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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Bem-estar: Cérebro, vida saudável e intestino - Darlene Ponciano Bomfim


Cerca de 20% da população brasileira apresenta problemas de "prisão de ventre", a maioria mulheres. Esta queixa cresce a cada dia, tanto quanto a oferta de laxantes como "salvadores da situação". 

Na nossa cultura greco-romana, o centro das emoções é o coração, mas, em outras culturas antigas, mesopotâmicas, a caixa de ressonância das emoções é o aparelho digestivo, em especial o intestino. Existe uma verdadeira conexão entre o cérebro e o aparelho digestivo. O intestino "responde" ao estado emocional. Pode soltar, prender, produzir cólicas, gazes e até originar doenças graves e de difícil controle.

Sabemos que tudo no nosso organismo funciona de forma integrada. Tensão, medo, ansiedade, estresse, correria, raiva, tristeza geram reações em todo organismo. Um dos órgãos que "sente" os reflexos disso tudo é o intestino.

O intestino humano tem cerca de cem milhões de neurônios conectados ao cérebro. É como se possuíssemos um "cérebro intestinal". As funções do intestino não se resumem a conduzir o alimento que ingerimos, transformando-os em fezes. Além de selecionar os nutrientes, exercer uma excelente absorção deles e da água, ele contribui essencialmente com o sistema imunológico. É no intestino que acontece de 80% a 90% da síntese da Serotonina, o neurotransmissor responsável pelo prazer e sensação de bem-estar, mas ela também é precursora da Melatonina, elemento essencial para o sono e para a limpeza de radicais livres.

Além da Serotonina, o intestino produz uma série de outros neurotransmissores. Todo o esforço no tratamento das depressões, por exemplo, se concentra nestes neurotransmissores. Imagine a importância disso. Portanto, cérebro e intestino compõem uma via de mão dupla.

Mas o que é um intestino normal? Nem preso, nem solto. Sem exagero de gazes, sem cólicas. Mas como manter afiada essa orquestra exigente? O segredo é tão amplamente conhecido que corre o risco de ser deixado de lado: água, muita água - de 2 a 3 litros por dia -, alimentação rica em fibras, como verduras, legumes e frutas, e exercícios físicos.

Isso é essencial e imprescindível. Além disso, é preciso ficar atento à frequência com que se vai ao banheiro. Quando essa frequência é irregular, causa um desconforto que pode ser leve, grave ou até desesperador. O normal para o funcionamento do intestino é uma frequência entre três vezes ao dia e uma veza cada três dias. O mais comum, contudo, é uma vez ao dia. Essa é a faixa aceitável, porém o importante é que o ato de ir ao banheiro não cause sofrimento e desconforto. O intestino "avisa" quando precisa ir ao banheiro, exercendo estímulo no reto. Se a pessoa inibe a vontade de ir ao banheiro, o reto vai perdendo a sensibilidade, o que vai exigir maior quantidade de fezes para que a vontade de evacuar venha novamente. Além do que as fezes ficarão mais tempo no intestino, distendendo e perdendo mais água, ficando mais duras. Isto vai provocar desconforto e, ao longo do tempo, pode provocar hemorroidas e outras patologias.

Ser fiscal e cuidador da nossa própria saúde pode parecer difícil, pois requer conhecer o próprio corpo, tomar decisões e admitir erros. Resolver a prisão de ventre com laxantes e outras pílulas mágicas é um caminho que a indústria nos impõe de forma assustadora. Esses medicamentos estimulam as células intestinais a se contraírem, levando-as a se exaurirem e a morrerem. Causam dependência. O intestino piora, fica mais relaxado, menos responsivo e assim a pessoa tem que tomar doses cada vez maiores. O importante é a pergunta de sempre: o que está acontecendo comigo?

Alimentos que colaboram com o bom funcionamento do intestino

- Arroz, pães e massas integrais.

- Sementes, especialmente a de linhaça (deixar de molho em água).

- Farelo de trigo, aveia.

- Frutas que podem ser ingeridas com casca. E frutas que se pode ingerir com o bagaço.

- Folhas verdes em geral.

- Leguminosas.

- Iogurtes e outros leites probióticos.



(texto publicado na revista Cidade Nova edição 584 - ano LVI - nº 12 - dezembro de 2014)

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Açúcar: amigo ou inimigo da saúde? - Dr. Daniel Magnoni


O cardiologista e chefe de nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Daniel Magnoni, responde a essa e outras dúvidas sobre o doce ingrediente

Essencial para o corpo, pois é fonte de energia e contém substâncias que estimulam o cérebro a produzir serotonina  - neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e prazer -, o açúcar quase sempre é considerado o grande vilão da saúde. Mas o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia quer desmistificar essa questão.

Para isso, e também com o objetivo de compreender os hábitos e os comportamentos de quem consome o ingrediente e obter subsídios para ajudar na educação nutricional da população, a entidade realizou, entre setembro e dezembro de 2015, a pesquisa "Consumo equilibrado: uma nova percepção sobre o açúcar". No período foram realizadas 1.199 entrevistas com homens e mulheres de 18 a 85 anos - pacientes do ambulatório do hospital e pertencentes às classes A, B e C.

Os resultados mostraram que 71% das pessoas ingerem o alimento, sendo 46,5% homens e 53,5% mulheres. Desses, 85% afirmaram que optam pelo branco e o utilizam, em grande parte, para adoçar café ou chá (88%) e em sobremesas e bolos (82%). O maior consumo foi observado na faixa etária de 18 anos a 35 anos, porém, ele cai de acordo com o aumento da idade.

O estudo também apontou outros dados interessantes: apenas 36% dos participantes costumam ler o rótulo dos alimentos - deles, 54% buscam informação sobre o açúcar - e 73% da população que consome açúcar e pratica atividade física está com peso adequado. Saiba mais a seguir na entrevista com o cardiologista e chefe de nutrição do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Daniel Magnoni.

Qual a quantidade ideal de açúcar a ser consumida por dia?

Todos podem consumir até 20% das calorias diárias com alimentos que contêm açúcar adicional como bolachas, sucos e cafés, mas isso tira da conta frutas, verduras e outros alimentos naturais que contenham sacarose. Essa porcentagem equivale a 50g do ingrediente ou 10 colheres de chá.

E essa quantidade varia de acordo com a faixa etária?

A quantidade varia mais dependendo do estilo de vida que a pessoa leva do que com a idade que tem. Por exemplo, atletas podem consumir até um pouco mais do que essa recomendação, pois gastam mais energia, já as pessoas sedentárias devem fazer um consumo mais equilibrado, pois não gastam tantas calorias. Há, ainda, uma recomendação mais específica para o público infantil.

