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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O mal do século não é a depressão, mas a falta de empatia - Thamilly Rozendo (O Segredo)


Então, eu percebo que se fala tanto em depressão, mas pouco em empatia. Damos muita atenção às doenças do corpo, mas nos esquecemos da alma e da mente…

Acredito que, de todos os enfrentamentos que uma pessoa passa, nesse período, a depressão vem a ser o mais difícil deles, por conta da incompreensão.

Nesses momentos, tenho a sensação de que surgem pessoas com aquela necessidade incrível de rotular quem está passando por um momento de luta, no caso, a depressão. Quando eu passei por essa fase, escutei o discurso cansado de que eu precisava ocupar a minha cabeça; também ouvi o tal “isso aí é falta de fé” e que, de certa forma, eu não estava confiando em Deus. Outras vezes, ouvia que eu não estava me ajudando e que “ah, você precisa se levantar dessa cama”, como se isso fosse tão simples.

Quantas e quantas vezes escutei falas que mais me afundaram do que propriamente me ajudaram. Eu já estava me amando de menos e todas essas frases, em tom de “ajuda”, na verdade faziam com que eu me achasse ainda mais o problema, afinal, tudo era tão simples aos olhos dos outros, mas tão doloroso e complicado aos meus olhos. Então, eu chegava à conclusão de que o problema estava comigo.

Cansei-me de tanto escutar a frase: “Existem pessoas em condições tão piores que a sua e você aí, com problemas pequenos e se entregando por tão pouco.” Claro, isso certamente me ajudou bastante (ironia). A verdade é que ninguém entendia o quanto era difícil sair do meu quarto, o quanto eu queria dormir para aliviar aquela dor e ver o tempo passar depressa. Aliás, eu sentia que o tempo não passava e a angústia fazia cada vez mais morada em mim.

E, embora isso tudo tenha acontecido um bom tempo atrás, é triste ver que esses discursos permeiam ainda os dias de hoje. Até quando as pessoas vão acreditar que ir ao psicólogo é coisa de louco? Sabe, eu tenho visto muita gente deixando de procurar ajuda por vergonha, por achar que quem precisa de um psicólogo é realmente louco – ideia totalmente errônea. Mas, que atire a primeira pedra quem não tem nada a melhorar, quem não tem angústias, conflitos e quem não precisa de mudança. Todos nós precisamos, o erro está em procurar ajuda apenas quando adoecemos.

Então, eu percebo que se fala tanto em depressão, mas pouco em empatia. Damos muita atenção às doenças do corpo, mas nos esquecemos da alma e da mente, como se não ter disposição para ir ao trabalho por conta da depressão fosse de fato encarado como preguiça. Não se leva em conta as noites sem dormir por conta da insônia, ou o excesso de sono causado pelos remédios, ou até mesmo a falta de energia.

De uma vez por todas, que fique bem claro que depressão não é frescura, depressão não é preguiça, não é desculpa, não é falta de fé e não tem nada a ver com religiosidade. Depressão é luta.

Por isso, eu partilho da ideia de que o mal do século não é a depressão, mas a falta de empatia.É a incompreensão de pessoas que soltam suas falas que mais doem do que curam, que mais machucam do que saram, que mais pesam do que aliviam, que mais empurram para o buraco do que ajudam alguém a sair dele. Afinal, incompreensão também mata.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Um exame de sangue para diagnosticar a depressão (Melhor com Saúde)


A possibilidade de que exista um tipo de exame para diagnosticar a depressão implica em uma melhora na concepção que se tem dessa doença mental

“Não sei o que acontece, não tenho vontade de nada. A única coisa que quero é ficar só. Por que me acontece isso? Às vezes, parece que vou conseguir levantar a cabeça e seguir em frente, mas outras…. Até mesmo tomar banho é um esforço”.

Estas afirmações são muito típicas das pessoas com depressão: “ninguém me entende”.

Essas pessoas sentem que não há como demonstrar o que está acontecendo e manifestam um profundo sentimento de solidão que aumenta cada vez mais quando alguém comenta a famosa frase “Como você vai melhorar se não faz nada para evitá-lo?”


Talvez esse último seja um dos pensamentos mais dolorosos. As pessoas que sofrem dessa doença e de transtornos mentais se sentem incompreendidas.

No caso dos quadros de depressão, a crença comum é que aqueles que sofrem desse problema são pessoas fracas e covardes. Entretanto, isso não é verdade. O nível de dor que sofrem só acaba sendo suportada porque eles são muito fortes.

É preciso ter muita vontade de viver para conseguir seguir em frente, apesar de se sentir desconectado do mundo. Não há mais provas de sua força de vontade do que essa, seguir em frente.

A razão pela qual se produz esse tipo de interpretação é porque consideramos como doença aquilo que podemos medir ou ver. Desta maneira, as condições que não podemos traduzir em palavras geralmente são subestimadas.

Por essa razão, a possibilidade de realizar um diagnóstico de depressão através de um exame de sangue alivia as pessoas que sofrem desse problema, pois finalmente eles estarão prontos para provar que o seu tormento é real, não é uma má sorte, ou uma falta de atitude.

Pode um exame de sangue diagnosticar a depressão?

Os cientistas da Universidade de Viena sabiam que esse transtorno estava ligado com a serotonina. Esta é a substância que se encarrega de produzir emoções e ideias positivas.

Portanto, as pessoas afetadas pela depressão possuem níveis baixos desse composto. Sendo assim, eles começaram a trabalhar a partir dela.

Lukas Pezawas, diretor do estudo, afirma que descobriram no sangue o processo pelo qual se produz a serotonina.

A proteína SERT, que está presente na membrana das celulares cerebrais, permite o transporte da citada substância. A conclusão é que comprovaram que a proteína está presente também em outras partes do corpo.

Entre eles, destacam-se o intestino e o sangue.

Além disso, funciona da mesma maneira que no cérebro. Graças a ela, pode-se traçar uma “rede da depressão” muito maior do que a que se acreditava. 

Nesse sentido, a quantidade de serotonina contida nas plaquetas será um indicativo do que esta acontecendo no cérebro. Para garantir isso, os pesquisadores compararam os resultados da análise com provas de imagens como, por exemplo, ressonância magnética.
A revolução está cada dia mais perto

A rede da depressão é o que se denomina “rede em modo automático”. Recebe esse nome porque quando se ocupa de ideias complexas, ela se anula.

Entretanto, quando o cérebro está em repouso, essa se ativa.

O que acontece em um processo depressivo é que ela deixa de funcionar da maneira correta, fazendo com que comecem a aparecer pensamentos negativos de maneira automática. Segundo o estudo, bastará um exame de sangue para diagnosticar a depressão.

Isso significará a determinação de uma patologia dignificada. Nunca mais se terá dúvidas sobre a mesma, e os afetados não terão que sofrer juízos de valores sobre sua doença, nem serem mais vistos como pessoas sem caráter, frágeis e de não saberem enfrentar a vida.

Muitos pacientes se queixam de que as pessoas acreditam que eles chegaram nesse ponto por vontade própria, ou por falta de esforço. Nesse sentido, os deprimidos poderão demonstrar a veracidade de seu mal estar através de um simples exame de sangue.

Não obstante, nos gostaríamos de chamar a atenção sobre a importância do apoio familiar às pessoas que sofrem de transtornos mentais.

Quando alguém padece de depressão, sua autoestima abaixa. Assim, se seus familiares e amigos mostrarem incompreensão em relação a sua doença, o problema piora.

Isso é similar a torcer um braço quando esse já está fraturado. A dor da pessoa aumenta. Ninguém merece passar por isso.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Caminhar modifica seu cérebro quando você sofre de depressão (Melhor com Saúde)


Você sabia que a prática de exercícios físicos moderados, mas constantes, pode ajudar a fazer você se sentir melhor se sofre de depressão? Basta caminhar meia hora por dia para aproveitar seus benefícios.

Quando você sofre de depressão, seu mundo tem um outro ritmo. Um cérebro que atravessa este processo experimenta um nível muito menor de atividade e há menos conexões neuronais.

Assim como nos explica um estudo realizado pela Universidade de Illinois (Estados Unidos), a amígdala, a estrutura que atua quase como um sentinela de nossas emoções, se caracteriza por funcionar em um nível muito mais baixo durante os estados depressivos.

Todas estas características têm uma finalidade muito concreta: obrigar-nos a nos centrar em nós mesmos. Tudo funciona na mínima capacidade para que esta introspecção nos permita analisar este mundo interior, compreendê-lo e resolvê-lo.

