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sábado, 7 de março de 2015

Alimentos naturais podem ser tão ou mais saudáveis que a ração para pets


À base de alimentos que podem ser crus ou cozidos, com ou sem ossos, a alimentação natural ganha cada vez mais adeptos

Duda não come beterraba inteira, assim como também prefere o peixe picadinho. Bela não se importa com as grandes porções, e devora uma coxa inteira de frango em segundos. Repleta de legumes e carnes, a alimentação balanceada das duas cadelas - uma golden retriever e outra mistura de pastor alemão com weimaraner

Com cada  vez mais adeptos entre tutores de cães e gatos, a alimentação natural tem sido uma opção para quem deseja oferecer aos animais uma refeição diferenciada, à base de alimentos que podem ser crus ou cozidos, com ou sem ossos.

- Em sua origem, cães e gatos são animais com hábitos carnívoros e os alimentos de origem animal são a base da sua pirâmide alimentar. Não podemos confundir em nenhum momento a alimentação humana com a de cães e gatos, e nem mesmo as dietas desses dois animais distintos - explica o veterinário Luciano Trevizan, professor adjunto do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Hart optou pela comida natural para seus cães depois de uma busca incansável por uma boa alimentação para o buldogue da mãe dele, chamado Miguel, que, com cinco anos, não conseguia mais comer ração. Além da mandíbula desparelha, que dificultava a mastigação, a ração não era mais a sua refeição preferida.

O primeiro passo foi misturar pedacinhos de carne cozida à dieta industrializada. Não deu certo. Hart testou uma alimentação natural totalmente crua e, meses depois, a mudança já era visível. Hoje, dois anos depois, o buldogue deixou de produzir remela escura, melhorou o aspecto da pelagem, livrou-se das otites e se tornou menos agressivo, conta o marceneiro.

Saúde em dia com a alimentação natural

Os benefícios também puderam ser comprovados com Duda e Bela, que fazem exames de sangue a cada três meses para verificar se a saúde está em dia.

- Minhas cadelas nunca ficaram doentes, o sistema imunológico está sempre a mil, cicatrizam depressa e não pegam pulgas ou carrapatos. As fezes, por exemplo, mudaram completamente, de grandes, de fedidas para "torrõezinhos" esbranquiçados e sem cheiro - afirma Hart.

Na dieta diária das duas peludas, além de legumes triturados e carne, há uma complementação com cápsulas de cálcio e óleo de coco, uma colher de iogurte natural, azeite de oliva, levedo de cerveja e alho.

Refeições adequadas

Apesar de bem aceita pelos pets, a grande dificuldade encontrada pelos tutores adeptos à dieta é ter tempo para preparar as refeições e encontrar os alimentos adequados. Cortes como dorso, cabeça e pé de frango, ideais para a alimentação crua, não estão facilmente disponíveis.

Se as dificuldades pesarem demais na hora de escolher a dieta dos pets, o mais importante a ser considerado é a saúde dos animais. Trevizan destaca que, de uma forma geral, cães e gatos podem ser alimentados tanto com alimentos caseiros quanto com rações. O que não pode ser dispensado é a presença e a disponibilidade dos nutrientes para o animal.

- Dietas caseiras não são restos alimentares de humanos. Devem ser baseadas em ingredientes normalmente usados por humanos, mas em proporções adequadas para conter os nutrientes na quantidade ideal para a espécie que se está alimentando. Desse ponto de vista, alimentar animais com rações é muito mais prático e seguro, basta encontrar o alimento certo para seu animal e fornecê-lo adequadamente - fala Trevizan.

Para acertar na dieta

A alimentação de gatos e cachorros é muito diferente da humana. Veja dicas para não errar no cardápio dos pets.

- O alho é seguro em pequenas quantidades, mas em excesso pode causar gases e impõe risco de anemia, principalmente aos gatos. Quando bem dosado, fortalece o sistema imune contra pulgas e vermes. Para cães, também combate o colesterol, ajuda no controle da glicemia, reduz o risco de derrames, alivia quadros inflamatórios e auxilia no combate a tumores.

- Frutas são bons petiscos, mas sem exageros devido à frutose.

- Não é indicado mesclar os dois tipos de alimentação (ração e comida) pois a combinação pode gerar excesso de nutrientes.

- Gatos fazem inúmeras refeições ao longo do dia e gostam de alimentos frescos. Troque a ração pelo menos duas vezes ao dia.

- Filhotes de cães durante o desmame alimentam-se com mais frequência. O recomendado é fornecer quatro refeições diárias.

- Animais adultos podem fazer apenas uma refeição ao dia. Para os maiores, recomenda-se que haja duas refeições.

- Alimentos caseiros precisam de maior higienização dos comedouros e menos tempo de exposição, pois tendem a fermentar.

- Gatos não costumam buscar líquidos. Por isso, o consumo de água deve ser incentivado, principalmente daqueles que consomem ração.

- Observe as informações sobre nutrientes e energia na embalagem da ração para calcular a quantidade de alimento que o animal precisa.

- Segundo a alimentação natural, há métodos que calculam a quantidade de energia a ser consumida pelo animal de acordo com o peso corporal. Deve-se levar em conta a necessidade de energia do pet.

- O leite de vaca deve ser fornecido com restrições, pois tem propriedades nutricionais diferentes do leite da gata e da cadela.



(Fontes: site Cachorro Verde e professor Luciano Trevizan)


Alimentos não recomendados

- Chocolate: deve ser evitado por causa da teobromina, substância que o fígado dos pets não metaboliza. Pode causar taquicardia, espasmos musculares, vômitos e diarreia. Quanto mais puro o chocolate maior a intoxicação.