E qual seria?

Crianças de dois a cinco anos podem consumir açúcares até 10% do valor energético total. Isso significa 35 gramas por dia, considerando uma dieta de 1500 Kcal. Na prática, pode ser uma colher de sopa cheia (30 g) diária, somando todos os açúcares do dia ingeridos. Crianças entre seis e dez anos têm necessidade energética de 1800 Kcal. Nesse caso, a quantidade recomendada de açúcares diária aumenta para, em média, 45 gramas, o que corresponde a uma e meia colher de sopa cheia.

A pesquisa "Consumo equilibrado: uma nova percepção sobre o açúcar" mostra que o açúcar branco é o mais consumido pelos brasileiros. Por quê?

Esse tipo de açúcar, além de ser o mais barato, é o mais presente nos mercados. Esta variação é, também, a melhor escolha para a culinária, pois não tem sabor residual como os menos refinados.

Tem algum açúcar mais indicado para consumo e com menos consequências ruins?

Nenhum açúcar tem consequências negativas se consumido com equilíbrio. Assim, o mais indicado é o que o consumidor ache o melhor para ele, pois apesar do sabor característico, os tipos pouco diferem em termos nutricionais, sendo que os mais refinados têm menos micronutrientes (vitaminas e minerais).

Quais são os tipos de açúcar disponíveis e as principais características de cada um?

Todos os açúcares têm os mesmos benefícios: trazem sensação de prazer e energia para o corpo. Os malefícios independem do tipo e só ocorrem se consumirmos em grande quantidade. A escolha de como adoçar é muito pessoal e o que muda realmente em cada tipo é o gosto.

Dizem que o açúcar é inimigo da saúde. Isso procede?

O açúcar é um carboidrato presente nas frutas e nos vegetais e não deve ser considerado inimigo. O prazer que sentimos com alimentos de sabor adocicado é inato, e a preferência por doces ajudou nossos ancestrais a distinguirem os alimentos seguros e que dariam mais energia dos potencialmente tóxicos ou inadequados para consumo. Ele é um ingrediente como qualquer outro. O exagero, sim, pode ter consequências e deve ser evitado. Ainda é importante reforçar que o que falta, muitas vezes, é saber conciliar vontade com bom senso. Nenhum elemento sozinho causa doenças. A maioria das relacionadas ao açúcar, como a obesidade e o diabetes, tem a ver com o excesso de calorias consumidas sem o devido gasto.

Então, não é indicado cortar o açúcar da dieta?

Existe um espaço na pirâmide alimentar para o consumo de açúcar, ele é pequeno se comparado aos outros grupos alimentares, porém não deve ser ignorado. Além disso, o açúcar é essencial para o corpo, pois é fonte de energia e contém substâncias que estimulam o cérebro a produzir serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e prazer. Fora isso, a glicose, molécula proveniente da quebra de açúcares, é a única fonte de energia utilizada pelo cérebro, importante para quem estuda ou trabalha. O ingrediente é relacionado, ainda, a diversas memórias afetivas e sua presença se dá em contextos sociais positivos, como confraternizações e encontros com familiares e amigos. Repito: ninguém deve evitá-lo, mas sim consumir em quantidades apropriadas.

Muita gente substitui o açúcar pelo adoçante. Isso é bom?

Como nenhum alimento isoladamente faz mal à saúde, isso vale também para os adoçantes. No mais, por ser extremamente doce, consumi-los faz com que não nos habituemos ao sabor natural dos alimentos e a ideia de que não tem calorias faz as pessoas consumirem mais. Mas o uso do adoçante ou açúcar é uma opção pessoal. Caso o adoçante seja escolhido, é importante ressaltar que os com base aspartame não são recomendados em receitas que vão ao formo, fogão ou microondas, e eles ainda podem mudar o sabor e o aspecto as receitas culinárias. O indicado para preparações quentes são os formulados para "forno e fogão".

Como construir um estilo de vida equilibrado sem eliminar o açúcar por completo?

Retirar o açúcar da alimentação não é necessário e nem mais saudável. Corre-se o risco de, quanto mais cortar, mais aumentar a vontade de comer, principalmente pela sensação de "proibido". Além disso, apenas a redução no consumo de açúcar ou outros alimentos, não resolve nenhum problema. A alimentação deve ser equilibrada em todos os sentidos, com a escolha de produtos naturais, a redução na quantidade da porção e o aumento da qualidade dos alimentos. Os benefícios de uma vida saudável estão na redução da ingestão calórica, associada ao aumento de atividade física, e redução de estresse, entre outros fatores.

A pesquisa mostra que as mulheres são as que mais consomem doces. Por que isso acontece?

A oscilação hormonal durante a TPM (Tensão Pré-Menstrual) é um fator determinante para a maior procura pelo doce. Junto com isso, há uma queda no nível de serotonina, e sua baixa explica sintomas como irritabilidade, variação de humor e aumento na fome, especialmente fome de doces, em uma tentativa do organismo de conseguir mais carboidratos, que aumentem a síntese de serotonina. Por isso, mesmo quem não costuma comer doces, na TPM se volta para o açúcar como uma fonte de bem-estar. As mulheres são também as que se sentem mais culpadas após ingerirem açúcar. Porém, esse consumo não é prejudicial à saúde, mesmo em casos de dieta. O segredo está no equilíbrio. É melhor comer um doce quando se tem vontade, do que tentar enganar o organismo com outras opções. Assim, o consumo se torna mais inteligente e evita algo bem comum: as mulheres comerem "o mundo" tentando driblar a vontade do doce e  depois não resistir e comer o doce por cima.

Para uma pessoa que exagera nos doces, qual a recomendação para que ela consiga diminuir?

Diminuir, aos poucos, o açúcar adicionado aos alimentos. Por exemplo, experimentar reduzir o usado na receita do bolo e colocar menos no café. Quem usa uma colher, pode colocar 3/4. Também deve-se utilizar a quantidade adequada de acordo com o tamanho da porção. E tem mais: pedir açúcar a parte, para controlar melhor; peneirar cereais matinais antes de consumir; evitar adoçar por puro hábito, e conhecer a quantidade de açúcar dos alimentos.

