor da Itália - eidção 139-B)








10 dicas de sobrevivência para um turista em Roma - Claudia Monteiro de Castro


1) Se for esperar alguém reduzir a velocidade para atravessar a rua, você não sairá do lugar. Acredite, os carros brecam em cima da hora, mas não atropelam. Vá com fé!

2) Use sapatos confortáveis e, sobretudo, evite salto alto. As ruas do centro de Roma são quase todas de paralelepípedos.

3) Se não quiser pegar fila em certas pizzarias e trattorias populares durante o jantar, chegue antes das oito.

4) Para ver os monumentos com o menor número de turistas possível, é preciso madrugar ou ir depois da meia-noite.

5) Aproveite o que Roma tem para oferecer grátis: dentro das igrejas há verdadeiros tesouros.

6) AS filas são bagunçadas. Para conquistar o seu espaço é preciso se impor.

7) Não se deixe abater por garçons ou vendedores rudes. Para cada mal-educado haverá um outro simpático, louco para fazer amizade com você.

8) Nos ônibus e no metrô, tome cuidado com duas espécies endêmicas: os "mão-leve" e os mano morta, o bom e velho "mão-boba".

9) Para mulheres: não se assuste com as cantadas descaradas dos romanos. Aqui, vale o ditado "cão que ladra não morde".

10) Cuidado para não cair no conto da coca-cola. Algumas lanchonetes para turistas cobram até 5 euros por uma latinha. Verifique os preços no cardápio antes de fazer o pedido. E lembre-se que em Roma o vinho da casa sai mais barato que refrigerante.




(texto publicado na revista Viagem e Turismo - Itália edição 164 B)




domingo, 30 de novembro de 2014

Turismo 4 patas






Turismo canino - Amanda Agutuli


Eles gostam de ser mimados ao chegarem limpinhos do pet shop. Mas, nada os deixa mais felizes do que ficar com os pelos bagunçados e cheirando a cachorro molhado. A turismóloga Larissa Rios dos Santos, proprietária da Turismo 4 Patas, explica como o turismo canino integra donos e mascotes à natureza: para ficarem bem á vontade, eles se divertem sem coleiras muito menos focinheiras. "Uma equipe de adestradores e especialistas em comportamento animal dá suporte no controle dos cães."

A turismóloga conta que pets mais tímidos e antissociais também se adaptam às atividades. "Cada um ao seu tempo, o importante é respeitar os limites. Alguns se soltam imediatamente, outros precisam participar mais vezes até que se sintam confortáveis e confiantes." Estar com a carteira de vacinação em dia e ter passado antipulgas é essencial.

Roteiro animal

Com foco no ecoturismo, há esportes de aventura como floating, rafting, trilhas ecológicas, passeios de barco, entre outros. Mas, segundo o veterinário Ricardo Stanichi Lopes, animais sedentários ou que fazem poucas atividades diárias devem tomar cuidado nas primeiras vezes. "Não deixe que abusem em subidas e descidas íngremes, pois são terremos com os quais não estão habituados. Além disso, prefira os horários mais frescos do dia e não recomendo mais do que 30 minutos de exercícios seguidos."

Para se acostumarem com o agito, Larissa recomenda começar por uma trilha mais leve. "Assim, conseguimos perceber a reação do animal sem causar nenhum estresse." Com o tempo, há opções para todos os estilos. O Water Trekking, por exemplo, combina caminhada com o "boiacão", com cães e donos descendo juntos por um trecho de rio.

Caso algum animal sofra um ferimento, a equipe presta os primeiros socorros e, se necessário, um veterinário da região está preparado para atendê-lo imediatamente.

Prepara

Antes de começar, faça cinco minutos de corrida leve com seu cão. A prática funciona como aquecimento. Quanto à alimentação, Lopes recomenda manter os mesmos alimentos do dia a dia, mas tomando cuidado quanto à hidratação. "Pode-se adicionar frutas que têm grande quantidade de água, como melancia e melão. E sempre ofereça bastante água", diz o veterinário.

