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sábado, 27 de outubro de 2018

A assustadora história da mochila, em Londres - Concília Ortona (jornalista do Centro de Bioética do Cremesp)


Qual é a situação mais apavorante em uma viagem ao exterior ? A bagagem extraviar ? Fichinha. Passar mal e não saber como se explicar ao médico turco, grego... norte-americano ? ... argentino ? Dá-se um jeito. Perder o cartão de crédito ? Está ficando quente, mas multiplique isso por quinze: que tal perder "a mochila" ? Não uma caríssima, vagabunda mesmo.

Como assim ?

Filosofando como faz quem descreve uma pessoa... assim... sem atributos físicos: o valor está no  conteúdo. No caso, nos passaportes de todos os viajantes, além dos (parcos" euros, e das (minguadas) libras.

Explicando do começo. Como sempre, minha pequena família tira férias do tipo "pague por dois e leve três". Com o dinheiro pra lá de contado, pareceu boa ideia percorrer de trem, o trajeto até o aeroporto secundário de onde saem voos low cost de Londres até Edimburgo, rumo à nossa pousada já paga pela internet e, depois, para Paris.

Sejamos francos: até então, o paizão havia protegido com a própria vida "a mochila" do nosso destino. Mas, por estar distraído com a (costumeira) mala enorme, ou por culpa daquela loira que lhe deu uma piscada britânica - melhor esquecer -, ao descer do trem, nem notou estar mais leve.

Milésimos de segundos depois, meu espírito sinalizou algo errado - Cadê a mochila ? (grito). Três pares de olhos em direção às portas semicerrando do trem e, em seguida, o doloroso aviso sonoro em beep - que, se traduzido, significaria "ferrou". 

- Mãe, o que houve ? Silêncio. O pai, quase um metro e noventa, desabado no chão, em lágrimas.

A mim coube enviar ao cérebro os comandos: respire fundo. Pense. Pernas, controlem o tremor... Procure agora algum funcionário da estação disposto a nos ajudar a encontrar a mochila e a vossa fluência em inglês - aliás, a primeira a sumir.

Foi quando o conheci. Ele. Saint David, para quem, aliás, até hoje dirijo minhas orações. Tá bem: não sei bem qual era o cargo do moreno de bigodes e uniforme da estação. Devia ser importante, pois, rápido, passou a mexer seus pauzinhos (sorry, é um Santo!) para socorrer os brasileiros apavorados. Fez isso, porém, não sem antes soltar um compreensível e incrédulo "uau"! Passports, as well ? Oh, no!

Pragmático, David disparou: relax. Let's forget the fly, ok ? Continuou: "em que vagão estavam?". - Se os canhotos das passagens não estivessem na mochila, seria mais fácil responder. "Frente, meio, atrás" - Well...

Quando nada parecia funcionar, nosso David traçou sua estratégia sombria: como o trem era intermunicipal, nada poderia ser feito até que chegasse à próxima cidade, ou na outra, right ? "Ainda que sua bag esteja no lugar que nem sabemos qual, nada garante que as coisas estejam lá dentro". Alright ?

A essa altura, já estávamos todos em estado de inércia mental, pós-grandes sustos. Em - eterna - meia-hora, David voltou animadinho, well, para o padrão londoner de ser. "Acharam a mochila em um bagageiro para bolsas".

Sem energia para comemorar, fizemos menção de nos levantar do chão, mas, após olhar para a filha, com cara de "não, ainda não entendi" e para o marido, ainda em prantos (se aprume, homem!), sugeriu: "que tal só a senhora ir buscar ?".

E lá fui eu, rezando, até ver de longe o colega carrancudo do David, duas estações depois, com a mochila entre as pernas - e jeito de poucos amigos. No melhor estilo Scotland Yard, perguntou tudo o que havia dentro dela, inclusive, as frutas acondicionadas - no caso, uvas. "Orange ? Banana ? Apple ? Hello, não é mais simples confirmar se sou eu, no passaporte ?"

