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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Luke Skywalker (o herói de todos os heróis)


O herói de Guerra nas estrelas, filme de ação e aventura intergalática, Luke, é um garoto comum da área rural que, por acaso, intercepta um pedido de ajuda de uma bela princesa. Logo, Luke sai em uma jornada para resgatar a garota, gerando três dos filmes mais populares jamais produzidos. Guerra nas estrelas (1977) tinha os mais incríveis efeitos visuais da época e fez de George Lucas um gigante de Hollywood. A trilogia de Guerra nas estrelas alimentou a imaginação de duas gerações. No mundo do entretenimento, Guerra nas estrelas consiste na trilogia e nos três episódios anteriores, mais dezenas de romances derivados e milhares de brinquedos, álbuns de figurinhas, paródias e lancheiras. A fábula dominou de tal forma o panorama cultural que seu vocabulário e imaginário invadiram até a política internacional.

Vivenciamos tanto a aventura do herói quando a expectativa do final da história, enquanto acompanhamos o jovem Luke (interpretado por Mark Hamill) em sua busca pela aprovação do pai. A essência do enredo é que Luke é ajudado por um velho sábio a resgatar a princesa e salvar a galáxia do Império do mal e de seu principal servidor - o pai de Luke, o perigoso Darth Vader. Luke tem de escolher entre lutar contra seu pai ou se unir a ele. O tema psicológico da história é o conflito essencial entre pai e filho, descrito por Freud. "Todo garoto deve entrar em confronto com algum tipo de figura paterna se quiser realmente atingir a maturidade." Mas a história não trata de uma simples sessão de psicodrama. Inspirada pelo trabalho do renomado estudioso de mitologia Joseph Campbell, a história segue o caminho clássico comum a contos populares de todo o mundo. Luke não é simplesmente um personagem substituível, ele é todos os heróis.

A fórmula é universal: Primeiro, alguma coisa motiva a aventura - uma razão para deixar o mundo com o qual o herói está acostumado. Depois, há a ajuda sobrenatural. Então, várias provações e novos amigos pelo caminho. Finalmente, um confronto face a face com o inimigo... e a vitória. O herói volta para casa triunfante, trazendo algum tipo de recompensa - comida, riquezas, mágica, um presente de casamento ou uma princesa.

Os filmes ainda têm um segundo tema: a viagem espiritual de Skywalker. Em termos religiosos, a jornada do herói é deixar o mundo cotidiano, entrar no domínio dos deuses e retornar com um poder mágico. Luke aprende a usar a "Força", uma energia criada por seres vivos e um aliado poderoso. Revelada por Obi-Wan Kenobi, um mestre das artes místicas, ela conduzirá Luke com segurança pelos perigos, permitirá que ele fale com os mortos e o guiará nos combates.

Na cena apoteótica do primeiro filme, Guerra nas estrelas, o computador de Luke era o alvo mais crucial. Luke não pode mais contar com o computador e deve usar sua intuição - a Força - para dar o tiro que leva à vitória.

Mas o inimigo é persistente e, no segundo filme, O império contra-ataca, Luke é treinado por um Mestre ainda mais velho, Yoda, para dominar completamente a Força e suas outras utilidades: levitar objetos, voar e telepatia.

No último filme da trilogia, O retorno de Jedi, Luke confronta o chefe de seu pai, o imperador do mal. O Lorde Vader precisa se sacrificar para salvar seu filho e Luke emerge como um adulto formado, em harmonia com o mundo espiritual e seguro de seu próprio destino.

No mundo real da década de 1980, o presidente Ronald Reagan referiu-se à União Soviética como o "Império do Mal" e gastou bilhões de dólares em um sofisticado sistema defensivo chamado "Guerra nas Estrelas", que pode pelo menos levar os créditos pelo fim da Guerra Fria. Guerra nas estrelas, por meio dos programas militares que inspirou, derrotou a União Soviética, não pelo combate, mas empurrando-a para a falência.