Confira os tipos de açúcar

- Cristal: apresenta como cristais maiores e transparentes, sendo mais difícil dissolvê-lo. No seu processo de fabricação, a etapa de cristalização elimina a maioria das impurezas, ou seja, tudo oque não é sacarose;

- Refinado: é o mais comumente encontrado nos supermercados. No processo de refino são adicionados novos produtos químicos para torná-lo mais branco. Ele tem cristais bem pequenos e maior facilidade de dissolução;

- De confeiteiro: é mais utilizado para decorar receitas como bolos, biscoitos e tortas. Seus cristais são extremamente finos e com a aparência de pó. Antes de serem embalados recebem a adição de uma pequena quantidade de amido para evitar que os cristais fiquem grudados;

- Orgânico: em geral, apresenta-se na forma de cristais maiores e mais escuros. Na sua produção não são utilizados agrotóxicos ou insumos não autorizados. Tem preço mais elevado;

- Light: é a combinação do açúcar refinado com adoçantes artificiais. Deve ser evitado por pessoas que não podem ou não querem utilizar adoçantes. Por conta da presença dos edulcorantes, não tem o mesmo efeito culinário;

- Mascavo: tem coloração mais escura, parecida com o caramelo, e seu sabor lembra o da rapadura. É obtido diretamente da concentração do caldo de cana recém-extraído e não utiliza aditivos químicos. Apesar de preservar alguns micronutrientes, como fósforo, cálcio, magnésio e potássio, não pode ser considerado como fonte desses nutrientes, e

- Demerara: tem grãos na cor marrom claro e o processo de produção é muito similar ao do açúcar mascavo, porém, passa também por um processo de tratamento leve, utilizando menor quantidade de aditivos químicos.




(texto publicado na revista Divino Fogão nº 20 - ano 05 - ago/out de 2016)

quarta-feira, 30 de março de 2016

Faça para os outros, faça para você - Denise Mirás


Mais do que uma qualidade, a generosidade estimula no ser humano a produção de oxitocina, hormônio que protege o coração e o sistema vascular, atuando também na manutenção do equilíbrio da saúde física e mental do indivíduo

Você está no metrô e observa aquele moço que se levanta para alguém mais cansado se sentar. O sorriso denuncia: ele ficou feliz com a própria atitude e também com o agradecimento reconhecido do outro. Poderia ter cedido o assento por educação, mas o mais provável é que tenha agido por empatia, por perceber a situação mais precária do outro e querer ajudar. A generosidade rendeu felicidade para o rapaz - e esse prazer, pontos preciosos para a manutenção do equilíbrio de sua saúde.

Ser bondoso gera um efeito cascata surpreendente no organismo. Reações químicas são desencadeadas e, no caso, para o "lado bom" da história. A generosidade segue com neurotransmissores e hormônios, que entram em ação e são "bem recebidos" pelos órgãos do corpo, para avançar com suas tarefas de proteção a sistemas como o cardiovascular, por exemplo.

Professora de Psiconeuroimunologia na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas, Maria Cristina dos Santos explica que estudos sobre a influência das emoções no organismo datam ainda do fim da década de 1930, comandados pelo endocrinologista austro-húngaro Hans Selye. "Hoje, temos muitos trabalhos sobre esse tema, de emoções agindo no sistema nervoso central e sobre a integração e a comunicação desse sistema com o endocrinológico e o imunológico", diz. Mas a maioria desses estudos é sobre o "lado mau" da influência das emoções negativas, porque aí se buscam os medicamentos para combater as patologias.

A ideia de prevenção, ou ao menos de usar as emoções positivas proporcionadas por atitudes generosas e felizes para manter a saúde, ainda é bem recente. Estudos sobre os resultados que essas emoções desencadeiam no organismo começaram lá pelos anos 2000, como diz Maria Cristina. "Mas sabemos que essas sensações de prazer favorecem respostas hormonais benéficas."

A professora diz que o estresse crônico, por exemplo, faz com que a liberação do hormônio cortisol não tenha "freios", o que é muito prejudicial ao organismo. Daí a importância de procurar evitar situações ruins, ou de fazer o contrário: ir atrás de coisas que nos são prazerosas para a liberação de neurotransmissores e hormônios que atuem favoravelmente no sistema imunológico, ajudando na manutenção da saúde.

A questão é química

Químico com especialização em Bioquímica e Ph. D. em Química Orgânica, David R. Hamilton é autor de Why Kindness is Good for You (ou Por que ser bondoso é bom para você), um dos livros que tratam do tema generosidade e sua relação com a saúde. O especialista conta que trabalhou por quatro anos na indústria farmacêutica, mas seu interesse em pesquisar mais sobre o efeito placebo (quando pessoas se recuperam de doenças ao receber um remédio que, na verdade, é apenas placebo - não tem efeito nenhum) fez com que saísse do trabalho convencional para se dedicar ao estudo de como mente e corpo interagem, escrever livros e dar palestras.

"Em primeiro lugar, ser generoso nos faz mais felizes. E essa ligação funciona como um gatilho para o cérebro produzir endorfinas, o que leva a um estado de euforia parecido ao efeito produzido pela morfina, mas de forma mais atenuada", explica. "Acredita-se que esse estado, conhecido como 'Helper's High', seja causado pelo aumento no nível de serotonina e de dopamina no cérebro."

Conexões espelhadas

Há outro processo a ser citado, segundo David Hamilton. Quando fazemos uma conexão com alguém e nessas ocasiões nos mostramos generosos, produzimos oxitocina, que protege o coração e o sistema vascular. Se a oxitocina é "cardioprotetora", como se diz, a bondade também é, porque ativa a produção desse hormônio, reduzindo a pressão arterial e limpando os radicais livres das artérias, para que não causem problemas ao coração. O estudioso alerta que, se existem processos químicos em nosso corpo associados a nos sentir energizados e felizes, também existem aqueles associados a nos sentir deprimidos. "Quando uma pessoa se sente energizada, positiva, pode-se dizer que seus sistemas imunológico e cardiovascular estão funcionando melhor. Da mesma forma, podemos  dizer que estão piores quando a pessoa está 'para baixo'. Nosso biológico é, em geral, um espelho de como estamos nos sentindo."

Também por isso é preciso tomar cuidado com efeitos contrários da empatia. "Ver uma pessoa sofrendo emocionalmente pode produzir a mesma dor na gente. Isso acontece pelo que chamamos de contaminação emocional. Pelo MNS [sigla em inglês para, literalmente, Sistema do Neurônio-Espelho], o neurônio-espelho 'reage' da mesma forma se a ação for nossa ou se estivermos vendo outra pessoa nessa ação. Isso faz com que nos sintamos felizes ao lado de uma pessoa que está feliz, ou triste e estressada na presença de alguém que esteja se mostrando assim."

Sabendo da relação generosidade-felicidade-saúde, os interessados podem aceitar um "desafio de bondade" proposto pelo professor: tem de se comprometer a fazer algo de bom a cada dia, por uma semana, ou três. "Esse desafio ajuda as pessoas a criar um hábito e, assim, esse tipo de comportamento mais generoso se torna mais natural para elas."

