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quarta-feira, 16 de outubro de 2019
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
quarta-feira, 27 de junho de 2018
segunda-feira, 25 de junho de 2018
domingo, 10 de junho de 2018
terça-feira, 29 de maio de 2018
quarta-feira, 28 de março de 2018
Paternidade em fase de mudança (entrevista com Marcos Piangers)
Cuidar da casa, dos filhos e ainda consolidar uma carreira são responsabilidades que devem ser distribuídas igualmente entre pais e mães. Com a sociedade mudando, esses papéis estão sendo cada vez mais colocados em prática nas famílias brasileiras
Mudanças na sociedade trouxeram grandes benefícios às estruturas familiares. Antes, a mãe tinha o papel de cuidar da casa, dos filhos e do marido. Este, só tinha o dever de trabalhar e garantir o sustento da casa. Hoje, os homens já estão mais envolvidos na vida familiar, são participativos na criação dos filhos e dividem tarefas domésticas com a mulher, que agora virou mãe e trabalhadora. Eles trocam o chope com os amigos pela apresentação escolar das crianças, a TV de domingo pelo passeio no parque. É verdade que muitos ainda não entenderam a importância de sua figura na vida dos pequenos, mas o cenário vem mudando aos poucos. "Um importante passo para que essa mudança ocorra efetivamente é a licença parental", opina Cristina Kerr, CEO da CKZ Consultoria em Diversidade, empresa que apoia corporações realizando programas e treinamentos de diversidade.
Há mais de 70 anos, o benefício de se ausentar do trabalho para cuidar do filho recém-nascido era apenas direito da mulher. Como consequência, ela cuidava sozinha do bebê, das tarefas de casa e enfrentava desigualdade na carreira. Em 1988, foi instaurada a lei de licença-paternidade concedendo 5 dias de folga aos homens. Mesmo sendo visto como um avanço, hoje os dias de descanso ainda são inferiores. Pensando nisso, no ano de 2016, ficou previsto que as empresas que quiserem e aderirem ao "Programa Empresa Cidadã", criado pelo governo - já instaurado em instituições como a AES Eletropaulo e Elektro -, poderiam estender a licença-paternidade para 20 dias. "Essa atitude é fundamental para a desconstrução dos papéis de pai e mãe, o que contribui para diminuir a desigualdade de gênero no mercado", comenta Cris Kerr.
As iniciativas são de extrema importância tanto para o casal quanto para as crianças. O exemplo dado em casa pode ajudar a promover uma sociedade mais igualitária, afetuosa e com conexões verdadeiras entre as famílias.
Fazem a diferença
A Suécia foi o primeiro país a estender a licença-paternidade, estabelecendo 60 dias de descanso. Na Finlândia, pais e mães têm o mesmo direito: três meses para a mulher, três para o homem e mais três para serem compartilhados entre o casal. Já no Brasil, algumas corporações, por decisão própria, estão ampliando ainda mais o benefício, como é o caso da Natura e da grife de roupas Reserva. Elas oferecem 30 ou 40 dias em casa para que o pai possa participar efetivamente. Fica a critério dos próprios aceitarem ou não, Já o Twitter dá direito a 5 meses de licença.
O Papai é Pop
Pai de Anita (12) e da Aurora (5), marido, radialista e escritor, Marcos Piangers (37) é autor do best seller "O Papai é Pop" (2015) e divide com seus seguidores reflexões e experiências pessoais sobre como é ser um pai presente. Com mais de 150 mil livros vendidos pelo mundo, a obra ganhou continuação e está em sua segunda edição. A revista Bem-estar conversou com o escritor que deu sua opinião sobre a mudança nesse cenário.
Como a paternidade mudou sua vida ?
Todo nascimento de um filho transforma nossas vidas e no meu caso, não foi diferente. A paternidade me fez entender o dilema de que estamos trabalhando demais, mas, ao mesmo tempo, precisamos e deveríamos passar mais tempo com nossa família para sermos mais felizes.
Qual a importância da presença do pai na vida dos filhos e na participação familiar?
