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domingo, 4 de dezembro de 2016

Luto virtual - Mariana Rosário


Paulistanos usam o Facebook e uma nova rede social para criar perfis e postar mensagens em homenagem a parentes mortos

Há dez anos, o empresário Roberto Dhelomme sofreu a dor de perder um primo, o artista plástico Eduardo, que cometeu suicídio depois de descobrir que tinha câncer. "Foi um grande sujeito, daqueles que mereciam ter a história de sua vida contada em um livro ou até mesmo em um filme", afirma. Dhelomme ficou com essa ideia na cabeça e, em junho passado, decidiu criar um serviço on-line de homenagens póstumas. Batizado de Etternum, a rede social tem estrutura parecida com a do Facebook. O usuário cria uma conta, inclui os dados da pessoa falecida e libera o acesso a convidados. Esse grupo pode postar até cinquenta fotos, vídeos e textos, que ficam disponíveis em uma linha do tempo após a liberação do administrador. Quando se ultrapassa essa quantidade, é preciso contratar planos a partir de 14,90 reais. Nos dois primeiros meses, o negócio acumulou cerca de 100 perfis. Um dos clientes é o relações-públicas André Nascimento, responsável pela criação do espaço no qual ele e outros parentes compartilham imagens e recordações de uma tia morta há quatro anos. "Foi a maneira que a família encontrou de relembrar as coisas boas que vivemos com ela, sem nos expormos publicamente", explica.

A iniciativa surge no momento em que muitos paulistanos já utilizam o Facebook para manter viva a memória de quem já partiu. Em alguns casos, o perfil dos mortos torna-se um tipo de santuário, no qual parentes continuam postando mensagens, fotos e lembranças por um longo tempo. A própria rede social oferece um recurso para isso. Desde 2015, um parente pode solicitar a mudança da página para a versão "memorial", que bloqueia o acesso a novos contatos, mas preserva o conteúdo do usuário original e permite que os amigos continuem escrevendo mensagens. Além disso, o aviso "em memória de " é adicionado acima do nome da pessoa.

A alternativa é simplesmente excluir a conta, acessando essa opção na área de configurações. Boa parte dos parentes, no entanto, prefere não mudar nada. "Quero deixar do jeito que ela usava", conta a estudante universitária Yasmin Rodrigues. Ela visita toda semana a página da mãe, Marli Rodrigues de Souza, que sofreu um infarto fulminante em fevereiro. No perfil da mãe, Yasmin insere fotos tiradas em cenas corriqueiras do dia a dia, vídeos de viagens e até mensagens de datas especiais. Sua irmã Anahí marcou a mãe na foto de uma tatuagem que fez para homenageá-la.

Outros até decidem ingressar no Facebook como forma de superar o drama familiar. "Depois que ela se foi, percebi que essa seria a melhor maneira de ficar mais próxima das recordações", diz a administradora Vera Lucia Simões Meletti, que criou uma conta logo depois de perder a filha, Denise, para o câncer, em 2015, aos 33 anos. Ela publica fotos antigas e mensagens como "saudades", além de comentar as postagens de amigas da garota. Há também quem crie páginas especiais, como a Via Anariá, em tributo à socióloga Anariá Recchia, atropelada por um motorista embriagado em Pinheiros em maio. No espaço em questão, amigos compartilham recordações e até marcam passeata, como a que ocorreu em julho no mesmo local do acidente. "Essa iniciativa foi um presente, pois percebi como minha filha era querida", conta a mãe, Sônia Calidone. Psicólogos e especialistas veem com bons olhos as homenagens virtuais, mas alertam para os riscos do exagero. "Caso isso se mantenha por muitos anos, é melhor procurar ajuda", afirma o analista comportamental Victor Mangabeira. "O luto tem etapas, mas não pode se prolongar indefinidamente."




