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domingo, 30 de outubro de 2016

Grandes ideias: A esferográfica


A partir do funcionamento de uma rotativa, surgiu a caneta de esfera de metal. Barata e descartável, é hoje usada por milhões de pessoas em todo o mundo

Num dia qualquer de 1937, o então revisor tipográfico Laszlo Biro, de 36 anos, foi à oficina do jornal em que trabalhava em Budapeste, na Hungria, para corrigir provas de página. Por acaso deteve-se a observar o funcionamento da rotativa. Chamou-lhe a atenção a maneira pela qual o cilindro se empapava de tinta e imprimia o texto nele gravado sobre o papel. Havia alguns anos, Biro sonhava criar uma caneta que não borrasse ou cuja tinta não secasse no depósito. Ele era mesmo dado a invenções: aos 17 anos, criou um tipo de máquina de lavar, aos 28, apresentou um sistema automático da caixa de câmbio dos automóveis.

Assim, ao observar a rotativa ocorreu-lhe que seria possível fabricar uma caneta baseada no mesmo processo, ou seja, que permitisse escrever por meio de um cilindro cheio de tinta. Com o irmão Georg, que era químico e o ajudou a conseguir uma tinta adequada, e o amigo Imre Gellért, técnico industrial, Biro levou adiante o projeto da revolucionária caneta. Após meses de trabalho, os três conseguiram criar um modelo em que a tinta molhava uma bolinha de aço por meio da pressão de um pistão de rosca sobre o reservatório de tinta. Surgia assim a caneta esferográfica - um dos inventos mais bem-sucedidos deste século, que como poucos se incorporou à vida diária de muitos milhões de pessoas.

Pode-se dizer que, no mundo de hoje, quem escreve, escreve com esferográfica: as clássicas elegantes canetas-tinteiro de outrora são usadas apenas por uma minoria, até por uma questão de preço. Mas Biro teve de trabalhar muito para superar os inconvenientes da primeira versão de seu invento. A princípio, de fato, quando a pressão sobre o corpo da caneta era muito forte, a tinta e a bolinha de aço eram atiradas longe. De qualquer forma, já em 1938, a caneta esferográfica estava patenteada.

A partir de então, Biro passou a dedicar-se a comercializar a novidade. Um acaso iria ajudá-lo nessa empreitada. Certo dia, num balneário iugoslavo, ele escrevia com sua caneta esferográfica um telegrama na portaria do hotel onde estava hospedado. A caneta chamou a atenção de um senhor que se apresentou como engenheiro argentino. Depois de conversarem, o estranho sugeriu a Biro que se mudasse para Buenos Aires e ali aperfeiçoasse a caneta. Ao se despedirem, o senhor deixou com ele seu cartão. Na verdade, tratava-se de um ex-presidente da Argentina, o general Agustín Justo (1876-1943).

De volta à Hungria, Biro achou melhor mudar de ares. No primeiro dia de 1939, desembarcava em Paris. Na França, continuou tentando vender sua caneta - mas sem muito sucesso. Com o início da Segunda Guerra Mundial, em setembro daquele ano, as coisas se complicariam ainda mais para o refugiado húngaro. Foi então que ele se lembrou do cartão do ex-presidente argentino e resolveu tentar a sorte do outro lado do Atlântico. O cartão ajudou-o a conseguir o precioso visto de entrada. Um amigo, Luís Lang, que havia emigrado anos antes, mandou-lhe a passagem. Em agosto de 1940, Biro chegava a Buenos Aires.

Em sociedade com Lang, Biro montou então uma fabriqueta, que funcionava inicialmente numa garagem. Começava assim a produção industrial das canetas esferográficas. Depois de um tempo, descobriu que a caneta não precisava de pressão para que a tinta molhasse a esfera de aço, o que simplificou bastante o modelo. Assim, três anos depois de sua chegada a Buenos Aires, as canetas esferográficas - ou biromes, como ficariam conhecidas ali - apareceram nas lojas argentinas. Em agosto de 1944, a revista americana Time publicava uma nota sobre o invento, lembrando que a birome era a única caneta que permitia escrever a bordo de um avião, por exemplo, porque a tinta não vazava.

A nota informava ainda que as Forças Armadas americanas queriam comprar 20 mil unidades. Pouco depois, Biro recebia da empresa americana Eversharp uma proposta de compra dos direitos da invenção para os Estados Unidos pela bagatela de 2 milhões de dólares. O húngaro fechou negócio e assim que a guerra acabou as esferográficas já faziam sucesso em Nova York. Os demonstradores de uma grande loja passavam o dia nas vitrines escrevendo em tanques de água para atestar as qualidades da nova caneta.

A moda da esferográfica pegou de uma penada - e veio para ficar. Hoje, as mais populares são as tradicionais, baratas e descartáveis. Sofisticadas ou simples, o funcionamento das esferográficas baseia-se sempre no mesmo princípio: uma pequena esfera feita de metal (aço ou tungstênio) com 1 milímetro de diâmetro gira na ponta de um tubo contendo tinta. A esfera, por sua vez, é presa em uma ponta metálica feita de latão. Uma boa esferográfica deve movimentar-se em todas as direções - algo que a pena da caneta-tinteiro não consegue. Ao deslizar pelo papel, a esfera se move e suga a tinta do tubo, que fica dentro do corpo da caneta. Para que a tinta não saia além ou aquém do necessário, é preciso que a distância entre a esfera a e aponta metálica tenha a precisão de milésimos de milímetros.

Um dos obstáculos enfrentados por Biro para aperfeiçoar seu invento foi justamente a tinta, que precisava ser suficientemente viscosa para não escorrer do tubo à esfera. Atualmente, a viscosidade é obtida ou à base de óleo - em que a secagem se dá pela absorção no papel - ou de um solvente como o álcool - em que a secagem se dá por evaporação. Uma esferográfica comum costuma ter de 0,5 a 1,5 mililitro de tinta. Mas os reservatórios de tinta de 1,5 mil precisam de uma tampinha e um respiradouro, além de uma pequena quantidade de um líquido ainda mais viscoso, pois sem isso e com o tubo fechado a tinta não flui pela esfera por causa da pressão. Por esse motivo há um furinho nos corpos das esferográficas comuns.

O diâmetro da esfera  também varia, é isso que determina o tipo de escrita, mais grossa ou mais fina. Na década de 50, o tubo cheio de tinta viscosa com uma esfera de metal na ponta impressionou, o barão Marcel Bich, dono de uma pequena fábrica de canetas-tinteiro na França, Bich comprou os direitos do invento e construiu um verdadeiro império com as esferográficas. As canetas do barão começaram a ser fabricadas no Brasil em 1961. De início, foram recebidas com certa desconfiança pelos consumidores acostumados à tradicional caneta-tinteiro. Temendo que se prestassem à falsificações, os bancos recusavam cheques assinados com esferográficas.

Nas escolas primárias, as professoras advertiam que, por deslizar com muita facilidade pelo papel elas atrapalhavam a alfabetização das crianças. A resistência dos bancos durou pouco. Nas escolas, embora não sejam proibidas, as professoras dão preferência ao lápis e à borracha. Nessa fase, as crianças não têm ainda o controle motor necessário para manusear uma esferográfica. Além disso, com o lápis, quando erram, podem apagar e escrever de novo. Mas desde o maternal a esferográfica serve para desenhar. Hoje em dia, os brasileiros compram 700 milhões dessas canetas por ano. E o húngaro Biro? Ele se naturalizou argentino e viveu em Buenos Aires até morrer em 1985, aos 84 anos. No dia de sua morte, as papelarias portenhas hastearam a bandeira a meio pau.