Estudos dos anos 60 e 70 já mostravam que a participação do pai é importante para a segurança do filho e para a construção neural que acontece nos primeiros 4 anos de vida. Sem falar na ajuda à mãe ao dividir as tarefas. É importante entender que não deve ser 50% e 50%. Devem ser ambos 100%. Por que não faltar ao trabalho para levar o filho ao pediatra? Ou estar nas reuniões da escola? Ninguém ama virar a noite ou trocar fralda, mas são nesses momentos que você constrói vínculos de afeto com a família e, quando olhar o futuro, vai se orgulhar de ter construído um ser humano mais educado, querido e sensível.
Você acha que falta incentivo nas questões relacionadas a paternidade?
Acho! Colocamos ao final de paternidade vários adjetivos: afetiva, participativa, responsável. Mas, tudo isso faz parte da paternidade. Temos que discutir o conceito do que é ser pai e ser pai é estar lá, é participar. É importante que mais livros e pesquisas sejam lançados, pessoas discutam sobre isso no dia a dia e na internet, e quanto mais pais celebrarem os filhos de forma afetiva e participativa, mais teremos esse caminho se multiplicando.
(texto publicado na revista Bem-estar de julho/agosto 2017 nº 35)
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
A potência do amor - Albert Einstein (O Segredo)
FRAGMENTO DA ULTIMA CARTA DE EINSTEIN À SUA FILHA LIESERL !
O AMOR…
Quando propus a teoria da relatividade, muito poucos me entenderam, e o que lhe revelarei agora para que o transmita à humanidade, também se chocará contra a incompreensão e os preconceitos do mundo.
Peço-lhe mesmo assim, que o guarde o tempo todo que seja necessário, anos, décadas, até que a sociedade haja avançado o suficiente para acolher o que lhe explico a seguir.
Existe uma força extremamente poderosa para a qual a ciência não encontrou ainda uma explicação formal.
É uma força que inclui e governa todas as outras, e que está inclusa dentro de qualquer fenômeno que atua no universo e que ainda não foi identificada por nós.
Esta força universal é o Amor.
Quando os cientistas buscam uma teoria unificada do universo, esquecem da mais invisível e poderosa das forças.
O amor é luz, já que ilumina quem o dá e o recebe.
O amor é gravidade porque faz com que umas pessoas sejam atraídas por outras.
O amor é potencia, porque multiplica o melhor que temos e permite que a humanidade não se extinga no seu egoísmo cego.
O amor revela e desvela. Por amor se vive e se morre.
Esta força explica tudo e dá sentido em maiúscula à vida.
Esta é a variável que temos evitado durante tempo demais, talvez porque o amor nos dá medo, já que é a única energia do universo que o ser humano não aprendeu a manobrar segundo seu bel prazer.
Para dar visibilidade ao amor, fiz uma simples substituição na minha mais célebre equação. Si no lugar de E=mc² aceitamos que a energia necessária para sanar o mundo pode ser obtida através do amor multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado, chegaremos à conclusão de que o amor é a força mais poderosa que existe, porque não tem limite.
Após o fracasso da humanidade no uso e controle das outras forças do universo que se voltaram contra nós, é urgente que nos alimentemos de outro tipo de energia.
Se quisermos que nossa espécie sobreviva, se nos propusermos encontrar um sentido à vida, se desejarmos salvar o mundo e que cada ser sinta que nele habita, o amor é a única e última resposta.
Talvez ainda não estejamos preparados para fabricar uma bomba de amor, um artefato bastante potente para destruir todo o ódio, o egoísmo e a avareza que assolam o planeta.
Porém, cada individuo leva no seu Interior , um pequeno mas poderoso gerador de amor cuja energia espera ser liberada.
Quando aprendermos a dar e receber esta energia universal, querida Lieserl, comprovaremos que o amor tudo vence, tudo transcende e tudo pode, porque o amor é a quintessência da vida.
Lamento profundamente não ter sabido expressar o que abriga meu coração, que há batido silenciosamente por você toda minha vida.
Talvez seja tarde demais para pedir-lhe perdão, mas como o tempo é relativo, preciso dizer-lhe que a amo e que graças a você, cheguei à ultima resposta.