Antes de sair, vale dar uma lida no Manual do pet viajante, disponível no site de Turismo 4 Patas (www.turismo4patas.com.br). Nele encontram-se de dicas de cuidados à etiqueta animal.



(texto publicado na revista Saúde hoje e sempre nº 3)






sábado, 29 de novembro de 2014

Le Terme delle meraviglie - Adriano La Regina


Piscine, biblioteche, teatri e giardini. Ecco Caracalla, dove i Romani si divertivano.

I resti degli acquedotti che con possenti arcate attraversano tanta parte della campagna romana denotano l'attenzione dedicata in antico al rifornimento idrico della città. A Roma le residenze dei cittadini benestanti erano infatti dotate di acqua corrente e di bagni privati. La maggior parte delle persone doveva però fare ricorso ai bagni pubblici, ossia agli edifici termanli, ove in ogni stagione uomini e donne potevano adeguatamente curare l'igiene del corpo e svolgere attività ginniche in ampie palestre.

Le grandi terme dei Romani si distinguevano dalle moderne strutture sportive essendo concepite per favorire non solo l'esercizio fisico ma anche gli interessi culturali di coloro che le frequentavano. Erano infatti dotate di biblioteche (di solito di una biblioteca latina e di una greca), di spazi idonei per le rappresentazioni teatrali e musicali, e di opere d'arte, al punto che divennero ben presto anche veri e propri musei pubblici di scultura e di pittura. Questo fece delle terme anche luoghi di svago e di ritrovo mondano per tutti i ceti sociali.

Le terme erano aperte nelle ore pomeridiane, tra mezzogiorno e il tramonto, mentre di mattina venivano eseguite le pulizie e le operazioni preparatorie, come il riscaldamento dell'acqua e degli ambienti. Di norma uomini e donne frequentavano i bagni separatamente, secondo turni diversi, ma questo criterio non venne sempre rispettato.

Il primo edificio termale che divenne di proprietà pubblica, per lascito testamentario, fu innalzato a Roma da Agrippa a sue spese presso il Pantheon nel 12 a.C. Nei secoli successivi ne furono costruiti molti altri, tra i quali di particolare importanza furono le Terme di Nerone o Alessandrine in Campo Marzio, le Terme di Tito e le Terme di Traiano sul Colle Oppio, le Terme di Diocleziano nel settore settentrionale della città, le Terme Costantiniane sul Quirinale. Rispetto a tutte queste, le Terme di Caracalla, costruite a ridosso del piccolo Aventino lungo il tratto iniziale della via Appia, sono seconde per dimensioni solo alle Terme di Diocleziano, e costituiscono il complesso più facilmente comprensibile e in migliore stato di conservazione.

Le terme aperte da Caracalla nel 216 d.C. divennero ben presto rinomate per la loro sontuosità e per l'ammirevole grandiosità. Si estendevano su una superficie di oltre 11 ettari, di forma quasi quadrata con i lati di circa 330 metri. Si calcola che alla loro costruzione debbano aver lavorato almeno novemila operai per cinque anni. Tra i materiali che fu necessario importare a Roma vi furono non meno di 252 colonne monolitiche di marmo, per non parlare dei pregiati marmi policromi che rivestivano le murature dell'intero complesso monumentale.

Potevano ospitare dalle seimila alle ottomila persone al giorno. Nel V secolo d.C. erano considerate una delle meraviglie di Roma. Cessarono di funzionare, dopo oltre tre secoli dalla loro apertura, nell'anno 537 d.C. durante la guerra gotica, quando venne a mancare l'acqua per la distruzione degli acquedotti ad opera dei barbari. Una derivazione dell'Aqua Marcia, fatta costruire da Caracalla nel 212 d.C., con il nome di Aqua nova Antoniniana, aveva infatti garantito il rifornimento idrico per le terme. A questo acquedotto, per l'attraversamento della via Appia, apparteneva il bellissimo monumento marmoreo detto Arco di Druso, all'interno delle Mura Aureliane dinanzi alla Porta San Sebastiano.

