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quarta-feira, 6 de julho de 2016
terça-feira, 31 de maio de 2016
Inquilinos do corpo - Daniel Schneider
Você não é você. Você é mais que você. Além de 30 trilhões de células próprias, um corpo saudável abriga 100 trilhões de microorganismos de até 100 mil espécies, Para chamar seu corpo de lar, doce lar, eles pagam um aluguel e tanto: digerem sua comida, produzem vitaminas e o protegem de doenças.
Limpadores
Onde: Olhos
Quem: S. epidermidis
Defendendo o território contra invasores, essa bactéria ajuda as lágrimas na faxina da conjuntiva, a membrana que reveste os olhos.
Fabricantes de cera
Onde: Ouvidos
Quem: S. epidermidis
Junto com a Corynebacterium, produz um pouco de cera - a maior parte, fabricada por glândulas no canal do ouvido, tem enzimas antibacterianas.
Dedetizadores
Onde: Nariz
Quem: S. epidermidis
Aqui, a onipresente bactéria das áreas externas ajuda na defesa do corpo. Sua simples presença inibe ataques de bactérias de pneumonia.
Pedreiros
Onde: Boca
Quem: Várias bactérias
Cada ml de saliva contém 100 milhões de bactérias! A comida acumulada traz espécies como Bacteroides, que causam placas e cáries nos dentes.
Professores
Onde: Garganta
Quem: Streptococcus
A presença dessas bactérias em pequena quantidade estimula as células do sistema imunológico a combater organismos invasores.
Perfuradores
Onde: Estômago
Quem: H. pylori
O ácido clorídrico costuma matar tudo. Mas a bactéria Helycobacter pylori às vezes resiste e provoca feridas na parede do estômago.
Mineradores
Onde: intestino delgado
Quem: Bactérias
As poucas bactérias que sobrevivem ao muco antimicrobial absorvem nutrientes que o corpo não utiliza. Se aumentarem, causam diarreia.
Fabricantes de dejetos
Onde: intestino grosso
Quem: Bactérias
Quilos de bactérias comem o que o corpo não absorve (fibras e celulose). Na fermentação, produzem metade do peso das fezes e os gases do cocô.
Seguranças
Onde: Pele
Quem: Várias bactérias
Alimentando-se de gordura (o sebo da pele), 3 tipos de bactérias liberam substâncias que agem como antibióticos, impedindo a vinda de organismos nocivos.
Turistas
Onde: Genitais
Quem: Lactobacillus
No pênis, os microorganismos só passam pelo local e são logo expulsos pela urina. Na vagina, a bactéria Lactobacillus deixa o ambiente ácido e protege contra candidíase.
(texto publicado na revista Super Interessante edição 248 - janeiro de 2008)
domingo, 22 de maio de 2016
Os ingredientes do seu corpo - Alexandre Versignassi, Renata Steffen e Juliana Araújo
Isto aqui ao lado não é só água, carvão, giz... Isto é você. Seus pelos, seu gosto, seu rosto. Tudo. E na proporção exata. Seu corpo não passa de um amontoado de elementos que não custam nem R$ 150. O que não tem preço, claro, é o jeito que tudo isso se organiza para formar você.
Carbono - 23% - 16 quilos
O que é a vida? O efeito colateral de uma propriedade dos átomos de carbono. Eles se juntam naturalmente em cadeias grandes e complexas. E seu corpo, em última instância, é uma dessas cadeias. Se o DNA fosse uma árvore, o carbono formaria os galhos. E esses galhos somos nós: os vemos na forma de músculos, pele, cabelos...
Cálcio - 1,4% - 1 quilo
Não é só de dentes e ossos que se faz o cálcio no corpo humano. Ok, 99%. O minério mais abundante do organismo (e das salas de aula, já que giz é cálcio puro) tem outras funções tão importantes quanto: sem ele, o sangue não coagularia e não conseguiríamos mover os músculos.