Seu pai,
Albert Einstein “
sexta-feira, 19 de maio de 2017
sábado, 11 de março de 2017
Como a vida muda com a morte dos pais... (O Segredo)
Depois da morte dos pais, a vida muda muito. Enfrentar a orfandade, inclusive para pessoas adultas, é uma experiência surpreendente. No fundo de todas as pessoas sempre continua vivendo aquela criança que pode correr para a mãe ou o pai para se sentir protegido. Mas quando eles vão embora, essa opção desaparece para sempre.
Você irá deixar de vê-los, não por uma semana, nem por um mês, e sim pelo resto da vida. Os pais foram as pessoas que nos trouxeram ao mundo e com quem você compartilhou o mais intimo e frágil. Já não estarão presentes aqueles seres pelos quais, em grande parte, chegamos a ser o que somos.
“Quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, este fica preso para sempre.”-Gabriel García Márquez-
A morte dos pais: entre falar dela e vivê-la, existe um grande abismo…
Nunca estamos plenamente preparados para enfrentar a morte, ainda mais quando se trata da morte dos pais. É uma grande adversidade que dificilmente pode ser superada totalmente. Normalmente, o máximo que se consegue é assumi-la e conviver com ela. Para superá-la, pelo menos em teoria, deveríamos entendê-la, mas a morte, no sentido estrito, é totalmente incompreensível. É um dos grandes mistérios da existência: talvez o maior.
Obviamente, a forma como assimilamos as perdas tem muito a ver com a forma como aconteceram. Uma morte das chamadas por “causas naturais” é dolorosa, mas um acidente ou um assassinato é muito mais. Se a morte tiver sido precedida por uma longa doença, a situação é muito diferente de quando acontece de forma súbita.
Também influencia o tempo entre a morte de um de outro: se houve pouco tempo, o luto será mais complexo. Se ao contrário, o lapso for mais extenso, certamente a pessoa estará um pouco melhor para aceitá-lo.
Não apenas é o corpo que se vai, e sim todo um universo. Um mundo feito de palavras, de carícias, de gestos. Inclusive, de repetidos conselhos que às vezes irritavam um pouco e de “manias” que nos faziam sorrir ou esfregar a cabeça porque os reconhecemos nelas. Agora começam a se fazer sentir ausentes de uma forma difícil de lidar.
A morte não avisa. Pode ser presumida, mas nunca anuncia exatamente quando irá chegar. Tudo se sintetiza em um instante e esse instante é categórico e determinante: irreversível. Tantas experiências vividas ao lado deles, boas e ruins, se estremecem de repente e ficam somente em lembranças. O ciclo se cumpriu e é hora de dizer adeus.
“O que está, sem estar”…
Em geral, pensamos que esse dia nunca chegará, até que chega e se faz real. Ficamos em estado de choque e vemos apenas uma caixão, com o corpo rígido e quieto, que não fala e não se move. Que está ali, sem estar ali…
Porque com a morte começam a ser compreendidos muitos aspectos da vida das pessoas falecidas. Aparece uma compreensão mais profunda. Talvez o fato de não ter as pessoas queridas presentes suscita em nós o entendimento sobre o porquê de muitas atitudes até então incompreensíveis, contraditórias ou mesmo repulsivas.
Por isso, a morte pode trazer consigo um sentimento de culpa frente a aquele que morreu. É preciso lutar contra esse sentimento, já que não acrescenta nada e afunda em mais tristeza, sem poder remediar nada. Para que se culpar se você não cometeu nenhum erro? Somos seres humanos e acompanhando essa despedida, precisa existir um perdão: do que se vai para com aquele que fica ou do que fica para com aquele que se vai.
Aproveite-os enquanto puder: não estarão aí para sempre…
Quando os pais morrem, independentemente da idade, as pessoas costumam experimentar um sentimento de abandono. É uma morte diferente das outras. Por sua vez, algumas pessoas se negam a dar a importância que o fato merece, como mecanismo de defesa, em forma de uma negação encoberta. Mas esses lutos não resolvidos retornam em forma de doença, de fadiga, de irritabilidade ou sintomas de depressão.
Os pais são o primeiro amor. Não importa quantos conflitos ou diferenças tenham existido com eles: são seres únicos e insubstituíveis no mundo emocional. Mesmo sendo autônomos e independentes, mesmo que o nosso relacionamento com eles tenha sido tortuoso. Quando já não estão, passa a existir uma sensação de “nunca mais” para uma forma de proteção e de apoio que, de uma forma ou de outra, sempre esteve ali.