(texto publicado na revista Super Interessante nº 5 - ano 2 - maio de 1988)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Diário de vida: Grandes ideias: A fotocopiadora


Continuo firmemente decidida a "investir" em minha saúde: alimentação correta na medida do possível porque não pertenço à linha dos naturebas "obsessivos", caminhada diária, Pilates e sessões com o especialista em quiropraxia. E em minhas andanças faço sempre um pit stop na biblioteca do parque. Achei vários números da Super Interessante e também da Seleções e acabei pegando todos os exemplares que devolverei assim que conseguir ler os artigos que me interessam. Um dos artigos fala sobre a invenção da máquina de xerox, considerada indispensável atualmente. O que é interessante é a garra com que o seu inventor lutou para que a sua criação fosse colocada em prática. O texto é de 1989, por isso, obviamente está bem desatualizado, mas o que vale é a lição de vida de Chester Carlson. E a revista na época custava 1,70 cruzados novos :-) 

Em pouco mais de meio século, essa máquina simples mas eficiente revolucionou os métodos de trabalho e se tornou indispensável nos escritórios modernos

Em 1930, o americano Chester Carlson não tinha nada além de um diploma de bacharel em ciências com especialização em Física, 1400 dólares em dívidas e duas respostas negativas às 82 cartas que havia mandado em busca de emprego. O ano, com certeza, era um dos piores da história dos Estados Unidos. A Depressão, grave crise econômica que começou em 1929, diminuía os salários e aumentava o desemprego a níveis assustadores. Mas o físico de Seattle, que na época tinha apenas 24 anos, era persistente. É fácil entender por quê: desde os 12 anos, o menino magro e desengonçado trabalhava limpando vitrines e varrendo escritórios para sustentar os pais, que sofriam de tuberculose.

Aos 14, conseguiu também um emprego de auxiliar de tipógrafo. No ginásio, passou ainda a acumular a função de ajudante num laboratório de Química, que exercia aos sábados e domingos. Sua jornada era de nada menos de doze horas - das 6 da manhã às 6 da tarde. Mas, afinal, o recém-formado conseguiu um emprego no departamento de patentes de uma firma de eletrônica de Nova York. Foi ali que começou a perceber a necessidade de um aparelho que pudesse tirar cópias de documentos de uma forma mais simples do que a utilizada até então. Na época, cópias de textos eram feitas em papel-carbono ou enviadas a firmas especializadas em tirar fotografias do original, um processo de reprodução sempre caro e demorado.

Em vista dessas dificuldades, em 1935 Chester pôs na cabeça que iria inventar uma máquina que funcionasse ao mero toque de um botão. A ideia não teve o que se pode chamar de calorosa acolhida. Já era comum naquele tempo pensar-se que grandes invenções só poderiam surgir em equipados laboratórios universitários ou industriais. Mas o físico não se deixou desencorajar. Foram três anos de trabalho solitário à noite e nos finais de semana. A maior parte do tempo ele passava na Biblioteca Pública de Nova York, em busca de livros especializados. Chester dividia ainda as horas dedicadas à investigação científica com um curso na Faculdade de Direito e o emprego na firma de eletrônica.

Enfim, em 1937, conseguiu patentear um processo, ao qual deu o nome de eletrofotografia, que, teoricamente, poderia reproduzir documentos com certa qualidade. Mas a máquina era ainda apenas um punhado de papéis cheios de anotações. Faltava o prnicipal: construir o aparelho. A tarefa não seria fácil, pois o laboratório de Chester não passava de um armário embutido num apartamento de um único cômodo. Era evidente que ali não havia instrumentos suficientes para a construção do invento. O americano não pensou duas vezes: alugou um quarto no subúrbio de Astoria e investiu todas as economias na compra de uma bancada, placas de metal, resinas, enxofre, produtos químicos e um bico de Bunsen, uma espécie de fogareiro de laboratório.

Conseguiu ainda contratar um físico, o alemão Otto Kornei, para ajudá-lo nas experiências. Não passou muito tempo até que os dois produzissem naquele quarto pequeno a primeira cópia eletrográfica. "10-22-38 (sugerindo 22 de outubro de 1938) Astoria" foram as palavras impressas definitivamente no papel, mediante o processo que Chester tinha proposto um ano antes. O cientista esfregou com um pano de algodão uma placa de zinco revestida de enxofre, de modo que ela ficasse carregada de eletricidade estática - a mesma que faz com que um pente, depois de usado, atraia pedacinhos de papel. Na lâmina de vidro de um microscópio, escreveu com tinta nanquim a data e o local da experiência.

A lâmina então foi encostada à placa e os dois submetidos por alguns segundos à luz de um refletor. Aconteceu o que o físico esperava: os raios de luz dissiparam a carga da chapa, exceto das partes tampadas pelos dizeres. A placa foi então pulverizada com um pó químico de cor preta chamado licopódio, que foi atraído apenas pela parte da placa que permaneceu energizada, deixando-a em evidência. Chester comprimiu então a placa contra uma folha de papel parafinado. Nesta, apareceram os dizeres tingidos pelo pó, que foram depois fixados pela ação do calor. Impressionado, um professor de letras clássicas de Ohio sugeriu que o nome do processo fosse trocado para xerografia, do grego xerox=seco e grafia=escrita.

Chester, animado com o sucesso, começou a procurar financiadores para o invento, além de fabricantes que pudessem produzi-lo em escala industrial. Não havia, porém, ninguém interessado na xerográfica e os desenhos propostos pelo físico não eram satisfatoriamente executados pelas fábricas. De 1939 a 1944, o inventor percorreu mais de vinte companhias, em busca de reconhecimento. Não teve resposta. Finalmente, numa apresentação em Columbus, Ohio. Chester convenceu o Instituto Memorial Battelle a levar o projeto adiante, em troca de 60 por cento dos lucros que pudesse ter com as vendas. Mas as empresas continuavam descrentes - classificavam o invento de grosseiro ou como "algo parecido com um brinquedo".

Estaria tudo perdido caso uma pequena firma chamada Companhia Haloid, de Rochester, Nova York, não tivesse, enfim, se interessado pela engenhoca. Ela negociou os direitos comerciais da xerógrafica e em abril de 1947 Chester recebeu o pagamento inicial a que tinha direito - 2 500 dólares -, embora ainda fossem necessários três anos para que a primeira xerox chegasse ao mercado. O processo era semelhante àquele experimentado tempos antes e que ainda hoje é utilizado. A imagem do original é projetada através de lentes e espelhos sobre um cilindro metálico carregado de eletricidade estática e coberto por uma camada de selênio.

A parte clara do original reflete luz para o cilindro, fazendo com que sua carga seja dissipada. A parte do cilindro referente à imagem escura do original permanece carregada e atrai o tonalizador ou toner - composto que veio a substituir o licopódio, o pó preto usado originalmente -, que por sua vez se prende a uma folha de papel que passa sobre o cilindro. A imagem é fixada por aquecimento e pressão. A Companhia Haloid passou a se chamar Corporação Xerox, hoje a 34ª entre as maiores corporações industriais dos Estados Unidos, segundo a revista Fortune. Em pouco tempo havia copiadoras em todos os escritórios do país -e Chester acabou ficando milionário com os direitos de patente da máquina. Até morrer, em 1968, recebeu royalties referentes à fabricação do produto.

Outros tipos de copiadoras foram desenvolvidos. Nas produzidas originalmente no Japão, por exemplo, o processo básico é o mesmo, com uma única diferença: o tonalizador é líquido, obtido de um derivado de petróleo. Hoje é difícil imaginar uma empresa ou escola ou qualquer instituição, enfim, que não disponha de copiadoras xerográficas. As mais avançadas podem reduzir ou ampliar qualquer documento, reproduzir slides coloridos e operar em alta velocidade. Modelos de última geração utilizam feixes de laser que fazem a leitura do original, indicando as regiões claras e escuras do papel. Ao facilitar enormemente a vida, as copiadoras também contribuíram para multiplicar as montanhas de papel que cada vez mais parecem sufocar o homem moderno.