Fósforo - 0,83% - 580 gramas
No nosso corpo, o fósforo está longe de causar explosões. O que ele faz é armazenar e transportar energia dentro das células (e entre elas). Mesmo assim, só 20% do fósforo do organismo está nas células e no fluído em que elas boiam. Os outros 80% combinam-se com o cálcio para formar ossos e dentes.
Nitrogênio - 2,6% - 2,22 litros
O nitrogênio se junta com carbono para formar o ácido nucleico, coisa que você conhece como DNA, a supermolécula que organiza todos os ingredientes destas páginas na forma de uma estrutura bem especial, capaz de criar cópias de si mesma, se reproduzir. Em outras palavras, uma estrutura viva.
Água - 55% - 38,5 litros
Sem água não há v ida porque é boiando na água que as moléculas do corpo se encontram e reagem quimicamente - a transformação de ar em energia via respiração é uma dessas reações. E claro: os 6 litros de sangue correndo aí para transportar nutrientes são 92% água (quase uma Coca-Cola, que é 95%).
Enxofre - 0,2% - 140 gramas
O enxofre não deve ser subestimado e reduzido a um gás fedorento - pelo menos não quando está no organismo. Aqui ele não aparece na forma gasosa, mas sempre ligado a outros átomos. E compõe proteínas como a insulina, que transporta a glicose do sangue para servir de combustível às células.
Cloro e sódio - 0,27% - 195 gramas
Juntos, o cloro e o sódio formam o sal. Mas no corpo eles trabalham separados. São como válvulas: não deixam faltar nem sobrar água nos tecidos do organismo. O sódio também é uma das peças envolvidas na contração muscular - para isso ele atua com o elemento aqui embaixo.
Potássio - 0,2% - 140 gramas
Quando o sistema nervoso envia um sinal para que um músculo seja contraído, começa um movimento dentro das células: o potássio sai e o sódio entra. Essa troca da guarda gera o movimento. Por isso, a deficiência (ou o excesso) de potássio pode causar paralisia.
Metais - 0,009% - 6 gramas
Ferro, zinco, cobre... Você também é feito de metal. O corpo usa 7 deles para funcionar. Ferro é o mais abundante (4,2g): ele se junta com proteínas para formar nossos glóbulos vermelhos, os veículos que transportam oxigênio pelo corpo. O zinco, 2º mais presente (2g), entra na receita dos glóbulos brancos, os soldados do sistema imunológico.
(texto publicado na revista Super Interessante edição 284 - novembro de 2010)
quinta-feira, 30 de julho de 2015
O corpo em harmonia - Regina M. Azevedo
cor
Quando maltratado, o corpo é o hospedeiro perfeito para doenças e ataques psíquicos de toda a espécie. Mais do que uma questão estética, portanto, mantê-lo em equilíbrio é uma obrigação do ser humano.
"Dezessete, dezoito, dezenove, vinte." Ufa!! Mais um lance vencido. Coração na boca, respiração ofegante, dor nas costas, na barriga da perna. Sempre que falta energia elétrica, a resposta invariável do serviço de informações tem sido: "Reparos na rede, cerca de duas horas para o funcionamento normal." Também, quem mandou morar no 13º andar? E tome escada... Coragem, afinal são apenas mais 12 andares (já estou no térreo, depois de galgar o primeiro e o segundo subsolos!), 24 lances de dez degraus cada um, o que perfaz um total de... Deixa pra lá.
E a minha energia, quando vai voltar? Dizem os mais velhos, do alto de sua sabedoria, que a vida começa aos 40, mas o que não nos contam é que, a partir, daí, começam também algumas complicações. Caminho a passos largos para essa "idade de ouro"; pensando melhor, talvez o cansaço me impeça de empreender passos tão largos assim... De qualquer forma, sinto que me aproximo rapidamente; digamos que o tempo é que empreende passadas gigantescas, com rapidez, constância e eficiência. Trinta e sete, trinta e oito, trinta e nove, quarenta. Falta pouco.