Cara a cara é melhor

Professor de Medicina Preventiva e Bioética na Stony Brook University, membro da Academia de Medicina de Nova York e da Real Sociedade de Medicina de Londres, Stephen G. Post é o autor do livro Why Good Things Happen to Good People: How to Live a Longer, Healthier, Happier Life by the Simple Act of Giving (Por que coisas boas acontecem para pessoas boas: como ter uma vida mais longa, mais feliz, mais saudável se doando, simplesmente). "Sabemos que pensar no outro e em suas necessidades diminui o nosso nível de estresse e de ansiedade, além de ativar uma parte do cérebro que libera dopamina, um dos quatro 'produtos químicos' da felicidade - os outros são endorfina, serotonina e a oxitocina."

Mas o médico norte-americano destaca uma peculiaridade: há aumento da oxitocina, o hormônio da confiança e da tranquilidade, ligado à compaixão, à empatia, quando a ajuda a outras pessoas é feita "cara a cara", presencialmente. "No geral, a participação em atividades de apoio a outros indivíduos ou a dedicação a um trabalho voluntário por algumas horas na semana estão associadas a um incrível aumento de felicidade (o que é relatado por 96% de voluntários de um estudo), melhora na saúde física (relatado por 68%), baixa de ansiedade e estresse (em torno de 76%), assim como melhora de sono."

Para Stephen Post, o assunto se resume basicamente a uma "desprogramação" da mente do indivíduo que está voltado para si mesmo, para os próprios problemas, desligando emoções destrutivas, como hostilidade e amargura, então associadas ao estresse crônico. "Ser bondoso e se comportar adequadamente são grandes fontes de felicidade, que quase literalmente ligam um circuito emocional de alegria."

Bom para a cabeça

Alessandra Dutra é psicóloga do esporte e participou da conquista do título mundial pela Seleção Brasileira Feminina de Handebol, em 2013. O trabalho é diário para as garotas não se deixarem levar pela pressão, pela ansiedade - o que também pode favorecer lesões. E trabalho em equipe tem muito desse aprendizado da convivência com o outro, de ações generosas em favor do grupo - e não individualistas.

A representação social da generosidade,  como Alessandra diz, "está altamente relacionada hoje com saúde e é de extrema relevância". Também para ela, "a generosidade não é apenas uma virtude, mas um hábito, um exercício para enfrentar exigências do cotidiano como regulação de energia e administração do estresse, um caminho para o contágio positivo do amor, uma forma de combater a indiferença a qualquer coisa, de não nos afastarmos do coletivo, que tanto nos ensina."


(texto publicado na Revista da Cultura edição 101 - dezembro de 2015)

sábado, 17 de outubro de 2015

Um médico sem fronteiras - Natalia Cuminale


O paulistano Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo faz 750 cirurgias por ano, marca imbatível no Brasil. Por zelar por seu corpo como zela pelo de seus pacientes, ele desenvolveu uma dieta e um programa de atividades física que o mantêm forte - e com mãos seguríssimas - em longas jornadas nas salas de operação

"Opera como um Deus", dizem dele os melhores médicos do Brasil. Acusam-no de operar demais, em casos desnecessários, mas é puro despeito, dito quase em tom de brincadeira, para tentar explicar os recordes do cirurgião paulistano Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo, de 65 anos, do Hospital Albert Einstein. São 750 cirurgias por ano, portanto sessenta mensais, duas por dia. Ele calcula já ter realizado pelo menos 20 000 operações. São números quase inacreditáveis, que o próprio Macedo, avesso a qualquer celebração pública, homem discreto e calado, compara a feitos dos esportes. Diz ele: "O cirurgião não é um atleta, mas é solicitado como se fosse". Para, pensa e busca no ar uma metáfora ainda mais esclarecedora de sua rotina: "A cirurgia exige esforço semelhante ao de uma maratona". Macedo se comporta como um campeão olímpico para fazer jus à sua fama de craque dos bisturis, especializado em aparelho digestivo. Para Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião de fígado e pâncreas lotado na Universidade de Birmingham, na Inglaterra, outro que não descansa, Macedo "tem uma força de trabalho tão espetacular que é difícil para qualquer jovem acompanhá-lo".

Por considerar sua atividade como a de um esportista, Macedo faz do cotidiano uma travessia espartana. Um único toque de alarme do despertador, às 6h30, de segunda a segunda, o tira da cama. Uma xícara grande de café puro e amargo é a primeira refeição. A caminho do hospital, ouve no carro alguma peça para piano de Mozart ("calma", descreve) ou preferencialmente Nessun Dorma, ária de Puccini, na voz de Luciano Pavarotti, porque dali em diante nada de dormir. Mentalmente desenha o que fará durante o dia. A depender da técnica utilizada na cirurgia, ele terá de ficar sentado, praticamente imóvel, ao longo de seis horas. É assim no caso dos procedimentos robóticos, quando manipula um equipamento com 3 metros de altura e quatro braços compridos de metal que farão as vezes das mãos humanas sobre o corpo do paciente, o que é comum na extração de tumores no pâncreas, nos rins e nos intestinos. Em operações convencionais, não é raro ele permanecer por nove horas em pé, manipulando o doente.

Meticuloso, preciso, cuidadoso. Macedo trata de seu corpo como se fosse o de seus pacientes. Ao se aproximar dos 60 anos, sentiu uma natural queda no vigor. Sofria com gripes constantes, que chegavam a incomodar durante vinte dias. O pequeno sinal de debilidade dificilmente afetaria a qualidade do trabalho. Mas foi o suficiente para que o médico mudasse o estilo de vida de maneira drástica. Passou a devorar artigos científicos sobre alimentação, atividade física e taxas sanguíneas. Estudioso compulsivo, leu 25 pesquisas científicas. O objetivo era criar um programa de saúde personalizado que lhe permitisse recuperar a disposição para as longas e duras jornadas de trabalho. Como não havia um Macedo que tratasse dele, fez tudo solitariamente.

Um dos maiores desafios era permanecer por horas a fio em jejum sem ficar com fome nem se sentir fraco. A questão foi resolvida da seguinte forma: passou a seguir a ferro e  fogo o jejum, sem concessão nem mesmo à badalada barrinha de cereal. A medida teve como base o princípio fisiológico de que em longos períodos de privação alimentar perde-se a fome. Há uma lógica - o hábito do jejum faz com que o organismo fabrique um produto químico chamado corpo cetônico. Esse composto, feito de gordura corporal, tem duas funções primordiais. Uma delas é dar energia ao coração e ao cérebro ante a carência alimentar. A outra é inibir a ação do hipotálamo, região cerebral administradora da fome. Macedo ainda queria evitar mais uma condição resultante do consumo de alimentos durante a cirurgia. Comer estimula a liberação de serotonina no cérebro, substância do relaxamento, atalho para a perigosa desatenção.