(texto publicado na revista Super Interessante nº 1 - ano 3 - janeiro de 1989)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Tive uma ideia! - Roberta Barbieri e Niege Borges


Essa é uma expressão comum para seres criativos, mas alguns levam as ideias a sério, transformando-as em realidade. Conheça a história de dez invenções que nasceram no Brasil e ganharam o mundo

Bina

Já imaginou atender o celular sem saber quem está ligando? Seria assim se, em 1980, o eletrotécnico mineiro Nélio Nicolai não tivesse dado uma força aos seus vizinhos bombeiros, que não suportavam mais receber trotes. Inventou então um sistema de identificação que batizou de "B identifica o Número de A", ou seja, BNA. Hoje, ele luta na Justiça para receber royalties de todos que usam seu invento.

Escorredor de arroz

Uma pia entupida foi o que despertou o espírito inventor da cirurgiã-dentista Therezinha Zorowich. Cansada de ver o ralo cheio de arroz, em 1959, ela projetou uma espécie de peneira para lavagem dos grãos. Com a ajuda do marido engenheiro, foi aprimorando o protótipo do "lavarroz", até que patenteou e licenciou o produto para uma fábrica de utensílios domésticos. Foi um sucesso!

Coração artificial auxiliar

Apresentado ao mundo em 2000, o aparelho criado pelo engenheiro mecânico Aron de Andrade, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, trouxe uma inovação ao universo de especialidade. Como não substitui o coração natural - "apenas" ajuda-o a bombear o sangue -, ele requer uma cirurgia mais simples e mais segura, porque, se parar de funcionar de repente, o coração pode seguir bombeando.

Soro antiofídico - em pó

Soros contra venenos de cobras existem desde o século XIX,  mas, em 2000, o veterinário Rosalvo Guidolin revolucionou o setor, criando, nos laboratórios do Instituto Butantan, em São Paulo, a versão em pó do medicamento. Ao contrár5io do soro líquido, que deve ser mantido em baixas temperaturas, a versão em pó dispensa refrigeração e ainda tem prazo de validade muito maior.

Abreugrafia

Esse talvez você não conheça, mas médicos de mais idade certamente sabem bem da importância desse método de radiografia brasileiríssimo. O nome homenageia o médico Manoel de Abreu, que, em 1936, misturou elementos da fotografia aos dos caros equipamentos de raios X, para criar uma técnica capaz de diagnosticar a tuberculose de forma rápida e barata, exportada para o mundo todo.

Copo americano

Não se engane pelo nome. O típico copo de padarias e botequins foi criado no Brasil! Em 1947, o empresário Nadir Dias de Figueiredo, que já fabricava copos de vidro, criou o seu produto, inspirado em um copo que tinha visto nos EUA - por isso, o nome. Com o tempo, o copinho, que serve de café a cachaça, virou uma paixão nacional, vendendo mais de 100 milhões de unidades por ano.

Urna eletrônica

Desde as Eleições de 2000, em vez de fazer o tradicional xis em cédulas de papel, o Brasil vota apertando botões. Viramos exemplo de segurança eleitoral e passamos a ter uma das apurações mais rápidas do planeta. Isso só foi possível porque, ainda nos anos 80, um juiz eleitoral de Santa Catarina, Carlos Prudêncio, pensou nesta máquina e, com a ajuda do irmão, tornou-a realidade.

Spuni

O nome é estranho, mas o produto é bem conhecido pelos amantes do futebol. É aquele spray utilizado pelos árbitros para marcar no gramado o local da cobrança de faltas. Foi criado pelo mineiro Heine Aleimagne, tendo como inspiração o creme de barbear. O Spuni estreou em um torneio infantil em Minas Gerais, em 2000, e ganhou os gramados do mundo, chegando, em 2014, à Copa do Mundo.

Walkman

Hoje, virou uma peça de museu, mas, há 30 anos, ter um toca-fitas portátil era o sonho dos adolescentes do mundo inteiro. E, acredite, o walkman é brasileiro! Quer dizer, meio brasileiro. Andreas Pavel, que inventou o aparelho em 1972, nasceu na Alemanha, mas se mudou para cá ainda criança. Em 1977, registrou a patente, mas só conseguiu receber os direitos da Sony em um acordo judicial em 2004.

Relógio de pulso

Santos Dumont é tido como o grande inventor brasileiro. Mas o que poucos sabem é que, além do avião, ele também criou o relógio de pulso. Até o final do século XIX, os relógios eram de bolso, o que complicava a vida de Dumont, que precisava marcar o tempo enquanto pilotava suas máquinas. A solução foi improvisar uma pulseira com um lenço, e, como deu certo, ele encomendou uma definitiva ao colega joalheiro Louis Cartier.



(texto publicado na revista Todos - a vida é feita de histórias. Qual é a sua? nº 3 - ago/set de 2015)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Estudante cria fita que acusa fraude no leite (Prêmio Jovem Cientista)


Joana Pasquali, 17 anos, desenvolveu produto que identifica adulterações e vence o Prêmio Jovem Cientista na categoria Ensino Médio

O interesse começou na escola, mas foi na garagem de casa que a estudante Joana Pasquali, 17 anos, montou o ambiente para desenvolver a pesquisa vencedora do Prêmio Jovem Cientista na categoria Ensino Médio. Utilizando uma tábua de passar roupa como mesa de apoio, Joana passou sete meses fazendo os testes que resultaram no Detectox, um produto que identifica fraudes e contaminações no leite UHT.

Com a ajuda da professora orientadora Andréia Michelon Gobbi, da disciplina de Metodologia Científica, e motivada pelas notícias de adulteração de leite no Rio Grande do Sul, Joana iniciou o trabalho pesquisando as irregularidades mais comuns encontradas no produto. A gaúcha contou com a ajuda de sua colega de classe Alexandra Gozzi e as duas chegaram a três substâncias adicionadas irregularmente com mais frequência: o formol, prejudicial à saúde e utilizado para matar as bactérias do leite; o hidróxido de sódio, que mascara a validade; e o amido, usado para conferir mais consistência ao produto, depois de ele ter sido misturado com água. A partir daí, a jovem estudou os reagentes que poderiam revelar essas fraudes. "Para os testes, tive que ir atrás dos produtos químicos, já que a escola não tinha todos. O formol, por exemplo, consegui em uma funerária perto da minha casa", conta.

A confecção do protótipo do Detectox é simples: uma fita de filtro de café embebido com os reagentes que indicam a presença dos contaminantes e envolto com plástico transparente. "Quando a amostra do leite é colocada na fita, a reação química entre as substâncias gera cores diferentes. O resultado poderá ser interpretado pelo consumidor por meio de um manual comparativo que acompanha o produto", explica Joana.

Joana acredita que o produto possa trazer mais segurança ao consumidor, uma vez que, de acordo com a Operação Leite Compensado, somente 66,9% do leite produzido é fiscalizado. "O protótipo é projetado para o consumidor final do leite. As pessoas poderão verificar em casa a qualidade do leite. Se você compra um pacote fechado de caixas de leite, só precisa testar uma, porque o lote é o mesmo, o produto é igual em todas as embalagens. Caso o consumidor detecte fraude, é provável que denuncie a empresa e deixe de comprar aquela marca. O Detectox dá poder de defesa ao consumidor", afirma.

O custo de produção do Detectox também é um ponto a favor do produto. "Feito artesanalmente, o protótipo tem um custo de R$ 4,31, podendo chegar ao consumidor final por cerca de R$ 6,48", diz. "Acredito que, se o Detectox fosse comercializado, as marcas de leite pensariam duas vezes antes de adulterar o produto, pois o consumidor poderia descobrir com facilidade", afirma a estudante.