No entanto, conseguir fazer isso nunca é fácil. Uma depressão não se cura como quem acaba com uma gripe ou infecção. Para superar esta doença é preciso abordar o problema a partir de diversos enfoques.

Em primeiro lugar, se nosso médico assim decidir, seguiremos um tratamento farmacológico, complementando com uma terapia adequada.

Além disso, atualmente os neurologistas focam neste processo falando do que se conhece como neuroplasticidade neuronal.

Experimentar novos estímulos e novas sensações intensas e significativas pode “reativar” nossa conexão neuronal. Algo tão fácil quanto sair para caminhar todos os dias por um cenário natural pode ser muito terapêutico.

A seguir oferecemos todos os dados. Vale a pena levá-los em conta.

Se você sofre de depressão, não se esqueça: saia para caminhar

Scott Langenecker, psiquiatra da Universidade de Illinois, explica que um dos fatores que costumam desencadear uma depressão é o “pensamento ruminante”.

As pessoas passam por épocas em que ficam obcecadas com determinadas ideias negativas e fatalistas.

É como uma melodia incessante. A estes pensamentos negativos vamos acrescentando outros até que geramos um processo emocional tão fatalista que caímos em nosso próprio buraco negro.

Hoje muitos de nós vivemos em cidades. Além disso, nossa área de movimento é limitada.

A rotina, o fato de vivermos em espaços pequenos, ou inclusive o fato de nos relacionarmos sempre com as mesmas pessoas, pode intensificar mais ainda o “pensamento ruminante”.

Tanto é assim que a depressão é muito mais comum em contextos urbanos do que nas cidades menores em que as pessoas estão em contato com a natureza.

É importante ressaltar que não se trata de largar tudo e ir viver em uma montanha. Somente temos que buscar algumas horas para nós mesmos nas quais podemos, simplesmente, nos conectarmos com a natureza.

Se você sofre de depressão, saia para caminhar todos os dias em um parque, em um bosque, em uma praia. A alguma área verde onde exista uma área preparada para andar com facilidade.

O que vamos notar após alguns dias é o seguinte:

Nosso estado de ânimo muda

Quando fazemos exercícios – de fato, basta caminhar durante meia hora – nosso cérebro libera endorfinas.

As endorfinas interagem com os receptores no cérebro reduzindo a percepção da tristeza, da negatividade e inclusive a dor.

Conforme os neurologistas nos explicam, as endorfinas nos oferecem uma sensação de prazer, que muitos descrevem como “a euforia do corredor”.

É uma sensação positiva e energizante que rompe com o pensamento obsessivo e fatalista. Isso nos ajuda a relativizar muitas coisas.

Favorece a conectividade neuronal

Falamos antes sobre a desconexão neuronal associada à depressão. É interessante saber que o exercício físico moderado, mas constante, melhora o rendimento de nosso cérebro.

Algo tão maravilhoso pode ser conseguido de diversas formas.
Em primeiro lugar aparece algo chamado “neurogênese”, ou seja, são criadas novas células cerebrais.

O ritmo cardíaco se regula, o cérebro recebe mais oxigênio e, além disso, favorecemos a liberação de neuroquímicos mais prazerosos, mais positivos e motivantes.

Toda esta “química” interna cria novas células e favorece conexões neuronais mais fortes.

Estes benefícios não serão notados no primeiro dia nem no segundo.Precisamos ser constantes nestas rotinas diárias de exercícios.

Basta sair para caminhar todos os dias durante meia hora, sendo conscientes de que é “um instante somente para nós”.

Um momento de prazer.

Caminhar potencializa nossa criatividade

É possível que você se pergunte de que maneira a criatividade pode ajudá-lo quando você sofre de depressão. Acreditemos ou não, esta capacidade é incrivelmente poderosa para favorecer a melhoria, para ver um caminho mais positivo em nossa recuperação.

Caminhar relaxa. Cada passo que você dá e cada punhado de oxigênio que você recebe estimulam seu cérebro.

Nestes momentos de conexão com si mesmo e de bem-estar conseguimos relativizar muitas coisas. Além disso, pensamos em outras novas.

Todo pensamento novo e positivo é uma forma de ir rompendo as pequenas cadeias que nos aprisionam em nossa prisão depressiva.

É muito possível que, se hoje você sair para caminhar, tenha outra ideia. Esta criatividade não precisa estar relacionada a algo artístico. Falamos da criatividade pessoal que nos ajuda a sair de nossos abismos.

Superar uma depressão não é fácil. No entanto, um dia surge uma expectativa nova, um projeto, um desejo e, mais tarde, uma decisão que muda tudo.

Vale a pena colocar isso em prática. Se você sofre de depressão, saia para caminhar e permita que seu cérebro vá se curando pouco a pouco.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

6 sinais de comportamento suicida (Galileu)


Nos últimos 10 anos aumentou o número de adolescentes e jovens que se matam no Brasil. Veja os principais sinais de alerta

A taxa de suicídio de adolescentes com idades entre 10 e 14 anos aumentou 40% nos últimos 10 anos e 33% entre aqueles com idades entre 15 e 19 anos, segundo o Mapa da Violência 2014. Todo dia, 28 brasileiros se suicidam e, para cada morte, há entre 10 e 20 tentativas. Médicos alertam que é um problema de saúde que não recebe tanta atenção por causa do tabu social. Para ajudar a combater essa epidemia silenciosa, GALILEU conversou com uma série de psiquiatras e psicólogos sobre o problema e elaborou uma lista de seis alertas sobre o comportamento suicida.

1 – Frases de alarme

Existe um mito de que pessoas que falam em suicídio só o fazem para chamar a atenção e não pretendem, de fato, terminar com suas vidas. “Isso não é verdade, falar sobre isso pode ser um pedido de ajuda”, afirma Mônica Kother Macedo, psicanalista especializada em suicídio e professora da PUCRS. Adriana Rizzo, engenheira agrônoma voluntária da ONG Centro de Valorização da Vida (CVV) há 16 anos, já atendeu milhares de ligações de pessoas que pensavam em suicídio. Algumas das frases mais comuns ouvidas por ela foram “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer”. Então, se você ouvir um parente ou amigo falando algo do tipo, preste atenção.

2 – Mudanças inesperadas

Todo mundo passa por mudanças na vida, faz parte do pacote. Mas algumas mudanças podem ser traumáticas quando não estamos preparados para elas. Uma pessoa fragilizada por uma depressão ou outro problema psíquico dificilmente terá condições de encarar uma mudança inesperada, como perder um emprego que considerava muito importante. “Alguém tinha um hobby e abandona tudo, era super vaidoso e fica desinteressado. A mudança de comportamento é o momento em que a gente se aproxima da pessoa para saber o que está acontecendo, porque quem sabe dividindo ela vai entender que é só uma fase”, diz Macedo.

3 – Depressão e drogas

As estatísticas alertam: para cada suicídio, há entre 10 e 20 tentativas, ou seja, quem tentou suicídio está muito mais vulnerável. “Uma tentativa de suicídio é o maior preditor de nova tentativa e de suicídio”, diz o psiquiatra Humberto Correa da Silva Filho, vice-presidente da Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio.

Segundo alerta: quase 100% das pessoas que se suicidaram enfrentavam algum problema mental - a maioria depressão. Quem está sofrendo depressão ou outro transtorno devem receber maior atenção . E, se a pessoa consome álcool ou outras drogas, atenção redobrada. “O maior coeficiente de suicídio se dá por transtorno de humor associado ao uso de substâncias psicoativas, mais da metade dos casos de suicídio. Depressão e consumo de álcool e drogas é responsável pelo maior numero de mortes no mundo inteiro”, afirma o psiquiatra Jair Segal.

4 – Pode não ser só aborrescência

As taxas de suicídio dos jovens brasileiros aumentou mais de 30% nos últimos 10 anos, como explica nosso dossiê da edição de outubro. Mas, muitas vezes o comportamento errático atribuído como típico do adolescente pode ser um sinal de intenção de suicídio. “Existe uma falsa ideia de que a depressão atinge mais pessoas adultas. O adolescente apresenta outros sintomas, ele vai se trancar no quarto, não vai falar com ninguém, e isso vai ser entendido como fenômeno da adolescência normal, já que ele não consegue expressar seu sofrimento de uma forma clara”, explica Segal.

