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sexta-feira, 20 de março de 2015

Homem se recusa a sair de Fukushima e é conhecido como "Guardião dos animais" - Samantha Kelly (Portal do Cat)


Sobrevivendo apenas de comida enlatada, sem eletricidade ou água corrente, ele sente pelo esquecimento da população quanto a situação dos animais.

No trágico desastre da usina nuclear de Fukushima, um homem se recusa a ir embora. Naoto Matsumura, de 55 anos, um antigo fazendeiro, dedica a sua vida aos muitos animais que foram deixados sem assistência pelo governo japonês quando as pessoas foram evacuadas da zona de radiação.

Conhecido como "O guardião dos animais de Fukushima", ele realiza um belo trabalho cuidando dos animais. Quando ele começou a alimentar seus próprios animais, os animais vizinhos começaram a aparecer, desesperados por comida. A partir de então, ele começou a alimentá-los também, trazendo comida de fora da zona para a cidade.

Segundo Matsumura, os animais o seguiam e não podiam mais esperar a demora. Eles se reuniam latindo e miando, todas as vezes que seu caminhão passava.

Todos os lugares que eu ia, sempre havia o latido ou miado. Como se dissessem "Estamos com sede!" ou "Nós não temos nenhuma comida", então eu simplesmente continuei voltando.

Em uma entrevista para a CNN, Matsumura se diz cheio de raiva:

É por isso que eu ainda estou aqui. Eu me recuso a ir embora e deixar essa raiva e mágoa. Eu choro de ver minha cidade natal assim. O governo e as pessoas de Tóquio não sabem o que realmente está acontecendo aqui.

Sua luta começou com o simples desejo de alimentar os animais de sua fazenda. O governo evacuou os 78 mil residentes que moravam em volta da usina sem um plano para resgatar os animais. Muitos deixaram seus pets ainda amarrados, acreditando que voltariam logo.

Quanto à radiação, ele diz que prefere não se preocupar, porém sabe estar exposto a ela todos os dias. Sobrevivendo apenas de comida enlatada, sem eletricidade ou água corrente, ele sente pelo esquecimento da mídia e da população quanto à situação dos animais e da cidade.

Todo o trabalho é custeado por doações através de pessoas que moram fora da zona de radiação.


























quinta-feira, 19 de março de 2015

O japonês Naoto Matsumura se entrega à radiação para salvar os animais esquecidos (Direito dos Animais)


No mês que marca o 4º aniversário do terremoto que assolou o Japão, afetando a central nuclear de Fukushima, a qual começou a irradiar radiação, levando milhares de pessoas a abandonar as suas casas, surge a história de um habitante local, que ao longo deste período, abdicou da sua saúde em prol dos animais abandonados.

O desastre na Central Nucelar de Fukushima Daiichi, ocorrido a 11 de março de 2011, resultou da destruição de três dos seis reatores nucleares da central. A falha ocorreu quando a central nuclear foi atingida por um tsunami provocado por um terremoto de magnitude 9.0.

No dia seguinte, as instalações começaram a libertar quantidades significativas de material radioativo, tornando-se no maior desastre nuclear desde Chernobil, em abril de 1986, e o segundo (depois de Chernobil) a chegar ao nível 7 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares.

Naoto Matsumura, um agricultor de 55 anos, voltou para casa, em Tomioka, logo após a tragédia. Apesar de ter conhecimento dos riscos que corria devido à propagação de material radioativo, Naoto queria certificar-se que os cães da quinta da sua família estavam bem. O seu propósito foi tão honorável que já mereceu a realização de um documentário.

"Os homens e os animais são iguais", afirma o corajoso agricultor que segue essas palavra como um lema.

Segundo o site Good News Network, a urgência da evacuação levou muitas pessoas a deixarem os seus animais de estimação para trás. Muitos habitantes pensaram que poderiam voltar rapidamente. Contudo, o acidente nucelar foi pior do que se poderia ter imaginado e a grande maioria das pessoas nunca mais voltou para casa.

No entanto, Naoto desafiou as autoridades japonesas e voltou à sua terra, Tomioka, na província de Gunma. No seu regresso, descobriu que muitos dos animais dos seus vizinhos continuavam presos, esfomeados, à espera que os donos voltassem. O agricultor não conseguiu ficar indiferente ao sofrimento dos animais e escolheu ficar entre eles,sujeito à radiação. Naoto passou, desta forma, a cuidar de cães, gatos, porcos, vacas, avestruzes e até um pônei.

A história mais impressionante que viveu foi a de um cão, a que chamou Kiseki (Milagre), que ficou quase um ano fechado num celeiro e que se foi alimentando com os restos de outros animais. Ao longo destes últimos quatro anos, o agricultor tem vivido exposto a quantidades de radiação contraindicáveis para seres humanos.

Ao ser analisado pelos médicos da Universidade de Tóquio, os resultados foram impressionantes. Os profissionais de saúde nunca tinham visto um homem com níveis tão altos de radiação no organismo. Naoto Matsumura ainda não sente os sintomas adjacentes  ao que alberga dentro de si e, por isso, vai passando a sua vida da forma mais normal quanto é possível.

Provavelmente dentro de duas décadas comece a sofrer as consequências de tão elevada exposição à radiação. Todos os anos, particularmente no mês em que se assinala a  tragédia vivida naquela zona, são várias as pessoas que por lá passam. Desde jornalistas a antigos habitantes da cidade, que trazem donativos para que Naoto consiga continuar a alimentar os animais abandonados.

Naoto continua a sua corajosa caminhada, em que, a curto ou longo prazo, optou por travá-la junto dos animais esquecidos.