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sábado, 15 de agosto de 2015

Shoyu, sabor que excita


Com vocês, a verdadeira história do insuperável molho de soja

Quando, na manhã de 18 de junho de 1908, os 781 súditos do Império do Sol Nascente contemplaram pela primeira vez a exuberante baía de Santos, certamente imaginavam as dificuldades que enfrentariam na nova terra. Prevendo isso, transportavam nos porões do Kasato Maru - o bravo naviozinho que os conduzira através dos oceanos Pacífico e Atlântico - tudo que pudesse lembrar o Japão.

Logo após a instalação, começaram a descobrir, aqui mesmo, matérias-primas para reproduzir os objetos de sua cultura e os ingredientes da sua sofisticada culinária. Os peixes e frutos do mar para o tradicional sashimi não eram exatamente os mesmos, mas podiam ser adaptados.

O arroz brasileiro dava um saquê tão saboroso quanto o japonês. Da taquara indígena faziam-se ótimos hashi, os pauzinhos de comer.

Num ponto, porém, a saudade persistia. O shoyu, tradicional molho de soja fermentada, tempero dos temperos na gastronomia nipônica, simplesmente inexistia.

Primeiro, porque sua matéria-prima, a soja, ainda não passava de boato agrícola no Brasil. Só muito mais tarde, a partir da década de 50, a leguminosa de ouro no Oriente inundaria o país, transformando-se num dos itens mais importantes da pauta de exportações agrícolas. Além disso, o shoyu requer uma complicada preparação, o que torna difícil - não impossível - sua confecção caseira.

Viva! O tempero chega ao Brasil

Talvez seja exagero afirmar que, sem o surgimento do shoyu no Brasil, a imigração japonesa tomaria rumo diferente. A verdade é que o anúncio da fabricação do molho em escala comercial, a partir de 1915, em Santos, causou euforia na colônia - e deve ter contribuído para atrair novas levas migratórias.

Há boas justificativas para isso. A historiadora Arlinda Rocha Nogueira, na obra A Imigração Japonesa para a Lavoura Cafeeira Paulista, 1908-1922 (publicada pela Universidade de São Paulo), sustenta que uma das maiores dificuldades de adaptação à nova terra foi a falta do líquido marrom-escuro, bem salgado, de aroma agradável, que hoje é tão comum quanto a mostarda ou a pimenta-malagueta na prateleira de condimentos do supermercado.

Claro que essa é uma história recente entre nós, mas o nosso personagem tem tradição milenar no Japão, na China e em outros países do Oriente. Em tempos remotos, o elemento da comunidade encarregado de prepará-lo gozava de status de autêntico especialista e guardava com avareza os segredos de sua arte. Hoje, o shoyu é preparado industrialmente, porém continua de pé a afirmação da dra. Midori Ishii, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP: "No Japão, comida é poesia". Com a devida licença poética, pode-se dizer que o shoyu é a rima desses saborosos versos, já que se encontra na quase totalidade dos pratos japoneses.

Com o início da produção industrial, o mágico molho oriental ultrapassou as fronteiras da colônia para frequentar, sem cerimônia, a mesa dos brasileiros. Acontece que seu uso obedece a certos critérios mal conhecidos pela maioria.

Segredos de um churrasco dourado

"Emprega-se o shoyu durante o cozimento de vegetais, carnes, ovos e peixes,dispensando-se total ou parcialmente o sal", explica Rosa Takano, especialista em culinária japonesa. O importante, adverte, é não cometer o erro de salgar um prato e só depois acrescentar o shoyu. Nesse caso, o nível de sal ultrapassará o tolerável. A observação vale também para o shoyu usado à mesa: aí, o ideal é que os pratos sejam preparados sem sal, para que cada conviva adicione shoyu a gosto.

Seja como for, o molho de soja está incorporado ao arsenal culinário brasileiro e já substitui com vantagem os tradicionais temperos de churrasco e carnes grelhadas, tão apreciados entre nós. A vantagem é que, além do sabor, o shoyu transmite um apetitoso tom dourado ao frango ou à picanha, principalmente quando se utiliza forno de microondas.

Se você quer experimentar, anote dois conselhos de Rosa Takano que vão facilitar sua vida: enquanto não adquirir prática, o melhor é provar o prato durante a preparação, para obter o equilíbrio perfeito entre o sabor e o dourado que deseja: em molhos mais sofisticados para carnes e peixes, acrescente ao shoyu uma pitada de açúcar e outra de gengibre ralado.