5 – Preto no branco

Somente 15% dos gravemente deprimidos vão se suicidar, mas a depressão severa continua sendo a maior causa do suicídio. Por isso, é preciso ficar atento quando a pessoa demonstra zero interesse na vida ou nos outros. “Para o deprimido, o mundo deixa de ser colorido, é preto e branco. Ele tem baixa autoestima, desinteresse por todos e fica muito voltado para ele mesmo”, explica o psiquiatra Aloysio Augusto d’Abreu. Quando em depressão severa, a pessoa se isola dos outros e não vê motivos para continuar viva. É um alerta de urgência.

6 – Bom demais para ser verdade

Um caso que marcou o psiquiatra d’Abreu foi o de um paciente muito deprimido que simulou uma melhora para passar o final de semana em casa e, lá, usar uma espingarda para se matar. A simulação de melhora é comum em diversos casos de suicídio, então, se uma pessoa que normalmente é deprimida parecer subitamente alegre, é importante acompanhá-la para garantir que ela não tentará o suicídio.

O que você pode fazer?

Segundo o psiquiatra da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio Carlos Felipe Almeida D’Oliveira, o ideal é conversar com a pessoa e não deixá-la sozinha. Ao conversar, procure não falar muito e ouvir mais, já que muitas vezes a pessoa só precisa ser ouvida. “Se possível, acompanhe-a a um profissional de saúde e peça orientação”, diz. Outra medida é retirar acesso de ferramentas potencialmente destrutivas dentro de casa - como arma, remédios e substâncias tóxicas - para evitar o uso delas em um impulso.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Depressão nos cães: saiba o que pode acontecer


Dar carinho e atenção aos pets - além de proporcionar um ótimo sentimento de conexão e amor entre você e seu pet - também pode ser importante para evitar um caso de depressão canina, e os proprietários de cães devem evitar ao máximo passar longos períodos de tempo longe de seus animais - principalmente, nos casos em que o cachorro fica sem nenhum tipo de acompanhante, enquanto o dono está ausente.

Assim como no casos dos seres humanos, problemas de natureza psicológica também podem se manifestar em animais, e a depressão em cães é um diagnóstico cada vez mais frequente no mundo pet. Podendo estar associada a outras questões - incluindo ansiedades e fobias, por exemplo - o estado depressivo de cachorros pode ser desencadeado por uma série de motivos diferentes, incluindo desde uma mudança de ambiente até a recuperação de uma enfermidade mais grave.

Notando a grande quantidade de sinais da depressão em cães, a Universidade de Bristol realizou uma pesquisa para investigar as possíveis causas e tratamento desta doença terrível e, conforme já era previsto, teve a prova desse tipo de problemas em animais como conclusão - contrariando grande parte dos profissionais da área animal que, até então, consideravam a depressão canina um mito. O estudo, apresentado no jornal Biology Letters (especializado na publicação de artigos científicos e descobertas inovadoras da biologia), fez o uso de métricas e observações aplicadas na psicologia humana para chegar aos seus resultados finais, provando que - assim como no caso das pessoas - os animais também podem demonstrar um estado emocional mais vulnerável e sensível a perdas e traumas.

Não tendo raças mais propensas a desenvolver esse tipo de problema psicológico, a depressão canina pode ter muitas razões de ser similares às dos seres humanos (como a perda de uma pessoa próxima ou da liberdade), sendo que muitos dos sintomas e dos tipos de tratamento também podem apresentar semelhança. Confundida com a SAS - Síndrome da Ansiedade de Separação - em alguns casos, a depressão em cachorros também pode fazer com que o pet se comporte de maneira ansiosa e atípica e, justamente por isso, é de grande importância que os donos de cães saibam como observar e identificar os sinais que indicam o estado depressivo de seus bichinhos de estimação. Além de poder adotar medidas para melhorar a qualidade de vida do animal, o proprietário que enxerga os sinais da depressão em que seu pet pode, ainda, facilitar o tratamento da doença - já que (novamente, assim como no caso das pessoas) quanto antes for diagnosticado o problema, mais simples e rápido ele será de solucionar.

Conheça, neste artigo, algumas das principais causas, sintomas e tratamentos para a depressão canina; e aprenda a identificar os sinais de uma tristeza fora do normal no seu cãozinho para que ele se mantenha um amigão contente e saudável.

As causas da depressão canina

Podendo ter variados fatores como desencadeadores do estresse que leva os cães à doença, a depressão canina tem nas mudanças bruscas na vida do pet algumas de suas principais causas. Mudanças na rotina e de ambientes podem facilitar um estado de estranhamento e ansiedade por parte dos cachorros, e isso pode influenciar significativamente para que seu amigão comece a parecer mais desanimado.

Como no caso dos humanos, a morte de alguém muito próximo também pode ser um gatilho para o surgimento da depressão em cães - assim como o afastamento de um de seus amigos pets. Segundo os profissionais da saúde animal, as perdas afetivas são causa de 70% dos casos de cachorros com depressão, portanto, ao se encontrar em uma situação do tipo, fique atento ao seu pet.

A inclusão de outro animal na vida do pet acostumado a ser o único bicho de estimação da casa também é um fator relevante para o aparecimento do estresse no animal, e deve ser levado em consideração.

A perda de liberdade (quando o cão fica privado de caminhadas e passeios constantes, por exemplo) e experiências traumáticas - como cirurgias e atropelamentos - não ficam de fora da lista, e animais que estão em fase de recuperação de alguma doença mais séria também podem apresentar comportamentos alterados de apatia.

O sentimento de solidão ou abandono ainda é uma das principais motivações para que se desenvolva uma depressão em cachorros; já que, nos dias de hoje, o cotidiano frenético vivido nas grandes capitais acaba fazendo com que os donos de pet não possam dar a atenção devida aos seus animais, que passam muito tempo sem companhia e se sentem abandonados. Assim como no caso da suspeita de qualquer outra doença animal, ao notar os primeiros sinais de depressão em seu cachorro, uma consulta deve ser agendada com um médico veterinário, pois, somente ele terá as ferramentas e informações necessárias para identificar um possível problema psicológico, e diferenciá-lo de outras muitas doenças que também podem ter a apatia e a falta de ânimo como sintomas.

Dito isso, podemos citar isolamento, tristeza profunda, falta de apetite e rejeição ao toque físico entre os principais sintomas de um cão deprimido.

Para os donos mais atentos e mais próximos aos seus bichinhos de estimação, não é difícil notar a mudança brusca de comportamento que o animal apresenta; pois, mesmo os cães mais animados e carinhosos, de uma hora para a outra, passam a evitar atividades que costumavam se apresentar como prazerosas (incluindo passeios e brincadeiras com seu proprietário, por exemplo), preferindo permanecer em algum cantinho da casa e completamente isolados. Em alguns casos, o cão chega à automutilação, se mordendo normalmente em extremidades como rabo e patas e causando lesões sérias em si mesmo.

Outro sinal típico do estado depressivo em cães é a intolerância ao toque físico, sendo este um dos sintomas mais fáceis de se identificar; já que um cão deprimido tentará evitar a todo custo os carinhos e manhas feitos pelo seu dono - que antigamente eram recebidos com alegria e entusiasmo. Portanto, ao notar que seu pet está apático e agindo de acordo com os comportamentos descritos acima, preste atenção; e agende uma consulta com um profissional veterinário o quanto antes.




(texto publicado na revista Leve & Leia nº 141 - ano 10 - setembro/outubro de 2016)

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Limão: numerosos benefícios para a saúde - Izaara Alvarenga


O limão é um poderoso aliado da saúde, ajuda a combater várias doenças e prevenir outras.

No Brasil, as variedades mais conhecidas são: limão-tahiti, limão-cravo, limão-galelo e limão siciliano. Uma das importantes ações do limão está relacionado a substância chamada d-limoneno, presente na casca do limão, um princípio ativo, que ajuda a combater a ansiedade, a depressão ou o cancro, para além de dissolver cálculos renais e desentupir as artérias.

Outra atividade relacionada ao limão é  seu poder de reduzir o colesterol, ácido úrico, combatendo radicais livres e retardando o envelhecimento. Colabora para que o sistema imunológico fique mais ativo contra agentes externos. Ajudando na regeneração de tecidos inflamados.

Usado também na cozinha e no tratamento pela aromaterapia o limão é: refrescante, combate esgotamento mental, estimulante. Existe também a dieta do limão.

A fruta é extremamente rica em vitamina tipo C, sais minerais (fósforo, cálcio e ferro), possui baixo teor de calorias. 100 gramas de limão possui aproximadamente 25 calorias.



