Mostrando postagens com marcador maus-tratos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador maus-tratos. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Covardia animal - Carolina Giovanelli
Pelo menos dezesseis cães e gatos são resgatados por dia das ruas da capital, grande parte abandonada por pessoas que haviam se comprometido a cuidar deles
Não se pode chegar perto dos oitos filhotinhos da cadela Clara, nascidos há cerca de três semanas. Como boa mãe, ela não quer ninguém mexendo com sua prole. A família ficou balançada por perder o lar de uma hora para a outra. No último dia 19, a cadela e seus bebês foram largados na frente da ONG Cão sem Dono, em Itapecerica da Serra, dentro de uma gaveta, com um punhado de ração. O canil da instituição, com capacidade para 210 bichos, está superlotado, com mais de 370 cães. "Mesmo sem condições, não tivemos outra opção a não ser acolher esses novos pets", afirma o diretor Vicente Defini. Não é a primeira vez que uma cena dessas ocorre por lá. Essa é uma realidade comum no dia a dia das entidades do tipo e na cidade como um todo. Os descartes acontecem também em parques, praças, estradas e portas do pet shops. Nem os hospitais veterinários públicos escapam. Há quem interne o bichinho doente e não volte nunca mais.
De acordo com um levantamento realizado por VEJA SÃO PAULO em dez das principais instituições atuantes nessa causa na capital, pelo menos 500 pets são resgatados das ruas por mês, uma média de dezesseis por dia, ou cerca de 6 000 por ano. Grande parte deles já teve uma casa e foi abandonada pelo dono, segundo os profissionais dessas ONGs. Trata-se apenas de uma amostragem. O problema, de acordo com os especialistas, certamente é muito maior. Não existem estatísticas oficiais a respeito do assunto, pois contabilizar a população de animais desamparados configura tarefa bastante difícil. "Eles costumam se concentrar em áreas de limpeza escassa e com abrigo, como terrenos baldios e construções", afirma Ricardo Augusto Dias, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Além disso, alguns têm endereço fixo, mas contam com acesso à rua, outros estão perdidos e há os chamados "cães comunitários", cuidados por diversas pessoas.
Os casos de pets que já tiveram dono, mas viraram "órfãos", são de cortar o coração. Mesmo com a difusão da ideia de considerar os bichos como integrantes da família, algumas pessoas ainda seguem a direção de percebê-los como mercadorias, que, consequentemente, podem ser descartadas. "Já ouvi os motivos mais absurdos de tutores para desistir das mascotes, do naipe de 'fiquei grávida' ou 'comecei a namorar e minha parceira tem medo'", diz a ativista Luisa Mell, cujo instituto recebe cerca de 500 pedidos de resgate diariamente. Os períodos de férias e festas de fim de ano acumulam recordes, pois os proprietários vão viajar, não têm com quem deixar os amigos de quatro patas (ou não querem gastar com os hotelzinhos) e optam pela medida extrema do descarte. "Nunca me esqueci de quando fui procurada por uma mulher que ia se mudar de casa e queria deixar comigo seu cachorro de 10 anos. Como pode jogar fora um companheiro de uma década?", espanta-se Luisa.
No fim do ano passado, sua equipe encontrou, no bairro da Penha, uma casa com quarenta cães sem supervisão. A mulher do antigo morador havia morrido e o rapaz resolveu trancar o espaço e dar no pé. Vizinhos alimentaram o grupo até a ação de salvamento da entidade. uma das fêmeas resgatadas, batizada de Lobinha, acabou adotada pela fotógrafa Bárbara Valente e seu marido, Rodrigo. "No começo, ela tinha muito medo, mas evoluiu bastante", alegra-se a mulher.
Não é raro flagrar uma ação irresponsável de descarte na capital. Em agosto, a produtora de moda Juliana Rebecchi visitava seus pais, no Imirim, quando suspeitou de um carro que se movia lentamente pela rua. Demorou pouco tempo para o motorista jogar pela janela do veículo uma cadela de cerca de 1 ano. "Não acreditei no que estava vendo", conta Juliana. Quando percebeu o sumiço definitivo do condutor, a moça apanhou a vira-lata e a levou à pet shop. Descobriu que Lara, como foi batizada, estava prenhe. Hoje ,Juliana vive com o filhote Shoyu e sua mãe, além de dois gatos. "Ela ficou triste durante muito tempo, chorava e procurava pelo antigo dono", lembra.