A alimentação do cirurgião é regradíssima. Macedo adotou um programa inspirado na chamada "dieta paleolítica". Criado em 1975 pelo gastroenterologista americano Walter L. Voegtlin, o regime prega um retorno à alimentação dos homens pré-históricos. Dez anos depois, os médicos americanos Melvin Konner e Boyd Eaton consolidaram o modelo em artigo na revista The New England Journal of Medicine: só se devem ingerir os alimentos que nossos ancestrais consumiam. Incluem-se carnes magras, frutas, raízes e vegetais. Excluem-se os produtos industrializados. Macedo faz raras exceções. Vez ou outra come quatro quadradinhos de chocolate amargo e degusta taças de vinho. Evita ao máximo o sabor dos alimentos feitos com farinha branca, os chamados carboidratos simples. Os compostos aumentam subitamente a taxa de insulina, o hormônio que carrega a glicose para dentro das células. O pico da substância no organismo estimula a fome.

O médico ainda precisava ganhar músculos na medida certa para um cirurgião. Sem exageros, portanto. Braços pesados demais podem atrapalhar o manejo dos instrumentos. Para isso, Macedo passou a seguir um programa específico de exercícios. Praticada em uma academia montada no porão de casa, a musculação não vai além de meia hora. Períodos mais longos estimulam no organismo a produção de hormônios que prejudicam a formação do tecido muscular. A ginástica é feita sempre à noite. O esforço pela manhã causa pequenos tremores temporários nas mãos, algo inimaginável para um cirurgião.

Macedo está habituado aos desafios, e às tentativas de superá-los, desde os tempos de menino. Aos 12 anos, ao cair de um cavalo, sofreu uma paralisia do lado direito do rosto. Logo depois do acidente, seus pais acharam que o "sorriso de lado" era uma imitação de John Wayne, o ator predileto do filho. Descobriu-se mais tarde ser uma lesão incontornável, diagnosticada por um médico amigo da família. O acidente fez Macedo seguir a medicina, para entender como funciona o organismo humano e que há poesia entre sangue e músculos. A correção associada à timidez faz de sua agenda um livro fechado - e, ao contrário de um mau hábito disseminado, ele se recusa a citar o nome de famosos que passaram por suas mãos (Silvio Santos, Fausto Silva, Dercy Gonçalves e Ana Maria Braga, entre tantos outros). Ele apenas aceitou aparecer em fotografia ao lado de Hebe Camargo, em 2012, as quem operara para a extração de um tumor cancerígeno na região abdominal, porque a força de persuasão da apresentadora era lendária - e só ela mesmo poderia quebrar o gelo de um homem incapaz de brilharecos, mas sinônimo de certeza e segurança. Nas palavras do prêmio Nobel de Literatura Saul Bellow (1915-2005), mestre em entender os desvios do ser humano: "Com um romancista, como com um cirurgião, você tem de ter a sensação de ter caído em boas mãos - alguém de quem você pode aceitar o anestésico com confiança".




(texto publicado na revista Veja edição 2443 - ano 48 - nº 37 - 16 de setembro de 2015)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Sushi, camomilla e uova: 10 alimenti per combattere lo stress (Fanpage.it)


I periodi di stress possono essere molto duri da affrontare, ma il segreto per superarli è partire dall'alimentazione. In questo modo, non solo si terrrà sotto controllo il peso, ma si riuscirà anche a dare la giusta energia al corpo.

Quando si ha una vita frenetica, piena di ansie e preoccupazioni, lo stress aumenta e spesso si finisce per sfogarsi con il cibo. Nei periodi particolarmente pesanti bisogna infatti stare molto attenti alla propria dieta se non si vogliono fare i conti con pancetta e chili di troppo. Scopriamo quali sono i 10 alimenti che non dovrebbero mai mancare in tavola quando si vuole affrontare con l'energia giusta un periodo difficile.

1. Spremuta d'arancia - Il modo migliore per cominciare la giornata con la carica giusta per affrontare ogni tipo di situazione stressante? Bere una spremuta d'arancia a colazione. Fornisce la vitamina C e rafforza le difese immunitarie.

2. Uovo alla coque - L'uovo alla coque contiene la colina, cioè la sostanza che contribuisce a combattere stanchezza e tensione mentale. Mangiarne uno a pranzo o a cena sarà l'ideale per superare i periodi difficili al meglio.

3. Yogurt magro - Quando in periodi di stress si viene colpiti da una irrefrenabile voglia di mangiare, lo yogurt magro sarà l'ideale per fare uno spuntino. È ricco di vitamina B1, ha innumerevoli benefici sul sistema nervoso e contiene il boro, un minerale che stimola l'attività del cervello.

4. Frullato latte scremato e cacao - Quando invece ci si sente particolarmente irritabili, basterà prepararsi un frullato calmante con latte scremato e cacao. Quest'ultimo contiene serotonina, il neurotrasmettitore della serenità, la vitamina E antiossidante e distensiva e la PP, calmante del sistema nervoso.

5. Sushi - Il pesce contiene alti livelli di omega-3 che riducono i rischi di malattie cardiache ed anche lo stress. Il pesce crudo in particolare aiuta a regolare gli stati d'animo e a tenere sotto controllo la salute del cervello.

6. Anacardi - Sono delle noci che contengono magnesio e triptofano, due sostanze che aiutano a rilassarsi. Rafforzano il sistema immunitario e danno energia al corpo.

7. Tè verde o camomilla - Se neppure lo yoga è riuscito a calmare lo stress, una tazza di tè verde decaffeinato o di camomilla sarà l'ideale per rilassarsi. Entrambe le bevande hanno un potere sedativo capace de ridurre i livelli di ansia e stress.

8. Patate dolci - Le patate contengono gli antiossidanti e rafforzano il sistema immunitario. Quelle dolci sono capaci di ridurre la voglia di zucchero ed è proprio per questo che sono l'ideale in periodi di stress.

9. Avocado - L'avocado è capace di rendere il corpo più energico, migliora le proprie capacità di apprendimento e di memoria. Mangiandone uno al giorno, si sentiranno immediatamente i benefici.

10. Banane - Le banane sono ricche di vitamina B6 e stimolano la produzione di serotonina. Forniscono una buona quantità di proteine e di grassi necessaria per stabilizzare la  glicemia. Inoltre, rafforzano il sistema immunitario.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Como diminuir a vontade de comer açúcar - Cintia Cercato e Gláucia Carneiro (Cinai Especial)


Doces estão vinculados a uma ideia de felicidade. Eles são presença certa em comemorações e ajudam a apaziguar os ânimos em momentos estressantes - depois de um dia difícil de trabalho, é comum se considerar merecedor de uma generosa fatia de bolo de chocolate.