Atualmente, Joana estuda Engenharia de Materiais na Universidade Federal de Caxias do Sul."Desde o Ensino Fundamental me interesso por Química e Física. Gostava bastante de Matemática também, além de Literatura e Filosofia. Acredito que seja porque eu gosto de entender como as coisas funcionam", conta.

"Nunca imaginei que pudesse vencer o Prêmio Jovem Cientista. Quando me inscrevi, nem passou pela minha cabeça que eu pudesse ser agraciada com este prêmio. É muito importante que a importância do papel dos pesquisadores na sociedade seja reconhecido", diz Joana. A estudante acredita que seguirá fazendo pesquisas. "Não sei se já consegui assimilar a dimensão de tudo o que está acontecendo. O prêmio muda muito a nossa vida não só acadêmica e profissional, mas também pessoal. Gosto muito de fazer pesquisa e desenvolver ideias e acredito que esta é a área a qual vou direcionar minha carreira", diz. 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Nasce la bici senza raggi che si piega e si mette nello zaino - Marzia Nicolini (corriere.it)


Startup incubata dal Politecnico di Torino, l'ideatore è un ingegnere di 31 anni. Realizzata in alluminio, peserà meno di dieci chili e sarà in commercio a fine anno

È italiana la prima bicicletta senza raggi che si ripiega in uno zaino. È realizzata in alluminio e, quando sarà in commercio, entro fine 2015, peserà sotto i dieci chili. L'invenzione é di Gianluca Sada, ingegnere trentunenne che ha realizzato il primo prototipo di bicicletta che passa dalle dimensioni di un comune ombrello a quelle di una normale bici da strada con ruote da ben 26 pollici. L'invenzione di Sada conferma la propensione degli inventori italiani per le due ruote: sia nel campo dei motori elettrici - con il motore che si applica ai pedali e quelle alimentate dal motore della lavatrice - che in quello della sicurezza dove sono stati creati l'allarme collegato allo smartphone, il cavo di ricarica che si trasforma in lucchetto e il lucchetto integrato nel telaio. Il meccanismo di Sada semplice e veloce in pochi secondi permette di inforcar la bici o riporla in uno zaino di dimensioni comuni. Le ruote, grazie a un particolare design brevettato, non necessitano dei raggi, riducendo ulteriormente l'ingombro e mantenendo al contempo un diametro di tutto rispetto che permette di coprire agevolmente anche lunghe distanze. Grazie alla collaborazione con le Fonderie e Officine Meccaniche Tonno e con l'Incubatore Imprese Innovative del Politecnico di Torino, la Sadabike è oggi una startup innovativa.

La storia

Non é certo la prima, ma per ora è la più innovativa tra le bici super trasportabili. La storia delle pieghevoli risale addirittura al 1878, quando il britannico William Grout decise ripensare il mezzo di spostamento per renderlo compatibile con il trasporto a mano. Da allora è passato più di un secolo di piccoli cambiamenti, ma nulla di veramente rivoluzionario: il ripiegamento era sempre più o meno macchinoso e la guida impacciata dalle dimensioni del mezzo. Il trade-off tra l'usabilità e la trasportabilità è rimasto un problema fino a pochissimo tempo fa, quando un giovane ingegnere di Battipaglia trapiantato per gli studi a Torino si è messo in testa di fare onore a Leonardo da Vinci. "L'idea è nata guardando un bimbo che giocava con uno di quei giocattoli che non si usano più un vecchio balocco costituito da una semplicissima rotella spinta da un'asta. La ruota non aveva i raggi, da lì ho pensato che la chiave per risolvere il vincolo tra portabilità usabilità fosse rivoluzionare il cerchione".

Lo svilupppo

Affascinato dall'intuizione donatagli dal gioco del bimbo, Gianluca ha iniziato a buttare giù schizzi quasi per gioco: gli studi di ingegneria dell'autoveicolo hanno apportato poi più sostanza, fino al primo scoglio, convincere il suo relatore a supportare una tesi di laurea su un progetto che non coinvolgesse un automobile, ma "solo" una bicicletta. "All'inizio era un po' scettico, poi riconoscendo la sostanza dell'idea e la cura nello sviluppo mi ha appoggiato in pieno". 

Come funziona

I copertoni sono supportati da un paio di cerchioni speciali, che permettono di eliminare i raggi. "Nelle bici tradizionali i raggi funzionano solo in trazione, quindi la bici è sostanzialmente 'appesa' alla metà superiore delle ruote. Io ho pensato semplicemente di spostare il fulcro, cambiando la sezione del cerchione con una forma particolare". Il telaio ha una forma a forbice che gli donna un tocco futuristico e che permette agli ingranaggi di richiudere la bici in pochi secondi. 

I riconoscimenti

I primi riconoscimenti arrivano quando l'ordine degli ingegneri di Torino gli assegna il primo posto per il premio "IDEA-TO" come "migliore tesi di laurea a carattere innovativo". e Gianluca viene annoverato nei migliori 200 talenti d'Italia.





Intervista con Gianluca Sada, l'inventore della bici senza raggi

sexta-feira, 27 de março de 2015

Inovador brasileiro usa substância da casca da laranja para limpar solos contaminados - Suzana Camargo (Planeta Sustentável)


Estima-se que todos os anos cerca de 80 milhões de toneladas de solo sejam contaminados por óleo. Só no Brasil, são 2,5 milhões de toneladas. As técnicas utilizadas atualmente para solucionar o problema têm mais de quarenta anos. Além de caras, muitas vezes geram impacto ambiental.

Engenheiro químico, com experiência em meio ambiente, o paulistano Fernando Pecoraro descobriu na casca de laranja uma maneira sustentável e mais barata de descontaminar solos impregnados com óleo.

Para entender como esta tecnologia 100% brasileira funciona é preciso primeiro ter uma rápida aula de química. Vamos lá. Terpeno é um hidrocarboneto líquido (traduzindo: um composto orgânico formado de carbono e hidrogênio), base de grande quantidade de essências vegetais, obtido pela destilação de plantas.

A casca da laranja é rica em óleo essencial D-Limoneno, um  terpeno comum. Depois de seis anos de pesquisa, Pecoraro conseguiu potencializar a ação do composto para uso como desengraxante natural e criou o terpeno P.

A tecnologia para recuperação de solos contaminados recebeu o nome de Recoy - RE de recuperação, ECO de ecológico e Y de água, em  tupi guarani. "O nosso objetivo sempre foi o de construir uma empresa sustentável. Para isto, tínhamos que nos basear em três pilares principais: escala, qualidade e preço competitivo", contou Pecoraro ao Blog da Redação. "Para termos escala, buscamos o óleo da casca da laranja, já que o suco da fruta é produzido em larga escala e a cadeia da laranja é bem desenvolvida".

O equipamento, que funciona dentro de um caminhão, lava o solo sem utilizar grandes quantidades de água, o que é comum nos processos tradicionais. A remoção do óleo a frio dispensa o uso de energia. Ao final do processo, o solo está limpo e pode ser devolvido ao seu lugar original. Não há descarte de resíduo contaminante, que é separado e pode até ser reutilizado. O solvente químico verde também pode ser usado novamente.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O inventor da privada - Álvaro Oppermann


John Harington queria entrar para a história como escritor. A posteridade, contudo, reservou-lhe outro papel

Numa tarde de 1586, num castelo de Greenwich, perto de Londres, John Harington estava entusiasmado. Iria finalmente apresentar, perante a rainha Eizabeth 1ª e membros seletos da corte, trechos da sua tradução de Orlando Furioso, um poema do italiano Ludovico Ariosto (hoje em dia só lido por doutores em literatura, mas que na época era tão popular quanto Paulo Coelho). As belas jovens da nobreza suspiravam pelo boa-pinta John, de 21 anos. Até mesmo a temida rainha tinha simpatia pelo rapaz. Dos seus 102 afilhados - Elizabeh, a "rainha virgem", não era casada e não tinha filhos -, Harington era o preferido.