Enfim. Nem vou me prolongar no fato de que, para irmos a Edimburgo (ou dormir na Trafalgar Square e forget Paris), precisamos retornar à Victória Station e ir em pé, por seis horas, no último trem de linha da sexta-feira, recheado por alcoolizados torcedores de futebol americano (juro!) do Newcastle.

Basta dizer que, ao abrir a mochila, tudo estava lá: os passaportes e o restante dos documentos, bem como, as libras e os euros, contados e enrolados em papel celofane.

A última coisa que disse a São David foi um irônico "se fosse no Brasil...", ao que ele riu alto e respondeu "não esquenta, não roubaram sua mochila porque imaginaram que tivesse uma bomba dentro".

É... cada um com seus problemas...


(texto publicado na revista Ser Médico nº 84 - Ano XXI - jul/ago/set 2018)

domingo, 20 de agosto de 2017

Flanar - Marina Bessa


Eu não gosto de programações turísticas. Daquele cronograma de atividades, com dezenas de atrações para ver em um dia. Os restaurantes já escolhidos. O tempo para comer definido. Saber que tenho que  visitar um museu em duas horas já me enche de ansiedade. Porque eu gosto de visitar museus sem hora para sair. Ler cada plaquinha, tentar me transportar no tempo, imaginando a história, a gente daquela época. E então olhar de novo para o quadro e pensar: uau, foi feito há centenas de anos, tem a pincelada daquele gênio aqui. Se por lá houver um café, ainda melhor. Enquanto descanso, observo as pessoas: quem elas são, de onde vêm, como se vestem, que língua falam, por que raios foram parar ali no mesmo dia que eu?

Os passeios têm que me dar espaço para a surpresa. Para me perder por uma rua bonita, me sentar em um banco ao sol saboreando o jornal do dia, para entrar  em um restaurante porque o cheiro da comida é incrível e ele é tão escondidinho e lotado... deve ser ótimo!

Depois de anos me perdendo nos meus pensamentos enquanto passeio, descobri que existe um nome pra isso: flanar. Andar sem rumo nem sentido certo, sem compromisso. Vagar. Perambular. Faz parte do hábito de um flâneur (uma pessoa que flana, em francês), observar detalhes, experimentar coisas novas, puxar assunto com a dona da lojinha, pegar com ela um par de dicas, perguntar em quem votou, saber o que ela vai comer de almoço e sair de lá sentindo-se tão perfeitamente integrado ao ambiente, que até imagina - e deseja - morar ali para sempre.

Flanar é um verbo muito usado para descrever as andanças por Paris, à capital francesa onde se faz isso por instinto. Mas o espírito flanador pode estar presente o tempo todo: na viagem para a casa dos seus avós no interior de Minas, em uma região desconhecida da sua cidade, na feira do seu bairro. Flanar é olhar com olhos curiosos, é estar atento aos imprevistos, ter o tempo a seu favor.

Um flâneur não sai em excursão jamais. E gosta de passear sozinho - no máximo na companhia de um outro flâneur. Porque só ele entenderá a magia de ver o mundo passar lentamente à frente das lentes de quem simplesmente ama estar vivo.




(texto publicado na revista Sorria para ser feliz agora nº 56 - jul/ago de 2017)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Aventura sem fronteiras - Fabricio Pellegrino


O casal Max Fercondini e Amanda Richter revela os bastidores do tour de 180 dias que fez por seis países da América do Sul a bordo de um motor-home

Jornalismo, reality e aventura. Eis a combinação do América do Sul Sobre Rodas, quadro que tem no comando Max Fercondini, 30 anos, e Amanda Richter, 26, dentro do programa Como Será?, apresentado por Sandra Annenberg, 48, aos sábados, a partir das 7h, na Globo.  Para as gravações, realizadas durante 180 dias entre janeiro e junho deste ano, o casal de atores percorreu sozinho, a bordo de um motor-home, 21 mil quilômetros distribuídos por seis países: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. O resultado da expedição, que inclui passagens por geleiras, vulcões, desertos, lagos e ilhas, foi compilado em dez episódios, que começaram a ser exibidos há uma semana. "Assim como o Nas Asas do Brasil (quadro exibido no mesmo programa, em 2015, em que Max e Amanda, em um monomotor pilotado por ele, voaram pelos quatro extremos do Brasil), apresentamos a ideia à Globo, pois tínhamos vontade de seguir com esse tipo de atração", revela o ator. A dupla, dona da Amax Filmes, que produziu o quadro, acumulou funções. Mas foi responsável pela edição e roteiro final. Já Amanda, formada em Cinema, assumiu as pesquisas e as pautas.

