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domingo, 12 de junho de 2016

Estamos formando uma geração de egoístas, egocêntricos, alienados e inconsequentes - Isabel Cristina Gonçalves



Acabaram as festas, janeiro começou e em breve o ano letivo ganhará vida. Novos calouros ávidos por uma “nova” vida de descobertas desembarcarão em Adamantina. Nem faz um ano uma garota, em sua primeira semana de aula na faculdade, teve suas pernas queimadas em um dia de acolhimento de calouros. Jovem, em seus 17 anos e feliz por realizar o sonho de ingressar em uma faculdade. Mas em um dia que deveria ser de festa foi interceptada por “colegas” veteranos. Foi pintada com tintas e esmalte até que sentiu que jogaram um líquido em suas pernas. Nada notou até que a água da chuva, por ironia, em lugar de lavar e limpá-la provocou uma reação química que resultou em queimaduras de terceiro grau em suas duas pernas. O mesmo aconteceu com uma colega de turma que teve as pernas queimadas e outro rapaz que correu o risco de perder a visão. O líquido? Uma provável mistura de creolina e ácido!

Casos amplamente noticiados pela imprensa local, regional e nacional. Mas relatos contam mais sobre este dia trágico, como inúmeros casos registrados de coma alcoólico, além de meninas que tiveram suas roubas rasgadas e sofreram toda uma série de constrangimentos.

Fatos como estes contribuem para nos trazer de volta a realidade e, guardadas as devidas proporções, ilustra que vivemos sim em um país onde a “barbárie” ganha força e impera em diversos núcleos de nossa sociedade e se alastra com uma rapidez de rastilho de pólvora. Casos se repetem em diversos estados e cidades, o caso dos calouros da FAI de Adamantina não é e nem será o último, quantas tristes histórias já foram relatadas, como a do o jovem morto atirado em uma piscina da USP, amanhã mais um gay ou um negro, ou mais uma mulher que não se “deu o valor” e andou por aí exibindo seu corpo.

Vivemos em uma sociedade de alienados, sujeitos que não conseguem sequer interpretar um texto, nossas crianças são “condicionados nas escolas” jamais educados. Infelizmente não há cultura neste país da desigualdade. Parece que perdemos a capacidade de raciocinar, de entender o contexto e complexidade de tudo os que nos cerca. Ninguém discute com seriedade o que está levando a nossa sociedade a viver na idade das trevas.

O apresentador Chico Pinheiro do Bom dia Brasil, revoltado com os trotes violentos, afirmou que estes alunos deveriam voltar para o ensino fundamental. Discordo radicalmente dele, estes alunos deveriam voltar para o seio de suas famílias e lá, sim, receber educação básica, educação para a vida.

Os pais estão terceirizando a educação de seus filhos e, em um mundo sem tempo e repleto de culpa delegam a educação de seus filhos a professores que não podem ser responsabilizados e muito menos tem competência e formação para isso. Professores são facilitadores da inteligência coletiva, pais são os educadores na/da/para a vida!

Nos dias de hoje o tempo passa rápido demais. Muito rápido, tão rápido que nem dá tempo de tentar entender e processar o que foi vivido nas poucas horas atrás.

A molecada acorda cedo, vai pra escola. Chega em casa, almoça ao mesmo tempo que assiste TV, atualiza a conversa no WhatsApp, checa sua ‘TimeLine’ no Facebook, curte páginas dos amigos, coloca em dia as curtidas do Instagram e comenta de forma superficial – pois não compreende o contexto e complexidade – as reportagens da TV. Se perguntar quem dividiu a mesa com eles (os pais também estão brincando com o celular) é possível que nem tenham se dado conta, pois estão mais próximos dos amigos “virtuais” do que daqueles que compartilham o mesmo espaço, a mesma mesa e a mesma comida com eles. Mas o mais trágico nisso tudo é que os pais, também, estão sentados à mesa assistindo TV, atualizando a conversa no WhatsApp, checando sua ‘TimeLine’ no Facebook, colocando em dia as curtidas do Instagram e comentando de forma superficial as reportagens da TV.

Depois do almoço os pais irão para o trabalho e os filhos para a aula de computação, inglês, academia…

À noite ficarão no quarto em frente ao note navegando por sites que jamais se lembrarão, conversando pelo skype, jogando on line, até a hora de dormir.

