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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Diário de vida: O segredo de uma promessa


Como leitora acho que passei por todas as etapas.  O meu amigo e sobrinho adotivo João tira sarro quando digo que eu gostava de ler os livros da coleção Biblioteca das Moças, a série Sabrina, Júlia, Bianca e Barbara Cartland. Sem contar com as fotonovelas que vim a descobrir anos mais tarde que eram na sua maioria traduções do italiano. Só guardei alguns livros e algumas fotonovelas com as estórias mais emocionantes. 

Li vários livros do Sidney Sheldon e também da escritora Danielle Steel que escreveu "O segredo de uma promessa" (The Promise), bem ao estilo romântico, do amor que no final vence todos os obstáculos. 





quarta-feira, 16 de julho de 2014

A voz da geração conectada - Jerônimo Teixeira


Maior fenômeno da atual literatura para jovens, o americano John Green domina a difícil arte de se comunicar com quem vive on-line

Faz pouco tempo que John Green está instalado em seu novo escritório e estúdio, em um bairro de restaurantes e baladas em Indianápolis, no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Há marcas da mudança recente: ferramentas e materiais de construção espalhados pelo estúdio onde grava seus vídeos, e muitas caixas pelas outras salas. No cômodo em que ele concede entrevista a VEJA, latas de refrigerante vazias acumulam-se sobre a mesa de centro, restos de alguma reunião no dia anterior (ou de uma sessão de videogame: a mulher de Green, Sarah - que, aliás, trabalha na única sala bem-arrumada do escritório -, baniu o XBox 360 da casa da família). "Foi nesta poltrona que escrevi todos os meus livros", diz Green. Trata-se de um trambolho cujo estofamento marrom claro está sujo e um tanto puído - e por isso também foi expulso pela sanha saneadora da mulher do escritor. Vai demorar até que a poltrona seja usada novamente não para games, mas para a literatura. Green não tem planos imediatos para um novo livro. "Talvez no ano que vem. Ou em 2016", diz. Neste momento, o autor está empenhado na divulgação do filme baseado em seu grande best-seller, A Culpa é das Estrelas, que estreia nos Estados Unidos e no Brasil em junho. E ainda mantém a produção de vídeos para o Youtube, seu canal mais imediato de comunicação com jovens fãs. Sim, ele faz sucesso nas livrarias e na internet: Green desautoriza os recorrentes vaticínios tecnofóbicos sobre o ocaso da leitura na era digital.

Vlogbrothers, o canal do Youtube que o escritor mantém junto com seu irmão, Hank Green (que acaba de lançar no iTunes um bem-humorado disco de rock, Incongruent), é seguido por mais de 2 milhões de pessoas. O escritor tem números ainda mais polpudos: lançado em 2012, A Culpa é das Estrelas já vendeu 7 milhões de cópias nos Estados Unidos e 1,2 milhões no Brasil. Aqui, seus quatro romances venderam, somados, perto de 2 milhões de exemplares - metade da venda dos sete volumes da série Harry Potter (da qual, aliás, Green é fã). Como nenhum outro autor hoje, Green é o representante literário da geração que se comunica por celular e cultiva relações pelas redes sociais. "Vejo jovens fazendo amigos on-line, e são amizades tão profundas e verdadeiras quanto as que fazemos ao vivo. Isso me parece ao mesmo tempo legal e estranho", diz.

O escritor americano é um fenômeno do vigoroso segmento que, no mercado editorial de seu país, foi batizado de young adult (jovem adulto). A Culpa é das Estrelas ocupa o primeiro lugar na lista dessa categoria do jornal The New York Times. Em VEJA, nesta semana, o livro está no primeiro lugar da lista de ficção - e seus outros três romances também estão lá. É seguro supor que a grife John Green tenha alavancado ainda as vendas de dois outros livros de que ele participa, cada um deles com cerca de 60.000 exemplares comercializados no Brasil - Will & Will (Record), romance escrito em parceria com David Levithan, e a coletânea Deixe a Neve Cair (Rocco), na qual ele participa de um conto. Seus títulos individuais são publicados no Brasil pela editora carioca Intrínseca, a não ser por Quem é Você, Alasca?, seu livro de estreia, lançado pela paulista Martins Fontes (a Intrínseca renegociou os direitos também desse livro e deve relançá-lo no segundo semestre).