Descobertas e surpresas

"A gente viveu seis anos em seis meses. Todos os dias estávamos em lugares novos e com pessoas diferentes", conta a atriz. Entre os momentos marcantes está a escalada de um dos vulcões mais ativos da América do Sul, o Vilarrica (Chile). "A subida foi muito difícil, pois carregávamos equipamentos e drones para filmar tudo. No fim do dia estávamos acabados", entrega Max. Na Patagônia (Argentina), eles escavaram um dinossauro, em Machu Pichu (Peru) foram a Andanes Orientales, um ponto turístico ainda fechado ao público em que era possível visitar fontes naturais de água, e em Medelin (Colômbia) se hospedaram no topo de uma montanha. Algum perrengue? "Sentimos um pouco de medo quando, depois de dirigir por horas, estacionávamos em postos de gasolina para dormir. Alguns deles eram macabros, sem iluminação... Nesses dias, não conseguia dormir direito nem relaxar", conta Amanda.

Amor fortalecido

A convivência tão próxima durante a viagem consolidou os laços do casal, junto há oito anos. "Tínhamos um objetivo comum muito forte: realizar essa viagem. Se nosso relacionamento não fosse bom, não conseguiríamos fazer o trabalho", confessa a atriz. "Eu e a Amanda fortalecemos ainda mais a nossa relação. Ela é superparceira e uma pessoa superpositiva", reafirma o galã.

Próxima "viagem"

No momento, Max, longe das novelas desde a global Flor do Caribe (2013), e Amanda, sem atuar desde a série Meu Amigo Encosto (2014), do canal Viva, estão focados na produção do livro que contará os detalhes do tour pela América do Sul. "A obra terá detalhes que ficaram fora da edição para a TV, além de fotos inéditas, histórias de bastidores e dicas de viagens", explica o ator. Para tanto, iniciaram uma campanha de financiamento coletivo, antecipando a venda da obra pela internet (www.americadosulsobrerodas.com.br).




(texto publicado na revista Contigo edição 2137 - 5 de setembro de 2016)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Mentem como respiram - Walcyr Carrasco


Inúmeras pessoas inventam origens fidalgas. Eu mesmo minto. Descobri que ser sincero é muito malvisto

Tenho um amigo que sempre falava de sua mãe, de origem italiana, elegantíssima. Da fortuna que o avô perdera, imensa, motivo pelo qual não era, pessoalmente, rico. Um dia soube a verdade: a mãe passara a vida vendendo verduras na feira. Gritava o preço do tomate. Nunca fazia as unhas e só ia ao cabeleireiro uma vez ao mês, para, como ela mesma dizia, “aparar a juba”. O tal avô nunca fora milionário, mas um imigrante que veio ao Brasil colher café. Meu amigo acreditava na própria mentira. Decidiu que a mãe tinha de conhecer a Itália, berço familiar. Ganhou uma grana a mais e arrastou a velha para museus e monumentos que ela odiou. A mãe teve uma crise de pressão e ficou de cama em Roma. Perdeu o passaporte e, para irritar o filho, em Florença, se escondia atrás das estátuas do museu. Fazia caretas, levava os seguranças a entrar em surto. Por pouco não derrubou o David de Michelangelo. O rapaz criara uma mãe inexistente. A velha teria preferido ir para uma praia, beber caipirinha na beira do mar. Seria muito mais bonito, acredito, ele falar de suas origens humildes, de suas lutas e conquistas.