(texto publicado na revista Veja São Paulo de 7 de setembro de 2016)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Fui vendido! - Walcyr Carrasco


De uns tempos para cá, meu Facebook passou a ser invadido por mensagens de candidatas a casamento. Nenhuma brasileira. Seus textos, embora em português, devem ser traduzidos eletronicamente, pois os verbos vêm no infinitivo, as vírgulas fogem. Tipo: "Eu ser mulher de trinta e cinco anos estar interessada em conhecer senhor interessar seu perfil meu email ser...". Algumas vêm com foto, outras não. A maioria de países distantes, africanos, do antigo Leste Europeu... Tenho certeza que as candidatas não têm a mínima ideia de quem sou, no que trabalho, Nenhuma fala em novelas e, francamente, a maioria já passou até da fase de recauchutagem. Meu perfil pode ser até atraente, mas para as mais desesperadas. Mas... que perfil? Nunca entrei em nenhum site de oportunidades amorosas. Muito menos pus perfil com foto procurando uma candidata pelo mundo. É óbvio, tal a frequência das mensagens, que alguém botou. Ou melhor, vendeu meu perfil, com foto e tudo, pois elas se referem a minha aparência simpática. Modéstia à parte, sou mesmo simpático. Pelo menos em fotos. Quem vendeu, quem ganhou? Não mereço nem uma consulta antes de ser posto num site internacional de relacionamento? Ainda bem que já passei da idade de fazer programa. Modelos brasileiras já apareceram em sites de prostituição sem ter nada a ver com isso. Usam as gatas para, depois de atrair o cliente, entregar alguma lebre gorda e orelhuda.

Toda loja me pede para preencher um cadastro com o e-mail. Depois, começo a receber centenas de propagandas. Algumas das próprias. Outras de empresas de que nunca ouvi falar. Minha caixa de e-mails fica inundada pelas propostas mais incríveis: sofás a preço promocional, a nova coleção de alguma grife. Ameaçadora, uma clínica de beleza avisa que meu rosto se tornará um pergaminho, se não tratar da pele... Meu e-mail pessoal não é semelhante a meu nome. concluo que sou vendido em pacotes, sem autorização. Pergunto: é justo? Atualmente, quando pedem o cadastro, me recuso a dar o e-amil. Já ouvi que, nesse caso, a compra não poderia ser efetuada. Respondo:
- Certo, então não compro.
Claro, desistem imediatamente. Certamente o pobre vendedor levará um puxão de orelha por não ter conseguido o e-mail.
Tentam me aliciar, pelo menos a cada duas semanas, para um grande golpe. As histórias variam, mas têm um padrão. Uma delas é a da velhinha que está morrendo na Inglaterra e decidiu passar sua imensa fortuna para mim, que deverei administrá-la até seu passamento. Por que uma velhinha inglesa me escolheria? Bem, parece que e la procura alguém honesto, digno etc. No primeiro momento, me sinto envaidecido. No segundo, olho o endereço de e´mail: "undisclosed recipients". A velhinha escolheu um batalhão! Fato: simplesmente faço parte de uma lista de e-mails comprada em algum lugar. Outra história recorrente é o ditador africano que, ao morrer, deixou um saldo bilionário num banco. Agora precisam de alguém como eu para resgatar a fortuna. O negócio tenta parecer verídico, se comprometem a me dar somente uma parcela. Pensei algum tempo: que golpe é esse? Onde ganharão o dinheiro? Certeza não tenho. Já ouvi histórias de que, se o incauto responde, alguém pede um depósito numa conta, justamente para resgatar a grana e repassar. Depois some. Ouvi também narrativas mais escabrosas, tipo: alguém foi para a Nigéria pegar o dinheiro e acabou sequestrado. O pior dessa tentativa de golpe é que a vítima não poderá chamar a polícia, pois participava de uma jogada desonesta. Confesso, uma vez me senti tentado. Por um motivo simples: o e-mail era dirigido somente ao meu endereço (aparentemente) e falava num "Carrasco" recentemente morto, sem herdeiros, cujo parente mais próximo era eu. Balancei. O único problema é que tenho irmãos, primos. Dificilmente seria o único herdeiro mais próximo. Se algum patriarca morreu, o queijo da herança seira dividido entre uma ninhada. Inquietante pensar que tinham detalhes como meu nome e sobrenome. 
Quem vende, quem compra? Sabemos que redes sociais vendem nossos perfis, sem autorização. Há empresas especializadas em listas de e-mails, de Twitter. Empresas trocam listagens. Sou apenas um nome numa lista, vendida a granel.
Considero uma prática abusiva. De que adianta? Sei que, neste exato momento, estão me vendendo. E alguém está me comprando. Que sensação desagradável!


(texto publicado na revista Época nº 830 - 28 de abril de 2014)

terça-feira, 7 de junho de 2016

25 erros que as empresas cometem na redes sociais - Camila Porto


Especialista em Internet Marketing, Camila Porto lista os maiores erros das empresas na hora de usar ferramentas como Facebook, Instagram e outros.