(texto publicado na revista Atual edição 173 - ano 16 - setembro de 2016)

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Da depressão ao pódio - Lucas Faraldo


Rafaela Silva, Diego Hypolito e Poliana Okimoto tiveram de superar o distúrbio para ganhar medalha na Rio 2016. São exemplos de superação que podem ajudar outros pacientes

Rafaela Silva, Diego Hypólito e Poliana Okimoto, além das medalhas conquistadas na Rio 2016, têm ao menos mais uma semelhança: superaram diagnósticos de depressão para chegar ao pódio no maior evento esportivo do planeta. E podem agora servir de inspiração - e salvação - para pacientes que sofrem do distúrbio.

Antes de mais nada, é importante enfatizar que depressão não é "frescura". Baixa autoestima, perda de interesse em muitas atividades e dores sem motivo aparente levam ao suicídio até 7% dos adultos diagnosticados, segundo estudo publicado em 2014 pela Universidade de Oxford, dos Estados Unidos.

Sempre que um atleta é confrontado com desafios, ele acaba sofrendo um bloqueio. Para superar as provas, tem de impedir que os acontecimentos ruins voltem à tona - explica Vinicius Hirota, professor de educação física com ênfase em desenvolvimento humano.

E bloqueios dos mais diversos foram superados por Rafaela, Diego e Poliana. A judoca, vítima de ataques nas redes sociais após ser derrotada em Londres 2012, se afastou dos tatames, pois só conseguia chorar ao pensar em judô. O ginasta foi demitido do Flamengo depois de falhar em Pequim 2008 e Londres, perdeu dez quilos e foi hospitalizado por conta de ansiedade elevada. A nadadora, que abandonou a prova da maratona aquática em 2012 com quadro de hipotermia, cogitou encerrar sua carreira antes da Rio 2016.

- A depressão ameaça não só a carreira esportiva de uma pessoa, mas a própria vida dela - sintetiza Eduardo Cillo, psicólogo esportivo.

- Esse exemplo dos medalhistas é fantástico. Quantas medalhas foram concorridas em mais de 100 anos de Olimpíadas? Pouquíssimas comparadas ao número de competidores. Isso é uma história de superação, mostra que os atletas sofreram, mas treinaram, se dedicaram e aí o resultado foi positivo - aponta Hirota.

E o que são esses atletas senão pessoas dando a volta por cima em algo no qual sentem prazer em praticar? É justamente nisso que pacientes diagnosticados com depressão podem se espelhar. Afinal, também são pessoas buscando superação.

- As medalhas desses atletas têm um valor muito grande para uma pessoa que está passando por dificuldade - diz Cillo, que complementa:

- O que mais emociona na história desses três esportistas é ver que o momento ruim ou o momento no qual não vemos saída ou esperança não é necessariamente o fim. É um momento. Se tiver paciência, cuidado, a gente pode sair dessa situação e voltar a ter momentos de felicidade plena na vida. Isso não só para o atleta, mas para qualquer pessoa. Isso é emocionante, dá esperança.


(texto publicado no jornal Lance! o diário da olimpíada de 18 de agosto de 2016)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Os benefícios da crise


Pesquisas recentes sobre traumas têm incluído um olhar para as consequências positivas das experiências traumáticas, principalmente no que diz respeito aos efeitos sobre o desenvolvimento da personalidade pessoal e o crescimento interior.

Alguns dos sintomas e sinais de uma crise e de uma trauma são semelhantes - por exemplo, tristeza, isolamento, confusão, oscilações de humor podem estar presentes nos dois casos. No entanto, a direção que uma ou outra situação toma não o é. Por isso, é de grande importância distinguir o enfrentamento de uma crise, em que se mantém viva a possibilidade de superação, transformação e crescimento, de um processo de traumatização, em que, ao contrário, a pessoa passa a viver a paralisia e o congelamento internos que a imobilizam em torno do evento que não foi possível elaborar.

Elisabeth Kübler-Ross (1983) trabalhou, por longos anos, com pacientes terminais e distinguiu cinco diferentes etapas possíveis de serem atravessadas no processo de enfrentamento da proximidade da morte, bem como do luto enfrentado pelas pessoas que perdem entes queridos. Se tonarmos o luto como a elaboração de perdas, quaisquer que sejam elas, podemos reconhecer essas etapas na base de várias diferentes crises a que estamos sujeitos em nossa vida humana.

De forma bastante resumida, a primeira fase é a da não aceitação e do isolamento. Em geral, num primeiro momento as pessoas ficam entorpecidas pelo choque ou pela dor. Podem surgir atitudes como negação e recusa de enfrentar a situação, que funcionam como um mecanismo de defesa contra aquilo que ainda não é possível suportar. Numa segunda fase, podem surgir raiva e tristeza pela perda sofrida. Nessa etapa, é comum que se manifestem sentimentos de vazio, irritabilidade e agressividade, questionamentos sobre o sentido da vida, desapontamento, preocupação, assim como a busca por culpados e perguntas do tipo: "Por que ele (a) se foi?". A raiva, nessa fase, é um sentimento natural de externalização da revolta e uma reação contra o sofrimento impingido. A terceira etapa do processo de luto é designada como fase da negociação ou barganha. Por vezes, está ligada a fortes sentimentos de culpa ou ao arrependimento por ações feitas, bem como por aquilo que não foi realizado. É possível que surjam fantasias, especialmente nas crianças, de que essas ações ou omissões foram determinantes para o que ocorreu - "minha avó se foi porque eu era malcriado com ela", "se eu tivesse sido mais amoroso, minha esposa não teria adoecido". Se a pessoa está doente e vê a proximidade da própria morte tenta fazer promessas ou negociações - com os profissionais que cuidam dela e até com Deus - com o objetivo de manter as coisas como eram até então.

Um possível quarto estágio do processo de luto é a depressão. Ela tanto pode ser reativa como preparatória. A depressão reativa ocorre quando surgem outras perdas devido à morte, por exemplo, prejuízos financeiros, mudanças de status e de padrão de vida, bem como a perda de papéis no âmbito do grupo familiar. Já a depressão preparatória é o momento em que a aceitação está mais próxima, porque há processos retrospectivos, de balanço e de reflexão que, embora possam produzir abatimento e tristeza, já significam a elaboração do ocorrido. O último estágio é, por fim, o da aceitação. Quando se chega a ele, surge uma maior serenidade frente à morte, à perda e à separação. É o momento em que é possível expressar de forma mais livre os sentimentos, emoções, frustrações e dificuldades enfrentados e com isso de fato elaborá-los. Esses estágios não são regulares e podem ser vividos ou não de acordo,  mais uma vez, com as características pessoais de cada indivíduo.

Todas essas etapas precisam ser adequadamente atravessadas para que uma pessoa supere a vivência difícil e a vida para prosseguir. Os recursos e suportes necessários para as diferentes etapas devem ser propiciados, a fim de facilitar a evolução do processo. Às vezes, são coisas bem simples, como haver liberdade de expressar a raiva e todos os sentimentos experienciados, por mais difíceis e negativos que eles possam parecer. Também a presença de uma rede de apoio, como familiares, amigos e profissionais bem preparados vinculados à pessoa ou à situação enfrentada, é de grande e fundamental importância.

Sintomas

Caso as etapas de elaboração de uma perda ou da confrontação com uma realidade difícil não transcorram de tal forma satisfatória, um trauma pode se instalar. BerndRuf (2014) aponta para quatro etapas de desenvolvimento e efetiva instalação de um trauma. Ele diz que depois de um evento potencialmente estressor e que representa uma sobrecarga para o indivíduo, segue-se uma fase de choque com duração de um a dois dias. Aí podem se manifestar sintomas diversos, como uma experiência distorcida do tempo e do espaço, distúrbios perceptivos e diversas reações psicossomáticas (alergias, cefaleias, problemas digestivos, queda da imunidade etc.). Amnésias ou, ao contrário flashbacks recorrentes podem ocorrer. Atendi uma senhora que perdera o marido repentinamente por conta de um câncer agressivo que já havia evoluído muito quando foi descoberto. O único filho do casal, que tinha então 12 anos de idade e era extremamente apegado ao pai, reagiu aos poucos à perda de forma positiva, no entanto não se lembra de absolutamente nada do período que compreende a internação do pai, sua morte dez dias depois e as duas semanas seguintes. Aparentemente, ele elaborou bem o ocorrido depois disso, mas todas as lembranças desse período se perderam, sendo parcialmente reconstituídas em função dos relatos das pessoas próximas.