O bom clima foi para o beleléu assim que John começou a desfilar os versos do Canto 28 do longo poema - canto de carga elétrica acentuada - as jovens ruborizaram. Muitas mães tiraram as filhas da sala. A rainha, apesar da expressão facial de cera, fuzilou o rapaz com o olhar. "Eu não quero mais esse fedelho na corte", teria dito depois. Para piorar, os comentários à boca pequena eram que a tradução de John estava sofrível. Para qualquer mortal, esse teria sido o fim de carreira, mas não para o cara-de-pau John. Viajou para a Europa, encantando as mocinhas das cortes italianas e austríacas. Continuou cometendo os seus versos de mau poeta e traduções fracas. Depois voltou para a Inglaterra, casou, teve 15 filhos e conduziu uma vida que parecia ser fadada à insignificância. Em 1596, porém, num momento de ócio na propriedade rural de sua família, começou a desenhar, com a ajuda do secretário particular, uma geringonça mecânica para a eliminação de dejetos humanos. Em 2 ou 3 dias de intensa labuta, criou a privada (um modelo bem rudimentar dela, diga-se a verdade). Ao tomar conhecimento da invenção, a rainha Elizabeth, encantada, encomendou um modelo - o que fez o esperto John enxergar uma chance de voltar aos salões da nobreza. Sua alegria, contudo, durou pouco.

Incorrigível, John escreveu um poema satírico (e medíocre) em que ironizava impiedosamente diversos nobres - e chutava o pau da barraca, com referências jocosas à rotina de evacuação intestinal da própria rainha. Foi o fim. Nem a privada salvou John Harington, que morreu no ostracismo aos 51 anos, em 1616.

Grandes momentos

Inventar a privada ajudou John a virar sir, em 1599. De volta às boas na corte, foi convocado para uma missão militar. Nela, não fez muita coisa, mas ganhou o título.

Alguns historiadores enfezados dizem que atribuir a John a invenção da privada é como dizer que Leonardo da Vinci criou o helicóptero (ambos teria sido pioneiros teóricos). Injustiça: o WC de John Harington funcionava. A patente do toalete moderno, contudo, é de 1775, de um certo Alexander Cummings.

Uma gíria inglesa perpetuou Harington: john, eufemismo para privada foi usado em sua homenagem - dizem alguns historiadores.




(texto publicado na revista Super Interessante nº 237 - março de 2007)





quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O "mercador da morte" e seu prêmio


Alfred Nobel não via problema em usar suas invenções para matar gente

Ao final da vida, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite e pacifista, sentiu-se incomodado pelo uso feito de seu invento e usou sua fortuna para criar o Prêmio Nobel. É provável que seus neurônios carreguem uma história mais ou menos assim quando você busca em seus arquivos cerebrais "Alfred Nobel" ou "Prêmio Nobel".

É uma simplificação cômoda, que nem a Fundação Nobel nem o Parlamento da Suécia, responsável pelo Nobel da Paz, se incomodam em ver repetida. Alfred Nobel era, sim, um pacifista, mas um pacifista de um tipo particular: um fabricante de armas. Duas indústrias descendentes dos projetos de Nobel existem ainda hoje, a sueca Bofors e a alemão Dynamit Nobel. Os Nobel eram uma família de industriais. O pai, Immanuel, havia fornecido armas para o czar da Rússia durante a Guerra da Crimeia. Em 1867, Alfred inventou uma forma prática e segura de nitroglicerina, a dinamite, criando o primeiro alto explosivo comercialmente viável - e um império industrial. A dinamite era de uso civil. Mas isso não quer dizer que Nobel não se interessasse em vender armas.

Seu envolvimento com a indústria bélica aconteceu ao mesmo tempo que se tornou pacificista. O pacifismo nasceu da amizade com Bertha von Suttner, que conhecem em 1876, ao confessar a ela que tinha um plano de criar uma arma tão poderosa que tornaria as guerras inúteis. Ou seja, acreditava que, se fizesse as armas mais aterrorizantes do mundo, acabaria com as guerras.

Em 1888, morreu o irmão mais velho de Alfred, Ludvig, que entrou para a história como um modelo no tratamento ético dos trabalhadores. Numa enorme trapalhada, um jornal francês entendeu que o defunto era Alfred e publicou a manchete: "O mercador da morte está morto". Nobel percebeu que não entraria para a história como um personagem querido - e aí surgiu a ideia de criar uma associação humanística perpétua, que legou em testamento. Mesmo depois do incidente do jornal, Alfred Nobel continuou acreditando no seu pacifismo de destruição em massa. Comprou a Bofors em 1891 e transformou uma metalúrgica em fábrica de armamentos. Foi seu último projeto industrial. Para ser justo com Nobel, ele não foi o único a acreditar em intimidação como forma de pacifismo, nem o pioneiro em explosivos baseados em nitroglicerina. E seu prêmio se tornou a maior honraria para cientistas, políticos e escritores.




(texto publicado na revista Aventuras na História nº 112 - novembro de 2012)






segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Chuva de oportunidades - Silas Colombo


Esquenta na cidade o mercado de produtos para a economia de água e surge espaço para novas tecnologias sustentáveis

O arquiteto André dos Santos Silva se prepara para pôr no mercado uma invenção que pode ser bastante útil em tempos de crise hídrica. Trata-se de um dispositivo eletrônico batizado de Poupa-água. Instalado no encanamento principal, ele permite programar um limite de consumo diário para a casa. Se os moradores esbanjarem além da conta, a engenhoca bloqueará automaticamente o registro geral, interrompendo o fornecimento. A invenção foi patenteada no começo do ano e o primeiro lote de 100 peças para a venda ficou pronto. Deve ser comercializado ao custo de 500 reais a unidade. Morador da Vila Mazzei, na Zona Norte, o arquiteto começou a desenvolver a ideia quando um vazamento em seu sobrado resultou em uma conta de 5 000 reais no mês. "Pensei em criar algo para evitar outras surpresas desagradáveis", conta.

Ele é um exemplo de como a pior estiagem dos últimos 84 anos está movimentando o mercado de artigos anti-desperdício de água. Os equipamentos podem ajudar no esforço que muitos paulistanos já vêm fazendo desde o início da crise para poupar o recurso natural. Quase 70% dos clientes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reduziram em mais de 20% o consumo nos últimos três meses. Existe margem, no entanto, para mais economia. Cada morador da capital ainda gasta uma média de 200 litros de água potável por dia, contra os 110 litros recomendados pela Organização das Nações Unidas (ONU) como suficientes para manter um estilo de vida confortável.

Outro inventor paulistano prestes a comercializar um artigo sob medida para o momento crítico é Milton Akio Sakurai. A inspiração veio de suas lembranças do período em que morou no Japão. Nos prédios mais antigos e com muitos apartamentos do país asiático, o sistema de aquecimento central é bastante regulado, de forma a evitar o consumo exagerado de energia. Assim, os banhos duram de cinco a dez minutos. "A pessoa precisa ser rápida, pois se desligar a torneira na hora de se ensaboar vai sofrer bastante nos meses de inverno, que é bem rigoroso por lá", diz Sakurai. Para resolver esse tipo de dilema, ele desenvolveu o Eco-banho. Nos primeiros minutos em que o chuveiro está ligado, o dispositivo guarda uma parte da água em um recipiente e a mantém aquecida. Depois, a pessoa pode desligar o registro e continuar o banho com o líquido estocado. Segundo cálculos do inventor, isso pode reduzir o consumo de água em até cinco vezes durante o banho. Sakurai aguarda o processo de registro de patente para iniciar as vendas do artigo.