Especialista em Internet Marketing, Camila Porto é uma das maiores autoridades no assunto, tendo formado mais de 6 mil empreendedores para anunciar no Facebook por meio dos seus treinamentos online. Sempre que discute com empreendedores e profissionais de mídias sociais, Camila se depara com muitos erros cometidos pelas empresas. "É preciso estar atento para corrigi-los no mesmo instante, caso contrário os investimentos em anúncios podem se transformar em dinheiro jogado fora", alerta a especialista, que lsita os 25 erros mais comuns que as empresas cometem nas redes.

1 - Achar que vender na web é fácil

Muita gente acredita que, ao fazer um anúncio no Facebook, vai conquistar rápidas vendas. "Vender é difícil em qualquer lugar, por isso é preciso encarar a venda online como um processo tão complexo quanto a venda física", explica Camila. "A vantagem da rede social é que o anúncio é focado no público-alvo".

2 - Não identificar oportunidades de negócio

"Quem vai empreender online precisa ficar de olho nas oportunidades, usando sempre a tecnologia a seu favor", explica a especialista, que destaca a importância de observar o que o público mais precisa no momento, como um aplicativo novo ou uma solução para um problema atual.

3 - Achar que todo mundo vai comprar

Segundo a especialista, é preciso delimitar o público-alvo. "Mesmo um produto que pode ser comprado por todo mundo deve ser anunciado para um nicho específico", destaca. A linguagem e a rede social devem ser condizentes com o público.

4 - Encarar como um "trabalho fácil"

Muita gente associa o trabalho em redes sociais com a expressão "ganhar dinheiro online". A especialista alerta que o termo correto é "trabalhar online", já que ganhar dinheiro requer muito esforço. "Para o seu negócio ser financeiramente saudável, você precisa ter um fluxo de caixa, previsibilidade de receitas, entradas recorrentes e controle de gastos", resume.

5 - Acreditar nos antigos paradigmas de trabalho

Camila destaca que trabalhar online pode ser libertador quando se compreende que é possível atuar de qualquer lugar. "Por isso, o trabalho com redes sociais pode durar muito menos ou muito mais que as tradicionais 40 horas semanais", explica.

6 - Manter-se apenas com um plano

Camila ensina que o mundo online está sempre mudando, e por isso nem sempre é possível manter os mesmos planos. "Faça os anúncios sempre pensando em um plano B, assim como o seu próprio negócio deve ter uma segunda opção na manga", resume a especialista.

7 - Deixar de lado o espírito empreendedor

A autora do livro Facebook Marketing ensina que ter um CNPJ não faz de ninguém um empreendedor, e para estar nas redes sociais é preciso ter espírito empreendedor o tempo todo. "Para ser empreendedor é preciso aceitar riscos, e ainda seguir com determinação, liderança, visão, coragem e competência", resume Camila Porto.

8 - Dedicar-se parcialmente

Segundo a especialista, ter um negócio online e anunciar nas redes sociais exige dedicação, total. "Esquecer um anúncio ou olhar para as redes sociais apenas quando tiver tempo sobrando é uma forma muito ruim de lidar com este tipo de investimento", ensina.

9 - Investir demais

Mais do que investir altas quantias em anúncios no Facebook, Google, Instagram e outras redes, Camila destaca que é preciso ter um planejamento. "É melhor investir um pouco de forma bem planejada e para um público específico, que muito dinheiro para um público que não vai comprar seu produto ou serviço", destaca.

10 - Investir de menos

"Muitas vezes, o empreendedor tem esperança de que no dia seguinte vai dar certo, e continua gastando em anúncios sem ter resultado", destaca Camila sobre anúncios especialmente no Facebook. O ideal, segundo ela, é acompanhar diariamente o andamento de todo anúncio. "Mas é preciso tomar cuidado ao mudar o anúncio demais, pois às vezes se perde a capacidade de avaliar o que está funcionando ou não."

11 - Ser ofensivo

Para estar nas redes sociais, é preciso se comunicar na linguagem do público e interagir sempre. No entanto, a especialista alerta para que as empresas não exagerem. "Acredito que vale a pena correr riscos com conteúdo ou linguagem que saia da curva, desde que não seja ofensivo", conta.

12 - Ser falso ou pouco autêntico

Segundo Camila Porto, é preciso que toda marca tome cuidado para não ser falsa. "As pessoas sabem quando a marca faz alguma coisa só para pegar carona em uma situação, por isso é preciso ser verdadeiro", explica. Autenticidade é primordial para a imagem de um produto.