As oito semanas seguintes (aproximadamente) costumam ser decisivas para um bom encaminhamento do processo de elaboração. Começa a haver uma confrontação com a realidade e uma tentativa de integrar o que ocorreu. No entanto, sintomas relativos ao choque podem continuar se manifestando, embora de forma cada vez mais intensa. São eles: paralisias ou hiperatividade, depressão ou agressividade, medos e preocupações, pesadelos ou sonhos com o que aconteceu, problemas de concentração, isolamento, distúrbios do sono e da alimentação. É comum que as pessoas passem a evitar tudo o que pode lembrar o evento impactante, sejam locais, objetos, outras pessoas ou mesmo pensamentos e sentimentos. Para muitos, a experiência é de um certo congelamento interno, um amortecimento, e de vazio. Esses sintomas podem desparecer paulatinamente e se perder no período de quatro a oito semanas. Caso persistam além desse tempo, é possível que a pessoa desenvolva um distúrbio traumático. Nessas situações, cada sintoma pode se transformar em uma doença independente. O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma das consequências mais comuns dos traumas e precisa de tratamento.

Mais a longo prazo ainda, no caso de persistirem e se repetirem as experiências traumáticas ou mesmo os sintomas desencadeados pelo evento estressor, indicando que a experiência não pôde ser transformada, a estrutura da personalidade como um  todo fica ameaçada e é possível que sofra mudanças profundas e permanentes.

Vítimas que chegam a esse estágio crônico podem se sentir sob constante ameaça e tensão. Por causa disso, é comum que apresentem atitudes como hostilidade, agressividade, conformismo extremo, perda de sentido da vida, fracasso profissional ou nos relacionamentos, isolamento social e quadros depressivos. Outra consequência possível é um distorção nos valores e traços de caráter. É frequente que vítimas se tornem algozes. De forma incontrolável essas pessoas repetem o que ocorreu, seja sofrendo novamente a mesma situação seja infligindo sofrimento aos outros.

Luto ou reação traumática?

Para que um evento traumático seja superado, deveria se seguir a fase inicial de choque, em que se fazem presentes um certo atordoamento e atitudes caóticas, uma fase de reação, na qual a pessoa já consegue confrontar com a realidade, na tentativa de integrar o que ocorreu. Então, tem lugar uma fase de adaptação, em que se procuram compreender e esclarecer o que foi vivido, o que, se for um processo bem-sucedido, implica na dissolução do trauma. Todos esses estágios encaminham-se para uma fase de reorientação, quando a vida é reorganizada e surgem novas potencialidades e possibilidades. Esses estágios são semelhantes à fase de elaboração do luto.

Apesar da grande semelhança entre os processos de luto e de trauma, há também diferenças marcantes. Segundo Levine e Kline (2010), ao passo que o luto nem sempre está relacionado a um trauma, todo trauma compreende um processo de luto.

Vejamos algumas diferenças marcantes entre um e outro. Enquanto que na reação de luto se manifestam sentimentos de tristeza sem que estes agridam a autoimagem e a autoconfiança da pessoa, a reação traumática conduz a sentimentos de impotência e perda de segurança e confiança no mundo e em si mesmo. Ao passo que o luto leva à tristeza, mas essa pode se expressar, é comum que no trauma as pessoas sofram em silêncio.

Os sonhos podem ser observados na fase que se segue a um evento difícil e trazem informações importantes sobre o processamento do ocorrido. Enquanto que nos casos de luto é comum que principalmente as crianças sonhem com os falecidos, nos sonhos que emergem em meio a processos de traumatização o que é frequente é que elas sonhem consigo mesmas como sendo as possíveis vítimas dos acontecimentos.

Finalmente, um importante traço a ser observado é que os sinais e sintomas que se apresentam ao longo de uma vivência de luto vão sendo amenizados e desaparecem com o tempo, ao contrário do que ocorre nas vivências traumáticas que não são elaboradas, nas quais, com o passar do tempo, se apresentam um aumento e a intensificação dos sintomas provenientes do choque.

Situações limitadoras

Ora, não são apenas situações extremas, de grave comprometimento psíquico, que afetam a vida das pessoas, limitando suas possibilidades e experiências. Muitos pacientes chegam ao consultório se perguntando qual é o seu trama, o que teve um poder tão forte de paralisar áreas inteiras da sua vida. Suas histórias de vida carregam, sem dúvida alguma, dificuldades, mas algumas áreas funcionam bem, enquanto outras estão comprometidas - por exemplo, é possível que alguém se realize profissionalmente, mas perceba uma enorme desordem em sua vida afetiva; ou pode ser que embora com uma vida familiar razoavelmente equilibrada, se desespere em não conseguir se expressar em outras áreas, como do trabalho, da sexualidade ou socialmente.

Muitas vezes essas pessoas já associam certos sofrimentos vividos aos bloqueios que experimentam no momento presente e vêm em busca de se certificar disso, entender melhor seus impedimentos e desatar nós, de modo a poderem viver de forma mais plena.

De fato, não são apenas traumas que paralisam ou tolhem nossas vidas. Em outros níveis mais brandos, as rupturas ocorridas no aparato psíquico que não tiverem sido completamente superadas podem continuar manifestando seus efeitos, principalmente sob a forma de bloqueios de energia psíquica e da criatividade, para viver de forma satisfatória e que corresponda às aspirações internas pessoais. O caminho para essa realização pessoal encontra-se repleto de obstáculos.

Tal como na teoria psicanalítica, Jung, discípulo de Freud, que depois se afastou dele, criando sua própria teoria, a Psicologia Analítica, estudou com especial interesse as situações traumáticas, chegando, então, a um conceito que hoje já faz parte de nosso vocabulário, a noção de complexos. Segundo Jung, os complexos são grupos de conteúdos psíquicos que se separam da consciência devido a situações traumáticas ou não elaboradas. Uma vez que a consciência não consegue lidar com tais conteúdos, precisa retirá-los do seu campo de ação.

Segundo Stein (2006), Jung descreve a estrutura do complexo como sendo composta por um núcleo formado por esses conteúdos que foram retirados da consciência - imagens associadas ao evento traumático e memórias congeladas e reprimidas -ao qual vão, então, se associando novas experiências de teor emocional idêntico. Por exemplo, à emoção decorrente da experiência de abandono paterno é possível que uma pessoa vá associando ao longo da vida outras experiências - e suas respectivas imagens e emoções - de abandono ou ruptura com outras figuras de autoridade e apego, sejam elas um chefe, o marido, amigos e assim por diante.

O efeito disso é que os complexos vão se fortalecendo e passam a restringir cada vez mais a liberdade de atuação da pessoa, roubando sua possibilidade de escolha e de decisão. Os conteúdos encapsulados e apartados da consciência irão determinar que a pessoa não disponha de seus recursos internos para lidar com determinadas  situações. A simples suposição de um abandono, por exemplo, pode disparar certas atitudes defensivas, que além de estarem repletas de ansiedade, medos e sofrimento, não são eficazes e talvez até desencadeiem de fato aquilo quer mais se deseja evitar.

Tal como os sintomas, os complexos são indicativos de bloqueios no curso de energia psíquica, são sinais de alarme de que algo essencial não está indo bem no campo da psique. Suspender o bloqueio e ampliar a consciência é de fundamental importância para lidar com as restrições e a falta de liberdade que sintomas e complexos impõem.

Amadurecimento

Se existe um ponto de confluência para todas essas diferentes situações é o potencial que  elas carregam de, uma vez atravessadas, representarem uma transformação indescritível na vida, um divisor de águas que representa um enorme crescimento, um ponto a partir do qual a vida realmente ganha sentido.

Retomando a analogia inicial da psique com o corpo físico, podemos dizer que assim como o organismo pode sair fortalecido de uma doença ou trauma que superou, também podemos amadurecer internamente e nos fortalecer ao atravessarmos uma crise. Muitas pessoas relatam mudanças realmente significativas em suas vidas depois que superaram experiências difíceis ou traumáticas. É possível que todos nós saibamos por experiência própria que crises existenciais e golpes do destino, quando elaborados positivamente, nos ajudam a crescer.

Por muito tempo, as pesquisas sobre traumas concentraram-se quase que exclusivamente nos efeitos psicopatológicos de tais experiências. Mais recentemente, no entanto, tem-se incluído nesses estados um olhar para as consequências positivas das experiências traumáticas, no que diz respeito aos efeitos sobre o desenvolvimento da personalidade pessoal e o crescimento interior.