No final de semana estes jovens dormirão a maior parte do tempo para se preparar para a noite, para a balada, onde pegarão todos e todas e beberão até cair.

Estes jovens entram muito cedo em sua vida pretensamente “adulta”. Já “brincam” de papai e mamãe antes mesmo de brincar de casinha. Estes jovens são lançados da infância, cada vez mais curta, direto para a vida “adulta”, passando sem piscar pela adolescência.

Qual estrutura e base estes jovens terão para superar conflitos pessoais? Comportam-se como adultos aos 13, 14, 15 anos e, em muitos casos são tratados como adultos, mas não são adultos, são crianças e adolescentes que não sabem absolutamente nada da vida, mas são cobrados como se soubessem de tudo e pior, acreditam que sabem sobre tudo. Eles querem ser aceitos, infelizmente querem ser aceitos em um mundo irreal de aparências!

Nesse “nosso” mundo do “parecer”, do “fake”, do consumo do corpo perfeito, da mentira perfeita, do dinheiro a qualquer custo, do consumir e exibir, da exposição sem limites, da falsa propaganda que vende vidas “perfeitas” somos “forçados” a fazer parte dessa sociedade de “mentirinha”.


Na sociedade do consumo do corpo perfeito, da vida perfeita, do ser perfeito, não existe espaço pra “ser humano”, não existe lugar “para sermos quem somos”, aqueles que exibem suas imperfeições, pois o imperfeito não cabe na aparência perfeita do mundo da mentira.

Todos nós queremos fazer parte de algo, ser parte de algo. Principalmente quando somos jovens. Nossa turma é nossa razão de ser e estar no mundo. Comportamo-nos como tribos, somos territorialistas e, fazer parte deste “algo” nos confere identidade. E aí para fazer parte desse mundo, o jovem segue a turma, mesmo em muitos casos, sem saber por que está fazendo isso, mesmo sabendo que muitas coisas que fazem são erradas, vale a pena correr o risco para “ser” parte da turma!

E neste mundo, empoeirado, intenta-se forçar o sujeito a aderir sem contestação ao padrão de ser e estar neste “mundo”, reduzindo sublimes e maravilhosas peculiaridades e particularidades, ou seja, nossas magníficas diferenças, em uma uniformidade que se encaixa na perfeita adequação a uma sociedade tamponada, uniforme, opaca, moralista, hipócrita. É a construção de um mundo baseado em mentiras e sem alicerce.

As inquietudes de nossa alma deveriam ser tratadas em nossas relações cotidianas, primeiro no seio carinhoso da família, depois nas escolas, nos relacionando com os professores e com os colegas de aula, com os amigos e também com os inimigos, com os namorados, patrões… Vivendo nossas experiências boas e más, aprendendo a entendê-las. Passamos por frustrações a aprendemos a superá-las. Este é o ciclo natural das coisas, é preciso viver para compreender a vida, viver todas as emoções, boas e más, sorrir, chorar, vencer, perder, amar, rejeitar, ser rejeitado, ter amigos, inimigos, construir alianças, quebrá-las… Cabe a família dar o suporte, fornecer o alicerce para que este ser, mesmo em épocas de tempestade, não desmorone. E na convivência cotidiana, construirá seu edifício interno, com janelas, portas, divisórias, que poderá balançar em muitos casos, mas jamais desabar se bem estruturado.

Mas como educar se os pais não têm “tempo” para ajudar estes jovens a construir sua estrutura?

Os filhos não têm “tempo” para escutar o que os pais têm pra dizer, talvez uma conferência familiar pelo Whats ou Skype, quem sabe…

Os amigos não têm todas as respostas

E talvez o mais triste para esta geração

O Google não tem todas as respostas.

Nossos jovens produzem eventos para postar, ser curtido e comentado. Situações são criadas para movimentar e dar liquidez ao “mercado” da popularidade, as “ações pessoais na bolsa virtual” crescem conforme o número de “posts, comments e likes”. Uma sociedade baseada no consumismo, que valora cada ser humano por seus bens de consumo e potencial de exibição do produto, passou a consumir avidamente “vidas”. Vidas são colocadas em exposição, para o deleite do consumidor e regozijo daquele que se expõe, pois quanto mais visto, mais é consumido, assim, ganha popularidade, consequentemente “poder”. Uma sociedade sem amor, sem paz e sem alma.