Intuição, no sentido de Guerra nas estrelas, pode ser a faceta mais importante e, ao mesmo tempo, mais ignorada de nosso mundo orientado para máquinas. Quando é que você tem tempo de olhar além do racional, do dia-a-dia, para ver o que realmente o cerca? Confie em seus sentimentos, em seus "instintos". Mesmo no âmbito da ciência, você precisa saber quando seu equipamento não está funcionando direito. Somos obcecados pela alta tecnologia, mas alguns poucos sensores disfuncionais podem causar o derretimento de um gerador nuclear, e um pedaço de material isolante pode destruir um ônibus espacial de bilhões de dólares e seus tripulantes.

Skywalker, com o poder da Força, sabia quando podia usar seu computador e quando deveria ignorá-lo. E nós, sabemos disso?

Talvez você não saiba...

Em pesquisa em três livrarias de Nova Jersey em 2005, um dos autores descobriu que os livros de Guerra nas Estrelas ganhavam mais espaço nas prateleiras do que escritores de ficção científica já famosos, mais espaço até que os livros de Asimov, Bradbury e Heinlein juntos.

Para saber mais, leia:

O herói de mil faces, de Joseph Campbell
Manual de intuição prática, de Laura Day.
As máscaras de Deus: mitologia ocidental, de Joseph Campbell.
Star Wars: The Magic of Myth, de Mary Henderson.
A trilogia da Fundação, de Isaac Asimov.



(texto publicado no livro As pessoas mais importantes do mundo que nunca viveram de Allan Lazar, Dan Karlan, Jeremy Salter)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Star Wars: a amizade de Joseph Campbell e George Lucas


É difícil falar sobre Star Wars de forma objetiva, mas é um fato que George Lucas em seu inicio fez algo extraordinário e é importante lembrar uma de suas maiores influencias ao criar este universo que nos remonta a emoção do natal quando crianças. A relação de George Lucas com o renomado mitólogo e escritor Joseph Campbell é de conhecimento público. Autor de vários livros e vasto conhecimento étnico e cultural, Joseph Campbell desenvolve o conceito “Monomito”.

O Monomito pode ser definido como a repetição de temas mitológicos a través do tempo se utilizando dos mesmos “elementos narrativos” e como o próprio Campbell nos diz “esses mitos têm sido a viva inspiração de todos os demais produtos possíveis das atividades do corpo de da mente humanos”.

Um bom amigo não teve contato com a trilogia original me disse pouco depois de ver o Episódio IV: Uma nova esperança; “Parece um conto de fada” observação que me pareceu interessante, pois os mitos e os contos de fada a pesar de suas diferenças bebem da mesma fonte sendo esta a psique, porém existe uma diferença entre ambos como nos diz Von Franz:

“Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado, atingimos as estruturas básicas da psique humana através de uma exposição do material cultural. Mas nos contos de fada existe um material cultural consciente muito menos específico e, consequentemente, eles espelham mais claramente as estruturas básicas da psique” (Franz, 1990).

Isto pode ser observado com facilidade no primeiro filme (Episódio IV) que já que nos apresenta alusões históricas, sociais e visuais difíceis de serem ignoradas. Tais alusões nos mantêm ancorados a um “passado distante e ao mesmo tempo não tão distante” que conseguimos identificar, enquanto a fantasia nos transporta a um “Há muito tempo em uma galáxia muito distante…”. A pesar que esta frase inicial nos remeta a um conto de fadas.

O relacionamento entre Joseph Campbell e George Lucas foi posterior a elaboração da trilogia original, sendo que o primeiro jamais havia visto a saga até que George Lucas insistiu.

“Alguns anos depois de seu primeiro encontro, o tempo finalmentete chegou para que Lucas mostrasse a Campbell seu trabalho. Lucas conta aos biógrafos de Campbell: “[…] Em algum momento falei sobre Star Wars, e ele ouvira falar sobre Star Wars”. Disse-lhe “Você tem algum interesse em assisti-las?” Nesse tempo já tinha concluído os três filmes. Ele disse “Assistirei as três”. Eu disse “Você gostaria de assistir uma por dia?” porque ele ficaria uma semana mais ou menos. “Não, não, quero assistir todas de uma vez”” (O.Seastrom, 2015).

O contato inicial de Lucas com Campbell foi a través de seu livro mais famoso “O Herói das mil Faces” o qual foi produto de seus estudos sobre antropologia na universidade. Assim temos a aventura do Herói da qual Campbell escreveu de forma extensa retratada com clareza na trilogia original.