13 - Achar que anúncio é máquina de fazer dinheiro

Camila ressalta que muitos empreendedores pensam que, ao anunciar no Facebook, terão vendas automáticas. "É preciso ter uma estratégia e saber o que está fazendo. Qualquer pessoa pode fazer um anúncio, mas fazer com que ele dê resultado é mais complicado", resume.

14 - Comunicar-se nas redes sociais diferente da "vida real"

No caso de negócios físicos que atuam nas redes sociais, a especialista ensina que é preciso haver um alinhamento da linguagem online e a forma de se comunicar nos meios off-line. "Não adianta agir de uma forma no Facebook e de outra maneira na loja", exemplifica.

15 - Conhecer o público-alvo superficialmente

Camila Porto explica que é preciso conhecer o público com mais profundidade que apenas saber faixa etária e classe social. "Precisamos ir mais fundo e saber dos desejos, medos, sonhos e necessidades que podem ser atendidas pela sua comunicação e que vão além do produto em si", destaca.

16 - Não se relacionar

A especialista resume que rede social é feita para se relacionarem uns com os outros. "Ninguém entra nas redes sociais para comprar, mas para se relacionar e como o relacionamento faz parte da venda, ninguém compra de uma empresa ou pessoa que não conhece", ensina Camila, que ressalta a importância de oferecer informações e criar um sentimento de comunidade antes de querer vender.

17 - Prender-se a apenas uma ou duas redes sociais

Segundo a especialista, existem muitas redes sociais que podem ser aproveitadas, e prender-se apenas às mais famosas pode não ser uma boa solução. "Alguns negócios pedem atendimento ao cliente pelo Whatsapp, enquanto outros encontram seu público no Instagram e alguns empreendedores devem investir no Snapchat", exemplifica. O ideal é ficar de olho nas tendências.

18 - Fazer apenas "propaganda" no Facebook

Camila Porto avisa que um dos maiores erros de uma marca é publicar apenas divulgação, promoções e produtos nas redes sociais. Redes sociais não são vitrines, explica. "Publique o conteúdo que seu público deseja ver e construa uma boa relação com ele".

19 - Não responder aos comentários

Como a rede social foi feita para interagir com o público, é um problema muito grave quando a página não responde aos comentários e às mensagens. "Não basta responder, é preciso responder o mais rápido possível, e de preferência com a informação que a pessoa busca", ensina.

20 - Achar que sabe de tudo sobre as redes sociais

Lembrando que o mundo das redes sociais está sempre mudando, Camila Porto reforça que é preciso conhecer e estudar sempre mais. "Não importa o quanto você sabe sobre anúncios e conteúdo das redes, é preciso estar atento às novidades, e e também às mudanças de regras dos anúncios, por exemplo", ensina.

21 - Não usar Call to Action

"Todo anúncio precisa exigir alguma ação de público-alvo", explica Camila, referindo-se ao que o marketing digital chama de "call to action". Segundo a especialista, o usuário precisa clicar para ir a uma página, reservar o produto, cadastrar-se ou baixar alguma coisa, entre outras possibilidades.

22 - Trabalhar com imagens sem entender do assunto

Com toda sua experiência, a especialista conta que um dos fatores mais importantes para o sucesso de uma marca nas redes sociais são as imagens utilizadas. "É importante ter o conhecimento da área de design, ou contratar um profissional capacitado", destaca.

23 - Fazer sempre as mesmas coisas

Camila destaca que é importante variar as estratégias do tipo de conteúdo. "Se você fez imagens, pode tentar o uso de gifts, por exemplo". Ela também lembra que, recentemente, o Facebook passou a valorizar muito a produção de vídeos. "Não fique sempre produzindo as mesmas coisas, tente variar", sugere.

24 - Mentir e não dar ouvidos ao cliente

Na hora de se relacionar com o cliente, Camila destaca que é importante nunca mentir e nem fingir que o cliente não tem razão. "Fale sempre a verdade, mesmo que isso signifique dizer que você não sabe ou que a empresa errou", destaca. A especialista adverte que fingir que uma reclamação não aconteceu pode acarretar em consequências graves.

25 - Apenas fazer - e não analisar os resultados!

Por fim, a especialista ensina que o grande segredo de se trabalhar com redes sociais é analisar os resultados, especialmente no caso de anúncios. "Verifique sempre como as pessoas estão respondendo ao seu anúncio e que imagens ou conteúdo mais chama a atenção", ensina. Camila Porto lembra que muitos empreendedores apenas publicam e anunciam, sem analisar ou pensar na melhor forma. "É preciso fazer bem feito, e para isso é preciso analisar e pensar antes de simplesmente publicar", conclui.