Com a nacionalização do molho de soja, marcas e fabricantes se multiplicaram. Hoje existem ao menos oito empresas produtoras e cerca de vinte marcas no mercado - alguns fabricantes exploram vários rótulos ou os fornecem a distribuidores com marcas próprias.

Os tipos: claro, escuro, denso

Pode-se dizer, contudo, que há poucas diferenças de sabor e aspecto entre produtos de procedências diversas, quando se fala do shoyu clássico, aquele marrom-escuro, salgadinho e levemente encorpado. Há, porém, - e pouca gente sabe disso -, mais de dois tipos: o especial, mais escuro, salgado e de gosto forte, usado especialmente para o sashimi; e seu absoluto oposto, o macrobiótico, só encontrado nos restaurantes especializados na dieta. É bem leve e - acredite se quiser - de coloração clara, porque não entra em sua composição o caramelo ou glicose queimada, que dão o tom marrom-escuro aos produtos comuns.

A diferença não é grande, pelo menos quanto a ingredientes. Em todas as receitas entram grãos de soja, sal grosso, farinha de arroz, farelo de trigo e glicose queimada ou caramelo. Alguns fabricantes, como a Sakura e a Cepera, por exemplo, acrescentam milho à receita. E a densidade do especial é maior, porque leva menos água.

O processo de fabricação do shoyu também não difere muito de uma empresa para outra.

- Primeiro, fervem-se os grãos de soja até ficarem tenros. Depois eles são moídos e transformados em pasta bem fina.

- Simultaneamente, o trigo ou o milho é tostado até ficar marrom-escuro. A seguir, é moído.

- Os dois produtos (de soja e cereal) são misturados e postos em local aquecido, onde, com a adição do fungo Aspergillus clavatus, tem início o processo de fermentação.

- Resulta uma papa que, misturada ao sal, fermentará por alguns meses - de quatro a seis, segundo Ricardo Nakaya, gerente de marketing da Sakura. Hiroshi Kimura, vice-presidente da Tozan, confirma o prazo. É possível, no entanto, que por razões econômicas o processo seja acelerado com determinadas substâncias químicas. Afinal, pelos métodos tradicionais, o tempo de fermentação chega a dezoito meses.

- Terminada a fermentação, a papa é aquecida a cerca de 90º e prensada, liberando o líquido que será a base do molho.

- Finalmente, adiciona-se água; se for o caso, também o corante e alguns aditivos químicos.

A controvérsia dos conservantes

"No shoyu produzido pela Tozan não entram conservantes", sustenta Hiroshi Kimura. A Cepera também não admite o uso de aditivos. Já nos molhos Sakura e Jimmi, o rótulo especifica (de acordo com a legislação brasileira) os seguintes elementos:

Conservante PI - Trata-se do ácido benzoico, inibidor do crescimento de fungos, leveduras e bactérias. Não provoca danos à saúde, desde que usado dentro dos limites estabelecidos por lei (0,035% do total).

"Mas o excesso dessa substância no organismo pode inibir o crescimento da flora intestinal, formada por bactérias importantes no processo digestivo", adverte o professor Renato Baruffaldi, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. A consequência mais comum do desequilíbrio da flora é a diarreia crônica. Claro que se você ingerir o PI contido no shoyu não correrá esse risco; no entanto, se consumir muitos alimentos industrializados, sofrerá o efeito cumulativo do conservante.

Corante CIII - É adicionado ao caramelo (corante natural) e tem uso liberado pela legislação. Se não for preparado adequadamente, pode reduzir linfócitos e leucócitos, células fundamentais para o bom funcionamento do sistema imunológico.

Glutamato Monossódico - Conhecido comercialmente como aji-no-moto, serve para potenciar o sabor dos alimentos; seu papel é aumentar a sensibilidade das papilas gustativas. Atua, portanto, sobre a língua e a mucosa bucal, e não sobre o alimento. Em pessoas sensíveis, provoca mal-estar e dor de cabeça.