De fato, os doces fornecem energia ao organismo e estimulam a produção de um hormônio ligado ao bem-estar, a serotonina, provocando uma sensação de prazer quase tão viciante quanto uma droga - o corpo quer sempre mais.

E é por isso que as guloseimas, calóricas e muitas vezes cheias de gordura, estão entre as piores vilãs de qualquer dieta. Mas...

Doce D + na infância pode levar à violência

A relação entre o consumo de açúcar e os riscos de delinquência permaneceram mesmo após levados em consideração fatores como ambiente familiar, qualificações educacionais após os 16 anos e posse de carro aos 34.

"Nossa explicação foi que dar doces e chocolates regularmente para crianças pode impedir que elas aprendam como esperar para obter o que querem", disse Simon Moore, líder da pesquisa. "Ser incapaz de adiar a gratificação pode levá-las a um comportamento mais impulsivo, que é fortemente associado à delinquência".

Outra possível razão apontada por especialistas foi que crianças que já são "difíceis" podem acabar ganhando mais doces para se acalmarem. É possível enganar o cérebro para reduzir o apetite por doces. Segundo Cíntia Cercato, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o maior aliado nessa tarefa é o exercício físico.

"Estudos já mostraram que, logo após praticar uma atividade física, as pessoas tendem a ter menos vontade de comer açúcar, gordura e carboidratos", explica.

Além disso, controlar fatores como o estresse e a ansiedade também ajudam a diminuir a ânsia pelas guloseimas. "Algumas pessoas usam os doces como antidepressivos. Então, ter uma boa vida afetiva contribui para que a pessoa não desconte a frustração nos doces", afirma a endocrinologista Gláucia Carneiro, da SBEM.

Para a maioria das pessoas, cortar doces de uma vez pode provocar uma espécie de abstinência, que levará a um posterior abuso de açúcar.

Por isso, o ideal é parar gradativamente.

Comer doces por cinco dias na primeira semana, três na semana seguinte, até atingir a cota de uma dia da semana.

Contudo, para quem tem compulsão alimentar semelhante a um vício em drogas, a recomendação é cortar o açúcar de uma vez.

NÃO tomar líquido durante a refeição

Tal péssimo hábito faz com que a comida se mova mais rapidamente do estômago para o intestino, sem ao menos ter sido adequadamente digerida...

Como a presença de comida no estômago é uma das leituras do cérebro sobre a sensação de saciedade, misturar líquido com sólido pode causar fome.

Comer devagar

Mastigando bastante os alimentos, também contribui para que o organismo se sinta satisfeito e esqueça qualquer vontade de comer doces.

ATIVIDADE FÍSICA

É comprovado: além de todos os benefícios que traz à saúde e à estética, a atividade física ainda diminui a vontade de comer doces. Estudos mostraram que, logo após se exercitar, as pessoas se sentem menos propensas a comer alimentos ricos em carboidratos, açúcar e gordura. Isso porque a atividade física estimula a liberação de hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar no organismo - o mesmo efeito causado pelo consumo de doces.

O que os olhos não vêm, não sente...

O simples fato de ter um doce apetitoso ao alcance do olhar já é suficiente para despertar no organismo o desejo pela guloseima. Por isso, manter os doces longe do campo de visão - ou simplesmente não tê-los em casa - pode ser uma boa ideia.

Estabeleça um horário para as refeições

Ficar muitas horas em jejum faz com que o organismo busque uma fonte rápida de energia para manter seu funcionamento - com fome, dispara a vontade de comer carboidratos e açúcares. O ideal é alimentar-se de forma fracionada, com pequenas refeições a cada três horas.

ALIMENTOS INTEGRAIS, frescos, maduros, crus...

Alimentos ricos em fibras e proteínas ajudam a prolongar a sensação de saciedade no organismo - logo, são aliados no combate à vontade de engolir doces.

Prefira comer doces na próxima refeição

Se a vontade por um doce for incontrolável, coma uma fruta fresca picada, daquelas bem maduras e suculentas...

A recomendação de um DOCE é deixar para comer na próxima refeição. O perigo de exagerar é menor: o organismo já estará saciado e ficará satisfeito com poucas colheradas de açúcar.

Consuma carboidratos com moderação

A ingestão de alimentos ricos em carboidrato, como pães e massas, libera insulina no sangue. Esse hormônio ativa a região cerebral responsável pela sensação de fome, aumentando o apetite.

Tome refeição matinal

Pular o café da manhã pode aumentar o desejo por guloseimas. Como a refeição é a responsável por fornecer energia para o organismo começar o dia, ignorá-la pode fazer com que o organismo busque outras fontes rápidas de energia, como o doce.

Troque um doce por uma fruta

O açúcar dos doces é chamado de sacarose, e o das frutas, frutose. Enquanto a sacarose tem absorção rápida, pois é fácil de ser quebrada, a frutose demora mais para ser absorvida pelo organismo, o que prolonga a sensação de saciedade. Por isso, sempre que possível, é melhor trocar um doce por uma fruta.

Doces liberam serotonina, hormônio que causa a sensação de bem-estar. Assim, muitas vezes acabam sendo usados como antidepressivos. Controlar a ansiedade e o estresse, praticando atividades que possam servir como fonte de prazer, pode ajudar a diminuir o desejo por açúcar.

Estragar os dentes já não precisa mais ser um dos únicos argumentos para convencer seu filho a manter distância dos doces.

Um estudo da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, concluiu que o consumo diário de açúcar na infância pode levar à violência na vida adulta. A explicação pode estar na dificuldade em aprender como postergar a gratificação.

A pesquisa, publicada na edição de outubro do British Journal of Psychiatry, foi baseada em dados de cerca de 17.500 pessoas. Os cientistas descobriram que 69% dos participantes violentos aos 34 anos de idade ingeriam doces e chocolate quase todos os dias quando tinham dez anos. O índice caiu para 42% entre os não-violentos.

Mais uma vez...

Doce na infância pode levar à violência



(*) Cintia Cercato e Gláucia Carneiro - endocrinologistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)



Artigo publicado no site da Revista Veja – editora Abril

terça-feira, 31 de março de 2015

Felicità? Si raggiunge praticando regolarmente attività fisica - Valeria Paglionico (Fanpage.it - donna)


Allenarsi regolarmente permette di tenersi perfettamente in salute e in forma e soprattutto riesce ad avere notevoli effetti benefici sulla nostra interiorità. Vi è mai capitato di sentirvi stanche ma felici ed adrenaliniche al termine di una corsa o di una lezione di aerobica? Non si tratterebbe solo di provare soddisfazione per i risultati fisici raggiunti con impegno, sudore e fatica, ma di un vero e proprio cambiamento del nostro umore.