(texto publicado na revista Leve & Leia nº 139 - ano 9 - junho de 2016)

sábado, 23 de abril de 2016

Festival de besteiras - Flávio Tiné


O Facebook é uma praça virtual, com a opção de desfilar por outras praças do mundo

Entrar no Facebook todos os dias e acompanhar as novidades postadas por amigos e desconhecidos geralmente é uma boa maneira de começar o dia. Não é a mesma coisa que ler os jornais, que já fizeram uma seleção natural dos principais acontecimentos do dia anterior e publicam artigos interessantes, dando uma visão abrangente dos fatos em evidência. O maior inconveniente é acompanhar incidentes que são importantes para quem os denuncia, mas não interessam a quem vive distante do problema.

Buraco na calçada, cachorro desaparecido, menino com doença rara, aniversário, batizado e casamento, tudo isto pode interessar às pessoas envolvidas, como parentes e amigos próximos, mas não ao grande público das redes sociais. É verdade que se consegue agitar qualquer reivindicação por meio dessa nova modalidade de comunicação, mas nem sempre há interesse, especialmente quando essa reivindicação é específica. Recentemente, na segunda semana de dezembro de 2013, dois irmãos de 16 e 17 anos convocaram adolescentes para um encontro no Shopping Center Aricanduva, em São Paulo. Não se pode prever o que irá acontecer com milhares de jovens circulando pelo interior de um centro comercial. No mínimo, correrias, arrastões e saques.

Um dos grandes inconvenientes desse novo hábito é acompanhar um festival de besteiras sem precedentes no rol de ociosidades mais ou menos forçado a que nos submetemos. Já sei, é só desconectar. É só fazer outra coisa. Como se faz com o controle remoto, é só mudar de canal e o problema estará resolvido. Acho que todo mundo já fez isso, para em seguida, horas depois ou no dia seguinte, voltar ao besteirol. Todos os dias leio mensagens de pessoas inteligentes, como o escritor Raimundo Carrero, comunicando a decisão de abandonar o hábito de postar algo em torno de suas atividades, decepcionado com o tal besteirol ou com a atitude de determinadas intervenções. Dia seguinte, reaparece com a informação de um encontro maravilhoso, uma viagem inesperada ou um convite.

Somos obrigados a ler a reler manifestações sobre a cara feia da mulher do presidente dos Estados Unidos porque o marido posou ao lado de uma loira, repetição sobre suposto assassinato de Juscelino Kubitschek, acusações ou insinuações contra tudo e contra todos sem comprovação etc.

O festival de besteiras que assola as redes sociais não tem precedente. Não se sabe se ficar o dia todo debruçado sobre um computador é melhor do que sentar num banco de praça ou passear numa avenida ou num shopping center, que também é muito divertido. O Facebook é uma praça virtual, com a opção de desfilar por outras praças do mundo e a possibilidade de viajar pela pesquisa sem fim. Você faz e desfaz seu festival de besteiras, como lhe aprouver.


(texto publicado na revista Medicina Social nº 225 - ano XXXI - abr/maio/jun de 2014)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Desempregado, pai escolhe pagar por tratamento de filha e pode perder casa - Felipe Souza (Cotidiano - Folha de São Paulo)


A filha do técnico em plásticos Aparecido Valério, 57, nasceu em 1994 após complicações no parto. Com dez meses de idade, Bianca foi diagnosticada com uma doença incurável que afeta o sistema neuromuscular. Desempregado, Valério hoje corre o risco de ser despejado de casa por priorizar o pagamento do plano de saúde que garante o tratamento de Bianca.

Depoimento...

Minha mulher teve pré-eclâmpsia  [pressão alta] na gravidez do meu primeiro filho e o parto ocorreu aos sete meses de gestação, em 1992. A pressão dela chegou a 25 por 15 na época, mas ela não foi medicada sob o risco de prejudicar a formação do feto.

Dois anos depois, um ultrassom do cordão umbilical e do coração detectou um problema na segunda gravidez. Foi necessário um parto emergencial no oitavo mês de gestação. Prometemos batizar Bianca na basílica de Aparecida (SP), caso ela nascesse sem sequelas. Com dez meses, cumprimos o voto.