A alma não está sendo vendida para o diabo, mas sim, depositada em sites de relacionamento e eventos que precisam ser constantemente alimentados para nutrir o mercado. Se não existe um evento, tudo bem, faz-se imagem de si mesmo, pois a imagem é tudo neste mundo baseado no TER, SER não importa, o que vale é PARECER e, para parecer e aparecer é preciso exibir.

É imperativo que estes jovens compreendam que eles NÃO têm o valor do que é “consumido” ou do que consomem em imagens, exposição, “likes”, compartilhamentos e “comments”. O seu valor não é “subjetivo e líquido”, pois este “valor” está na forma como ele se constitui enquanto ser humano real. SER REAL não é nada fácil no mundo “líquido”, mas precisamos tentar, não apenas com os jovens, mas também em relação a nossas vidas, pois creio que se hoje estas moças e moços vivem dessa forma, não são nada diferente de quem os criou, pois nossa sociedade vive de ter e exibir, nossa juventude nada mais é do que reflexo de uma sociedade “adoentada”.

Pois nossas crianças já nascem sem tempo, extremamente competitivas, presas em escolas integrais que garantirão seu “futuro”. E dessa forma continuarão a lubrificar as engrenagens de nossa sociedade doente e “medicada” que confunde saúde com remédios, consumo com qualidade de vida, amor com bens de consumo. Estamos formando uma geração de egoístas, alienados e inconsequentes, que se preocupam mais com sua imagem do que em “ser” humano.

Quando somos jovens, acreditamos que sabemos tudo, que estamos prontos para a vida, mas viver nos ensina que a gente não sabe NADA sobre a vida. Compreender e aceitar que não somos e nunca seremos perfeitos, que simplesmente não sabemos de quase nada e nem temos certeza de tudo, nos torna mais abertos, mais humanos, mais doces, mais amorosos e tolerantes, com nós mesmos e com os outros. Mas para que nossos jovens possam compreender tudo isso, precisamos cria-los para que sejam mais humanos, colaborativos, criativos, transgressores, mas para isso, precisarão ser ensinados que serão alguém, não pela quantidade de bens que possuírem e exibirem, mas sim, por “ser” humano, “ser” como verbo de ação!

sábado, 25 de abril de 2015

Se colocar em primeiro lugar é o oposto de egoísmo (O Segredo)

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Há um enorme mito em nossa cultura que precisa ser mudado. A ideia de que se colocar em primeiro lugar é uma atitude egoísta.

Quando você ama outra pessoa (seja seu sócio, um membro da família ou um amigo), você prioriza pensar sobre seus desejos, necessidades, interesses, inclinações e assim por diante, certo? Isto faz sentido: nós queremos fazer aqueles a quem amamos felizes, queremos fazê-los se sentirem ouvidos e compreendidos.

Mas amar aos outros não te impede de também amar a si mesmo.  Na verdade, talvez todos nós devêssemos tentar cultivar mais amor por nós mesmos do que pelos outros.

O que quero dizer com isso? Bem, amarmos a nós mesmos em primeiro lugar garante que nossa atenção pelo outro vem de um lugar de abundância interior, e de um sentimento de cuidado que começa de dentro. Como resultado, nós nos tornamos parceiros, familiares e amigos mais dedicados.

Parte do problema cultural é que a maioria das pessoas, talvez inconscientemente, associa a ideia de amar aos outros com o esquecimento sobre si mesma. Devido a esta dinâmica, nós constantemente criamos ressentimentos e frustrações indiscutidos (que podem realmente acabar machucando as pessoas ao nosso redor, mesmo sem perceber).

Se você quer dar o seu melhor, tem que começar a colocar-se em primeiro lugar. Sim, exatamente isso. Acima de seu parceiro, filhos, patrão, amigos, família, cão, gato, amigo imaginário. Não há ninguém que se beneficia do fato de você estar em segundo lugar.

Aqui estão os porquês de você precisar mover-se para esse 1º lugar:

1. As pessoas que você mais ama também te amam

Seus entes queridos querem te ver feliz e saudável. Pense em todos os relacionamentos dos quais você faz parte, e quão melhor eles são quando a outra pessoa se sente no auge emocionalmente, fisicamente e mentalmente. Pense em como você se sente quando dorme o suficiente todas as noites, se exercita regularmente, come alimentos saudáveis, vê os amigos e familiares com uma boa frequência, envolve-se em melhorar seu trabalho. A lista continua.