Conheço inúmeras pessoas que mentem, inventando origens fidalgas. Para falar a verdade, mente-se por qualquer motivo: as pessoas ficam com vergonha quando estão doentes e dizem que estão ótimas; comentam que a amiga está bem vestida, quando acham um horror; elogiam alguém que emagreceu, para comentar nas costas que continua gordíssima. Eu mesmo minto: digo que vou viajar para fugir de um almoço; reclamo que não me sinto bem e fujo de um compromisso; finjo para mim mesmo que no próximo mês começo um regime e perderei a barriga. Faço promessas para depois da novela. Para um amigo, prometo visitá-lo em Los Angeles. Outro em San Francisco. Marquei uma viagem à Rússia com um grupo, só falta “definir a data”. Ao meu editor, digo que escreverei um livro. Combino de montar um grupo de cozinha gourmet. E deixo tudo para depois, quem sabe? Ultimamente, tento parar com isso. Se me convidam, digo que não posso. Se vou a uma peça de teatro e não gosto, digo isso mesmo, que não gostei. Sempre dá errado, a pessoa preferia uma mentira. A franqueza, descobri, é muito malvista. Até considerada falta de educação.

Robert Feldman é professor na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. Durante 40 anos, ele fez uma pesquisa sobre o ato de mentir. O resultado é o livro Quem é o mentiroso da sua vida?. Segundo afirma, a maioria das pessoas mente três vezes no curso de uma conversa de dez minutos. Quanto maior o grau de interesse que temos numa pessoa, mais compelidos a mentir ficamos. No primeiro encontro, parceiros inventam viagens que nunca fizeram, talentos que não têm. Pais ensinam os filhos a mentir: se o telefone toca, a mãe pede para o filho dizer que não está. E assim por diante.

Como no caso do meu amigo com a mãe “chique”, a pessoa acredita na própria mentira. Deve no banco, usa carro velho, mas garante a si mesmo e aos outros que logo comprará um outro, importado. Uma amiga fez várias plásticas. Na última, as orelhas ficaram em diagonal. Mas ela acredita que está linda assim. Os mais próximos garantem que ficou maravilhosa, ai meu Deus!

O pior: quando pego numa mentira, para se livrar da tensão de ter sido descoberto, o mentiroso inventa para si mesmo alguma coisa contra o outro. Assim se sente melhor. Meu amigo ficou furioso quando tentei fazê-lo entender que a pobre mãe nunca quisera botar sapato de salto longo e fino, pois entortava os pés. Saiu comentando que eu tinha “inveja”, pois minha família, como nunca neguei a ninguém, era simples. Quantas mães e avós são assassinadas por empregados que querem faltar ao trabalho? Alguns se esquecem e “matam” a avó várias vezes, até ser pegos na mentira. Outros dizem que estão doentes. E por aí vai. A psicologia forjou um termo para designar aquele que faz da mentira um hábito: síndrome de Münchausen. Os mentirosos inventaram outro: “mentira branca”, aquela que não prejudica ninguém. Conheço gente que me convida para jantar e discutir a produção de um filme e, no final, não tem grana para pagar o que comemos. E o tempo que perdi pensando na história, no projeto? Para mim, não existe a tal “mentira branca”. Tem gente que mente como respira. Mentira é mentira, e a tal “mentira branca” é só uma mentira a mais.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Como funciona o raio X de bagagem de mão? - Gilberto Stam


É tudo bem parecido com a radiografia que você tira no médico. Ao colocar sua bagagem na esteira, um gerador emite um feixe de raio X que faz a varredura do tipo de material que você está levando. Isso ocorre porque o raio X não atravessa os materiais da mesma forma: ele fica mais concentrado quando se depara com átomos mais pesados, como os do metal, e é menos absorvido por átomos leves, como os do plástico. Para formar a imagem no monitor, o computador interpreta as regiões com menor incidência de raios como mais escuras e vice-versa. O problema desse sistema, usado nos aparelhos mais simples, é que a imagem clara de um explosivo pode ser facilmente escondida pela sombra escura de um objeto de metal. Por isso, foi desenvolvido recentemente um aparelho que emite dois tipos de raio X, formando duas imagens independentes - uma de alta energia, que ressalta os materiais mais pesados, e outra de baixa, para os mais leves.

