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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Como administrar o uso do celular: trabalho, família, trânsito - Júlio Machado


Daniel Goleman, psicólogo, autor do livro Inteligência emocional,publicou na sua mais recente obra -Foco- severas advertências sobre esse momento humano-tecnológico que estamos atravessando, onde a falta de atenção tornou-se um dos maiores efeitos colaterais do uso descontrolado das ferramentas digitais. A quantidade enorme de convites para dispersão, através do WhatsApp, Facebook, e-mails, internet, twitter etc , somada à falta de gerenciamento do tempo e da disciplina para lidar com esses apelos digitais, tem comprometido muito a produtividade no trabalho e a segurança no trânsito, além de prejudicar seriamente os relacionamentos interpessoais.

Estudos tem comprovado que as interrupções em excesso podem diminuir em até 30% a capacidade de realização de atividades, o que faz com que o trabalho final deixe a desejar. Outra questão preocupante é a falta de consciência e a inconsequência dos motoristas que dirigem falando ao celular ou respondendo a mensagens, sem atentar para o fato de que estão assumindo o risco de matar. Hoje, esta conduta está sendo equiparada a dirigir alcoolizado.

A maioria das empresas que estão se preocupando com essas questões, não gostaria de fazer uso de ferramentas legais de caráter coercitivo para, por exemplo, proibir o uso do celular. Preferem, em vez disso, tentar educar e conscientizar, para que o bom senso dos colaboradores seja aplicado no dia a dia. Porém, esta tarefa não é nada fácil, principalmente nas empresas onde a maioria dos colaboradores tenha nascido depois dos anos 90.

Precisamos admitir que somos todos novatos no uso de algo em nossos bolsos que nos chama o tempo inteiro. Estamos aprendendo continuamente e, como tudo na vida, podemos fazer escolhas quanto à maneira como queremos usar o que o mundo nos proporciona. Importa termos a consciência de que estas escolhas ferarão consequências com que teremos que conviver no futuro. 

Propomos, através dessa palestra, uma sensibilização educativa, utilizando vídeos e relatos de casos, no sentido de buscarmos um posicionamento mais maduro e responsável para o uso dessas novas tecnologias na família, no trânsito e no ambiente de trabalho. Além de propormos algumas dicas para o uso seguro e ético dessas ferramentas, iniciaremos com o grupo a construção de um pequeno código de conduta a partir das experiências de cada um.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ações para diminuir os acidentes nas rodovias - Paulo César Lima Segantine


Dentre as várias definições filosóficas de acidente, alguns dizem ser este um evento que pode ser inesperado e indesejado, que causa danos financeiros e pode levar a perda de vidas humanas. Outros afirmam que os acidentes são eventos em que os resultados são muitas vezes fruto de negligências e que podem ser evitados por medidas eficazes. É à luz desse segundo conceito que serão realizadas algumas reflexões a seguir.

O nosso país, ao longo de sua história, decidiu, por razões de um momento sociopolítico-econômico, optar pelo sistema de transporte sobre rodas pneumáticas. Essa opção tem seus adeptos em diferentes setores da sociedade, em que há também pessoas que gostariam que esse assunto fosse mais discutido na busca de uma melhor solução, seja em âmbito nacional ou regional.

Os números não mentem. Esse velho e conhecido ditado popular nos amedronta a cada dia, pois as estatísticas apresentadas na mídia indicam que o quadro do número de acidentes em nosso país aponta para um horizonte nebuloso quanto ao seu custo social. A melhoria desse quadro passa necessariamente por averiguações e análises de suas causas, para que seja possível reduzir as ocorrências e, se possível, evitá-las no futuro, salvaguardando, assim, muitos sofrimentos e perdas de vidas humanas.

É fato que muitos acidentes têm suas causas conhecidas e que certamente merecem uma maior atenção por parte dos diferentes níveis de governantes, órgãos governamentais, empresários da área de transportes e os setores da educação.

Não se pode negar que os acidentes nas rodovias brasileiras são, dentre muitos fatores, devidos às condições de infraestrutura e de geometria das vias, que, em sua imensa maioria, foram construídas há vários anos e que merecem e precisam de reformas urgentes. Com o crescente número de veículos nas vias, urge fazer as duplicações de muitas de nossas rodovias, uma vez que a imensa maioria delas são pistas simples e suas capacidades de tráfego já foram ultrapassadas há muito tempo.

Outro fator relevante é a "educação" dos condutores. Tem-se muitos exemplos de países que investiram grandes somas na educação das crianças, que são os condutores do futuro. Infelizmente não temos a cultura de aprendermos com os acertos de outros países e tudo é deixado de lado para que tudo se acerte num futuro incerto.

Os números divulgados por diferentes órgãos federais e estaduais indicam que a maioria dos acidentes rodoviários tem a sua causa na negligência por parte dos condutores. Negligência é uma atitude que está diretamente ligada à educação, e isso ninguém pode negar. Para tanto, deve haver uma consciência em nível nacional por parte dos governos federal e estadual e dos empresários do setor para investimentos em campanhas educativas em diferentes veículos de comunicação, a fim de que os condutores sejam conscientizados da necessidade de uma condução mais segura e preventiva. O comportamento do condutor, seja de caminhão, de ônibus ou de automóvel, tem que mudar, e o melhor e único caminho passa pela educação. As transportadoras de carga devem investir na formação continuada e no acompanhamento de seus condutores, pois são eles que conduzem o patrimônio de suas empresas.

Portanto, a redução dos acidentes rodoviários, dentre outras atitudes, passa pela necessidade urgente de investimentos no aprimoramento da formação/reciclagem de condutores, campanhas educativas direcionadas para os pedestres e para os condutores não dirigirem após a ingestão de álcool, campanhas educativas quanto à manutenção técnica dos veículos, campanhas educativas específicas para ciclistas e motociclistas, investimentos na qualidade da malha viária, sinalização das vias e nos projetos dos veículos, oferecimento de locais adequados para que os condutores de veículos de carga possam ter o seu devido descanso com dignidade e segurança, e investimentos no aparelhamento e no número de agentes fiscalizadores e na eficiência da fiscalização.

Não deixemos para amanhã, comecemos agora a mudar nosso jeito de ser e de conduzir nossos veículos.





(texto publicado no Jornal da USP nº 1056 - ano XXX - 9 a 15 de março de 2015)