Quanto ao Aspergillus, o fungo que serve como agente fermentador no processo de fabricação do shoyu, não é conservante nem libera toxinas danosas ao organismo. "Como a fermentação precisa ser interrompida num determinado momento, para que o produto se estabilize e se conserve na prateleira, usa-se o conservante já mencionado (PI) para brecar a ação do fungo", explica Iara Carnevalli, nutricionista do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Exatamente por causa do controle de fermentação, a fabricação caseira do molho de soja é difícil.

Mesmo assim, a família Oshima, de Lucélia, interior de São Paulo, produz o shoyu dentro dos cânones tradicionais, com dezoito meses de fermentação e sem qualquer aditivo químico. A raridade, que você precisa conservar na geladeira, é encontrada em dois entrepostos naturalistas de São Paulo.

Poucos nutrientes, mas muito prazer

Se você procura no shoyu uma fonte de vitaminas, proteínas, sais minerais, esqueça. "Apesar de  ter soja como ingrediente, o shoyu é apenas um condimento", observa a dra. Midori Ishii.

Aliás, sua composição deixa isso bem claro: 68% de água; 18 a 20% de sal; 6% de proteínas; 5% de carboidratos; 1% de gordura.

Um condimento rico em sal, já dissemos. Portanto, cuidado: "Importar hábitos alimentares sem critério e, ainda por cima, juntá-los às práticas já estabelecidas pode custar caro à saúde", adverte a homeopata paulista Yoshie Takano. "É comum a pessoa despejar sobre um prato de arroz, feijão, batata frita, bife à milanesa e salada - devidamente temperados - uma quantidade excessiva do shoyu. Nesse caso, certamente haverá exagero no sal."

O mais universal dos temperos não é tão inocente quanto parece. "O sal - ou melhor, o sódio nele contido - é o principal regulador do volume total de líquidos que circulam no corpo", explica o dr. Rubens A. Sallum, gastroenterologista do Hospital das Clínicas, de São Paulo.

Trocando em miúdos, a concentração de sal é um dos fatores que determinam o volume de sangue (bem como de outros fluídos) no organismo. Quando se eleva, aumenta o sangue circulante e, consequentemente, a pressão com que transita pelas artérias. É a hipertensão. Mais do que isso, podem surgir edemas e inchaços resultantes do esforço do organismo para livrar-se do excesso de água e sal. Os edemas, em geral, ocorrem nas pernas e pés, atingindo às vezes os pulmões, onde originam complicações graves.

Para se defender do excesso de sal, o corpo o elimina através do suor e urina; mas, dependendo da quantidade (ou de características individuais), permanece um resíduo prejudicial. Por isso, o melhor mesmo é usar o sal (no nosso caso, o shoyu) com parcimônia.

Para você fazer uma ideia, uma colher de chá de shoyu contém cerca de 750 mg de sódio, mais do que a necessidade mínima diária do corpo humano, como registra o dr. Flávio Rotman em seu livro A Cura Popular pela Comida (Ed. Record). O consumo excessivo de sódio - através do sal e conservantes que contêm esse elemento - é um hábito arraigado no mundo dito civilizado, alerta o médico. De acordo com ele, ingerimos de dez a trinta vezes mais sódio do que necessitamos.

Quem deve evitar o tempero

Vá devagar com ele, portanto, especialmente se o seu organismo tem alguma dificuldade em processar o sal. Incluem-se aqui os seguintes distúrbios:

- Cirrose hepática: o trabalho extra com o metabolismo do sal sobrecarrega o fígado.

- Doença renal: os rins são os grandes responsáveis pela eliminação do sal através da urina. Se não funcionam a contento, provocarão acúmulo de sódio, com todas as consequências já mencionadas.

- Finalmente, o sal é desaconselhável a portadores de hipertensão, pois agrava o distúrbio.

Com todos esses cuidados, você poderá desfrutar o tempero excitante que é o shoyu, sem se preocupar com eventuais prejuízos à saúde. Afinal, como ficou claro, o delicioso molho que veio do Oriente é apenas um condimento. Como tal, deve ser usado para realçar sabores e não atiçar efeitos colaterais indesejados.



(texto publicado na revista Saúde nº 54 - março de 1988)

































quinta-feira, 25 de junho de 2015

Diário de vida: aniversário da imigração japonesa no Brasil


Dia 18 de junho se comemora o aniversário da imigração japonesa quando o navio Kasato-maru atracou no porto de Santos com a primeira leva de trabalhadores que vieram para o Brasil buscando melhorar de vida.