Caminhar é um exercício natural do homem, afirmam encorajadoras as revistas dedicadas à boa forma. Natural uma ova, esta bendita escada que o diga!! Afinal, você nasce deitado, primeiro aprende a sentar com ajuda de terceiros e muito esforço; em seguida se põe de quatro, como a maioria dos filhotes mamíferos; levanta-se, enfim, sobre seus frágeis e delicados pés, cai, levanta, cai, levanta, cerca de 1.620 vezes, segundo pesquisas, e então sai andando desajeitado, mais ou menos equilibrado e todo seguro de si... até levar o próximo tombo e esfolar novamente o joelho, pondo em dúvida os benefícios de se manter sobre duas pernas, insistindo nesse exercício sacrificado que é o caminhar.
Você cresce e, em tempos de acomodação tecnológica, passa grande parte do tempo sentado, seja na sala de aula, no carro, diante da TV (com controle remoto!) ou dos games instalados no seu computador. Você namora confortavelmente (sentado) via Internet, não tem mais aquela aporrinhação de ter de se produzir, perfumar, caminhar ou tomar o metrô para encontrar o bem-amado. Pode matar a saudade, superando quilômetros de distância, movendo apenas um dedinho, tocando de leve as teclas do telefone sem fio, que oferece a vantagem extra de uma conversa calorosa (deitado) sob lençóis macios e cobertor peludo.
Todas as engenhocas modernas vão inibindo e minimizando os movimentos naturais do homem. Como diz a cantora Elza Soares, aeróbica praticava-se antigamente enfrentando o tanque de roupa, varrendo o quintal, encerando o chão da cozinha. Minha mãe conta histórias incríveis sobre como, quando criança, tirava água do poço e carregava baldes e mais baldes para lavara louça ou limpar a latrina, que lhe valeram, como recompensa, braços bem torneados. Para a geração videogame, isso deve parecer um relato de tempos bem remotos, próximos à Idade Média. E ainda há quem reclame de não ter água quente na torneira do banheiro...
Atualmente, subir escadas ou ladeiras e até mesmo ficar de pé, numa fila de banco, por exemplo, representam sacrifícios enormes ao nosso acomodado (e algo desengonçado) corpo. Repare só na postura das pessoas quando sentadas à mesa de um bar ou enfileiradas à espera de um caixa atencioso que os liberte da espera interminável. Os pés raramente estão apoiados com firmeza no chão, o peso recai sobre uma das pernas; as costas arqueadas e ombros projetados para a frente dão sinais de cansaço, os braços parecem não fazer parte do conjunto. A fadiga se traduz ainda através das olheiras fundas, a tez pálida, os cabelos descuidados, um verdadeiro esculacho. Assemelhamo-nos a nossos remotos parentes símios. Será que esse desleixo é produto do meio hostil em que vivemos e que temos de enfrentar diariamente para ganhar o pão de cada dia? "Homem primata, capitalismo selvagem", afirma o refrão nos versos irreverentes dos Titãs.
Esgotamento físico e mental é assunto presente nas principais revistas, sejam femininas, masculinas, de negócios, saúde, esportes ou variedades. Estresse é jargão tão comum no vocabulário do nosso dia-a-dia que até ganhou a forma aportuguesada, com um "e" no começo, outro no final. Esse cansaço excessivo, a falta de pique, muitas vezes sem motivo aparente, serão resultantes apenas do desgaste físico que o corre-corre cotidiano nos impõe? Há de fato muita correira, mas podemos nos deslocar mais rápido com a ajuda de um automóvel para cumprir nossa agenda. Assim como nossos aliados de quatro rodas, cada vez mais,geringonças tecnológicas nos acomodam na lei do mínimo esforço; é claro que precisamos coordenar todas as tarefas, e aí a mente entra em ação. Mas por que o corpo padece tanto, se muitas vezes nem é acionado nessa roda-viva diária? Você pode sair da sua cadeira giratória simplesmente moído ao final do expediente, apesar do design anatômico e dos seus tolhidos movimentos...
