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terça-feira, 25 de abril de 2017

Ma cosa vuol dire essere stranieri?


Essere stranieri vuol dire non essere nati nel posto in cui si vive

Essere stranieri vuol dire essere arrivati a un punto in cui si deve fare la scelta più difficile della vita

Essere stranieri vuol dire imparare tutto da zero

Essere stranieri vuol dire essere 'strani', e cioé diversi

Essere stranieri vuol dire scappare da una situazione di disagio

Essere stranieri vuol dire saper immaginare dei progetti futuri migliori

Essere stranieri vuol dire abbandono, malinconia, solitudini, marginalizzazione

Essere stranieri vuol dire ricostruzione, energia, scoperte

Essere stranieri vuol dire essere emigrati, che è una parola brutta, che sa di delusioni, di sconfitte, di povertà.

Essere stranieri vuol dire accettare di sacrificare la propria felicità per garantire quella dei figli

Essere stranieri vuol dire imparare molti dettagli della burocrazia, sia del Paese d'origine che di quello scelto

Essere stranieri vuol dire sperare di essere accettati

Essere stranieri vuol dire trovare un equilibrio tra la salvaguardia della cultura d'origine e la comprensione di quella nuova

Essere stranieri vuol dire sapere cosa dover cambiare di sé e cosa poter mantenere

Essere stranieri vuol dire imparare un nuovo concetto di amicizia, di cibo, di bellezza, di matrimonio, di guida, di vacanza, di regole sociali

Essere stranieri vuol dire imparare a vivere senza radici e imparare a piantare semi nuovi per la generazione prossima

Essere stranieri vuol dire sperare di avere abbastanza soldi per poter tornare a casa, un giorno

Essere stranieri è una scelta per i privilegiati e l'unico modo per sperare di continuare a vivere per tutti gli altri

Essere stranieri vuol dire imparare a ignorare gli sguardi degli altri

Essere stranieri vuol dire accettare di diventare parte di una generalizzazione, anche se è lontana anni luce dalla realtà

Essere stranieri vuol dire non poter partecipare alla vita della famiglia che si è lasciata alle spalle

Essere stranieri vuole dire essere sia emigrati che immigrati

Essere stranieri è difficile per tutti quelli che lo sono, sia per scelta che per necessità.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

"Fui contrabandeado para a Europa" - Jacyara Azevedo


A angustiante viagem de 12 dias do sírio Moutassem Yazbek em um barco que partiu da Turquia para a Itália, em uma travessia que já matou 1,5 mil pessoas somente este ano

Até onde o desespero pode levar alguém? Existe um limite? Enquanto você lê estas palavras, há milhares de pessoas tentando atravessar o inquieto Mar Mediterrâneo, amontoadas em botes infláveis ou em porões de navios cargueiros. São jovens, outros nem tanto, gestantes, idosos e crianças que passam dias à mercê de ondas furiosas, quase sem comida ou água. Estão fugindo de seus países de origem, contrabandeados, escolhendo arriscar a vida em busca de esperança. Muitos fracassam. Outros têm mais sorte, como o refugiado sírio Moutassem Yazbek, que concluiu a travessia da Turquia para a Itália em dezembro de 2014, em sua segunda tentativa. E é uma rara jornada bem-sucedida. Eis sua história...

O árabe pagou 6,5 mil dólares para um contrabandista colocá-lo em uma embarcação longe o suficiente da guerra civil de seu país, que já dura quatro anos e não tem perspectiva de solução. A viagem de 12 dias, que em condições adequadas levaria apenas dois, foi uma odisseia. "Eu teria feito qualquer coisa para chegar à Europa. Por mais difícil que seja acreditar, valeram a apena o risco, os maus-tratos e o medo. Tenho uma vida melhor agora", afirmou em depoimento a CNN Moutassem, um ex-executivo de vendas corporativas de uma empresa de aluguel de carros em Dubai, Emirados Árabes Unidos. Atualmente ele está na Alemanha, em Illingen, município da região do Sarre, onde ajuda voluntariamente outros recém-chegados da Síria.