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Psicólogos de Harvard revelam: pais que criam "boas" crianças fazem estas 5 coisas - Luiza Fletcher
Nesta era de tecnologia, descobrimos que a educação dos filhos é um pouco diferente dos tempos antes do iPod, iPhone, computadores, Internet, e todos as outras modernidades incríveis que nos consomem. As crianças brincavam nas ruas. Jogavam bola nos campos. Brincavam do lado de fora até que as luzes de rua se acendiam e elas sabiam que tinham que ir para dentro de casa. Nós estamos criando crianças muito diferentes agora do que há vinte ou trinta anos atrás. Mas, talvez seja hora de voltar ao básico.
Este é um mundo novo. As crianças nascidas nessa era automaticamente recebem aparelhos para entretê-las. Mas, onde estamos errando? Psicólogos da Universidade de Harvard vêm estudando o que torna uma criança bem criada nestes tempos de mudanças. Eles concluíram que existem vários elementos que ainda são essenciais.
Aqui estão 5 segredos para criar uma “boa” criança, de acordo com psicólogos de Harvard:
1.Passe tempo com seus filhos
Passar o tempo com seus filhos significa deixar tudo de lado por um tempo, ler um livro, chutar uma bola, caminhar com ele, ou apenas jogar um jogo à moda antiga. Em termos mais simples, isso significa que você interage com sua criança. Estas são as coisas das quais elas vão se lembrar. Elas vão se esquecer do que você comprou. Só querem passar mais tempo com seus pais.
2.Fale com eles em voz alta
De acordo com os pesquisadores de Harvard, “Mesmo que a maioria dos pais diga que o cuidado com seus filhos é uma prioridade de tempo, muitas vezes as crianças não estão ouvindo a mensagem.”
Passe tempo com eles para descobrir o que está acontecendo em sua vida. Verifique com professores, treinadores. Descubra se há uma mudança em seu comportamento. Permita que seu filho se sinta confortável para conversar com você. Seu filho precisa saber que é a prioridade em sua vida. As crianças necessitam de confirmação através de palavras. As palavras são importantes. Converse com elas e compartilhe suas histórias sobre a escola, trabalhos de casa, amigos, e assim por diante.
3.Mostre ao seu filho como resolver problemas sem estressar sobre o resultado
Um dos maiores presentes que você pode dar ao seu filho é a capacidade de analisar e resolver problemas. Deixe seu filho decidir por si mesmo o que ele quer. Você não pode resolver seus problemas o tempo todo. É saudável lhe permitir experimentar a vida através de suas próprias lentes. Conquistas são importantes e, ao lhe permitir determinar o que quer, você o está presenteando com a consciência.
Você quer criar um adulto produtivo. Permita que ele venha até você e compartilhe seus problemas e o oriente a fazer as melhores escolhas possíveis. É difícil dar um passo atrás quando vir filho cometer um erro. Mas faz parte da aprendizagem e da evolução da nossa humanidade.
Rick Weissbourd, que conduziu o estudo, diz: “Estamos muito focados na felicidade de nossos filhos. Estamos fazendo-os se concentrarem apenas em casos de sucesso?” A pressão para a realização pode ter muitos resultados negativos”, diz Weissbourd, que é codiretor do projeto.
4.Mostre a sua gratidão a seu filho regularmente
Os pesquisadores dizem que “os estudos mostram que pessoas que praticam o hábito de expressar gratidão são mais propensas a serem úteis, generosas, compassivas, felizes, saudáveis e perdoarem com mais facilidade.” Os pais devem dar tarefas aos seus filhos e, em seguida, expressarem gratidão por suas realizações. É importante que as crianças vejam que a gratidão é um dom notável. Sempre que fizerem algo, honre-as e as reconheça pelo seu desempenho.
Como pais, é nosso devem ensinar nossos filhos a serem compreensivos e compassivos para com os outros. As crianças aprendem pelo exemplo. Leve-as a um abrigo. Permita-lhes testemunharem como têm sorte de terem uma casa. Ajudar seus filhos é não apenas dar-lhes uma chance de serem adultos surpreendentes, mas também remover o preconceito da intolerância e diferença. Tudo começa em casa.