- Cebola: a substância chamada "n-propil disulfito" pode provocar um tipo grave de anemia nos pets. Os gatos são ainda mais sensíveis ao vegetal.

- Batata inglesa: os vegetais da família das solanáceas - batatas, tomate, berinjela, jiló e pimentão - contêm um glicoalcaloide chamado solanina, capaz de afetar o sistema nervoso central e provocar transtornos gastrointestinais. Tubérculos como batata-doce, inhame, mandioquinha e o cará não contêm solanina.

- Carambola: possui de ácido oxálico insolúvel, que prejudica os rins. Pode causar salivação, inapetência, vômitos, diarreia, prostração, fraqueza, tremores, presença de sangue ou cristais na urina e alterações da sede.

- Uvas e passas: mesmo orgânicas ou em pequenas quantidades, com ou sem casca e com ou sem sementes podem subitamente danificar os rins.

- Pimenta malagueta: pode causar gastrite e até úlcera.

- Osso de ave cozido: o cozimento altera a estrutura molecular do colágeno do osso, tornando-o mais rígido ao ser partido, e aumentando risco de perfuração gastrointestinal.

- Sementes de maçã e pera: liberam pequenas doses de ácido cianídrico no estômago, um tipo de veneno.



(Fonte: site Cachorro Verde)








terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ração gourmet - Carolina Giovanelli



Donos de pets optam por alimentação caseira e balanceada

O aroma que envolve a cozinha de uma espaçosa casa na Vila Sônia remete às refeições preparadas por vovós prendadas. Panelões repletos de arroz, carne e legumes esfumaçam o ambiente sob o olhar atento da chef Veri Noda. Porém, nem pense em pegar seu prato. A 1 tonelada de comida que sai de lá por mês vai direto para a tigela de cães e gatos paulistanos. Criada em 2012 por Veri e sua irmã, a veterinária Juliana Belo, a La Pet Cuisine é especializada em alimentação natural para animais de estimação. O negócio vem crescendo. Somente de fevereiro a agosto, a receita aumentou cerca de 50%. Com preços entre 14,90 e 27,90 reais, marmitas congeladas (suficientes, em média, para um dia, dependendo do tamanho da mascote) de sabores como franguinho da fazenda, cordeiro com grão-de-bico e risoto vegetariano são entregues aos clientes, diariamente por motoboys. A dupla também prepara dietas personalizadas para bichos alérgicos ou doentes (80 reais, por formulação). "Há quem peça para incluir produtos diferentes, como algas e salmão, na receita", afirma Juliana.

Nos últimos tempos, muitos tutores vêm optando por oferecer refeições caseiras com ingredientes frescos e de procedência conhecida. Trata-se de um retorno a algo comum antes dos anos 70 e 80, quando a ração industrializada se estabeleceu por aqui. Entretanto, a fórmula agora não é a mesma da panela do dono. Mostra-se balanceada para as necessidades de cada cão, não tem conservantes, sal nem gordura em excesso e pode contar com suplementos vitamínicos. A veterinária paulistana Sylvia Angélico lançou, em 2008, o site Cachorro Verde, com o objetivo de discutir nutrição natural para animais. Hoje, recebe cerca de trinta e-mails por dia com dúvidas. "Era um assunto que envolvia muito tabu. Agora, vem sendo mais bem aceito", diz. "Os donos podem oferecer alternativas à ração tradicional, feita com subprodutos da indústria alimentícia, que perdem nutrientes a cada processamento." Suas indicações normalmente envolvem preparação por cozimento, mas ela aposta também em uma dieta desenvolvida por um australiano calcada apenas em itens crus, a exemplo de carne com ossos.

Sylvia ministra curso sobre o assunto por todo o país e só tem espaço vago em sua agenda de consultas, pelas quais cobra 150 reais, para o fim de novembro. Realiza os atendimentos via Skype e presencialmente na pet shop MOM, na Vila Nova Conceição. O estabelecimento, inaugurado no fim do ano passado, também tem pegada natureba. Oferece petiscos integrais e até banho no estilo alternativo, com produtos à base de frutas e plantas. "O dono quer ver seu estilo de vida refletida na rotina do cão", acredita a proprietária Fabiana Barruffini. Nas prateleiras da loja, aparecem, por exemplo, os biscoitos da Panela da Bela, marca criada em outubro. Produzidos em Tatuí, no interior, eles não levam conservantes nem corantes.

Uma das adeptas da onda é a engenheira civil Leia Guesser, "mãe" de dois buldogues-franceses: Pudim, de 1 ano, e Fejuca, de 5 meses.Em março, ela procurou acompanhamento veterinário para bolar uma dieta equilibrada para Pudim, que sofria de gastrite. Fejuca também acabou abocanhando as delícias do irmão e adorou. "Percebo que eles comem com gosto", alegra-se a dona. Leia vai ao mercado e à feira para comprar carne, legumes e vegetais para os pets. "Eles ficaram mais ativos e com pelos brilhantes", afirma. Duas vezes por semana, ela cozinha os ingredientes e os armazena no freezer ou na geladeira.

O estilo saudável dá mais trabalho ao tutor e costuma resultar em despesas maiores. Alguns clientes de La Pet Cuisine, por exemplo, chegam a gastar 500 reais por mês para alimentar um cão de médio porte (um pacote de 10 quilos de uma ração comum, suficiente para o mesmo período, custa por volta de 70 reais). Com o intuito de atrair outro público, a empresa lançará, no fim de outubro, marmitas mais em conta, que fogem do gourmet e custam entre 4,20 e 10 reais.




(texto publicado na revista Veja São Paulo de 17 de setembro de 2014)