Nem só as mascotes sem raça definida acabam rejeitadas. "Às vezes, as pessoas compram os pets com pedigree por impulso ou para estar na moda", acredita Vanice Orlandi, presidente da União Internacional Protetora dos Animais. "Aí, por causa de algum desvio de comportamento, gestação, doença ou idade avançada, elas os deixam de lado". Entre os 900 moradores do abrigo no Canindé, aparece um pastor alemão bravo chamado Déjà Vu. O nome surgiu pelo fato de ele ter sido adotado e devolvido duas vezes. O agressivo american staffordshire terrier Thor, encontrado amarrado em uma árvore, também amarga o isolamento. "Dá para entender que se trata de um momento de desespero dos donos, mas nada justifica largar os bichos por aí", diz Vanice.
O abrigo do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da prefeitura, em Santana, não recebe qualquer animal, apenas aqueles sem dono que representam grande risco à sociedade ou se encontram em estado terminal. Ou seja, caso alguém não queira mais cuidar de sua mascote, depende de alguém topar adotá-la ou da disposição das ONGs, sempre superlotadas, para recebê-la. A dificuldade acaba incentivando o crescimento da população de rua. "O tema é mais complexo do que se pode imaginar e envolve a sensibilidade das pessoas", entende Rita de Cássia Maria Garcia, pesquisadora do assunto e veterinária docente da Universidade Federal do Paraná. "Os animais abandonados fazem parte, de alguma maneira, da parcela excluída da sociedade. Em um universo que se acostumou com a presença de crianças nas ruas, como avançar na questão dos bichos?"
O abandono cria um problemão de saúde pública para a capital. Os cães e gatos podem transmitir doenças, como raiva e leishmaniose, e causar acidentes. Um dos modos mais utilizados para tentar conter esse grupo é a castração, a fim de evitar a reprodução descontrolada. Protetores independentes, ONGs e o CCZ costumam promover mutirões. O órgão municipal, no entanto, só realiza as cirurgias em indivíduos com um responsável definido - no ano passado, ocorreram 805 procedimentos em cães e 1 730 em felinos. O ativista Eduardo Pedroso atua independentemente com esterilizações em um cemitério na Zona Leste, ponto comum de descarte. "Não há vigilância alguma", explica ele. Durante os dois anos e meio de seu trabalho voluntário, aproximadamente 200 bichanos foram beneficiados. Em uma conta básica, um casal de felinos pode gerar mais de 300 descendentes em três anos. Na terra indígena instalada próximo ao Pico do Jaraguá, a população também sofre com a questão. Cerca de 400 cães e gatos perambulam por ali. Principalmente à noite, carros passam pelas vias ao redor para desová-los. O hábito piorou ainda mais o quadro de uma área extremamente pobre. Há ações veterinárias periódicas no local, mas insuficientes para sanar o problema.
Além da castração, a educação sobre posse responsável aparece como aspecto fundamental para atenuar a situação. Pouco adiantam os mutirões se os donos continuam largando os pets indiscriminadamente. Ao adotar, deve-se saber que os animais têm necessidades, provocam gastos, trazem comportamento imprevisível e vivem por muitos anos. "Promovemos campanhas focadas na conscientização com o objetivo de tentar mudar essa realidade", afirma a secretária estadual do Meio Ambiente, Patricia Iglesias. No frim de 2015, por exemplo, sua pasta promoveu no Parque Villa-Lobos, em Pinheiros, um evento em que os tutores podiam tirar dúvidas sobre os cuidados com os pets.