Corpo, mente e espírito são as três dimensões inseparáveis que constituem o ser humano. Não tenho dúvidas de que o cansaço físico, a falta de energia traduzem também desgastes mentais e espirituais. Corpo em dia, forte, vigoroso, com tudo em cima, músculos superdesenvolvidos, modelagem "localizada"... mas cansado. Atingir a perfeição do corpo para que ele sustente nossos músculos, sangue, pele e ossos será suficiente para sustentar ainda os desafios impostos à mente e as inquietudes experimentadas pelo espírito?
Por ser o suporte material do homem, o corpo muitas vezes é louvado de forma exagerada por aqueles que perseguem obsessivamente a perfeição da máquina humana. Ou relegado a um plano secundário por intelectuais e espiritualistas, pessoas que privilegiam seu lado imaterial e abstrato. Muita cerveja, uísque ou caipirinha estão presentes nas rodas dos bares onde mentes brilhantes discutem os destinos do mundo, resultando em barriguinhas proeminentes, fígado cansado, não raro compondo o visual com barbas e cabelos encaracolados, roupas despojadas e total falta de tempo para cuidar da aparência, o que incluiria necessariamente boa dose de exercícios físicos. Depois de praticar por anos a fio o "halterocopismo" (para quem não sabe, expressão usada para descrever o "dinâmico" gesto de levar o corpo à boca várias vezes seguidas em pequenos intervalos de tempo, numa corruptela do conhecido halterofilismo), sem dúvida o corpo está um caco. Não creio que essa debilidade também possa ser justificada apenas pelo uso excessivo da mente, mas pelos poucos cuidados dispensados à carcaça que serve de suporte ao cérebro gerador das ideias e da imaginação.
Do mesmo modo, alguns espiritualistas igualmente desligados da matéria também descuidam dessa importante morada do espírito, optando por um modelo empobrecido, despido de vaidade, que, mal administrado, resulta em humildade exagerada, auto-flagelação, baixa auto-estima. Somente os que buscam a elevação espiritual como único caminho de suas existências podem se dar ao luxo de relegar o corpo a um plano secundário, vivendo de forma a suprir minimamente suas necessidades. Convém que se resguarde em lugares com infra-estrutura adequada para que possam viver a plenitude de sua espiritualidade (monastérios, ashrams, templos) e que sejam iniciados de acordo com as tradições por mestres habilitados. Sem esse respaldo, um corpo malcuidado e enfraquecido é uma porta aberta para doenças e ataques psíquicos de toda natureza. Conheço uma porção de histórias sobre rituais ou workshops de finais de semana pretensamente espiritualistas que propõem jejuns radicais, expondo seus participantes a flagelos como frio, fome, fome, abstenção do sono, desconforto físico. É claro que, além de proporcionar apenas um tipo malvado de penitência, em dois ou três dias o espírito não poderá aprender muita coisa, preocupado que está em oferecer alguma paz e conforto à vítima dessa falsa espiritualização.
Durante muitos anos relutei em aceitar a necessidade de pôr em funcionamento regularmente esta máquina perfeita que Deus me deu. Afinal, se a mente tudo comanda, porque não manter a energia do corpo em equilíbrio somente à custa do pensamento positivo direcionado para essa finalidade? Aos poucos, descobri que nossas engrenagens, quando usadas de maneira inadequada ou insuficiente, emperram ou sofrem desgastes. Articulações bloqueadas, rins incapazes de exercer sua função filtrante por falta de água no organismo, fígado desgastado pelo constante processamento de alimentos pesados e tóxicos, coração e pulmões trabalhando em potência mínima, inaptos para responder quando solicitados em suas cargas máximas. Extremidades dormentes, pele e cabelos sem viço, unhas quebradiças. O corpo é uma máquina e, como tal, necessita de manutenção, lubrificação, revisões periódicas, acionamento constante, habilidade no trato e muito carinho.