Voltar para a Síria, jamais

Ano passado, Moutassem perdeu o emprego em Dubai. Seu visto de trabalho havia expirado e ele não tinha um lugar para ir. "Voltar para a Síria não era uma opção. Retornar significaria ter de matar ou morrer", ele explica. Assim, escolheu a Turquia (os sírios não precisam de visto para entrar naquele país) como ponto de parada antes de viabilizar um antigo sonho: o de chegar à Europa. Já em Istambul, procurou informações sobre o contrabando ilegal de pessoas e, sinal dos tempos, descobriu muitas páginas do gênero acessíveis via Facebook. Todas apontavam para a cidade portuária de Mersin, na fronteira sul da Turquia, como o local de partida das embarcações rumo à Itália. No hotel onde estava hospedado, conheceu um conterrâneo que planejava partir dentro de alguns dias. O novo amigo indicou-lhe um contrabandista. "Acertadas as condições de pagamento, o homem me disse para estar pronto. A qualquer momento eu receberia uma ligação para partir." Recebeu, poucos dias depois. Era noite e começava a jornada.

Ele perdeu tudo

Cerca de 100 homens e mulheres em cinco ônibus foram levados para um ponto de contrabando, distante de Mersin. Depois, todos tiveram de caminhar na escuridão por meio de fazendas de plantação de laranja, para evitar serem descobertos pela polícia. Moutassem andou por 30 minutos ao lado de gente como uma senhora e seus dois filhos. "Ela tinha muita dificuldade para seguir o grupo e foi informada que, se não caminhasse mais rápido, os barcos iriam embora sem eles", relembra. O plano era colocar os fugitivos em três barquinhos em direção ao navio principal. "Qualquer pessoa com um passado, mas sem nenhum futuro, seria capaz de fazer coisas insanas", justifica Moutassem, que esperou mais três dias no meio do oceano, já em águas internacionais, até receber outros dois grupos de fugitivos. No quarto dia, um total de 300 pessoas partiram. "Não havia como voltar atrás", diz. Oito horas depois, entretanto, o motor da embarcação quebrou e as ondas começaram a empurrá-la em direção à Chipre, ilha situada ao Sul da Turquia, até bater em rochedo e ficar preso. O grupo foi resgatado por um navio da guarda costeira e deportado de volta à Turquia - foram fichados e liberados mais tarde. "Eu já tinha perdido tudo e sonhava em ser tratado com dignidade. Decidi arriscar de novo, mesmo sabendo que aquela loucura muitas vezes termina em tragédia, cheia de infelizes sem nome empilhados uns sobre os outros", confessa Moutassem.

Renascimento

Em apenas 48 horas, ele recebeu uma nova chamada para o já conhecido ponto de contrabando. Dessa vez, encontrou um navio de carga, maior, talvez com 85 metros de comprimento. Esperou cinco dias até formarem o novo grupo, com 391 passageiros (todos refugiados de diferentes cidades da Síria - em 2014, foram 70 mil sírios atravessando o Mediterrâneo). A etapa seguinte foi inesquecível: "Estávamos no porão, não havia colchões, ondas gigantes invadiam o teto e o chão de metal. Passamos cinco dias sem comida e com pouca água. O 'banheiro' era um pneu velho de carro coberto por um pedaço de pano'. No 11º dia, o barco chegou a uma distância de 200 milhas da costa sul da Itália. "Guias" da embarcação tentaram alertar as autoridades italianas de sua presença, alegando que tinham sido deixados à deriva, sem um capitão ou uma tripulação (não era uma inverdade, pois o piloto não possuía registro).

Um navio islandês resgatou Moutassem junto de seus companheiros de viagem. "Os refugiados agitavam as mãos como crianças (...). Foi como um renascimento", lembra Moutassem que pisou em terra firme na província de Catânia, Sicília. Encaminhado para um campo de refugiados, o sírio ouviu que teria de fornecer suas impressões digitais para, então, ser simplesmente liberado. Seguiu para Milão com dois outros sírios. O trio passou por Paris e decidiu fincar bandeira na Alemanha.

Moutassem está em Illingen e tocando a vida. Diz a amigos e familiares em seu Facebook que está bem e sinaliza na rede social seu novo local de moradia. Compartilha vídeos como o de Angelina Jolie em favor dos sírios nas Nações Unidas e cenas de um seriado que gosta: Big Bang Theory. Por enquanto, sua vida de refugiado discretamente "escondido" é essa, até que consiga um visto oficial e realize o sonho de viver tranquilamente na Europa, como tantos outros.