O abandono de gatos na área da Fundação Parque Zoológico, na Água Funda, ocasionou uma crise na instituição. Há alguns anos, o espaço virou ponto de descarte de felinos. "As pessoas os deixam aqui, achando que o zoo é o paraíso das espécies, que todas serão cuidadas por nós", conta a bióloga Kátia Rancura. "Mas não temos estrutura, e isso causa um desequilíbrio ambiental". Os bichanos caçam e são caçados pelos animais mantidos em cativeiro. Predam principalmente aves (acabaram com os marrecos), mas também répteis e anfíbios. Além disso, transmitem doenças por contato, através das fezes - como a toxoplasmose, que já matou um primata - ou mesmo da saliva, quando abocanham a comida dos recintos. Chegaram a arranhar frequentadores. Mas também caem nas garras de tipos como o lobo-guará e a harpia, uma espécie de gavião. Já houve casos de gatos que foram atacadas na frente dos visitantes, causando certo choque aos frequentadores de passagem por lá. Em 2011, a administração do lugar começou um projeto de esterilização, vacinação e microchipagem, que contemplou 200 indivíduos. Alguns deles acabaram adotados por funcionários, mas outros se mostravam selvagens demais e retornaram à mata. "Ainda neste ano, voltaremos com a ação, agora em parceria com ONGs, para ajudar a conseguir um lar para eles, e investindo na conscientização da população", afirma Cauê Monticelli, outro biólogo da equipe do local.
Em São Paulo, o ato de abandono pode se enquadrar em uma lei estadual que estipula multa de 3 000 reais. Uma sentença mais severa, no entanto, depende de um juiz que, no âmbito federal, enquadre o caso como crime ambiental, por maus-tratos ou abuso dos bichos. Se condenado, o infrator pode pegar de três meses a um ano de cadeia. "Nunca vi alguém ir para a prisão por causa disso", afirma Vania Maria Tuglio, promotora do Gecap, departamento do Ministério Público que investiga denúncias ligadas ao meio ambiente. "A lei muito branda incentiva essa atitude contra os bichos."
(texto publicado na revista Veja São Paulo de 4 de maio de 2016)
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Os maus-tratos sutis que você não deve permitir em sua vida (Melhor com Saúde)
Os maus-tratos sutis causam dor, insegurança e baixa autoestima, por isso não devemos permiti-los. Proteste se houver algo que lhe faz mal, ainda que seu interlocutor se incomode. Se você não entender, precisa de empatia e da inteligência emocional necessária para estabelecer relações saudáveis.
Na hora de falar em maus-tratos, imediatamente pensamos no tipo de violência física ou psicológica que uma pessoa exerce sobre a sua vítima. No entanto, existem outros tipos de maus-tratos "sutis", dos quais, em algumas ocasiões, não temos tanta consciência e que, aos poucos, acabam por nos destruir por dentro.
São ataques encobertos aos quais não costumamos reagir porque a agressão não é tão direta ou pode até ser que a intenção não seja de causar dano. No entanto, por ser constante, eles vão destruindo nossa autoestima e a confiança que temos em nós mesmos. Cuidado, pois não estamos falando somente dos maus-tratos sutis que nosso companheiro ou companheira pode exercer; às vezes, até nossos próprios familiares podem praticá-los.
A seguir ensinaremos como reconhecê-los e como se defender deles.
Como se exercem os chamados "maus-tratos sutis"?
Para compreender a dimensão dos maus-tratos sutis, falaremos sobre alguns exemplos que serão facilmente reconhecíveis. Pensemos em uma menina que, desde muito pequena, fizeram acreditar que é desastrada. Toda vez que algo caía das mãos dela, seus pais chamavam a sua atenção; quando ela quebrava algo sem querer, eles justificavam a situação falando de como ela sempre fora muito desastrada.
Na medida em que ela vai crescendo, seus pais usam essa forma desajeitada e avoada para justificar as provas nas quais ela não vai bem, e à sua incapacidade de fazer amigos. Seus pais a amam, não há dúvida disso, e claramente não a estão maltratando fisicamente. No entanto, ao longo de sua vida, eles a fizeram acreditar que é uma pessoa "incapaz e desajeitada". São maus-tratos sutis que criaram nela uma grande insegurança e uma baixo autoestima.
Vejamos outro exemplo. Temos um parceiro que costuma usar muito a ironia em seu dia a dia. São comuns os comentários brincalhões através dos quais ele tenta fazer os outros rirem, sem perceber que, com suas frases, está nos machucando. Ele nunca parece levar nada a sério e ironiza qualquer coisa: o que você faz, como se veste, como se expressa. São pequenas coisas que ele pode fazer sem ter má intenção, mas no entanto lhe causam dor e, portanto, trata-se de uma situação de maus-tratos encobertos.