"Comparando as duas, o computador é capaz não só de separar imagens superpostas, mas de determinar a densidade dos materiais e indicar possíveis explosivos", diz Luiz Góes, diretor técnico da Heimann, uma das fabricantes desses aparelhos. Após os atentados de Nova York, alguns aeroportos internacionais estão adotando um aparelho que usa uma tecnologia semelhante à das tomografias computadorizadas. Depois de uma primeira varredura, o aparelho faz outra, revelando imagens em três dimensões de objetos suspeitos.


(texto publicado na revista Super Interessante edição 186 - março de 2003)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pé no pedal - Felipe Mortara, colaboração de Bruna Toni


Chovia bastante no fim de julho, enquanto o grupo de 30 ciclistas pedalava em fila indiana pelo acostamento da Rodovia dos Imigrantes no sentido do litoral. Após um curto trecho na movimentada via, adentramos a estrada de manutenção da concessionária, fechada ao fluxo de carros. Daquele ponto em diante, nem o mau tempo foi inimigo. O verde da Mata Atlântica parecia pulsar a cada gota, e o vento frio e úmido era aplacado pela adrenalina. Ao cabo dos 18 quilômetros de descidas, eis o saldo: 30 ciclistas encharcados, mas com sorrisos autênticos, de dar inveja em quem ficou dormindo em casa. 

O passeio termina com uma visita guiada e uma degustação preparada por um barista no Museu do Café, em Santos. Fique tranquilo: após a descida na reservada estrada, o traslado até o litoral e o retorno à capital são feitos de ônibus. Criado pela Pediverde Cicloturismo (pediverde.com.br), o pacote Santos de Bike custa R$ 245 (a próxima saída será dia 19) e é um exemplo das opções que ciclistas não tão experientes têm para se ambientar a pedaladas mais longas.

Com cada vez mais ciclovias em cidades grandes - São Paulo, por exemplo, já ultrapassou os 320 quilômetros de faixas permanentes -, há uma demanda crescente por desafios e horizontes mais amplos a serem descobertos numa magrela. "O cicloturismo é o passo seguinte de familiarização com a bike. A bicicleta causa isso nas pessoas, leva a buscar algo a mais. Uma hora a cidade fica pequena", diz o diretor da Pediverde Cicloturismo, Gustavo Angimahtz.

Mas não é todo mundo que encara despreocupadamente as estradas. "As principais dúvidas são as clássicas 'será que eu aguento?' e 'tem muita subida?'. E apesar de cada um ter sua capacidade física individual, isso é uma questão da determinação de cada um. Se você estiver disposto àquilo, você vai fazer."

O grande público do cicloturismo ainda está nos iniciantes, que descobriram a bicicleta há pouco tempo. "Em viagens com apoio e eventos de cicloturismo, sempre vejo uma grande quantidade de pessoas interessadas, que estão ali pela primeira vez. Isso está mudando, quem viaja uma vez sempre quer repetir e acaba trazendo amigos e família", afirma Jonatha Jünge, diretor da operadora Caminhos do Sertão.

Rotas

A cena do cicloturismo no Brasil está em desenvolvimento. Para Guilherme Padilha, diretor da agência Auroraeco e presidente da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), a demanda por esse tipo de experiência é cada vez maior, seja com a ajuda da operadora ou de forma independente, mas os desafios ainda são muitos. "A estrutura para esse tipo de viagem caminha em um ritmo bem mais lento, são poucas as regiões que alinham boas condições de estrada e trilhas, atrativos culturais, naturais e estrutura hoteleira", diz Padilha.

Mesmo que nossa infraestrutura ainda tenha muito o que evoluir, os brasileiros estão pedalando mais - ainda que não haja números oficiais. "Há aproximadamente 10 anos, a procura mais do que dobro a cada ano. Surgem novas operadoras, novas pessoas interessadas, novas marcas de bicicleta, novos circuitos", conta Adriana Krochne, da Bike Expedition.