Tempos atrás tive a oportunidade de entrevistar Liu Pai Lin, um mestre chinês de artes marciais, dentre elas o tai chi chuan. Fiquei impressionada com seu vigor físico (ele tinha, na ocasião, 80 anos), a pele lisa, as rugas estrategicamente localizadas. Maior foi a minha surpresa quando ele suspendeu a calça para exibir sua perna a um paciente (mestre Liu também dá consultas sobre práticas da medicina chinesa) e pude examinar sua musculatura bem desenhada, sem uma única variz. Admirada, pedi à intérprete, ao final da entrevista, que lhe dissesse que eu o achara muito bonito. Como um sorriso simpático, ele respondeu amável: "Sua mãe a fez mais bonita que eu; comece a praticar tai chi e aos 80 anos estará muito mais bonita do que estou agora..."
Confesso que a vaidade pesou mais que a saúde na minha decisão. Mesmo assim, só encarei o desafio por causa do estímulo de alguns amigos e, é claro, por minha natural curiosidade. Lembro-me de que cheguei cedo à primeira aula e fiquei encantada com o suave balé ensaiado por uma turma de cerca de 12 alunos, com seus movimentos elegantes e leves, que desenhavam círculos no ar. A quietude, as paredes brancas, tudo recendia paz. Acreditei ser muito fácil reproduzir aquela mágica coreografia. Quando entrei em cena, porém, percebi que não era tão simples assim.
Primeiramente fui colocada sentada sobre o chão, acomodada num pequeno tapete, as pernas e coluna retas. A seguir passamos à prática chamada "exercícios dos tendões", que consiste num alongamento através de uma série de oito movimentos suaves. Lá pela quarta ou quinta vez em que eu repetia os exercícios, senti uma dor terrível na virilha esquerda e reclamei. A instrutora, serena, apenas respondeu: "É assim mesmo, vai doer um pouco; se for insuportável, pare por alguns minutos." Fui aguentando o sofrimento, ansiosa pelo momento em que aprenderia o que chamam de "formas", os graciosos movimentos do tai chi. Aí a coisa se complicou para valer, percebi que não tinha o mínimo domínio sobre meu corpo para executar, com a leveza e a lentidão características dessa prática, os movimentos propostos.
Ao final da primeira sessão, pensava firmemente em desistir e na decepção que os amigos, vitoriosos por me convencerem, experimentariam. Fui falar com a instrutora, a mesma que servira de intérprete na minha entrevista, e ela confirmou minhas temíveis sensações. Apesar de exigir aparentemente pouco esforço físico, os bloqueios do corpo seriam gradualmente vencidos; até lá, poderia doer um pouco aqui ou ali.
Insisti. As formas continuaram difíceis, mas o corpo ganhava mais elasticidade e vigor. Consegui chegar à metade da sequência após um ano e meio de prática. Por motivos estruturais, afastei-me no primeiro semestre deste ano, mas tenho programado voltar a praticar a partir deste mês. Os benefícios incontáveis comprovam que o corpo precisa de movimento para funcionar bem; a prática vai sendo assimilada com naturalidade e deixa de representar um sacrifício.
Para os seguidores da linha adotada pelo mestre Liu, todo o trabalho é feito em silêncio, pois embora os movimentos possam parecer "para fora", na verdade também traduzem um momento de profunda introspecção. Nada de musiquinha de fundo ou qualquer som compassado que nos leve a repetir mecanicamente cada uma das formas. Ocorre ali uma perfeita e agradável integração do corpo, mente e espírito. Em resumo, a própria filosofia do tai chi sintetizada em duas palavras: expansão e recolhimento.
