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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

18 sintomas que você não deve ignorar - Mariana Viktor


Embora muitos sinais indiquem apenas desconfortos passageiros, alguns podem significar doenças e merecem atenção. Fique esperta:

1) Cansaço e desânimo

Se vierem acompanhados de raciocínio lento, memória fraca, aumento de peso de até 3 kg, palidez, queda de cabelo, irregularidade menstrual, baixa da libido, fique esperta: pode ser hipotireoidismo, causado pelo mal funcionamento da tireoide. É importante tratar para evitar complicações.

2) Acúmulo de gordura abdominal

Estudos mostram que circunferência abdominal aumentada (80 cm ou mais) acarreta no risco de doença cardíaca e diabetes. A gordura nessa região causa resistência à insulina e isso eleva o triglicérides e o colesterol ruim. É o seu caso? Então, busque ajuda.

3) Tosse

Se durar mais que três semanas, marque um médico. Informe a ele se a tosse é seca e se piora ou melhora em certos horários. É possível que o quadro seja provocado por alergia, por exemplo, mas também pode ser sintoma de tuberculose, problema cardíaco e até câncer de pulmão.

4) Caroços no pescoço

Caso identifique gânglios nessa região, procure um médico - mesmo sem ter dor. Eles podem indicar infecção viral, tuberculose ou até um linfoma.

5) Menstruação dolorosa

Em mulheres de 30 a 45 anos, a menstruação dolorosa tende a indicar cistos benignos ou endometriose (quando o endométrio - tecido que descama com a menstruação - se aloja fora do útero), distúrbio que pode levar à infertilidade. Mas a cólica menstrual tem uma modulação emocional. Ou seja: quando estamos estressadas tendemos a sentir mais dores, sem que tenhamos doenças associadas.

6) Inchaço

Você nota que o edema aparece no rosto e, principalmente, nas pernas? Busque um médico vascular. O inchaço pode ser sinal de varizes internas ou de algo mais grave, como doença cardíaca, renal ou de fígado.

7) Diarreia

Ao persistir por mais de cinco dias ou se ocorrer constantemente, indo e voltando, pode ser intoxicação ou uma doença inflamatória intestinal.

8) Dor de cabeça

De origens diversas, o mal pode refletir desde tensão nervosa e enxaqueca até aneurisma cerebral. A dica é observar o incômodo: você nunca sentiu dor de cabeça e passou a notá-la com frequência, ou sempre tem, mas ficou diferente? Dor forte à noite (a ponto de acordá-la) ou acompanhada de confusão mental, sonolência ou febre é mal sinal. Vá a um neurologista.

9) Febre

Dezenas de doenças podem provocar febre, algumas graves, outras não. Se a alta temperatura persiste há mais de três dias, é melhor ligar para o doutor.

10) Dor de estômago

Pode ter várias causas. Uma delas é o infarto: 70% das mulheres que infartam sentem dor de estômago, queimação ou náusea. Se está emagrecendo, não consegue comer ou tem sangramento, pode ser reflexo de simples gases, mas também de gastrite nervosa e câncer no estômago.

11) Falta de ar

Pode ser fruto de resfriado ou obstrução nasal (rinite). Mas procure o médico se ocorrer com febre (pneumonia) ou dor no peito (infarto ou embolia pulmonar). Se ocorrer quando caminha, pode ser insuficiência cardíaca ou uma doença pulmonar obstrutiva crônica. Pessoas ansiosas costumam ter respiração curta e, num momento de estresse, sentem mal-estar e tontura. A dica é inspirar profundamente e expirar devagar até os batimentos cardíacos desacelerarem.

12) Alterações nos seios

Aparecimento de caroço ou área endurecida (inclusive nas axilas), mudança de tamanho ou formato dos seios, vermelhidão da pele, inchaço, feridas, secreção no mamilo e retração do bico da mama. Esses são os indicativos mais comuns de câncer na região. Além do autoexame (realizado após a menstruação), faça mamografia anualmente a partir dos 35 anos.

13) Sede excessiva

E vontade de urinar bastante, a ponto de acordar no meio da noite, sentir mais fome do que de costume, notar que a vista fica embaçada, que as feridas não cicatrizam e há infecções recorrentes na pele ou urinárias, não deixe de ir ao médico! Esses sintomas podem indicar diabetes.

14) Aumento de peso com irregularidade menstrual

Pode ser síndrome dos ovários policísticos, disfunção que afeta 10% das mulheres entre 20 e 40 anos. Mas nem todas elas aumentam de peso. Algumas sentem só ciclos menstruais irregulares, pele oleosa (às vezes com acne) e nascimento de pelos no rosto, nos seios e na barriga. Se não tratada, a doença pode causar infertilidade e aumentar risco de diabetes no futuro.