Este ano decidiram fazer uma feira em um shopping perto de casa e gostei muito da iniciativa. Comprei algumas coisas entre as quais um pote de creme a base de sete ervas para dores musculares, um espelho de bolso que amplia a imagem (ótimo para quem usa óculos), mas o que mais me interessou foi fazer uma ilustração que me deixou com cara de personagem de mangá. A primeira vez fiz com o Aquilio e depois decidi voltar uma segunda vez com uma foto de quando tinha treze anos em que estava vestida com kimono e quem fez a ilustração foi o Christian. Em outra banca pedi para escreverem o meu nome com a técnica shodo. 

Hoje encontrei a professora Norie na banca de origami e conversamos bastante. Acabei pegando um par de brincos com a dobradura de tsuru. Para falar a verdade comprei um item em cada banca. A minha mãe teria gostado de ir lá. Acho que participar de eventos da cultura japonesa é uma maneira de estar perto dela. 
























Venda de camisetas





Shodo


Ikebana


Que tal uma massagem relaxante? Tudo de bom!!! 


Uma foto perto dos dois "shishi", guardiões dos templos xintoístas e budistas (石獅子)


Reencontro com a Norie-sam, professora de japonês e origami


A professora Norie ensinando origami para as crianças


Norie-sam contou com a ajuda da amiga Roseli para ensinar origami para as crianças



Norie-sam com seu marido Kyoshi


Norie-sam com a sua amiga Rosana que também é professora


Origami para brincos feitos pela professora Norie



Decoração feita pela professora Norie


Não resisti e peguei esse dado com as cores da bandeira italiana



Kitsune (raposa) -  Não poderia voltar para casa sem um origami de animalzinho


Aumentei o meu grupo de animaizinhos feitos com origami


A Norie-sam é mesmo multifacetada. No último dia da feira ela trabalhou com a pintura shodo


O nome Mateus em katakaná


Os ilustradores de mangá Christian e Aquirio




Versão mangá feita pelo Christian a partir de uma minha foto quando tinha 13 anos


Ilustração feita pelo Aquirio



Outra versão mangá feita pelo Aquirio a partir de uma minha foto de quando tinha 17 anos


Versão mangá de minha mãe feita pelo Christian


Versão mangá de meu pai feita pelo Christian



Versão mãe e filha feita pelo Aquirio





O meu querido Hachiko na versão do Christian 





































terça-feira, 10 de março de 2015

A verdadeira história de Hachiko - Fabio Sakita (Portal do Dog)


Chu-ken Hachiko (o cachorro fiel Hachiko) nasceu em Odate, na província de Akita, no Japão em novembro de 1923. Em 1924, Hachiko foi enviado à casa de seu futuro proprietário, o Dr. Eisaburo Ueno, um professor do Departamento Agrícola da Universidade de Tóquio. A história dá conta de que o professor ansiava por ter um Akita há anos e que tão logo recebeu seu almejado cãozinho, deu-lhe o nome de Hachi, ao que depois passou a chamá-lo carinhosamente pelo diminutivo, Hachiko. Foi uma espécie de amor à primeira vista, pois, desde então, se tornariam amigos inseparáveis!

O professor Ueno morava em Shibuya, subúrbio de Tóquio, perto da estação de trem. Como fazia do  trem seu meio de transporte diário até o local de  trabalho, já era parte integrante da rotina de Hachiko acompanhar seu dono todas as manhãs. Caminhavam juntos o inteiro percurso que ia de casa à estação de Shibuya. Hachiko parecia ter um relógio interno e sempre às 15 horas retornava à estação para encontrar o professor, que desembarcava do trem das 16 horas, para acompanhá-lo no percurso de volta para casa.

Em 21 de maio de 1925, o professor sofreu um AVC durante uma reunião do corpo docente na faculdade e morreu. Hachiko, que na época tinha pouco menos de dois anos de idade, no horário previsto esperava seu dono pacientemente na estação. Naquele dia a espera durou até a madrugada.

Na noite do velório, Hachiko, que estava no jardim, quebrou as portas de vidro da casa e fez o seu caminho para a sala onde o corpo foi colocado e passou a noite deitado ao lado de seu mestre, recusando-se a ceder. Outro relato diz que como de costume, quando chegou a hora de colocar vários objetos particularmente amados pelo falecido no caixão com o corpo, Hachiko pulou dentro do mesmo e tentou resistir a todas as tentativas de removê-lo.