Se Campbell tinha razão sobre a maneira como os mitos nos falam de forma tão intima podemos ver na explosão que surge de Star Wars trás sua estreia em 1977, tendo uma legião de fãs fiéis e entusiastas casuais.

A estreia do novo filme (Star Wars Episódio VII) percebe-se o renascimento deste fenômeno assim como também uma atualização do mito se adequando ao momento específico no qual vivemos, mas também observamos que os escritores, seja por respeito ao espírito da historia ou por medo, repetem vários elementos notáveis do Episódio IV.

Isto é algo que já foi observado nos filmes anteriores (Episódio I, II, III) se referenciando a trilogia original de forma notável na direção e argumentação, situação da qual Lucas fala abertamente, se referindo à Saga como música e posteriormente como poesia por seu ritmo e variações (Klimo, 2014).

Campbell nos deu um modelo com vários elementos importantes que compõem a narrativa do mito do Herói e considerando Star Wars um mito criado de forma “consciente” nos permite ver o Episódio VII com olhos mais contemporâneos além de apresentar o Universo para uma geração que precisa de tal contextualização para compreender a historia que vem sendo contada.

Além disto, Star Wars propõe que o espaço é o cenário perfeito para que novos mitos e historias se desenvolvam. Sendo o espaço o novo “Grande Desconhecido” de nosso século. Entendendo o caráter mítico em Star Wars podemos nos distanciar das tecnicidades cientificas e abraçar a linguagem Simbólica coisa que também parecia estar claro para Campbell:

“Contemplar o céu estrelado é se contemplar a nível mítico. Enquanto o avance continuo da ciência redefine nosso entendimento do cosmos certamente nossa perspectiva mítica também deve mudar” (Campbell, Joseph apud O.Seastrom, 2015)

A amizade entre George Lucas e Joseph Campbell me parece de respeito mutuo. Posteriormente sabemos que Lucas apoiou financeiramente os documentários “O Poder do Mito”, além de ceder o Rancho Skywalker para a filmagem. Vemos cenas e comentários de Campbell sobre Star Wars em alguns momentos do documentário como exemplo mais claro deste relacionamento.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A longevidade de Star Wars: um mito moderno? - Christiane Tavares Ferreira da Silva


Em maio de 1977, estreava nos cinemas estadunidenses Star Wars, ou Guerra nas Estrelas, como foi chamado no Brasil. Ele não era a aposta principal daquela temporada de cinema, e seu criador, George Lucas, lançou o filme sem a certeza de que conseguiria financiar continuações onde pudesse contar a história principal da saga: a jornada do icônico Darth Vader. Esse primeiro filme tem inclusive um fechamento claro, que se dá com o fim da mortífera arma do Império denominada Estrela da Morte e a consagração de Luke Skywalker e seus companheiros como heróis.

Apesar das baixas expectativas, filas enormes de adultos e crianças se formaram em frente aos cinemas, criando fãs de uma saga que continuou nos bem-sucedidos O Império contra-Ataca (1980) e O Retorno de Jedi (1983). Os efeitos especiais inovadores da trilogia mudaram a história do cinema, deixando o público espantado com as possibilidades visuais e sonoras apresentadas.

Era razoável se e sperar que os filmes se tornassem clássicos, mas Star Wars fez mais do que isso, e continuou a repercutir por através das décadas. Hoje podemos observar ao menos três gerações que levaram seus familiares não apenas para assistir aos filmes da nova trilogia (1999-2005) ou ao recente O Despertar da Força, mas sim que os apresentaram para a chamada trilogia clássica. O que torna esses filmes ainda tão relevantes?

George Lucas sempre deixou claro que seus filmes eram permeados de simbolismo e que bebeu de diversas mitologias. O herói Luke Skywalker passa por um episódio de tentação nas mãos de Darth Vader, análogo às tentações de Cristo e Buda. A filosofia dos cavaleiros que lutam em nome da justiça na galáxia, os Jedi, tem características claras do budismo. A Força, energia mística utilizada por esses cavaleiros, pode ser entendida como equivalente ao conceito de energia cósmica denominado prana pelos hindus.

Sua história é centrada em valores como amizade, lealdade e fé, e Darth Vader só pôde ser redimido pela fé de seu filho no bem que existia nele; ao longo dos seis primeiros filmes acompanhamos a origem, tentação, queda e redenção desse personagem. Para Lucas, é isso que possibilita o mundo de continuar em equilíbrio: não necessariamente a fé em um sistema religioso, mas sim em algo maior do que nós.