A Intrínseca é a casa de outro fenômeno da literatura juvenil, a série Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Embora dispute a mesma faixa etária que a criadora do vampiro água com açúcar, Green é um autor de outra estirpe. Há uma sensibilidade genuinamente literária em seus livros. Seus heróis não são objetos de desejo para adolescentes que suspiram por vampiros ou lobisomens, mas adolescentes comuns, que vivem a rotina comezinha do ensino médio. Green também se afasta de outra vertente costumeira entre livros para jovens hoje: a ficção científica distópica de séries como Divergente, de Veronica Roth, e Jogos Vorazes, de Suzanne Collins. As realidades opressivas que pesam sobre os personagens de Green são aquelas próprias da idade: inadequação, aborrecimentos escolares, paixões frustradas -  e alguns dramas mais pesados: suicídio, câncer. Esse registro realista encanta seus leitores: "John Green mostra que nem todos os finais são completamente felizes. Ele põe realidade no enredo", diz Mayara Barbosa, 18 anos, de Curitiba.

Os heróis de Green têm certo perfil nerd. Pudge, de Quem é Você, Alasca? é um aluno apenas mediano, fraco em matemática (tal como foi confessadamente o próprio Green), mas com uma obsessão por memorizar as últimas palavras de figuras históricas (Thomas Edison: "Lá adiante é muito bonito"). 

Quentin, de Cidades de Papel, é um rapaz esperto mas sem traquejo social que se vê envolvido em um enigma: a garota de seus sonhos desapareceu. Colin, de O Teorema Katherine, é um gênio da matemática que foi dispensado por dezenove namoradas, todas elas chamadas Katherine. A única menina do time é Hazel, de A Culpa é das Estrelas, adolescente que sofre de câncer mas se recusa a ter sua breve vida definida pela doença.

Com 36 anos e pai de duas crianças, Green conserva uma certa agitação pueril própria de seu público leitor. Quando o fotógrafo Gilberto Tadday propôs que ele saísse para fazer um "anjo de neve" nas calçadas geladas da vizinhança, ele topou na hora. VEJA acompanhou a gravação de um vídeo que Green fez para o site da revista de curiosidades Mental Floss, sobre a história das tiras em quadrinhos publicadas em jornais. Diante da câmera, ele é um dínamo: brinca com os elementos do cenário (uma parede cheia de brinquedos) e improvisa sobre o roteiro. "Demorei a encontrar meu estilo no vídeo", diz ele. "Quero ser autêntico, mas preciso de um elemento de atuação. Se me apresentasse assim como sou, seria muito chato". O estilo usual de Green conjuga agilidade - a fala é rápida, a edição é frenética - e muita, muita informação. Na série CrashCourse (Curso Rápido), o escritor condensa, em exíguos dez minutos, temas amplos da história como Revolução Industrial, civilização islâmica e II Guerra Mundial. "Não acredito que a educação on-line poderá jamais substituir uma sala de aula", adverte Green. Os vídeos de história serviriam, diz ele, como uma ferramenta auxiliar. O texto de CrashCourse, aliás, é elaborado por um professor chamado Raoul Meyer, que deu aulas para Green em um internato no Estado do Alabama - matriz da escola de Quem é Você, Alasca?.

Para os fãs, Green não é apenas o escritor, nem somente o sujeito que tem um canal de vídeo engraçado na internet: as duas facetas são complementares e indissociáveis. Os admiradores mais empenhados do autor foram batizados por ele de nerdfighters, algo como "guerreiros nerd". Os nerdfighters brasileiros são bastante ativos. Já se organizaram para levar ao escritor um exemplar de Alasca com várias assinaturas de fãs e uma camisa 10 da seleção, autografada por Pelé. Green conta que fez força, mas não conseguiu disfarçar: entusiasmou-se mais com a camisa do que com o livro. E, se no Brasil só se comenta a exclusão de Robinho do time do Felipão, Green estará decepcionado por outras razões: torcedor do Liverpool, ele queria ver, na Copa do Mundo, Lucas Leiva, que joga no time inglês.

O escritor já comentou, em vídeo, sua admiração com o sucesso que faz no Brasil. Em conversas on-line com leitores brasileiros, Green até teve uma provinha de certa radicalização política recente. Durante as manifestações de junho de 2013, ele tentou argumentar que, sim, era justo protestar por saúde, educação, transporte - mas que os brasileiros não deveriam perder de vista o enorme avanço que a estabilidade econômica permitiu ao país nas últimas décadas. "Não era o que eles queriam ouvir. A maior parte dos jovens nem lembra o que é inflação. Por que ouviriam um velho conservador fazendo o elogio da estabilidade?" Green está, claro, brincando: ele não é, nem de longe, um conservador. Nos poucos comentários que faz sobre matéria abertamente política na internet, suas bandeiras - casamento gay, taxação para grandes fortunas - são próprias do Partido Democrata.