5.Ensine seus filhos a expandirem a sua visão
Isso remonta à mostrar-lhes gratidão. Deixe seu filho experimentar o mundo através de sua compaixão. Os pesquisadores dizem que “quase todas as crianças empatizam e se preocupam com seu pequeno círculo de familiares e amigos.”
Ensine seu filho a ser um bom ouvinte, a interagir sem o uso de tecnologia, ser compreensivo com outras pessoas fora de sua família, e não julgar qualquer pessoa com base em sua religião ou nacionalidade. Estamos em tempos cruciais da evolução humana, e esta nova geração tem a capacidade de mudar o nosso mundo. Expor seu filho a diferentes culturas ajuda a desenvolver uma pessoa amorosa, gentil e feliz.
Você é responsável por criar almas amorosas. Ajude-as a navegarem neste mundo através da compaixão, amor e bondade.
“Criar uma criança respeitosa, carinhosa e ética sempre pode parecer um trabalho árduo. Mas é algo que todos nós podemos fazer. E nenhum trabalho é mais importante ou mais gratificante.”
domingo, 27 de novembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
A Triste Sina Dos Idosos Órfãos De Filhos Vivos – Os Marginalizados Da Pós-Modernidade (Portal Raízes)
Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões.
A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.
A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.
Separação e responsabilidade
Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas.
Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.
Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável.
Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença. Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos.
O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.
A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões. Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação. Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado.
Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais. Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão. Ou somente uma leve distração.
Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento. Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.
Ensaio da psicóloga Ana Fraiman – Publicado originalmente, com o título “Idosos órfãos de filhos vivos – Os novos desvalidos”, em seu site oficial onde você pode ler este ensaio na íntegra e outros textos superlativos de Ana Fraiman.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Mesada: 7 pecados que os pais cometem - Reinaldo Domingos
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a mesada é uma ótima ferramenta para inserir as crianças e jovens no universo financeiro. No entanto, há alguns erros cometidos pelos pais/responsáveis nessa hora que podem fazer com que tenha o efeito contrário, dando maus exemplos à nova geração.
Se bem aplicada, ao invés de ser um incentivo ao consumo, se torna um meio de educar financeiramente os jovens, que, num futuro próximo, formarão uma sociedade mais consciente e sustentável. Então, com um cenário econômico instável e a proximidade do Dia das Crianças, o momento é extremamente propício para refletir e tratar sobre questões que envolvam a relação desse público com o uso do dinheiro.
Listo abaixo os sete pecados capitais na implementação da mesada, que estão explicados em meu novo livro Mesada não é só dinheiro - Conheça os 8 tipos e construa um novo futuro (Editora DSOP):
1. Desequilíbrio
A criança não deve guardar todo o seu dinheiro para os sonhos. Ela precisa separar 50% de sua mesada para o consumo cotidiano e se dar o direito de comprar algo que deseja - sem excessos. Por incrível que pareça, a disciplina rígida que alguns pais impõem dentro de casa pode acabar transformando seus filhos em crianças obsessivas com o dinheiro e, consequentemente, em futuras pessoas avarentas.
2. Violação
Os pais não podem, de forma alguma, usar o dinheiro que a criança vem guardando para os seus sonhos como empréstimo. Essa recomendação pode parecer absurda, mas existem muitos casos, no âmbito familiar, em que os pais ou responsáveis mexem no cofrinho do filho ou retiram algum valor da caderneta de poupança da criança para pagamento de uma conta da casa ou mesmo para uso particular.
3. Ruptura
Nunca atravesse as etapas de esforço e crescimento de seu filho. Jamais compre o objeto de sonho dele antes que a criança consiga juntar o dinheiro para conquistá-lo. Isso fará com que ele registre na mente, para o resto da vida, a ideia de que não precisa lutar para conquistar as coisas que deseja.
4. Permissão
Aprenda a dizer não, é para o bem da criança. Durante a implementação da mesada, você vai se deparar com a seguinte situação: a criança vai gastar todo o dinheiro antes de o mês terminar. É natural, ela está aprendendo e vai pedir mais quando isso acontecer. Mas ela deve vivenciar as consequências de seus atos.