Por isso, nos parecem estranhos alguns tipos de exercícios físicos que desvinculam o movimento em si da atividade mental, inibida por sons altíssimos ou marcação estridente do instrutor através de palmas ou gritinhos. Quanto ao espírito, nem se fale: nesses momentos de furor corporal, deve ter saído para dar uma voltinha... Qualquer que seja a sua idade, procure escolher uma atividade que privilegie essa integração, porque, como já dissemos, as três esferas - corporal, mental e espiritual - são, na verdade, uma coisa só. Curta tudo o que lhe agradar, mas lembre-se de que a comunhão desses três níveis dotados de energias diferenciadas é fundamental para que você esteja inteiro.
Corpos fragilizados são excelentes hospedeiros das energias nocivas. Um corpo doente favorece a confusão da mente e torna-se sujeito a ataques psíquicos; medo, inveja, ócio, raiva e outras tantas qualidades mesquinhas assumem proporções descomunais num sistema minado por doenças ou ideias negativas. Sem o confortável suporte do corpo, o espírito não encontra paz. Por isso, adote o prazer, o conforto, a saúde como metas indispensáveis do seu desenvolvimento intelectual e espiritual.
Proponho agora que você tome um copo de água pura, dê uma volta pelo quarteirão respirando a plenos pulmões e medite um pouco sobre como tem tratado esse seu velho (talvez não tão velho...) corpo que perpetua seus ancestrais e descendentes, além de toda garra, graças e beleza herdada da espécie humana. Tenho certeza de que seu espírito revigorado canalizará as bênçãos do Criador, que ficará mais orgulhoso ainda da sua criação.
Para manter o vigor físico
- Beber dois litros de água pura por dia.
- Fazer cinco refeições leves (incluindo dois lanchinhos entre café da manhã/almoço, almo/jantar - pode ser uma fruta, um doce, um iogurte).
- Andar três ou quatro quilômetros todos os dias (de preferência olhando para dentro de você ou trazendo para dentro de si as paisagens de fora).
- Respirar profundamente.
- Dormir o suficiente.
Para os seguidores da linha adotada pelo mestre Liu, todo o trabalho é feito em silêncio, pois embora os movimentos possam parecer "para fora", na verdade também traduzem um momento de profunda introspecção. Nada de musiquinha de fundo ou qualquer som compassado que nos leve a repetir mecanicamente cada uma das formas. Ocorre ali uma perfeita e agradável integração do corpo, mente e espírito. Em resumo, a própria filosofia do tai chi sintetizada em duas palavras: expansão e recolhimento.
Por isso, nos parecem estranhos alguns tipos de exercícios físicos que desvinculam o movimento em si da atividade mental, inibida por sons altíssimos ou marcação estridente do instrutor através de palmas ou gritinhos. Quanto ao espírito, nem se fale: nesses momentos de furor corporal, deve ter saído para dar uma voltinha... Qualquer que seja a sua idade, procure escolher uma atividade que privilegie essa integração, porque, como já dissemos, as três esferas - corporal, mental e espiritual - são, na verdade, uma coisa só. Curta tudo o que lhe agradar, mas lembre-se de que a comunhão desses três níveis dotados de energias diferenciadas é fundamental para que você esteja inteiro.
Corpos fragilizados são excelentes hospedeiros das energias nocivas. Um corpo doente favorece a confusão da mente e torna-se sujeito a ataques psíquicos; medo, inveja, ócio, raiva e outras tantas qualidades mesquinhas assumem proporções descomunais num sistema minado por doenças ou ideias negativas. Sem o confortável suporte do corpo, o espírito não encontra paz. Por isso, adote o prazer, o conforto, a saúde como metas indispensáveis do seu desenvolvimento intelectual e espiritual.
Proponho agora que você tome um copo de água pura, dê uma volta pelo quarteirão respirando a plenos pulmões e medite um pouco sobre como tem tratado esse seu velho (talvez não tão velho...) corpo que perpetua seus ancestrais e descendentes, além de toda garra, graças e beleza herdada da espécie humana. Tenho certeza de que seu espírito revigorado canalizará as bênçãos do Criador, que ficará mais orgulhoso ainda da sua criação.