L'acqua proveniva alla terme nella loro parte più elevata, addossata al colle, ove si trovavano 18 cisterne che dovevano garantirne l'erogazione nei momenti di maggiore richiesta; tubature di piombo ne permettevano la distribuzione in tutto il complesso. Passaggi di servizio, di manutenzione, e per il trasporto di materiali su carri, costituivano un sistema di ampie gallerie solo in parte giá esplorate e visitabili. Gli impianti di riscaldamento, anch'essi sotterranei, richiedevano un rifornimento di 10 tonnellate di legname al giorno, mentre nei depositi sotterranei poteva esserne accumulata una riserva di almeno 2.000 tonnellate.

Un altissimo muro di recinzione, in gran parte conservato, delimitava il perimetro dell'intero edificio. Sulla sua fronte, all'esterno, vi era un'ampia terrazza sistemata a giardino che si allineava lungo la strada sottostante con una serie de botteghe, al momento solo parzialmente esplorate. All'interno del recinto vi era il complesso termale vero e proprio, addossatto al muro frontale, con pianta a simmetria assiale.

Vi si accedeva da due ampi vestiboli che si aprivano da una parte sugli spogliatoi, dall'altra sulla natatio, la piscina scoperta. Dopodiché il pubblico poteva dirigersi direttamente verso le grandi sale destinate ai bagni, oppure nelle palestre per l'attività ginnica. Poteva quindi raggiungere i laconica, ossia gli ambienti riscaldati per le sudorazioni. Le sale destinate ai bagni erano tutte allineate sui medesimo asse mediano dell'edificio: il calidarium, un'ampia sala rotonda con sette vasche per bagni caldi, il tepidarium con due vasche, il frigidarium con quattro vasche e quindi la grande natatio all'aperto. Tutti gli altri ambienti, vestiboli, spogliatoi, palestre, laconica, erano doppi e disposti simmetricamente rispetto all'asse centrale. Molti ambienti avevano un piano superiore, usato forse per i massaggi e le altre cure del corpo.

Il calidarium è in gran parte distrutto, ma le strutture monumentali rimaste sono sufficienti per farci comprendere la grandiosità dell'aula rotonda, coperta da una cupola dal diametro di circa 35 metri, che in antico era considerata una meraviglia della tecnica costruttiva perché si reggeva su strutture di bronzo e di rame.

La parte termale del complesso monumentale era quindi circondata da un giardino oltre il quale, addossati al muro di recinzione, erano tutti gli altri ambienti destinati alla conversazione, alla lettura, alla musica e alle rappresentazioni sceniche da camera molto diffuse nel corso del I e del II secolo d.C. Lungo i due lati del recinto, entro ampie esedre rigorosamente simmetriche vi era, infatti, una doppia serie di tre sale rispettivamente a pianta ottagonale, rettangolare ed ellittica. Sul lato posteriore del recinto, addossato al colle, si trovavano le due biblioteche, di cui solamente una è stata rimessa in luce con gli scavi recenti, e le grandi cisterne. Dinanzi a queste, e tra le biblioteche, vi era uno spazio aperto, lungo e stretto, di cui non è stata ancora individuata la funzione (stadio per le corse o grande cascata d'acqua?).

Tutti gli ambienti erano sontuosamente decorati, con pavimenti di marmi policromi oppure di mosaico, con rivestimenti marmorei applicati alle pareti e con marmi scolpiti nella decorazione architettonica, vasche e altri arredi. Un numero notevole di statue doveva ornare le sale e i giardini; molte di esse sono oggi sparse nei principali musei del mondo.

Nel Museo di Napoli sono conservate le due sculture più celebri, il gruppo monumentale detto del Toro Farnese, trovato verso la metà del Cinquecento nella palestra orientale, e il grande Eracle Farnese dello scultore Glykon, rinvenuto nello stesso periodo nel frigidarium. Dal medesimo ambiente provengono le due grandi vasche di granito grigio impiegate come fontane in piazza Farnese a Roma.