O que se tem verificado nos estudos científicos recentes é que o risco de distúrbios psíquicos guarda uma relação equitativa com a configuração de oportunidades e chances de desenvolvimento na vida das pessoas atingidas por situações indesejadas e impactantes. Isso significa que um choque ou trauma também pode mudar a vida positivamente.

Segundo Viktor Frankl (1998), o fator essencialmente impulsionador para o ser humano é a busca de sentido para a vida. No momento em que uma pessoa se pergunta sobre o sentido da vida, ela expressa o que há de mais essencialmente humano em si mesma.

Semelhante à noção de individuação de Jung, essa busca pelo sentido da vida diz respeito à tentativa de encontrar aquilo que exprime a própria unicidade e integralidade, a realização como indivíduo singular, capaz de viver da forma mais plena e autêntica possível.

Ora, um dos fatores essenciais da resiliência é justamente a possibilidade de constituir novos sentidos. É apenas quando a pessoa integra o ocorrido, simbolizando e interpretando o que ocorreu numa perspectiva de crescimento pessoal, é que ela volta a encontrar motivação para seguir vivendo.

Sendo assim, entendemos que tudo que propiciar e favorecer a retomada do sentido, incluindo aí uma revisão total de valores e a construção de novos significados e de entendimentos da vida, propiciará a retomada do equilíbrio psíquico e poderá significar até mesmo uma condição de mais saúde mental. Como muitas pessoas acabam descobrindo, a desconstrução e reconstrução desses sentidos podem ser fatores essenciais para a descoberta de uma real direção para a vida pessoal. Nesse caso, os perigos de ruptura interna e os sofrimentos enfrentados passam a representar uma verdadeira possibilidade de considerar a própria experiência de forma profunda e reformulá-la.

Crises e traumas, quando enfim elaborados e integrados, são uma oportunidade única na vida - difíceis, mas com um potencial incomparável de crescimento e evolução.

Consequências da superação

O amadurecimento produzido pela superação de situações reflete-se em novas possibilidades de via, que implicam num relacionamento diferente consigo próprio, com as outras pessoas, com o mundo e com os próprios fatos e condições de vida. Os efeitos biográficos positivos de psicotraumas vencidos estão relacionados a pelo menos quatgro dimensões da vida:

Relacionamentos humanos - após uma bem-sucedida superação de estresse intenso, com frequência, nota-se maior sensibilidade no trato com os outros e um aprofundamento nas relações com a família e com os amigos, valorizando-se essas relações e havendo uma maior abertura nas formas de comunicação e de vínculo.

Perspectivas de vida - após a superação positiva de experiências de vida difíceis, também pode haver uma ampliação da perspectiva de vida, com a descoberta de novos interesses e a elaboração de novas metas e planos. A própria vida é reconfigurada, incluindo-se aí valores e projetos mais significativos, positivos e de crescimento. Isso pode envolver a abertura, questionamentos e interesse mais profundo a respeito de temas existenciais, incluindo ou não interesses relativos à espiritualidade e à religiosidade.

Amadurecimento da personalidade - em geral, como resultado, da superação positiva de uma situação traumática, segue-se também um aumento de fatores pessoais positivos, como autoconfiança, autoconhecimento, força e segurança emocional, ou seja, um amadurecimento da personalidade como um todo. Lidar de forma bem-sucedida com uma situação difícil constrói uma sensação de segurança para enfrentar desafios futuros. A superação dá confiança de que será possível enfrentar outras situações da maneira igualmente positiva e construtiva.

Valorização da própria vida - é comum que depois da superação de uma crise ou situação traumática, as pessoas estabeleçam com mais facilidade aquilo que é prioritário para elas e diferenciem o que é importante daquilo que não tem importância. Com frequência se ouve nos relatos dessas pessoas que elas começaram a viver de forma mais consciente e a valorizar mais a vida, dando mais importância àquilo que antes não reconheciam como valioso em suas vidas. Esse redimensionamento dos fatos e circunstâncias é um dos efeitos mais significativos do enfrentamento de uma condição de impacto inicialmente negativo.



(texto publicado na revista Psique nº 113 - ano IX)

sábado, 14 de maio de 2016

8 sintomas físicos da depressão: fique atento a si mesmo e ao seu próximo (Aleteia)


É uma obra de misericórdia ajudar a cuidar bem dos doentes - e eles podem estar na sua família sem você ter notado

Há sintomas da depressão que são bem conhecidos: tristeza, pessimismo, apatia…

Mas é um erro (ainda bastante comum) confundir a depressão com “mera tristeza”, minimizando a sua gravidade.

A depressão é uma doença física. Ela está ligada ao desequilíbrio químico dos neurotransmissores e requer acompanhamento psiquiátrico adequado, desde o diagnóstico até o tratamento em si. Sem estas medidas, a depressão tende a se agravar.

Além dos sintomas ligados ao desânimo, também existem sensações físicas que podem indicar a doença. O site “Minha Vida” lista algumas delas:

1. Cansaço ou fadiga

A psicóloga e psicanalista Priscila Gasparini Fernandes, da Universidade de São Paulo (USP), explica que “a falta da produção adequada dos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina gera uma prostração muito grande em pacientes”, provocando fraqueza, cansaço, desânimo e falta de iniciativa para qualquer atividade.

2. Distúrbios do sono

Ou o paciente dorme demais, buscando no sono uma fuga da realidade, ou não consegue dormir, porque não é capaz de se desligar dos problemas que o levaram à depressão. O resultado é um sono de má qualidade. O paciente não descansa o necessário, daí a piora no rendimento em suas atividades.

3. Problemas digestivos

A depressão envolve a diminuição de produção dos neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, que são responsáveis pela modulação da dor e pelo equilíbrio emocional. Por isso, o paciente apresenta maior sensibilidade à dor gastrointestinal, muito comum em quadros depressivos.

4. Mudanças no apetite e no peso

A depressão altera o apetite, seja para a falta, seja para o excesso, provocando perda ou ganho de peso de acordo com cada indivíduo. É necessário observar o comportamento anormal e buscar ajuda para o adequado diagnóstico e tratamento. É possível que o quadro seja de anorexia ou bulimia, diferentes da depressão, mas capazes de levar a ela.

5. Dor de cabeça

O indivíduo com depressão acumula sintomas emocionais, frustrações, medos e inseguranças e os descarrega no corpo, somatizando-os, afirma a psicóloga Priscila. Daí as dores de cabeça. É um processo inconsciente: o individuo não tem controle sobre isso. É preciso procurar ajuda profissional.

6. Tensão na nuca e nos ombros

Em decorrência da somatização, o paciente depressivo fica em constante estado de alerta, ansiedade e nervosismo, o que se reflete na tensão da musculatura, principalmente da nuca e dos ombros.

7. Dores generalizadas

O corpo todo apresenta sensação de dor, mas as costas e o peito são os mais afetados. É que o cansaço próprio da depressão compromete a postura física do paciente, piorando a tensão e as dores musculares. A falta de atividades físicas agrava ainda mais o quadro.

8. Imunidade baixa

A pessoa com depressão se sente mal, física e mentalmente, o que pode interferir na imunidade. Ocorre uma liberação descontrolada de hormônios quando não estamos bem emocionalmente, afetando as células de defesa.

Amplie sua capacidade mental - Bruna Yuri Ouchi


Existem atividades simples do dia a dia, capazes de deixar o cérebro afiado. Descubra o que é melhor para você e exercite a mente

O nosso cérebro está em constante atividade, afinal são cerca de 86 bilhões de neurônios, capazes de formar até 100 trilhões de sinapses (conexões). E assim como o nosso corpo, a mente precisa ser exercitada para ampliar a sua capacidade. Por isso, alguns hábitos simples podem ser adquiridos, porque além de afiarem o cérebro, são capazes de combater doenças como a depressão.

Conversamos com a Dra. Cleide Lopes, neuropsicóloga do Centro de Longevidade do Hospital 9 de Julho, de São Paulo (SP), e com Dr. Maurício Menezes Vilela, neurologista de São Vicente (SP), para entender melhor o funcionamento do cérebro ao praticar essas atividades indispensáveis para a mente.