5. Desmedida
A mesada não pode ser usada nem como prêmio, nem como castigo. Há pais que, por impulso, decidem não dar mesada por um período de tempo ao filho, por mau comportamento ou notas baixas, por exemplo. Ou então, dão a mesada porque o filho fez alguma atividade doméstica. A mesada deve ser respeitada e jamais virar uma moeda de troca ou "barganha" entre pais e filhos.
6. Remuneração
A mesada não é salário. Salários são pagos para quem trabalha e criança não pode e não deve trabalhar. Esse é um dos conceitos que nunca é demais reforçar, para que as coisas fiquem realmente claras. Salário é salário, mesada é mesada!
7. Sonegação
Os adultos devem ensinar as usas crianças, desde cedo, que tudo que compramos deve vir com nota fiscal, desde um chocolate até uma bicicleta. Portanto, não deem o exemplo errado para os seus filhos, negociando uma compra sem nota fiscal para obter desconto.
(texto publicado no jornal Jaguaré nº 208 - ano 18 - agosto de 2016)
domingo, 21 de agosto de 2016
Cuidar de Pais Idosos: As 15 Melhores Formas de Manter a Sanidade Mental (Reviver)
Uma das fases mais complexas, tristes e emocionalmente desgastantes da vida é a altura em que os filhos passam a ter de cuidar dos seus pais.
O nosso artigo - Ninguém Prepara Os Filhos Para o Envelhecimento dos Pais - mostra bem isso, e milhares de pessoas identificaram-se com a nossa mensagem, e partilharam elas próprias as suas experiências, o seu desespero e tristeza. Assim decidimos deixar aqui aquelas que achamos serem as melhores formas de lidar com essa difícil fase da vida.
Aceite Que As Coisas Mudaram - Este é o ponto essencial. As coisas mudaram e o caminho faz-se em frente. Quando um pai começa a depender dos filhos, tudo muda radicalmente, e nada do que conhecia ou fazia antigamente se aplica. Os papéis inverteram-se, as metodologias antigas podem não se aplicar. Prepare-se para começar do zero e acima de tudo aceite que assim é, por muito difícil que seja.
Leve As Coisas Com Calma - Cuidar dos pais numa fase mais dependente é algo que exige calma e discernimento. Não apresse as coisas, porque se não é fácil para si, também não é fácil para eles. Deixe que o processo de cuidar se revele por si próprio. Por muito que controle e lidere o que se passa, siga esse processo e adapte-se naturalmente.
Não Tenha Expectativas Emocionais - Esta é uma fase emocional imprevisível. Se existem pessoas que no final de vida podem abrir-se emocional e espiritualmente, expressando o amor e carinho que sentem por si, também pode acontecer o contrário, e tornarem-se distantes e frios. Isto pode ser mais evidente ainda em casos de demência. Por isso, não tenha quaisquer expectativas emocionais. Se criar uma ligação emocional e carinhosa maior nesta fase da vida ótimo, mas não crie essas expectativas. Lembre-se, tudo muda. Mais vale não esperar nada e ser surpreendido do que ter esperanças e ser arrasado.
Espere a Raiva Deles - Nesta fase os seus pais perdem aquilo que sempre tiveram: autoridade. Essa perda não será fácil para eles, porque para além de ser algo novo, é também um reflexo das suas debilidades. Em casos de demência a agressividade pode ser um comportamento consequente, por isso, espere alguns acessos de raiva.
Dê-lhes Autonomia - A máxima que puder. Por um lado ninguém gosta de se sentir inútil e dependente. Por outro, a preocupação pelos pais por vezes pode tornar-se excessiva e inibir as pessoas. Dê-lhes o máximo de autonomia possível. Dê sugestões e não ordens, porque é importante eles sentirem que continuam a comandar a vida deles e tomarem as suas próprias decisões. Permita que decidam tudo dentro do possível no que diz respeito aos seus cuidados.
Peça-lhes Conselhos - Uma das melhores formas de fazê-los sentir que ainda são importantes para si, de lhes mostrar amor e carinho é continuar a pedir-lhes conselhos no que diz respeito a coisas que se passem na sua vida.