(testo pubblicato sulla rivista Ulisse del luglio 2001)





domingo, 21 de setembro de 2014

Bote fé nestas viagens - Alexandra Gonsalez


Círio de Nazaré, Nossa Senhora Aparecida e São Francisco de Assis. Prepare-se: outubro é mês de grandes festas católicas no Brasil

A devoção por um santo é um bom motivo para viajar pelo país. No mês de outubro, a Igreja Católica celebra festas para Nossa Senhora Aparecida, São Francisco de Assis e Nossa Senhora de Nazaré. Algumas reúnem milhares de pessoas, como a procissão do Círio de Nazaré, em Belém (PA), e as missas para a padroeira do Brasil, na Basílica de Aparecida (SP).

São Francisco de Assis, protetor dos animais, recebe várias homenagens com a presença dos bichinhos nas igrejas. "Este ano teremos missas ecológicas, abertas aos animais, nos dias 3 e 4 de outubro", diz frei Djalmo Fuck, da paróquia de São Francisco de Assis, em São Paulo.

Nossa Senhora Aparecida - Aparecida (SP)

Dia 12 de outubro

No ano passado, a Basílica recebeu mais de 11 milhões de romeiros, 1,3 milhão apenas em outubro, mês de Nossa Senhora Aparecida. No dia da padroeira do Brasil, 12 de outubro, o santuário fica lotado, então é bom chegar cedo para conseguir um lugar no templo. As missas da data neste ano serão realizadas a cada duas horas, a partir da meia-noite, com vigília às 4h30. A cerimônia de encerramento dos eventos será às 20h.

Imperdível

Basílica Nova de N. S. Aparecida com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, santa negra encontrada pelos pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso no rio Paraíba do Sul, em 1717.

E mais

Há um museu sacro, várias capelas e acesso para cadeirantes. No subsolo, está a sala de promessas dividida por temas: trabalho, saúde e até graças concedidas à gente famosa. No estacionamento da Basílica, há praça de alimentação e lojas de artigos religiosos. Ao lado, a Basílica Velha, onde era a primeira capela, em 1745.

Dica

Quem vai dirigindo deve deixar o carro no enorme estacionamento da Basílica Nova e circular a pé pela região.

Círio de Nazaré - Belém (PA)

De 7 a 26 de outubro

Em Belém, cerca de 2 milhões de romeiros percorrem 3,6 quilômetros pelas ruas da cidade. O desafio dos fiéis mais devotos durante a procissão é conseguir tocar em uma grossa corda de 400 metros, que fica no meio da multidão, atada ao altar que carrega a imagem da santa. Veja a programação completa do Círio 2014 no site www.ciriodenazare.com.br.

Imperdível

Seguir a procissão do Círio de Nazaré. A celebração, que completa 222 anos, começa no segundo domingo de outubro, com a saída da procissão da Catedral da Sé até a Praça Santuário de Nazaré, onde a imagem da virgem fica exposta durante 15 dias.

E mais

Aprecie com calma o interior da Catedral da Sé, ponto de partida da romaria. Repare no órgão, que veio da França, e nas pinturas do século 19.

Dica

Reserve um hotel o quanto antes, porque tudo fica lotado. Outra solução é alugar imóvel no airbnb.com.br ou aluguetemporada.com.br

São Francisco de Assis - São Paulo (SP)

3 e 4 de outubro

Para São Francisco de Assis, os animais são companheiros. Seu amor pelos bichos e pela natureza o transformou em um dos santos mais queridos dos brasileiros católicos. Em 4 de outubro de 2013, a paróquia de São Francisco de Assis, em São Paulo, recebeu 10 mil fiéis e seus mascotes para bênção.

Imperdível

Missa ecológica com bênção dos animais. Neste ano, as missas serão dia 3 (sexta-feira), às 15h, e 4 (sábado), às 12h e 15h, com a presença dos bichinhos. Além de cães e gatos, hamsters, tartarugas, aves e até cobras podem participar do culto.

E mais

Além do tradicional bolo de São Francisco, recheado com medalhinhas para os fiéis, cães e gatos vão ganhar bolos especiais para eles em formato de osso e saquinhos de ração abençoada serão distribuídos.

Dica

No dia do santo, também é celebrado o Dia Nacional de Adotar um Animal. Haverá no local uma feirinha de adoção e consulta veterinária gratuita.



(texto publicado na revista AnaMaria nº 936 - 19 de setembro de 2014)