Depois que o professor morreu a senhora Ueno deu Hachiko para alguns parentes que moravam em Asakusa, a leste de Tóquio. Mas ele fugiu várias vezes e voltou para a casa em Shibuya. Um ano se pasasou e ele ainda não tinha se acostumado à nova casa. Foi dado ao ex-jardineiro da família que conhecia Hachi desde que ele era um filhote. Mas Hachiko continuava a fugir, aparecendo frequentemente em sua antiga casa. Depois de certo tempo, aparentemente Hachiko se deu conta de que o professor Ueno não morava mais ali.

Todos os dias ia à estação de Shibuya para esperar seu dono voltar do trabalho, da mesma forma como sempre fazia. Procurava a figura de seu dono entre os passageiros, saindo somente quando as dores da fome o obrigavam. E ele fez isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros. Este começaram então a trazer petiscos e comida para aliviar sua vigília.

Em 1929 Hachiko contraiu um caso grave de sarna que quase o matou. Devido aos anos passados nas ruas, ele estava magro e com feridas das brigas com outros cães. Uma de suas orelhas já não se levantava mais e ele estava com uma aparência miserável, não parecendo mais com a criatura orgulhosa e forte que tinha sido uma vez.

Um dos fiéis alunos de Ueno viu o cachorro na estação e o seguiu até à residência dos Kobayashi, onde aprendeu a história da vida de Hachiko. Coincidentemente o aluno era um pesquisador da raça Akita e logo após seu encontro com o cão, publicou um censo de Akitas no Japão. Na época havia apenas 30 Akitas puro-sangue restantes no país, incluindo Hachiko da estação de Shibuya.  O antigo aluno do professor Ueno retornou frequentemente para visitar o cachorro e durante muitos anos publicou diversos artigos sobre a marcante lealdade de Hachiko.

Sua história foi enviada para o Asahi Shinbun, um dos principais jornais do país, que foi publicada em setembro de 1932. O escritor tinha interesse em Hachiko e prontamente enviou fotografias e detalhes sobre ele para uma revista especializada em cães japoneses. Uma foto de Hachiko tinha também aparecido em uma enciclopédia sobre cães, publicada no exterior. No entanto,quando um grande jornal nacional assumiu a história de Hachiko, todo o povo japonês soube sobre ele e se tornou uma espécie de celebridade, uma sensação nacional. Sua devoção à memória de seu mestre impressionou o povo japonês e se tornou modelo de dedicação à memória da família. Pais e professores usavam Hachiko como exemplo para educar crianças.

Em 21 de abril de 1934, uma estátua de bronze de Hachiko, esculpida pelo renomado escultor Teru Ando, foi erguida em frente ao portão de bilheteria da estação de Shibuya, com um poema gravado em um cartaz intitulado "Linhas para um cão leal". A cerimônia de inauguração foi uma grande ocasião, com a participação do neto do professor Ueno e uma multidão de pessoas.

Hachiko envelheceu, tornou-se muito fraco e sofria de problemas no coração (heartworms). Na madrugada de 8 de março de 1935, com idade de 11 anos e 4 meses, ele deu seu último suspiro no mesmo lugar onde por anos a fio esperou pacientemente por seu dono. A duração total de seu tempo de espera foi de nove anos e dez meses. A morte de Hachiko estampou as primeiras páginas dos principais jornais japoneses e muitas pessoas ficaram inconsoláveis com a notícia. Foi declarado um dia de luto.

Seus ossos foram enterrados na sepultura do professor Ueno, no Cemitério Aoyama, Minami-Aoyama, Minato-ku, Tóquio. Sua pele foi empalhada - para conservar-lhe as formas e submetido à substâncias que impedem a decomposição e o resultado deste maravilhoso processo de conservação está agora em exibição no Museu Nacional da Ciência do Japão em Ueno. Alguns autores dizem que Hachiko, está no Museu de Artes de Tóquio.

Durante a 2ª Guerra Mundial, para utilizar no desenvolvimento de material bélico, todas as estátuas foram confiscadas e derretidas e, infelizmente, entre elas estava a de Hachiko.