Separe a Disfunção Emocional da Disfunção Cognitiva - As disfunções emocionais provavelmente perceberá facilmente, através das suas conversas e interações. Mas as disfunções cognitivas poderão ser novas para si. Aprenda a reconhecê-las, e reaja cuidadosamente. Discuta estas disfunções cognitivas com os cuidadores profissionais, e lembre-se, esta é uma das fases onde é importante levar as coisas com calma.
Ame Os Prestadores de Cuidados - Não há melhores amigos nesta fase da vida do que aqueles que estão a ajudá-la(o) a cuidar dos seus pais. Seja uma assistente social, uma fisioterapeuta, enfermeira, médico, ou até um vizinho que dê apoio, trate-os todos bem e reconheça a sua importância. É essencial que todos mantenham um ambiente positivo à volta dos seus pais.
Conte Com o Seu Marido/Mulher - Se for solteiro, pode sobrar tudo para si, caso contrário, aproveite a pessoa que ama para dar uma melhor apoio e suporte a esta fase da vida. Por exemplo, por vezes os seus pais podem abrir-se mais emocionalmente com um marido ou esposa, do que com os próprios filhos. Acima de tudo porque nunca foram uma força de domínio e autoridade sobre eles, e por isso pode não lhes fazer tanta confusão a perda de autoridade que sentem consigo.
Proteja Os Seus Pontos Fracos Emocionais - Ninguém melhor que os seus pais conhecem os seus pontos fracos emocionais e sabem como podem afectá-la(o). Se permitir que eles estabeleçam dominância sobre si como uma reacção à perda de autoridade, poderão tirar partido desses pontos fracos para se "vingarem". Não permita que isso aconteça. Acima de tudo deve-lhes os seus cuidados e carinho, mas não lhes deve o seu bem-estar emocional.
Prepare-se Para a Insanidade de Irmãos - É uma fase complicada para toda a família, quando a perspectiva da morte dos pais se aproxima. Muitas vezes as pessoas revelam uma faceta desconhecida, quase sempre por motivos de divisão de posses, dinheiro e testamento. Prepare-se e espere loucuras, mas não participe nelas. Proteja-se o melhor possível mas lembre-se que não há dinheiro ou bem material que valha a sua dignidade.
Cuide de Si Própria(o) - Há uma máxima que é, se não estiver bem consigo própria(o) não conseguirá estar bem para ninguém. Numa fase destas é fácil deixar-se envolver demasiado pelas preocupações e pelos cuidados, mas isso não fará bem a ninguém. Faça de ter um tempo para si e para cuidar de si uma parte importante na sua rotina, para melhor cuidar dos seus pais.
Fale Com Amigos - Desabafar com amigos, alguém que não esteja diretamente envolvido nos cuidados mas oiça, aconselhe e apoie é muito importante. Para além disso, pode também ajudá-la(o) a distrair-se desses momentos mais difíceis.
Divirta-se - No seguimento da amizade, aproveite para se divertir. É importante voltar ao ponto 1 - aceitar que as coisas mudar - e permitir-se a si própria(a) tempo para se divertir, descontrair, despreocupar. Lembre-se que a sua sanidade mental é vital para cuidar bem dos seus pais e que há coisas que não consegue controlar e que o excesso de preocupação não resolve.
Reze ou Medite - A vida não dá fases emocionalmente mais complexas e desgastantes do que a fase de cuidar dos pais. O que está a passar é maior do que você, do que os seus pais ou do que qualquer outra pessoa envolvida. Certifique-se de que consegue manter a sua estabilidade mental, espiritual e emocional, seja através da fé e religião, ou através da meditação.
domingo, 7 de agosto de 2016
Sobrevivendo ao Narcisismo Perverso Materno - Silvia Malamud
Relato redimensionado permitido por paciente
Cenas e mais cenas que me trouxeram um mesmo mal-estar avassalador estão nas minhas memórias e se entrelaçam pelo caminho da minha vida de crescimento junto com a minha mãe. Incontáveis vezes ela literalmente me quebrou emocionalmente, e eu, por não ter a clareza do que estaria acontecendo, apenas me deprimia e sequer tinha a percepção de que poderia me revoltar, brigar, ou mesmo me impor naqueles momentos. Apenas me recolhia profundamente arrasada.