(texto publicado na revista Contigo nº 2069 - 14 de maio de 2015)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Agora é "afundou, afogou" - Nathalia Watkins


Os governos europeus não vão mais resgatar náufragos de navios lotados de imigrantes africanos que, comumente, afundam durante a travessia do Mediterrâneo

Nos últimos dez meses, mais de 3300 pessoas morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa. O número de vítimas é mais do que o dobro do registrado em 2013. Na segunda-feira, 3, um barco afundou na costa da Turquia, com cerca de quarenta afegãos e sírios, incluindo crianças. A embarcação improvisada estava superlotada, como as demais que fazem percursos similares. Não há como não se comover com a desesperança que leva milhares de cidadãos da África e do Oriente Médio a se arriscar em travessias precárias. Apesar disso, os países europeus estão reduzindo as operações de resgate. No mês passado, a Inglaterra decidiu que não vai mais apoiar ações de busca e salvamento. O governo acredita que o principal efeito dessa ajuda é encorajar mais imigrantes a tentar a viagem clandestina. A principal operação italiana, a Mare Nostrum, foi suspensa na semana passada.

A justificativa inglesa tem na Itália seu melhor argumento. Desde outubro de 2013, quando dois naufrágios mataram 400 imigrantes, a Itália investiu 11,4 milhões de dólares por mês em salvamentos com mais de trinta barcos, submarinos e helicópteros. Como resultado, o número de imigrantes mais que dobrou. A tese de que as operações de resgate estimulam as travessias clandestinas não é compartilhada por alguns especialistas. "Os imigrantes e refugiados estão desesperados e determinados a completar o trajeto, independentemente dessas medidas", diz Ryan Schroeder, da Organização Internacional para a Migração, baseada em Genebra. Nem requer ações restritivas, como a construção de cercas e muros, têm tido muito efeito. A explicação para isso é que os motivos que levam as pessoas a aceitar os riscos para chegar à Europa são mais fortes do que o medo de morrer no caminho. Os imigrantes do Oriente Médio fogem dos efeitos da guerra civil na Síria e da falta de perspectiva nos campos de refugiados dos países vizinhos. Os africanos tentam escapar da miséria e de lutas tribais.

Há dois meses, um barco em que viajavam 500 refugiados na rota do Egito para Malta foi afundado propositalmente pelos traficantes de pessoas apenas porque alguns passageiros se recusaram a trocar a embarcação maior por uma menor mais frágil, para percorrer o trecho final do percurso. "Quanto mais difícil fica chegar ao destino, mais cara e perigosa se torna a viagem para os refugiados", diz a socióloga inglesa Bridget Anderson, especialista em migração da Universidade de Oxford. Atualmente, os principais portos de saída estão na Líbia, onde o vácuo de poder após a queda do ditador Muamar Kadafi facilita a atuação dos traficantes. Ao chegarem lá, muitos migrantes são sequestrados, torturados e achacados. Os que escapam desse destino e conseguem pagar pela viagem são amontados em barcos de pesca que levam entre 400 e 700 pessoas ou em botes de borracha com até 150 passageiros. O preço para ser traficado para a Europa é determinado pela nacionalidade do migrante. Na Líbia, um cidadão da África Subsaariana paga entre 1000 e 1500 reais. Para os sírios, o valor é o dobro.

A omissão europeia levanta o dilema moral da responsabilidade sobre os migrantes. Historicamente, os países abriram ou fecharam suas fronteiras dependendo de suas necessidades econômicas. Foi assim nos Estados Unidos e no Brasil. As barbáries cometidas nas duas guerras mundiais fizeram com que valores como a solidariedade entre os povos se fortalecessem. "O compromisso de todos os Estados civilizados é o respeito à humanidade dentro de suas fronteiras, daí a tradição de conceder asilo a quem vem de lugares onde isso não ocorre", diz o filósofo Roberto Romano. A Europa construiu, a partir de então, a imagem de oásis dos direitos humanos e tornou-se o principal destino de quem é perseguido em seu país. A chegada sem controle de milhares de migrantes, o custo elevado para recebê-los e o alto nível europeu de desemprego, contudo, mudaram o peso desses valores. "A restrição europeia à imigração era inevitável, pois o Estado de bem-estar social está esgotado. Com isso, fica difícil manter a imagem de defensora dos direitos humanos", diz o filósofo Luiz Felipe Pondé, da Faap. As boas intenções estão afundando no mar de problemas que circundam a Europa.



(texto publicado na revista Veja edição 2399 - ano 47 - nº 46 - 12 de novembro de 2014)