É importante saber que este tipo de comportamento é muito comum em nossa realidade, e que é muito difícil reagir diante deles, devido a tanta sutileza. São coisas pequenas que, ao se converterem em persistentes, acabam nos ferindo, até o ponto em que nos tornamos completamente indefesos. Temos que aprender a reconhecê-los.
Como me defender perante maus-tratos "sutis"?
Você deve ter consciência de que as palavras podem machucar tanto quanto uma agressão física. As feridas internas são tão dolorosas quanto um golpe.
Não importa o quanto o comentário for inofensivo ou a inocência de uma determinada ironia. Não permita que isso aconteça. Diga o que pensa em voz alta e expresse-se claramente, explicando que essas palavras machucam você e que não devem ser repetidas novamente.
Estabeleça limites em sua vida, barreira que os demais não devem ultrapassar. Se as ironias sobre a sua pessoa o incomodarem, não as permita. Se falarem algo sobre você que não for verdade, defenda-se. Se há pessoas que sempre se dedicam a fazer pequenos comentários sobre essas características, talvez seja o momento de se manter afastado delas. As pessoas tóxicas somente nos causam sofrimento e para viver com insegurança ou infelicidade, não vale a pena conviver com elas.
O principal problema dos maus-tratos sutis é que as outras pessoas não veem problema nenhum em suas palavras e ações. Elas não o reconhecem. O que para eles é uma brincadeira, para nós é uma clara ofensa. Se não reagirmos, se deixarmos passar um dia e o outro também, chegará um momento em que o nível de maus-tratos será muito maior.
Os maus-tratos podem ser exercidos por nossos pais, mães, irmãos, parceiros ou até por colegas de trabalho. Pessoas que dizem que nos amam e respeitam, mas não se equivoque. É fundamental que você defenda sempre a sua própria integridade e sua autoestima, e que diferencie muito bem o que é respeito do que é ofensa. Há pessoas que pensam que a confiança cotidiana lhes dá licença para brincar conosco, para ironizar, e inclusive para faltar com o respeito. Não permita isso nunca. Coloque em evidência tudo que lhe incomodar. Impeça que causem ml, e se não gostarem de sua reação, não se preocupe, pois quem não entender que você se sentiu ferido não tem empatia, e portanto não possui a inteligência emocional necessária para estabelecer reações saudáveis.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Jaula do horror - Carolina Giovanelli
O projeto de reforma do zoológico de Taboão da Serra, que contabilizou seis mortes de bichos nos últimos meses, tenta acabar com os problemas de sua estrutura decadente
Em outros tempos, o Parque das Hortênsias, localizado em Taboão da Serra, na região metropolitana, era motivo de orgulho para a população local. Fundado em 1978 em um terreno de 48 000 metros quadrados, atraía visitantes também dos municípios vizinhos, interessados principalmente em seu zoológico, que se formou na década de 80. Nos últimos anos, entretanto, os passeios no parque - que ganhou seu nome por causa das 5 000 mudas de hortênsia plantadas na inauguração - não deixam mais os cerca de 15 000 visitantes mensais tão satisfeitos. Não só não se encontram mais as flores como também fica bastante visível um descaso duradouro, principalmente em relação aos animais.
As jaulas, em grande parte vazias, têm grandes enferrujadas, quebradas e emendadas com arame. Há paredes pichadas e placas deterioradas ou escritas a mão. Bichos que deveriam viver com companheiros levam uma vida solitária. Alguns dos recintos são pequenos (impedem, por exemplo, o voo mais livre das aves), com muito concreto e pouca vegetação.
As reclamações de frequentadores vinham sendo cada vez mais constantes, mas a crise chegou ao ápice no segundo semestre do ano passado. A morte de uma jaguatirica, em julho, seguida da de um tigre, em agosto, além da de um leão e uma tigresa, em novembro, desencadeou uma série de protestos de ativistas da proteção animal. Segundo o zoológico, os felinos não morreram por falta de assistência. "A jaguatirica teve parada cardíaca, o tigre possuía problemas renais, o leão sofria em razão de um parasita sanguíneo e a tigresa, por causa de tumores generalizados, precisou ser sacrificada". diz Talita Gonçalves, veterinária do zoo há dois anos.