Até então, ela tinha apenas refluxo algumas vezes. Dias após o batizado, porém, ela começou a ter febre alta e vomitar com frequência. Ao ser levada a um hospital, porém, os médicos decidiram interná-la em uma UTI [Unidade de Terapia Intensiva].

Em dois meses, ela teve 12 paradas respiratórias. Na última, os médicos demoraram seis minutos para reanimá-la.

A solução foi fazer uma traqueostomia [furo no pescoço] para o ar passar, que ela usa até hoje para respirar.

Não havia um diagnóstico preciso. A única suspeita dos médicos era de ela ter síndrome de Werding-Hoffman - atrofia muscular rara que a mataria em poucos anos. Para piorar, o plano de saúde só cobria 30 dias de UTI.

A partir daí, eu teria de pagar R$ 4.000 por dia ou transferir Bianca para um hospital público, com estrutura ruim. Mas, graças a uma reportagem da revista "Veja", esse período foi estendido por mais 30 dias. Eu já tinha gastado R$ 12 mil por três dias.

Uma biópsia então mostrou que Bianca tinha miopatia nemalínica, doença que compromete a formação neurológica e muscular. Por isso, ela não tem força sequer para levantar um copo.

Cantamos parabéns na UTI quando ela fez um ano. Sete meses depois, ela voltou para casa. Após batalhas na Justiça, conseguimos o direito de o plano cobrir o home care, UTI em casa com cilindro de oxigênio, remédios e equipamentos de primeiros socorros.

"Pai, tem caca"

Bianca tem um atraso mental e até hoje vive sobre uma maca. Se ela tirar um dos tubos do corpo pode morrer afogada devido a uma fissura no organismo dela, que leva catarro e saliva aos pulmões. Quando isso acontece, Bianca fecha a traqueostomia com o dedo e grita: "Pai, tem caca", e a enfermeira corre para aspirar a secreção.

Certa vez, tentei me entubar porque queria sentir o sofrimento dela. Enfiei os canos com força no nariz para ver até onde aguentaria, mas chorei de tanta dor e desisti.

Estou há dois anos desempregado. Deixei de pagar o plano de saúde em outubro de 2013, ma depois resolvi priorizar a saúde de Bianca e passei a atrasar o financiamento da casa.

Isso levou a Caixa [Econômica] a me mandar um telegrama em janeiro deste ano dizendo que leiloaria o imóvel. Isso só não aconteceu porque entrei na Justiça e consegui uma liminar - decisão provisória - para renegociar a dívida.

Comecei então uma campanha de arrecadação para evitar o nosso despejo, pois se isso ocorresse, o comprador pediria uma reintegração de posse e destruiria nossa família. O leilão foi barrado um dia antes de acontecer.

Agora, esperamos fazer uma reunião de conciliação com a Caixa neste mês. Mas precisamos de ao menos R$ 15 mil para negociar com eles.

Cheguei a receber R$ 29 mil em doações desde 2014, mas gastei boa parte para cobrir os atrasos do plano de saúde e hoje tenho apenas R$ 6.000.

Em depressão, minha sogra veio morar com a gente.

Tenho pedra no rim, minha mulher descobriu um nódulo no seio e meu filho teve apendicite. Faz 15 anos que não vou à praia. Dá vontade de pular de cima da laje. Não conseguimos nem dormir.

A promessa de serviço de um empresário de Leme (188 km de SP) e a campanha no Facebook são nossas últimas chances. Tenho esperança de que tudo vai dar certo, nem que seja aos 45 do segundo tempo.

A Bianca é muito feliz, adora a vida e merece viver melhor. Vamos sair juntos de mais esta batalha.




























quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A vira-lata de 1 milhão de fãs - Carolina Giovanelli


Estrela no Facebook, Estopinha comemorou a marca inédita com festa para 400 convidados

A balada animal que ocupou a Casa 92, em Pinheiros, no último dia 23 estava digna de uma celebridade. O centro das atenções era a cadela Estopinha, de 5 anos, que acabara de alcançar 1 milhão de seguidores no Facebook, marca inédita para um pet brasileiro. Havia fila na porta e gente disputando convite. Não adiantou. Os 400 ingressos, 300 para humanos e 100 para cachorros, tinham se esgotado - os da  turma das quatro patas duraram menos de um dia. Na comemoração, os bichos estavam com sorvete e cerveja especiais para eles, além de espaços para embelezamento e caricaturas. Um dos pontos altos do negócio foi a sessão de fotos da estrela com os convidados, limitada ao período das 19 às 20 horas. Como se esperava, os presentes, afoitos, tentavam posar ao seu lado e acariciá-la a toda hora.