Há quem considere a saga como uma mitologia moderna. Lucas discorda, acreditando que ele adotou o papel de recontar os mitos antigos de uma forma nova. Joseph Campbell, conhecido por seus trabalhos no campo da mitologia comparada exposto em livros como O Herói das Mil Faces, atuou como mentor de Lucas, que observou fielmente a "jornada do herói" descrita pelo autor ao escrever os roteiros dos filmes.

Desde tempo imemoriais, se narra a jornada de um herói que sai em uma aventura e se torna a peça decisiva da vitória em uma crise. Luke Skywalker, um rapaz com uma vida ordinária, é "chamado para a aventura" quando dois simpáticos androides trazem um pedido de ajuda de uma princesa. O herói é relutante e tem medo, mas seu mentor, dotado de poderes mágicos, aqui expressos pela Força, o auxilia a seguir em frente. Ele deve então deixar tudo o que tinha para trás e partir com o novo amigo Han Solo para o resgate da princesa Leia.

O grupo passa por várias provações, e Darth Vader finalmente encontra Luke Skywalker, e o tenta para que esse use seus poderes para o mal, abandonando a jornada, mas Luke se recusa. Depois de um ano de treinamento, o herói pode finalmente enfrentar novamente o vilão que agora sabe que é seu pai, tendo a fé e a crença na piedade deste. Seu pai é subordinado à verdadeira figura do mal, o Imperador. Juntos, eliminam essa figura sombria, e Luke se torna um verdadeiro Jedi - o último - e o fundador do Império e seu representante está destruído e seu pai foi redimido das trevas. A jornada se encerra.

Tanto Lucas quanto Campbell acreditam que o mito é um parâmetro para a vida, algo que mostra nosso lugar no mundo. A mitologia comparada mostra que os povos, em lugares e tempos diversos, contam sempre as mesmas histórias. Assim, uma narrativa concebida nessa estrutura pode ser compreendida por todos, pois elas são imediatamente humanas. Essa é a verdadeira razão da permanência de Star Wars durante 40 anos e, aparentemente, muitos mais em nossa cultura. A mitologia pode sempre ser recontada, e Star Wars o faz brilhantemente.


(texto publicado no Jornalzen - nº 152 - ano 13 - outubro/2017)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Diario di vita: Il film Dirty dancing e quanto la musica è importante nella nostra vita


Siccome ho perso il sonno per via del caldo insopportabile delle ultime settimane ho acceso il pc per distrarmi un po'. 

Continuo a sentire ogni giorno le canzoni de Il Volo, ma i giri aleatori che fa Youtube mi ha portato un omaggio al grande Patrick Swayze di cui sono grande fan. Un video con la scena finale del film "Dirty dancing" che assieme a "Ghost" sono i suoi film più famosi. 

Ho noleggiato il film nel 1994 (è stato girato nel 1987) e l'ho visto varie volte come fanno i bambini. In quell'anno sono andata in Italia e ho comprato la videocassetta con il film anche se avrei potuto acquistarla in Brasile. Più tardi ho comprato il DVD. E sono anche riuscita a trovare i due CD con le colonne sonore. 



Scena di Dirty Dancing - canzone Hey Baby


Dirty Dancing: Scena finale - (I've had) The time of my life









sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O Lar das Crianças Peculiares - Tim Burton (trailer)

trailer dublado



trailer legendado





Tim Burton: "Fui uma criança peculiar" - Gabriela Acosta


Cineasta que prefere ficar longe dos holofotes para se concentrar nos próprios "monstros" lança seu mais novo filme, "O Lar das Crianças Peculiares", com Eva Green no elenco

Baseado no romance de Ransom Riggs, o longa "O Lar das Crianças Peculiares", que estreia hoje, é visto pelo diretor Tim Burton como uma forma de refletir a visão que o mundo tem dele. Na trama, é retratada a história de um abrigo para crianças órfãs com poderes sobrenaturais que tem Eva Green como governanta, a Sra. Peregrine. Burton falou com o Metro Jornal sobre o filme. Confira.

O que te motivou a contar essa história de Riggs?