Desde 2001, os 15 voluntários da ONG Clube de Cicloturismo oferecem, entre outros serviços, assessoria gratuita para iniciantes. Avaliam o nível do calouro, a viagem pretendida e o colocam em contato com uma rede de 2 mil participantes de sua lista de discussão. "Fazer independente é uma experiência diferente. Muita gente começa com pacotes de operadora e depois aprende a ir sozinho", explica Eliana Britto Garcia, diretora do Clube do Cicluturismo.

Com boas estradas pavimentadas, hospedagem caprichada e uma mentalidade mais aberta aos ciclistas, dois destinos brasileiros investiram mais no turismo sobre duas rodas nos últimos anos: o Vale Europeu, em Santa Catarina, e o Vale dos Vinhedos, na região de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. "Nessas áreas os motoristas já estão mais acostumados aos ciclistas nas estradas. E, mesmo que tenhamos alguma deficiência técnica, a parte colonial e a natureza são enormes", acredita o diretor de mercado nacional da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Lenauro Mendonça.

Por outro lado, a natureza ainda é nosso maior patrimônio cicloturístico. Cresce a procura - de brasileiras e estrangeiros - por pedaladas em áreas de preservanção, como Chapada Diamantina, Chapada dos Veadeiros, Serra da Mantiqueira e Estrada Real, de Minas Gerais ao litoral fluminense.

Os brasileiros ainda almejam a vivência das cicloviagens no exterior, especialmente nas estradas europeias, onde a cultura ciclística é mais institucionalizada. Toscana e Provence são as regiões favoritas, mas as planícies holandesas e as costas escarpadas da Croácia não ficam atrás. Brasil e América do Sul, contudo, têm destinos singulares e roteiros bem montados. Selecionamos pacotes de operadoras especializadas, separados por região e nível de dificuldade. A maioria inclui bicicletas (quando não for o caso, será especificado). Escolha o destino e a rota que mais se encaixa em seu preparo e coloque os pés no pedal.

Check-list

1 Comece devagar

Antes de se encarar um roteiro longo, treine. Em São Paulo, as ciclofaixas de lazer, aos domingos, ajudam a ganhar ritmo e contam com mecânicos gratuitos. Aos poucos, aumente o ritmo e a distâncias dos percursos. Grupos como o Clube de Cicloturismo (clubedecicloturismo.com.br) e Bike Anjo ((bikeanjo.org) oferecem consultoria para iniciantes.

2 Primeiras viagens

Busque passeios guiados próximos à sua cidade. Nos arredores de São Paulo, agências como Pediverde e Sampa Bikers oferecem roteiros curtos, com  transfer de ônibus e carros de apoio, além de instrutores especializados. Na página Loop Bikes (loopbikes.com.br) é possível encontrar passeios de bicicleta para iniciantes em várias partes do País. Normalmente iniciantes encaram percursos de 30 a 50 quilômetros.

3 Equipamentos

Há vários tipos de bicicleta no mercado - escolha a que mais combina com você. Bicicletas dobráveis são ótimas para a cidade, mas não devem ser usadas para pegar a estrada. Capacete e óculos são fundamentais, e luvas poupam as mãos de calos e escorregões. Para distâncias longas, considere bermudas forradas - ou selim com silicone. Use roupas leves e que não prendam os movimentos.

4 Transporte

Nos ônibus rodoviários, são permitidos até 30 quilos de bagagem, com volume até 300 decímetros cúbicos. Ou seja, você pode levar a bicicleta, mas dependendo da empresa (e do motorista), será preciso retirar os pneus. No caso das aéreas, cheque com a companhia - a Gol, por exemplo, cobra pelo transporte, a TAM, não. Há regras específicas para embalar a magrela, mas é sempre preciso retirar os pedais e esvaziar os pneus.

5 Revisão

Está preparado? Antes de ganhar a estrada, leve a bicicleta para um check-up. Em boa parte dos tours guiados você contará com algum suporte mecânico - o que não o impede de levar um kit próprio, com itens básicos como câmara de ar, remendos para o pneu e cola, uma bomba de ar e ferramentas básicas. Peça para o bicicleteiro instalar uma fita antifuro entre o pneu e a câmara de ar.