Esses graves episódios provocaram protestos, abaixo-assinados, bloqueio de estrada e até o acampamento de manifestantes durante um mês no estacionamento do espaço. Em mais de uma ocasião, o parque fechou as portas com medo de invasão e furtos e de uma reprise do caso dos beagles. Munidos de vídeos e fotos, os ambientalistas conseguiram aliados na internet. "Já sou contra a existência de zoológicos, nesse estado então...", afirma a ativista Neusa Kuraoka. "Eu procuro nem ir aonde estão os animais, porque sempre choro." Também entraram na conta recente de óbitos um pavão e um gavião, que precisou ser sacrificado. "Se não mudarem as condições, mais bichos vão morrer", alerta a bióloga especializada em animais silvestres Elizabeth Teodorov. Ao lado da advogada Antília Reis, da Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB de São Bernardo do Campo, Elizabeth faz parte do grupo que luta por mudanças. "Os profissionais não têm a experiência necessária. A enfermidade dos felinos poderia ter sido diagnosticada muito antes. Animais doentes não devem ficar expostos, isso os estressa", critica ela.
O estardalhaço foi suficiente para que a prefeitura tomasse providências. "O zoo foi construído por intuição, naquela época não havia legislação como a de hoje", afirma o prefeito de Taboão da Serra, Fernando Fernandes Filho, que acusa a administração passada de descaso. "Com o tempo, não foram realizados os ajustes necessários." Em fevereiro, o município e o Ministério Público assinaram um termo de ajustamento de conduta (TAC) que trata das tão esperadas reforma e regularização do parque. O tempo estimado para as obras é de dois anos, com custo de 1,2 milhão de reais, quase o orçamento anual do espaço de 1,5 milhão de reais.
Alguns entraves, porém, ainda impedem o sucesso da operação. Os projetos arquitetônicos revisados foram entregues em 14 de abril ao Departamento de Fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que precisa aprovar tudo. "Nosso prazo para análise é de 180 dias, mas prevemos fazê-la em quarenta dias", promete Daniel Glaessel, coordenador de recursos naturais e biodiversidade do órgão. "Para alguns recintos não basta reforma, eles terão de ser completamente reconstruídos. " Algumas pequenas mudanças que não dependem de burocracia já foram concluídas, como a construção de um playground e o recapeamento do asfalto.
Durante as obras, espera-se que o parque não seja fechado. Algumas espécies, porém, precisarão ser removidas temporariamente. A leoa Helga, de 14 anos, que vive sozinha após a morte de seus companheiros felinos, será transferida para a ONG Mata Ciliar, em Jundiaí. O prazo original de migração era o fim deste mês, mas surgiu um imprevisto. O zoológico de Americana, a 125 quilômetros da capital, apelou para a associação acolher o leão Panta para exames, após a divulgação pela internet de uma foto do leão magérrimo. Enquanto não se descobre seu problema de saúde. Panta ocupa o lugar de Helga. "Pretendemos recebê-la em meados de junho", diz Cristina Adania, coordenadora de fauna da Associação Mata Ciliar. Alguns macacos-prego e aves de rapina também passarão "férias" ali.
No projeto de reforma, incluem-se recintos mais espaçosos. No caso dos saguis, suas jaulas deverão ficar a 1,5 metro de distância dos frequentadores. Hoje, o público consegue tocá-los. Em uma das visitas da reportagem de VEJA SÃO PAULO ao local, no último dia 20, alguém havia esmagado uma fruta para dentro da jaula. Poderia ter sido outra coisa. Demais questões que envolvem segurança também devem ser sanadas. Entre 2012 e 2013, por duas vezes, vândalos invadiram as jaulas dos jabutis, de fácil acesso, e os jogaram para os jacarés comerem. Um deles morreu. Logo, os répteis foram removidos, assim como os pavões, que precisaram ir de improviso para uma jaula inicialmente construída para felinos, pois pombos invadiam seu cercado.