Pratique

A prática de atividades que exercitam o cérebro é de extrema importância. De acordo com Dra. Cleide, o sistema nervoso, que tem como estrutura básica o neurônio, apresenta alta capacidade de adaptação e reorganização. "Os neurônios comunicam-se através das conexões, recebendo ou transmitindo informações e estímulos. O desuso das conexões pode causar a sua atrofia e, consequentemente a perda da função cerebral", afirma a neuropsicóloga. Portanto, quanto mais utilizadas as conexões entre os neurônios, melhor será a manutenção, o desenvolvimento e o funcionamento cerebral.

Atividades como as que são feitas no trabalho não são consideradas como exercícios para melhorar a capacitação mental. Para o Dr. Maurício, esse tipo de rotina é monótona e não traz nenhuma inovação. "O cérebro se exercita ao fazer coisas novas, ao aprender coisas novas. Repetir a mesma função diariamente equivale a alguém tentar desenvolver músculos levantando um peso de 1 quilo todos os dias".

É importante lembrar que não se deve forçar a pessoa a fazer os exercícios caso ela não tenha afinidade com eles. É preciso que as atividades sejam feitas de acordo com a capacidade individual, intelectual e física de cada um e, se possível, com o aumento gradual da dificuldade. "De nada adiantará a leitura de um texto de alta complexidade para uma pessoa com escolaridade não compatível. O mesmo acontecerá em se tratando de exercícios físicos, se a atual condição física da pessoa não permitir a sua execução", alerta a neuropsicóloga.

A maior parte dos esquecimentos ocorre por falta de uso das conexões entre os neurônios. Por isso, a leitura estimula várias áreas cerebrais, por meio das conexões. A leitura de um texto, por exemplo, envolve as áreas cerebrais responsáveis pela linguagem, a memória verbal e visual, e até mesmo a memória motora.

O aprendizado de um novo idioma, assim como a leitura de um livro, contribui inclusive para a formação de novas memórias. "Uma das atividades que se mostraram um grande estímulo à criação de novas sinapses cerebrais é o aprendizado de línguas. Tanto que quem aprende uma nova língua tem mais facilidade em aprender outra. Exercícios como palavras cruzadas, sudoku, enigmas e o popular jogo da memória também ajudam a melhorar a capacidade mental", afirma Dr. Maurício.

Combatendo doenças

Além de exercitar o cérebro, as atividades também ajudam a combater doenças como a depressão. "Qualquer atividade mental ou física preferida pela pessoa pode auxiliar na depressão. Durante a atividade prazerosa, há produção de hormônios que favorecem o bem-estar e podem contribuir para a melhora do quadro clínico", afirma a neuropsicóloga. "A depressão afeta a cognição, muitas vezes simulando até quadros de demência, como a doença de Alzheimer. Essas atividades são benéficas, mas o tratamento específico da depressão é necessário para uma melhora completa", complementa Dr. Maurício.

Treine a mente

Algumas atividades simples podem ser incluídas no dia a dia, mas de acordo com a Dra. Cleide elas devem ser feitas com o máximo de atenção possível, para favorecer a concentração e estimular a formação de novas memórias.

1) TRABALHOS MANUAIS ou até mesmo a escrita cursiva pode auxiliar no bom funcionamento cerebral, já que ativam várias áreas do cérebro durante a execução.

2) USE MENOR A CALCULADORA, fazendo as contas e o cálculo do troco mentalmente.

3) MANTENHA A CASA E OS ARMÁRIOS ORGANIZADOS, para não ficar ansioso quando necessitar procurar alguma coisa.

4) ORGANIZE OS AFAZERES DIÁRIOS e reserve um tempo para o seu descanso/deleite.

5) ESTABELEÇA UMA ROTINA REGULAR DE SONO, já que isso proporciona bom humor, clareza mental e diminuição do estresse.


(texto publicado na revista Ponto de Encontro nº 61 - abr/mai de 2016)

terça-feira, 22 de março de 2016

A depressão, a dor que se transforma em sombra (Melhor com Saúde)


Longe de passar o dia inteiro na cama chorando, as pessoas com depressão podem levar uma vida normal, mas não encontram prazer nas coisas que fazem e tudo lhes causa agonia.

A depressão, uma dor que se transforma na sombra de quem sobre com ela.Uma enorme dor que aperta e afoga quem se vê preso por ela, cegando a vida e precipitando uma grande escuridão que cobre com seu manto de sombras à pessoa que sofre e também àquelas que estão ao seu redor.

Tristeza, irritabilidade, apatia, perda de interesse pelo entorno, incapacidade de sentir prazer por algo, falta de apetite pela comida, sentimentos de culpa, dificuldade para pensar, para se concentrar ou para tomar decisões, pensamentos recorrentes de morte ou idealização de planos ou tentativas suicidas…

Isso, durante muito tempo, todos os dias e quase a todos os momentos, é o que sente uma pessoa com depressão. Uma dor que se torna imensa e que escurece cada pequeno brilho que surge na vida de quem sofre com ela.

Ter depressão não é sinônimo de estar em uma cama chorando

Tendemos a pensar que as pessoas que sofrem de depressão estão o dia todo na cama chorando. No entanto, a tristeza frequente e intensa é apenas uma pequena parte de como a depressão se manifesta.

De fato, pode inclusive ser que aqueles com depressão não mostrem tristeza, e sim que se comportem de maneira autoritária, com uma irritabilidade excessiva, insensibilidade, agressividade, etc. Ou seja, a depressão às vezes se manifesta com um mau humor constante e intenso.

De acordo com os manuais diagnósticos como o DSM-5 ou o CIE-10, a presença de um episódio de depressão mais forte deve cumprir muito mais critérios do que a presença da tristeza ou da irritabilidade.

Isso quer dizer que, embora um destes dois sintomas seja necessário, não será suficiente para o diagnóstico.

Nenhum de nós está livre desta terrível doença

Isso pode acontecer com todos nós.

Um dia você começa a se dar conta de que fica difícil se levantar da cama, de que a sua vida não faz sentido como fazia antes, de que não há nada que o anime ou que o entusiasme, e de que você sente no seu interior uma grande angústia.

Então, de alguma maneira, você começa a se sentir vencido pelas circunstâncias que o rodeiam, tudo causa agonia e produz um grande esgotamento, você precisa se forçar para sentir algo mais diferente desta dor interna que se transformou na sua sombra.

Há dias em que você se levanta pior e outros em que se sente melhor. A falta de estabilidade emocional está com você. Você não se compreende, só sente uma profunda falta de vontade, uma grande inquietude, que o precipita rumo àescuridão mais profunda.

Você não consegue entender o que está acontecendo, não conhece o bem-estar, sente-se vazio. Você não consegue evitar não se sentir bem quando sai de casa, quando alguém conversa com você ou quando você tem que enfrentar um novo projeto.

No entanto, saiba que toda esta dor pode ser superada. Precisamos de um profissional que nos ajude a compreender, que dê coerência à nossa situação e que nos apoie para superá-la. Uma ferida tão profunda precisa de complemento psicológico para ser curada, pois devemos curar nossos pensamentos.

Quando a ansiedade e a depressão se juntam

Devemos saber que muitas vezes a depressão se entrelaça com a ansiedade, dando origem a um quadro misto ansioso-depressivo que pode ser ainda mais confuso e doloroso para os afetados.

Assim, a ansiedade se caracteriza pelo medo, o pânico, o nervosismo, a evitação, a instabilidade, a tensão muscular, a hipervigilância e a percepção de ameaças e perigos.

Em comum elas têm a irritabilidade, a preocupação, a dificuldade de concentração, a insônia, a fadiga, a agitação psicomotora, o pranto, os sentimentos de inferioridade, a culpa e a baixa autoestima.

Se você se sentir identificado com o que descrevemos neste artigo ou pensa que pode estar passando por uma depressão, consulte um especialista e compartilhe as suas preocupações com as pessoas que o amam.

Busque um tratamento que ajude a focar novamente seus pensamentos e seu entorno, pouco a pouco, e assim você irá se sentir melhor.

Tratar a depressão marcará um antes e um depois na sua vida.

quarta-feira, 16 de março de 2016

8 atitudes típicas de pessoas que têm depressão, mas não demonstram (O Segredo)


Medo ou desconhecimento?

Nesse artigo conheça 8 sintomas de pessoas que levam a vida com o que chamados de “depressão mascarada”, doença que elas tentam esconder ou mesmo que nem sabem que têm.

Embora a sociedade atual demonstre, de modo geral, um maior conhecimento sobre a depressão, o que se vê, muitas vezes, é uma compreensão equivocada desta doença e de seus sintomas.