Foram tantas as situações que daria um livro imenso enumerá-las por aqui. Quando comecei a me revoltar, só piorou, ela se tornou extremamente agressiva em suas palavras, usando de outras armas de manipulação e abuso emocional; os ataques foram verbais e muito mais intensos. Ela alegava que eu nunca percebia as situações de modo correto, ou simplesmente argumentava dizendo que tinha se esquecido do que havia acabado de falar e me culpava de não ser uma boa filha... talvez porque naqueles momentos eu começasse a ter lucidez sobre o que não me era permitido ter.
O que pude entender depois de muita terapia? Entendi que o processo é bem assim; toda vez que eu poderia ter qualquer ato espontâneo, seja ele qual fosse, a minha mãe imediatamente fazia o serviço de cortá-lo de modo fulminante. Uma verdadeira castração de tudo que fosse representar a vida pulsando em mim, e não era apenas eu a vítima, eram todos que estivessem ao seu redor. Por conta disso, quando eu ainda estava inconsciente destes processos, por anos a fio, ela teve a maestria de me dar verdadeiros nocautes. E o pior é que eles sempre vinham quando eu me distraía, quando abria a guarda, quando era amorosa e espontânea e amorosa. Ou seja, quando a minha existência aparecia com colorido próprio, quando eu mostrava a minha própria luz.
Seria como se a explosão natural da vida nunca pudesse acontecer em mim, e nas vezes em que acontecia, simplesmente eu não era validada, ao contrário, sequencialmente era altamente desqualificada de modo aberto e quando ela poderia ficar mal vista por outros, mesmo assim, insistentemente ela fazia tudo de forma velada. Sossegava apenas no momento em que notava ter conseguido me quebrar emocionalmente.
Qual foi o resultado disso? Graças aos céus e para a minha própria sobrevivência e não enlouquecimento, acabei intuitivamente buscando referencias em outras pessoas fora do meu ambiente familiar. Como consequência alcancei uma vida repleta de amigos na adolescência e fiz muita coisa que me trouxe alegria plena nestes ambientes. Hoje, porém, noto que fui refém de uma busca excessiva pelo que sempre me faltou, que era poder sentir o prazer que sempre me fora tão podado. Constantemente, busquei olhares de aprovação dos outros e funcionava como se fosse um verdadeiro radar em busca deles. A todo custo precisava ser validada, era insegura sobre as minha qualidades e mesmo de quem eu era, afinal, o que mais me fez falta na vida foi um olhar de conexão, amor e compreensão real. Então, eu passava a maior parte do tempo encantando e seduzindo as pessoas ao meu redor.
Também precisava de muito sexo, porque era na intimidade que eu conseguia ter prazer total sem a ameaça de algum ataque externo. Vale dizer que não tinha nada de consciência sobre estes fatos antes e que estas são conclusões minhas, da minha história pessoal que ainda tem muito a ser processada, estou no meu caminho terapêutico...
O problema é que eu estava viciada nas minhas quebras emocionais, então, reproduzia em meus relacionamentos o mesmo que tinha com a minha mãe, e depois de um tempo, meus namorados acabavam me magoando e eu ficava exatamente como a minha mãe me fazia sentir durante toda a vida, rejeitada e não amada. Acredito que os inconscientes se atraem e às vezes também a gente amplia as nossas percepções sobre o outro porque só sabemos viver da forma que aprendemos, por mais que desejemos mudar as coisas. E enquanto não resolvemos nossas questões, as nossas vivências anteriores mal resolvidas reaparecem em meio de outros coloridos e cenários, mas com o mesmíssimo pano de fundo num looping infindável se não acordarmos a tempo. E sim, com esse pano de fundo emocional ainda não resolvido podemos ser vitimas de abusadores e de pessoas mal intencionadas que nos colocam como reféns na mesma promessa de um amor que nunca virá e da ameaça de abandono e rejeição tão sofrida e vividas por nós.
A busca da terapia foi um divisor de aguas para que eu rompesse com este ciclo viciado de sofrimento sem fim que eu estava vivendo. Depois da consciência de onde eu estava, precisei de ajuda para efetivamente começar a mudar meus cenários para outros tipos possíveis de realidades mais tranquilas e com outras vivencias mais saudáveis sobre o que vem a ser afeto, amor e conexão.
Quanto mais despertos, melhor!
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