Quando si pratica attività fisica, infatti, il nostro corpo produce serotonina, un neurotrasmettitore comunemente conosciuto como l'ormone della felicità, che viene stimolato nel momento in cui viviamo un'esperienza gioiosa, compresi i rapporti sessuali soddisfacenti. I principali benefici per chi pratica attività sportiva sono quindi interiori prima ancora che estetici. Mantenersi in forma praticando attività non rende più felici solo per merito della produzione delle endorfine, ma perché spinge anche a migliorare il corpo, contribuendo dunque a sentirsi a proprio agio e a piacersi di più.

Certo, le diete impongono delle restrizioni dal punto di vista alimentare almeno per i primi tempi, ma con un'attività fisica regolare si aumenta il metabolismo basale, cioè il dispendio energetico necessario a mantenere attive le funzioni vitali, e dunque si riescono a bruciare le calorie più rapidamente. Ogni tanto ci si potrebbe concedere qualche piccola eccezione alla regola in fatto di alimentazione e non appena si vedranno i primi risultati materiali, la felicità sarà incommensurabile. Infine, l'esercizio fisico permette di prevenire numerose patologie, come quelle di natura cardiovascolare, l'obesità e il diabete e, si sa, quando c'è la salute, c'è tutto.

domingo, 22 de março de 2015

20 verdades sobre a depressão - Fernanda Cury (M de Mulher)


Quem já enfrentou a depressão sabe bem o tamanho do buraco na alma que ela provoca. Ouvimos o psiquiatra Leonard F. Verea e a psicóloga Cristiane Moraes Pertusi para que você conheça melhor a doença e possa enfrentá-la

1. Tristeza, ansiedade e angústia são sentimentos normais e que fazem parte da vida de todos nós. Já a depressão está relacionada a um desequilíbrio químico no cérebro e necessita de atenção médica.

2. Acredita-se que a doença seja provocada por fatores genéticos, mas a morte de um ente querido e situações de estresse extremo também podem ser gatilho para o problema. Em crianças, a separação dos pais e a mudança de escola podem ser fatores desencadeantes.

3. Alguém está deprimido quando apresenta, por ao menos duas semanas, cinco dos sintomas a seguir:

- Baixo astral durante a maior parte do tempo.

- Desinteresse total pelas atividades do dia a dia.

- Perda ou ganho de peso.

- Insônia ou muito sono

- Agitação ou apatia total.

- Fadiga ou perda de energia.

- Sentimento de culpa ou sensação de ser inútil.

- Diminuição da capacidade de concentração (a pessoa começa uma atividade e não a conclui).

- Ficar pensando em morte o tempo todo.

4. A doença pode se manifestar a partir dos 4 anos de idade e ocorre igualmente entre meninos e meninas. É difícil perceber o problema no início, pois a criança muitas vezes apenas fica mais quieta. Ansiedade, desinteresse por brincadeiras e dificuldades na escola são sinais de alerta.

5. Fortaleça a autoestima do seu filho. Elogie, encoraje, faça com que ele se sinta importante e reconhecido. Crie situações em que o pequeno possa expressar os sentimentos dele, como por meio de  desenhos.

6. Quando um dos pais tem depressão, o risco de o adolescente sofrer com a doença é maior. Por causa das alterações hormonais, as meninas são mais vulneráveis.

7. O adolescente deprimido age como se a melhor defesa fosse o ataque. Sente-se incapaz o tempo todo, sem forças para enfrentar desafios. Está sempre irritado ou tristonho, o que compromete as relações familiares, as amizades e o desempenho escolar.

8. Em idosos, a falta de ocupação piora o quadro de depressão. Por isso, é importante estimulá-los a ter atividades. Para evitar que ele se sinta um estorvo na vida dos parentes, envolva-o na rotina da casa. Se ele não participar do dia a dia familiar, acabará se isolando.

9. Deprimido, o idoso pode comer menos, ficar sonolento e descuidar da higiene. Com isso, há risco de desnutrição, desidratação e processos infecciosos.

10. No idoso, a depressão pode ser sintoma de diabetes descontrolada ou hipotireoidismo. Leve-ao médico para checar.

11. Cerca de 15% das mulheres entram em depressão depois do parto. Quem teve a doença antes de engravidar está mais sujeita a enfrentá-la novamente após dar à luz.

12. Sonolência, falta de energia e perda do desejo sexual são sintomas da depressão pós-parto. Mas, atenção! Sentir um vazio e muita vontade de chorar é normal depois que o bebê nasce e nem sempre se trata de depressão. Fale com o médico.

13. A depressão tende a ficar mais forte cerca de quatro a seis semanas depois do parto. O tratamento é necessário para evitar complicações e não comprometer o vínculo de mãe e filho.

14. Se você tem um familiar com depressão, tenha paciência. Entenda que a dificuldade para reagir é uma das características da doença. A depressão tira as forças para lutar.

15. Não deixe a pessoa trancada no quarto o dia todo com a cortina fechada. Incentive-a a se alimentar e a cuidar da higiene e também da aparência. Mas, lembre-se: estimular não significa forçar a ir ao shopping ou sorrir. Respeite as limitações que a doença impõe naquele momento.

16. Nos casos leves, a psicoterapia, que ajuda o paciente a encontrar formas de lidar com as próprias emoções, pode ser suficiente. Já nos quadros mais graves, é preciso associar a psicoterapia ao tratamento com remédios, receitados por um psiquiatra.

17. Os antidepressivos não são pílulas da felicidade. Ao regular a produção de certas substâncias no cérebro, eles aliviam os sintomas da depressão. Mas levam de duas a oito semanas para começarem a fazer efeito. Uma vez que o paciente comece a se sentir melhor, o tratamento deve ser mantido por seis meses, no mínimo. Nunca se deve deixar de tomar o remédio por conta própria.

18. A atividade física pode trazer muitos benefícios. Estimule a pessoa a caminhar assim que tiver ânimo para isso.

19. Ter bichos de estimação pode ajudar a lidar com a doença porque, quando brincamos com um animal, o organismo diminui a produção de cortisol, o hormônio do estresse. Além disso, acariciar o bicho promove o aumento de serotonina, substância que ajuda a combater a depressão.