Em algum momento de nossas vidas, nos sentimos desajustados e temos que lutar para ser compreendidos. Talvez eu tenha sido uma criança peculiar, que viveu entre o trágico e o cômico, por isso o romance me atraiu.

E você acha que ter sido peculiar é bom ou ruim?

Uma criança nunca esquece os sentimentos de ser diferente. Eles ficam para sempre. Então você passa por esse tipo de coisa na infância e, ocasionalmente, mais tarde na vida. O importante é dar sentido a essa diferença. Acho que sou visto como peculiar por causa do meu cabelo, meu lado obscuro e meus filmes. E a verdade é que talvez eu seja mesmo [risos].

Como funciona seu processo criativo nos filmes?

Sou muito visual e isso me ajuda a colocar os pensamentos de dentro para fora. Com "O Lar das Crianças Peculiares" surgiu um tipo de conto popular com uma história de terror para crianças, mas com um aspecto humano.

Quanta liberdade você teve para adaptar a história?

Eu não conhecia o livro, mas sabia do sucesso. Quando li, gostei de como Riggs construiu a história em torno das fotos antigas. Ali começou a conexão, porque amo fotos antigas. Acho ele meio parecido comigo, algo bizarro.



(texto publicado no jornal Metro de 29 de setembro de 2016)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Gene Wilder: a morte de um ator talentoso e abençoado - Luiz Carlos Merten


Assim o diretor Mel Brooks se despediu do parceiro de clássicos da comédia

Gene Wilder morreu no domingo (28) à noite na cidade de Stanford, em Connecticut, informou um sobrinho do ator à agência AP nesta segunda, 29. Gene Wilder! Imediatamente, o grande Mel Brooks repercutiu no Twitter: "foi um dos verdadeiros grandes talentos do nosso tempo. Abençoo cada filme que fizemos juntos com sua mágica e me abençoou com sua amizade". Gene Wilder sofria de Alzheimer. Tinha 83 anos. Sua parceria com Mel Brooks produziu clássicos da comédia - Primavera para Hitler, Banzé no Oeste, O Jovem Frankenstein.

Primavera é de 1968 e ganhou o Oscar de roteiro, mas foi considerado 'ultrajante'. Onde se viu, uma  comédia sobre Adolf Hitler? Com o tempo, virou cult e até originou um musical da Broadway, vertido para o cinema, mas na época meio que emperrou a carreira de Mel Brooks como ator, diretor e roteirista. Só em 1974, com suas paródias de western e filme de terror, ele estourou nas bilheterias. Com ele estourou Gene Wilder, pseudônimo de Jerome Silberman, que nasceu numa família judaica de Milwaukee, em 1933.

O jovem Gene - nem tão jovem assim, aos 34 anos - teve seu primeiro grande papel no cinema num clássico de Arthur Penn, Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas. O que fazia um comediante naquela tragédia americana? Gene fazia o carona no carro dos fugitivos Bonnie Parker e Clyde Barrow. Ao descobrir quem era a dupla, ele engasgava e Penn introduzia uma pausa cômica na violência (dramática e crescente) do filme. Entre Bonnie & Clyde e o estouro de Mel Brooks, Gene Wilder foi Willy Wonka na primeira (e cultuada) versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate, que Mel Stuart adaptou de Roald Dahl (e Tim Burton refilmou com Johnny Depp), e protagonizou um dos episódios mais - qual seria o adjetivo? Devastadores? - de Tudo o Que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo, de Woody Allen. Era o homem que destruía sua vida ao se apaixonar pela ovelha.

Gene Wilder, segundo a vertente de seu mestre Brooks, tornou-se diretor em 1979 com uma paródia de gênero - O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes. No mesmo ano fez, como ator, com Harrison Ford, um ótimo western cômico de Robert Aldrich, O Rabino e o Pistoleiro. Em 1984, e baseado na comédia francesa Un Elephant Ça Trompe Enormément, dirigiu e interpretou A Dama de Vermelho, que fez grande sucesso (e ganhou o Oscar de canção para I Just Called To Say I Love You, na voz de Steve Wonder). Por falar no prêmio da Academia, foi duas vezes indicado para o Oscar - melhor coadjuvante, por Primavera para Hitler; melhor roteiro (com Mel Brooks) por O Jovem Frankenstein. Em 1988, ganhou o Globo de Ouro de coadjuvante em melhor série de comédia ou musical, Will & Grace.