15) Fraqueza de um lado do corpo

E se também sentir paralisia dos membros, não bobeie: vá ao hospital - de preferência nas primeiras três horas. Significa que você está sob um grande estresse ou tendo um derrame.

16) Pintas na pele

Fique atenta: se estiverem mudando de cor, crescendo ou sangrando, descubra logo o que é, marcando um dermatologista. O diagnóstico pode indicar mancha de sol, mancha senil ou câncer de pele - quanto mais precocemente tratado, maior a chance de cura.

17) Dor nas costas

Estresse e má postura são duas das causas mais frequentes. Procure um médico se o incômodo durar por mais do que quatro semanas e não ceder nem com medicação - ou, ainda, se você apresentar febre e emagrecimento. Cuidado: a origem vai desde desgaste ósseo até metástase de um tumor escondido.

18) Emagrecimento

Se está perdendo peso sem fazer dieta ou sem aumentar atividade física, algo está errado. As causas podem ser anemia e alterações hormonais, passando por transtorno alimentar (como anorexia), depressão e câncer. Várias doenças e distúrbios têm o emagrecimento como sintoma. Não enrole para procurar um médico, O.K.?




(texto publicado na revista Viva!Mais edição 790 - 21 de novembro de 2014)




















sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Perigo no ar - Mônica Tarantino


Médicos alertam para o risco de ocorrência de graves problemas de saúde durante viagens aéreas. Entre eles, a embolia pulmonar, que pode matar se não for tratada a tempo

Dois bilhões de passageiros cruzam os céus do planeta por ano, conforme dados da Agência de Administração de Aviação Americana. Aproximadamente 25% deles sofrerão algum mal-estar a bordo. As queixas vão desde uma simples dor de cabeça por falta de sono a condições que colocam a vida em risco, como a trombose venosa profunda (TVP) e sua mais temível consequência, a embolia pulmonar. O problema é originado pelo surgimento de coágulos de sangue nas veias das pernas. Eles podem bloquear o fluxo desses vasos ou se soltar e viajar pela corrente sanguínea até se fixarem no pulmão, causando a embolia pulmonar.

De acordo com o Centro de Controle de Doenças nos Estados Unidos (CDC), uma referência mundial na área da saúde, 100 mil americanos morrem anualmente por trombose ou embolia. Alarmante, o dado levou a organização a lançar uma campanha para evitar o problema. Em seu site, pacientes contam casos e especialistas como a médica Lisa Richardson, diretora da divisão de distúrbios sanguíneos, explicam os fatores de risco - entre eles, viagens longas, acima de quatro horas. Elas comprovadamente aumentam os riscos de tromboembolismo por causa da pouca movimentação das pernas e pés registrada nesses trajetos.

Lisa informa, por exemplo, que viajar em classe executiva ou econômica não diminui nem aumenta o risco de trombose. "O problema é permanecer imóvel por muito tempo", diz. O alerta vale para quem viaja de avião, de carro ou de trem. "A questão primordial é que a pessoa precisa se mover. Se não der para andar, pelo menos faça flexões com os pés, movimente-os em círculos e exercite as panturrilhas", aconselha o cirurgião vascular Luiz Caetano Malavolta, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

O médico Julio Peclat, presidente da Sociedade de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro, alerta que diversos pacientes apresentam trombose venosa profunda vários dias depois do voo. "Pode ocorrer até duas semanas após o desembarque. As longas distâncias aéreas funcionam como mais um fator de risco para quem já tem lesões nos vasos ou tendência genética à formação de coágulos", diz o especialista.

Foi o que aconteceu com a carioca Mirella Guida, 33 anos, que teve uma embolia pulmonar. O problema ocorreu cerca de uma semana após sua chegada ao Rio de Janeiro, em 2010. "Tinha 29 anos, vivia na Itália e peguei um voo para visitar minha família no Brasil", conta. Nos dias seguintes ao desembarque, ela sentiu dores fortes e difusas no peito. "A dor mudava de lugar, mas minha pressão estava normal, não tenho varizes nem sou obesa. Não tinha ideia do que era e fui ao médico."