6 Saúde é o que interessa

Alongar-se é fundamental antes de ganhar a estrada. Procure um ritmo de pedalada confortável, no qual não se esforce demais. Não esqueça de se hidratar - deixe a caraminhola sempre cheia ou invista num Camel Back (mochila de hidratação). Não leve peso nas costas: isso pode tirar a estabilidade do ciclista. Protetor solar é importante, assim como o seguro-viagem nos roteiros internacionais.




(texto publicado no jornal O Estado de São Paulo de 8 de setembro de 2015)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Gol passa a transportar cães e gatos de pequeno porte na cabine do avião - Samantha Kelly (Portal do Dog)


A medida entrou em vigor na quarta-feira (11) e permite que cães e gatos de até 10 quilos (incluindo o peso do kennel) possam viajar na cabine. 

A empresa aérea Gol passou a permitir que cães e gatos de pequeno porte sejam transportados na cabine, juntamente com o seu tutor.

Até a mudança, que levou tempo considerável para acontecer e entrou em vigor na quarta-feira (11), apenas cães de serviço podiam viajar com seus tutores, com os animais de estimação viajando no porão do avião.

Os animais deverão estar limpos e saudáveis, com os tutores devendo apresentar a carteira de vacinas em dia e um atestado de sanidade do animal fornecido pelo médico veterinário, Secretaria de Agricultura Estadual ou Posto do Departamento de Defesa Animal, este documento precisando ter validade de no máximo 10 dias e ser emitido com 72 horas de antecedência.

Somente cachorros com no mínimo 4 meses e que, juntamente com a caixa de transporte, somarem 10 quilos, serão elegíveis à cabine.

A caixa de transporte deverá ter medidas máximas de 22 cm de altura, 43 cm de profundidade e 32 cm de largura, conter os dados de contato do tutor e código da reserva.

Os animais deverão viajar embaixo do assento da frente, de preferência próximos a janela, para ficarem distantes de outros pets. Tanto o  tutor quanto o pet não poderão sentar em saídas de emergência ou na primeira fila, por questão de segurança.

Cada passageiro só poderá levar 1 animal, assim como só será permitido 1 pet por fileira, e no voo inteiro serão permitidos um número máximo de 4 pets.

Os que desejam contratar o serviço, devem ligar para o telefone 0300 101 2001 e, para mais informações, acessar o site oficial da companhia aérea: www.voegol.com.br












terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Casal larga a vida no Brasil para morar de graça na Nova Zelândia (Catraca Livre)


Todo mundo um dia já pensou, nem que só por um momento, em jogar tudo para o alto, se mudar, largar o emprego, sair do sistema, rodar o mundo. A Larissa e o Carlos, do Blog Vida Cigana, não pensaram só por um momento, mas por anos, não sossegando até encontrar uma fórmula de tornar o desejo realidade.

A grande descoberta, o que desencadeou todas as possibilidades antes inalcançáveis, para o sonho dar certo chama-se 'house sitting'. Em bom português, tomar conta de casas enquanto seus donos viajam.

'House sitting' é mais um exemplo da revolução que está ocorrendo na indústria do turismo através de economia compartilhada ou colaborativa. Ajudados por diversos sites especializados que possibilitam a ligação entre proprietários de imóveis e seus candidatos a ocupantes, largar o emprego e partir para um estilo de vida despojado e alheio ao sistema deixa de ser algo distante ou irreal. 

De um lado, quem tem uma casa, em geral com animais que precisam de cuidados, mas quer passar as férias longe. De outro, viajantes que adorariam poder ajudar em troca de hospedagem gratuita em locais que não teriam como bancar uma viagem. As duas partes unem-se em uma troca onde ambos saem ganhando sem que tenha que ser usado dinheiro na transação. Os proprietários deixam seus bichinhos nas mãos de pessoas confiáveis e os novos moradores não só ganham novos amigos, como podem usar tudo o que a casa tem direito, incluindo piscina, churrasqueira ou mesmo o carro da família, muitas vezes.