Para manter o vigor físico
- Beber dois litros de água pura por dia.
- Fazer cinco refeições leves (incluindo dois lanchinhos entre café da manhã/almoço, almo/jantar - pode ser uma fruta, um doce, um iogurte).
- Andar três ou quatro quilômetros todos os dias (de preferência olhando para dentro de você ou trazendo para dentro de si as paisagens de fora).
- Respirar profundamente.
- Dormir o suficiente.
(texto publicado na revista Planeta edição 287 - ano 24 - nº 8 - agosto de 1996)
domingo, 24 de maio de 2015
Cuidar do corpo e da mente é necessário (Momento Casa)
Uma rotina mais dinâmica e uma alimentação equilibrada contribuem de forma positiva para uma vida mais saudável e prolongada
As pessoas estão mais atentas aos cuidados com o corpo e a mente. Dessa forma, atitudes simples passam a fazer parte da vida e ajudam a manter a saúde em dia. Com isso, todos se sentem mais motivados para exercer as suas funções e responsabilidades do cotidiano e aumentam a expectativa de vida.
Comer melhor, praticar atividades físicas, reunir-se com os amigos são apenas algumas das ações que podem ser concluídas de forma prazerosa e sem restrições.
No entanto, a ciência comprova que algumas medidas saudáveis são essenciais para se viver com mais qualidade. É necessário conhecer mais a fundo algumas delas para poder incorporá-las na rotina.
Um dos fatores imprescindíveis para se ter uma boa saúde é comer bem, mas tenha cuidado com o que se coloca no prato, pois certos alimentos são os grandes responsáveis pela má qualidade de vida das pessoas.
Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Park, nos EUA, concluiu que quem consome mais oleaginosas, ou seja, nozes, castanhas, avelãs, amêndoas e pistache, reduz o risco de males cardíacos entre 25% e 39%, quando ingeridos cinco vezes por semana. Do mesmo modo, no País de Gales, o Centro de Pesquisas Médicas de Cardiff, comprovou que vítimas de ataques cardíacos reduziram as chances em 29% de ter novos problemas ao comer peixe, fonte de ômega 3, pelos menos duas vezes por semana.
Outra atitude benéfica ao ser humano é dormir bem. Ter uma noite tranquila de sono ajuda muito. Um estudo feito pela American Academy of Sleep comprovou que adormecer bem é um dos fatores que auxiliam na longevidade. Na ocasião, participaram 2.800 pessoas, sendo que 46% dos indivíduos que relataram insatisfação com a saúde tinham uma péssima qualidade de sono.
Não é nem necessário dizer que atividades físicas são indispensáveis para quem deseja longevidade e maior cuidado com a saúde. Quando se tem uma vida ativa, longe do sedentarismo, as pessoas ficam distantes de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, entre outros problemas. Em uma pesquisa da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), da USP (Universidade de São Paulo), foi comprovado que a caminhada reduz a pressão arterial na primeira hora e essa queda se sustenta nas 24 horas seguintes. O cérebro também se mantém mais afiado.
Quem não gosta do ambiente de academia não tem desculpas para não se exercitar. Hoje as pessoas procuram áreas verdes para fazer suas atividades físicas. Nesses locais, é possível se cuidar e ficar bastante ativo, além de se tranquilizar e receber boas energias.
Certamente, há um parque ou uma praça próximo da residência e, sendo assim, para não fazer essas atividades sozinho, chame amigos, familiares e vizinhos, pois a presença de pessoas conhecidas torna essa rotina ainda mais dinâmica e prazerosa.
Diante dessas práticas é notório dizer que o ser humano precisa se conscientizar que sua vivacidade depende de atitudes simples, porém importantes para que o organismo se mantenha em funcionamento perfeito e exercendo suas funções corretamente.
(texto publicado no jornal Momento casa - edição 2910 - ano 8 - maio de 2015)
domingo, 22 de fevereiro de 2015
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