Quem olha Estopinha hoje, no meio de tanta badalação, não imagina que ela poderia facilmente estar amargando uma vida anônima em um abrigo, como tantos outros vira-latas por aí. Seu destino mudou radicalmente graças ao zootecnista Alexandre Rossi, o Dr. Pet. Em 2009, o apresentador resolveu adotar um cachorro para lhe fazer companhia. Após seu divórcio, Sofia, a antiga mascote, ficara com a ex-mulher. "Procurava um animal mais velho, sem pedigree e que, de preferência, já tivesse tido algum problema de comportamento", diz. "Meu objetivo era mostrar como esses cães normalmente rejeitados também são ótimos animais de estimação." Eis que cruzou seu caminho a enérgica Estopinha, nessa época chamada de Rita, que havia sido devolvida após duas adoções frustradas. A cadela se mostrou ideal para acompanhar o dono em palestras, eventos e gravações televisivas. Pelo menos uma vez por mês, por exemplo, ela aparece no quadro dominical que Rossi comanda no programa de Eliana, no SBT. "Ela ficou mais famosa que eu", afirma o "pai". "Não tenho ciúme, mas sim um baita orgulho."

Em meados do ano passado, Rossi e sua mulher, a administradora Cynthia Macarrão, criaram uma página no Facebook para a mascote, que já ganhava notoriedade com suas aparições midiáticas. Com fotos fofas da cadela dormindo, comendo e brincando (publicadas dua vezes por dia), ela foi crescendo, crescendo, até virar um fenômeno de audiência na rede social. Cada publicação tem, em média, 25 000 curtidas. Os admiradores da pequena de 10 quilos e 43 centímetros de altura costumam fazer loucuras por ela. Há quem mande presente pelo correio e preste homenagens. "Agora andam me perguntando por que não organizamos uma festa em cada capital", espanta-se Cynthia. Uma das participantes da celebração da marca de 1 milhão de fãs era uma moça do Rio Grande do Sul, que passou apenas um dia na capital. Só viajou mesmo para conhecer a celebridade animal (e até chorou no grande momento). A garota trouxe também sua cadela, que pasmem, ela adotou pois era uma gêmea de Estopinha.

Entre seus hobbies, destruir ursinhos de pelúcia e brincar de esconde-esconde são coisas que a vira-lata adora. Apesar de ser bagunceira, entende a hora de obedecer. Sabe deitar, rolar, mexer a boca como se estivesse latindo (mas sem barulho), usar o Skype... No currículo de aventuras, já fez passeio de tirolesa e levou as alianças no casamento de Rossi e Cynthia. Participou também de um filme, Avanti Popolo, de 2012, de Michael Wahrmann. Cada vez mais, recebe propostas para estrelar propagandas, mas os donos ainda estudam as possibilidades. Assim como a página de Estopinha, outros perfis de animais famosos que começaram como brincadeira levaram a oportunidades comerciais. As responsáveis pela página Cansei de Ser Gato, Amanda Nori e Stefany Guimarães, deixaram seus empregos na área de marketing e hoje dedicam todo o seu tempo a Chico, o gato que ficou famoso ao encarnar personalidades e objetos com fantasias e cenários. Ele tem mercadorias registradas, como imãs e um livro, e logo deve virar bicho de pelúcia. Joy, o lulu-da-pomerânia da atriz Karina Bacchi, ganhou linha de roupas e acessórios. "Ele é o modelo das campanhas", diz. "Quando era pequena, brincava de boneca, agora gosto de vestir o Joy."




(texto publicado na revista Veja São Paulo de 2 de abril de 2014)




domingo, 28 de setembro de 2014

Regole per i social, sette cose da non fare mai su Facebook (Caffeina)

Non è vero che sui social network non ci sono regole. Anzi è vero l'esatto contrario. Esistono delle regole, scritte o non scritte (di opportunità o buona educazione) che vanno seguite come se ci trovassimo "in società". Dopo aver ripreso il decalogo scritto per Twitter da Luca Bianchini, proponiamo sette cose da non fare su Facebook per Facebook stilate dal Dailydot.com.

1) Postare la prova di un crimine che hai commesso:

Sono frequenti le storie di ladri maldestri che si fanno beccare perché postano foto con lo smartphone appena rubato. Un vero criminale non dovrebbe lasciare tracce.