Por outro lado, quando você se torna distante e sem energia, sua irritabilidade afeta as pessoas que você ama, não apenas você. Quando você direciona atenção parcial em si mesmo, em todas as áreas de sua vida você será apenas parte do que pode ser. Seus entes queridos irão sentir isso, e seus relacionamentos serão difíceis.

2. Quando você está sobrecarregado, você simplesmente não consegue aproveitar os bons momentos da vida

Excesso de trabalho, ansiedade no limite, estresse e/ou exaustão podem fazer com que tudo pareça uma tarefa, dever. Mesmo as coisas boas, como planos para o jantar com amigos ou ler um bom livro. Mas por quê? Porque você precisa de uma pausa. Mesmo que aquele show pareça ser pura diversão, você não consegue estar totalmente presente e dar sua energia positiva para a situação, se estiver vazio.

Quando a "explosão" acontece, você esgota sua serotonina e outros "hormônios da felicidade" tentando seguir em frente. Você não tem mais a "química do cérebro" para ser feliz apenas sendo, e muito menos aproveitando qualquer atividade positiva que tenha planejado. Às vezes, dizer "não" aos planos aparentemente divertidos com amigos ou família, significa dizer "sim" para a sua felicidade geral (e a de seus entes queridos), mesmo que pareça contraditório.

3. Descansar não é uma opção, é uma obrigação

Nunca faltam itens na sua lista de coisas para fazer, convites para aceitar e compromissos para cumprir. É natural querer dizer "sim" para tudo isso. Para agradar as pessoas. Para evitar conflitos. Para ser "bom". As razões são infinitas, e é exatamente por isso que é hora de todos nós para pararmos.

Nossa psicologia e fisiologia estão intimamente interligadas. Quando você não descansa e nem faz uma pausa, seu corpo entra em modo de sobrevivência, seus níveis de cortisol aumentam, agravando o estresse, e "explosões" tornam-se frequentes. Isto significa pegar reforços de partes do nosso cérebro reservados para coisas como amor, conexão e contentamento. Quando você sobrecarrega uma parte de si, tudo (e todos) sofrem.

Não há problemas em recusar educadamente convites de entes queridos e dizer que você tem outros planos, mesmo que esses planos sejam com o seu sofá.

4. Ir além de seus limites pessoais pode deixá-lo fisicamente doente

Estresse, ansiedade e exaustão causam estragos em sua fisiologia. O estresse é o nosso sistema de alarme interno que nos diz que estamos nos aproximando de solos perturbados. Evolutivamente, o estresse prepara nosso corpo para desafios, nos dando recursos extras para que possamos sobreviver ao problema que está à nossa frente. Quando precisamos dele, o estresse é uma coisa boa. No entanto, agora que tantas pessoas estão vivendo em um estado crônico de ansiedade, nossos corpos estão trabalhando até a morte. Literalmente.

Estresse provoca uma reação em cadeia que puxa recursos de sua mente e corpo que são destinados para uso em outros lugares. Enquanto a resposta ao estresse interno é uma ocorrência de emergência temporária, uma superabundância de estresse e uso excessivo de nosso sistema nervoso central e hormônios faz com que nosso sistema imunológico sofra. O estresse é a porta de entrada de doenças em nosso corpo.

5. Sua energia é transmitida àqueles a quem você ama


As pessoas sentem a energia que você transmite, em cada situação. Se você está feliz, elas irão respeitar isso. Se você está com raiva, elas também irão sentir. Suas emoções não têm que ser extremas para seus entes queridos absorverem essas energias.

Se você está sozinho em sua cozinha e seu melhor amigo ou um membro da família entra, eles irão sentir o tipo de humor no qual você está instantaneamente. Está se tornando normal ver crianças com altos níveis de cortisol por terem absorvido o estresse de seus pais.

A melhor coisa que você pode fazer por seus entes queridos é ser o mais saudável e feliz que puder. Às vezes, isso significa dizer "não". Às vezes esse "não" pode decepcionar os outros. Mas o mais importante de tudo é ouvir a sabedoria de seu corpo e seu estado de espírito. Ter tempo para si mesmo ajuda todos ao seu redor. Confie em mim, você vai me agradecer depois.