20. A ciência já comprovou que tratamentos alternativos, como arteterapia e dançaterapia, apresentam ótimos resultados. Eles permitem que o paciente expresse suas emoções, mas precisam ser aliados a terapia e medicamentos, quando for o caso.
















































domingo, 1 de março de 2015

Depois de ler isso, você nunca mais verá a banana do mesmo modo (Show de Dicas)


Bananas possuem três açúcares naturais - sacarose, frutose e glicose, combinados com a fibra. A banana dá uma instantânea e substancial elevação de energia.

Pesquisas já mostraram que apenas duas bananas  fornecem energia suficiente para um treino intenso de 90 minutos. Não é à  toa que a banana é a fruta número 1 dos maiores atletas do mundo. Mas energia não é a única forma que uma banana pode nos ajudar a manter a forma. Ela também ajuda a curar ou prevenir um grande número de doenças e condições, tornando-se uma obrigação estar na nossa dieta diária.

Depressão - De acordo com uma recente pesquisa realizada pela MIND, entre pessoas que sofrem de depressão, muitas se sentiram melhor depois de comer uma banana. Isto porque a banana contém triptofano, um tipo de proteína que o corpo converte em serotonina, reconhecida por relaxar, melhorar o humor e, geralmente, fazer você se sentir mais feliz.

TPM - Esqueça as pílulas - coma uma banana. A vitamina B6 regula os níveis de glicose no sangue, o que pode afetar o seu humor.

ANEMIA - Ricas em ferro, as bananas estimulam a produção de hemoglobina no sangue e ajudam nos casos de anemia.

Pressão sanguínea - Este fruto tropical é muito rico em potássio, mas reduzido em sódio, tornando-se perfeito para combater a pressão arterial. De fato, a Food and Drug Administration, dos EUA, acaba de permitir que a indústria das bananas oficialmente informe a habilidade da fruta em reduzir o risco de pressão arterial e acidentes vasculares cerebrais.

Força cerebral - 200 estudantes de uma escola de Twickenham (Inglaterra) tiveram a ajuda de bananas no café da manhã antes dos exames, em uma tentativa de elevar a capacidade mental. A pesquisa mostrou que frutas com elevado teor de potássio podem ajudar a aprendizagem, fazendo com que os alunos fiquem mais "alertas" durante os exames.

Prisão de ventre - Com um elevado teor de fibra, bananas podem ajudar a normalizar as funções intestinais, superando o problema sem recorrer a laxantes.

Azia - Bananas têm um efeito antiácido natural no organismo, por isso, se você sofre de azia, experimente comer uma banana para aliviar.

Enjoo matinal - Comer uma banana entre as refeições ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue elevados e evita as náuseas.

Picadas de mosquito - Antes de passar pomada ou creme no local da picada de insetos, experimente esfregar a área afetada com a parte interna da casca da banana. Muitas pessoas têm resultados excelentes em reduzir o inchaço e a irritação.

Ressaca - Uma das maneiras mais rápidas de curar uma ressaca é fazer uma vitamina de banana com leite e mel. A banana acalma o estômago e, com a ajuda do mel, eleva o baixo nível de açúcar, enquanto o leite acalma e hidrata todo o sistema.

Nervos - Bananas são ricas em vitamina B, o que ajuda a acalmar o sistema nervoso.

Excesso de trabalho? - Estudos do Instituto de Psicologia da Áustria mostram que a pressão no trabalho leva à excessiva ingestão de comidas, como chocolate e biscoitos. Olhando para 5.000 pacientes em hospitais, pesquisadores concluíram que os que trabalhavam sob maior pressão eram mais propensos a ser obesos. O relatório concluiu que, para evitar a ansiedade por comida, é preciso controlar os nossos níveis de açúcar no sangue através da ingestão de alimentos ricos em carboidratos a cada duas horas.

Úlceras - A banana é usada na dieta diária contra desordens intestinais, devido à sua textura macia e suave. Ela também neutraliza a acidez e reduz a irritação, protegendo as paredes do estômago. 

Assim, a banana é um remédio natural para muitos males. Quando você a compara com uma maçã, por exemplo, ela tem 4 vezes mais proteínas, 2 vezes mais carboidratos, 3 vezes mais fósforo, 5 vezes mais vitamina A e ferro e 2 vezes outras vitaminas e minerais. Nada melhor do que fechar o artigo com a frase: "Uma banana por dia mantém o médico longe!"



















































sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Dê amor a quem sabe retribuir! - Beatriz Levischi


Acariciar um peludinho ativa a produção de serotonina, substância que reforça as defesas do organismo. Sem contar que faz um bem tremendo ao seu bicho!

5 motivos para fazer uma boa massagem

1. Ajuda a relaxar

Quando sentimos cansaço ou desconforto físico, logo pensamos em uma massagem, certo? Então lembre-se: massagear seu bicho tem efeito terapêutico redobrado, porque também desestressa o "massagita".

2. Estreita laços

Durante a sessão, você curte seu amigo melhor e mostra a ele que seu amor resiste à correria da vida moderna.

3. Previne doenças

Tocar seu animal e investigar o corpo dele ajuda a descobrir possíveis distúrbios e evitar que eles piorem com o socorro especializado adequado.

4. Facilita as idas ao veterinário

Bicho que recebe massagem se acostuma ao toque e à manipulação e não oferece resistência ao exame clínico.

5. Remedia problemas

Na Inglaterra existe até uma clínica de massagem para cachorros que trata problemas de locomoção, a Canine Massage Thepary Centre: http://www.k9-massage.co.uk


O jeito certo de massagear o seu bicho

Escolha hora e lugar

O processo inteiro deve ser divertido e confortável, permitindo que, com o hábito, o animal relaxe e se entregue. Escolha um cantinho gostoso e silencioso. Gatos geralmente ronronam e alguns cães até emitem sons de prazer como se estivessem dizendo: "Hum, que delícia!"

Intensifique o carinho

O toque deve virar uma massagem investigativa. Para isso, apalpe a cabeça, o corpo, a barriga, as pernas, as patas, o rabo. Sinta a pele, os pelos, os músculos e os ossos. Com jeitinho, observe ouvidos, focinho e dentes.

Fique atenta às reações

Elas vão indicar se existe alguma coisa errada com a saúde dele. Caso o animal esteja gemendo ou demonstre algum incômodo, desconforto ou qualquer tipo de dor, procure um veterinário de confiança.

Ofereça repeteco

Quanto mais massagem, mais você conhecerá o bicho fisicamente, além de descobrir os locais em que ele gosta de ser tocado e que tipo de carinho mais lhe agrada. Nos fins de semana, faça a massagem com calma. Ele é do tipo que assiste televisão junto com você? Aproveite!




(texto publicado na revista AnaMaria nº 855 - 01 de março de 2013)