2) Tutto ciò che incita all'odio:

Facebook non è una piazza virtuale per manifestazioni neofasciste o pro Ku Klux Klan. Ogni commento e immagine inutile, odiosa o offensiva verrà bloccata dal social network o dai vostri amici che attiveranno l'opzione per nascondervi dalla loro bacheca.

3) Il vostro post contiene informazioni private che sarebbe meglio comunicare solo di persona:

Facebook è un luogo pubblico esattamente com un locale affollato o la strada principale della propria città. In questi luoghi nessuno si sognerebbe mai di mettersi a parlare del proprio divorzio, della morte improvvisa di una persona cara, dell'acquisto di una casa nuova o dia qual scuola materna scegliere. Perché allora farlo su un social network?

4) Mettere mi piace su notizie tristi:

Non tutto si esprime con un 'like'. Spesso chi passa molto tempo sui social network dimentica che la gamma delle emozioni umane è molto più vasta di un 'pollice alto' o di una 'condivisione'. I 'mi piace' valgono solo su Facebook e il proprio dispiacere per una tragedia non si misura in base al numero di 'like' ottenuti.

5) Citare qualcuno che non vorrebbe essere nominato:

Prima di geolocalizzare qualcuno, taggarlo in una foto o scrivere dove si trovava ieri sera sarebbe meglio chiedere il suo permesso. Non tutte le persone condividono infatti l'idea secondo cui avere un profilo su un social network equivale a dire addio alla propria privacy.

6) Pubblicare qualcosa che potrebbe compromettere la tua carriera lavorativa:

La foto che ti ritrae ubriaco alla festa del tuo miglior amico o quella in cui fai uso di droghe. Nessuno mostra il suo lato peggiore durante un colloquio di lavoro. Quindi perché si dovrebbe farlo in un luogo visibile da chiunque cerchi informazioni su di noi? Sono sempre di più, infatti, i datori di lavoro che cercano informazioni sugli aspiranti dipendenti nei loro profili sociali.

7) Pubblicare foto o post intenzionalmente stupidi:

Ciò che ti fa ridere ora potrebbe imbarazzarmi (o crearti dei veri problemi) domani. La sa bene un ragazzo di 14 anni che sta scontando 2 anni di carcere per aver pubblicato un'immagine di lei che faceva sesso orale ad una statua di Gesù. Il trucco, consigliano gli esperti è quello di chiedersi, prima di postare qualcosa, che cosa ne penserebbe tua nonna. Un metodo infallibile per non sporcarsi la reputazione.















quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Facebook faz bem (Psychology Today)


Quem fica exposto à rede social se sente estimulado

Uma recente pesquisa, publicada no periódico Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, aponta que o Facebook, literalmente, faz com que seus usuários se sintam bem. Os autores do estudo analisaram as respostas de 30 indivíduos durante 3 minutos de exposição a diferentes situações: uma condição de relaxamento (um slide show com cenas da natureza), uma condição estressora (um teste com tempo e uma questão matemática) e acesso à conta pessoal no Facebook. A condutividade da pele, a pressão arterial, padrões de ondas cerebrais, atividade muscular e respiratória e dilatação da pupila também foram aferidos.

Com a análise dos resultados, os pesquisadores perceberam que o padrão de sinais biológicos causados pelo uso do Facebook produziu um estado psicofisiológico que era distinto das condições de relaxamento e estresse. Percebeu-se, também, que os sinais biológicos caracterizaram um estado de "alta valência positiva e alta estimulação". A pesquisa também sugere que o sucesso das redes sociais pode ser associado a estados emocionais específicos que os indivíduos sentem enquanto utilizam suas contas pessoais.


Fatores psicológicos

Em relação aos fatores psicológicos envolvidos no uso do Facebook, a pesquisa descobriu dois fatores primários que motivam os indivíduos a usarem o site: o primeiro é a necessidade fundamental de pertencer a algo, já que os seres humanos foram feitos para se comunicarem uns com os outros e, também, para se sentirem aceitos. O sentimento de "estar desconectado" motiva, inicialmente, o uso do site e, ao passo que o indivíduo possui mais conexões, mais se utiliza da rede. 

O segundo fator relacionado ao uso do Facebook é a autorrepresentação, onde os usuários criam uma versão ideal de si mesmos em seu perfil. Segundo os autores da pesquisa, esses dois fatores podem agir em conjunto ou independentemente para motivar o uso da rede.



(texto publicado na revista Psique nº 85 ano VII - janeiro de 2013)