A primeira especialista consultada não soube interpretar o resultado de seu exame de tomografia computadorizada e acreditou tratar-se de uma pneumonia. "Meu irmão, que é cardiologista, achou estranho ter pneumonia sem febre. Pediu para repetir o exame e me encaminhou para outro especialista, que descobriu a embolia pulmonar. Podia ter morrido." A carioca tomou remédios anticoagulantes por dois meses. Agora, sempre que faz uma viagem aérea, movimenta-se com frequência. "Faço isso independentemente da distância." Mirella mora hoje no Brasil e está às vésperas do parto de seu primeiro filho.

A TVP e a embolia estão entre os eventos médicos mais sérios a bordo. De acordo com um levantamento realizado pelo cardiologista Sérgio Timerman, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com dados de cinco das maiores companhias aéreas internacionais (Air France, British Airways, KLM, Lufthansa Airlines e Swiss), a maioria das reclamações refere-se a problemas gastrointestinais (cerca de 28% dos casos). Em seguida vêm os males cardíacos e neurológicos (em torno de 10% cada). Manifestações como desmaios e tonturas, problemas respiratórios, infecciosos e psiquiátricos representam, isoladamente, 5% dos casos. A pesquisa considerou 3.386 incidentes médicos reportados em um universo de 100 milhões de passageiros.

No ano 2000, por exemplo, a Agência de Administração de Aviação Americana registrou uma média de 15 emergências por dia. Nos casos mais graves, houve desvio de rota para providenciar atendimento hospitalar. "Um dos dados mais impressionantes desse estudo é que, apesar de haver médicos a bordo em 85% dos voos registrados, menos de 1% sabia realizar os procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar", explica Timerman, que também está à frente do Conselho 3CPR, da Associação Americana do Coração. É uma subdivisão que define as diretrizes para o melhor atendimento de problemas cardiopulmonares, cuidados críticos e ressuscitação.

Para o médico, esses dados indicam a necessidade de preparar os médicos para atender emergências a bordo. No caso da embolia pulmonar, a situação é mais difícil de diagnosticar quando a viagem ainda está em pleno curso. Mas, se for forte a suspeita de que se trata de uma obstrução no pulmão causada por um coágulo, o avião deve ser dirigido ao aeroporto mais próximo para que o passageiro seja socorrido. Contudo, o atendimento a parada cardiopulmonar a bordo pode ser melhorado se as aeronaves dispuserem, por exemplo, de desfibriladores (restabelecem o ritmo cardíaco). "Um estudo feito pela American Airlines evidenciou que a taxa de sobrevida dentro de suas aeronaves, nesses casos, saiu do zero, antes de serem instalados os desfibriladores, para 53%", diz Timerman.

Na verdade, é crescente a preocupação das companhias aéreas com essas questões. E, ainda que nem todas já estejam implementando os equipamentos e processos mais atuais, há um movimento nesse sentido. A Gol, por exemplo, informa que os seus comissários de bordo são treinados para iniciar as manobras de ressuscitação em passageiros nas aeronaves equipadas com o desfibrilador.

Já a TAM iniciou a compra do aparelho para disponibilizá-lo em suas aeronaves. É também uma das 120 clientes da MedAire, companhia especializada em dar assistência remota para avaliar pacientes em risco. A empresa mantém uma espécie de quartel-general 24 horas, com médicos emergencistas preparados para dar suporte aos eventos nas aeronaves por rádio ou telefone. "No ano passado, atendemos cerca de 29 mil eventos médicos em voos, dos quais 371 em voos de longa duração que pousaram ou decolaram do Brasil. Salvamos muitas vidas, mas duas pessoas morreram", diz Paulo Magalhães, diretor médico da MedAire e presidente da Associação de Diretores Médicos de Empresas Aéreas.

Magalhães diz que é necessário melhorar a troca de informações entre os médicos, as empresas e os passageiros. "Muitos eventos em viagens aéreas acontecem com pessoas que convivem com doenças crônicas que não estão bem controladas", diz. Há também casos de indivíduos doentes que decidem se consultar em outras cidades. Porém, o melhor lugar para quem não se sente bem não é o avião. Um dos motivos que tornam esse ambiente menos favorável é a diferença de pressão atmosférica. Nos aviões mais modernos, ela é até mais bem controlada, mas de qualquer forma o ar é mais rarefeito e isso representa menor oxigenação. "Pessoas sadias não são afetadas, mas quem tem problemas cardíacos pode eventualmente sentir alguma mudança. Por isso é importante ser orientado corretamente pelo médico antes de viajar", diz Magalhães. O especialista aconselha a indivíduos submetidos recentemente a grandes cirurgias de pulmão, cérebro, coração ou ortopédicas que comuniquem às companhias até 72 horas antes de embarcar.




(texto publicado na revista Isto é nº 2310 - ano 38 - 5 de março de 2014)