Como escritor, porém, Green se declara um conservador no pleno sentido da palavra: "Minhas escolhas de estilo são tradicionais. Encontro valor nas convenções de gênero: "Em A Culpa é das Estrelas, ele só fez questão de romper com uma convenção dos romances sobre vítimas de câncer - o otimismo. Green não compra uma certa cultura da autoajuda que acredita ser profundamente americana: "É essa ideia de que uma atitude positiva faz toda a diferença, e de que se pode derrotar até o câncer com otimismo. Isso é uma ofensa às vítimas da doença". Já comprometido a futuramente trabalhar com a Fox na produção de Cidades de Papel, Green deu palpites na versão final do filme baseado em seu maior best-seller (vetou, por exemplo, uma estrela cadente brega que apareceria no céu noturno que Hazel admira na cena final). A Culpa é das Estrelas resultou bastante fiel ao veio sentimental do livro, e aconselha-se ao espectadores que levem lenços ao cinema. Mas está lá também, pelo menos em parte, o humor meio mórbido com que Hazel e seu namorado, Augustus - que perdeu uma perna para o câncer ósseo - enfrentam a doença. Filme e livro são melancólicos, mas conservam a leveza e a agilidade que John Green imprime a suas aparições no Youtube. "Pessimismo não é a resposta certa para a condição humana", diz o escritor.




(texto publicado na revista Veja nº 2373 - 14 de maio de 2014)












sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Como largar o emprego e fazer (muito) sucesso - Luís Antônio Giron


Matthew Quick, autor de O lado bom da vida, diz que salvou a si mesmo quando realizou o sonho de ser escritor. Só não esperava vender tantos livros

Em 2006, Matthew Quick tinha 30 anos e uma crise pessoal a enfrentar. Dava aulas de inglês num colégio em South Jersey, nos Estados Unidos. Os alunos o adoravam e ele tinha prestígio com a direção. Mas a rotina o consumia. Tinha outros dois problemas: o casamento com Alicia entrara numa rotina perigosa, e o velho sonho de virar escritor ficava para trás. "Decidi abandonar o trabalho para escrever um livro", disse Quick. "Amigos e familiares achavam que eu estava louco. Como poderia me arriscar dessa forma? Vinha de uma família pragmática, e literatura não fazia parte da lista de desejos de meus pais. Contei com Alicia, que tem uma cabeça mais livre que a minha. Ela me ajudou a tentar outra vida. Até porque precisávamos salvar nosso relacionamento." Alicia também queria ser escritora, e os dois foram viajar por Amazônia, África e, por fim, Grand Canyon. Nada de aparecer enredo para o sonhado livro.

"Não tinha ideias", diz Quick. "Passei três anos vivendo do dinheiro de Alicia, zombado por todo mundo. A inspiração apareceu enquanto passeava pela natureza, numa tarde nublada. Divisei entre as nuvens uma linha de luz. Para nós, americanos, essa linha (silver lining) tem a ver com um provérbio: "Toda nuvem tem um fio prateado de luz". Há sempre uma esperança. De repente, a história do romance me apareceu inteira." Surgia O lado bom da vida (Silver lining's playbook, título cuja tradução para o português poderia ser Diário das linhas prateadas ou Cartilha dos pensamentos felizes). O livro acompanha a vida de Pat Solitano, doente mental de 30 anos. Ao ganhar alta da instituição psiquiátrica, ele quer reconquistar a mulher, mas encontra Nikki, que o convida a dançar com ela e voltar a viver de verdade. "A história de Pat era a metáfora do que se passava comigo", afirma Quick. "Eu tinha 30 anos, era tido como louco e queria mudar a vida. Nikki é a um só tempo meu amor por Alicia e pela literatura."

Não se tratava de um livro comum, muito menos pensado para virar best-seller. "É narrado do ponto de vista de um louco, numa linguagem intrincada", diz. "Sou exigente com o que leio e queria fazer ficção de qualidade. Só não esperava que faria tanto sucesso."