Em 1948, formou-se a "The Society for Recreating The Hachiko Statue", entidade organizada em prol da recriação da estátua de Hachiko. Tekeshi Ando, o filho de Teru Ando foi contratado para esculpir uma nova estátua. A réplica foi reintegrada no mesmo lugar da estátua original, em uma cerimônia realizada no dia 15 de agosto.

A estação de Odate, em 1964, recebeu a estátua de um grupo de Akitas. Anos mais tarde, em 1988, também uma réplica da estátua de Hachiko foi colocada próxima à estação. A história de Hachiko atravessa anos, passa de pai para filho, sendo até mesmo ensinada nas escolas japonesas - no início do século para estimular lealdade ao governo e, atualmente, para exemplificar e instilar o respeito e a lealdade aos anciãos.

Na atualidade, viajantes que passam pela estação de Shibuya podem comprar presentes e recordações do seu cão favorito na loja localizada no Memorial de Hachiko chamada "Shibuya No Shippo" ou "Tail of Shibuya". Um mosaico colorido de Akitas cobre a parede perto da estação.

Todos os anos, no dia 8 de março, ocorre uma cerimônia solene na estação de trem de Shibuya, em Tóquio. São centenas de amantes de cães que se reúnem em homenagem à lealdade e devoção de Hachiko. Ao nascimento de uma criança, a família recebe uma estatueta de Akita como desejo de saúde, felicidade e vida longa. O objeto também é considerado um amuleto de boa sorte. Quando há alguém doente, amigos dão ao enfermo esta estatueta, desejando pronta recuperação.

Por causa desse zelo, o Akita se tornou Patrimônio Nacional do povo japonês, tendo sido proibida sua exportação. Se algum proprietário não tiver condições financeiras de manter seu cão, o governo japonês assume sua guarda.


















Hachiko reencontra seu tutor simbolicamente através de nova estátua - Samantha Kelly (Portal do Dog)


Bela homenagem foi desenvolvida pela faculdade de Agricultura da Universidade de Tóquio

A história de amizade de Hachiko com seu tutor, o cientista agrícola e professor universitário, Hidesaburo Ueno, se tornou primeiro um símbolo de lealdade em seu país de origem, o Japão, para então, com o auxílio de Hollywood, ultrapassar barreiras e conquistar o mundo.

Todos os dias tanto quando o professor saia de casa para ir trabalhar de manhã, quanto no momento que ele retornava ao fim do dia, Hachiko estava presente na estação de trem para acompanhá-lo.

Aquela relação tão próxima emocionava a comunidade local que os conhecia e via o quanto eram inseparáveis. Infelizmente, essa rotina foi quebrada quando o tutor sofreu um derrame e morreu durante uma reunião do corpo docente do qual fazia parte.

O que aconteceu depois foi o que realmente transformou Hachiko em um herói nacional. Todos os dias, pelo resto de sua vida, o cachorro esperou por seu mestre e amigo na mesma estação de Shibuya, procurando-o sempre no mar de passageiros que descia do trem. Foram 9 anos e 10 meses até que, no dia 8 de março, ele mesmo faleceu em decorrência da fraqueza que anos na rua lhe causaram e por ter contraído dirofilariose.

Seus ossos foram enterrados juntos com os do professor Hidesaburo Ueno no cemitério Aoyama, em Tóquio, e desde então, anualmente há uma cerimônia em homenagem ao Akita no dia de sua morte. Na estação de Shibuya, onde Hachiko voltou todos os dias, há uma já famosa estátua sua com o intuito de eternizar a história. A estátua atual, construída em 1948, na verdade, é a segunda versão, já que a primeira foi derretida para construir armas na Segunda Guerra Mundial.

Em mais uma homenagem feita em honra do cão, a faculdade de Agricultura da Universidade de Tóquio desenvolveu uma nova estátua que simbolicamente promove o encontro dos dois. Nela, o professor Ueno e Hachiko estão finalmente juntos.

Aceitando o desafio, o artista e escultor Tsutomu Ueda, de Nagoya, realizou um belíssimo trabalho. Essa é a segunda estátua em homenagem à história que o artista faz. A primeira se encontra em Tsu, cidade natal do professor.

Para conhecer essa estátua, os interessados deverão visitar o campus de Agricultura da Universidade de Tóquio.





Os verdadeiros professor Ueno e Hachiko


Hachiko, versão japonesa


Hachiko, versão americana