Além disso, ratos costumavam comer a comida das araras e pets dos vizinhos, como gatos, ainda entram em alguns dos cubículos. Os ambientalistas conseguiram que a queima dos fogos de artifício da encenação da Paixão de Cristo realizada tradicionalmente no estacionamento, não acontecesse ali neste ano para não atrapalhar os bichos. Com estrutura fora dos padrões exigidos pelo Ibama, o zoológico não recebe novos animais há tempos. Hoje, são cerca de 200 exemplares, muitos idosos. Por isso, existem espécies solitárias e jaulas vazias. Somente com uma boa faxina geral será possível mudar esse quadro de decadência que ameaça a segurança dos animais e dos visitantes.
O estardalhaço foi suficiente para que a prefeitura tomasse providências. "O zoo foi construído por intuição, naquela época não havia legislação como a de hoje", afirma o prefeito de Taboão da Serra, Fernando Fernandes Filho, que acusa a administração passada de descaso. "Com o tempo, não foram realizados os ajustes necessários." Em fevereiro, o município e o Ministério Público assinaram um termo de ajustamento de conduta (TAC) que trata das tão esperadas reforma e regularização do parque. O tempo estimado para as obras é de dois anos, com custo de 1,2 milhão de reais, quase o orçamento anual do espaço de 1,5 milhão de reais.
Alguns entraves, porém, ainda impedem o sucesso da operação. Os projetos arquitetônicos revisados foram entregues em 14 de abril ao Departamento de Fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que precisa aprovar tudo. "Nosso prazo para análise é de 180 dias, mas prevemos fazê-la em quarenta dias", promete Daniel Glaessel, coordenador de recursos naturais e biodiversidade do órgão. "Para alguns recintos não basta reforma, eles terão de ser completamente reconstruídos. " Algumas pequenas mudanças que não dependem de burocracia já foram concluídas, como a construção de um playground e o recapeamento do asfalto.
Durante as obras, espera-se que o parque não seja fechado. Algumas espécies, porém, precisarão ser removidas temporariamente. A leoa Helga, de 14 anos, que vive sozinha após a morte de seus companheiros felinos, será transferida para a ONG Mata Ciliar, em Jundiaí. O prazo original de migração era o fim deste mês, mas surgiu um imprevisto. O zoológico de Americana, a 125 quilômetros da capital, apelou para a associação acolher o leão Panta para exames, após a divulgação pela internet de uma foto do leão magérrimo. Enquanto não se descobre seu problema de saúde. Panta ocupa o lugar de Helga. "Pretendemos recebê-la em meados de junho", diz Cristina Adania, coordenadora de fauna da Associação Mata Ciliar. Alguns macacos-prego e aves de rapina também passarão "férias" ali.
No projeto de reforma, incluem-se recintos mais espaçosos. No caso dos saguis, suas jaulas deverão ficar a 1,5 metro de distância dos frequentadores. Hoje, o público consegue tocá-los. Em uma das visitas da reportagem de VEJA SÃO PAULO ao local, no último dia 20, alguém havia esmagado uma fruta para dentro da jaula. Poderia ter sido outra coisa. Demais questões que envolvem segurança também devem ser sanadas. Entre 2012 e 2013, por duas vezes, vândalos invadiram as jaulas dos jabutis, de fácil acesso, e os jogaram para os jacarés comerem. Um deles morreu. Logo, os répteis foram removidos, assim como os pavões, que precisaram ir de improviso para uma jaula inicialmente construída para felinos, pois pombos invadiam seu cercado.
Além disso, ratos costumavam comer a comida das araras e pets dos vizinhos, como gatos, ainda entram em alguns dos cubículos. Os ambientalistas conseguiram que a queima dos fogos de artifício da encenação da Paixão de Cristo realizada tradicionalmente no estacionamento, não acontecesse ali neste ano para não atrapalhar os bichos. Com estrutura fora dos padrões exigidos pelo Ibama, o zoológico não recebe novos animais há tempos. Hoje, são cerca de 200 exemplares, muitos idosos. Por isso, existem espécies solitárias e jaulas vazias. Somente com uma boa faxina geral será possível mudar esse quadro de decadência que ameaça a segurança dos animais e dos visitantes.
(texto publicado na revista Veja São Paulo de 28 de maio de 2014)
Assinar:
Postagens (Atom)