Em 2008, Quick encontrou um agente nova-iorquino com ligações com os influentes estúdios da Weinstein Company. "Antes de o livro chegar às livrarias, ele fechou contrato para que fosse filmado em Hollywood." O longa-metragem estreou em 2012, com enorme sucesso. Estrelado por Bradley Cooper (Pat) e Jennifer Lawrence (Tiffany), recebeu oito indicações ao Oscar e deu a estatueta de Melhor Atriz a Jennifer. Tudo isso ajudou a transformar o romance em best-seller, traduzido para 25 idiomas. Só no Brasil, vendeu 160 mil exemplares. "Os fãs do filme passaram a ler o livro", afirma Quick. "Eles se espantaram ao descobrir como é diferente do filme."

O sucesso trouxe tranquilidade e fortuna ao casal. Alicia Bessette publicou em 2011 seu primeiro livro, o  romance A pinch of love (sem tradução para o português), e Quick consolidou a nova carreira. Aos 39 anos. A conselho de seu agente, escreveu três romances para o público adulto jovem: Sorta like a rockstar (2010), Boy 21 (2012) e Perdão, Leonard Peacock que acaba de ser lançado no Brasil pela Intrínseca. Os três obviamente contam com protagonistas jovens. "Mas é só isso que os distingue dos livros adultos", diz. Não faço diferença entre ficção adulta e jovem adulta. Ela está só na faixa etária dos personagens. Como professor, orientei adolescentes problemáticos. Tinha muito a contar sobre isso."

O personagem-título de Perdão, Leonard Peacock é um jovem de 18 anos que planeja matar um colega que o persegue. Quick conta o progressivo desarme e educação de Leonard. "Toda vez que ocorrem tiroteios numa escola, todos se perguntam de onde surgem esses monstros", diz Quick. "Quis mostrar que a posse de arma gera violência e chamar a atenção para que os adolescentes sejam tratados como seres humanos. É uma história positiva."

Quick esteve no Rio de Janeiro no fim de agosto para se encontrar com os leitores na Bienal do Livro. "Os leitores me contaram experiências de loucura e violência nas escolas", afirma. Nesta semana, inicia a turnê de divulgação pelos Estados Unidos. No último fim de semana, o romance foi recomendado pelo jornal The New York Times. Quick é considerado pelos críticos um autor raro, por harmonizar talento narrativo com a capacidade de atrair milhões de leitores.

Ele mesmo não se identifica com o modelo "autor de sucesso". "Não faço concessões. Meu compromisso é com a verdade do que escrevo. O segredo do sucesso é conseguir contratos com o cinema, não agradar ao público". Em fevereiro, ele lançará seu segundo romance adulto, que sairá no Brasil na mesma época. Quick já assinou contrato de adaptação para o cinema com o estúdio DreamWorks. O livro conta as aventuras de Bartholomew Neill, de 38 anos, um homem com problemas mentais. Ao perder a mãe, não sabe como agir. No fim da vida, a mãe, demente, chamava-o de Richard. Remexendo na gaveta de roupas íntimas dela, Neill acha uma carta dirigida ao ator Richard Gere. Neill então passa a escrever cartas a Gere, como se o ator mantivesse uma conexão cósmica com seu passado. "Sou atraído por figuras desajustadas", diz Quick. "Elas trazem uma versão diferente e iluminadora do mundo. É isto que desejo: mostrar aos leitores que a realidade, como a ficção, nunca deve ser banal."




(texto publicado na revista Época nº 798 - setembro 2013)





quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Diario di vita: Stephen King in italiano


Mi è sempre piaciuto leggere e a scuola ero brava con i temi. E oltre al fatto di amare i libri sono anche insegnante e allora potete immaginare come mi piaceva frequentare le librerie in Italia. Fra i libri che ho comprato ce n'è uno di Stephen King "Stagioni diverse" che mi è piaciuto molto. Il primo racconto che rappresenta la primavera si chiama "Rita Hayworth e la redenzione di Shawshank" che ha dato origine al film diretto da Frank Darabont, "Le ali della libertà" con Tim Robbins e Morgan Freeman. La seconda storia si chiama "Stand by me", ricordo di un'estate" e racconta l'avventura di 4 amici che partono un fine settimana per cercare il corpo di un loro coetaneo che è stato investito da un treno. Pensavano così di diventare eroi. Il film omonimo è stato diretto da Rob Reiner e ha una colonna sonora bellissima.

Il protagonista, Andy Dufresne, ce la fa a scappare dalla prigione di Shawshank



Le scene finali del film "Rita Hayworth e la redenzione di Shawshank"


Scene del film "Stand by me, ricordo di un'estate" 


La copertina del libro che ho comprato in Italia