A Dama de Vermelho é sobre um marido que pira ao ver na rua o vento levantar a saia de uma mulher, deixando a mostra sua calcinha. A cena com Elizabeth Norment reproduzi a imagem emblemática de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado, de outro Wilder, o Billy. Gene fazia o marido. Na ficção e na realidade, era casado com Gilda Radner. Ela teve câncer de ovário. Morreu revoltada, odiando o marido e o mundo, em 1989. Gene Wilder escreveu sua autobiografia - Never Kiss a Stranger, Nunca Beije um Estranho, que é como Gilda o fazia se sentir, em seu leito de morte. Foi um trauma para ele. Anos mais tarde, escreveu outro livro, muito elogiado - The Woman Who Couldn't. Impossível dar conta de Gene Wilder sem falar de outra parceria - com o ator Richard Pryor. Fizeram O Expresso de Chicago, Loucos de Dar Nó e Cegos, Surdos e Loucos. O primeiro e o terceiro, coincidentemente, dirigidos por Arthur Hiller, que morreu no dia 17 de agosto.

Clássicos

O Jovem Frankenstein

Momento supremo do humor gestual de Gene Wilder, em comédia dirigida por Mel Brooks, em 1974. Ele vive Victor Frankonsteen, neto do famoso cientista, que faz reviver os mortos. No elenco, outros notáveis como Martin Feldman e Madeline Kahn.

A fantástica fábrica de chocolate

Wilder foi o primeiro Willy Wonka, nessa versão de 1971, dirigida por Mel Stuart. Com ele, a excentricidade do milionário era mais convincente.

A dama de vermelho

Grande sucesso como ator e diretor, em 1985. Gene faz o marido fiel que sai de casa atraído por mulher que viu na rua, quando o vento deixou a calcinha à mostra. A cena inspira-se em Marilyn Monroe e O Pecado Mora ao Lado.




(texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 30 de agosto de 2016)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Cinema: A fera dos efeitos: Fausto De Martini - Larissa Faria


O paulistano Fausto De Martini cria personagens digitais para blockbusters americanos, de Guerra nas Estrelas à continuação de Avatar

O espírito das brincadeiras de infância, em que gostava de criar maquetes de robôs e naves espaciais usando papel e argila, foi o mesmo que guiou Fausto De Martini quando ele decidiu dar os primeiros passos em redes sociais. Martini recorreu à internet em busca de tutoriais para aprender a criar imagens em 3D. Por diversão, fez a própria concepção de um personagem do jogo de videogame StarCraft e postou o resultado em um fórum. "Isso chamou a atenção da produtora americana Blizzard, a dona da história", lembra. O ano era 2003, e estava dado o play, até hoje sem pause, da escalada de uma carreira que inclui nove anos na empresa, na qual ele chegou ao posto de diretor de arte e de onde partiu, em 2012, rumo a Hollywood. Lá, conquistou espaço entre os nomes que contribuem em blockbusters na área de efeitos especiais. Quando vem a São Paulo e participa do lançamento de jogos, é tratado como herói dos geeks.

Hoje com 40 anos, o designer está envolvido na elaboração de alguns dos efeitos da continuação de Avatar, com estreia prevista para 2018. Por contrato, não conta a ninguém sobre suas tarefas no longa. Foi assim também em Star Wars - O Despertar da Força (2015). Durante sete meses, Martini ficou de boca fechada enquanto comandava a reformulação da nave TIE Fighter. Segundo estimativas de mercado, um profissional do seu nível chega a embolsar mais de 100.000 dólares por um trabalho do tipo (ele não comenta valores).

Tudo é desenvolvido em sua casa, na região de Los Angeles, onde ele vive com a mulher (brasileira) e dois filhos (de 14 a 20 anos). As horas vagas são dedicadas ao projeto de criação de um mundo 3D próprio, em um planeta do futuro abalado por conflitos entre nações e grave poluição, que Martini sonha em transformar em jogo ou filme. Da terra natal, o paulistano senta falta da pizza. "Ela não se compara a nenhuma outra no mundo", garante.


(texto publicado na revista Veja São Paulo de 23 de março de 2016)