O casal já passou por 'house sittings' em diferentes cidades, cuidando dos mais diversos animais em quatro meses de viagem a um custo diário por pessoa em torno de 35 reais. Uma redução enorme nos gastos não só pela economia em hospedagem e aluguel, mas transporte e muitas vezes, comida, pois muitas casas já vêm equipadas. No final das contas, você viaja por  todo o país, se hospeda e conhece as cidades de graça e, se for um apaixonado por animais, ainda convive com bichinhos adoráveis.










domingo, 28 de dezembro de 2014

Uma história de amor: o gatinho imigrante que tem passaporte


A crueldade humana é capaz de nos surpreender a cada dia. Todos os dias acompanhamos no noticiário histórias de maus tratos com animais e pessoas. A sorte é que no caminho contrário, há pessoas com coração tão bom que são capazes de fazer loucuras para uma boa causa.

Andando pelas ruas de Madrid, Roberto encontrou uma ninhada de gatinhos na lata do lixo. Suas amigas pegaram alguns e ele pegou Xorxe, dando início a uma verdadeira história de amor. O bichano doente precisou ser alimentado de mamadeira e recebeu tratamento de saúde. Mas logo que o Xorxe ficou bom. Roberto Marinotti recebeu uma proposta de ir para a Alemanha, onde não poderia levar o felino.

A opção mais simples, por incrível que pareça, foi pedir ajuda para sua mãe, Sandra Marinotti, aqui no Brasil. O amor pelo gatinho estava superando as barreiras internacionais, pois Sandra precisou realizar uma sequência de trâmites burocráticos exigidos pela legislação da Espanha, entre eles, um atestado do Centro de Zoonoses do país, tirar um passaporte, além de vacinas e uma passagem de 200 Euros para ele viajar. Chegando ao Brasil, teriam de dar baixa no chip que Xorxe recebeu, mas não foi possível, o sistema brasileiro não está munido de equipamentos tão evoluídos.

Ainda bem que a história teve final feliz, com a atitude persistente de uma família que não precisa provar para ninguém que adora e protege os animais. Se você precisa ou quer viajar com o seu, confira algumas dicas!

Dicas para viajar com o seu Pet

Procure programar sua viagem de férias com os bichinhos em dias de menor movimento e atente para as regras de cada companhia aérea, pois elas aceitam transportar animais desde que sejam respeitadas as normas de importação, exportação e trânsito de animais.

Eles devem viajar dentro de caixas especiais no compartimento de bagagem, mas filhotes, animais pequenos e cães de auxílio a deficientes visuais ou auditivos podem viajar ao lado do passageiro.

É essencial obter os dados sobre os documentos exigidos no consulado do local de destino e na companhia aérea antes de pensar em levar o animal. São necessários atestado de saúde fornecido pelo veterinário três dias antes da viagem e certificado de vacinas.

Em viagens internacionais também é necessário apresentar o atestado Certificado Zoo Sanitário Internacional, emitido pelo Ministério de Agricultura. Para evitar transtornos, também é recomendável se informar no consulado do país de destino sobre outras exigências como visto e passaporte.

Países da Europa em geral, solicitam um exame sorológico para confirmação da vacinação anti rábica. Há ainda restrição quanto ao número de animais que estão imigrando em alguns países. Informe-se antes de viajar para evitar surpresa no desembarque.

Os animais devem ser transportados em caixas de fibra com tamanho suficiente para que possam efetuar o movimento de 360 graus em seu interior. Se a viagem tiver mais de 12 horas, é necessário que haja compartimento para água e comida. É bom informar-se com a empresa aérea sobre o tamanho permitido.

As empresas explicam que o local de carga da aeronave possui condições ambientais similares às da cabine, não sendo necessário tapar os ouvidos do animal com algodão. Isso sim pode incomodar o bicho, se a viagem for longa.



(texto publicado na revista Tudo nº 36 - janeiro de 2014)