Enquanto criadores como ele investem em inovações, os equipamentos disponíveis nas lojas também registram aumento de procura na metrópole. Um exemplo disso é a Evac, especializada em descargas a vácuo, quase sete mais mais econômicas que as comuns. Ela fechou 35% mais negócios em 2014. "É um crescimento muito atípico e com certeza foi influenciado pela crisei hídrica", afirma Jean-Pierre Bernard, o diretor-geral da companhia. Um vaso equipado com o sistema custa cerca de 3 000 reais. No Shopping Frei Caneca, os 196 banheiros contam com a tecnologia desde o ano passado. Com isso, o centro de compras economiza 2 milhões de litros por mês - o mesmo que 200 caminhões-pipa -, além de  ter um alívio no orçamento de 500 000 reais por ano.

Outra empresa da área, a Draco, contabilizou movimento acima do normal. "Nos últimos quinze anos os clientes nos procuravam para economizar dinheiro. "Agora a preocupação, finalmente é com a água", afirma o engenheiro Ricardo Dutra, um dos diretores da companhia. A empresa viu as vendas dos redutores de vazão de torneiras, chuveiros e privadas crescerem quase 30% neste ano. Segundo o executivo, só com a instalação das peças nas torneiras, que custam entre 20 e 30 reais cada uma, é possível diminuir a conta em 10%. A preocupação com a seca, pelo menos do ponto de vista dos negócios, ajudou na adoção de práticas mais sustentáveis. "Ficou mais fácil convencer o consumidor da necessidade de economizar", comemora Dutra.

Tecnologia antidesperdício

Produtos que ajudam na redução do consumo

Regulador de vazão para torneira

O dispositivo reduz a quantidade de água
Preço: 20 a 40 reais
Economia: 60% a 80%

Descarga com dois níveis de acionamento

O primeiro controle recebe metade da água do segundo
Preço: 150 a 280 reais
Economia: 40%

Temporizador de chuveiro

O aparelho avisa se a pessoa ultrapassa o tempo programado
Preço: 80 a 200 reais
Economia: 50%

Gatilho para mangueira

Só libera o líquido quando acionado pelo usuário
Preço: 5 a 20 reais
Economia: 30%



(texto publicado na revista Veja São Paulo de 19 de novembro de 2014)




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quem inventou o parafuso?


A invenção é atribuída ao filósofo e cientista grego Arquitas de Taranto, que viveu entre 400 e 350 a.C. Mas a criação da peça foi só um dos marcos importantes na vida desse personagem pouco conhecido. Arquitas tinha um grande interesse em aplicar a matemática para resolver problemas concretos do dia-a-dia. Ele desenvolveu, por exemplo, uma teoria das proporções, que aplicou à harmonia musical. Ainda no campo das artes, mostrou que a tonalidade das notas tocadas em instrumentos de corda era relacionada ao movimento do ar causado pela vibração da corda. "Arquitas é às vezes considerado o fundador da mecânica e afirma-se que ele teria inventado dois dispositivos mecânicos. Um deles era um pássaro, que ficava preso a uma haste, girando e se movimentando graças a um jato de vapor ou ar comprimido", diz o matemático J. J. O'Connor, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia. A outra criação de Arquitas teria sido um tipo de chocalho infantil. Esses dispositivos, segundo descrições do filósofo Aristóteles - admirador e colega de Arquitas -, ajudavam o polivalente grego a manter as crianças de sua casa ocupadas. Assim, ele tinha mais tempo para se dedicar a invenções como a do parafuso.



(texto publicado na revista Mundo Estranho de abril de 2003)




quarta-feira, 9 de julho de 2014

De casa para o metrô sobre três rodas - Célia Domingues


Desenvolvido por alunos da Escola Politécnica da USP e de universidades do exterior, projeto de triciclo portátil - indicado para usuários de transporte público nas grandes cidades - recebe prêmio internacional

Alunos da Escola Politécnica da USP e de mais três universidades estrangeiras ganharam quatro prêmios internacionais ao desenvolver um triciclo portátil de motor elétrico para deslocamento pessoal. O objetivo é otimizar o tempo dos usuários de transporte público de grandes cidades: a pessoa utiliza o triciclo para percorrer o trajeto de casa até o ponto/estação de ônibus, metrô ou trem, dobra o dispositivo e o carrega consigo, e volta a utilizá-lo do ponto/estação até o trabalho.

Os alunos da Poli desenvolveram o triciclo Cubo, em parceria com estudantes de Engenharia da New Mexico State University (Estados Unidos), Jilin University (China) e Instituto Politécnico Nacional (México), além do Art Center College of Design (Estados Unidos). O projeto faz parte do Global Vehicle Development Project 2013, competição mundial promovida pela General Motors.

O triciclo foi projetado para atingir a velocidade máxima de 20 quilômetros por hora e transportar até 100 quilos, incluindo usuário e bagagem. Ele pesa em torno de 17 kg, com bateria, e mede 49 centímetros de comprimento por 56 centímetros de largura e 92 centímetros de altura. Quando dobrado, as medidas passam para 49 cm x 20 cm x 62 cm. O Cubo parece uma maleta, com alça e rodas que facilitam seu transporte. A bateria possui autonomia de 20 km e, após essa distância, precisa ser recarregada.

Os requisitos do projeto foram definidos a partir da realidade da cidade de São Paulo. "Estudamos o relevo da cidade, a inclinação que o dispositivo tem de subir e a legislação que limita a velocidade em calçadas, entre outros aspectos. Na pesquisa de mercado, levantamos que boa parte dos paulistanos gasta cerca de 15 minutos caminhando para chegar à estação de transporte público mais próxima", diz Lucas Ludovico, aluno do quarto ano de Engenharia Mecatrônica da Poli e líder da equipe na competição.

O projeto foi apresentado no Fórum Pace - Partners for the Advancement of Collaborative Engineering Education, que aconteceu de 21 a 26 de julho, em Pasadena, Califórnia, Estados Unidos. O Cubo se destacou entre os times participantes do Global Vehicle Development Project 2013, com a seguinte classificação: 1º lugar na categoria Pesquisa de Mercado, 1º lugar em Design, 2º lugar em Engenharia do Produto 2º lugar em Manufatura. O júri foi composto por especialistas do mercado automotivo, incluindo o diretor de Design Global Avançado da GM, Clay Dean.

Protótipo - O Global Vehicle Development Project é uma competição entre as universidades participantes do Programa Pace, da General Motors mundial, e com a colaboração de empresas parceiras em hardware e software, voltado para a educação de engenharia. O Brasil é o único país da América do Sul que participa do Pace. A Poli ingressou em 2005 como a primeira escola brasileira selecionada pelo programa (e foi a única até setembro de 2012).

Nesta edição, concorrem sete times, cada um formado por alunos de quatro universidades de engenharia e de uma escola de design de diferentes países (Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, Índia, Itália, Israel e México). Todos receberam o desafio de desenvolver um dispositivo portátil de mobilidade assistida para usuários do transporte público.

A competição tem duas fases: a primeira terminou agora, em julho, quando os times apresentaram o protótipo não funcional (maquete em tamanho real), destacando o conceito de design. Nos próximos 12 meses, eles terão de trabalhar mais focados no projeto de engenharia e construir o protótipo funcional (o dispositivo pronto para ser usado), que deverá ser apresentado no Fórum Pace de 2014, em Turim, Itália.

A Poli foi escolhida a host school, ou seja, além de gerenciar o time, é o local onde será construído e testado o protótipo funcional do Cubo, com a colaboração das demais universidades da equipe. Os alunos foram responsáveis principalmente pela definição dos requisitos de projeto de engenharia e da pesquisa de mercado, levando em conta a cidade de São Paulo. Eles costumavam se reunir semanalmente via Skype com os estudantes dos demais países para discutir o andamento do projeto e definir tarefas - venceram as barreiras culturais e da comunicação em língua estrangeira e as dificuldades de trabalhar com uma equipe a distância, além do desafio de aplicar o que ainda estão aprendendo em sala de aula em um projeto completo de engenharia.