Por tratar-se de uma doença marcada por um estigma, nem sempre conseguimos identificar familiares ou pessoas próximas que estejam lutando contra a depressão. Pior ainda: devido às concepções equivocadas sobre os diferentes modos de manifestação da doença, e o tipo de ajuda a ser buscado, muitos indivíduos que sofrem de depressão não recebem o devido diagnóstico.

O resultado disso é que muitos indivíduos convivem com uma depressão mascarada – ou seja, invisível para as pessoas que os cercam, ou mesmo para eles próprios. Além disso, nos casos em que não recebeu o diagnóstico adequado, o indivíduo tenderá a lidar com seus problemas de modo a esconder a depressão, e terá dificuldades para reconhecer os verdadeiros sintomas da doença.

É preciso deixar de lado a concepção de que o sofrimento é sempre visível. Deste modo, será possível compreender melhor e oferecer ajuda aos que lutam contra as doenças não manifestas. Listamos, a seguir, alguns sinais de uma pessoa que talvez sofra de uma depressão mascarada.

1. Ela talvez “não pareça deprimida”

Influenciados por estereótipos culturais e veiculados pela mídia, muitos têm uma imagem equivocada do comportamento e da aparência do indivíduo com depressão. Na visão do senso comum, esta pessoa raramente sai de seu quarto, veste-se com desleixo, e parece estar sempre triste. Porém, nem todos que sofrem de depressão têm o mesmo comportamento.

Claro que os indivíduos são diferentes, assim como variam os sintomas e a capacidade de cada um de lidar com a doença. Muitos conseguem exibir um “verniz” de boa saúde mental – como mecanismo de autoproteção –, mas o fato de serem capazes de fazê-lo não significa que eles sofram menos. Do mesmo modo, as pessoas incapazes de mostrar tal “verniz” não são mais “fracas” que as demais.

2. Ela pode parecer exausta, ou queixar-se de um cansaço constante

Um efeito colateral da depressão é um cansaço permanente. Embora este sintoma não se manifeste em todos que sofrem de depressão, ele é muito comum. Em geral, é um dos piores efeitos colaterais desta doença.

Além disso, se o indivíduo não recebeu o diagnóstico de depressão, a causa deste cansaço pode ser uma incógnita. Mesmo que ele durma um número suficiente de horas à noite, talvez acorde na manhã seguinte como se tivesse dormido pouco. Pior que isso: talvez ele culpe a si mesmo, atribuindo isso à preguiça ou então que algum defeito de sua personalidade esteja causando esta sensação de fraqueza e falta de energia.

Este sintoma também acaba se tornando uma dificuldade para quem recebeu o diagnóstico de depressão, mas tenta ocultá-la dos amigos e colegas. Isso porque esta sensação de cansaço afeta o seu ritmo de trabalho e também os seus relacionamentos pessoais.

3. Ela poderá ficar mais irritadiça

O comportamento de uma pessoa com depressão pode ser interpretado equivocadamente, como melancolia. É muito comum que a pessoa deprimida fique mais irritadiça, e que isso não seja interpretado como um sintoma da doença. Isso é compreensível, já que a depressão não é problema de saúde “visível”, e tampouco pode ser medido com precisão – o que dificulta o combate à doença.

Além disso, o esforço constante exigido do indivíduo para lidar, ao mesmo tempo, com as inúmeras demandas de sua vida cotidiana, e com a depressão, suga suas energias, deixando-o impaciente e incapaz de ter a compreensão exata sobre as coisas.

Se o seu amigo ou conhecido recebe o diagnóstico de depressão, e compartilha esta informação com você, uma dificuldade poderá surgir, caso o comportamento desta pessoa não corresponda à imagem (equivocada) que se tem de uma pessoa com depressão: um indivíduo tímido e calado. A tendência a ter “pavio curto” e a irritar-se com facilidade é, na verdade, um efeito colateral da depressão.

4. Para ela, pode ser difícil corresponder ao afeto e preocupação das pessoas ao redor

A ideia equivocada mais comum em relação à depressão, sugerida nos parágrafos acima, é que ela causa um sentimento de tristeza.

Pelo contrário: muitas vezes, o indivíduo com depressão não sente nada; ou então vive as emoções de modo limitado ou passageiro. Depende de cada caso, mas muitos relatam um sentimento parecido com o “torpor”, e o mais próximo que chegam de uma emoção é uma espécie de tristeza, ou irritação.

Deste modo, o indivíduo terá dificuldade para corresponder de modo adequado a gestos ou palavras afetuosas. Ou então nem se dará ao trabalho de manifestar qualquer reação.

Talvez demonstre uma irritação nada racional: é possível que o cérebro dele tenha dificuldades para processar e corresponder ao seu afeto e carinho.

5. Talvez recuse a participar de atividades de que gostava muito

Uma atípica falta de interesse em participar de atividades – e durante um longo período – pode ser um sinal de depressão. Conforme mencionado acima, esta doença drena a energia do indivíduo tanto no plano físico quanto no mental – o que afeta sua capacidade de sentir prazer com as atividades cotidianas.

Um indivíduo com depressão talvez não se sinta mais atraído por atividades que adorava no passado, pois esta doença acaba dificultando o desfrute de tais atividades, que não satisfazem mais o indivíduo. Se não há nenhum outro sinal visível que possa explicar o interesse cada vez menor do indivíduo por estas atividades, este talvez seja um sintoma de depressão clínica.

6. Talvez passe a ter hábitos alimentares incomuns

O indivíduo deprimido desenvolve hábitos alimentares incomuns por duas razões: como um modo de lidar com a doença, ou como um efeito colateral da ausência do cuidado consigo mesmo. Comer pouco ou em demasia é um sinal comum de depressão. A ingestão excessiva de alimentos é vista como vergonhosa, e neste caso a comida talvez seja a principal fonte de prazer da pessoa com depressão, o que a faz comer além do necessário.

Quando o indivíduo depressivo come pouco, em geral é porque a doença está afetando seu apetite, transformando o ato de comer em algo desagradável. Isso também pode ser uma necessidade subconsciente de controlar algo, já que ele não é capaz de controlar sua depressão. Se a pessoa não recebeu o devido diagnóstico, ou se omitiu diante das pessoas o fato de estar deprimida, elas poderão considerar que os hábitos alimentares “errados” se devem a um defeito de personalidade, e tal “julgamento” fará com que o indivíduo deprimido se sinta ainda pior.

7. Os outros talvez passem a exigir mais de você

Naturalmente, as funções vitais de um indivíduo com depressão não podem ser as mesmas de alguém com boa saúde mental. Haverá coisas que ele não será mais capaz de fazer com a mesma frequência, ou abandonará de vez. Perturbá-lo ou fazer com que ele se envergonhe por causa disso só tende a causar mágoas, em vez de ajudar. Se a depressão é um assunto que ele tem tido dificuldade de abordar, será igualmente difícil para ele lidar com alguém que fique irritado diante de sua incapacidade de agir do mesmo modo que uma pessoa mentalmente sadia.

Por isso, convém sempre ser compreensivo com as pessoas, seja de seu círculo profissional ou do pessoal. Não há como saber se um indivíduo está simplesmente “desacelerando”, ou se está enfrentando um verdadeiro problema de saúde.

8. Ela poderá ter dias ruins, e dias “melhores”

Trata-se de uma doença com altos e baixos. Se o indivíduo sofre de uma depressão mascarada, ou não diagnosticada, pode parecer que suas flutuações de humor são aleatórias, dependendo da regularidade de sua depressão. Para você (e mesmo para ele, no caso de ele não ter recebido um diagnóstico), talvez não haja uma motivação para as alterações de humor, mas esta é simplesmente a maneira como a depressão se manifesta em algumas pessoas.

Se você sabe que o indivíduo sofre de depressão, poderá ter a falsa impressão de que ele, tendo passado por uma sequência de dias “bons”, está definitivamente curado. O fato de ele ter passado um dia melhor do que na véspera pode ser excelente, mas convém que você sempre lhe peça para que ele deixe claro o que consegue ou não fazer, e em que momentos.

Concluir que o indivíduo que sofria de depressão está plenamente recuperado, ou forçá-lo a retomar rapidamente a rotina normal poderá sobrecarregá-lo, e fazer com que ele se “retraia” novamente. Ofereça apoio ao amigo ou parente com depressão, mas deixe que ele tome as decisões necessárias.