"Essa atividade permite não só o intercâmbio com outras escolas, mas também é uma oportunidade para os alunos atuarem num problema real - mobilidade urbana -, em um ambiente de trabalho semelhante ao que terão após a formatura", acrescenta o professor Marcelo Alves, do Departamento de Engenharia Mecânica e integrante do Centro de Engenharia Automotiva, que orienta os alunos brasileiros no desenvolvimento do projeto e faz a coordenação mundial do time no Global Vehicle Development Project. Os alunos da Poli também são acompanhados por um tutor da GM do Brasil, o gerente sênior em Operações de Engenharia do Produto, Alexandre Guimarães.




(texto publicado no Jornal da USP - 26 de agosto a 1º de setembro de 2013)











segunda-feira, 26 de agosto de 2013

30 invenzioni che ci hanno cambiato la vita


AEROPLANO

Chi: Orville e Wilbur Wright
Dove: Kitty Hawk, Carolina del Nord (Usa)
Quando: Il 17 dicembre 1903. È il primo volo della storia: poco più di un balzo della durata di 12 secondi per un percorso di 36 metri e a un'altezza da terra di 3. A bordo del Flyer, un biplano di 12 m di apertura alare, con un motore di 20 Hp che aziona due eliche propulsive, Orville Wright. Lo stesso giorno Wilbur rimane in volo 59 secondi per 259 metri. I fratelli Wright, che producevano e riparavano biciclette, mettono a punto il loro velicolo dopo 5 anni di intenso lavoro. Dalla velocità dei primi anni di 40 km/h si sono raggiunti negli anni Trenta i 709 km/h (record italiano).


RADIO

Chi: Guglielmo Marconi
Dove: Italia
Quando: Estate 1894

È solo ventenne quando, in vacanza con la famiglia, costruisce i primi rudimentali apparecchi senza fili che riescono a inviare deboli segnali a qualche centinaio di metri di distanza. Per laboratorio un granaio e come assistente un contadino delle montagne del Biellese. Ha avuto l'idea di utilizzare le onde elettromagnetiche per comunicare. Bisogna aspettare il 1910 però per le prime trasmissioni della voce umana e, in Italia, il 1924 per il servizio delle radio audizioni italiane.


TELEFONO

Chi: Antonio Meucci
Dove: New York
Quando: Nel 1854. Costruisce il teletrofono, realizzato con un elettromagnete, un nucleo a ferro di cavallo e un diaframma di pelle irrigidito con bicromato di potassio, e con un dischetto metallico al centro. Lo spunto per la creazione è il sistema di tubi da lui ideato nel 1834 per trasportare il suono da una parte all'altra del palco. Allora lavorava come tecnico di scena a teatro. Dai telefoni ai cellulari. L'intuizione è del 1947 ma la realizzazione del primo apparecchio del 1973: è di Martin Cooper della Motorola, pesa 1.130 grammi e la batteria ha 35 minuti di autonomia. Sul mercato il cellulare arriva dieci anni dopo, nel 1983.


OROLOGIO

Chi: Non si sa
Dove: Forse nei monasteri dell'Italia settentrionale
Quando: Verso il IX secolo ci sono i primi rudimentali orologi meccanici; nel XII secolo si ritrovano presso alcuni monasteri dell'Italia settentrionale. Le prime città con un orologio sui campanili sono Parigi, nel 1300, Milano, nel 1309 e Firenze nel 1325. Gli orologi da tavolo sono del '500: hanno una sola lancetta e un'approssimazione di un quarto d'ora. Nel 1656 l'olandese Christiaan Huygens applica all'orologio il principio della regolarità del moto del pendolo, studiato da Galileo. È l'orologio più preciso fino al XX secolo, quando appaiono quelli al quarzo, prima, atomici, poi.


TRENO

Chi: Richard Trevithick
Dove: Inghilterra
Quando: Nel 1804 viene costruita la prima locomotrice a vapore di Richard Trevithick. Ma saranno George Stephenson e il figlio Rober a portare al successo il mezzo su rotaie, progettando locomotive e tratte ferroviarie. Il primo treno commerciale della storia è del 1825 sulla tratta Stockton on Tees-Darlington e il primo trasporto pubblico la Liverpool- Manchester del 1830. In Italia la ferrovia giunge nel 1839: è la Napoli-Portici.


INTERNET

Chi: Più persone
Dove: Usa
Quando: La definizione ufficiale è del 1995; ma gli esperimenti iniziali risalgono agli anni Sessanta. Uno dei primi a parlare di computer interconnessi, attraverso i quali poter accedere in modo facile e veloce a dati e programmi, è J. C. r. Licklider del Massachusetts Institute of Technology nel 1963. Progenitore di Internet è Arpanet, un progetto lanciato nel 1969 dall'agenzia Arpa del Dipartimento di Difesa Usa: vengono messe in rete le Università della California di Los Angeles, lo Stanford Research Institute of Stanford, l'Università di Santa Barbara e quella dello Utah. Le prime e-mail sono del 1972. La rete delle reti o rete globale collega dai primi anni Novanta del secolo scorso le principali università, quindi arriva all'utenza privata.


COMPUTER

Chi: Più persone
Dove: Usa e Germania
Quando: Anni Venti e Trenta del '900. Chi l'ha inventato? In realtà in tanti hanno contribuito alla sua nascita. Tra i padri, Alan Turing e le seu teorie sul linguaggio base per le calcolatrici; Derek Lehmer dell'Università della California, che costruisce nel 1926 un computer meccanico con catene di bicicletta: John Vincent Atanasoff, fisico dell'Università dell'Iowa che con il suo assistente Clifford Berry realizza il primo computer elettronico digitale tra il 1937 e il 1942, l'Abc: Konrad Zuse, tedesco che progetta nel 1936 la Z1, una macchina programmabile, dotata di memoria, con caratteristiche simili ai computer moderni.


TELEVISIONE

Chi: Più persone
Dove: Germania, Inghilterra
Quando: Nel 1884 il tedesco Paul Gottlieb Nipkow realizza un disco per trasmettere immagini in movimento. É del 1926 la prima dimostrazione televisiva in Inghilterra: è il sistema Baird dello scienziato scozzese John Logie Baird. In Usa le prime prove sono del 1927-1928. Nome e sigla Tv vengono scelti nel 1947 a una conferenza mondiale.


AUTOMOBILE

Chi: Karl Friedrich Benz
Dove: Germania
Quando: nel 1885 (brevetto 1886) Benz realizza un triciclo con motore a benzina (il motore a scoppio è del 1854), velocità 15km/h. In Italia Enrico Bernardi presenta nel 1894 la sua vettura che sfiora i 35 km/h. La prima Fiat è del 1899-1900 (con manubrio al posto del volante). La prima auto di concezione moderna è la Mercedes 1901 di Benz.


PARAFULMINE

Chi: Benjamin Franklin
Dove: Usa
Quando: Nel 1752, Franklin dimostra la natura elettrica dei fulmini, le proprietà delle punte metalliche di attrarre i fulmini, e la capacità dei conduttori di trasportare la carica elettrica. La prima casa al mondo dotata di parafulmine è a Torino, quella di Giovanni Battista Beccaria, religioso e fisico piemontese.


RUOTA

Chi: Non si sa
Dove: Mesopotamia (Iraq)
Quando: III millenio a.C. La sua prima rappresentazione è nello Stendardo di Ur, un pannello a mosaico oggi conservato al British Museum di Londra e ritrovato in una tomba della città di Ur. Le prime sono di legno pieno con foro centrale. Quelle coi raggi appaiono nel 2000 a.C.


LAMPADINA

Chi: Joseph Swan e Thomas Alva Edison
Dove: Inghilterra e Usa
Quando: Nel 1879 Swan e Edison a pochi mesi di distanza. È un bulbo di vetro con un filamento percorso da corrente elettrica: il filo arroventandosi diventa incandescente ed emana luce. Nel 1903 viene impiegato il filamento in tungstenio, un metallo che resiste a 3400 ºC, usato anche oggi.


PILA

Chi: Alessandro Volta
Dove: Italia
Quando: 1799-1800. Supporto di legno, base circolare, dischi di rame e zinco, dischetti di panno imbevuti di acqua e acido solforico, fili di rame: gli ingredienti per generare corrente.


W.C.

Chi: Sir John Harington
Dove: Inghilterra
Quando: nel 1596 (ma reperti archeologici testimoniano l'esistenza di sistemi in parte simili agli attuali presso il mondo romano e in Cina). Sir John Harington progetta "Aiace", un water closet con valvola di scarico e serbatoio contenente acqua. Alexander Cummings nel 1775 inventa il sifone a S, un pezzo di tubo ricurvo in grado di trattenere l'acqua, in uso ancora oggi come il galleggiante nel serbatoio di Joseph Bramah del 1778.


FOTOGRAFIA

Chi: Joseph Nicéphore Niépce
Dove: Francia
Quando: Tra il 1824 e il 1826, Niépce inventa l'eliografia, per fissare le immagini ottenute con la camera oscura. Louis Daguerre nel 1839 realizza il dagherrotipo, lastra di rame e argento sulla quale, dopo un particolare procedimento, risulta visibile un'immagine. La prima pellicola di nitrocellulosa è di George Eastman del 1889. Il colore è dei Lumière, del 1907.


ASPIRINA

Chi: Felix Hoffmann
Dove: Germania
Quando: 1897. È il primo farmaco sintetico all'origine della moderna industria farmaceutica. Solo nel 1970 si conosce in dettaglio il suo meccanismo d'azione.


TERMOMETRO

Chi: Più persone
Dove: Italia
Quando: XVII secolo. Tra i primi strumenti ci sono quelli ideati dal granduca Ferdinando De' Medici. A Galileo Galilei si deve l'invenzione del termoscopio nei primi anni del Seicento. È il primo termometro ad aria.


CINEMA

Chi: Fratelli Lumière
Dove: Francia
Quando: 28 dicembre 1895. Al Gran Café di Parigi viene presentato un apparecchio in grado di proiettare su uno schermo bianco una sequenza di immagini in modo tale da creare l'effetto del movimento: il cinématographe. Ma già tra il 1888 e il 1891 William Kennedy Laurie Dickson, assistente di Edison, mette a punto il kinetoscopio, un apparecchio da visione destinato però a un singolo spettatore.


MICROSCOPIO

Chi: Zacharias Janssen, Galileo Galilei
Dove: Olanda, Italia
Quando: Nel 1590. Si attribuisce gereralmente l'invenzione all'olandese Zacharias Janssen. Quello che è certo è che Janssen costruiva lenti. Nel 1624 Galileo Galilei progetta il primo microscopio (chiamato occhialino) composto da tre lenti.


OCCHIALI

Chi: Non si sa
Dove: Forse Italia
Quando: Tra il 1270 e il 1278. Diverse le fonti: per alcune l'invenzione si deve al frate pisano Alessandro della Spina; per altre a Salvino degli Armati di Firenze. Di sicuro si sa che gli occhiali per presbiti sono già diffusi alla fine del XIII secolo e che quelli per miopi nascono verso il 1450: l'invenzione è attribuita al tedesco Nicola Cusano.


POSATE

Chi: Non si sa
Dove: Antica Roma
Quando: Età imperiale (anche se i Romani come i Greci preferiscono l'uso delle mani). Il cucchiaio è in origine ricavato dal guscio di una chiocciola (il nome deriva da cochlea, chiocciola in latino) o da una conchiglia. La forchetta già in uso a Roma, è più diffusa a Bisanzio nell'alto Medioevo. fino al '500 però in Europa viene considerata da nobili e religiosi un lusso diabolico.


BICICLETTA

Chi: Karl Von Drais
Dove: Germania
Quando: Nel 1818 brevetta la draisina, un mezzo con due ruote dotata di manubrio ma senza pedali: per muoverla si devono puntare i piedi a terra e fare leva. I pedali arrivano nel 1839, grazie al maniscalco scozzese Kirkpatrick McMillian.


SEMAFORO

Chi: Non si sa
Dove: Inghilterra
Quando: Nel 1868 a Londra viene installato un sistema composto da una serie di cartelli con indicazioni e illuminazione notturna molto simile ai segnali ferroviari. È comandato a mano come quelli più "innovativi" apparsi nel 1914 a Cleveland in Ohio e nel 1920 a New York: il primo a due luci il secondo a tre (col giallo).


BIRO

Chi: László Jóseph Biró
Dove: Argentina
Quando: Nel 1935, col fratello Georg. Il successo arrivò solo quando il barone valdostano Marcel Bich acquistò il brevetto. Nel 2005 l'azienda produttrice dichiarò di aver venduto dal 1952, 100 miliardi di penne a sfera Bic (senza h). Birò, invece, morì povero.


BLUE JEANS

Chi: Levi-Strauss
Dove: Usa
Quando: Nel 1853 crea pantaloni adatti ai cercatori d'oro della California col tessuto denim. I jeans con 5 tasche, impunture e rivetti in rame sono del 1873. Secondo una fonte, il nome Blue jeans deriva da Blu de Genes, Genova in francese, ed è una tela blu usata per le vele nel '500, prodotta a Nîmes. Il nome denim viene da "de Nîmes".


FIAMMIFERI

Chi: K. Chancel
Dove: Francia
Quando: Nel 1805 (ma in Cina a fine '500 già si usavano bastoncini impregnati di zolfo), Chancel crea il fiammifero con una capocchia a base di zolfo, zucchero, gomma e clorato di potassio, ma era pericolosa l'accensione. Nel 1844 gli svedesi Gustaf E. Pasch e Johan E. Luström inventano "gli svedesi", di sicurezza.


RAGGI X

Chi: Wilhelm Conrad Röntgen
Dove: Germania
Quando: Nel 1895, il fisico tedesco durante un esperimento osserva raggi di natura sconosciuta, che appunto chiama X. Ottiene il premio Nobel per la Fisica nel 1901. Il primo a utilizzare per scopi medici queste radiazioni elettromagnetiche di lunghezza d'onda inferiore a quelle ultraviolette è John Hall-Edwards di Birmingham, Inghilterra. Per l'esposizione ai raggi x deve farsi amputare un braccio.


FRIGORIFERO

Chi: Fred. W. Wolf
Dove: Usa
Quando: Nel 1913. Il primo frigorifero domestico è il Domelre fabbricato a Chicago, ma non ha successo. Viene seguito nel 1918 dal primo frigorifero prodotto dalla Kelvinator. La prima dimostrazione di refrigerazione artificiale però è di William Cullen dell'Università di Glasgow, nel 1748.


LAVATRICE

Chi: Non si sa
Dove: Usa
Quando: Nel 1906. È attribuita ad Alva Fischer, in realtà qualcuno prima di lui l'ha brevettata nello stesso anno. L'automatica entra in scena negli anni Trenta. Tra le prime macchine per lavare a mano, quella di Jakob Christian Shäffer di Ratisbona, botanic e zoologo del 1767.


PLASTICA

Chi: H. Regnault, A. Parkes J. W. Hyatt, tra i primi
Dove: Francia, Inghilterra, Usa
Quando: Nel 1865 Henri V. Regnault conduce i primi studi su una sostanza basata sul principio della polimerizzazione, il Pvc. Nel 1854, la Parkesine, di Alexander Parkes anticipa la celluloide di John Wesley Hyatt, del 1869 a base di nitrato di cellulosa. La bachelite di L. H. Baekeland è del 1907; il cellophane del 1908.




(testo pubblicato sulla rivista Airone nº 313 - anno XXVII - maggio 2007)